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Esquemas de Mensagens do cursilho:

 Como montar as mensagens e meditações do Cursilho

#MENSAGEM INICIAL do cursilho

#2º mensagem    meditação     “Um olhar sobre si mesmo!”

#TERCEIRA MENSAGEM: MENSAGEM-MEDITAÇÃO: OS ENCONTROS COM CRISTO

#QUARTA MENSAGEM: MENSAGEM-MEDITAÇÃO: UM PAI RICO EM MISERICÓRDIA

#QUINTA MENSAGEM:O SENTIDO DA VIDA

#Mensagem: o Sentido da Vida( saluar)

#SEXTA MENSAGEM GRAÇA: A VIDA NA VIDA

#SÉTIMA MENSAGEM: JESUS CRISTO, HOMEM E DEUS LIBERTADOR

#JESUS CRISTO – MENSAGEM CURSILHO (SALUAR)

#OITAVA MENSAGEM: A COMUNIDADE DO POVO DE DEUS: IGREJA

#NONA MENSAGEM Fé e sua VIVÊNCIA (ESPIRITUALIDADE)

#DÉCIMA MENSAGEM: A ORAÇÃO: COMUNHÃO, FORÇA E AUMENTO

#DÉCIMA-PRIMEIRA MENSAGEM: MEDITAÇÃO: MARIA, MÃE DE DEUS   E  DA IGREJA

#DÉCIMA SEGUNDA MENSAGEM FORMAÇÃO EDUCAÇÃO PERMANENTE DA FÉ

#FORMAÇÃO, EDUCAÇÃO PERMANENTE NA FÉ (SALUAR)

#DÉCIMA TERCEIRA MENSAGEM: SACRAMENTOS: SINAIS DE UMA PRESENÇA VIVA

#MENSAGEM CUR JOVENS: O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO(SALUAR E TEKA)

#DÉCIMA-QUARTA MENSAGEM OBSTÁCULOS AO REINO DE DEUS O PECADO

#DÉCIMA QUINTA MENSAGEM O CRISTÃO COMPROMETIDO

#DÉCIMA-SEXTA MENSAGEM - MEDITAÇÃO A SEMEADURA E A VINHA DO SENHOR

#MEDITAÇÃO SEMEADURA E A VINHA   Mat.13,3-9

#DÉCIMA SÉTIMA MENSAGEM EVANGELIZAÇÃO DOS AMBIENTES

#PRIMEIRO MOMENTO: VER: TIRAR UMA FOTOGRAFIA, O MAIS FIEL POSSÍVEL, DA REALIDADE

#MENSAGEM COMUNIDADES NO PÓS-CURSILHO ( SALUAR)

#MENSAGEM: FIDELIDADE E ESPERANÇA (SALUAR)

 

Mensagem: Como montar as mensagens e meditações do Cursilho

Diz o Papa Paulo VI que "este problema de "como evangelizar" apresenta-se sempre atual, porque as maneiras de o fazer variam em conformidade com as diversas circunstâncias de tempo, de lugar e cultura, e lançam, por isso mesmo, um desafio em certo modo à nossa capacidade de descobrir e adaptar."

  Diz, ainda, que: "a nós incumbe o cuidado de remodelar com ousadia e com prudência e numa fidelidade total ao seu conteúdo, os processos, tornando-os o mais possível adaptados e eficazes, para comunicar a mensagem evangélica aos homens do nosso tempo

 A estratégia do CUR, diante de uma única Mensagem: o plano de Deus >> pode ser dada em uma hora, 1 dia , dois dias, 3 dias!

Pede a harmonia nas 4 dimensões

 Pois > uma única Mensagem a ser proclamada no CUR, toda ela querigmático-profético-vivencial, conforme o carisma do MCC.

Depreende-se, pelo que se expôs, que essa Mensagem única gira em torno do Plano de Deus, a Graça (Vida); do Reino de Deus (Valores) e do Seguimento de Jesus de Nazaré (Experiência).

 Esse é o âmago, o coração da única Mensagem o qual não podem os "mensageiros" perder de vista.

 É como que o fio condutor que vai tecendo todas as demais mensagens.

Sem esse fio, não só elas ficam soltas, desligadas umas das outras, como se perdem de vista seus objetivos, criando na cabeça dos participantes não uma organização, uma tessitura que os oriente, mas um emaranhado de idéias no qual facilmente se perdem.

 Todas as mensagens - enraizadas numa só Mensagem - buscam facilitar a conversão integral, progressiva e permanente dos participantes.

Ainda que bíblica e teologicamente fundamentadas, nascidas de uma única Mensagem,

 - As mensagens não são discursos teológicos ou aulas catequéticas.

O aprofundamento pela catequese virá depois, na Escola Vivencial de Fé e Vida ou alhures

No CUR são e devem ser proclamações profético-salvífico-transformadoras.

Anunciam o fundamental humano e cristão (por isso se chamam querigmáticas) para uma conversão integral da pessoa, isto é, para a conversão do coração, não somente numa direção pessoal, intimista e vertical, mas conversão de dimensão social, voltando-se para Deus, para o irmão e para as realidades terrestres, para a história.

cujo eixo e cerne já foram objeto destas reflexões, reparte todo seu conteúdo em momentos diferentes e proclamado por diversas pessoas.

 Quais as mensagens a serem proclamadas pelo sacerdote e quais pêlos leigos? Acredita-se ser já a hora de se esquecer a tradicional divisão entre "mensagens místicas", por conta do sacerdote e " mensagens por conta do leigo.

 Todas as mensagens trazem doutrina, devem ser testemunho, isto é, devem revelar uma experiência de Deus na vida e, portanto, são "místicas".

Um dos maiores teólogos do nosso século, Karl Rahner, já no fim da vida, afirmou que "o cristão do futuro ou será um místico, ou seja, alguém que experimentou alguma coisa, ou não será nada".

 Entretanto, permanece a pergunta: e agora, quem faz o quê? A resposta é que todos - cristãos leigos e cristãos sacerdotes - devem ou deveriam estar preparados para proclamar a Mensagem toda e todas as mensagens, cada um exercendo suas funções próprias.

 Há que se supor, por parte de todos, o adequado conhecimento da doutrina e que tenham razoável conhecimento de teologia e testemunho suficiente para cumprir essa missão.

 Todas as mensagens, desdobramentos da única MENSAGEM, da primeira à última, são proclamações proféticas e querigmáticas, que buscam a conversão integral, isto é a "metanóia" ou mudança,  dos participantes.

 Elas proclamam, com clareza e coragem apostólica, a verdade fundamental salvífica do Reino de Deus, anunciado por Jesus no contexto do Plano de Deus.

 No primeiro dia essa finalidade pastoral é proclamada implicitamente no conjunto da Mensagem.

 Desde aquele momento, ela deverá preocupar o cursilhista quanto à sua volta para o mundo.

 À medida que as mensagens vão sendo apresentadas como um comprometimento com o Reino e o Plano de Deus concretizado na vida da Graça e com o seguimento de Jesus Cristo, vai-se tornando mais explícita a finalidade pastoral do MCC.

 Esse anúncio, mais ou menos implícito, torna-se-á mais claro e exigente no último dia. Recomenda-se, usando o antigo provérbio, que "o que você quer alcançar, no fim, como realização, esteja desde o começo em sua mente, como intenção".

 Atenção especial merecem as mensagens-meditações:  elas não são exposições iguais às outras. São uma forma especial de oração, inspirada ou nos textos bíblicos ou num tema específico.

 Para se criar clima favorável à meditação costuma-se apresentá-la na capela.

No seu desenvolvimento, intercala-se a exposição dos pensamentos com momentos de silêncio, para facilitar a oração pessoal dos participantes. Isso deve ser esclarecido logo na primeira meditação.

 Eventualmente, o próprio "mensageiro" interrompe, de quando em quando, sua fala, para dirigir-se ao Senhor, fazendo, à guisa de exemplo, uma brevíssima oração em voz alta.

 O responsável - leigo ou sacerdote - que vai elaborar e proclamar a mensagem deverá, com o auxílio da Escola Vivencial e do Núcleo Ambiental ou Grupo/Comunidade a que pertence, e com o testemunho de sua vida, redigir a mensagem em rigorosa consonância com as "linhas" teológico-pastorais já acima explicitadas e não com as "linhas" que ele mesmo tem em sua cabeça. Nós temos o livro de mensagens: as idéias chaves e as finalidades estão nele. As palavras nós dizemos, não as que estão ali mas que nossa vida fala!

 A infidelidade a essas "linhas", levará à distorção do núcleo da mensagem e, portanto, ao desvio das intenções com que foi elaborada.

Por exemplo: omitir, na proclamação da mensagem FÉ, a referência explícita à sua dimensão social, ou omitir referências à dignidade da pessoa e a seus direitos fundamentais, desvirtua e diminui a força de toda a mensagem, com conseqüências na eficácia do restante do CUR.  

O cristão seja leigo ou sacerdote, que não esteja de acordo com a linha adotada pelo movimento no anúncio da mensagem, não pode e nem deve ir ao CUR como responsável.

Quanto às ideias fundamentais sugeridas

 No livro – esquemas  estão idéias fundamentais e não palavras que os "mensageiros" devem repetir mecanicamente. As palavras sugerem idéias; as idéias deverão ser traduzidas em palavras que possam ser mais facilmente captadas, de acordo com as circunstâncias dos participantes e dos próprios mensageiros. Obviamente, é oportuno repetir que o melhor da atenção será dedicado ao estudo, à reflexão, à oração, prévios à redação do esqueleto que deverá receber a "carne-testemunho da vida".

Ao elaborar sua mensagem, o responsável tenha continuamente bem claras diante dos olhos, na sua cabeça e no coração, as FINALIDADES que a norteiam.

E nunca perca de vista seu eixo fundamental:

O ANÚNCIO DO REINO

NO CONTEXTO DO PLANO DE DEUS

E NO SEGUIMENTO INCONDICIONAL DE JESUS.

 IDÉIAS-CHAVES

Uma das preocupações de que dá A MENSAGEM, é dar o recado certo

Chamar a atenção do cursilhista  para o essencial,  as ideias

forças do assunto  (o esqueleto básico),   sem o entendimento do qual o  resto fica sem sentido.

 O MENSAGEIRO então deve se desdobrar sobre esse essencial:  explicar mais,  repetir,  contar historinha, dar testemunho de vida

FUNDAMENTAR O TESTEMUNHO

Um testemunho sem fundamentação fica vazio de espiritualidade

 Uma formula muito SEM fundamentação É a de  iniciarmos o nosso testemunho com o já famoso "DC"  (depois do meu Cursilho), que nada diz de nossa espiritualidade,  de nossos sentimentos interiores.

É óbvio que no Cursilho que fizemos tomamos consciência de muita coisa. Pois é essa tomada de consciência  (sentimento interior)  que devemos colocar como base, motivo,  razão de nossos atos,  nossas ações apostólicas, É isso que dá valor aos nossos atos.

 A simples testemunhança de:  há!, hoje eu cato quilo, cobro dízimo, faço leitura,   só legal em casa,  sou amigo do vigário, não tem sentido algum.

O líder cristão deve saber o_que FAZ e porque FAZ. E mais ainda: saber fundamentar (explicar)  porque  faz.

Todo testemunho deve estar fundamentado no SER. >>>SER para depois FAZER,

FAZER sem SER é fingimento, isto frizamos no Cursilho, Falar do que FAZ, sem frizar que É, pode igualmente dar idéia de fingimento.

 Eis algumas palavras chaves:  tomada de consciência, descoberta, experiência,  dar conta,  fazer opção,  exigência,  etc.

Exemplos:

-  Eu estou aqui por exigência do meu Batismo,  e não simplesmente porque fui chamado...

-  Depois que eu dei ou tomei conta ou tomei consciência da eficácia da Graça de Deus...

- Disseram-me,  certa feita,  que eu como leigo devia ser leal duas

Vezes: a Deus e ao mundo.  AÍ fiz a minha opção, estou com os dois até hoje.  

-. Depois que acordei para a minha dignidade e respeitabilidade de

cristão...

- Gente,  eu tive um encontro pessoal com Jesus Cristo  Essa experiência, mudou toda a minha vida, vejam lá:

-  Tomei consciência do Sacramento da Confirmação que recebi quando  jovem, não baixo a cabeça por nada Fui  confirmando de pé,

lá na frente, diante da Igreja toda

 PRINCIPAL TESTEMUNHO

Pede uma fundamentação mais ampla, que ligue o sua mensagem as mensagens básicas do 1º dia (Ideal-Graça-Igreja)  e estabeleça assim

a interligação total da mensagem:

- Depois que descobri o sentido de minha vida (sentido da vida), e mais que isto: o sentido de minha vida cristã (Graça), convivida com meus irmãos (Igreja)...

 Considerações gerais

Senso crítico -Ao ouvir a apresentação da mensagem, o responsável deve procurar colocar-se no lugar do neo-cursilhista, perguntando-se: se eu estivesse ouvindo falar sobre esse tema pela primeira vez, eu entenderia sua essência?

 Estilo - Mensagem não é aula, não é discurso, não é palestra... É a exposição testemunhal de uma doutrina e tem, por isso, um estilo muito peculiar.

De outro lado, o Cursilho se caracteriza pela proclamação querigmática, ou seja, o anúncio de Jesus Cristo com vistas à conversão.

Quem transmite a mensagem deve revelar a convicção de profeta entusiasmado que anuncia Jesus Cristo àqueles que não O conhecem, O conhecem mal ou O esqueceram.

 Naturalidade - O responsável que proclama a mensagem é o mesmo que trabalha no grupo e conversa à mesa, durante as refeições. Deve, pois, expor sua mensagem com seu linguajar normal, isto é, em linguagem falada, não em linguagem escrita...

Se não for assim, corre o risco de parecer retórico e artificial e, como resultado, terá mais dificuldade de se comunicar, de atingir os ouvintes.

 Coerência - Sendo testemunhal, a mensagem deve mostrar coerência entre o conteúdo doutrinário exposto e a vida de quem o proclama... Essa coerência vai-se revelar concretamente nos depoimentos que o mensageiro conta para mostrar como testemunha aquilo que prega... Esses depoimentos devem ilustrar a doutrina que está sendo exposta naquele momento, porque têm, também, o valor pedagógico de ajudar a compreensão da mesma.

 Devem ser sempre, preferentemente, relacionados com a vocação do leigo, com a vida no mundo, com a transformação ambiental e só excepcionalmente, quando se justificar, relativos ao exercício da convocação, ou seja, da ação intra-eclesial.

 Seqüência - A seqüência do esquema deverá ser respeitada e o seu conteúdo levado em consideração. Não deve, entretanto, o mensageiro, ater-se ao texto, reproduzindo-o apenas, nem desenvolvê-lo longamente. O esquema dá o conteúdo e a bibliografia: é como se apresentasse um "esqueleto" para ser preenchido com a "carne" do mensageiro...

 

MENSAGEM INICIAL do cursilho

 

       BOA NOITE, COMO JÁ DISSE O WALTER VALE SEJAM BEM VINDOS A ESTES TRÊS DIAS DE CURSILHO

Nesta primeira mensagem vamos conhecer um pouco o que é o cursilho.

O nosso movimento de cursilhos de Cristandade teve início na Espanha, em Palma de Mallorca. Por Alguns jovens leigos do movimento de ação católica Espanhola, que inicialmente tinham como objetivo levar por volta de 80.000 jovens à peregrinação do santuário de santiago de compostela apoiados por sacerdotes e pelo bispo Dom Hervas, todos preocupados com a evangelização do mundo moderno, criaram pequenos cursos preparatórios, que chamaram “Cursilhos”, que foram ministrados a milhares de jovens por toda a Espanha, durante vários anos.

Inicialmente foram chamados de cursilho de formação e apostolado, o primeiro em 1949.

Esta obra dos cursilhos espalhou-se por toda a Espanha e começou a espalhar-se pelos países de língua hispânica,

       Chegou ao Brasil, através dos sacerdotes e leigos da Missão Católica Espanhola, em 1962 e espalhou-se pelo Brasil, iniciando aqui em Aparecida/guará por volta de 1969.

 

       Mas o que é cursilho: como já vimos é uma palavra espanhola que significa: pequeno curso, curso de curta duração.

       É uma oportunidade para um auto conhecimento e para uma auto avaliação no contexto da fé cristã.

       É o anúncio claro e inequívoco do reino de Deus aos homens e mulheres do nosso tempo, como o fez Jesus no seu tempo.

       Proporciona melhor conhecimento do plano de Deus sobre cada um, sobre a história e sobre o mundo.

       É uma experiência de vida na fraternidade, na convivência, na caridade, no perdão e na partilha.

       A sua definição irá nascer desta experiência que iremos viver, é pessoal. A melhor definição cada  um vai dar depois de o Ter experimentado.

 Se compararmos com o gosto de uma fruta, qual é o gosto de uma laranja? Só podemos responder após experimentarmos a fruta.

       Para que serve o cursilho? :

Para dar respostas a muitos questionamentos pessoais.

Para mostrar como o evangelho, seus critérios e valores podem ser a resposta para o homem da era tecnológica, da modernidade, homem da informática, comunicação, conhecimento, autonomia, da pessoa explosão, pessoa emoção, com seus desafios, conquistas, suas frustrações, vitória e fracassos. Valores tais como: consciência, liberdade, responsabilidade.

Para anunciar a boa notícia, a boa nova e motivar uma dinâmica e um projeto de vida mais consoante com ela.

Possibilitar a conversão dos que aqui estão para o anúncio explícito daquela boa notícia ao mundo segundo o plano de Deus

Para denunciar contradições de uma sociedade que, efetivamente, de cristã não tem mais sequer o nome, porque tomou rumos diferentes daqueles pensados por Deus no seu plano de amor.

Para fazer uma experiência pessoal do nosso Deus.

É uma maneira de aprender, em três dias, a ser feliz por toda a vida, desde que haja continuidade nesse aprendizado.

 

       Para quem é o cursilho:

Para homens e mulheres, adultos e jovesns que tenham capacidade de redescobrir e reafirmar sua própria personalidade através de opções livres e conscientes

Para pessoas inquietas com a situação do mundo e desejosas de transformações da sociedade, nas dimensões do amor, da justiça, e da fraternidade.

Para todos aqueles que que possam e disponham a assumir compromissos efetivos de transformação pessoal, ajudando a construir uma sociedade justa e solidária.

Enfim, para todos que aqui estamos, nesta noite.

 

Existem algumas atitudes e condições que prejudicam:

       Falta de personalidade e de capacidade para decisões radicais.

       Imaturidade ou incapacidade de levar as coisas a sério.

       Covardia e medo de conhecer-se em profundidade, de enfrentar os desafios da realidade e de assumir compromissos.

       Pessimismo, derrotismo, e auto-suficiência; achar-se “dono” da verdade. Achar que não tem mais nada para aprender ou para receber.

 

Condições para uma participação eficaz:

       Não opinar antes do tempo

       Confiar nos amigos que, aqui os acompanham

       Respeitar a liberdade de cada um

       Afastar para longe os preconceitos

       Evitar comparações com outros movimentos de igreja dos quais alguns dos aqui presentes , eventualmente, participam

       Assumir e manter uma sadia atitude de aprendizado, pois somos todos aprendizes e discípulos do Senhor

       Julgar como importante, não tanto o que as pessoas venham a falar, mas o que através delas Deus quer falar à vida, ao corações, à consciência de cada um. Enfim o que Deus quer falar ao mundo de hoje através dos discípulos.

 

A eficácia do cursilho depende:

Da Graça de Deus: da oração de muitas pessoas daqui e de lá de fora; da sinceridade e da disponibilidade de todos

Do esforço para se conviver; da colaboração; do entusiasmo; da entrega e do espírito de caridade

Da própria organização do cursilho; embora essa organização não seja nem a principal e nem a maior preocupação, tudo está relativamente organizado e estruturado para que haja o máximo de aproveitamento.

 

O que se faz num cursilho:

       Aqui dentro procuraremos viver intensamente a normalidade da vida cristã. Vida esta que se desenvolve na oração, no estudo e no trabalho ou ação

       São três elementos que não se excluem mutuamente, mas que se completam, levando a um crescimento harmônico da personalidade humana completa: física e espiritual. Portanto teremos aqui:

Oração: isto é um maior e mais intenso contato com Deus a partir da realidade de nossas vidas.

Estudo : oportunidade de reflexão e de tomada de consciência e de decisões.

A mensagem que se vai transmitir aqui é uma só: que o reino de Deus está próximo; que Ele chama a todos para a conversão ao seu plano e ao seu reino e , à medida que se busca seguir Jesus de Nazaré, Ele mesmo dá os meios necessários para que esta resposta seja positiva

       Essa grande mensagem será proclamada em diferentes momentos, quer por cristãos leigos, quer por cristãos sacerdotes, que tentarão mostrar, cada um ao seu modo, e pelo testemunho de suas vidas, ainda que limitada pelas falhas humanas e , até por tantos pecados ::: como é possível viver a fé na situação conflitiva do mundo moderno

Trabalho ou ação:  Em grupos, debatendo os assuntos das diferentes mensagens e delas tirando conclusões pessoais e de futuros engajamentos comunitários.

 

Nada, portanto de extraordinário ou impossível:     >> simplesmente uma vida de maior integridade na oração, no estudo e no trabalho/ação, na perspectiva da fé cristã e de uma vida coerente com Ela.

 

Motivação para o silêncio:

Esta noite nos ficaremos em silêncio, pois facilitará nossa reflexão inicial destes dias;

Trata-se de criar um clima para que se possa ouvir mais claramente a voz de Deus.

Que seja um silêncio fecundo, interior, para que a palavra de Deus possa fazer-se carne na vida de cada um de nós

Para um melhor e mais profundo conhecimento de nós mesmos e das realidades e situações que nos cercam.

Este silêncio exterior deve ser um silêncio dinâmico- não mais uma perda de tempo-

       Para concluir, três conselhos amigos:

Não deixe passar esta oportunidade única em sua vida sem aproveitá-la até o último momento;

Não se deixe perturbar com algum desacerto inicial: isto é normal em situações como esta;

Não desanime: mesmo que neste início você não esteja entendendo nada, aos poucos as coisas vão ficando mais claras..

 Mantenha a tranqüilidade, não se precipite; Deus que o ama e que o trouxe para cá, está no meio de tudo isto através de Seu plano de amor.

 

             Agora vamos à capela para nossa primeira meditação

 

 

      2º mensagem    meditação     “Um olhar sobre si mesmo!”

 

Observação importante - Sendo o CUR um processo de conversão integral, essa meditação inicial de conversão deverá evitar dois extremos: de um lado, evite-se o contentar-se com um “Conhece-te!” a um conhecer-se pessoal, fechado na pessoa sobre si mesma: um encontro intimista e solitário, tal que o processo de introspecção conduza o retirante a uma tal e qual abstração da pessoa, tornando-a alienada das realidades circunstanciais em que vive. De outro lado, evite-se também “distrair” o retirante com uma encarnação tal das realidades e circunstâncias em que vive, e que êle, na análise dessas realidades, fique mais nelas, em si, “por fora”, e não tenha tempo de entrar “para dentro” dele mesmo... Não aconteça mais um “sair de si” do que um “entrar-em-si”...

 

Finalidades - 1. Que o retirante entre em si mesmo para um questionamento total, integral de sua vida.

                      2. Deixar claro que esse encontro leal consigo mesmo é condição fundamental para o encontro com Deus e com a Comunidade.

                      3. Levar o retirante a concluir que a idéia que êle faz de si mesmo e a idéia que os outros façam dele - esse juízo deveria coincidir com a idéia que Deus faz dele.

 

Idéias-Chaves - 1. Sem descer do pedestal do egoísmo e sem tirar a máscara da imagem pública, o homem tapeia-se a si mesmo e impede o encontro com Deus.

                           2. O homem não é “uma ilha”: suas atitudes têm reflexos ao redor de si: examine-se face à comunidade.

                           3. O trágico da vida é mentir a vida toda...

 

                        Esquema

 

Introdução - A mensagem inicial dizia-nos que o CUR não se define: porque é uma vivência, uma experiência. A primeira experiência é o silêncio que estamos iniciando agora. Nós, por nós mesmos concluiremos como o silêncio é indispensável, necessário para a vivência do CUR. Agora, aqui na capela, acontece mais uma vivência do CUR, através dessa meditação que tem o título de: “Conhece-te a ti mesmo!”.

 

1. Porque Você veio ao Cursilho? - Há vários motivos (enumerá-los). Chamaríamos essas causas de “causas segundas” ou “ocasionais”. Mas a Causa “causante”, a Causa “Primeira” é uma só: Deus! No fundo, foi um motivo de Fé, foi Deus que trouxe você aqui. Ele deve ter algum plano para você!

2. Pra que Você veio? - Para você fazer uma parada. Como é necessária e como faz bem uma parada, nessa corrida louca da vida. Estamos num mundo de massificação, tornamo-nos número, massa anônima... Nas prateleiras do mundo, as prateleiras todas trocadas: a inversão da hierarquia dos valores... A pessoa, o maior valor, insubstituível, é esquecido, trocado, escravizado, anulado... Daí essa confusão toda no mundo... Você está aqui para refletir, e, refletir em você!

2.1. Quem sou eu? - Há três “eus”: o “eu pedestal”, auto-suficiente, dono da verdade; o “eu máscara” da imagem pública onde a preocupação é saber o que os outros pensam da gente: mascaramos o nosso “eu” com as máscaras da imagem pública; e há o “eu” que Deus vê, aquêle do fundo da consciência que não podemos tapear. É esse o “eu” que devemos      enfrentar com toda lealdade e daí, com Deus, construir nossa vida.

2.2 Condição para conhecer-se - A humildade, a verdade: aceitar a realidade, não tapeá-la. Entrar dentro de si, com coragem, humildade, amor à verdade e remover o “ferro velho” do “fundão”... É o caso do navio que se desviava da rota, seguindo a direção da bússola que, por sua vez, era desviada da direção-norte pela ação de um monte de ferro velho que estava no porão do navio, ao lado da bússola... Removeram o ferro velho, e o navio seguiu viagem conforme o norte certo da bússola sem os desvios causados pelo ferro velho... Será que, no fundão de nossa vida, não haverá algum ou muito ferro velho desviando nossa vida?...

2.3 “Pare-Olhe-Escute” - Faça você também uma parada com o trem - da - vida. Talvez faz muito tempo que você “não dá bola” a esse sábio aviso - de - trem... A história do trem a altíssima velocidade, o maquinista vê um sinal e desesperado, mãos cruzando-descruzando, mandando parar... O maquinista pára o trem... verifica: uma borboleta entrou no farol e esvoaçava desesperada... Mas, olhando pra frente, maquinista estranha a paisagem, verifica e constata que os trilhos estavam distorcidos, havia um abismo e o trem parou a tempo... Será que com o trem de nossa vida não está acontecendo, nesse CUR, essa parada?...

2.4 Faça o Filme da Vida - Você mesmo vai produzir e rodar o filme. Vai ser “o(a) mocinho(a)” e “o(a) bandido(a)” do filme... Censura? Será que “os seus”, a comunidade, há muito tempo não estão cansados com esse filme? E você ... Rode o filme desde o começo da vida até o fim... Nome do filme? “Minha vida” ou “Quem sou eu?”... Nessa noite, vá rodando o filme, sem as costumeiras tapeações... desça do pedestal, tire as máscaras, desça ao fundo do porão, tire ferro velho... Acerte o Norte da Vida... E você irá descobrindo que o filme deve e pode mudar...o “branco-preto” pode ser substituído pelas cores lindas de uma vida nova... Coragem, passe o filme, nessa noite... Você não estará sozinho: Alguém está com você, conhece o filme melhor que você e quer, com você, refazer o filme da tua vida, Êle tem um Plano para a tua Felicidade...

 

 

Documentos:

                           Gaudium et Spes

                           Redemptor Hominis - João Paulo II

                           Puebla (308-315)

                           IFMCC -

Bibliografia:

                           Rollo May - “O Homem à procura de si mesmo”.   

 

ENCONTRO DE JOVENS

 

Para Quem serve o ENCONTRO? - jovens de personalidade: para pessoas capazes de uma opção livre e consciente. Para cristãos líderes que desejam melhorar, cristianizar mais seus ambientes e ajudar a Comunidade.

 

O ENCONTRO é para pessoas que, corajosas, sabem assumir, com humildade, mas com decisão os compromissos com Deus e com os irmãos.

 

O ENCONTRO, numa palavra, é para vocês, aqui presentes, que desejam coisas melhores do que as que estão por aí; fotografias de injustiças pessoais e comunitárias, de corrupção e fome, de agressões ao Amor.

 

O ENCONTRO é justamente para vocês jovens, desejosos de uma sociedade mais justa e fraterna - uma sociedade que deverá estar no Plano de alguém que também planejou a vinda e o encontro de vocês todos, aqui.

 

6. Atitudes prejudiciais no ENCONTRO - Há atitudes que poderiam atrapalhar o desenvolvimento e o aproveitamento do ENCONTRO, como por ex.: falta de personalidade ou incapacidade para decisões. Imaturidade ou incapacidade de levar as coisas a sério. Cobardia: medo de examinar-se, de enfrentar a realidade, medo de compromisso. Pessimismo, derrotismo, auto-suficiência.

 

Bem, mas “pelo visto”, podemos dizer, “de cára”, que essa “lista” não consta que esteja aqui, entre nós...

 

. Condições para um bom ENCONTRO - Não opinar antes do tempo. Confiem, pois os Dirigentes só querem ajudar.

Não exigir do ENCONTRO mais do que ele pode dar. As revoluções serão sempre pessoais, de vocês. Nossa preocupação é respeitar a liberdade de cada um. Afastem preconceitos,

 

Evitem comparações com outros ENCONTROS de Igreja e dos quais talvez alguns de vocês participam. Cada Movimento de Igreja tem sua validade e oportunidade; tem sua finalidade própria na pastoral da Igreja.

 

Todos nós, dirigentes e ENCONTRISTAS, estamos aqui, com muita humildade, para aprender. Não pretendemos ensinar nada a ninguém. Quem ensina é só Deus...

 

O importante, no ENCONTRO, não é bem o que os dirigentes vão falar - embora Deus os use como instrumentos - mas o importante mesmo é o que o Espírito Santo falar no coração, na consciência de cada um de nós...

 

8. A eficácia do ENCONTRO - depende:

a) de nós todos: de nossa sinceridade, de nossa disponibilidade; do nosso esforço para conviver; da nossa colaboração e entusiasmo, da nossa entrega, do nosso espírito de caridade.

b) A eficácia do ENCONTRO depende, acima de tudo, da Graça de Deus. E essa não falha. Vocês irão perceber como, atrás de tudo, há um Plano de Deus para nos fazer felizes mesmo.

Dependemos, aqui, da eficácia da Oração: há muita e muita gente rezando e sacrificando-se por nós nesses dias: teremos ocasião de constatar isso durante o ENCONTRO.

c) A eficácia do ENCONTRO depende também da ORGANIZAÇÃO. Tudo está preparado para que vocês aproveitem no máximo.

 O que se faz num ENCONTRO - Aqui haverá: oração, estudo e ação/LAZER.

Essas três ocupações irão se alternando, levando-nos a um crescimento da própria personalidade que será enriquecida e robustecida para depois voltarmos aos nossos ambientes onde vivemos com uma melhor visão da Fé.

A oração, aqui, não será nem demais, nem de menos, mas a necessária para entrarmos em contacto com Deus nesse dia e podermos levar mais Deus para a nossa vida.

 

O estudo será uma oportunidade para a reflexão e maior conhecimento das razões da nossa Fé., as mensagens serão proclamadas por cristãos leigos.

 

Eles tentarão mostrar, pelo testemunho de suas vidas, como é possível viver a Fé no mundo de hoje.

O trabalho ou ação será realizado em grupos de participação e debates sobre os assuntos proclamados pelas mensagens. Como vocês poderão constatar, nada haverá de extraordinário ou impossível.

Teremos simplesmente uma vida mais intensa de oração, estudo e ação, na perspectiva da Fé cristã e da vida.

 

 O silêncio - Para facilitar a reflexão inicial do ENCONTRO que vai nos convidar ao encontro conosco mesmos, com a nossa vida, com a nossa História - para ajudar esse encontro, faremos silêncio POR ALGUM TEMPO, rompendo-o QUANDO COMEÇAR A MÚSICA.

O silêncio nos ajudará a meditar melhor nesse encontro conosco mesmos. Pois, se pela palavra, pelas conversas, “nos pomos para fora”, pelo silêncio “nos pomos para dentro”...

 Conclusão - Permitam-nos três conselhos amigos:

- Aproveitar bem a oportunidade única do ENCONTRO

-não se perturbar com algum desacerto inicial - isso é normal;

mesmo que você não estivesse entendendo nada, neste início, não desanime: aos poucos as coisas vão se tornando claras, fique tranqüilo.

Deus, que o ama e o trouxe para cá, Ele está no meio de tudo isso com seu Plano.

 


 

                “CONHECE-TE! A TI MESMO!”

 

Introdução - A mensagem inicial dizia-nos que o ENCONTRO não se define: porque é uma vivência, uma experiência.

     A primeira experiência é o silêncio que estamos iniciando agora.

     Nós, por nós mesmos concluiremos como o silêncio é indispensável, necessário para a vivência do ENCONTRO

 

1. Porque Você veio ao ENCONTRO? - Há vários motivos

(enumerá-los).

POR QUE O TIO SALUAR FORÇOU A BARRA?

MEU PAI / MINHA MÃE FEZ COM QUE EU VIESSE?

SÓ POR ESTAR FAZENDO O CURSO DE CRISMA!

 

Chamaríamos essas causas de “causas segundas” ou “ocasionais”. Mas a Causa “causante”, a Causa “Primeira” é uma só: Deus! No fundo, foi um motivo de Fé, foi Deus que trouxe você aqui. Ele deve ter algum plano para você!

2. Pra que Você veio? - Para você fazer uma parada. Como é necessária e como faz bem uma parada, nessa corrida louca da vida.

     Estamos num mundo de massificação, tornamo-nos número, massa anônima...

     Nas prateleiras do mundo, as prateleiras todas trocadas: a inversão da hierarquia dos valores...

     A pessoa, o maior valor, insubstituível, é esquecido, trocado, escravizado, anulado... Daí essa confusão toda no mundo... Você está aqui para refletir, e, refletir em você!

 

2.1. Quem sou eu? - Há três “eus”: o “eu pedestal”, auto-suficiente, dono da verdade;

     o “eu máscara” da imagem pública onde a preocupação é saber o que os outros pensam da gente: mascaramos o nosso “eu” com as máscaras da imagem pública;

     E há o “eu” que Deus vê, aquêle do fundo da consciência que não podemos tapear. É esse o “eu” que devemos      enfrentar com toda lealdade e daí, com Deus, construir nossa vida.

 

2.2 Condição para conhecer-se - A humildade, a verdade: aceitar a realidade, não tapeá-la.

     Entrar dentro de si, com coragem, humildade, amor à verdade e remover o “ferro velho” do “fundão”...

     É o caso do navio que se desviava da rota, seguindo a direção da bússola que, por sua vez, era desviada da direção-norte pela ação de um monte de ferro velho que estava no porão do navio, ao lado da bússola...

     Removeram o ferro velho, e o navio seguiu viagem conforme o norte certo da bússola sem os desvios causados pelo ferro velho...

     Será que, no fundão de nossa vida, não haverá algum ou muito ferro velho desviando nossa vida?...

 

2.3 “Pare-Olhe-Escute” - Faça você também uma parada com o trem - da - vida. Talvez faz muito tempo que você “não dá bola” a esse sábio aviso - de - trem...

     A história do trem a altíssima velocidade, o maquinista vê um sinal e desesperado, mãos cruzando-descruzando, mandando parar... O maquinista pára o trem... verifica: uma borboleta entrou no farol e esvoaçava desesperada...

     Mas, olhando pra frente, maquinista estranha a paisagem, verifica e constata que os trilhos estavam distorcidos, havia um abismo e o trem parou a tempo...

 

     Será que com o trem de nossa vida não está acontecendo, nesse ENCONTRO, essa parada?...

 

2.4 Faça o Filme da Vida - Você mesmo vai produzir e rodar o filme. Vai ser “o(a) mocinho(a)” e “o(a) bandido(a)” do filme...

 

     Censura? Será que “os seus”, a comunidade, há muito tempo não estão cansados com esse filme? E você ...

     Rode o filme desde o começo da vida até o fim... Nome do filme? “Minha vida” ou “Quem sou eu?”...

 

     Nessa MANHÃ, vá rodando o filme, sem as costumeiras tapeações... desça do pedestal, tire as máscaras, desça ao fundo do porão, tire ferro velho...

     Acerte o Norte da Vida... E você irá descobrindo que o filme deve e pode mudar...o “branco-preto” pode ser substituído pelas cores lindas de uma vida nova... Coragem, passe o filme, nessa DIA...

 

     Você não estará sozinho: Alguém está com você, conhece o filme melhor que você e quer, com você, refazer o filme da tua vida, Êle tem um Plano para a tua Felicidade...

 

     AGORA CADA UM DE NÓS IRÁ SAIR, CADA UM PROCURE UM LUGAR SOLITÁRIO E FIQUE MEDITANDO SOBRE SUA VIDA, OS CRISMANDOS SOBRE COMO ANDA LEVANDO O CURSO DE CRISMA. CADA UM FAÇA UM PEQUENO FILME DE SUA VIDA.

     POR FAVOR SE VOCÊ NÃO QUER REFLETIR DEIXE O TEU COMPANHEIRO FAZÊ-LO. NÃO QUEBRE O SILÉNCIO, APROVEITE ESTE TEMPO! FAÇA UMA REVISÃO DA TUA VIDA!

     QUANDO COMEÇAR A MÚSICA VENHAM PARA ESTE MESMO LOCAL PERMANECENDO EM SILÊNCIO.

             

TERCEIRA MENSAGEM: MENSAGEM-MEDITAÇÃO: OS ENCONTROS COM CRISTO

Observação importante:

Assim como o "olhar", o "encontro" é abrangente e não contemplação narcisista de si mesmo. Portanto, quanto mais alguém "se enxerga", tanto mais enxerga o mundo e o outro, tanto melhor pode encontrar-se com o outro. O "encontro", aqui, é uma referência ao "Outro" que é o próprio Deus, à sua imagem nos demais seres humanos e à história.

Encontrar-se com o outro absoluto, que é Deus, supõe uma experiência única. Entretanto, mirando-se nos exemplos dos inúmeros encontros que Jesus teve com seus contemporâneos, essa experiência fica mais fácil por causa da possível identificação entre o caráter dos participantes do CUR e daqueles que se encontraram com Jesus.

Propõem-se três exemplos. Entretanto, nada impede que, a critério do mensageiro, e levando em conta a realidade e as circunstâncias de vida dos participantes (homens ou mulheres, adultos ou jovens), possam apresentar-se outros, como o de Pilatos com Jesus (Jo 18, 28-40); o dos cegos curados (Mc 10, 46-52) ou o das mulheres (Mt 15, 21-28; Mc 7, 24-30). Importante é ajudar os cursilhistas a perceberem, o mais claramente possível, a necessidade de, ao encontrar-se consigo mesmo, com o outro, com o mundo criado e com Deus, mudar o eixo e o projeto de suas vidas através da conversão (cf. n. 179).

 

Notas prévias:

1. Finalidades:

a) mostrar que o encontro com Deus - na pessoa de Jesus Cristo - determina o tipo de encontro que o indivíduo terá com os demais, com a comunidade;

b) deixar claro que, como Jesus continua vivo na história, esse encontro pode e deve ser uma experiência concreta e atual;

c) tornar possível a identificação entre quem participa do CUR e as diversas personagens dos encontros, através de uma descrição clara do caráter e da reação das mesmas.

2. Duração: máximo de 25 minutos.

Esquema

Para mudar os rumos errados pêlos quais caminha cada

Um de nós e, conseqüentemente, a história que a humanidade constrói, Deus proporciona, através de seu Filho, Jesus Cristo, a oportunidade para diferentes encontros com Ele...

Durante a vida terrena de Jesus, algumas pessoas tiveram com Ele, encontros paradigmáticos. Desses encontros resultaram mudanças e transformações radicais no relacionamento global das pessoas que deles foram protagonistas. Pois com a pessoa de Jesus e com sua mensagem, ninguém pode encontrar-se sem que aconteça alguma coisa. Verdade que, dependendo das opções pessoais, para alguns, coisas positivas, enquanto para outros, coisas maravilhosas. Para que possam servir de pista para sua opção, vamos descrever alguns dentre muitos destes encontros.

homem rico (Mc 10, 17-27): era cheio de boas intenções, mas o apego excessivo à riqueza acovardou-o diante da proposta de Jesus. Mais valia para ele o ter que o ser. Sem dúvida, como tantos ou quase como todos nós, ele fazia parte (talvez até inconscientemente) de um sistema injusto e iníquo que permitia - como até hoje e talvez ainda mais do que ontem - que alguns possuíssem cada vez mais às custas da grande maioria de excluídos que, desde o ventre materno, eram condenados a viver na violência, na fome e no desespero. Preso ao sistema e à sua própria ambição, o homem rico não teve coragem bastante para abandonar o "ter" e, assim, encontrar o autêntico "ser" que Jesus lhe propunha. Recusou-se à partilha, à abertura para o outro, para o pobre. Ainda hoje, muitos que se dizem cristãos assumem atitudes como esta. Atitudes que se encontram, também, nos sistemas sociais, políticos e econômicos condicionantes da cultura: intitulando-se, até, "cristãos" (fala-se em "civilização cristã"...), recusam-se, entretanto, a buscar a felicidade no encontro marcado com Cristo que pede renúncia em favor dos demais e pede seguimento incondicional de seus discípulos. E você?

Judas(Mt 26, 14; Mc 3, 19): sua história é muito conhecida e, até, folclórica. Apesar de apóstolo, traiu a confiança e a pessoa de Jesus. Além disso, serviu-se da comunidade para explorar, recusando-se a servi-la: de fato ele não estava comprometido com ela. "Cristão" - quem mais do que ele? - mas explorador, falso e orgulhoso. Parecia bom aos olhos dos demais (imagem pública bem cuidada...). Entretanto, encobria a injustiça e a podridão do seu coração. Ele, também, na hora da resposta, na hora decisiva não só fugiu do encontro com Jesus, como o traiu covardemente por dinheiro. E você?

Pedro (Mt 26, 69-75; Mc 14, 66-72; Lc 22, 54-62): Simão foi um dos primeiros chamados para o encontro com o Senhor Jesus. Respondeu generosamente, apesar de sua comprovada fraqueza. Chegou a negar seu Mestre. Mas soube levantar-se, reconhecer suas limitações e o seu grave pecado. Bastou um olhar de Jesus. Por isso, vai ao encontro de Jesus, aceita-o incondicionalmente ("sabes que eu te amo"... Jo 21, 15) e é escolhido para confirmar seus irmãos na fé: é o primeiro Papa da Igreja. E você? Não seria este o tipo de encontro que você quer ter com Jesus?

Conclusão: lembre-se de que, dependendo deste encontro com Cristo, não só você poderá mudar seu projeto de vida, como pela sua presença na realidade em que você vive, na família, no trabalho, nas rodas do seu relacionamento, sua decisão poderá influenciar para que também essa realidade seja diferente; para que cesse esse clima de violência, de ódio, de insensibilidade. Você também poderá ser agente de mudança dos rumos da história e desta "cultura de morte". Depende do tipo de encontro com Cristo pelo qual você quiser optar!

 

Primeiro dia do CUR

continua, em seus momentos  iniciais, a proclamação das Mensagens do Encontro. À reflexão provocada pelo encontro consigo mesmo e pêlos encontros com Cristo, responde-se com a atitude do "Pai Rico em Misericórdia". Sentindo-se perdoado e acolhido, o indivíduo é levado à descoberta de sua própria dignidade e de suas possibilidades no "Sentido da Vida". As mensagens seguintes conduzem ao encontro de Jesus: a "Graça: a Vida na vida" lhe abrirá as portas para uma experiência da Vida divina comunicada por "Jesus Cristo, homem e Deus libertador", vivenciada na "Comunidade do Povo de Deus, a Igreja" e testemunhada através da resposta da "Fé e sua vivência: a Espiritualidade". Tudo isto será enfeixado, como uma súplica viva, na "Oração: comunhão, força e alimento" que encerra o dia.

QUARTA MENSAGEM: MENSAGEM-MEDITAÇÃO: UM PAI RICO EM MISERICÓRDIA

 

Observação importante:

A misericórdia é um dos valores originais do Reino. Proclamado pelas palavras e pela prática de Jesus, o perdão introduz na história uma radical transformação em termos de relacionamento do divino com o humano e dos seres humanos entre si (cf.Mt 5, 38). Situando neste momento do CUR, a parábola do Pai Misericordioso (chamada, também, Parábola do Filho Pródigo) quer-se mostrar ao cursiIhista que algo de novo está por acontecer, uma nova relação poderá surgir. Pois o perdão e a misericórdia, via de regra, já não mais estão nos horizontes nem das pessoas e nem da moderna cultura da "Qualidade Total", aquela que ensina que erros não devem ser admitidos ou perdoados. Mas poderão, sim, passar a fazer parte da experiência existencial daquele que, vendo o filme de sua vida e conferindo sua própria vida de relação, percebeu-se envolvido nessa prática desagregadora. O episódio contrastante dos filhos - o mais novo e o mais velho - ao mesmo tempo que manifesta a misericórdia e o perdão entranhados no coração do Pai, restitui ao cursilhista a esperança e o desejo de recomeçar uma nova vida: consigo mesmo, com o outro, com a história e com Deus, de acordo com o projeto de Deus (cf. n. 181) e de fazer, assim, a "experiência de Deus" em sua vida: experiência do perdão dado e recebido.

Notas prévias:

1. Finalidades:

a) completar a meditação anterior, abrindo para os cursilhistas, com a palavra do próprio Cristo, o caminho da esperança e do perdão e animando-os para assumir ou reassumir o projeto de sua conversão integral;

b) mostrar, por isso, que o arrependimento deve traduzir-se em atitudes novas que, por novos caminhos, conduz ao Pai, aos outros e à realidade do mundo, restabelecendo o autêntico equilíbrio.

2. Duração: máximo de 20 minutos.

Esquema

Uma das mais significativas parábolas contadas por Jesus revela como Deus age com o pecador que se arrepende; como age com quem chegou a perder a própria dignidade de pessoa e como o acolhe e abraça.

A parábola do Pai Misericordioso (Lc 15, 11-32) revela a história de cada um de nós, revela a história da humanidade. Três são os personagens principais intervenientes na parábola. Diferentes são as atitudes de cada um. Mas, aquilo que sobressai é que o perdão é um valor central do Reino anunciado por Jesus, no contexto do Plano de Deus.

O filho mais jovem é o  descabeçado,  o  "pródigo"  (esbanjador) que abandona a casa do Pai, a Comunidade e a Fé:

a) a matéria, a sede de prazer, o consumismo e a vaidade tomam conta dele;

b) invertem-se seus valores: do ser filho para o ter posses e para o prazer do corpo;

c) acaba por ver-se abandonado, faminto e solitário, dando-se conta da total insuficiência do ter, do saber e do poder;

d) perde a dignidade de ser humano, precipitando-se na lama na qual se revolvem os animais;

e) na amarga solidão do abandono toma a decisão salvadora: "Levantar-me-ei..." e empreende o longo caminho da volta.

Assim hoje, às vésperas do novo milênio, nossa cultura massificada, materialista e consumista acena ao homem quase que unicamente com o bem-estar, com as facilidades da vida. Mas o preço é alto, pois dele exige escravidão e subserviência. São quase idênticas às de hoje, as circunstâncias que fizeram com que aquele jovem perdesse sua própria dignidade de ser humano: a injustiça, a discriminação, a ausência da solidariedade. Mas, de repente, o homem moderno poderá dar-se conta das limitações da tecnologia e das tremendas contradições de um progresso que, se por um lado o enobrece, por outro o esmaga e sacrifica nos altares dos novos ídolos por ele mesmo criados. Tomar consciência do distanciamento do Plano do Pai é o primeiro passo para a volta, para a conversão: é o sinal de que os outros, a comunidade e a história precisam. Assim como aquele jovem, voltando, carregou consigo todo o peso de sua miséria e dela foi libertado pelo amor do pai, assim tudo ao redor daquele que volta vai voltar, também, para a reconciliação universal! Você estaria identificando-se com este filho?

Q filho mais velho, o egoísta, o suposto "filho fiel": 

a) não reconhece no que volta o irmão que errou;         '

b) apresenta-se como o dono da verdade e o que nunca falha;

c) transforma-se em agente da ruptura familiar;

d) vê na presença do seu irmão uma ameaça aos seus próprios bens;

e) recusa-se à partilha fraterna da alegria pelo retorno do irmão;

f) converte-se em acusador do pai e crítico severo do irmão.

Na história de hoje tantos existem em nosso meio que agem como o tal filho mais velho: no mundo, na Igreja, nas comunidades...Porventura é com este que você se parece?

O Pai rico em misericórdia:

a) olhar vigilante, impaciência mal contida, perscruta o horizonte esperando a volta do filho;

b) braços abertos e coração generoso: o coração de um verdadeiro pai;

c) corre - apesar da idade - ao perceber, ainda longe, o vulto do menino esfarrapado;

d) o arrependimento caminha, normalmente, em passos lentos, enquanto a misericórdia voa de braços estendidos;

e) não julga o filho e muito menos o condena: simplesmente perdoa e esquece, pois Deus odeia o pecado mas ama o pecador (cf. SI 103,10; Is 1,18);

f) não só perdoa o filho que volta, mas restitui-lhe a dignidade de pessoa, perdida longe de casa (roupa nova, anel no dedo, sandálias nos pés...)

g) e, de novo, o introduz na casa da família (manda preparar um banquete com o novilho gordo).

Conclusão: A misericórdia do Pai é infinitamente maior que o nosso coração. Está aí um dos valores básicos do Reino que Jesus vem anunciar: o perdão. O perdão que transforma a relação entre Pai e filho, tanto do mais novo como do mais velho ("tudo o que é meu é teu..."), transforma a relação familiar, prepara o banquete da vida nova, enfim, restaura a dignidade perdida. E agora: você que, apesar de todo pecado, pode ter a certeza de ser perdoado e recebido com festa pelo Pai, você é capaz de oferecer o perdão? De perdoar sem necessidade de muitas explicações e sem impor condições de qualquer natureza?

 

QUINTA MENSAGEM:O SENTIDO DA VIDA

 

Observação importante:

Um enunciado básico da teologia afirma que "a natureza humana é suporte necessário para a natureza divina que se comunica". Isso significa que a dimensão divina do ser humano supõe uma dimensão humana cuja proclamação básica "é a dignidade própria de todos, sem nenhuma distinção"... "professamos que todo homem e toda mulher, por mais insignificantes que pareçam, têm em si a nobreza inviolável que eles próprios e os demais devem respeitar e fazer respeitar incondicionalmente", uma vez que "todos nos sentimo urgidos a cumprir por todos os meios... uma promoção eficiente da dignidade humana..."7.

Esta mensagem tem como sujeito e destinatário o ser humano, a pessoa, o Homem (homem e mulher) em sua dignidade como criatura humana, sem o definir, ainda, na sua dimensão transcendental. Aquilo que chamamos de " fundamental humano" não é ter "elevados ideais", sonhando sonhos impossíveis mas, sim, o ser gente na plenitude do seu SER e na prática cotidiana do seu FAZER. E por isto que esta mensagem destaca como sendo O SENTIDO DA VIDA a realização do ser humano como criatura dotada de sua máxima prerrogativa: a liberdade, síntese da plena dignidade de todos e de seus direitos inalienáveis.

 Não é necessário recorrer, ainda, ao fato da filiação divina para se descobrir o sentido da vida

humana. É suficiente que se aborde o Homem como sujeito daqueles direitos e daquela dignidade fundamentais, ajudando-o, assim, a reencontrar sua própria identidade.

[258]Notas prévias:    

1. Finalidades:

 a) deixar claro o porquê da dignidade do ser humano: o cursilhista deverá perceber claramente que dar sentido à vida é ser gente, é afirmar-se como pessoa. Trata-se de revelar o homem ao próprio homem;

b) levantar alguns questionamentos sobre o sentido da vida e a participação da pessoa na construção da história e na busca da felicidade;

c) mostrar que a omissão na busca de sua reafirmação e na de seus semelhantes como pessoas tem seu preço pago em marginalização, em injustiça, em degradação da própria natureza humana e em perda de sua dignidade e, até, de sua identidade;

d) deixar entrever que o ser humano é destinado a algo que venha responder aos seus anseios de realização em plenitude. Essa plenitude é que lhe há de trazer a felicidade sempre sonhada e permanentemente perseguida.

2. Duração: máximo de 30 minutos.

Esquema

Esta mensagem amplia os horizontes da meditação de ontem. O questionamento sobre a pessoa em si mesma e em suas relações fundamentais, sobre sua plena realização e sua busca constante de ser feliz, tem uma resposta. Esta resposta está na busca e no encontro daquilo que se chama de SENTIDO DA VIDA.

Quem é a pessoa humana? Um ser consciente que se relaciona; irrepetível na sua individualidade; dotado de: inteligência; vontade; liberdade; personalidade (responsabilidade com direitos e deveres).

 

O exercício dessas prerrogativas leva a uma consideração que está na ordem do dia e que se refere à consciência pessoal e social. Hoje a consciência10 é objeto de muitas reflexões e estudos que permitem vê-la não somente como "remorso" ou como "juiz " de ações já executadas, mas como motivadora da pessoa que se torna mais responsável e participativa. Assim, o homem pode ajuizar não somente ações já executadas, mas as que ainda estão no seu projeto.

Por outro lado, um mais claro conhecimento das profundezas do ser humano coloca a consciência na ordem do "moral" completando sua compreensão com a dimensão do "psicológico" e do "social": "a pessoa humana é um 'feixe de relações' "; "o homem é ele mesmo e suas circunstâncias"! Assim se fala em "consciência moral", "consciência psicológica", "consciência social". Essas dimensões da consciência repercutem no SENTIDO DA VIDA, isto é, na busca da plena realização de cada pessoa e da humanidade toda.

O ser humano: para onde e por onde caminha? Quais são suas impulsões? Em que consistem suas vitórias? E suas derrotas? Suas conquistas onde estão? E suas frustrações onde se situam? Para que serve o maravilhoso progresso da humanidade, suas glórias e seus desencantos? E os meios de Comunicação Social, construtores da paz e, ao mesmo tempo, mestres da violência -onde querem chegar? E a tecnologia, instrumentando a vida e a morte, a paz e a guerra, com poder de construção e de destruição; e a biotecnologia, manipulando a vida ao criar "bebes de proveta", congelando embriões, chegando à clonagem (até agora de animais, amanhã, quem sabe, de seres humanos) e manejando a morte ao empregar instrumentos sempre mais sofisticados para abreviar a vida (eutanásia) ou para destruí-la (guerra química), para onde levará a humanidade?. O homem do futuro - o que e como haverá de ser ao entrar em um novo milênio da História?

 f 2(54-1 O ser humano: sua presença na história. A história: presença ou ausência do homem na sua construção? A sociedade: progresso ou regresso? A sociedade ideal: responsabilidade de cada um e de todos; compromisso e luta pela felicidade de todos. A participação, cujo prêmio é a unidade e fraternidade; a omissão, cujo castigo é a violência, a desunião e a injustiça.

Observação: Explicar dando exemplos atuais e testemunho pessoal.

que o ser humano anda buscando? Busca somente para si? Busca a partir de sentidos menores para a vida ou do sentido maior de ser plenamente pessoa? Quais as origens dos direitos inalienáveis da pessoa e de todas as pessoas? A realidade de um mundo totalmente diferente do passado, mas que possui seus valores ao lado de contravalores; as atuais condições de vida das pessoas, especialmente no Terceiro Mundo, na América Latina, no Brasil, na cidade e na comunidade onde você vive, favorecem ou impedem que o ser humano dê um verdadeiro sentido à vida e à história?

O ser humano: suas relações fundamentais. A dimensão de relação pessoal, a dimensão de relação social, a dimensão de relação com o mundo e a natureza são o universo onde a pessoa humana busca a felicidade. Essa busca é incessante e, pela experiência, insaciável. E ela acontece quer por meios honestos e legítimos de convivência e de solidariedade, quer pêlos caminhos da exploração, da violência e do "levar vantagem em tudo" à custa do sacrifício, das lágrimas e do sangue dos demais. As estantes das livrarias estão sendo abarrotadas de livros, livretos, opúsculos e livrinhos de bolso que prometem a felicidade, enchendo os bolsos de espertos e espertas. Isso leva, de verdade, à plenitude e autenticidade do ser humano? Pode dar um sentido à sua vida? Além disso, mesmo humanamente realizado, não é verdade que "o coração anda sempre inquieto e insatisfeito"? Haveria algo mais nas aspirações do homem para que o sentido de sua vida fosse alcançado em plenitude?

 

PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

Sabíamos que o respeito à dignidade do ser humano é fundamental para a nossa própria realização como pessoas?

Entendemos as conseqüências da falta de sentido da nossa vida e da nossa não participação na construção da história (marginalização, injustiças, degradação da natureza humana, perda da dignidade)?

O que poderemos fazer para viver isso na prática?

 

Mensagem: o Sentido da Vida( saluar)

Vamos abrir o guia do peregrino pág

 Desde ontem à noite estamos refletindo sobre nossa vida, fizemos o filme, onde fomos o diretor e o ator.

Vimos também vários personagens se relacionando com cristo, cada um fez sua escolha de acordo com o que estava apegado: amor, ter, ser ou prazer.

Refletimos sobre o nosso passado.

 A memória exerce incrível papel em nossa personalidade. Entre outras funções está o de “arquivo” dos registros vividos que nos governam e orientam nossa vida (ou nos desgovernam e desorientam nossa vida)

Não há melhoria, mudança ou transformação de vida que não implica melhoria, mudança ou transformação da memória. 

A consciência se embota, fica sem sensibilidade e se perturba quando a memória se constitui em depósito de rancores, mágoas, ressentimentos, amarguras, angústias...;

Uma pessoa doente em sua memória, ressentida com sua história pessoal, rancorosa com o mundo que a cerca, também será doente na mente, na afetividade e no coração.

      “O importante não é o que fizeram comigo mas o que eu faço com o que fizeram comigo” (Sartre)

 O passado carrega lembranças de fatos e experiências negativas: culpas, traumas, desilusões, limites,  pecados, rejeições, fracassos, erros...

Tudo isso pesa na memória e continua influenciando negativamente o presente. Nestes casos, o amor é memória que não deve apenas recordar e registrar o passado, mas também reconstruí-lo.

 O passado de cada pessoa não pode ser considerado como um destino, como algo que aconteceu e terá uma fatal continuação, sem qualquer outra alternativa possível.

O ser humano é capaz de se colocar diante do próprio passado, qualquer que ele tenha sido, de modo fundamentalmente livre. O princípio de base é este:

“O ser humano pode não ser responsável pelo seu passado, mas de qualquer forma é responsável pela atitude que assumir, no presente, em face desse passado”.

O passado continua vivo em nossas mãos, e à espera de receber um significado que ninguém, a não ser o próprio indivíduo, pode lhe dar.

 “Quando alguém está diante de fatos incompreensíveis, a pergunta a fazer não é a seguinte: “Por que isso aconteceu?”,

mas: “Que atitude devo assumir para que o que aconteceu tenha um sentido?”

 O amor não elimina o que já foi feito, nem faz esquecê-lo, mas consegue  arrancar a vida de um fatal e inócuo ponto morto..

O perdão não tem impacto no que foi, mas no que é e será. É um gesto de responsabilidade para com o presente e o futuro.

O perdão limpa o terreno para o novo.

O perdão reconhece na pessoa a sua condição humana, ou seja, o dom de começar de novo, o dom de iniciar algo novo apesar de todas as expectativas em contrário.

O dom de buscar a cada dia o sentido para sua vida.

Quem é o ser humano? Não é fácil defini-lo:

É um animal racional, dotado de inteligência para compreender, entender as coisas.

Vontade para praticar ou não um ato.

Liberdade, faculdade de se decidir ou agir conforme a própria determinação.

Somos tridimensionais: material, psicológico e espiritual. Toda nossa vida é dinâmica, tem necessidade de se relacionar com o exterior, com o outro e com o transcendental.

A matéria, a carne, necessita se equilibrar com a temperatura exterior, necessita de oxigênio. Se abre e se fecha, conforme a necessidade.

Na psique, no espiritual necessitamos de contato com os outros, o que significa comunicar-se: abrir-se, confiar e arriscar-se.

 O ser humano apesar de ser complexo, se define por 4 movimentos da mente: sentir(5 sentidos), sentidos internos: paixão, inclinação, instinto. São cegos devem ser orientados pelo pensar.

pensar: inteligência, que pensa, reflete, analisa, pondera entre o que é bom, justo e verdadeiro, e o que não o é.

Querer: vontade, que decide: faço ou não faço. É no querer livre que está o amor. Decidindo para o que é bom justo e verdadeiro, estou amando: ao meu próximo, a mim mesmo, ao criador. E assim estou buscando a felicidade, a alegria, a paz.

Se ao contrário, decido para o que não é bom , nem justo , nem verdadeiro, não estou amando, nem a mim, nem ao meu próximo, nem ao criador, logo estou buscando a infelicidade, a confusão.

Agir, faço o que decidi.

O que nos move, movimenta na vida?

         Os filósofos, principalmente São Tomás de Aquino nos mostra que o que move o ser humano, a força que nos impele a ação é o “bem”.

A vida humana se  orienta sempre em direção ao bem, nunca será o prazer, como finalidade direta e independente.

Procurar a recompensa sem o trabalho,, o repouso sem o movimento, o prazer separado do bem que o justifica e produz, é desordem moral, é erro.

Por exemplo o prazer sexual está subordinado, como expressão de funcionamento exato, como estímulo e recompensa, a um bem maior: à amizade conjugal e à procriação.

Assim , caros amigos a nossa vida se orienta sempre em direção ao bem.

Fazendo-se do prazer o escopo, o mais importante, o maior valor, perde-se o rumo, pois o prazer não é o ponto de orientação. A vida fica desorientada, desequilibrada, desajustada.

Quem procura avidamente o prazer, a alegria e a felicidade como objetivo da vida, só pode ficar frustrado, levará uma vida febril, saltitante, irriquieta: sempre buscando novas sensações, porque nenhuma satisfaz; sempre faminto e nunca saciado.

 O ritmo da procura se acelera na medida das desilusões; transforma-se em angústia, obsessão, desespero e não raro o suicídio.

Prazer e felicidade não podem ser procurados diretamente; fogem de quem lhes corre ao encalço, como sombra que nunca se agarra.

Procurai primeiro o bem, e tudo o mais( prazer, alegria, sossego e felicidade) vos será dado por acréscimo

 Eu posso vos comprovar isto com minha vida: testemunho pessoal. Eu posso falar de cátedra, pois já vivi estas duas realidades, a do prazer e a do bem, que estou vivendo hoje.

 O coração humano tem um anseio desesperado, um desejo irrefreável e uma vontade incontrolada de buscar o bem, a verdade, a felicidade, a alegria...

Buscar passou a ser uma atitude humana básica. Buscar... e achar  o prazer do encontrado. O caminho do ser humano para a felicidade se realiza buscando.

Toda a humanidade busca em todos os níveis de vida.

- Os médicos buscam aliviar a dor, para que ao menos sejamos menos infeliz;

- Os arquitetos e urbanistas buscam criar um “habitat” , um local organizado no qual se possa desenvolver uma vida feliz, venturosa;

- A técnica busca fazer a vida mais fácil, para que seja mais agradável;

- A festa busca ser interminável, para que não se rompa o feitiço da alegria;

- A ciência busca saber mais, para que se possa desfrutar do universo com mais satisfação;

- A literatura busca criar estórias incontadas, para que se possa ter melhores sonhos;

- A arte busca conhecer os segredos da luz e do som, para que vibre todo o planeta da sensibilidade;

- Os psicólogos e orientadores espirituais buscam libertar as dores da alma, para que se recobre a paz interior.

 O ser humano é chamado a ter uma consciência de potenciar, de buscar o positivo, o que dá alegria, contentamento, satisfação profunda, a ser ditoso e otimista, a viver bem.

A consciência é uma faculdade natural do homem. 

Ter consciência faz parte do homem. A consciência pertence, como os nossos sentidos e a nossa inteligência, às faculdades primordiais do homem.

Assim como a vista é feita para distinguir a luz e as trevas, assim a consciência tem por atividade própria distinguir entre o que é moralmente bom e o que é mau.

 

Todos os homens, em sua existência se vêem continuamente colocados perante questões nas quais não se trata apenas do útil ou do nocivo, do vantajoso ou do prejudicial, mas do bem e do mal, impondo ao homem uma decisão.

 

Pode acontecer que eu me veja diante de uma oferta sedutora, que me promete a satisfação de desejos pessoais, mas ao preço de sacrificar claros princípios morais, tomando-me infiel a mim mesmo.

 

Ou tenho de optar entre dois bens, dos quais só um pode ser realizado agora, enquanto o outro deve ceder o lugar.

 

Quando se apresentam semelhantes ocasiões de opção, manifesta-se em meu interior uma voz, um impulso que me indicam o bem que deve ser feito naquele momento. A voz faz parte de mim mesmo.

Sei que ela me aconselha para o meu bem; que, além do mero cumprimento de uma lei, ela visa ao bem que devo fazer para seguir o meu caminho na vida; que, fazendo o bem indicado, melhorou alguma coisa no mundo em que vivo.

 

A voz não se cala, mesmo quando apresento, exponho motivos contrários às suas exigências, ou chamo a atenção para os obstáculos que se levantam contra o bem aconselhado.

A voz insiste comigo, pedindo que eu me decida, e não me deixa repousar na indecisão.

 

Por isso, quando refletimos sobre valores e normas éticas, ou quando emitimos juízos sobre a ação moral, sobre o bom ou mau procedimento de outros homens, ainda não estamos perante a consciência em sentido estrito, mas ante a nossa noção de valores.

 

Quais os valores que me movimentam, me fazem agir hoje? Qual a minha escala de valores: qual é o meu tesouro? A busca do prazer a qualquer custo? O dinheiro, ficar rico? Minha família? A igreja?

 

Logo, a consciência ocupa uma posição decisiva em nossa vida; o valor da minha vida não é determinado só pelo trabalho que presto, nem só pela minha posição social, nem só pelas minhas capacidades e talentos, mas substancialmente pela fidelidade com que sigo a minha consciência nas grandes e nas pequenas decisões, realizando concretamente o bem na minha vida e no mundo.

O animal não tem consciência: é dirigido de modo seguro pelo seu instinto.

 

O homem, pelo contrário, percebe, precisamente quando tem de tomar uma decisão consciente, que a voz da sua consciência é muitas vezes contra o seu capricho e tendências, contra a sua fome de prazer.

O homem, portanto, não age impelido por uma necessidade, mas decide-se livremente.

Esta liberdade, porém, constitui uma ameaça para a sua dignidade pessoal, isto é, para a promoção de sua personalidade moral e para o pleno desenvolvimento de sua própria vocação;

 

pois o homem pode, contrariando a sua consciência, decidir-se em favor da desordem, do mal.

Uma decisão da consciência não é somente uma questão de raciocínio, de lógica.

 

Ela é motivada e movida pelo amor do “bem” e pela vontade que, em última analise, dita a sentença da consciência.

Por isto, designamos a consciência como uma faculdade pessoal que atua em nossa vida. 

 O homem, vivendo a possibilidade de ver a sua existência aprovada ou ameaçada, tem o poder de decidir-se com toda a sua pessoa, pela verdade e pelo bem

“A consciência torna-se assim o ponto de convergência e o centro de todos os dinamismos, de todos os valores, de todo o saber, sentir, poder de um homem”.

 

Deste modo, a consciência dá ao homem a possibilidade de construir ele mesmo a sua vida, que é uma só e que, justamente na sua unicidade, lhe foi confiada como um dom e uma tarefa a realizar.

 Pela consciência, podemos pôr em execução a máxima mais antiga da humanidade, proferida por um pensador grego: “Sê aquele que és!”

 

Seguindo a sua consciência, porém, o homem vive e realiza uma vida que só a ele foi confiada.

 

Isto aparece já na própria palavra “con-sciência” = saber com os outros. A palavra atesta a responsabilidade pelos outros, indica a comunhão no conhecimento e na realização de normas éticas válidas.

 

É precisamente através da comunidade, através da palavra esclarecedora e do bom exemplo da vida, que a consciência de cada um é formada em sua essência.

 

Inversamente, as comunidades humanas só são preservadas de se tornarem organizações sem conteúdo pelo fato de que cada um dos seus membros se decide pelo bem seguindo a própria consciência.

 

Somente onde o indivíduo por própria convicção respeita o direito dos outros, desde as exigências mínimas da regra de ouro “o que não queres que alguém faça a ti, não o faças tu a nenhum outro”;

 

Por que é que esta consciência intervém de maneira tão incondicionada na vida do homem, e por que, indo contra o seu desejo, adverte-o do risco que corre praticando o mal? Como se explica que o homem, depois de uma decisão contra a consciência, se vê acusado por ela, talvez inundado de amargas recriminações? Como se explica que ele pode sentir uma “má consciência”?

Temos de formar A  CONSCIÊNCIA

Quanto mais vezes a consciência, com as suas advertências, determina as nossas decisões particulares, tanto mais conscienciosos e responsáveis nos tornamos.

Quanto mais vezes nos decidimos contra a consciência, tanto mais nos tornamos homens sem consciência. Assim se formam hábitos do bem, ou do mal, os quais, no primeiro caso, levam à virtude, no segundo à obstinação no mal, ao vício.

Deformações da consciência:

Escrupulosa (excessivamente rigorosa)

Perplexa ( sempre diante de “dilema”)

Laxa ou superficial (excessivamente liberal)

Cauterizada (embotada pelo hábito)

Farisaica ou hipócrita (supervaloriza o secundário em detrimento do principal...)

  E a nossa consciência do mundo, como vai?

O Planeta Terra pede socorro, como vai nosso meio ambiente?

Erosão do solo cresce o buraco da camada de ozônio, as florestas desaparecem, aumenta a desertificação

Quando falamos em meio ambiente, não podemos falar apenas de um lugar ou outro; mas sim de todos os lugares de nosso Planeta, ou seja, de um conjunto de coisas que necessariamente precisam interagir com equilíbrio, a fim de garantirmos mais "saúde" e qualidade de vida a todos.

Hoje sofremos as conseqüências da modernidade desorganizada, que trouxe conforto para nossos lares e desequilíbrio para o meio ambiente. Camada de ozônio, poluição dos mais variados tipos, escassez de água, extinção de plantas e animais, queimadas, tudo isso e mais um pouco fazem parte do comercio da degradação; aqui se compra e se vende conforme o lucro e o conforto imediato.

PUEBLA descreve o “mundo da exclusão”, consequência de um “mundo que não busca o bem”:

       “Esta situação de extrema pobreza generalizada adquire, na vida real, feições  concretíssimas,

            - Feições de crianças golpeadas pela pobreza ainda antes de nascer.

            - Feições de jovens desorientados por não encontrarem seu lugar na sociedade.

            - Feições de indígenas e de afro que vivem segregados e em situações desumanas.

            - Feições de camponeses que vivem sem terra, em situação de dependência.

            - Feições de operários mal remunerados e que tem dificuldades de se organizar e defender os próprios direitos.

            - Feições de sub-empregados e desempregados, despedidos pelas duras exigências das crises econômicas

            - Feições de marginalizados e amontoados das nossas cidades.

            - Feições de anciãos, postos à margem da sociedade, que prescinde das pessoas que não produzem.

         Compartilhamos com nosso povo de outras angústias que brotam da falta de respeito à sua dignidade ser humano”.

 Atualmente nos ocupa o tema da globalização. A imprensa, o rádio e a televisão, todos os dias, nos trazem notícias, comentários favoráveis e contrários a ela. Os avanços feitos, nos últimos quarenta anos, no campo das comunicações, eletrônica, aeronavegação, computação impulsionaram a expansão internacional das atividades econômicas, financeiras, comerciais, culturais, etc., em um grau nunca visto antes.

 A globalização é um fato real e inevitável, que, associado à concepção neoliberal foi e é prejudicial aos povos. A globalização da economia mundial é um processo objetivo do desenvolvimento das forças produtivas e, enfim, do capitalismo dominante. Isto não significa o triunfo definitivo desse sistema, nem a supressão da luta revolucionária dos povos por uma ordem mundial mais justa e humana.

 Enfrentamos uma ideologia globalizadora, segundo a qual perderam o sentido as fronteiras nacionais, e são questionados conceitos e princípios do Direito Internacional, tais como a soberania, a independência e a autodeterminação dos povos.

 A experiência do modelo neoliberal imposto aos povos latino-americanos não tem êxitos para apresentar. Nos últimos dez anos, aumentou o nível de pobreza, fome, analfabetismo, insalubridade, desemprego e discriminação.

 Segundo os dados de organismos internacionais, o número de pobres na América Latina alcança 270 milhões de pessoas, enquanto cerca de 84 milhões vivem em total indigência. Estes milhões de pobres contrastam com uma ínfima minoria, que vive na opulência e no desperdício.

 A realidade da política neoliberal e da globalização em nossa América se reflete nos indicadores de saúde, educação, emprego, déficit nutricional, esperança de vida, os quais não apenas são alarmantes, mas, sobretudo, preocupantes.

 A esperança de vida ao nascer não ultrapassa os 68 anos; a mortalidade infantil é de 55 por cada mil nascidos vivos; os desnutridos ultrapassam 100 milhões; somente 70% da população latino-americana têm acesso aos sistemas de saúde.

Que fazem os 30% restantes?

A educação apresenta um quadro desolador. 18% da população latino-americana são analfabetos.

 Onze milhões de crianças, entre 6 e 11 anos de idade, não vão à escola. A taxa de abandono escolar é de 40% antes da 4a série do ensino primário.

Como se pode aspirar a um desenvolvimento científico e tecnológico, quando o ser humano não tem acesso à educação e à saúde.

DA FONTE AO MAR – DE DEUS PARA DEUS

 O curso de um RIO nos ajuda a compreender a vida, porque se assemelha ao caminho do homem.

Brota límpido e claro de uma rocha ou de uma geleira, para descer ao vale, não sabendo se chegará ao mar ou se terminará sua corrida num lago sem saída.

As altas quedas que encontra pelo caminho dão-lhe vertigens, mas quem o observa, admira a beleza de suas cachoeiras.

Torna-se espelho para o verde das árvores e para as estrelas do céu; dá vida aos peixes que acolhe; mata a sede e refresca...

         Mas o seu caminho é, de repente, marcado por dificuldades: sufocado pela poluição da grande cidade, oRIO perde sua limpidez e, fechado na barragem, faz-se silencioso. Vem à mente o desejo de se perguntar.

        Por que andar tanto, se andar significa perder a beleza e tornar-se inútil.

         Mas, quando tudo parece perdido, de súbito o rio vê diante de si o MAR, sua meta.

         O impacto é terrível, mas purificador: as ondas salgadas erguem uma barreira e o rio deve deixar-se filtrar, lenta e pacientemente por aquela água nova, compreendendo finalmente o sentido de seu percurso.

                    O que define um RIO é sua origem, o impulso primordial que continua lhe dando o ser;

                   Também se define pelo seu fim, o MAR, no qual se fundem e se confundem as águas.

 Assim, o ser humano: que principia sua vida na simplicidade e na inocência de uma criança,

                                     que no decorrer dos anos faz explodir a sua criatividade em projetos e realizações, que faz sair de si as potencialidades do amor...

                                     e se encontra diante de dificuldades, canseiras e fraquezas.

O manancial de nossas vidas é algo intacto, puro, vivo, alegre, esperançoso, porque é algo que nasce...

                      Este mesmo manancial, à medida que vai se convertendo em rio, muitas vezes se esparrama,perdendo a direção; outras vezes se corrompe, se deteriora... fica submetido à dispersão, ao empobrecimento...

Mas como o RIO que se defronta com o MAR, para desembocar e perder-se dentro dele, também o ser humano, se sabe viver sua luta cotidiana na paciência e esperança, há de encerrar sua carreira no infinito.

                     Nós somos os rios que vão se desembocar no MAR.

                  Fomos chamados a sermos nós mesmos; quem nos chamou, quis dar-nos seu ser, deixar em nós um rastro de sua identidade. Ele está em nós; nossa vocação fontal é Ele.

                       “Observar como todos os bens e dons descem do alto... assim como os raios nascem do sol, as águas das fontes, etc.”

O ser humano se define por sua origem (fonte) e pelo seu fim (mar).

  A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS
A forma como você vive hoje é resultado das escolhas que você fez durante a sua vida.

No caminho que percorremos, obstáculos e dificuldades surgem, cabe a nós a escolha da maneira de lidar com eles. Se mediante os obstáculos você recuar, não conhecerá o que está além.

Aproveite as dificuldades para o aprendizado e faça das crises oportunidades de crescimento.

Usufrua das oportunidades que a vida lhe oferece, pois o universo conspira a seu favor.
ATITUDE É TUDO, vou ler uma pequena história de um certo joão
João era o tipo do cara que você gostaria de conhecer. Ele estava sempre de bom humor e sempre tinha algo de positivo para dizer.

Se alguém lhe perguntasse como ele estava, a resposta seria logo:
- Se melhorar estraga.

Ele era um gerente especial, pois seus garçons o seguiam de restaurante em restaurante apenas pelas suas atitudes.

Ele era um motivador nato. Se um colaborador estava tendo um dia ruim, João estava sempre dizendo como ver o lado positivo da situação. Fiquei tão curioso com seu estilo de vida que um dia lhe perguntei:
- Você não pode ser uma pessoa tão positiva todo o tempo. Como você faz isso?

Ele me respondeu:
- A cada manhã ao acordar digo para mim mesmo, João, você tem duas escolhas hoje. Pode ficar de bom humor ou de mau humor. Eu escolho ficar de bom humor. Cada vez que algo de ruim acontece, posso escolher bancar a vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Eu escolho aprender algo.

Toda vez que alguém reclamar posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida.
- Certo, mas não é fácil, argumentei.
- É fácil, disse-me João. A vida é feita de escolhas. Quando você examina a fundo, toda a situação, sempre há uma escolha. Você escolhe como reagir às situações. Você escolhe como as pessoas afetarão o seu humor. É sua a escolha de como viver a sua vida.

Eu pensei sobre o que João disse, e sempre lembrava dele quando fazia uma escolha.

Anos mais tarde soube que João cometera um erro: deixando a porta de serviço aberta pela manhã, foi rendido por assaltantes.

Dominado, enquanto tentava abrir o cofre, sua mão, tremendo pelo nervosismo, desfez a combinação do segredo.

Os ladrões entraram em pânico e atiraram nele. Por sorte ele foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital.

Depois de 9 horas de cirurgia, semanas de tratamento intensivo, teve alta ainda com fragmentos de balas alojadas em seu corpo.

 Encontrei João mais ou menos por acaso. Quando lhe perguntei como estava, respondeu:
- Se melhorar estraga.

Contou-me o que havia acontecido, perguntando:
- Quer ver minhas cicatrizes?
Recusei ver seus antigos ferimentos mas perguntei-lhe o que havia passado em sua mente na ocasião do assalto.
- A primeira coisa que pensei foi que deveria ter trancado a porta de trás, respondeu.
- Então, deitado no chão, ensangüentado, lembrei que tinha duas escolhas: poderia viver ou morrer. Escolhi viver.
- Você não estava com medo? Perguntei.
- Os paramédicos foram ótimos. Eles me diziam que tudo ia dar certo e que eu ia ficar bom. Mas quando entrei na sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado. Em seus lábios eu lia: "Esse aí já era". Decidi então que tinha que fazer algo...
- O que fez? Perguntei.
- Bem, havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Me perguntou se eu era alérgico a alguma coisa.

Eu respondi: "sim". Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei: "Sou alérgico a tiros!"

Entre as risadas lhes disse: "Eu estou escolhendo viver, operem-me como um ser vivo, não como morto".

João sobreviveu graças à persistência dos médicos, mas também graças à sua atitude. Aprendi que todo dia temos a opção de viver plenamente. Afinal de contas, "ATITUDE É TUDO".

 

A vida humana se orienta para o bem, em recompensa, encontra o prazer. Mas eliminando o bem, fazendo do prazer e do gozo o seu escopo, alvo dos desejos, perde o rumo e o sentido.

A resposta é fundamental.

É próprio do ser humano ter esse coração “inquieto e insatisfeito?

É possível ser feliz, plenamente feliz neste mundo?

A realização assim chamada: humana-material, profissional, familiar, afetiva – traz a autêntica felicidade?

Haveria algo mais nas aspirações do homem para que o sentido de sua vida fosse alcançado em plenitude?

E nós, cada um de nós que estamos aqui, como responderíamos à pergunta pela felicidade completa, pela vida plena, pelo sentido da vida, pela construção da história?

 Estamos caminhando ou estamos parados?

Estamos dispostos a operar mudanças, uma reengenharia em nossa vida?

Estamos caminhando em busca do bem ou do prazer?

Já fizemos nossa opção fundamental de vida ou precisamos, ainda encontrá-la?

Somos o centro do mundo ou percebemos que há outros ao nosso redor.

Meu caro amigo em que você tem gasto seu tempo, seu dinheiro?

Você está realizado como pessoa humana?

 Sua esposa tem participado?

 A resposta a essas perguntas vai nos mostrar qual o sentido da nossa vida.

 Eu vos falei em nome do pai...............

 

SEXTA MENSAGEM GRAÇA: A VIDA NA VIDA

Observação importante:           _

Essa mensagem é orientada para responder às indagações deixadas pelo SENTIDO DA VIDA que se constitui no fundamental humano. Apresenta-se, agora, o FUNDAMENTAL DIVINO, o eixo em torno do qual gira o Plano de Deus. Sabe-se que não é de fácil compreensão ou explicação, a realidade da Graça. De outra parte, se não se entender a Graça, não se entenderá o fundamental cristão e as demais mensagens;

Dever-se-á evitar que se criem e acentuem dois extremos ou dimensões de uma só e mesma realidade: de um lado um certo "verticalismo", que se satisfaz com um Homem exclusivamente filho de Deus, em comunhão com a divindade e, de outro, o acento num certo "horizontalismo", permanecendo, apenas, na dimensão psicossocial da graça. Expressões como "vida natural" e "vida sobrenatural", embora indiquem conceitos mais ou menos superados pela teologia do Vaticano II, são usadas por motivos meramente didáticos;

Medular nesta mensagem é a apresentação da Graça como a realidade fundamental daquilo que vai ser repetido à saciedade, no Cursilho: o Plano de Deus - filiação divina, comunhão com Deus, dignidade suprema do homem, divinização do humano e humanização do divino.

Apresente-se a Graça como experiência de Deus com os homens e dos homens com o Espírito Santo de Deus: trata-se de uma nova maneira de ser, pois ambos - Deus e o Homem - se encontram e se dão mutuamente. "O Espírito é que dá a vida; a carne não serve para nada" (Jo 6,63). Por isso o homem tem de renascer da água e do espírito pelo batismo, que é o banho do renascimento e da renovação, pela nova criação que é o Espírito Santo (cf. Jo 3,5; At 2, 38). "Será uma surpresa alegre e esperançosa para esse Homem e para a história tão massificados de hoje descobrirem o homem renovado em Jesus Cristo" .u

A Graça é a "descoberta das raízes últimas de nossa Comunhão e Participação", pois "revela-nos Cristo que a vida divina é comunhão trinitária" e que "a comunhão que se há de construir entre os homens abrange-lhes todo o ser, desde as raízes do amor, e há de se manifestar em toda a sua vida, até na dimensão econômica, social e política. Produzida pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, é a comunicação de sua própria comunhão trinitária". Notas prévias

1. Finalidades:

a) assentar, com maior profundidade, as bases do fundamental cristão;

b) deixar claro que a pessoa humana não é somente obra-prima de Deus Criador, mas a obra suprema de Deus Pai;

c) deixar claro que o homem só poderá ser plenamente feliz se o SENTIDO DE SUA VIDA estiver iluminado pela luz e pelo fundamental da VIDA DIVINA;

d) mostrar que essa comunhão na vida de Deus implica um compromisso com o Homem Novo, nele re-criado; um compromisso com os demais e com as realidades terrestres, pois a conversão deve ser integral;

e) além disso, é necessário ressaltar, iluminar, reenfocar, revalorizar a identidade da vida divina; a Graça, outra coisa não é senão viver segundo o Espírito: resposta do homem a Deus (cf. Rm 8, 9-13); é fazer a experiência de Deus no dia-a-dia.

2. Duração: máximo de 60 minutos. Esquema

[269) Ainda que alcance em plenitude o sentido da vida e uma relativa felicidade nas dimensões pessoal, social e cósmica, o homem anseia por "algo mais": é a dimensão transcendental que faz com que suas aspirações cheguem ao infinito, isto é, ao próprio Deus. Sendo amor em plenitude e origem primeira do ser humano, Deus é, para ele, a única fonte da plena felicidade. Sendo o homem incapaz, por suas próprias forças, de responder e realizar seus anseios mais profundos, o próprio Deus vem em seu socorro revelando-lhe, pela Fé, um Plano de Justiça, de Amor, de Paz, de Perdão!

dimensões do humano

a) O ser humano criado por Deus, não sendo anjo, é Homem/Mulher concreto em três dimensões:

•   dimensão-matéria, isto é, o corpo;

• dimensão-espírito com suas faculdades, isto é, inteligência, vontade, liberdade = razão;

• dimensão-divina, isto é, a GRAÇA, a VIDA DIVINA, a vida de comunhão com Deus.

b) Por isso, a pessoa deve ser tratada na globalidade dessas dimensões. Privilegiar somente uma delas seria distorcer o Plano de Deus e desfigurar sua imagem. Por exemplo: sistemas sociais, políticos ou económicos que permitem que um filho de Deus morra de fome, de frio, ou viva uma vida subumana por falta de moradia decente e de trabalho honesto, enquanto uma minoria de outros "filhos de Deus" acumule cada vez mais às custas da grande maioria discriminada, são sistemas que desfiguram o rosto de Deus na face do ser humano, filho de Deus.

c) O equilíbrio na vivência do ser humano em todas as suas dimensões, dentro do Plano de Deus, garante-lhe a felicidade agora parcialmente iniciada e, amanhã, plenamente vivida no Reino definitivo.

 O homem disse "não" ao projeto do Reino de Deus:

a) O homem, de fato, "quis construir, prescindindo de Deus, um reino neste mundo. Em vez de adorar ao Deus verdadeiro adorou ídolos, as obras de suas mãos, a realidade deste mundo; adorou-se a si próprio. Por isso o homem se dilacerou interiormente. Penetraram no mundo o mal, a morte e a violência, o ódio e o medo".13

b) O homem, portanto, rompeu com o Plano de Deus e, por si mesmo, não poderia reparar condignamente seu gesto. As provas de tudo isto podem ser encontradas no próprio mistério do coração de cada pessoa, nas contraditórias situações com que o mundo a envolve e na revelação da Bíblia, Palavra de Deus.14

O Plano de Deus:

a) Sendo essencialmente amor e comunicando amor entre as três Pessoas, Deus (Trindade Santíssima) quis ser Criador. Criador e Pai. De alguém que fosse de tal modo a imagem do Filho, portanto a imagem dEle mesmo, que pudesse amar esse alguém com o mesmo amor com que ama seu Filho. Assim o ser humano surgiu da mente e do coração de Deus. Surgiu dentro do Seu plano de criação, de amor, de salvação.

b) Criados os reinos mineral, vegetal e animal, chegou Deus ao Homem: um animal no qual inspirou um espírito dotado de inteligência e vontade , isto é, de razão. Mas Deus não queria só, pura e simplesmente, o homem. Queria um filho, com a sua mesma natureza e a sua mesma vida. Foi o que Ele fez: "Vejam que prova de amor o Pai nos deu: somos chamados filhos de Deus - e nós o somos de fato...caríssimos, desde agora já somos filhos de Deus, mas ainda não foi revelado aquilo que haveremos de ser...seremos semelhantes a Ele, pois o veremos tal como Ele é" (Uo 3, 1-2). O cristão é, portanto, filho de Deus, porque vive a mesma vida de Deus: do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A Graça:

a) A comunhão de vida com Deus, a filiação divina dentro do Plano de Deus, recebe a denominação de "Graça" = de graça, grátis. Porque a natureza divina, para a natureza humana, é "grátis", quer dizer, não pertenceria à natureza humana ser associada à natureza divina.15

b) Além disso, viver a vida divina é como viver uma nova experiência, assumindo tudo de bom, de puro, de amável, de alegre, de solidário, de justo, de fraterno como expressão gratuita do amor do próprio Deus. No "experimentar" colocam-se todas as potências, todos os recursos de uma pessoa, de tal sorte que essa experiência vem tornar-se vida. A vida de um Deus pessoal, pois o nosso Deus é um Deus vivo; não é um cristal, nem "forças cósmicas" ou poder extraterrestre. Assim, Deus mesmo faz uma experiência com a sua criatura e esta com Deus. Isto é a Graça.

c) Essa comunhão de vida, essa nova experiência tem características próprias, como as que nos revelam o Evangelho de João:

1. "Jesus respondeu a Nicodemos: ...se alguém não nascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus" (Jo 3,5)

2. O Filho dá a vida a quem ele quer. (Jo 5,21)

3. "...quem vê o Filho e crê tenha a vida eterna" (Jo 6,40)

4. "Quem come deste pão viverá eternamente..." (Jo 6, 51)

5. "Se alguém tem sede, venha a mim e beba" (Jo 7,37)

6. "Eu vim para que todos tenham vida... " (Jo 10,10)

7. "... mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede: porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna" (Jo 4,14)

Expressões tais como "vida sobrenatural" da graça e ——— "vida natural" não indicam dicotomias ou divisões no homem, pois Deus pensou numa única realidade: no ser humano (Homem/Mulher = Filhos de Deus). E pensou numa só história: na história do Reino, onde deve estar presente esse ser humano, seu filho.

Ao se falar dessa realidades, podem empregar-se expressões como "dimensão vertical" para designar a comunhão do ser humano com Deus, e "dimensão horizontal" para designar a fraternidade entre todos os seres humanos cujo encontro se dá em Cristo, o Verbo do Pai.

[2,75}Existe possibilidade de volta?

a) Deus continua chamando o Homem para tirá-lo dessa situação de escravo; quer fazê-lo "livre com a liberdade dos filhos de Deus". Eis o plano de salvação: a escolha do Povo de Deus, no Antigo Testamento; a Aliança e o cumprimento da grande promessa, que é o próprio Filho de Deus encarnado, crucificado, morto e ressuscitado, o "novo Adão" que comunica ao Homem sua própria Vida Divina, tornando-o um Homem Novo.

b) Reconstroem-se, por Cristo, as quatro dimensões do ser humano:

1. pessoal: Cristo vem dizer que o mais importante não é a Lei, mas o Homem, filho de Deus, irmão entre irmãos;

2. social l fraterna: é a lei fundamental porque é a lei do amor, o primeiro mandamento, fundamento de toda a justiça;

3. cósmica: a reordenação dos valores, subordinando o ter ao ser; o prazer ao amor; a autoridade ao serviço;

4. transcendental: mostrando que temos um Deus que é Pai; que o amor é que é essencial e não o legalismo e que Ele quer "não sacrifícios e oblações de carneiros e touros, e sim, um coração puro..." (Is 1,11).

c) O Cristo, Homem e Deus Libertador torna tudo isto possível, pois esta foi sua missão: mudar o eixo do projeto humano de arrogância, egoísmo, injustiça, exploração, vingança, etc., para o eixo dos valores e critérios do Reino de Deus!

O retorno para os valores do Reino apresenta exigências. Da pessoa assim feita "templo do Espírito Santo de Deus", "nova criatura e homem novo", filho amado de Deus Pai, irmão entre irmãos, o projeto de Deus e o cumprimento de suas promessas exigem um compromisso: o compromisso

 de renovar, também, as realidades terrestres de acordo com o mesmo Plano de Deus. Por isso, todo cristão é, essencialmente, um missionário.

medida que a Graça implanta um novo ser no ser humano, esse novo ser exige um novo agir, um agir diferente (cf. Rm 8, 9-13). Graça é experiência do Espírito Santo; é experiência de uma vida nova (Cf. Gl 6,15; 2Cor 5, 17). Esse agir novo, essa nova prática é chamada pelo Apóstolo de "frutos do Espírito". São eles: "a caridade, a alegria, a paz, a paciência, a afabilidade, a bondade, a fidelidade, a doçura, a temperança" (Gl 5, 22-23). Esses frutos devem ser redescobertos e experienciados na história de cada um e da comunidade.

PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

Sabíamos que o Plano de Deus é que tenhamos felicidade plena, isto é, que ser "pessoa" proporciona apenas uma "felicidade relativa"?

Entendemos que a Graça é a resposta às perguntas que nos fazemos sobre o sentido da vida por significar plena vivência da própria Vida de Deus?

Como vamos inserir isso em nossa vida - pessoal, familiar, profissional - para transformá-la?

 

SÉTIMA MENSAGEM: JESUS CRISTO, HOMEM E DEUS LIBERTADOR

Observação importante:

Como objetivo fundamental do Plano de Deus e como  mensagem-eixo, em torno da qual gira todo o Movimento de Cursilhos e, particularmente, o CUR, a Graça será melhor entendida com a sequência e no conjunto das demais mensagens. Mas o marco decisivo para a compreensão e vivência da Graça será a pessoa de Jesus Cristo. De fato, é Ele mesmo a Graça, a Vida Nova da Graça, o Redentor e Libertador: assumindo o ser gente como a gente, o ser fraco para tornar o homem forte, o ser escravo para tornar o homem livre, não deixou, entretanto, de ser Deus.

E esse Cristo que se deseja mostrar, agora, com esta mensagem: não um Deus inacessível e que se encarnou para prestar um favor. Mas um Deus-próximo, um Deus-junto, um Deus-irmão, um Deus-companheiro de jornada, que se encarnou para viver essa experiência maravilhosa da vida humana. E de pessoa humana na sua condição mais baixa: de rejeitado entre os rejeitados, de marginalizado entre os marginalizados (crianças, mulheres, prostitutas, doentes, cegos e coxos...), enfim, de profeta no meio do povo.

Na realidade, foi assim que Ele se auto-apresentou: "O Espírito do Senhor está sobre mini, porque Ele mesmo me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos,

e para proclamar um ano de graça do Senhor... Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que vocês acabam de ouvir". (cf. Lc 4, 18-19.21). E isso num contexto histórico, o do século I, quando Jesus nasceu, viveu e morreu;

Leve-se em conta, portanto, a atividade de Jesus nesse contexto social, político, económico e religioso. Sem reduzir a mensagem libertadora de Jesus a níveis sócio-políticos, não se pode resvalar para o outro extremo que é o de ficar em níveis somente intimistas e individualistas (cf. n. 176).

Notas prévias:

1. Finalidades:

a) anunciar claramente o mistério da Encarnação, levando em conta a divindade de Jesus e a força de sua dimensão humana e histórica; 17

b) apresentar Jesus de Nazaré como alguém que compartilha a vida, as esperanças e as angústias do seu povo e mostrar que Ele é o Cristo no qual a Igreja crê e o qual a Igreja proclama e celebra; 18

c) destacar a importância da dignidade do ser humano que é a de "merecer" a encarnação do próprio Filho de Deus;

d) mostrar que a resposta mais adequada à proposta do Plano de Deus é a conversão que tem, como fruto, o seguimento incondicional de Jesus em sua prática de vida.

2. Duração: máximo de 50 minutos.     - ' '' :

O povo, o tempo, o lugar de Jesus:

a) É a partir do universo humano que caracteriza seu nascimento que começamos a conhecer a pessoa de Jesus. "Enquanto estavam em Belém...." (Lc 2, 6-7).

b) E assim que Jesus entra na história dos homens e do mundo: pobre como os mais pobres. Nasce no contexto da vida de um povo dominado económica e politicamente pelo conquistador (romanos).

c) Saduceus, doutores da Lei, fariseus, zelotas, herodianos, essênios e samaritanos compunham a constelação de grupos religiosos que haviam feito da Lei de Deus um peso para os homens. Foi com essa gente que, mais tarde, Jesus se defrontou quando, no cumprimento de sua missão, proclamava os valores do Reino de Deus.

Jesus-acontecimento na história dos homens:

a) Preparada sua vinda por todo o Antigo Testamento, Jesus se torna história no Novo Testamento. Ele "acontece" na "plenitude do tempo" (Gl 4,4)20.

b) Acontecimento-pessoa, Ele se propõe como pessoa para ser seguido como pessoa e não como pura doutrina ou como nova religião. Jovem, discute com os Doutores da Lei. Adulto, apresenta-se ao Batismo de João;21 esbarra com os fariseus;22 desafia a religião de exterioridades e de hipocrisia; enfrenta os Sacerdotes do Templo; "passa fazendo o bem" (cf. At 10,38). Traído, é condenado num processo espúrio, não por curar doentes ou ressuscitar mortos, e sim por sua ação transformadora, que mexeu com estruturas iníquas. Crucificado como agitador do povo, ressuscita: "e vocês, quem dizem que eu sou?" (Mt 16,15).23

Quem é Jesus Cristo?

a) Esse acontecimento-pessoa no qual se realiza em plenitude o sentido da vida humana, é o Filho de Deus. É a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo (Palavra eternamente pronunciada)24 de Deus que se encarnou e recebeu o nome de Jesus, que quer dizer Salvador e Cristo que significa Ungido. É o messias prometido no Antigo Testamento e que veio realizar as promessas de Deus ao seu povo. "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo" (Mt 16,16). Verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, numa só pessoa (divina) e em duas naturezas (divina e humana).

b) A prova máxima da divindade de Jesus é a sua Ressurreição,27 predita por Ele, em várias ocasiões de sua vida. "Caminho, Verdade e Vida". Faz a comunhão dos homens com o Pai. Traz e comunica a vida divina, a Graça: "Eu sou o tronco da videira, vocês são os ramos" (Jo 15, 1-8). Fonte e doador da água viva, que jorra para a vida eterna (cf. Jo 4, 1-26). Viver a Graça é viver a vida de Jesus, é viver o próprio Cristo, "...já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim" (Gl 2,10).

A missão de Jesus: o anúncio do Reino de Deus

a) Aquilo que dá sentido à vida, às atividades e ao discurso de Jesus é o Reino de Deus. Para Jesus existe uma só história: e ela se constrói em direção ao Reino de Deus (história da Graça) ou contra o Reino (história de pecado).

b) Somente a palavra de Jesus e sua própria vida a serviço do Reino poderão esclarecer o que é esse Reino: nunca definido por Ele, mas sempre proclamado e anunciado como "próximo" e como "estando, já, dentro de vocês" (Mt 3,2,; Lc 17,21). O Reino de Deus é a implantação do direito dos pobres (Mt 11,5 e Lc 4,18) e "dos pobres é o Reino de Deus" (Lc 66,20).

c) Coerente com o que proclama, a prática de Jesus é uma prática libertadora: cura doentes, ressuscita mortos, multiplica o pão para os famintos. Porque é o Redentor, Jesus é o Libertador. Ao reino que se aproxima responde-se com o amor e com a justiça. É isso que nos diz a vida inteira de Jesus. E é esse o caminho da comunhão com Deus: é a prática da justiça e do amor que indica se alguém responde ou não ao Plano de Deus.

O Seguimento de Jesus

a) Questionados pela prática da vida e da palavra de Jesus, perguntamos o que Ele quer dos remidos pelo seu Sangue, dos libertados pela Cruz, dos salvos pela Ressurreição. Ele pede testemunhas, apóstolos. Ele pede seguidores.

b) E qual o programa de vida e de ação para esses seguidores?

1. as bem-aventuranças que Ele mesmo viveu em plenitude; seus critérios de julgar, que são os mesmos critérios do Reino de Deus;

2. cumprir a vontade do Pai, seu projeto de amor, de fraternidade, de justiça, de perdão, comprometendo-se com numa ação transformadora da realidade que não esteja de acordo com o Plano de Deus para que possa suscitar estruturas justas e fraternas;

3. fazer uma opção pêlos pobres, seus preferidos, sobretudo nesta América Latina, neste Brasil, neste Terceiro Mundo. Mundo onde - segundo as estatísticas do UNICEF -250 milhões de crianças passam fome (não seriam, por acaso, aquelas crianças que Jesus apresentou como parâmetro de conversão?). "Eu lhes garanto: se vocês não se converterem, e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu" (Mt 18,3).

Jesus continua vivo:     

a) na Palavra viva do Evangelho;    .'

b) com sua presença, pelo seu Espírito na Comunidade-Igreja;

 c) nos Sacramentos;   

d) no irmão: esse é o sinal distintivo de sua presença. Pois "todas as vezes que vocês fizerem isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram" (Mt 25,40). "Esta situação de extrema pobreza generalizada adquire, na vida real, feições concretíssimas, nas quais deveríamos reconhecer as feições sofredoras de Cristo, o Senhor...'™ A proposta, o chamado para o seguimento de Jesus vivo, espera uma resposta...

[286] Cristo ressuscitado e exaltado à direita do Pai infunde seu Espírito sobre todos os que foram chamados (Cf. At 2, 39).

a) Seguir a Jesus é estar atento e obedecer à voz do Espírito Santo, infundido nos seguidores. "O Espírito Santo é 'doador da vida'. É água que jorra da fonte, Cristo, que ressuscita os que morreram pelo pecado e que faz com que se odeie o pecado, sobretudo em um momento de tanta corrupção e desorientação como o atual".30

b) Seguir a Jesus é "re-criar" o processo da vida de Jesus o que supõe, de nossa parte:

1. consciência clara de um chamado pessoal de Deus para anunciar o Reino;

2. consciência de que o anúncio do Reino de Deus passa pelas crises, tentações e fracassos;

3. consciência de que esse anúncio do Reino passa também pelo sofrimento, pela cruz e pela morte.

c) João Paulo II tem palavras bastante elucidativas a respeito da continuidade de Jesus na história e de sua relação com a presença do Espírito Santo: "Estabelece-se assim uma íntima relação entre o envio do Filho e do Espírito Santo. Não existe envio do Espírito Santo (depois do pecado original) sem a cruz e a Ressurreição: "Se eu não for, não virá a vós o Consolador". Estabelece-se, também, uma íntima ligação entre a missão do Espírito Santo e a missão do Filho na Redenção... a Redenção é totalmente, operada pelo Filho, como o Ungido, que veio e agiu com o poder do Espírito Santo, oferecendo-se por fim em sacrifício supremo no madeiro da cruz. E esta Redenção, ao mesmo tempo, é constantemente operada nos corações e nas consciências humanas, na história do mundo, pelo Espírito Santo, que é o "outro Consolador".31

PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

Entendemos que Jesus é ao mesmo tempo o Filho de Deus encarnado e homem inserido na realidade histórica?

Sabíamos que, por causa da Encarnação e da Ressurreição de Jesus, fomos salvos, isto é, libertados de todas as formas de prisão (pecado, egoísmo, etc.)?

Está claro que não basta aceitar Jesus "em teoria", mas é necessário segui-Lo na prática?

 

OITAVA MENSAGEM: A COMUNIDADE DO POVO DE DEUS: IGREJA

Observação importante:

ProPostas as meditações iniciais e as mensagens do Sentido da Vida (fundamental humano); da Graça (fundamental divino) e de Jesus Cristo, é chegado o momento de propor um lugar onde os filhos de Deus possam viver o mais autêntico sentido da vida e a Vida que o Pai comunica por Cristo no Espírito Santo.

O termo "lugar" emprega-se, aqui, não no sentido de espaço físico dentro do qual alguém se move, mas como circunstância, como ambiente, como clima onde se vive uma mentalidade, onde se tomam decisões e se firmam compromissos, um lugar para que se viva como família.

Trata-se de propor para o Povo dos filhos de Deus, uma comunidade que é a Igreja. O "tempo de Igreja" teve início com a vinda do Espírito Santo prometido por Jesus: Ele é a "alma da Igreja".32 (Cf. n. 185).

Notas prévias:

1. Finalidades:

a) mostrar que a Igreja é o lugar e o sinal da realização concreta do Reino de Deus;

 b) mostrar que a Igreja é a Comunidade do povo de Deus comprometido com a proclamação da Boa Notícia e que, para essa missão, foi constituída pelo Espírito Santo;

c) enfatizar que, entre os "modelos de Igreja", o de Igre-ja-servidora tem destaque especial no projeto de Cristo e que, entre nós, a característica da Igreja é a do serviço de libertação de todas as prisões ("Cristo liberta de todas as prisões"

d) deixar clara a missão fundamental da Igreja hoje, principalmente na América Latina: a Nova Evangelização que tem por sujeito ativo não só a hierarquia, mas todo o cristão leigo e os empobrecidos por já viverem eles muitos dos valores do Reino de Deus.

e) desfazer os falsos conceitos de Igreja. 2. Duração: máximo de 50 minutos.

Esquema

Deus, no seu Plano, quer que o homem realizado em plenitude humana (O Sentido da Vida) torne-se seu filho adotivo pela comunhão e experiência de sua própria Vida Divina (Graça), à qual o mesmo homem pode dizer não pelo pecado. Por isso, Deus se encarna em Jesus Cristo, Homem e Deus Libertador, que proclama a existência e a dinâmica de um Reino, visando à libertação integral e à redenção do homem.

 Esse Reino, anunciado por Jesus, é o Reino de Deus ou Reino dos Céus:

a) um Reino que ainda não está totalmente presente na história, mas que, já agora, é anunciado e começa a acontecer. Portanto, há uma só história no mundo: a história do Reino de Deus;

b) já foi dito anteriormente (na mensagem sobre Jesus Cristo) que o anúncio do Reino constituiu a missão fundamental de Jesus; que o Reino não foi por Ele definido, mas que Ele o deixou entrever através das parábolas, que esse Reino é para os pobres e para os que para a sua causa se convertem; que esse Reino, enfim, é o Reino da justiça, do perdão, da solidariedade, dos critérios das Bem-aventuranças...

c) por vontade de Jesus, o Reino de Deus continua a buscar sua realização através dos séculos, numa Comunidade. A Comunidade Eclesial ou Comunidade dos Filhos de Deus ou Igreja é o sinal e o lugar privilegiado pelo Plano de Deus onde se concretiza o Reino ,33

[291] Falsos conceitos sobre a Igreja:

a) templo de pedras, atração turística, patrimônio histórico...;

b) falsos conceitos geram confusões freqüentes (lembrar as mais comuns)... N ao nos esqueçamos de que a Igreja é divina e humana; "santa e pecadora"; campo de trigo no qual o inimigo lança o joio...34

[292] A Comunidade Eclesial ou Igreja:

a) nasce não de uma simples inscrição numa instituição já existente, mas da experiência do Espírito Santo, feita em comum pêlos seguidores de Jesus (como a fizeram seus apóstolos): é a experiência de uma realidade espiritual, que é a assimilação ativa da Palavra de Deus (At l, 14; 2, 1-4);

b) através dessa comunidade (ou de pequenas comunidades) o mundo experimenta o novo e contagiante amor de Cristo; é através dessas comunidades que o Espírito Santo dinamiza uma nova modalidade de relacionamento entre as pessoas e, com isso, faz sentir a experiência antecipada do Reino de Deus. Ser comunidade e fazer comunidade é viver a experiência do Espírito Santo;

c) foi, por isso, muito oportuno "o ensino do Concílio

Vaticano II essencialmente 'pneumatológico', impregnado da

verdade sobre o Espírito Santo, como alma da Igreja".35 "Onde

está o Espírito de Deus, aí está a Igreja e toda a Graça".36 O

que é, então, a Igreja?  n

 

Comunidade do Povo de Deus que, por Jesus Cristo, é constituída pela Graça, que é o próprio espírito de Deus para realizar o Plano do Pai, vivendo como irmãos e ajudando a construir uma sociedade justa e solidária.37

Comunidade de Fé:

a) aceita o Plano de Deus e a ele responde, organizando a convivência entre as pessoas através da força da Graça. Aí nasce a dimensão social da fé que faz com que essa comunidade se torne responsável ou co-responsável pelo tipo de sociedade que se vai criar ou que se está criando: a que mantém a experiência de Deus na sua história ou a que opta pêlos ídolos da prepotência, da injustiça, da exploração, do des-amor;

b) não é à toa que, há quase cem anos, os Papas, desde Leão XIII até João Paulo II, não se cansam de repetir que o pensamento social da Igreja é integralmente coerente com o Evangelho. "Nossa fé tem que ser mais comprometida com as atividades concretas. A fé nos abre para a dimensão do culto, onde nos refazemos comunitária e pessoalmente, mas ela também nos compromete com a atividade da transformação do mundo".38

Comunidade de Esperança: a esperança está intimamente relacionada com o anúncio do Reino. "O que nós esperamos, conforme a sua promessa, são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça" (2Pd 3,13). Numa experiência de esperança é necessário que a Comunidade eclesial encontre Deus nas esperanças cotidianas que estão no fundo das aspirações legítimas das pessoas: "Estando o Reino no meio de nós (cf. Lc 17, 21) ele é o já agora da concretização dos sonhos humanos relacionada com a esperança absoluta e definitiva; mas sendo, também, o ainda não, relativiza esses sonhos porque não são inteiramente identificados com o Absoluto que há de vir. A comunidade eclesial de esperança, experimenta-a na coragem com

que enfrenta a luta pela justiça, que se dá no sofrimento, com a certeza de que se manifestará a verdade de todas as coisas, agora, na utopia e, amanhã, na plenitude". 39

[296J Comunidade de Amor

a) Entrar em comunhão com os demais e com a realidade; fazer história com os demais com quem se estabelece relação, capacidade de "Acolhimento, Aconselhamento e Acompanhamento"*0, sabendo que acolhendo o outro, se acolhe um diferente dentro de si mesmo: isto é amor experienciado e que traduz o amor da comunidade por Deus41.

b) Este amor é a graça de Deus que se faz história na história humana. "A consciência eclesial comporta, juntamente com o sentido da comum dignidade cristã, o sentido de pertencer ao mistério da Igreja-comunhão: este é o aspecto fundamental e decisivo para a vida e a missão da Igreja. A fervorosa oração de Jesus na última Ceia - "Ut unum sint" -deve tornar-se, todos os dias, para todos e cada qual, um exigente programa de vida e ação a que não se pode renunciar.

Sacramento (sinal) de salvação através da história. É o Povo de Deus peregrino na história. Povo que anuncia o Reino, seus valores e suas exigências; denuncia a iniqüidade e os ídolos que pretendem substituir o próprio Deus; busca a conversão de todos os homens para o seguimento de Jesus.

Missão da Igreja e do cristão: proclamar a Boa Notícia

——— do Reino de Deus, anunciar seu Plano de amor, de justiça, de fraternidade e, sobretudo, de perdão...O anúncio profético da libertação do irmão e a denúncia corajosa das estruturas de iniqüidade supõem uma santa indignação ética perante a idolatria de uma sociedade massificada e consumista. Tudo isso faz parte da missão profética da Igreja e do cristão hoje. Aliás, de todos os cristãos, especialmente dos cristãos leigos comprometidos com o social, com o econômico, com o político, etc.

 Modelos de Igreja: são alguns aspectos que caracterizam certas práticas e modos de ser e de agir da própria constituição da Igreja:

a) Igreja-institucional: organização com hierarquia, leis e normas que devem tornar mais fácil a realização da missão da Igreja e não impedi-la. Modelo necessário na medida em que o autoritarismo, o legalismo ou o jurisdicismo não se sobreponham à autêntica liberdade dos filhos de Deus;

b) Igreja-comunidade: onde não há salvação individual nem redenção isolada;

c) Igreja-sinal: de libertação, indicando à humanidade e às culturas os caminhos da salvação;

d) Igreja-servidora e solidária: é a característica que lhe foi deixada por Jesus: "Eu vim para servir e não para ser servido" (Mt 20, 28).

e) Esses modelos devem ser tomados em conjunto: a Igreja é uma instituição divino-humana que se concretiza numa comunidade de fé, esperança e amor e, por isso, é sinal de realização do Reino ao se manifestar como Igreja-serviço.44

Conclusão

Na América Latina e nos países do Terceiro Mundo, a Igreja, se quiser ser fiel a Jesus Cristo, deverá ser uma Igreja-servidora-libertadora de tantas injustiças sociais e da escravidão de que são vítimas tantos milhões de filhos de Deus esmagados por estruturas iníquas e perversas. Essa Igreja, ajoelhada como o Mestre, em atitude de serviço, aos pés da humanidade, tem um modelo e uma Mãe: Maria. Dela vai-se falar mais amplamente amanhã.

PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

Entendemos que ser Igreja é ser membro do povo de Deus, comprometido com a comunidade?

Temos consciência de que ser Igreja é assumir seu caráter de "servidora" e "anunciadora de Jesus e de sua Boa Nova"?

Como poderemos - hierarquia, leigos e os pobres que já vivem os valores do Reino de Deus - pôr em prática a missão da Igreja?

 

NONA MENSAGEM Fé e sua VIVÊNCIA (ESPIRITUALIDADE)

 

Observação importante:

A unidade entre a Fé e sua vivência, assim colocada aqui, visa a realçá-la como sendo uma resposta global a tudo o que foi proclamado no CUR até este momento. É resposta a todo o Plano de Deus (o sentido da vida = ser humano; a plenitude do sentido da vida = a vivência da Graça; o Ser divino redentor do ser humano = Jesus Cristo) e, finalmente, à proposta de uma comunidade para vivenciar esse projeto, a Igreja, que agora vai entrar numa dimensão mais ampla: trata-se de viver uma vida de seguimento de Jesus Cristo, na experiência do Espírito Santo (espiritualidade). Trata-se, portanto, de viver uma vida de coerência entre aquilo que se professa com a boca e aquilo que se pratica na vida .

Notas prévias: 

1. Finalidades:

a) mostrar o significado de uma vida que seja resposta concreta ao Plano de Deus;

b) deixar idéias claras sobre a Fé como dom, resposta e conseqüente estilo de vida;

c) explicar que a coerência será a medida da conversão e esta, por ser resposta concreta ao projeto de Deus, deverá levar a uma ação transformadora da realidade, de acordo com aquele plano;

d) mostrar como as bem-aventuranças são o programa delineado pelo próprio Senhor Jesus para que seus seguidores vivam uma espiritualidade encarnada.

2. Duração: máximo de 50 minutos.

Esquema

Deus fez ao homem uma proposta de amor. É de suma importância a decisão do homem, um ser livre, consciente e responsável, e o significado de sua resposta a essa proposta, que é dada numa dupla atitude:

a) a de aderir pela Fé a Cristo e à sua Mensagem;

b) a de concretizar essa adesão num projeto de vida, num modo de viver ao qual se dá o nome de "espiritualidade".

Necessidade da fé: a fé é um imperativo da própria

natureza humana, diante da impossibilidade de uma

verificação plena ou imediata de certas afirmações. Qualquer

tipo de relação entre as pessoas exige uma grande dose de fé.

Que não é a fé? Há muita confusão em torno do assunto e conceitos periféricos confundem-se com a verdadeira fé. Por exemplo: o sentimentalismo, a emoção, as superstições, os fenômenos facilmente explicáveis pela parapsicologia, mas que se confundem, aqui e ali, com sobrenaturais, etc. Muitas tradições tidas como imutáveis, muita crendice, muito "folclore" se confunde com a fé. Não só no meio do povo mais humilde, mas até entre pessoas assim ditas letradas...

O Que é a vivência da fé: dois são os erros fundamentais, provocadores de respostas equivocadas à proposta do Plano de Deus:

a) falsos conceitos de Deus: vingador, castigador, "que-bra-galhos", o Deus do "toma-lá-dá-cá", passivo, distante, desvinculado da vida concreta dos homens... Falsas ideias, atitudes erradas; práticas externas sem qualquer convicção interna; práticas misturadas com magia e crendices; prática

 

rotineira de atos religiosos (missas "sociais": de sétimo dia, de formaturas, casamentos, etc.); hipocrisia de aproveitadores e de certos políticos; atitudes anti-evangélicas dos que usam a religião e, depois, desrespeitam a justiça, os direitos humanos, a justa retribuição ao trabalho, etc.;

b) falsas imagens do cristianismo: geradas pêlos falsos conceitos de Deus e pelas falsas atitudes: alienação do cristão perante a dimensão social e fraterna da fé; fuga das realidades temporais, dos ambientes que deveria evangelizar para se esconder na sacristia; medo dos que se acovardam diante da luta pela libertação integral de todo ser humano e, sobretudo em favor dos pobres, fracos e oprimidos e dos que preferem o comodismo, a acomodação que impede a coragem e a decisão pela fé, frustrando os irmãos...

 O que é a fé cristã?

a) um dom do Espírito Santo, um presente gratuito de Deus, um convite para a aceitação do seu Amor. "A fé é a antecipação daquilo que se espera; uma prova das realidades que não vemos" (Hb 11,1). E um acontecimento;

b) uma aceitação incondicional da pessoa e da doutrina de Jesus que compromete a vida com Deus, com os irmãos, com a transformação do mundo. Nessa aceitação entram em jogo tanto a inteligência que entende a verdade que lhe é proposta, como a vontade livre que se decide pela verdade apreendida através da inteligência. E um conhecimento que se torna opção e adesão.46

Dimensões da fé       

a) dimensão pessoal: percebe-se Deus em tudo, na medida em que Ele se manifesta e fala através dos acontecimentos e dos 'sinais dos tempos'. Essa percepção de Deus pêlos olhos da fé acontece, de maneira particular, nas situações de sofrimento e de provações: lembre-se de Jesus no Horto das Oliveiras e no alto da cruz. Aceita-se a revelação de Deus, não pela compreensão daquilo que se ouve, mas pela própria Pessoa dEle. Assim,

o que importa não é entender ou não entender o mistério e, sim, aderir, aceitar Aquele que anuncia o mistério;

b) dimensão comunitária: a fé cristã é comunitária e eclesial. E a fé da Igreja sendo vivida na Igreja, Corpo de Cristo, Mãe e Mestra dos cristãos. O sentido de pertença à Igreja, de ser membro de uma comunidade que crê, de viver a fé em comunhão com outros que crêem, faz parte da identidade do cristão. O "Eu creio" é sempre pessoal, mas jamais individual: antes, é sempre comunitário, é sempre um "Nós cremos". O grande símbolo da fé, aprovado pelo Concílio de Nicéa, no ano de 325, começa precisamente com as palavras "Nós cremos". Se o ato de crer é pessoal, o viver a fé projeta-se numa dimensão comunitária;

c) dimensão social: é o compromisso da encarnação da fé na vida e, como conseqüência, de uma vida coerente, em todas as dimensões da pessoa: pessoal, sócio-fraterna, de relação com as realidades temporais e com as transcendentais. A fé autêntica envolve o cristão nessas realidades que ele procura transformar, ainda que tenha de chegar ao martírio. Quantos bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos -homens e mulheres - aqui na América Latina já deram sua vida lutando pela justiça e pela fraternidade! Aqui mesmo no Brasil temos visto tanta luta por um pedaço de chão e tanto sofrimento por uma vida digna, tudo motivado pela convicção de que o projeto de Deus é um projeto de vida e de justiça e amor para seus filhos!

Dúvidas na fé: menos que dúvidas são limitações na compreensão da verdade. A inteligência limitada não tem capacidade suficiente de compreensão plena daquilo que é infinito. A fé continua sendo um risco, uma espécie de salto no escuro. A dúvida sempre poderá existir e a fé, por ser um ato de entrega, pode experimentar avanços e recuos. Mas a fé tentada continua sendo fé total. São dúvidas ou obstáculos da fé:

a) a ignorância: pessoas que desconhecem o Plano de Deus, a pessoa de Jesus Cristo, etc.;

b) o orgulho: a atitude acintosa de quem acha que não tem necessidade de Deus e nem do outro, seu semelhante;

 c) a vida desordenada: o materialista, o hedonista, o injusto, o egoísta, o opressor...

a vivência da fé: resposta comprometida à proposta do Reino de Deus, do seu Plano, através do seguimento de Jesus. A vivência da fé gera um estilo de vida a que se dá o nome de espiritualidade.

Unia espiritualidade autêntica: viver a espiritualidade é orientar radicalmente a vida para Deus, segundo seu Plano e com os critérios do Reino. União vital entre fé e vida, segundo a qual ser cristão não é reduzir a religião a práticas religiosas. A implantação do Reino de Deus não se faz nas "sacristias" mas nas realidades temporais onde o cristão, através de uma ação transformadora, é sal, fermento e luz.

Espiritualidade = estilo de vida:

a) vida que retrata o próprio modo de viver de Jesus. O pensar e o agir do cristão serão marcados pêlos valores do Evangelho, em todas as circunstâncias da vida: pessoal, familiar, profissional, negócios, política, etc.47;

b) um modo de vida assim é exigido por Cristo daqueles que o querem seguir, pois corresponde à prática de Jesus traduzida nas bem-aventuranças, seu retrato de corpo inteiro. Embora paradoxais para o entendimento humano, as bem-aventuranças reforçam outros momentos do Evangelho que mostram a autêntica felicidade para os que, seguindo a Cristo, querem com Ele se identificar (Cf. Mt 5,3-12; Lc 6, 20-26).

"Felizes os pobres...": em todo o Antigo Testamento e na prática de Jesus, percebe-se que os pobres e os injustiçados são os preferidos do Pai porque eles tornam presente no mundo a justiça de Deus. Daí a "opção pêlos pobres", característica da evangelização na América Latina e no Brasil. O que pensar da propriedade a serviço da comunidade? E do consumismo exacerbado? E do "levar vantagem em tudo"?

"Felizes os aflitos...": a lágrima é, quase sempre, a expressão do sofrimento e da dor, que marcam profundamente a vida dos pobres. O cristão deve ser sempre solícito em aliviar o sofrimento do outro manifestando ainda solidariedade diante da dor, do sofrimento, da injustiça: "Chorar com os que choram..." (Cf. Rm 12, 15), identificados com Cristo na cruz.

 "felizes os mansos...": não o submisso por covardia ou temperamento, mas aquele que é firme (no contexto dos valores do Reino) contra a injustiça, contra a violência; violência presente nas situações concretas da vida, na família, nos ambientes. E oportuno recordar, ainda, que os Meios de Comunicação Social são destacados agentes da violência no mundo moderno.

Felizes os Que têm fome e sede de justiça...": são os que

——— melhor se identificam com Jesus que proclamou, até à morte, a justiça do Reino, e que não se acomodam nem compactuam com a injustiça vigente quer nas pessoas quer nas estruturas. Necessita-se de anúncio e de denúncia: essas são atitudes claras e proféticas da Igreja latino-americana.

(316) "Felizes os misericordiosos...": mais do que dó ou "caridade", a misericórdia está enraizada no coração do Pai, no perdão ensinado por Jesus no Pai-nosso e na Cruz: "Pai, perdoai-os..." "Perdoai-nos...assim como nós perdoamos...".

"Felizes os puros...": não é só não pecar contra o sexto e o nono mandamentos. Mas é a pureza que nasce do coração: a transparência, a coerência, a retidão, a moral, a sinceridade, a firmeza, a ausência de hipocrisia.

"Felizes os Que promovem a paz...": isto é, os que constroem o Reino de paz no mundo. Uma paz não violenta, uma paz dinâmica, no contexto de uma sociedade e uma cultura que tendem para a violência destruidora dos valores e, até, da natureza. São os pacificadores ativos e dinâmicos que Jesus quer no mundo.

"Felizes os perseguidos por causa da justiça..." os insultados...os caluniados...... "Se fizeram assim com o Mestre, farão o mesmo com vocês...": é a espiritualidade de Jesus, seu

 

estilo de vida. É o ponto alto no seguimento de Jesus, o batismo de fogo do martírio. E o autêntico e radical "testemunho": passar pelo sofrimento e pela cruz para chegar à ressurreição.

Evangelho de São Lucas: as bem-aventuranças são complementadas pela denúncia feita por Jesus, dos ricos, dos gozadores, dos aproveitadores (cf. Lc 6, 20-26): "Ai de vocês, os ricos...Ai de vocês, que agora têm fartura...Ai de vocês, que agora riem ... Ai de vocês , se todos os elogiam...". Proclamando o cerne da atividade de Jesus, que foi o suscitar uma sociedade justa, fraterna e solidária, libertando os pobres e famintos, os aflitos, os perseguidos por causa da justiça, estes versículos mostram que é preciso denunciar aqueles que geram ou toleram a pobreza, a opressão, depondo-os dos seus privilégios. Não se abençoa o pobre sem libertá-lo da pobreza, sem denunciar o rico para libertá-lo da riqueza.48

Conclusão: este é o estilo de vida cristã que caracteriza ——— o seguidor de Cristo; esta é a resposta vivencial da fé à proposta do Reino e do Plano de Deus. Assim é a fé. Assim é o cristianismo. Apesar das dificuldades, dos obstáculos, das contradições e dos desafios, o cristão, com a graça e a assistência do Espírito Santo, enfrenta-os, assume-os e busca realizar o projeto do Reino de Deus através da vivência de uma autêntica espiritualidade.

 

PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

Entendemos que a fé é dom de Deus (não crendice, superstição, etc.), resposta do homem à proposta de amor de Deus, e exige um modo diferente de viver?

Sabemos que é indispensável a coerência entre vida e fé e que isso deve levar a uma ação transformadora da realidade, para que esta fique de acordo com o Projeto de Deus?

Percebemos que as bem-aventuranças são um "programa elaborado pelo próprio Cristo" para que seus seguidores vivam uma espiritualidade encarnada?

DÉCIMA MENSAGEM: A ORAÇÃO: COMUNHÃO, FORÇA E AUMENTO

  

Observação importante:

Apresentada como conclusão do primeiro dia do CUR, ———' esta mensagem-meditação propõe-se a marcar, com maior profundidade do que se fosse proclamada no contexto da mensagem "Fé e Espiritualidade", a importância e o lugar da oração na vida do cristão.

E conveniente lembrar que, se toda ação na vida cristã é uma forma de oração, nem sempre a oração reflete a autenticidade de uma ação. E, em muitos casos, sob o pretexto de que toda ação é uma forma de oração, nem se reza e nem se age. Sendo este um momento de cansaço natural, ao fim de um dia intenso, é preciso criar um clima de tranqüilidade e distensão, e apresentar a mensagem de maneira muito viven-cial e testemunhal. (Cf. n. 187).

Pela sua importância no CUR, apresentam-se nesta mensagem, algumas Alavancas, com simplicidade e sem apelações descabidas ou exageradas.

Notas prévias: 

1. Finalidades:

a) deixar claras a natureza e a necessidade da oração como força indispensável para o seguimento de Jesus;

b) mostrar o exemplo do Mestre, esclarecendo a prática constante que cria um espírito de oração como componente insubstituível da vivência da fé, ressaltando a "oração universal" da Igreja;

c) alertar para os perigos do "ativismo" que, normalmente, prescinde da oração.

2. Duração: máximo de 20 minutos. Esquema

Geralmente existem receio e medo diante dos desafios apresentados pela vivência de uma resposta concreta ao Reino, ao Plano de Deus, ao Seguimento de Jesus. São imensas as limitações e fraquezas humanas. Sente-se a necessidade de uma força superior que para nós, cristãos, é o auxílio de Deus. Ele se põe à disposição do filho, mas quer ser chamado, invocado, clamado (como o fazia o salmista). Diz-se da oração que é "força do homem e fraqueza de Deus"!

O que é a oração:

a) encontro e convívio com Deus, intimidade de filho com o Pai: falar a Deus pelo pensamento, pela palavra, pelo diálogo, pêlos gestos, pelas atitudes. Oração é vida constan-temente dirigida para Deus. Oração é tudo o que aproxima de Deus e tudo o que é resposta a Ele.

b) escuta amorosa: em geral, não se abre espaço para ouvir a voz de Deus, na sua Palavra bíblica, nos sinais dos tempos, nos acontecimentos alegres ou dolorosos quer pessoais, quer os históricos ou circunstanciais, quer os que atingem os irmãos ao nosso lado: oração é diálogo!

Características de uma Oração autêntica:

a) confiante: é toda a vida que reza. Sem máscaras ou pedestais. Sem multiplicar palavras e pedidos intermináveis. Deus sabe do que a pessoa necessita. E a oração do filho nos braços do Pai. É a oração saída do coração;

b) humilde: pecadores, pobres necessitados da força de Deus até para falar com Ele, como o publicano que foi ao Templo para rezar (Cf. Lc 18,10-14);

c) perseverante: assim foi ensinada por Jesus: Mt 7, 7-11; Mt 26, 41; Lc 11, 1-4; 11, 5-13; At 1,14; Rm 12,12; Cl 4,2;

 

A) encarnada: brota da realidade do cotidiano. Oração não é passe de mágica para resolver problemas ou alienação da vida diária. Para a oração leva-se a vida inteira, com suas alegrias e suas tristezas; leva-se o peso da existência, sobretudo quando esta é um testemunho de sofrimento para a implantação do Reino de Deus. Muitas vezes a oração vai nascer da consciência e do esforço pela paz, pela justiça, pelo perdão. Em inúmeras passagens do Antigo Testamento é descrita a oração do pobre, do servo sofredor, do "órfão e da viúva". Além disso, a oração encarnada é uma oração solidária: o cristão tem olhos e coração para o mundo e para as realidades que o cercam: as pessoas que passam por sofrimentos e provações contam com sua oração, assim como o mundo todo. A oração do cristão tem dimensão universal.

 Necessidade da oração: a própria limitação humana, ——— diante de tantos desafios e das propostas do Reino de Deus, do seu plano, do seguimento de Jesus, faz sentir a necessidade absoluta da oração (Cf. Jo 15,5). Louvor, súplica, ação de graças, alegria, esperança... O que Jesus pensa e ensina sobre a oração: Mt 14, 23; Mc l, 35; 6, 46; Lc 6, 12. Por sua própria essência, a oração pessoal é insubstituível. Mas não dispensa a oração comunitária, da assembleia cristã que se reúne em nome do Senhor Jesus: a oração litúrgica, oração oficial da Igreja...

Quando orar?

a) quando se reza com a vida, se está rezando sempre e em toda a parte. Leitura, meditação, liturgia, celebrações, visita ao Santíssimo Sacramento, Eucaristia frequente; oração pela manhã, às refeições, à noite, em família (valor e eficácia da oração em família; fonte e solução para inúmeros problemas).

b) tempos fortes de oração: tempo especialmente dedicado à oração; momentos de se colocar diante de Deus, no silêncio, na reflexão (Cf. Mt 6,6,).

c) distrações na oração: sendo diálogo que nasce da vida, a chamada "distração" é parte da oração. E praticamente impossível isolar-se daquilo que faz parte da vida: nossos1

problemas, nossas esperanças, nossos sofrimentos, nossas alegrias, etc. Por isso, a oração não é uma "parada" somente, aliás parada sempre e mais do que nunca necessária, mas é, também, uma "plataforma" de lançamento para o dia-a-dia.

^o29J Oração-Alavanca

a) O CUR é realizado tendo como garantia a oração. Quando se organiza um CUR como este - em qualquer parte do mundo - uma das primeiras providências é enviar um pedido de orações para o maior número possível de localida­des onde existe o Movimento de Cursilhos. Para este CUR foram solicitados orações e sacrifícios. Muitos responderam e vocês vão agora tomar conhecimento dessas respostas. Essas orações e sacrifícios pêlos Cursilhos recebem o nome de Ala­vancas (uma alavanca tem força para levantar o mundo...)

b) A fé é que une tantas pessoas em torno do mesmo objetivo: obter de Deus para todos nós — e para cada um de vocês, em particular - a graça da conversão de nossas vidas e de nossas mentalidades. Orações de crianças, de jovens, pais e mães de família, doentes nos hospitais, presos, religio­sas enclausuradas, etc.

BIBLIOGRAFIA '"  .    "  ^ ••.^, ï l-ÏL^.   L^''

a)  SC 12, 13, 27, 53; UR 8.  .

b)  AFONSO, Sto. (Carvalho, J.) Conversando sobre Oração, Ed. San­tuário, Aparecida, 1986.

c)   ARNS, Paulo E., Meditação para o dia-a-dia, Ed. Paulinas, São Paulo, 1984.

d)  BOFF, L., O Pai Nosso, Ed. Vozes, Petrópolis, 1982.

e)  BOFF, L., Ave Maria, id. 1986; RIBOLLA, J, O Plano de Deus, Ed. Santuário., Aparecida, SP. 1990.

f)          OVERBECK, Carmita, Rezar com simplicidade, Ed. Paulinas, 1984.

g)         MESTERS, C. Rezar os Salmos hoje, Ed. Vozes, Petrópolis, 22S ed.

h)         KIRCHNER, L., Rezar é Fácil, Ed. Santuário, Aparecida, SP, 1990.

i)   Catecismo da Igreja Católica, co-ed. Vozes, Paulinas, Loyola, Ave Maria, 5a ed., 1993, par. 2558-2865


 

íqqaï Continuam as mensagens doutrinário-vivenciais até a ——— mensagem "O cristão comprometido" que, por sua vez, é um indicativo da terceira fase: mensagens de compromisso pastoral e de inserção nas realidades do mundo. Uma primei­ra mensagem-meditação trará para o foco das reflexões a pessoa de Maria.

A esta altura, anunciadas as mensagens básicas e fun­damentais da proposta de Deus (Sentido da Vida, Graça, Jesus Cristo, Igreja) e esclarecida a resposta da pessoa através da vivência da fé, na espiritualidade (A Fé e sua Vivência), Maria toma seus filhos pela mão e os introduz num outro momento dessa fase que é a tomada de consciência dos critérios do Reino de Deus. E o faz através das três mensagens seguintes: Formação ou como suscitar a consciência crítica do cristão, à luz da fé, no meio da sociedade pluralista e secularizada de hoje; Sacramentos ou o cristão-Igreja-sinal no mundo e as várias circunstâncias de encontros especiais com Cristo e, finalmente, Obstáculos ao Reino — o pecado que impede os caminhos do cristão, criando obstáculos à implantação da justiça e da fraternidade.

Num segundo momento deste segundo dia, com a men­sagem O cristão comprometido, tem início aquela fase decisi­va do CUR, que é mostrar o compromisso evangelizador e preparar o Encontro com a realidade terrestre, com o mundo amplo ou restrito do cursilhista (Cf. n. 188).

DÉCIMA-PRIMEIRA MENSAGEM: MEDITAÇÃO: MARIA, MÃE DE DEUS   c DA IGREJA

Observação importante:

a rnensagem-meditação-oração sobre Maria, como ——— as demais mensagens do CUR, deverá ter um caráter profético-querigmático. A conversão para o Reino e para o seguimento de Jesus, no plano de Deus, se faz pelas mãos de Maria. Mas é necessário um embasamento bíblico-doutriná-rio, pelo menos razoável, pois o povo brasileiro, ainda que cultivando acendrada devoção a Maria, carece, em sua maioria, de um adequado conhecimento doutrinário básico. Essa meditação será uma oportuna lembrança de como o Concílio Vaticano II exaltou Maria, colocando-a no capítulo VIII da própria Lumen Gentium. Ao final desta meditação ou em outra ocasião qualquer do CUR, poder-se-á fazer algum exercício mariano de orações, além do louvor que a ela prestamos com a presente mensagem. (Cf. n. 189).

 Notas prévias: 1. Finalidades:

a) mostrar a pessoa de Maria: Mãe de Jesus Deus e Homem; Mãe da Igreja; Mãe de todos os cristãos que ocupa um lugar especial no Plano de Deus;

b) desvelar a imagem autêntica de Maria presente no Cântico do Magnificai e nos demais textos bíblicos, sempre respeitando a autêntica religiosidade popular e suas piedosas manifestações, sobretudo, por nosso povo mais simples;

178

 

c) procurar mostrar como Maria, pela Fé, pela pobreza, pela humildade e desprendimento, compromete toda sua vida com a causa de Jesus, seu Filho. Isto poderá ajudar a esclarecer supostas "aparições" de Nossa Senhora que, neste final de milénio, tendem a multiplicar-se;

d) apresentar Maria como modelo para as mulheres e os homens de hoje.

2. Duração: máximo de 20 minutos.     ........

Esquema

 Tendo-se falado do Filho ontem, hoje se vai falar da

——— Mãe pois trata-se de duas figuras inseparáveis. De que maneira Maria entra no plano de Deus, na vida de Jesus, no caminhar da Comunidade Eclesial? E na vida de cada cristão? Dir-se-á, aqui, o fundamental que deverá ser aprofundado posteriormente.

foq4| Maria na Bíblia: prefigurada no Génesis e em várias

——— mulheres da história da Salvação. No Novo Testamento os textos mariológicos são, em primeiro lugar, cristológicos (anunciam Jesus como primeira finalidade). As atitudes de Maria apresentam sempre o Filho, em primeiro lugar. A ausência de maiores detalhes sobre Maria, nos Evangelhos, pode encontrar explicação plausível no fato de que, no paganismo, a ideia era de que os pais dos deuses eram deuses também. Daí a inconveniência de fazer aparecer demasiadamente a figura de Maria entre os primeiros convertidos do paganismo para o cristianismo...

 Anunciação-Encarnação (Lc 1,26-38): aqui está o funda-^———' mento bíblico da maternidade virginal de Maria e, portanto, da concepção virginal de Jesus. A mensagem de Maria: sua fé que aceita o Mistério e sua resposta comprometida ao plano de Deus; sua participação decisiva na Encarnação.

Magnificai (Lc l, 46-55): o cântico de Maria, em visita à prima Isabel, também grávida - lembrando o povo oprimido do Antigo Testamento, Maria louva a Deus enquanto ressalta a dimensão sócio-fraternal, preocupando-se com a questão social (cf. comentário da Bíblia pasto- ral sobre o texto de Lucas). O Magnificai é o prefácio das bem-aventuranças, o "livro" que ensina o estilo de vida dos cristãos.

í337] O nascimento de Jesus (Lc 2,1-7; Mt 1,18-25): a fé de

——— Maria; seu silêncio; sua humilhação; seu sofrimento dando à luz seu filho, o Filho de Deus, num lugar destinado aos animais; Maria é sempre acolhedora e solidária ...

íooQ}Apresentação de Jesus no templo (Lc 2,22-38): "Uma

——— espada de dor atravessará teu coração"... Maria, Mãe-Mártir...

f339] A fuga para o Egito (Mt 2,13-18): o Filho de Deus perseguido e o assassinato dos inocentes... Hoje, o duplo assassinato cometido pela sociedade e pela iniquidade dos sistemas políticos, sociais e económicos: o aborto e a fome que matam milhares de crianças, ainda no ventre da mãe...

rõTÃlA perda e o encontro no templo (Lc 2,41-52): Maria

——— escuta, em silêncio, a lição que Jesus, seu filho e mestre, lhe dá. Esse episódio é, também um exemplo de diálogo entre pais e filhos...

CÔA i~\Em Nazaré, com a família: "O mundo passa pela famí-

———' lia" (João Paulo II). Jesus passou pela família: Maria e José com Jesus (Mt 12, 46-50 e Lc 11, 27-28).

Cntn\Aos pés da cruz (Jo 19,25-27): a longa agonia do filho ^———' e da Mãe. Jesus dá Maria aos seus, por Mãe; o perdão dos inimigos; a Mãe de Misericórdia...

í343] Ressurreição e Pentecostes (At 1,12-14): confirmação da fé de Maria... Maria presente no início do "tempo de Igreja"... a Mãe da Igreja!

f o A/} Maria na Igreja: no plano de Deus, colaboradora im-

——— portante na Redenção. A Igreja como trata a Mãe;

a) Maternidade divina de Maria: dogma proclamado em 431 pelo Concílio de Efeso: geradora de Deus;

b) A Virgem que se torna Mãe: "A nova Eva, Virgem obediente e fiel, que, com seu 'fiat' generoso (Lc 1,38), se torna, por obra do Espírito Santo, mãe de Deus...";

180

 

c) Imaculada Conceição: dogma que define Maria concebida na justiça original do plano de Deus, sem as marcas do pecado...

d) Assunção corpórea de Maria: como a Imaculada Conceição, é uma verdade dogmática; corolários imperativos e consequentes da maternidade divina de Maria;

e) além desses, outros títulos são dados à Mãe de Deus: co-redentora, medianeira de todas as graças, Mãe da Igreja...

r o A jrl Maria e a mulher hoje: Maria, modelo de mulher, de ——— mãe, de esposa... a mulher marginalizada e ainda discriminada, apesar de todo o progresso; o machismo opressor; também no interior da Igreja, existe a discriminação da mulher... o exemplo de Maria nas situações de pobreza, de marginalização... Maria, modelo da libertação da mulher...

e Maria: Maria é nossa Mãe, por ser Jesus nosso irmão. Mãe dada aos cristãos pelo Filho, no alto da cruz. Imita-se a Mãe no seguimento de Jesus, vendo em Maria a Mestra das bem-aventuranças. Aprende-se a conhecer e imitar Maria que está sempre ao lado dos pobres, como nas bodas de Cana e o no canto do Magnificai. Depois de Jesus, Maria é a intercessora dos filhos junto a Deus.

BIBLIOGRAFIA

a)  LG, PO, AÃ, UR

b)  EN, RMa, MC, MD.

c)   AFONSO, Sto., Glórias de Maria, Ed. Santuário, Aparecida, SP, 1987.

d)  BOFF, L., O Rosto Materno de Deus, Ed. Vozes, 1979.

e)   CARRETO, C. Maria, Mulher que acreditou, Ed. Paulinas, 1980.

f)   CEGALA, Maria, a Mulher da Libertação, Ed. Santuário, Aparecida, SP, 1984.

g)  CAMARÁ, Helder, Nossa Senhora no meu caminho, Ed. Paulinas, 1974.

h) RIBOLLA, J., O jeito de Maria de Nazaré, Ed. Santuário, Aparecida, 1991.

i)   Catecismo da Igreja Católica, co-ed. Vozes, Paulinas, Loyola, Ave Maria, 5a ed., 1993, par. 487-511; 963-975; 721-726.

j)   TMA 43, 48, 54

 

DÉCIMA SEGUNDA MENSAGEM FORMAÇÃO EDUCAÇÃO PERMANENTE DA FÉ

Observação importante:

Essa mensagem recebe o título de "Formação - Educa-———'cão permanente da Fé". É o conceito que mais está presente na teologia em relação ao leigo pós-Vaticano II. Dá ao assunto, mais do que o termo "Estudo", um sentido abrangente, profundo, exigente e vivencial.

Nos dias de hoje, sobretudo na América Latina, quando se propõe uma Nova Evangelização, pensa-se, com mais propriedade, em conscientização. Essa mensagem marca um momento-chave para a conversão integral. Quando bem focalizada, torna-se a mais adequada preparação para a fase do "Julgar" do dia seguinte, pois é aqui que se colocam os fundamentos ou as motivações mais profundas da formação da consciência crítica: insistência na assimilação de critérios e valores cristãos - em oposição aos critérios contrários ao Reino. Abre-se caminho para um compromisso mais claro com o seguimento de Jesus e com a evangelização transformadora.

Todas as mensagens até agora proclamadas passam por esta como por um funil: de nada terão adiantado, se a consciência não for despertada para uma análise crítica da realidade. Somente assim, será possível o comprometimento (Cf. n. 190).

 

 Notas prévias;

1. Finalidades:  ' >

a) conhecer mais profundamente o plano de Deus, revelado na Bíblia, na história, na Igreja, nos acontecimentos e nos sinais dos tempos, através da ação permanente do Espírito de Deus;

b) mostrar a necessidade da formação de uma consciência crítica quanto à realidade do mundo e quanto à Mensagem libertadora do Evangelho. Isto tem especial importância neste final de milénio (tendências e práticas pseudo-religio-sas ou supostamente reveladas; multiplicidade de "religiões" surgidas da noite para o dia, etc.);

c) mostrar, ainda, como a conversão integral do leigo, sua vocação e sua missão no mundo exigem formação doutrinária, teológica e social, sobretudo nas circunstâncias da modernidade, com seus desafios. Essa formação facilita ao cristão o conhecimento e a vivência daqueles critérios e valores com os quais julga a realidade e na qual vai injetá-los através de sua presença. Presença de fermento numa cultura secular, pluralista, materialista e científico-técnica, dominada, em geral pêlos poderosos e condicionantes Meios de Comunicação Social.

2. Duração: máximo de 50 minutos.

Esquema

Até agora as mensagens proclamaram o plano de Deus,

———pedindo uma resposta. Há necessidade de maior e melhor conhecimento desse plano de Deus e de suas repercussões na vida do dia-a-dia, já que os conhecimentos religiosos da maioria ficaram na névoa da já distante Primeira Comunhão; necessidade do estudo, da formação constante de uma consciência que supere a fase da ingenuidade primitiva da infância (adultos na idade, crianças na fé...).

Consciência crítica: consciência crítica é o oposto de

——— consciência ingênua. Esta não filtra as informações; não lida com critérios próprios; aceita com tranqüilidade e sem análise, todas as informações recebidas. Em consequência, a pessoa é levada a agir ao sabor de pressões externas e de imposições sociais, como por exemplo, dos Meios de Comunicação Social que conseguem instalar nas pessoas uma "mentalidade teleprogramada", etc. A consciência crítica, em vez, tem critérios próprios; filtra as informações através desses critérios e, portanto, impele a uma prática de vida coerente. A pessoa não se deixa manipular; é imune a manobras de massifïcação; critica as imposições e assume atitudes concretas de acordo com os valores aceitos "conscientemente".

 Consciência crítica cristã: sabe discernir a realidade, os acontecimentos as situações da vida e do mundo à luz dos critérios do Reino de Deus, de seus valores e de sua prática. Entre os vários valores culturais, descobre os que, de verdade, expressam o projeto de Deus. Mais do que em outro tempo, nesta época da modernidade com seus desafios, e quando a consciência pessoal é extremamente valorizada, faz-se necessária essa consciência crítica para o cristão.

É nessa dimensão e nesse sentido que, hoje, ao se referir à Evangelização, usa-se, também, o termo conscientização. Pois a consciência crítica leva a pessoa às raízes, às causas dos problemas que pedem solução. Esse cristão:

a) não aceita os critérios consumistas, injustos e massificadores dos Meios de Comunicação Social e nem compactua com os interesses escusos que estão por trás deles;

b) discerne, pela fé, quem está "fazendo a cabeça" do homem de hoje (globalização, neoliberalismo, bem-estar a qualquer preço...);

c) sabe onde, quando e como aplicar os critérios do Evangelho para transformar a realidade segundo os critérios do Reino de Deus. Para isso se faz necessária a formação integral: teologal, teológica, humana, social, etc.

Formação Integral é a mediação necessária para a descoberta dos critérios e valores que vão iluminar seu discernimento quanto à realidade. À medida que esses critérios vão sendo conhecidos e vividos na prática, vai sendo possível implementar um projeto de vida segundo a vontade de Deus. Quanto melhor se forma um cristão à luz dos valores do Reino, tanto mais eficazmente esses valores vão ajudando a própria pessoa e os que com ela convivem a construir uma sociedade justa e fraterna. Sem consciência crítica não há discernimento.

 Formação teologal: é a vivência da fé-testemunho. Formação de princípios; espiritualidade como estilo de vida; formação da imagem do cristão nos demais e na realidade do mundo: frequentemente, o cristão é o único Evangelho que muita gente lê!

 Formação teológica: é o conhecimento do conteúdo da ——— fé e de suas razões: a inteligência buscando esclarecer a Fé. Teológica porque relativa ao conhecimento de Deus. Como? Pela frequência a cursos de doutrina, encontros de estudo, leituras adequadas, cursos de teologia para leigos. A ignorância religiosa tão frequente exige essa formação.

 Fontes de formação

a) A Bíblia ou Sagradas Escrituras, o "livro" por excelência. Palavra de Deus, que revela seu plano; revelação de Deus que falou e continua falando na história. A Palavra de Deus é viva e vida no cristão quando lhe dirige a vida e se torna critério de discernimento para todas as circunstâncias da vida.

• O Antigo Testamento: desde a criação do homem até a vinda de Jesus.

• O Novo Testamento: narra o nascimento, a vida, o sofrimento, a morte e a Ressurreição de Cristo e a vida das primeiras comunidades cristãs. No Novo Testamento se realizam as promessas de Deus. A Bíblia, história da salvação, usa a linguagem da cultura do tempo. Sendo Palavra de Deus, fala e orienta, embora mostrando-se, às vezes, de difícil interpretação. É um livro religioso contendo mensagem de Fé. Não basta ter a Bíblia; não basta ler a Bíblia; não basta entender a Bíblia: é fundamental viver a Bíblia, palavra da Vida!49

49 Cf. CIC 101-130

b) A Igreja: presente desde os inícios do "tempo da Igreja", o Espírito Santo vai revelando continuamente, o Plano de Deus, enquanto a mesma comunidade eclesial continua a missão de Jesus.

• Fontes de formação e estudo: Concílios, Sínodos, Documentos de ordem universal (Vaticano II, Encíclicas, etc.) e nacional (Documentos e Estudos da CNBB, etc.), bem como de orientação diocesana.

• Para ajudar a caminhada dos católicos, a Igreja se pronuncia sobre todos os assuntos que atingem a pessoa, a vida humana (economia, política, etc.), pois se trata de aspectos éticos, e sobre os princípios que devem reger essas realidades à luz do plano de Deus. Ignorância ou má fé dos que escandalizam com os posicionamentos da Igreja; posicionam-se a favor de Cristo, mas contra a Igreja ...50

c) A história e os Sinais dos Tempos: através deles, se vai lendo o plano de Deus e sua Vontade: são sinais de cada época, de cada momento da história através dos quais Deus transparece. Hoje, a informação, a comunicação em tempo real, a informática, a biotecnologia, a manipulação genética, a dimensão sociopolítica dão a tonalidade da época. O recado de Deus está nos acontecimentos universais, nacionais, locais, familiares e pessoais: "O que Deus quer dizer com isso"? O que está por trás da emergência dos pobres, da luta pela sobrevivência, da injustiça institucionalizada, da marginalização dos negros, da mulher, etc. Qual a reação do cristão? Quais seus critérios de discernimento e de prática da vida?

 Formação e Conversão: é a formação teologal; é a formação do cristão na ação: formação que contribui decisivamente para a conversão integral, tanto na dimensão horizontal quanto na vertical, realidades inseparáveis no contexto do plano de Deus. A força da oração e do estudo propiciam conscientização que leva sempre mais para Deus, para o irmão e para as realidades do mundo, fazendo com que a ação do cristão seja uma ação transformadora dele mesmo, de sua comunidade e, também, da sociedade.

 

PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

• Entendemos que é indispensável termos uma consciência crítica em relação à realidade do mundo em que vivemos e em relação à mensagem libertadora do Evangelho?

• Está claro para nós que a nossa conversão integral, o exercício da nossa vocação e o cumprimento de nossa missão exigem formação doutrinária, teológica e social?

• Percebemos que as fontes de formação apresentadas são indispensáveis e deveriam ser acessíveis a todos?

BIBLIOGRAFIA

a)  Documentos do Concílio Vaticano II.

b) Encíclicas Sociais da Igreja: RN, QA, MM, OA, SRS, CA, PT, LÊ.

c)   CL.

d) P 796-799.

e)  Documentos e Estudos da CNBB, especialmente Doe. 45, n. 259ss.

f)   MESTERS, Carlos, Palavra de Deus na história dos Homens, Ed. Vozes, Petrópolis, 1970.

g)  MESTERS, Carlos, Por trás da Palavra, Ed. Vozes, Petrópolis, 1975. h) MESTERS, Carlos, Flor sem defesa - Explicar a Bíblia a partir do povo, Ed. Vozes, Petrópolis, 1984.

i)   Recomendam-se todos os demais livros de Carlos Mesters. j)   Doe. MCC: RC II, p. 9, 10, 11; V, 2; VI, 3. k) ARNS, Paulo E., Cristãos em plena Vida, Ed. Loyola, 1974. 1)   RIBOLLA, J., O Plano de Deus, Ed. Santuário, Aparecida, SP., 1990. m) Catecismo da Igreja Católica, co-ed. Vozes, Paulinas, Loyola, Ave

Maria, 5a ed., 1993.

 

DÉCIMA TERCEIRA MENSAGEM: SACRAMENTOS: SINAIS DE UMA PRESENÇA VIVA

Observação importante:

 Como as demais mensagens, esta é também querigmática. Compreende-se a inoportunidade de uma catequese detalhada de cada um dos sacramentos: além de estar fora dos objetivos da proclamação das mensagens, seria, aqui, antipedagógica. De outro lado, uma exposição mais detalhada demandaria uma duração muito longa, o que implicaria desrespeito e abuso em relação aos ouvintes.

Considerando-se, entretanto, a ignorância generalizada sobre o assunto, valeria a pena uma rápida catequese dos sacramentos, deixando uma mais ampla para depois do CUR. Importante é não deixar que se desvie o objetivo da mensagem. Alguns dos sacramentos deverão ser abordados mais enfaticamente, de maneira especial a Reconciliação e o Matrimônio no seu conteúdo teológico-pastoral.

Na abordagem do sacramento do Matrimônio é oportuno que o mensageiro se faça acompanhar de um responsável casado que possa testemunhar sua vivência matrimonial segundo os critérios cristãos. Esse seria o momento propício para se tratar do assunto "família" na ótica sacramental. Mesmo porque, normalmente e visto de outros ângulos, em quase todas as mensagens esse tema vem à tona. Por isso não se vê a necessidade de uma mensagem específica sobre a família. Cuide-se, porém, para que essa intervenção não venha a se estender de tal forma que seja outra edição do antigo "Estudo do Ambiente".

É bom lembrar que o reinicio ou início do processo de conversão, para muitos, está neste momento. Especial insistência na sacramentalidade da comunidade eclesial e de cada cristão; idéias claras sobre o sentido dos sacramentos e suas conseqüências; conclusões pastorais práticas como sendo elas acontecimentos vivenciais: todos esses são pontos importantes a serem ressaltados nesta mensagem (Cf. n. 191).

Notas prévias:

1. Finalidades:  '

a) dar a adequada dimensão dos sacramentos: Cristo, sacramento de Deus Pai; a comunidade cristã, sacramento de Cristo; o cristão, sacramento da Igreja; os sacramentos, força e alimento do cristão e da Igreja;

b) mostrar que são encontros vivenciais com Cristo e que coincidem com os acontecimentos fundamentais da vida, confirmando o cristão no compromisso de seguir a Cristo e na realização do plano de Deus;

c) ressaltar a dimensão comunitária dos sacramentos na medida em que expressam Deus-comunidade e Igreja-comunidade: não são ritos mágicos historicamente acontecidos, mas momentos de transformação que vão acontecendo durante toda a vida do cristão.

2. Duração: máximo de 120 minutos, incluída a tradicional visita ao Santíssimo. Se houver possibilidade, um intervalo de 10 minutos, que é pedagogicamente recomendável, facilitará a atenção.

Esquema

 Como vimos, Deus nos chamou aqui para nos falar de seu Reino, de seu Plano de Amor, do Seguimento de Jesus pela vivência e experiência da Graça e de sua presença contínua, pelo Espírito Santo, na Comunidade Eclesial. "Eu estou com vocês..." (cf. Mt 28,20). A Comunidade Eclesial -Igreja é sinal de salvação e de libertação plena como o Senhor Jesus, e está presente na história para sinalizar e tornar realidade o Reino: justiça, fraternidade, solidariedade, perdão... Assim também: cada cristão, de certa forma, é "sacramento" do Reino. Pela sua opção de fé, torna visível para o mundo os sinais do Reino.

Além da presença "sacramental" da Igreja e do cristão no mundo, Cristo deixou os Sacramentos: libertando a pessoa humana do egoísmo, purificam, fortalecem, e alimentam a fé daqueles que participam da comunidade de fé, esperança e caridade.51

 Daí a dimensão dos sacramentos: não são só para uso pessoal, de cada um, mas como a própria Igreja-Sinal, possuem uma dimensão comunitária. Deles nasce e com eles se alimenta e fortalece um povo servidor, sinal de comunhão e sacramento de libertação no hoje e no aqui da história.

linguagem dos sinais: os homens falam por sinais. Deus também: as criaturas são sinais de Deus, tornam-no presente. São sacramentos de um Deus invisível. Jesus é um sinal de Deus-Trindade, pois torna Deus visível pela encarnação. Assim a Comunidade eclesial é sinal de Jesus e o cristão é o sinal da Igreja.

Nos sacramentos pode distinguir-se o que se chama de "significado" e "signifïcante". "Significado" é o que ou quem o sinal representa. "Significante" é o visível, o sinal material: a coisa, o gesto, a palavra. O "significado" é mais importante que o "significante". Assim o Amor de Deus (o significado) se reveste de letras (Bíblia), de carne, de Igreja-Comunidade. O "significante" nos sacramentos consta de três elementos: a) a palavra ("eu te batizo..."); b) o gesto (a imposição das mãos...); c) a coisa material (água, óleo, pão...). Esses elementos são o "significante", Jesus é o "significado".

fogo") O que é um Sacramento: encontro com Jesus Cristo

——— através de um sinal sensível para comunicar-nos sua Vida. Deus, invisível, torna-se de algum modo, pelo sinal-sacramento, visível, sensível; através do sinal Ele torna presente a realidade que o sinal lembra: Jesus. Jesus instituiu os sacramentos e os entregou à Igreja para realizá-los e administrá-los. Eles têm a força de tornar Jesus presente: os sacramentos, como sinais visíveis, fazem a visibilidade de Jesus invisível, assinalando sua presença.

Ao se realizar um sacramento, somente se pode ver e perceber as realidades do sinal, mas a fé garante a presença de Jesus, encontrando-se com os seus, com eles caminhando e fazendo comunhão. A vida nova da Graça é comunicada por Ele com um auxílio especial para aquela circunstância especial em que se recebe o sacramento. Então: os sacramentos encontram seu sentido na fé, quando se crê em Cristo Jesus.

 Os Sacramentos acompanham a vida: são sete as circunstâncias especiais da vida onde Cristo se encontra com o cristão: no nascimento-Batismo; no crescimento-Crisma; nas limitações e fraquezas humanas-Reconciliação; no amor-Matrimônio; Comunidade l Igreja - Ordem sacerdotal; Alimentação - Eucaristia; Doença grave/morte - Unção dos Enfermos. Portanto, sete são os sacramentos que, através da Igreja, tornam Cristo presente. Ao receber os sacramentos, o cristão torna o Cristo presente, visível pelo sinal e torna a Igreja presente. Instituídos por Cristo, os sacramentos foram entregues à comunidade eclesial.

Os Sacramentos na Bíblia: no Antigo Testamento há  figuras e símbolos dos sacramentos. No Novo Testamento encontram-se várias referências e textos apropriados aos sacramentos. "Apropriados" porque todo o Novo Testamento é um texto sacramental: ao se referir a Cristo, refere-se ao único Sacramento, Jesus Cristo.

Vivência dos Sacramentos: compreendendo-se o que são

os sacramentos e sua eficácia e importância, tiram-se algumas conclusões:

a) Sacramentos não são coisas que se recebem, mas Encontros com a Vida (Cristo) na vida do cristão para que ele seja ajudado na concretização do plano de Deus e na identificação com Cristo e no seu seguimento; 

b) Só tem sentido o sacramento se Cristo tiver sentido na vida de quem o recebe;

c) Mais importante que o rito sacramental, é a vida sacramental;

d) Sacramentos o cristão os recebe para se tornar ele mesmo sacramento: sinal de Jesus na história...

Ignorância acerca dos Sacramentos     •

a) coisificação: ideia de que sacramento é "coisa";

b) legalismo-tradicionalismo: sacramentos são frequentados apenas por ser "lei" ou "costume" social, etc.;

c) magia — superstição: igreja, fábrica de sacramentos ou padre, funcionário; "precisa", "diz-que-é-bom"...

Diante desse quadro, percebe-se a necessidade da preparação para se receber os sacramentos: cursos, etc.

Os sete Sacramentos: Quatro são os grupos de sacramentos:

a) Sacramentos de Iniciação: Batismo e Crisma;

b) Sacramentos de Reconciliação: Penitência e Unção dos Enfermos;

c) Sacramentos de Serviço: Matrimônio e Ordem;

d) Sacramento do Amor-Comunhão: Eucaristia.        i>

 BATISMO (Mt 3, 13-17; 28, 19-20; Jo 3, 1-8; Antigo

———Testamento 8, 36-37; Rm 6,3-11; Gl 3,26-37): primeiro gesto redentor de Cristo que faz o homem filho de Deus, partícipe da vida divina; incorpora-o a Cristo, preparando-o para o seu seguimento e, na comunidade eclesial, constituindo-o para ser executor do Plano de Deus.53

CRISMA (At 8, 14-17; 19, 1-7; 2, 1-11): fecunda e faz

——— crescer o Batismo (Confirmação). Fé adulta; força para o seguimento de Cristo e para proclamar corajosamente o plano de Deus, o Reino de Deus e sua justiça...54

53 Cf. CIC 1213-1284; Cf. TMA 41

54  Cf. CIC 1285-1321

RECONCILIAÇÃO-CONFISSÃO (Mt 16,18-19; Jo

——— 20,23): sacramento do perdão e da misericórdia do Pai... início de conversão ... "invenção" do coração misericordioso de Cristo... Motivações: a) teológica: Redenção à moda humana, Reconciliação também à moda humana; b) sociológica: à Comunidade ofendida pelo pecado também se pede perdão; c) psicológica: necessidade de desabafo. Sacramento da reconstrução do Reino.55

UNÇÃO DOS ENFERMOS (Mc 6,13; Tg 5,12-15): últi-^———' mo gesto libertador de Cristo; presença de Jesus sofredor no mundo; a comunhão do doente com os sofrimentos de Jesus e de todos os irmãos enfermos: "Sacramento consumativo de toda a vida cristã"...56

MATRIMÔNIO (Gn 2,18; Mt 19,4; Ef 5,21-31; ICor 1———J 7,1-7; 13; Cl 3, 18ss.; Ef 6,1-4): sacramento da vida familiar com Cristo; amor de Deus expresso em forma humana; amor comunitário da família. Definição: "Sacramento que abençoa e consagra a união do homem e da mulher num contrato sagrado e indissolúvel para se amarem, procriarem e educarem os filhos". (Vide NOTAS l).57

ORDEM SACERDOTAL (Mt 28,19-20; Lc 22,19; Jo ^^-^ 20,23; 2Tm 1-6; Hb 5,7; 4,14-16): anuncia o Reino ("Proclame a Palavra, insista no tempo oportuno e inoportuno, advertindo, reprovando e aconselhando com toda paciência e doutrina" (2Tm 4,2); perpetua o sacerdócio ministerial de Jesus; consagra o Corpo de Cristo; santifica a comunidade eclesial. Empresta a Cristo sua voz, seu coração seus pés e mãos...Vocação-missão; limitações humanas; críticas, condenações; amizade, oração pelo sacerdote; celibato, etc.58

 EUCARISTIA (Jo 6,22-71; Mt 26, 26-28; Mc 14,22-25; Lc

——— 22,19-20; ICor 11,23-25): Cristo, alimento da vida divina da Graça em cada cristão e na comunidade. A promessa da Eucaristia (Jo 6,22-71); a realização (cf. textos acima). Eucaristia é: a) Sacrifício-Missa; b) Alimento: "Tomem e comam"; c) presença amiga no sacrário; d) celebração da Redenção: Vida, Morte e Ressurreição de Cristo na qual se proclama a vida, morte e ressurreição do cristão. Morrer todos os dias e ressuscitar com Cristo. (Vide NOTAS 2).59

NOTAS:

1. neste momento da mensagem um(a) leigo(a) casado(a) poderá testemunhar sua vivência do Sacramento do Matrimônio. E uma oportunidade preciosa que se cria para focalizar, com propriedade, o assunto família, no Cursilho;

2. esta mensagem pode terminar junto ao Sacrário, com a Comunidade: colóquio com Cristo sintetizando os sacramentos, lembrando o Plano de Deus o seguimento de Jesus, os compromissos com o anúncio e a prática do Reino; fraternidade, amor, perdão! Deixar liberdade para manifestação dos participantes.

 

BIBLIOGRAFIA

a)         AG 1,5; OE 12-18; PO 5.

b)         EN 47; RP.

c)         M 3.11; 6.1-2; 8.9.13-14.

d)         Doe. CNBB 40; 45, n. 189, 225, 251.

e)  RIBOLLA, J., Os Sacramentos trocados em miúdos, Ed. Santuário, Aparecida, SP. 1990.

f)   BOFF, L., Os Sacramentos da Vida e a Vida dos Sacramentos, Ed. Vozes, Petrópolis, 1980.

g)  BORTOLINI, Os Sacramentos em nossa vida, Ed. Paulinas, 1981. h) RUFFIER, G., O Amor em gestos, Ed. Loyola, São Paulo.

i)   SEGUNDO, J. L., Os Sacramentos Hoje, in Teologia Aberta para leigos adultos, Ed. Loyola, 1977.

j)   AMBRÓSIO, Sto., Os Sacramentos e os Mistérios, Ed. Vozes, 1972. k) O Novo Catecismo - A fé para Adultos, Ed. Loyola, 1979.

PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

Compreendemos a real dimensão dos sacramentos, isto é, Cristo como sacramento do Pai, a comunidade cristã como sacramento de Cristo, o cristão como sacramento f da Igreja, e os sete sacramentos como força e alimento do cristão na Igreja?

Entendemos que os sacramentos são encontros vivenciais com Cristo, que coincidem com os acontecimentos fundamentais da nossa vida humana e que nos confirmam no nosso compromisso de seguir a Cristo e realizar o plano de Deus?

Ficou clara a dimensão comunitária dos sacramentos (eles expressam Deus-comunidade e Igreja-comunidade), e que os mesmos não são ritos mágicos que ocorreram na história, mas momentos de transformação que ocorrem durante toda a nossa vida?

 

DÉCIMA-QUARTA MENSAGEM OBSTÁCULOS AO REINO DE DEUS O PECADO

Observação importante

a mensagem encerra a primeira parte da Mensagem, onde se proclama vivencialmente o fundamento doutrinário do CUR. Na mensagens sobre a Graça, já se aludiu à questão do pecado ao se falar da desobediência do homem ao plano de Deus. Aqui busca-se esclarecer melhor esse assunto, de abordagem reconhecidamente difícil e até polemica, dada a incidência predominante de uma cultura que privilegia a consciência e a autodeterminação da pessoa, aliadas ao relativismo próprio da cultura pós-moderna.

No contexto do Terceiro Mundo há desdobramentos nem sempre tranqüilos quando se trata do pecado. Entretanto, deve-se deixar claro aos participantes a natureza não só do pecado pessoal, mas, também dos seus desdobramentos no comunitário, no social e no estrutural.

É importante, também, distinguir um ato, e uma opção fundamental de vida. Enfatize-se, ainda, a necessidade de uma consciência crítica que vá às raízes, às causas estruturais do pecado, que projeta suas conseqüências na dimensão social.

O "mensageiro" deverá evitar, a todo custo, tanto os altos vôos filosóficos de psicologia erudita, inacessível aos ouvintes, como também, a preocupação quase doentia em apontar, quase que somente pecados do tipo "faltar à missa aos domingos" ou "pecar contra a castidade"... (cf. n. 192).

 

 Notas prévias;

1. Finalidades:

a) esclarecer o conceito de pecado como oposição ao Plano de Deus e aos valores do Reino: desamor e ruptura, lembrando que "o que mancha o homem não é o que sai"...);

b) mostrar as conseqüências do pecado, tanto as de nível pessoal, como, sobretudo, as de nível social e estrutural;

c) esclarecer a questão da responsabilidade nas decisões livres da consciência pessoal, norma subjetiva da moralidade;

d) esclarecer o significado da opção fundamental no pecado: atitude de "idolização" ou vida de pecado;

e) apontar os meios de retorno e que libertam o homem da escravidão do pecado tanto no nível pessoal como no social e estrutural.

2. Duração: máximo de 50 minutos.     n  «TÍ"      !

Esquema

 A proposta de Deus, através do seu Plano de Amor, é a de um mundo justo e fraterno para seus filhos e para todos os homens. A justiça, a fraternidade, a solidariedade, o perdão, a paz têm de ser constantemente buscados, através de um projeto de vida, para que todos encontrem a felicidade que Ele promete. Uma promessa que não se restringe aos indivíduos, mas que se dirige a toda a humanidade.

Em face da proposta de Deus, o homem tem dois caminhos para uma resposta livre e responsável: ou escolhe a Graça, isto é, a Vida com Deus e será feliz; ou escolhe a desGraça, o pecado e será um desgraçado. "Eis que ponho diante de ti o bem e o mal! Escolhe o bem e viverás" (cf. Dt. 30,15-20; 11, 26ss; Is l, 19ss). O pecado é o obstáculo interposto pelo homem e pela humanidade ao Plano de Deus. Aliás, o termo pecado, já de per si, é capaz de suscitar mil reações diferentes.58

O que é o pecado? É não só um ato, mas uma atitude de

——— desamor a Deus, aos irmãos e ao mundo, criados por

Deus. Perder o sentido de Deus é perder o sentido do amor. Perdendo-se o sentido do amor e de Deus, outras coisas são colocadas em seu lugar. Isso se chama idolatria: o pecado é uma idolatria. O homem coloca a criatura em lugar do Criador; erige altares para adoração do egoísmo, do poder, do dinheiro, do prazer: o ter toma o lugar do ser. Resumindo, o pecado é um:

a) NÃO A DEUS: rejeita-se o seu Plano, substituindo-o por ídolos;

b) NÃO A SI MESMO como filho de Deus: renuncia-se a um projeto de vida de crescimento em Cristo;

c) NÃO AO IRMÃO: ele passa a ser objeto do egoísmo, da injustiça e da exploração; recusa-se a viver com ele a fraternidade; desliga-se da comunidade;

d) NÃO À ORDEM CÓSMICA: ao respeito à natureza, à ordem que Deus colocou para o bom uso das coisas criadas. O homem, criado para ser delas administrador escraviza-se às coisas, aos prazeres, ao comodismo, influenciando negativamente as estruturas económicas, políticas e sociais da comunidade humana, que, por sua vez, são geradoras de situações de miséria de marginalização, de violência e discriminação.

consciência: é o "santuário secretíssimo"; é o que existe de mais íntimo no ser humano: ali se ouve a voz de Deus. Voz de alerta, de misericordioso acompanhamento e de intensa iluminação que ensina os caminhos do bem e adverte sobre os caminhos do mal. Por isso, a consciência é a norma subjetiva da moralidade dos atos: é ela que os aprova ou desaprova. Daí a imperiosa necessidade, para o cristão, de uma consciência bem formada (cf. ICor 11,28; 2Cor 13,5; Gl 6,4, Fl. 1,10).

°PÇà° fundamental - tragédia do pecado: já se mostrou como o homem pode dar um "sim" a Deus na dimensão mais profunda e decisiva de sua vida. Então vive a Graça: vida com Deus. O pecado, pelo contrário, é o "não", é a vida sem Deus e instala a morte da vida divina na vida do homem quando este rompe a comunhão com Deus e os irmãos, com o Plano de Deus e com o Reino.

O problema surge no momento em que o pecado já não acontece com um ato isolado, mas se torna atitude constante

e consciente. A isto se chama "vida de pecado". Trata-se de uma opção fundamental de vida; de um Projeto de vida pelo qual a pessoa assume o ser pecadora. É o que se poderia chamar de "pecado mortal": a pessoa nele permanece conscientemente. Diferente de outra pessoa que, mesmo ocasionalmente em falta grave, arrepende-se, refazendo sua amizade e comunhão com Deus e com a comunidade.

 Condições para o pecado: para que se concretize o pecado três condições são indispensáveis:

a) Pleno conhecimento da inteligência: a pessoa deve saber que tal ação ou tal omissão de um dever constitui um pecado. "Fazer sabendo que é pecado", saber no momento da ação;

b) Pleno consentimento da vontade: "por querer", conscientemente, por vontade livre, sem coação. O medo, a pressão vinda de onde vier, os condicionamentos independentes da vontade - isso tira a responsabilidade da ação.

c) Matéria grave: em proporção do mal que pode advir, em relação às conseqüências. A consciência bem formada sempre sabe discernir a gravidade do mal e suas conseqüências.

 Pecado ao "fazer" e do "não fazer": no primeiro caso é o fazer errado, fazer o que não se deve fazer. No segundo caso é não fazer o que se deve fazer: é o pecado da omissão. E o pai, a mãe, o profissional, o político que se omitem.

A omissão é responsável, em grande parte, pelas estruturas pecaminosas, injustas, iníquas. É o contra-testemunho de quem se omite que acaba criando "clima" para que vicejem atitudes que levam a confirmar as estruturas iníquas. Daí porque a Igreja insiste com tanta freqüência na ação transformadora dos cristãos: ir às raízes, às causas estruturais do mal. O pecado "social" ou "estrutural" está nas causas estruturadas ou planejadas por interessados em conservar uma situação que os beneficie ...Este assunto voltará, ainda, para reflexão.

 Dimensão e conseqüências do pecado: sendo sempre pessoais, o pecado tem, entretanto, repercussões sociais. Daí o "pecado social" ou de dimensão social, o "pecado estrutural" e o "pecado comunitário". Quais as suas conseqüências?

a) Conseqüências pessoais: conflitos de consciência, desintegração interior da pessoa que se torna escrava dos ídolos do ter-poder-prazer; vítima da exacerbação sexual, da violência, da injustiça, da corrupção, etc.61.

b) Conseqüências comunitárias: o pecado, quase que por contágio, pode tornar-se comunitário, isto é, o pecado de toda uma comunidade. Suas conseqüências são a desagregação, a inveja, a ruptura da unidade, os desentendimentos, etc. Assim, se fala em "comunhão dos pecadores"...;

c) Conseqüências sociais: atitudes de pecado em nível pessoal e comunitário levam à construção de uma sociedade pecaminosa. Via de regra, essa sociedade escraviza a pessoa pelo egoísmo, pela vaidade, pela idolatria do ter, pelo consumismo exacerbado, pela massificação, pelo nivelamento das culturas. Daí à violência, ao desrespeito ao outro, a trágicas situações infra-humanas é um passo;

d) Conseqüências estruturais: uma sociedade iníqua leva a estruturas iníquas, pois é a sociedade que constrói para si as estruturas que lhe convêm. Estruturas econômicas, políticas, educacionais, etc., distorcidas e em contraste com o Plano de Deus, condicionam, por sua vez, a sociedade acabando por tornar-se "cultura". Pior: através de mecanismos facilmente explicáveis pela sociologia, consegue a cooptação dos próprios escravizados e oprimidos. Esse é o grande trunfo da estrutura opressora e dos opressores. Pecados pessoais, comunitários, sociais e estruturais levam à distorção dos SISTEMAS que, no fundo, são os grandes reguladores, determinantes e responsáveis pela iniqüidade, pela injustiça, pela idolatria da história...

Soluções:

 a) conversão integral para o seguimento de Cristo e para o Reino de Deus. Uma conversão que mude o coração das pessoas, mas que, ao mesmo tempo, se comprometa na transformação das estruturas e da sociedade. Há necessidade de um coração puro vida pura (cf. "bem aventuranças"...) De pouco adianta um "coração puro" sempre voltado para um "clima de pecado" instalado na sociedade (cf. Mt 12, 43-45);

b) freqüência aos sacramentos, especialmente ao sacramento da Reconciliação ou Confissão. Necessidade da oração contínua: o cristão reza com a vida. O recurso à intercessão de Maria...;

c) compromisso de comungar com a caminhada da Igreja no Brasil, na luta por um sistema mais justo, mais cristão; na contribuição efetiva para que surja uma sociedade baseada na fraternidade, na justiça e no perdão, "a caminho do Reino definitivo".

Percebe-se, portanto, a necessidade de identificar os obstáculos de sua vida pessoal, mas também da vida profissional, social, política que impedem o advento do Reino de Deus, a adesão ao seu Plano de Salvação. Devidamente identificados, esses obstáculos devem ser denunciados com a coragem própria dos discípulos de Jesus, fortalecidos pelo Espírito Santo. Assim agiram os apóstolos; assim agem os que são enviados para a redenção e libertação integral de seus irmãos. É o prenúncio do Reino Definitivo.

Nota proposta: após a mensagem "Obstáculos", conforme as circunstâncias de tempo e dos participantes, pode-se dar tempo para confissões sacramentais, talvez preparadas por uma paraliturgia comunitária adequada.

PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

Entendemos o que é o pecado (mal nascido do coração

que se opõe ao Plano de Deus e aos valores do Reino,

desamor e ruptura)?

Está clara a questão da responsabilidade nas decisões

livres da nossa consciência que é a norma subjetiva da

moralidade?

Temos consciência de que o pecado pode ser uma "opção fundamental" de nossa parte, com conseqüências de nível pessoal, social e estrutural?

Estamos convencidos de que há meios que nos libertam da escravidão do pecado nos seus diversos níveis?

 

BIBLIOGRAFIA

a) LG 2; GS 10,13,15,17,58,78; BV 8; BH; 2,3; AG 8; Aã 7.

b) PP 7-11.     D

c)  EN 50.

d) M, Promoção humana, 1-5.

e)  P 15-71; 185-186; 1257-1267.     ;

O   RR •"'•'•' -- •   '     ' •'•••••••'•'• •' '            '•

g)  MIRANDA, M., Sacramento da Penitência, Ed. Loyola, 1978.

h) LIBÂNIO J. B., O Pecado e a Opção fundamental, Ed. Vozes, 1975.

i)   MOSTRE, A, O Pecado ainda existe?, Ed. Paulinas, 1977.

j)   RAHNER, A. Karl, Pecado, o que é?, Ed. Vozes, Petrópolis, 1978.

k) Catecismo da Igreja Católica, co-ed. Vozes, Paulinas, Loyola, Ave Maria, 5a ed., 1993, par. 1846-1876

 

III. MENSAGENS DE INSERÇÃO NA COMUNIDADE E DE COMPROMISSO PASTORAL

Esclarecimentos

a) Com a mensagem "Obstáculos ao Reino de Deus" encerra-se a primeira parte da proclamação da Mensagem — mensagens doutinário-vivenciais - iniciando-se a segunda parte do CUR, que encaminha o cursilhista para a volta às realidades, ao encontro com a comunidade e ao compromisso de inserção pastoral, para a prática da Pastoral Ambiental, característica do pós-cursilho.

Na dimensão dinâmica da conversão, completam-se os três encontros: o consigo-mesmo-relacionado, o com Cristo, Deus e Homem e, agora, o encontro com a comunidade e as realidades terrestres.

Esta segunda parte é uma conseqüência lógico-teológica da primeira. Enquanto aquela, mais doutrinária, propõe o Reino de Deus, através do seu Plano de Amor e Salvação e o Seguimento de Jesus na comunidade eclesial, esta segunda parte, marcadamente pastoral, proclama a necessidade do comprometimento com Cristo e com a Igreja, bem como dá pistas e subsídios para esse engajamento. O MCC apresenta sua finalidade pastoral - seu compromisso com a Igreja: a Pastoral Ambiental. Por isso e para isso se está neste CUR.

b) Antes da mensagem "O cristão comprometido", o coordenador do CUR poderá fazer um anúncio explícito desta segunda parte. Será uma pequena mensagem, curta, mas muito oportuna, uma vez que apresentará o momento, que agora se inicia, como uma conclusão prática do que se ouviu nestes dias sobre o Reino de Deus, sobre seu Plano e sobre o Seguimento de Jesus. Trata-se de uma preparação imediata para o PÓS (Cf. n. 193).

 mensagem de "ACAO" é proclamada no dia seguinte, ——— no momento do "AGIR", no método VJAA. Com isso, está ela no seu lugar mais adequado. Note-se, ainda, que, depois de proclamada toda a Mensagem do Reino de Deus, do seu Plano de Salvação e do Seguimento de Jesus, a palavra "compromisso" ou "comprometido" para a mensagem que se seguirá, soa com maior força lógica e verbal, sendo por isso mais apropriada que a anteriormente empregada "liderança".

Leve-se ainda em conta que a palavra "líder" tem perdido cada vez mais o sentido com que vinha sendo aplicada no contexto do CUR e tem, até, espantado um ou outro cursilhis-ta que não se acha revestido das qualidades que ela supõe. De outro lado, o conceito de "líder" é tão manipulado, sobretudo pêlos Meios de Comunicação Social, que a palavra adquiriu uma conotação estranha e inadequada para a maioria dos integrantes do MCC.

 

DÉCIMA QUINTA MENSAGEM O CRISTÃO COMPROMETIDO

Observação importante:

responsável que vai proclamar esta mensagem deve-——— rá estar por dentro do que a Igreja, pelo magistério, diz hoje sobre a Vocação e Missão do cristão leigo. Além da riqueza doutrinária do Concílio Vaticano II (LG, GS), dos Documentos Pontifícios (EN) e das Conferências Episcopais (Medellín, Puebla, CNBB), existe um documento específico, que é a Christifideles Laici ("Vocação e missão do leigo na Igreja e no Mundo") de João Paulo II.

Esta mensagem deverá tirar conclusões práticas das Mensagens do Plano de Deus e do Seguimento de Jesus proclamadas até agora: conclusões de engajamento pastoral ambiental no pós-cursilho. Isso será possível à medida que se buscar esclarecer a vocação específica do leigo. Além disso, ela abre passagem para as mensagens do terceiro dia, facilitando a fase do "AGIR" e, também, do "JULGAR".

A idéia dos talentos da parábola evangélica continua dando clareza e força à presente mensagem que leva o nome de "O cristão comprometido": comprometido para colocar em ação os talentos que Deus lhe deu com a Vida e a Fé.

Cuide, porém, o mensageiro, para não perder demasiado tempo em descrever categorias de talentos em detrimento do tempo a ser dado aos aspectos da Vocação/Missão do leigo. E indispensável o testemunho de quem, participando ativamente de um PÓS engajado na pastoral ambiental e membro ativo da Escola de Formação e de um Núcleo de Comunidade

Ambiental, está lutando para evangelizar (semear valores do Reino de Deus) o próprio ambiente. Claro que não cabem aqui depoimentos de serviços intra-eclesiais, embora possam fazer parte da vida cristã do mensageiro engajada na respectiva paróquia... (cf. n. 194).

 Notas prévias;

1. Finalidades:

a) esclarecer, enfaticamente, a Vocação/Missão do cristão leigo: pelo batismo, é chamado para ser apóstolo, evangelizador por estrutura, não por conjuntura;

b) mostrar que todo cristão tem talentos, na dimensão da fé, os quais, embora parecendo pequenos, podem levar à sociedade uma mensagem válida;

c) enfatizar que o cristão leigo está no mundo não por motivação de ordem apenas sociológica, mas por razões teológicas, cristológicas e eclesiológicas (Deus criou as realidades temporais e Cristo nelas se encarnou; é como participante de uma comunidade, a comunidade eclesial, que o cristão aí está). Assim, não bastam só práticas religiosas para transformar as estruturas, hoje: necessita-se do compromisso e do testemunho de fé e vida.

2. Duração: máximo de 40 minutos.

Esquema

Chamar a atenção sobre a unidade das mensagens até aqui proclamadas e sobre a resposta a ser dada ao plano de Deus. Embora ela já tenha sido mostrada quando se tratou da fé e da espiritualidade como estilo de vida, de agora por diante, até o fim do CUR, vai-se ver como se faz isso na prática. Prática a que se dá o nome de Evangelização.

 Quem é o cristão leigo?: "Ao responder à pergunta 'quem —— são os fiéis leigos', o Concílio, ultrapassando anteriores interpretações prevalentemente negativas, abriu-se a uma visão decididamente positiva e manifestou seu propósito fundamental ao afirmar a plena pertença dos fiéis leigos à Igreja e ao mistério e a índole peculiar de sua vocação, a qual tem como específico procurar o Reino de Deus tratando das coisas temporais e ordenando-as segundo Deus".

A Constituição Lumem Gentium afirma que "por leigos entendem-se aqui todos os cristãos... que, incorporados a Cristo pelo Batismo, constituídos em povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, exercem pela parte que lhes toca, na Igreja e no Mundo, a missão de todo o povo cristão".63 Essa definição já traz, no seu bojo, tanto o conceito da vocação do cristão leigo

- do chamamento específico que lhe é feito por Deus, através do batismo - como o de sua missão própria.

Vocação do cristão leigo: vocação quer dizer chamamento. Deus chama o ser humano, que é batizado em nome de Jesus e do Espírito Santo, e lhe atribui uma missão própria, indelegável. O batizado, em virtude do múnus sacerdotal, profético e real que lhe é outorgado no batismo, pode ou não responder a esse chamado.

Ao responder afirmativamente, o batizado assume, por vocação, a missão que lhe é confiada. Ser cristão leigo, portanto, é uma vocação especial, que supõe uma resposta. Como a resposta pode ser negativa, não se poderia afirmar, a rigor, que qualquer batizado é um cristão leigo. "A inserção em Cristo através da fé e dos sacramentos da iniciação cristã é a raiz primeira que dá origem à nova condição do cristão no mistério da Igreja, que constitui a sua mais profunda 'fisionomia' e que está na base de todas as vocações e do dinamismo da vida cristã dos fiéis leigos: em Jesus Cristo morto e ressuscitado o batizado torna-se uma 'nova criatura' (Gl 6, 15; 2Cor 5, 17), uma criatura purificada do pecado e vivificada pela graça. Portanto, a vocação específica do cristão leigo pertence à estrutura do ser cristão. Ele é apóstolo, porque é um batizado, isto é, está inserido no tronco-Cristo, fazendo uma realidade só com Cristo: "Já não sou eu que vivo..." (Gl 2,20).

Não é o papa, o bispo ou o padre que pedem ao cristão uma resposta e lhe dão uma missão. É o próprio Cristo que o faz.

Conclui-se, pois, que a presença do cristão leigo nas realidades temporais não tem como motivação um dado sociológico ("o leigo vive mesmo na sociedade..."), mas tem uma motivação...

a) de ordem teológica: foi Deus que criou essas realidades temporais;

b) de ordem cristológica: Cristo se encarnou nessas mesmas realidades (família, sociedade, trabalho, moradia, etc.);

c) de ordem eclesiológica: o cristão está no mundo para aí tornar presente o Reino de Deus, sinalizado pela Igreja.

 Missão do cristão leigo: sendo participantes da comunidade Eclesial, todos são responsáveis pela Evangelização. Pois essa foi a missão de Cristo, é a missão da Igreja e, portanto, a missão de todos os que a ela pertencem, cada um na sua realidade concreta.

Evangelizar é proclamar a boa Nova do Reino de Deus e de seu plano e denunciar tudo o que a ele se opõe. "A comum dignidade batismal assume no fiel leigo uma modalidade que o distingue sem todavia o separar do presbítero, do religioso e da religiosa. O Concílio Vaticano II apontou a índole secular como sendo essa modalidade: 'A índole secular é própria e peculiar dos leigos' ".65

O lugar próprio, específico do cristão leigo é o mundo: o mundo das realidades, das estruturas temporais, da família, da profissão, da política, do lazer, da cultura, das artes, do amor, do ódio, da violência, da solidariedade, da guerra e da paz. E sua missão própria é evangelizar, colocar o fermento do Reino de Deus (justiça, amor, solidariedade, perdão, etc.) nessas realidades, ainda que elas não aceitem o Plano de Deus, ainda que nelas impere a injustiça com todas as suas sequelas contrárias e destruidoras da fraternidade e do amor.66

 

 Quando o cristão leigo se questionar sobre essas real dades, sentirá a responsabilidade de trabalhar por uma sociedade justa e fraterna, "sinal do reino definitivo".67

A missão do cristão leigo não é a de ficar na sacristia e dedicar-se, preferentemente, aos serviços ou ministérios próprios dos padres. Os cristãos leigos podem, sim, ser convocados para "ajudar o padre", para serviços chamados intra-ecle-siais, para a catequese, para a liturgia, para os ministérios da Eucaristia e do Batismo, para cursos de Crisma e outros. A este convite se dá o nome de convocação.

Mas fique claro que, em primeiro lugar vem a missão do leigo tal como foi acima descrita.: o mundo das realidades temporais que o desafia pedindo sua presença corajosa e profética para evangelizar. Infelizmente, ainda há muito cristão leigo, e também cristão sacerdote, que não entendeu a precedência da missão, da vocação específica e da convocação.

Liderança - Talentos: a Vocação/Missão do cristão leigo fazem dele um "líder cristão". Não de uma liderança que suponha qualidades de estadista, de grande empresário, etc. Mas, aqui, o líder cristão é o leigo que coloca a serviço da fé, sua vida, seu dia-a-dia, suas qualidades, por pequenas que elas sejam ou pareçam ser.

Nesse sentido, mesmo alguém menos letrado exerce liderança cristã quando, por seu testemunho de vida, dá o recado aos demais e à sociedade. Esses são os talentos referidos por Jesus em Mt 25,14-30 que vamos comentar brevemente.

 Conclusão: hoje, mais do que em qualquer outro tem-

——— pó, Cristo e a Igreja contam com os cristãos leigos para anunciar a Boa Nova do Reino de Deus nas realidades do mundo. Pode-se perceber, claramente, a necessidade de:

a) aprofundamento dos conhecimentos sobre o Plano de Deus buscando mais profunda formação pelo estudo, quer teórico, quer vivencial;

  PISTAS PARA REFLEXÃO NOS GRUPOS

1 Entendemos que nossa vocação/missão evangelizadora resulta de uma estrutura (conseqüência do batismo) e não de uma conjuntura (não há padres suficientes para evangelizar, etc.)?

Sabemos que possuímos talentos (ferramentas) que, poucos ou muitos, pequenos ou grandes, devemos colocar a serviço da construção do Reino? Percebemos que somos protagonistas de uma Nova Evangelização "Rumo ao Novo Milênio"?

 BIBLIOGRAFIA

a)         LG; GS; AG; AÃ.

b)         EN.

c)         Especial para os cristãos leigos: CL, 1989.

d)         RC VI, 3.

e)  Cf. ARRUFE, Pé. In Concílio Vaticano II: "Os cristãos ... temos argumentos, mas não convencemos porque o que arrasta é a vida ..."

f)   Doe. 45 CNBB, n. 259-272; 248-254 e 300-304.

 

 TERCEIRO DIA DO CURSILHO

b) oração constante e freqüência aos sacramentos para que a Ação seja mais decidida e mais radical na evangelização do mundo de hoje.

 Oração - formação - Ação, eis o tripé de toda a vida ——— cristã solidamente estruturada como garantia do seguimento de Cristo e da Evangelização para que surja uma sociedade mais justa e fraterna. Mas, de que maneira, na prática, o MCC poderá ajudar os cristãos leigos nessa missão? Isso será visto amanhã.

 Este ® o dia conclusivo e decisivo; o coroamento de todo o trabalho, de todo o processo desencadeado desde os primeiros momentos da acolhida: o processo "pascal" (sofrimento, ruptura, cruz e ressurreição), da conversão integral, perseverante, participante e, por isso, comprometida.

Uma mensagem-meditação abre o dia para seguir-se, logo, a vivência do método VÊ R-JULGAR-AGIR utilizado, hoje, pela Igreja, especialmente entre nós, no Brasil, com vistas a um planejamento e uma prática pastorais mais eficientes e mais eficazes.

É um dia de muito trabalho, de muita doação, de muita paciência e, sobretudo, de muito respeito para com as pessoas, suas consciências, suas opiniões, sua liberdade, criatividade e suas decisões (Cf. n. 195).

 

DÉCIMA-SEXTA MENSAGEM - MEDITAÇÃO A SEMEADURA E A VINHA DO SENHOR

Observação importante:

Esta meditação abre e motiva os trabalhos deste dia

conclusivo do CUR. O compromisso com a Pastoral Am

biental, o encontro com a comunidade e com as realidades

temporais bem como toda a temática e prática desse dia se

rão adequadamente motivados pela meditação proposta: o se

meador e a vinha (Mt 13, 4-9; 18,23; 20, 1-16). Aliás, a pará

bola da vinha foi usada, com muita propriedade, por João

Paulo II como texto inspirador de sua Exortação Apostólica

Christifïdeles Laici (Vocação e Missão dos Leigos na Igreja e

no Mundo). Os participantes deveriam sair desta meditação

fortemente motivados para assumir sua missão evangeliza

dora (Cf. n. 196).        , „ ; ,

 Notas prévias:

1. Finalidades:

a) mostrar que não é bastante ter-se tornado, no CUR, um "bom" cristão "consciente" e "crescente", se não se tornar um cristão "comunicante" (missionário);

b) mostrar como a semente, caída em terra boa, exige cuidados para que germine e dê frutos: a comunhão com Jesus (oração, sacramentos, etc.) e a comunhão com os irmãos...(comunidade);

c) deixar claro que a mesma voz de Deus que chamou seus escolhidos (vocês...) é a que os envia ou reenvia para, nos seus ambientes e circunstâncias, cultivarem a vinha do Senhor. Nesse mister, embora possa fazer tudo sozinho, Ele quer precisar dos cristãos leigos: daí a responsabilidade de todos. Ele promete sua ajuda e assistência constantes.

2. Duração: máximo de 25 minutos.

Esquema          _

 Nestes dois dias, participando de uma experiência diferente - a experiência de uma comunidade constituída pela ação do Espírito de Deus, a Graça - tomou-se consciência, também, dos valores do Reino de Deus, do seu Plano de Salvação e da necessidade do seguimento de Jesus Cristo. Sente-se, agora, a responsabilidade em partilhar tudo isso com os demais e com as realidades da vida de cada um. E isto se faz organizada e comunitariamente, como será mostrado durante o decorrer deste dia. Nesta meditação é preciso descobrir o que Cristo ensina a respeito.

A semeadura (Mt 13, 4-9, 18-23) - nestes dias a semente caiu em terra boa e, com certeza, produzirá muitos frutos. Todos foram chamados para ser semeadores. O semeador tem alegrias e sofre decepções e frustrações. Enfrenta fracassos e conflitos, ainda que o Reino "já esteja próximo" ou "no meio"; as sementes plantadas por Cristo se espalharam, mas continuam as resistências das pessoas e das estruturas, impedindo, assim, a justiça do Reino entre os homens. Haverá colheita, sim, ainda que à custa de muitas perdas. Entretanto, o semeador tem certeza de que é Deus que faz a semente germinar; a semente da palavra de Deus e do testemunho de vida sempre ficam; e ficam, via de regra, mais a do testemunho do que a da palavra. Nem sempre é com uma Bíblia debaixo do braço que se evangeliza. É com o testemunho de vida que, normalmente, se anuncia o Reino de Deus, denunciando-se, ao mesmo tempo, o que com ele contrasta.

Na vinha do Senhor (Mt 20, 1-16): o importante não é a hora em que se foi chamado e, sim, a disponibilidade para o trabalho que vai começar, a partir de agora, na vinha, no campo de atividade de cada um. Não se estranhe o "salário", igual para todos, pois todos serão igualmente recompensados pela resposta positiva ao convite do dono da vinha, ainda que tenham vindo de última hora. O essencial é trabalhar na vinha e executar a tarefa solicitada.

Garantida:_semeadores da Palavra de Deus e ——— dos valores do Reino - evangelizadores, missionários -serão sempre bem sucedidos. Algumas condições para que

 

MEDITAÇÃO SEMEADURA E A VINHA   Mat.13,3-9

 

Antigamente o semeador, o agricultor colocava as sementes em uma peneira e as jogava por sobre os ombros para trás, não havia covas individuais.

E ao semear uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves comeram.

Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda, mas ao surgir o sol, queimou e por não ter raiz, secou. Outra caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça.

 

1) a semente que caiu à beira do caminho, representa as pessoas que não estão dispostas a aprender. Estão fechadas dentro do seu mundo, cheio de orgulho. Suas verdades são eternas. Quantas vezes não reagimos assim? Não queremos mudar. Não aprendemos com os nossos erros e nem com os erros dos outros.

Como vai o terreno do nosso coração?

 

2) outra parte caiu em solo rochoso, onde não havia muita terra. Logo brotou, mas, ao surgir o sol, também queimou e secou. É um solo um pouco melhor do que a que estava á beira do caminho . esse solo representa todos que receberam rápida e alegremente a palavra de Deus, mas quando chegaram os problemas, as perdas, as decepções, ficaram confusos e assustados. Pensavam que seguir Jesus era habitar o céu, sem nenhum fracasso. Jesus não prometeu isso. Prometeu força na fragilidade e coragem nos momentos dificíes. Os problemas e os sofrimentos são ferramentas que nos fazem garimpar ouro dentro de nós mesmos. Deus nos salva também na dor.

 

3) outra parte caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram. Muitas vezes ouvimos a voz de Deus no cotidiano e que Ele tem um plano para nós. Então começamos a questionar valores; os prazeres do mundo começam a sufocar nossa fé e permanecer santo torna-se muito difícil. A gente passa a maior parte do tempo querendo ser servido do que servir. É uma planta que está sendo sufocada por espinhos, de fora para dentro, até que começa a murchar, perder forças e morrer.

Quais são os espinhos que sufocam as sementes plantadas no meu coração?

 

4) Finalmente, outra parte caiu em terra boa e produziu frutos; uma terra 100, outra 60, e outra 30.

Essa terra boa com certeza produzirá frutos. Ela representa cada um de nós que se abre ao Senhor. Todos nós somos chamados a ser semeadores. O semeador tem alegrias, sofre decepções e frustrações. Enfrenta fracassos e conflitos.  As sementes plantadas por Cristo se espalharam, mas continuam as resistências das pessoas e das estruturas.   É Deus que faz a semente germinar. A semente da Palavra de Deus e do testemunho de vida, sempre ficam e o testemunho no cotidiano exige do semeador cuidados com seu modo de ser e de agir. A comunhão com Jesus através da oração diária, participação nos sacramentos, estudo e a comunhão com nossos irmãos e com nosso modo de agir em nossos ambientes, é que vão fazer de nós verdadeiros semeadores do Reino de Deus.

 

Mt. 20,1-16       A vinha do Senhor

 

Na parábola dos trabalhadores da vinha, Jesus nos mostra que os que iniciaram o serviço às 17:00, ganharam o mesmo salário daqueles que o haviam iniciado às 6:00 da manhã. Isso quer dizer que a idade cronológica não importa para Deus, mas a qualidade da vida do cristão.O importante não é a hora em que se foi chamado, e sim a disponibilidade para o trabalho que vai começar; a partir de agora na vinha, no campo de atividade de cada um. Não se estranhe o salário, igual para todos, pois todos serão igualmente recompensados pela resposta positiva ao dono da vinha, ainda que tenham vindo de última hora.

TESTEMUNHO

Ex. Eu e o Saluar fomos chamados há mais de 20 anos atrás, mas, vocês terão a mesma recompensa que nós,pois foram chamados agora. Para sermos semeadores e termos colheita garantida na vinha do Senhor, é preciso estar em união com Cristo, através da oração, perseverança nos sacramentos da reconciliação, Eucaristia, união com os irmãos e vida comunitária. Não desanimar jamais, nem sempre os resultados são imediatos. A hora de Deus nem sempre é a nossa.Ele não contabiliza resultados, mas contempla os esforços. Ele não quer, agora de nós, a chegada, deseja, sim, nossa caminhada.

Algumas considerações sobre a meditação a semeadura e a vinha

A parábola do semeador destaca-se pela abrangência que apresenta, e mostra quatro situações das sementes, comparando-as às pessoas. "E o semeador saiu a semear". Esta figuração deve nos levar à imagem da semeadura a lanço, quando o agricultor colocava as sementes em uma peneira e as jogava por sobre o ombro para trás. Assim se semeavam grandes campos. Não havia covas individuais. Por isso, argumentou Jesus, que algumas caíram ao lado da estrada, porque o vento as teria levado para fora da área a ser cultivada. Foi pisada e comida por pássaros.

Outro grupo de sementes caiu sobre local onde havia pouca terra e pouca umidade. Quis germinar, mas logo depois acabou morrendo.

A terceira coleção de sementes foi abafada pelos espinhos e morreu. Finalmente um grupo caiu em terra fértil e produziu muito. A mil frutos por semente.

Depois de contadas as histórias, Jesus deixava que as pessoas interpretassem o seu enunciado para chegar às próprias conclusões, por meio de comparações. E dizia: Por isso eu conto a vocês essas histórias e vocês entendem. Aos mais poderosos e sabidos, não adianta contar porque eles riem e não acreditam.

À medida que o tempo passa, as interpretações dessas histórias chamadas parábolas se ampliam. Os primeiros estudos comparam essas sementes às pessoas e ao semeador, àquele que prega a doutrina nova, as lições do Evangelho. Pessoas que ouvem mas não crêem, nem têm interesse. Parece-lhes que podem dispensar essas lições e conhecimentos. As palavras ditas são sementes que foram devoradas e se perderam. Outros mais entusiasmados tomam contato com o Evangelho e se deslumbram. Por um tempo, parece-lhes que nada mais existe e está ali tudo o que precisam. Ignoram a necessidade do esforço próprio para incorporar novos valores que os transformem. Por isso, logo desanimam. É a semente que começa a germinar, mas faltam-lhe adubo e umidade. Há também pessoas que tomam contato com a Boa Nova e se interessam. Mas não querem abrir mão dos valores do mundo. Precisam do elogio, dos cargos e de outros valores humanos que envaidecem. São os espinhos que afogam a alma que deseja libertar-se. E há, finalmente, aquele que se assemelha ao terreno próprio, fértil, adubado, em condições perfeitas para receber a boa semente. Aí, rapidamente, a planta germina e se desenvolve. Depois, produz muito

A PARÁBOLA DO SEMEADOR – I
(Mt, 13,3-9)

Jesus de Nazaré era um excelente contador de histórias. Jamais alguém contou histórias com tanta eficiência. Jesus resumia muitos assuntos com as suas parábolas.
Um dia Jesus, o maior educador que a humanidade conheceu, contou a parábola do semeador. Na parábola Jesus sintetizou a sua grande missão. Ele veio semear no coração dos homens. Jesus não usou os parâmetros do certo e do errado, do sucesso ou do fracasso para classificar as pessoas. Ele classificou o coração pelo desprendimento, receptividade e disposição para aprender. Para Jesus as palavras não eram informações, nem a memória era um depósito de informações. A memória era um solo que deveria receber muitas sementes que, uma vez desenvolvidas deverias frutificar. Para ele estes frutos seriam amor, paz, solidariedade, segurança, sensibilidades, perdão, doação, serviço, docilidade. Jesus não queria produzir robôs e nem corrigir comportamentos. Jesus semeava nos solos do consciente e do inconsciente para transformar as pessoas ao longo da vida. As sementes que Jesus de Nazaré eram diferentes das sementes convencionais que tentam mudar o ser humano de fora para dentro. As sementes que o Mestre queria plantar tinham a missão de mudar o ser humano de dentro para fora. Não há figura mais bela para um educador do que ser semeador. Um educador que semeia é um revolucionário. Ele nunca mais tem controle sobre o que semeou. A semente terá vida própria. Era isso que Jesus sonhava e queria, mudar o coração humano e sabia que a mudança só seria real e possível se ele mudasse a ecologia da alma e do espírito humano.
Na parábola do semeador Jesus nos apresenta quatro tipos de solos, são os vários tipos de corações ou seja quatro estágios da mesma personalidade.
“Um semeador saiu para semear. E ao semear uma parte da semente caiu à beira do caminho, e as aves comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terá era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou e por não ater raiz, secou. Outra caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13,3-9).

A PARÁBOLA DO SEMEADOR - II

Durante muitos anos Jesus pesquisou atenta e silenciosamente a formação da personalidade. Conhecia muito o coração humano. Sabia detectar nossas dificuldades. Jesus também sabia que ferimos as pessoas que mais amamos, que perdemos a paciência facilmente e que as nossas preocupações governam o nosso dia a dia. O Mestre de Nazaré era um plantador de sementes e sabia que o ser humano não muda magicamente.

Na parábola do semeador Jesus descreve o primeiro tipo de solo como a semente que caiu à beira do caminho. O solo da beira de caminho, geralmente, esta endurecido e impermeável. As sementes ali lançadas não podem penetrar. Para Jesus este solo representa as pessoas que não estão dispostas a aprender. Estão fechadas dentro do seu mundo. Foram contaminadas pelo orgulho. Suas verdades são eternas. Quando põem uma coisa na cabeça ninguém consegue removê-las. Quantas pessoas conhecemos que possuem estas características. Quantas vezes não reagimos assim? Somos teimosos, não permitimos que nos questionem O mundo te de girar e torno do nosso umbigo. Os discípulos possuíam uma personalidade assim compactada, encarcerada. As dores, as perdas e as decepções deveriam funcionar como arados para sulcar nosso coração, mas muitas vezes somos tão rígidos que não permitimos que elas penetrem o nosso ser. Não queremos mudar, continuamos os mesmos.
Não aprendemos com os nossos erres e nem com os erros dos outros.
Ser rígido, preconceituoso, fechado não é fruto da falta de cultura acadêmica. Há muito psicólogos, médicos, padres, filósofos que são fechados em si mesmos. Não podem ser contrariados. São infelizes, têm medo de se abrir para outras possibilidades. E fazem infelizes as pessoas que mais amam.

A sabedoria requer que estejamos sempre abertos às novas lições. A humildade é a força dos sábios, a arrogância, dos fracos. Nem Jesus, com suas mais lindas sementes da sabedoria e do amor, conseguia fazer germinar num solo compactado à beira do caminho. Ele não invadia o coração humano. Ele só trabalhava na alma e no coração dos que lhe permitiam. Os jovens discípulos, embora meio durões, abriram seu ser a ele. Ao ouvir as palavra de Jesus e contemplar fascinados, os seus gestos, o solo do coração deles foi sulcado e preparado para receber as suas sementes.
Como vai o terreno do seu coração? Você consegue ser ajudado pelas pessoas que o rodeiam? Seus amigos, filhos, colegas de trabalho conseguem falar ao seu coração? Seus erros e sofrimentos conseguem sulcar a sua terra e torná-la apta para que as mais nobres sementes possam crescer?

A PARÁBOLA DO SEMEADOR - III

O capítulo treze de São Mateus trás a parábola do semeador onde Jesus nos coloca os quatro tipos de terreno onde a semente é lançada. Hoje vamos analisar e comentar sobre o segundo tipo de solo: o solo rochoso. Jesus diz: “... Outra parte da semente caiu e solo rochoso, onde não havia muita terra. Logo brotou porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, seco5-6)
O solo rochoso é o segundo tipo de coração citado por Jesus. É um solo um pouco melhor do que o que estava à beira do caminho. As sementes lançadas aqui encontram condições mínimas para germinar. Elas logo nascem, mas o colar do sol é insuportável e elas não resistem.
Este tipo de solo, segundo Jesus, representa todos os que receberam rápida e alegremente a sua palavra. Mas um dia chegaram os problemas, as perdas e as decepções bateram à sua porta. Ficaram confusos e assustados. Pensavam que seguir o Mestre era habitar o céu sem nenhum fracasso. Mas se enganaram. Jesus jamais fez estas promessas Jesus prometeu força na nossa fragilidade, coragem nos momentos de desespero.
Os jovens seguidores de Jesus passaram por este estágio. Eles não eram gigantes, como nós também não somos. Temos todos nossos limites. Mas a melhor maneira de enfrentarmos nossos problemas e limites é lançar raízes profundas em nossos corações. As raízes de uma árvore são o segredo de seu sucesso, de sua capacidade de sustentar e suportar o calor do sol, as tempestades e o frio. Se você não se preocupa em cultivar raízes internas, não espere encontrar águas profundas nos dias de aridez. As plantas que suportam a seca não são as mais belas, mas as que têm as raízes mais profundas. O segredo do sucesso de um estudante, de um atleta, de um pai, de uma mãe, de uma família esta nas suas raízes. Muitos observam os resultados e ficam fascinados, mas não percebem que seus segredos são a coragem, a humildade, a simplicidade e o desejo ardente de aprender enraizados nos solos de sua emoção e de seus pensamentos.

Nas horas amargas da vida, os amigos vão embora, a pessoa amada não nos suporta, ninguém nos compreende, o trabalho vira um tédio. A solidão toma conta do coração. O que fazer? Aproveitar as oportunidades para lançar raízes. Jesus nos ensinou que para lançar raízes, é necessário remover as pedras, o cascalho do nosso ser. É preciso adentrar os labirintos do nosso ser, correr riscos para conquistar aquilo que realmente tem valor. Reconhecer falhar, pedir desculpas, perdoar, tolerar, tirando a trave dos nossos olhos antes de querer remover o cisco do olho do nosso irmão. Os perdedores perturbam-se com o calor do sol, os vencedores usam suas lágrimas para irrigar o solo do seu ser.

Os seguidores de Jesus, os jovens discípulos passaram por muitos testes. A cada teste lançavam raízes mais profundas dentro de si mesmo para acreditar no sonho do Mestre. Nós também somos assim. Os problemas e os sofrimentos são ferramentas que nos fazem garimpar ouro dentro de nós mesmos

A PARÁBOLA DO SEMEADOR - V

Na parábola do semeador chegamos ao último tipo de solo: a boa semente. “... Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça.” (Mt 13,8-9).

A terra boa era o solo que Jesus, Mestre da vida, queria para plantar e cultivar as mais importantes funções da personalidade. Jesus desejava mudar o ecossistema da humanidade, mas ele precisava do coração humano para realizar esta tarefa. O coração que representa a boa terra foi o que removeu as pedras, suportou as dificuldades da vida, lançou raízes profundas nos tempos de aridez, criou um clima favorável para frutificar com abundância.

         O próprio Jesus disse que estes corações são os que compreenderam sua palavra, refletiram sobre ela, permitiram que ela habitasse o seu ser. Esse grupo de pessoas não era os mais cultos ou inteligentes. Tinham muitas limitações. Mas abriram seu coração ao vendedor de sonhos e aplicaram a sua palavra dentro de si mesmos. Alguns erraram muito mas não tiveram vergonha nem medo de chorar e começar tudo de novo.

Os jovens discípulos galileus entenderam, ao longo dos dias, que não bastava admirar Jesus. Entenderam que segui-lo e amá-lo exigia um preço. O maior de todos os preços era reconhecer as próprias misérias. Era enfrentar o egoísmo, o individualismo, o orgulho que contaminava diariamente o território de sua emoção.
Jesus usava várias ferramentas para corrigir o solo dos seus discípulos. Ele os treinava constantemente a “arar” a alma e corrigir a acidez.

Jesus não era apenas um vendedor de sonhos, ele era também um vendedor de esperança. Ele acreditava nas suas sementes e nos solos que cultivava. Para ele nenhum solo era inútil, nenhum coração era imprestável. Ninguém acreditou tanto no ser humano como Jesus. Jamais alguém entendeu tanto do coração humano e das vielas da nossa emoção como Jesus de Nazaré. Jesus fez com que os discípulos reescrevessem sua história, aprendessem a pensar antes de reagir, rompessem o cárcere interior e fossem líderes de si mesmos. Os discípulos aprenderam a grandeza do perdão, a superar o sentimento de culpa e a cultivar o amor. Eles tornaram o solo do seu coração a boa terra que Jesus fala na parábola da semente.

 

Na parábola dos trabalhadores na vinha (Mateus 20:1-16), Jesus nos mostra que os que iniciaram o serviço às 17 horas ganharam o mesmo salário daqueles que o haviam iniciado às 6 horas da manhã. Isso quer dizer que a idade cronológica não importa para Deus, mas a qualidade da vida do cristão.

1. OS FIÉIS LEIGOS (Christifideles laici), pertencem àquele Povo de Deus que é representado na imagem dos trabalhadores da vinha, de que fala o Evangelho de Mateus: « O Reino dos Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo, a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a vinha » (Mt 20, 1-2).

A parábola do Evangelho abre aos nossos olhos a imensa vinha do Senhor e a multidão de pessoas, homens e mulheres, que Ele chama e envia para trabalhar nela. A vinha é o mundo inteiro (cf. Mt 13, 8), que deve ser transformado segundo o plano de Deus em ordem ao advento definitivo do Reino de Deus.

Ide vós também a minha vinha

2. « Ao sair pelas nove horas da manhã, viu outros, que estavam ociosos, e disse-lhes: "Ide vós também para a minha vinha» » (Mt 20, 3-4).

O convite do Senhor Jesus « Ide vós também para a minha vinha » continua, desde esse longínquo dia, a fazer-se sentir ao longo da história: dirige-se a todo o homem que vem a este mundo.

Ide vós também. A chamada não diz respeito apenas aos Pastores, aos sacerdotes, aos religiosos e religiosas, mas estende-se aos fiéis leigos: também os fiéis leigos são pessoalmente chamados pelo Senhor, de quem recebem uma missão para a Igreja e para o mundo. E vocês jovens deste cursilho, são os fieis leigos que Jesus está chamando estes dias! Lembra-o S. Gregório Magno que, ao pregar ao povo, comentava assim a parábola dos trabalhadores da vinha: « Considerai o vosso modo de viver, caríssimos irmãos, e vede se já sois trabalhadores do Senhor. Cada qual avalie o que faz e veja se trabalha na vinha do Senhor ».(2)

De um modo especial o Concílio, vaticano II,  pede instantemente no Senhor a todos os leigos que respondam com decisão de vontade, ânimo generoso e disponibilidade de coração à voz de Cristo, que nesta hora os convida com maior insistência, e ao impulso do Espírito Santo.

De modo particular os mais novos tomem como dirigido a si próprios este chamamento e recebam-no com alegria e magnanimidade. Com efeito, é o próprio Senhor que, por meio deste sagrado Concílio, mais uma vez convida todos os leigos a que se unam a Ele cada vez mais intimamente, e, sentindo como próprio o que é d'Ele (cf. Fil 2, 5), se associem à Sua missão salvadora. 11 Ele quem de novo os envia a todas as cidades e lugares aonde Ele há-de chegar (cf. Lc 10, 1) ».(3)

 

DÉCIMA SÉTIMA MENSAGEM EVANGELIZAÇÃO DOS AMBIENTES

 a) a união com Cristo: como um ramo unido ao tronco, assim deve ser o evangelizador. Essa união se realiza pela comunhão de vida com Ele, na experiência constante da Graça; na oração perseverante, nos Sacramentos, especialmente da Reconciliação e da Eucaristia;

b) a união com os irmãos na vida e ação comunitárias: o trabalho da evangelização - que deveria ser uma atitude constante de vida - tem seu resultado condicionado à vida em comunidade. A comunidade eclesial, pensada por Jesus e vivificada pelo Espírito Santo, é "sacramento universal de salvação";

c) não desanimar se o resultado da ação evangelizadora não aparecer de imediato ou não for satisfatório. Lembrar o Salmo 126, 5-6: "Os que semeiam com lágrimas ceifam em meio a canções. Vão andando e chorando ao levar a semente. Ao regressar, voltam cantando, trazendo seus feixes". A hora de Deus pode não ser coincidente com a do semeador... Ele não contabiliza resultados, mas contempla os esforços... Ele não quer, agora, de seus missionários, a chegada; deseja, sim, a caminhada...

Nota muito importante para os responsáveis

Esclarecimentos sobre o método VER/JULGAR/AGIR/AVALIAR.

A partir de 1994, motivado pelo Documento de Puebla "A Evangelização no presente e no futuro da América Latina", e consciente de sua responsabilidade de caminhar em comunhão com a Igreja, o MCC do Brasil assumiu o método Ver/ Julgar/Agir/Avaliar (ou Celebrar) como prática de sua ação pastoral. No que se refere a um dos seus três tempos, o CUR, é no terceiro dia que o método encontra sua aplicação plena. Adotando este método para o terceiro dia, julgamos que o encaminhamento dos cursilhistas para sua presença como fermento das realidades temporais, no PÓS, será mais prático e, no futuro, mais eficaz. Entretanto, somente a prática e a correta aplicação do VJAA hão de garantir sua eficácia. Querer passá-lo aos demais sem uma encarnação pessoal e, portanto, testemunhal, seria o mesmo que esvaziá-lo, levando-o ao descrédito e à ineficiência. A Escola de Formação é, com certeza, a melhor fonte para sua descoberta e seu exercício. Vamos, aqui, apresentar alguns esclarecimentos visando ao bom andamento do terceiro dia.

Algumas finalidades do método VJJA:

a) Desenvolver uma pedagogia de Formação na ação...

•   ... evitando dois erros freqüentes:

o de formar primeiro para agir depois = Igreja sentada => o de viver exclusivamente na ação = ativismo

• Decreto Apostolicam Actuositatem, Cap. VI, 29: "Visto que a formação para o apostolado não pode consistir só na instrução teórica, aprendam gradual e prudentemente, desde o início de sua formação, a VER / JULGAR l AGIR, tudo à luz da fé; a formarem-se e aperfeiçoarem-se a si mesmos como os outros pela ação e, assim, a entrar no serviço ativo da Igreja".

• João XXIII, na Encíclica Mater et Magistra, n. 236-238: "Para se pôr em prática a doutrina social, passa-se ordinariamente por três etapas: em primeiro lugar, o estudo da situação real e concreta; a seguir, atenta apreciação da mesma à luz dos princípios; finalmente, determinação do que se pode ou se deve fazer, a fim de que as inspirações, as pistas, as normas possam ser aplicadas conforme o tempo e o lugar. São os três momentos habitualmente expressos com as seguintes palavras: VER lJULGAR l AGIR".

b) Formar o senso crítico

• Desenvolver a capacidade de perceber a realidade como ela é, superando assim uma visão ingênua que não faz chegar às causas dos problemas: "Vede que eu vos mando como ovelhas no meio de lobos..." (Mt 10,16);

c) Ligar a religião com a vida - a fé e a ação se completam. São dois momentos de um mesmo processo. Integrados, constituem a prática do cristão (cf. Tg 2,17);

d) Formar líderes cristãos que se engajem na transformação do seus meios específicos: escola, bairro, trabalho, família, etc. (cf. Puebla 789); "Eu não peço que os tires do mundo" (Jo 17, 15-18);

e) Ser uma ferramenta eficaz para grupos de cristãos que querem transformar os ambientes e estruturas:

• Não basta renovar o indivíduo para que o mundo seja mais fraterno. Sem tentar mudar as estruturas injustas adianta relativamente muito pouco o nosso esforço de fazer ressurgir um mundo melhor. "O apostolado exige muitas vezes uma ação comum tanto nas comunidades da Igreja como nos diversos ambientes".

método VJAA - vai intensificar a espiritualidade do terceiro dia do CUR, já que por "espiritualidade" se entende, antes de tudo, assumir compromisso com o Reino de Deus, com seu Plano e com o seguimento incondicional de Jesus Cristo. Esse compromisso traduz-se pelo efetivo engajamento na Pastoral ambiental no Pós.

O método não se reduz a um simples "treinamento sociologístico ou logístico". Sua aplicação neste último dia, será, antes, um exercício espiritual intenso e uma indicação prática de como o método deverá ser vivido depois, no pós-cursilho.

Ainda quanto à espiritualidade, o tripé da vida cristã ORAÇÃO-FORMAÇÃO-AÇÃO é intensamente lembrado. Durante todo o dia e ao fim de cada trabalho nos grupos, haverá a visita do grupo ao Santíssimo; os participantes, no "Julgar" hão de sentir, fortemente, a necessidade da oração diante do compromisso que questiona. Não seria tudo isso uma vivência encarnada da espiritualidade?

Desde o primeiro dia do CUR o método VJAA pode e deve ser empregado. Já se tratou disto nas Considerações Introdutórias, n. 213...

Os grupos, já desde o primeiro dia, poderão ser constituídos por pessoas do mesmo "ambiente" ou da mesma área de atuação ou profissão, caso a organização do CUR favoreça esse tipo de participação. Se os grupos forem heterogêneos (com ambientes mesclados) aconselha-se que, ao menos no último dia, os participantes sejam reagrupados por "ambientes";

Não sendo isto possível, a dinâmica do VJAA funcionará do mesmo modo, pois os grupos questionarão, nas três fases, assuntos que poderão ser propostos, tais como: violência, Meios de Comunicação Social, família, política, a questão do menor abandonado, dos sem-terras, etc. Ou, então, propõe-se aos grupos a escolha de um fato recente que seja relevante, entre os vários relatados pêlos participantes e, nesse fato, buscam-se as causas e as conseqüências. Se os participantes dos grupos forem da mesma realidade ambiental, o processo será facilitado pela vivência que eles têm em comum. Ou, ainda, dclcrmina-se com antecedência o assunto. Ou, também, pro-pucin-se vários assuntos mais atuais e interessantes e cada 11 n i pó escolherá o que lhe aprouver. Outras modalidades podorão aparecer, contanto que se encaminhem pelo esquema fundamental do método VJAA.

 Quanto ao tempo de duração dos diversos momentos:

——— normalmente, na parte da manhã, trabalha-se com o VER e o JULGAR, incluídos os respectivos trabalhos nos grupos, as sessões plenárias e a visita ao Santíssimo. Na parte da tarde, far-se-á o AGIR;

O método VJAA conta mais com o trabalho do grupo do que, propriamente, com a proclamação da mensagem (que, aqui, será mais "expositiva" das fases do método do que "doutrinária"). Por isso, como princípio, deve-se diminuir o tempo de exposição em favor do tempo dado ao trabalho nos grupos. É o grupo, é a pequena comunidade que "faz a mensagem", principalmente no VER e no AGIR.

Julga-se fundamental o seguinte lembrete: a presença do responsável nos grupos, tem por objetivo orientar testemunhalmente e não condicionar ou "forçar a barra" (consciência) dos participantes. Essa atitude, além de ser imoral ou antiética, é contraproducente em relação ao método.

"Evangelização dos Ambientes" e o VJAA: a mensagem continua sendo "Evangelização dos Ambientes", ! i gora dividida em três momentos:

a) levantamento da realidade (VER) feito pêlos grupos = FOTOGRAFIA FIEL DA REALIDADE

b) como essa realidade deve ser vista pêlos olhos da fé e como ela deveria ser de acordo com o Plano de Deus (JULGAR) = SONHO COM UMA REALIDADE IDEAL E SUA l MOSCOBERTA- motivado pelo mensageiro e trabalhado pêlos

c) orientados pela fé e iluminados pela Palavra de Deus, o que e como fazer para transformar ou melhorar essa rea-lidado (ACMIí) = COMPROMISSO DE TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE NA DIREÇÃO DO IDEAL.

Observação importante:           *

 Primeiramente um dos responsáveis explicará a im-——— portância de se descobrir ou re-descobrir os "ambientes" de onde cada um saiu e para onde voltará após o CUR. Trata-se de ajudar os participantes a identificar seus ambientes: os naturais, como a família e os profissionais onde se inserem por vocação.

Desde que se possa fazê-lo de maneira acessível a todos, seria conveniente uma pequena explanação sobre o que seja um "ambiente", a "estrutura" que envolve os ambientes e os "sistemas" que condicionam as estruturas. Tome-se, por exemplo, a área da Saúde. São ambientes: a seção de enfermagem de um hospital, a lavanderia, a portaria, a seção administrativa, etc. Fora do hospital, o Posto de Saúde é um ambiente. Por outro lado, numa cidade ou numa comunidade menores, a área da Saúde já é um ambiente. Voltando ao exemplo do Hospital: todos aqueles ambientes estão situados numa "estrutura". Trata-se da estrutura hospitalar ou da estrutura da Saúde, estatal ou não, que controla todos os ambientes de trabalho e todos os que por ela estão envolvidos. E quem controla as estruturas? Os "sistemas". No caso, vige no Brasil, o sistema capitalista neoliberal. Então: o sistema capitalista neoliberal dita as normas para as estruturas que condicionam os ambientes que, por sua vez, condicionam as pessoas.

Assim como esse, podem ser apresentados outros exemplos de outras áreas de atuação dos cursilhistas presentes, como também de ambientes geográficos que, num grande número de situações, são os únicos que podem ser atingidos. Pelo exemplo exposto, pode-se perceber que a transformação de um ambiente segundo os critérios e valores da justiça, da fraternidade e da solidariedade, significa evangelização e anúncio do Reino de Deus. Ao mesmo tempo, ainda que enfrentando as naturais resistências e dificuldades, pode-se chegar a influenciar até as estruturas. Quanto aos sistemas, salta aos olhos a complexidade do assunto. O importante, no caso da Pastoral Ambiental, é chegar a atingir pelo menos os 'f (Í

ambientes chamados "decisórios" no contexto da comunidade e da estrutura.

A seguir, em linhas gerais e sem descer a muitos detalhes, expõe no que consiste o método VJAA e suas vantagens, mostrando, sobretudo, que é o método usado diariamente no comum da vida. Entretanto, se houver suspeita de que esta explicação poderá complicar ou confundir as pessoas, o melhor é encaminhá-las diretamente para o trabalho dos grupos, onde os responsáveis darão a devida assistência "testemunhal". Recomendar muita atenção para não ceder à tentação de queimar as etapas do método.

 

PRIMEIRO MOMENTO: VER: TIRAR UMA FOTOGRAFIA, O MAIS FIEL POSSÍVEL, DA REALIDADE

NOTA: a duração da exposição não deve passar de 30 minutos, dando tempo mais dilatado para o trabalho nos grupos: a mensagem vai nascer nos grupos e não na palavra do mensageiro. Lembrem-se os responsáveis de um precioso aforismo: "mais vale o que se descobre do que aquilo que se aprende"! Assim sendo, oferecem-se aqui ideias, mais do que um esquema.

 Importância do VER:

• tem-se um retrato mais completo ou uma fotografia mais fiel da realidade;

• aprende-se a desconfiar de qualquer opinião apresentada como "FATO";

• aprende-se a trabalhar com situações concretas e não a navegar na subjetividade (vulgo "achismo");

 Estrutura do VER      

• coloca-se o tema ou situação concreta (ou o próprio grupo o escolhe) para que todos os integrantes do grupo coloquem suas experiências com relação ao assunto. Algumas perguntas: O quê? Quem? Onde? Quando? Como? poderão

ajudar o trabalho.         "

•   quais as causas desta situação?      

•   quais as suas conseqüências?

O mensageiro, até com algum depoimento vivencial (testemunho) deverá levar os participantes a identificar suas respectivas áreas de atuação e de vida: a família, a sociedade, a profissão, a política, o ambiente religioso, etc. Nessas áreas podem identificar-se os ambientes do dia-a-dia. Por exemplo: na área da Saúde, identifica-se o hospital; no hospital, identifica-se a seção onde as pessoas trabalham, etc. Procura-se mostrar como é necessário não só conhecer os ambientes, mas tudo o que ali acontece, com suas causas e consequências, para que a ação transformadora possa ser eficaz. Sem o devido conhecimento da realidade, não há como planejar e nem muito menos como atuar nela à maneira de fermento.

 A seguir, faz-se o encaminhamento dos grupos para:

a) fazer um reconhecimento dos ambientes dos participantes (procurando ter como roteiro as perguntas sugeridas acima);

b) fazer um levantamento dos desafios à Evangelização (falta de solidariedade, ódios, violências, injustiças, etc.) porventura existentes em seus ambientes. Há fatos e acontecimentos que, de uma forma ou de outra, marcam os ambientes, as pessoas e o relacionamento entre elas;

c) selecionar um fato mais gritante; buscar as causas que o tenham gerado e as conseqüências que dele resultaram ou estão resultando. Muitas vezes a melhor e mais bem-in-tencionada ação evangelizadora se frustra em termos de transformação da realidade porque é dirigida mais aos efeitos do que às causas reais.

Uma lembrança aos mensageiros e demais responsáveis: não é sua função condicionar os participantes e nem descrever este ou aquele ambiente: quem faz a mensagem é o grupo. E bastante encaminhar os trabalhos com clareza, advertindo para que não se queimem as etapas do método.

 Trabalho dos grupos: durante 40 ou 50 minutos, auxi-

——— liados pêlos responsáveis, os grupos trabalham sobre o VER. Num papelógrafo são marcados, bem legíveis à distância, os fatos ou o fato, suas causas e conseqüências. Estejam atentos os responsáveis a que todos participem, dando sua opinião ou relatando suas experiências.

Reunidos os grupos na sala, após o trabalho, faz-se

——— uma breve sessão plenária, na qual o responsável pelo VER orienta o relator de cada grupo para que sintetize, lendo o que já foi adrede preparado pelo mesmo grupo, o que está no papelógrafo. O responsável termina esse primeiro momento, essa primeira fase do método, fazendo uma síntese geral do trabalho dos grupos: aponta os fatos ou o fato principal ou mais significativo para os participantes; mostra como os grupos identificaram suas causas e como perceberam suas conseqüências.

 

SEGUNDO MOMENTO

JULGAR: DESCOBRIR QUAL É A REALIDADE IDEAL, ISTO É, AQUELA QUE ESTÁ DE ACORDO COM O PLANO DE DEUS

NOTA: por motivos óbvios, a duração da exposição desse momento poderá prolongar-se um pouco mais que o primeiro. Pensa-se em 45 ou 50 minutos no máximo.

O JULGAR consiste em:

• analisar o fato ou os fatos para discernir o que está certo ou o que está errado em relação ao Evangelho, aos critérios e valores do Reino de Deus, etc.;

• perceber o que está ajudando ou impedindo os participantes de se libertarem e se tornarem irmãos;

• confrontar situações concretas da vida e da realidade com o Plano de Deus para os homens e para a história.

 

 O JULGAR exige de cada um:

• um conhecimento cada vez mais profundo da mensagem cristã e da Palavra de Deus (estudo sistemático, cursos, retiros, aprofundamentos, etc.);

•   um clima de oração perseverante; ,,    •   uma constante revisão de vida.

Levantadas as realidades no VER, a finalidade do JULGAR é analisá-las à luz da fé, dos valores do Reino de Deus e do seu Plano. O que a fé está dizendo destas realidades? Estão elas de acordo com tudo o que se meditou aqui, nestes dois dias? O que diria e faria Jesus se aqui estivesse? Como deveriam ser estas realidades para que pudessem corresponder ao projeto de Deus sobre os homens e a história? Não é o que "eu penso" ou o "achismo" que vai julgar (diferente de condenar que é o modo corrente de pensar quando se fala em julgar), mas somente a fé há de fazê-lo. Atenção: também não é o momento "do que" fazer.

 O que exige este momento do método?

a) informações ao menos razoáveis sobre a fé e a doutrina, bem como uma certa sensibilidade para o discernimento. Podem retomar-se, agora, os critérios já proclamados nas mensagens anteriores e, com eles, iluminar as realidades levantadas no VER;

b) apontar as passagens bíblicas e dos documentos da Igreja que possam questionar estas realidades. Esta poderia ser a parte mais difícil do JULGAR. Já na preparação do CUR, fariam bem os responsáveis em encontrar textos adequados para poder prestar ajuda aos cursilhistas;

c) lembre-se o mensageiro que sua utilização neste momento, inicia o cursilhista para aplicá-lo também depois, no PÓS, nos trabalhos dos núcleos ambientais: entre uma reunião e outra haverá tempo para a pesquisa dos textos. Será oportuno indicar, ainda, o meio prático de recurso aos índices da Bíblia e de outros documentos.

 Encaminhamento para o trabalho nos grupos - com esses esclarecimentos (e outros da prática do mensageiro) passa-se ao trabalho nos grupos, levando-se os papelógrafos do VER. Usando, ainda, o recurso dos papelógrafos, os grupos colocam neles o resultado do JULGAR. Esta etapa pode ser mais longa (pode estender-se por mais de uma hora) uma vez que se trata de confrontar os fatos, suas causas e consequências, com a Bíblia = prática de Jesus Histórico (valores do Reino de Deus, critérios, princípios) e com a Igreja = Cristo agindo, pelo Espírito Santo, na história (documentos e orientações eclesiais).

Nessa fase mostra-se a necessidade da oração (encarnada na vida e em comunhão com Deus). Ao encaminhar o trabalho dos grupos para confrontação dos fatos com a Palavra de Deus, lembre-se o mensageiro de que aqui entram elementos de reflexão sobre "conversão" e "vivência da fé" já tratados nos dias anteriores.

a sessão plenária que se segue, os relatores lêem a síntese dos trabalhos e o mensageiro encerra com um apanhado geral de tudo o que foi trazido. Ressalta os critérios e valores acentuados no trabalho; mostra, com sua própria vivência testemunhal, como esses critérios podem mudar a vida das pessoas e o comportamento dos ambientes naquilo que se relaciona com o Reino de Deus, seu plano e o seguimento de Jesus.

TERCEIRO MOMENTO

AGIR: COMPROMISSO DE TRANSFORMAÇÃO  ; DA REALIDADE EM DIREÇÃO AO IDEAL

Observação importante:          

 Nesse momento ou nessa fase em que se proclama a ^———' necessidade do AGIR como conclusão lógica do VER e do JULGAR, proclamam-se também, ainda que de forma sintética, as mensagens que no CUR fazem parte da Evangelização na Pastoral Ambiental. A mensagem principal será a da AÇÃO TRANSFORMADORA.

Notas prévias:      

1. Finalidades:

a) enfatizar a necessidade de uma tomada de atitude como conclusão de toda a Mensagem do Cursilho: o agir cristão é conseqüência do ser cristão. O Plano de Deus e o anúncio do seu Reino não são meras teorias, mas realidade que exige compromissos;

b) mostrar que, para ser eficaz e eficiente, o agir deve ser planejado com objetivos claros e específicos, prazos e indicação dos que por ele irão se responsabilizar;

c) esclarecer que a Igreja espera, através do MCC, a inserção dos seus participantes na Pastoral Ambiental (explicar o que é essa Pastoral no contexto da Pastoral Urbana), finalidade do Movimento, e que essa mesma Igreja, com a voz autorizada do Evangelho, exige do cristão uma ação transformadora para tornar as estruturas mais justas e fraternas, fazendo de toda a história uma história de salvação e libertação segundo o plano de Deus e os valores do Seu Reino.

2. Duração: máximo de 60 minutos.

Esquema

Recolher> em síntese, os resultados do VER e do JULGAR dos grupos, utilizando-se das contribuições escritas nos papelógrafos. Explicar o que se chama de pós-cursilho: vivência comprometida de todas as mensagens aqui proclamadas desde a primeira noite até agora. Responsabilidade intransferível do cristão leigo: encontrar o seu lugar na história, no mundo (GS 3). É necessário partir para a AÇÃO.

[430] Ação evangelizadora:

a) O agir cristão é parte integrante, inseparável do ser cristão. O próprio Cristo programa a ação dos seus seguidores: ser, no mundo, fermento, sal e luz, de acordo com o projeto de Deus e os valores do seu Reino, anunciados por Jesus Cristo, cuja prática de vida se deseja seguir (Mt 5, 13-16; 13, 33).

b) Ao seguidor ie Cristo compete, por vocação e missão, anunciar a Boa Noticia do Reino de Deus a todos os homens e ao homem todo, chamando-os para a salvação e a libertação integral.

c) No mundo moderno torna-se imperativa a ação transformadora do cristão leigo, chamado a lutar por estruturas mais humanas e mais justas, chamado a defender os direitos humanos desrespeitados a todo instante, sobretudo em se tratando dos pobres, injustiçados e explorados. Essa foi a prática e a missão de Jesus (cf. Lc 4, 18): essa é a missão do seguidor de Jesus, hoje a ação transformadora que anuncia a Boa Notícia e denuncia tudo quanto a ela se opõe, chama-se Ação Pastoral (de pastor, responsável pelas "ovelhas", pêlos que estão "dentro") e Ação Evangelizadora (que sai em busca dos afastados, do próximo, do ambiente, da história - como Cristo, o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas).

 Modelos de ação:

a) ativismo: é o fazer por fazer, sem qualquer reflexão; sem o respaldo irrenunciável da oração e sem a voz de Deus, na interiorização de sua palavra, nas Sagradas Escrituras;

b) assistencialismo: é dedicar-se quase que exclusivamente a uma assistência puramente "social". Nesse caso, os pobres são encarados como instrumento ou mediação para uma consciência tranquila. É quase inexistente a preocupação de buscar e encontrar as causas da miséria, da marginalização. Pior ainda quando se quer ajudar os pobres ou as crianças abandonadas não por serem gente digna de respeito e consideração, mas porque poderão tornar-se "ameaça à minha segurança ou ao meu patrimônio";

c) ação-serviço: trata-se de ação paliativa; atinge os efeitos, a emergência, socorrendo as necessidades imediatas. Trata-se da esmola, das obras de misericórdia, da ação caritativa. É uma ação que não pode faltar, sobretudo em casos de emergência, hoje cada vez mais freqüentes. A Igreja desde sempre dedicou-se e sempre continuará dedicando-se às obras de misericórdia: asilos, creches, Santas Casas, orfanatos, escolas gratuitas, etc. A ação-serviço é preceito evangélico, sobressaindo, por isso, a todas as outras. Sobre este preceito é que todos seremos julgados e cobrados no último dia (cf. Mt 25, 31ss.);

d) ação transformadora: é a ação que não busca direta-mente os efeitos, mas quer ir às causas, à raiz dos males. Constitui uma grande preocupação da Igreja, hoje. De maneira especial em certas situações clamorosas e cada vez mais freqüentes, a Igreja questiona sistemas que criam ou favorecem estruturas injustas que continuam produzindo o desemprego (globalização da economia, neoliberalismo), a fome, a morte... Nossa cultura da pós-modernidade é chamada de "cultura de morte"!68

Quais as causas do surgimento de sistemas e estruturas que permitem tanta miséria e marginalização do ser humano? Não seria, por acaso, o que Jesus afirmou em Marcos 7, 20ss.? É o que sai da pessoa que a torna impura, pois é de dentro do coração das pessoas que saem as más intenções, os desregramentos, os furtos, os homicídios... e tantos outros males. ao esses problemas e essas situações que fazem com que a Igreja questione e interpele os cristãos para que não continuem permitindo tais distorções. E convida os cristãos leigos a uma ação verdadeiramente transformadora, a uma ação profética e libertadora que leve à luta por uma sociedade justa e fraterna. Daí as críticas, ataques e perseguições, até dos mais íntimos. Dos que, muitas vezes, dizem aceitar Jesus Cristo e o invocam em altas vozes, mas não têm coragem de se comprometer com a prática por Ele ensinada em favor dos seus preferidos.

As opções pastorais: Sem excluir as demais necessidades pastorais, a Igreja, hoje, faz uma opção preferencial pêlos pobres, como opção estrutural, evangélica (opção radical do próprio Cristo), e uma preferencial opção pêlos jovens, de caráter conjuntural. A raiz dessa opção da Igreja pêlos pobres está na prática de Jesus (cf. Lc 4, 16-21). Ele deixou claro, antes de tudo, que todos são filhos de Deus, com os mesmos direitos

humanos fundamentais, anunciou o Reino como um Reino de

justiça para os pobres; quis estar sempre do lado dos que não

têm voz e nem vez para reivindicar seus direitos, (cf. Antigo

Testamento: Deus fica sempre do lado dos "órfãos e das viú

vas"). Essa a razão profunda da opção da comunidade eclesial,

sensível às situações angustiantes de milhões de filhos de Deus,

que são a grande maioria do povo. ; í »            • > ;

Agão no pós-cursilho:  •

a) O CUR termina hoje como curso intensivo. O "diploma" é o compromisso e se chama "conversão", processo que dura a vida toda. Continua na fase chamada de PÓS, do qual já se falou, chamada também, de quarto-dia. De nada ou de muito pouco teria adiantado o CUR não fosse sua continuidade no PÓS, que, afinal, é a prática do que aqui foi proclamado.

b) Tendo conhecido melhor o que é o Reino de Deus, seu Plano de Salvação, sua Divina Graça, e tendo percebido a necessidade do seguimento e da prática da vida de Jesus, percebe-se, entretanto, a necessidade de aprofundar esses conhecimentos para melhor praticá-los. Isso será facilitado no PÓS, isto é, na ação cotidiana do cristão.

Ação e comunidade: todas as mensagens aqui procla-

——— madas levam à convicção de que se necessita de uma comunidade. A ação evangelizadora - não dispensando sua dimensão pessoal e individual - completa-se com e na comunidade. A ação comunitária, sobretudo diante dos desafios do mundo moderno, é uma exigência fundamental para o cristão leigo. Evidentemente, a grande e primeira comunidade do cristão é a comunidade eclesial: a família dos filhos de Deus, do Povo de Deus.

O  Movimento de Cursilhos oferece? No PÓS o MCC oferece comunidades menores que facilitam a vivência e convivência da vida cristã, ajudando a continuar a formação aqui iniciada. Essas pequenas comunidades não são, não devem ser e não querem ser contrárias ou paralelas à

 

grande Comunidade da Igreja, mas querem estar nela inseridas e ser dela um "sacramento" no mundo. Eis no que consistem essas pequenas comunidades:

1. Escola Vivencial de formação cristã (esclarecer seus objetivos, dinâmica, etc.). Trata-se de um "clima" mais do que uma organização ou um momento. É uma atitude constante de escuta de Deus para ser discípulo, aprendendo com a Palavra de Deus, com os sinais dos tempos, com os acontecimentos da história. Essa atitude e disponibilidade encontram momentos fortes de convivência e aprendizagem: os momentos da escola viuencial. Esse é o momento da partilha da Palavra, da doutrina do Senhor, traduzida pela Igreja em seus Documentos e orientações pastorais e doutrinárias. Sem Escola torna-se inviável o Movimento.

2. Núcleos de Comunidades Ambientais:

a) a "comunidade ambiental" se faz com um punhado (dois, três...) de cristãos que convivem num mesmo ambiente e, ali, constituem um grupo de ação evangelizadora e transformadora. O ambiente ou área de atuação poderá ser o familiar, o profissional, o geográfico, o da moradia ou de o de qualquer outra área de atuação ou de presença do cristão. Talvez alguns de vocês até já estejam participando de algum desses núcleos, tendo vindo ao CUR indicado por seus companheiros (cf. Doe. 45, CNBB, 204-205 e Doe. 54 CNBB, 269-271) sobre "as pequenas comunidades" nas quais a paróquia deveria multiplicar-se);

b) o "núcleo" faz suas reuniões semanais ou quinzenais ou mensais para estudar os problemas próprios dos seus ambientes, "julgá-los" à luz da fé e planejar a ação mais adequada para ali anunciar o Reino de Deus, isto é, evangelizar. Nem sempre com palavras; mas sempre com o testemunho de solidariedade, de amor, de partilha e de luta pela justiça. Para ser mais eficiente e para que sua ação-fermento possa ser mais eficaz, o núcleo utiliza o método VER/JUL-GAR/AGIR/AVALIAR e, normalmente, CELEBRAR (oração, sacramentos, etc.). A Escola Vivencial do MCC ajudará nos esclarecimentos da prática desse método;

c) não sendo possível a formação de um grupo ambiental, o grupo heterogéneo deveria utilizar-se do mesmo método. As reuniões poderão ser muito mais ricas e dinâmicas, superando a rotina, na mesma medida em que a técnica e a vivência do VJAA forem suscitando a necessidade do estudo, da oração e da reflexão da Palavra de Deus. Dessa forma, os Núcleos atingem plenamente o objetivo e um dos critérios básicos da eclesialidade que é a busca da santidade. E no seio desses núcleos que se poderá desenvolver a espiritualidade encarnada de que tanto já se falou aqui;

d) grupos também poderão surgir pela ação de cada um dos aqui presentes, formados por pessoas que, embora não tendo passado pelo CUR, anseiam por justiça, solidariedade e fraternidade nos seus ambientes e áreas de atuação.

3. Assembléias mensais ou Ultréias:

a) mensalmente os núcleos se reúnem para partilha de experiências, para convivência na oração, na amizade e para planejar seu modo de estar presente nas realidades em que atuam. Essas reuniões levam à consciência de uma responsabilidade maior e servem de estímulo mútuo para a caminhada na vida cristã;

b) alegrias de uns serão motivo de animação para os outros; fracassos ou frustrações de uns serão motivo de solidariedade para os outros; mas, a esperança será de todos. Essas reuniões chamam-se, também, com o nome tradicional de Ultréias que, no jargão do MCC, significa ir mais além, caminhar com maior entusiasmo...

( A oo\ Agora, vamos ao trabalho nos grupos: com certeza, ——— cada um de nós já terá tomado suas resoluções que, em consciência e convocado pela urgência da missão, acha que deve tomar. É amplo o campo da semeadura; o sol é inclemente, mas a graça de Deus não falha. Disso todos temos absoluta certeza! Mas, além dessas decisões pessoais, Deus e a Igreja querem contar com o compromisso da ação transformadora de cada um e necessitam da sua ação evangelizadora organizada para ser mais eficientemente missionária. Por isso, agora o trabalho nos grupos terá dois momentos:

 

a) primeiro: tendo selecionado um fato ou problema já discutido no VER, e tendo percebido no JULGAR que Deus não estaria de acordo com tal situação, que ação cada um poderá implementar desde já e que possa servir de ponto de partida para motivar o surgimento de um núcleo ambiental?

b) segundo: quem vai se organizar ou em quais pessoas você já está pensando para assumir junto com você essa ação evangelizadora? Como se organizar? Onde se organizar (qual o seu ambiente prioritário)? Quando se organizar? Estes são alguns questionamentos sugeridos para o trabalho dos grupos...

Encerrada a dinâmica e os trabalhos dos grupos, faz-se uma última sessão plenária para síntese e conclusões gerais.

BIBLIOGRAFIA       

a)  Boran, J., O Senso crítico e o método VER/JULGAR/AGIR, Ed. Loyola, São Paulo, 1987.

b)  PISO, Alfeu, VER /JULGAR l AGIR. Ensaio de metodologia pastoral, Ed. Ave Maria, 1990.

c)   FRITZEN, Silvino J., Exercícios práticos de dinâmica de grupo, Ed. Vozes, Petrópolis, 14' ed., 1990, 2 vol.; pp.

d)  Idem, Janela de Johari, Ed. Vozes, 1990.

e)   GEURTS, Pedro, Curso de dinâmica cristã, Ed. Vozes, 1989.

f)   GUERRE, Renato, Revisão de vida, in Rev. ALAVANCA , n.156, agosto 1981, encarte.

g)  BALANCIN, Euclides M., Julgar à luz da Bíblia, in Revista ALAVANCA, 157, setembro 81, encarte.

h) BORAN, Jorge, Método Ver-Julgar-Agir, in Revista ALAVANCA, 154-

155, jun/jul 81, encarte.           .

  

MENSAGEM COMUNIDADES NO PÓS-CURSILHO ( SALUAR)

                   Bom dia pessoal, vamos pegar o guia do peregrino pag 38

                   Meus caros amigos decolores, como já foi falado estamos dentro do método v j a,  o Paulo Rone nos falou que na fase do ver, com os olhos de cristo, levantamos a realidade dos nossos ambientes e em grupo vocês puderam meditar sobre os vossos locais de trabalho , laser, família, igreja.

                   Logo depois o Pe Peixoto, nos ajudou a analisar, julgar estas realidades , com critérios da fé, com o coração de cristo, com critérios cristãos.

                   Daqui para a frente nós vamos planejar o nosso agir, iluminados pela fé. Somos os braços de cristo agindo no mundo. Jesus nos deixou clara a nossa missão : ide e evangelizai a todos!

                   Cada um de vocês foi escolhido pelo nosso pré cursilho, nos ambientes que vocês vieram. Desde quinta à noite, ouviram a mensagem do plano de Deus, com certeza devem ter em vossas mentes uma pergunta: como vou agir, que devo fazer para cumprir aquilo que Jesus me ordenou?

                   Bem, caros amigos estou aqui para ajudá-los a organizar a vossa ação no pós cursilho.

                   Tenho certeza de que cada um de vocês está gostando de estar aqui, mas não podemos permanecer aqui para sempre, hoje à noite estaremos voltando para nossos ambientes, para nossa família, trabalho, continuaremos no Pós cursilho, só que agora com mais conhecimentos, idéias, critérios cristãos, isto é comprometidos com uma ação cristã em nossos ambientes, na família, no trabalho, etc.

                   Como já vimos somos cristãos leigos, existe um documento da igreja sobre a nossa ação no mundo, doc 62. esta é a nossa vocação , intransferível, somos igreja no coração do mundo e mundo no coração da igreja. A nossa família, a nossa comunidade necessita de nossa ação. Portando essa mensagem é ação no pós cursilho.

                   O agir em si faz parte do ser humano, o agir cristão faz parte do ser cristão.

                   A ação do cristão no mundo é uma ação evangelizadora.

                   No evangelho de São Mateus cap 5, Jesus programa a nossa ação, Ler o evangelho na bíblia.

                   Logo devemos ser luz, para iluminar os outros, ou os caminhos dos outros, as trevas que os outros vivem, ou que nos vivíamos, ou vivemos lá fora. Mas hoje sabemos o caminho!

                   Devemos ser sal para dar sabor as coisas, para mostrar o sabor das coisas de Deus.

                   Este sabor, esta alegria que estamos sentindo aqui no nosso coração. Esta confiança que estamos nos dando. Isto é o reino que começa a acontecer na nossa vida.

                   Eu vos confesso, caros irmãos: Eu sinto esta felicidade no meu dia a dia, lá fora, junto com a minha esposa, na minha comunidade – testemunho-.

                   Portanto nossa missão é evangelizar, comunicar a boa nova do evangelho ao homem todo e a todos os homens chamando-os a conversão integral. Para isto devemos estar em processo de conversão.

                   A ação do cristão inclui, de modo geral: o anúncio do Plano de Deus, e a denúncia de tudo aquilo que se opõe ao plano de Deus, que contraria o plano de Deus.

                   Logo a nossa missão como leigos, povo de Deus, é evangelizar as nossas realidades temporais.  Por nossa presença em nossos ambientes, meu eu, minha família, meu trabalho, minha comunidade, meu laser.  

                   O que fazer? Muitas vezes nos perguntamos isso. Vamos perguntar a Jesus, os apóstolos perguntaram  em Mateus 25- ler.

         Bem, fica claro que a nossa missão primeira, que é o que a igreja nos orienta: preferência aos pobres e necessitados, aos jovens, especialmente na prevenção, como nos ensina Dom Bosco: educação preventiva, que começa no lar, continua na escola e se completa na vida.

                   Nossa ação é dupla ação serviço e ação transformadora.

A ação serviço atende as necessidades imediatas – acabar ou pelo menos diminuir a miséria, o sofrimento. Só quem já passou fome sabe como é duro dormir com fome, sem expectativas de ter o que comer no outro dia, pois se houvesse expectativas, não dormiria com fome.

                   A ação serviço atende a ordem de Jesus: estava nu e me vestistes, com fome e me deste de comer..... 

                   Muitas são as maneiras de ajudar os miseráveis; aqui mesmo no cursilho, tem a casa apóstolo Paulo de Tarso, que ajuda na Pastoral de rua, levando comida, roupas e outras coisas para os sem teto, moradores de rua. Temos a sopa dos pobres, Eu tenho usado parte do meu tempo nesta atividade.              Todos os dias servimos por volta de 160 pratos de sopa aos moradores de rua. Como fazemos com a ajuda de muitos cristãos e até não cristãos, cada um doa um pouco e este pouco mata a fome de muitos. Há uns tempos atrás chegou ao nosso conhecimento que uma  família, lá nas pedrinhas morava em uma pequena casa no terreno de uma fazenda, estava passando necessidades, pois o Pai havia abandonado, a mulher, 5 crianças e a mãe desta pobre mulher doente. Fizemos um levantamento de todas as necessidades imediatas(o ver) e

                   julgamos que havia necessidade de compra de alimentos, roupas, e outras coisas, para manter a dignidade, fizemos uma campanha e começamos a ajuda, fizemos a ação serviço. Hoje o governo adota o programa fome zero. A uns tempos atrás eram os descamizados. Não importa o título, devemos ajudar, fazer a nossa parte, senão não vais entrar no reino dos Céus. Jesus nos adverte: de um lado os que ajudarem, de outro os omissos ou preguiçosos, que não façamos parte deste grupo.

                   Bem, na ação serviço, atendemos as necessidades imediatas, já na ação transformadora, vamos ás causas, à raiz dos males. Procura mudar a situação de necessidade, de miséria para uma situação de dignidade humana, de filho de Deus.

                   No caso da família que estava vos falando, fizemos um levantamento mais apurado e concluímos que a situação era crítica, não bastava uma compra, ou algumas roupas, teríamos de acompanhar aquela família mais de perto.  As crianças não estavam estudando, a mulher estava sem emprego, sem as mínimas condições de auto-sustento. Orientamos para que fizesse o cadastro na paróquia do parque São Francisco para receber ajuda com acompanhamento. Ajudamos a colocar as crianças na escola, providenciamos material escolar, orientamos a mulher para arranjar um emprego e até hoje estamos acompanhando esta família. Graças a Deus um dos filhos já está cursando informática para poder arranjar um bom emprego. Arrumamos uma bolsa total do curso.

                   Não podemos aceitar as situações injustas de miséria que está por aí, nos cerca, nos amedronta, pois esta situação é a fabrica de marginais, traficantes e assassinos que estão por aí.

                   Temos de procurar mudar esta situação, mesmo que seja só no nosso lar, nosso ambiente, onde temos forças para agir.

Não só agir no assistencialismo irrefletido, para acalmar nossa consciência, mas sim como cristãos, organizadamente, através das pastorais. Ouvimos sempre falar em pastoral de rua, da saúde, dos idosos, da juventude. Mas o que é pastoral? É a maneira organizada que a igreja tem de agir no mundo, nos ambientes, nas necessidades.

                   Eu e minha esposa ajudamos a igreja em algumas pastorais: na catequese como catequistas de crianças e jovens. Tomamos consciência da necessidade de agir preventivamente, na educação. Estudamos, fizemos curso de teologia para leigos e atuamos no ensino. Atuamos também na liturgia, animando as missas, eu canto e toco violão ela canta e juntos fazemos a nossa parte. Atuamos também com os dependentes químicos, drogados que querem se recuperar. Atualmente ajudamos, somos voluntários na comunidade Dom Bosco, lá nos pilões. Ajudamos , tanto na arrecadação de alimentos, feira( se me verem carregando carrinho ou juntando sobras de feira nas quartas feiras, não se assustem, arrecadamos ajudas dos feirantes, tanto para sopa dos sem teto, como para a sopa e refeições da comunidade Dom Bosco. Já sou aposentado da fab, aproveito meu tempo para servi, e graças a Deus sou muito feliz. Realizado...não ?, pois enquanto houver tanta gente passando fome e morando na rua, não posso me considerar realizado. Estou na luta, não me acomodei!

                   Como já falamos de pastorais, o Mov de Cursilho faz parte da pastoral ambiental, isto é nossa ação organizada deve ser no nosso ambiente. Na família, no trabalho, no laser, na política, e especialmente em nós mesmos. Nossa conversão é essencial, se nos não nos transformarmos em pessoas verdadeiramentes cristãs amorosas, se o amor não habitar em nós, primeiramente, não mudamos nada!

                   Meus amigos o cursilho 3 dias termina hoje. Foram 3 dias de um curso de intensa cristianização – só que ao invés de diploma vocês, vocês levarão um compromisso, esse compromisso se chama conversão. Para quem já foi militar sabe, conversão é mudança de direção  e aqui o sentido é o mesmo – mudar a direção de nossa vida para o plano de Deus. Se já estivermos nesta direção, continuar a caminhada, agora com mais entusiasmo, como a própria palavra nos indica: mais cheios de Deus.

                   Conversão é um processo contínuo , vai continuar pela vida afora. Inicia hoje a noite ou amanhã, que chamamos de 4º dia e só termina com a nossa morte.

                   De nada adiantaria vocês terem ficado aqui estes três dias se não houver uma continuação no pós cursilho. Eu me lembro de meu cursilho, há quase 20 anos atrás, em 83. quanto choro, quanta emoção. Poucos continuaram a caminhada e muitos hoje estão piores do que eram.

                   É meus amigos, o 8º sacramento, o da ignorância já não nos salva mais, nos não teremos mais desculpas, ah, eu não sabia, ninguém me disse? Nestes dias tomamos consciência do plano de Deus para cada um de nós.

                   Para aqueles que quiserem topar, prosseguir a caminhada nós estamos aqui para ajudá-los, nós que continuamos firmes nesta caminhada porque tomamos consciência do plano de Deus para cada um e fizemos a opção por Cristo. Nós que estamos aqui e muitos irmãos lá fora. Vocês viram as alavancas, quantos irmãos estão lá fora rezando por todos nos que estamos aqui. Tenho certeza que minha esposa está rezando pela nossa conversão neste momento.

                   A nossa conversão , a nossa caminhada no 4º dia, nos pede o tripé, que já nos falou o Pe Peixoto: oração /estudo /ação, tomamos consciência  da necessidade do seguimento de Cristo:

         Na Igreja: fazendo parte do povo de Deus: na caminhada da Igreja

         Como Igreja: isto é nós somos Igreja , somos fieis cristãos leigos, doc 62. Temos uma missão específica nos nossos ambiente.

         Com a Igreja ligados à hierarquia: Bispos, Padres e Religiosos, pois juntos formamos a Igreja de Cristo.

         Mas vocês puderam vivenciar a necessidade de um aprofundamento, de um maior conhecimento do plano de Deus, das verdades da fé.

         O MCC tem meios de ajudá-los, todas as terças feiras nos temos a nossa Escola de formação cristã, a escola de fé e vida, que chamamos carinhosamente de escolinha, mas que não tem nada de pequena, pois nos ensina grandes coisas.

          Ela funciona lá nas graças, onde saímos quinta feira e vamos encerrar hoje a noite esta cursilho 3 dias e iniciar o 4º dia.

         Todas as terças feiras às 19:50, iniciamos com a nossa oração em frente ao sacrário, é o nosso encontro com cristo, como o visitamos aqui, neste clima de amizade e amor fraterno.

         Após a oração inicial, temos uma reflexão de um tema previamente programado, dentro da espiritualidade cristã, social, política, dentro da área de psicologia e outros. O tema é exposto por um leigo, padre, ou religioso.

         Temos também um curso básico sobre o MCC, para que possamos conhecer melhor o nosso movimento.

         Por volta das 21:30 é encerrado o assunto do dia, então vamos tomar um cafezinho, comer um doce ou salgado, e bater aquele papo, contar e trocar nossas experiências da semana que passou. O clima é o mesmo que temos aqui, sinceridade, amor fraterno e amizade.

         Na próxima terça , dia 01/04 nos encontraremos lá para que o pessoal do cursilho possa conhecê-los. Não faltem e levem junto os vosso familiares, pois temos um escolinha de formação para as crianças ao mesmo tempo que nós estamos refletindo. Portanto as crianças não são impedimento para comparecermos, eles são bem vindos.

O MCC propõe também que nos unamos na ação no nosso ambiente, que formemos um grupo ou núcleo ambiental, formado por pessoas do mesmo ambiente, profissão ou local geográfico.

                   Vocês puderam vivenciar como foi importante aqui dentro a vivência do grupo, onde pudemos discutir, refletir e nos ajudarmos mutuamente, trocando vivências e experiências. Este grupo ou núcleo pode e deve continuar lá fora, após a nossa mensagem nos vamos nos reunir por ambientes( verificar a dinâmica).

         Temos diversos grupo formados por ambiente, por exemplo, o grupo da prefeitura, do fórum, da escola de especialista e muitos outros, que vocês poderão se integrar. Procurem informar-se sobre o grupo que mais lhe convém.

         Logo que sai do meu cursilho eu me integrei em um núcleo, lá na eear. Hoje já estou na reserva e moro aqui fora, participo com minha esposa de um grupo, grupo Santo Inácio, juntamente com o Jorge Faig, e a esposa e mais outros companheiros. É de suma importância em nossa vida. Nos ajuda a compartilhar nossas vivências, estreitar a amizade e agir em conjunto.

         Na medida em que consigo visualizar o outro como companheiro, menos o verei como inimigo. O outro não é alguém que disputa comigo um lugar ao sol, mas sim, alguém que torna o meu lugar ensolarado, porque divido com o outro.

         Vivenciamos que é possível confiar no outro.

         Sua mala lá no quarto, está trancada?  tenho certeza que não.

A medida que as pessoas vão se conhecendo, vão colocando suas aspirações em comum, a comunidade vai surgindo.

          A primeira comunidade que nos vivemos é a família. Hoje quando sairmos daqui, é para lá que voltaremos. É na nossa casa que devemos iniciar a nossa conversão. Nossa família deve ser um exemplo de comunidade cristã. Ela é a igreja doméstica.  Há muitos que se dizem convertidos e esquecem da família. A família, o matrimonio é a nossa vocação, o resto é convocação, se não formos cristãos lá, tudo o mais fica difícil e falso.

         Além da escola, dos núcleos ambientais ou grupos de vivência, nos temos um dia mais forte onde se reúnem todos os grupos, que nos chamamos de ultreia, que é um termo espanhol que significa: avante, para frente.  Era o grito que davam os peregrinos espanhóis que peregrinavam para o santuário de são Tiago de compostela. Após a parada, gritavam ultreia e prosseguiam a caminhada.

         Temos também assembléias diocesanas e regionais, aqueles que se engajarem em nosso movimento conhecerão melhor com o tempo.

                   Bem pessoal, resumindo, o nosso agir deve ser pautado no tripé: oração , estudo e ação.

         Oração individual diária, como um encontro pessoal com a santíssima trindade, um colóquio amigável com Deus Pai, Filho e Espírito Santo, Maria, santos e anjos. Quando procuramos viver a espiritualidade cristã com fervor e responsabilidade, passamos a estar mais perto do trancendental do que da natureza.

         Oração comunitária, junto com nossa família, na ceia eucarística- missa, onde recebemos o próprio Cristo vivo e presente na hóstia consagrada.

         Estudando e conhecendo melhor a palavra e as verdades de fé, unidos em escola, a nossa querida escola do cursilho, lá nas graças, todas as terças feiras, não perdendo estas amizades que estamos fazendo aqui.     

         Na ação cristã, não sozinhos, mas em grupo, em comunidade, juntos construindo um mundo melhor.

         Portanto amigos, hoje a noite estaremos voltando para os nossos lares, nossas comunidades. Já mais conscientizados de nossa missão de leigos no mundo. Mas não queiram idealizar a igreja, ela é feita de homens como nós: santos e pecadores. Mas é guiada por um grande guia, um grande mestre, Cristo nos ensinou como sermos melhores e prometeu que estaria conosco até o fim dos tempos.

                   Devemos estar sempre dispostos a acertar, assumindo nossos fracassos, estando sempre abertos ao diálogo, a convivência e a construção de um mundo novo, bem melhor. Comece em você a sua conversão. , transforme a sua família numa igreja doméstica.

                    

 MENSAGEM: MEDITAÇÃO: MARIA, MÃE DE DEUS E DA IGREJA

Observação importante:

A mensagem-meditação-oração sobre Maria, como ——— as demais mensagens do CUR, deverá ter um caráter profético-querigmático. A conversão para o Reino e para o seguimento de Jesus, no plano de Deus, se faz pelas mãos de Maria. Mas é necessário um embasamento bíblico-doutriná-rio, pelo menos razoável, pois o povo brasileiro, ainda que cultivando acendrada devoção a Maria, carece, em sua maioria, de um adequado conhecimento doutrinário básico. Essa meditação será uma oportuna lembrança de como o Concílio Vaticano II exaltou Maria, colocando-a no capítulo VIII da própria Lumen Gentium. Ao final desta meditação ou em outra ocasião qualquer do CUR, poder-se-á fazer algum exercício mariano de orações, além do louvor que a ela prestamos com a presente mensagem. (Cf. n. 189).

1. Finalidades:          ,            ,

a) mostrar a pessoa de Maria: Mãe de Jesus Deus e Homem; Mãe da Igreja; Mãe de todos os cristãos que ocupa um lugar especial no Plano de Deus;

b) desvelar a imagem autêntica de Maria presente no Cântico do Magnificai e nos demais textos bíblicos, sempre respeitando a autêntica religiosidade popular e suas piedosas manifestações, sobretudo, por nosso povo mais simples;

c) procurar mostrar como Maria, pela Fé, pela pobreza, pela humildade e desprendimento, compromete toda sua vida com a causa de Jesus, seu Filho. Isto poderá ajudar a esclarecer supostas "aparições" de Nossa Senhora que, neste final de milénio, tendem a multiplicar-se;

d) apresentar Maria como modelo para as mulheres e os

homens de hoje.     

2. Duração: máximo de 20 minutos.         Esquema

Tendo-se falado do Filho ontem, hoje se vai falar da Mãe pois trata-se de duas figuras inseparáveis. De que maneira Maria entra no plano de Deus, na vida de Jesus, no caminhar da Comunidade Eclesial? E na vida de cada cristão? Dir-se-á, aqui, o fundamental que deverá ser aprofundado posteriormente.

BIBLIOGRAFIA

a) LG, PO, AÃ, UR.       b)  EN, RMa, MC, MD.

c)   AFONSO, Sto., Glórias de Maria, Ed. Santuário, Aparecida, SP, 1987.

d)  BOFF, L., O Rosto Materno de Deus, Ed. Vozes, 1979.

e)   CARRETO, C. Maria, Mulher que acreditou, Ed. Paulinas, 1980.

f)   CEGALA, Maria, a Mulher da Libertação, Ed. Santuário, Aparecida, SP, 1984.

g)   CAMARÁ, Helder, Nossa Senhora no meu caminho, Ed. Paulinas, 1974.

h) RIBOLLA, J., O jeito de Maria de Nazaré, Ed. Santuário, Aparecida, 1991.

i)   Catecismo da Igreja Católica, co-ed. Vozes, Paulinas, Loyola, Ave Maria, 5« ed., 1993, par. 487-511; 963-975; 721-726.

j)   TMA 43, 48, 54

 

 

 

 

 

 

Maria na Bíblia: prefigurada no Gênesis e em várias

—— mulheres da história da Salvação. No Novo Testamento os textos mariológicos são, em primeiro lugar, cristológicos (anunciam Jesus como primeira finalidade). As atitudes de Maria apresentam sempre o Filho, em primeiro lugar. A ausência de maiores detalhes sobre Maria, nos Evangelhos, pode encontrar explicação plausível no fato de que, no paganismo, a ideia era de que os pais dos deuses eram deuses também. Daí a inconveniência de fazer aparecer demasiadamente a figura de Maria entre os primeiros convertidos do paganismo para o cristianismo...

 

 Anunciação-Encarnação (Lc 1,26-38): aqui está o funda-^———' mento bíblico da maternidade virginal de Maria e, portanto, da concepção virginal de Jesus. A mensagem de Maria: sua fé que aceita o Mistério e sua resposta comprometida ao plano de Deus; sua participação decisiva na Encarnação.

 

Magnificat (Lc l, 46-55): o cântico de Maria, em visita à prima Isabel, também grávida - lembrando o povo oprimido do Antigo Testamento, Maria louva a Deus enquanto ressalta a dimensão sócio-fraternal, preocupando-se com a questão social (cf. comentário da Bíblia pasto ral sobre o texto de Lucas). O Magnificat é o prefácio das bem-aventuranças, o "livro" que ensina o estilo de vida dos cristãos.

 

O nascimento de Jesus (Lc 2,1-7; Mt 1,18-25): a fé de

——— Maria; seu silêncio; sua humilhação; seu sofrimento dando à luz seu filho, o Filho de Deus, num lugar destinado aos animais; Maria é sempre acolhedora e solidária ...

 

 

Apresentação de Jesus no templo (Lc 2,22-38): "Uma

——— espada de dor atravessará teu coração"... Maria, Mãe-Mártir...

 

 

 A fuga para o Egito (Mt 2,13-18): o Filho de Deus perseguido e o assassinato dos inocentes... Hoje, o duplo assassinato cometido pela sociedade e pela iniquidade dos sistemas políticos, sociais e económicos: o aborto e a fome que matam milhares de crianças, ainda no ventre da mãe...

 

 

         O encontro no templo (Lc 2,41-52): Maria

——— escuta, em silêncio, a lição que Jesus, seu filho e mestre, lhe dá. Esse episódio é, também um exemplo de diálogo entre pais e filhos...

 

 

Em Nazaré, com a família: "O mundo passa pela família" (João Paulo II). Jesus passou pela família: Maria e José com Jesus (Mt 12, 46-50 e Lc 11, 27-28).

 

Aos pés da cruz (Jo 19,25-27): a longa agonia do filho ^———' e da Mãe. Jesus dá Maria aos seus, por Mãe; o perdão dos inimigos; a Mãe de Misericórdia...

(343) Ressurreição e Pentecostes (At 1,12-14): confirmação da fé de Maria... Maria presente no início do "tempo de Igreja"... a Mãe da Igreja!

 

Maria na Igreja: no plano de Deus, colaboradora im-

——— portante na Redenção. A Igreja como trata a Mãe;

 

a) Maternidade divina de Maria: dogma proclamado em 431 pelo Concílio de Efeso: geradora de Deus;

 

b) A Virgem que se torna Mãe: "A nova Eva, Virgem obediente e fiel, que, com seu 'fiat'generoso (Lc 1,38), se torna, por obra do Espírito Santo, mãe de Deus...";

c) Imaculada Conceição: dogma que define Maria concebida na justiça original do plano de Deus, sem as marcas do pecado...

d) Assunção corpórea de Maria: como a Imaculada Conceição, é uma verdade dogmática; corolários imperativos e consequentes da maternidade divina de Maria;

e) além desses, outros títulos são dados à Mãe de Deus: co-redentora, medianeira de todas as graças, Mãe da Igreja...

 

 

 Maria e a mulher hoje: Maria, modelo de mulher, de

———'mãe, de esposa... a mulher marginalizada e ainda discriminada, apesar de todo o progresso; o machismo opressor; também no interior da Igreja, existe a discriminação da mulher... o exemplo de Maria nas situações de pobreza, de marginalização... Maria, modelo da libertação da mulher...

 

 Maria: Maria é nossa Mãe, por ser Jesus nosso

——— irmão. Mãe dada aos cristãos pelo Filho, no alto da cruz. Imita-se a Mãe no seguimento de Jesus, vendo em Maria a Mestra das bem-aventuranças. Aprende-se a conhecer e imitar Maria que está sempre ao lado dos pobres, como nas bodas de Cana e o no canto do Magnificat. Depois de Jesus, Maria é a intercessora dos filhos junto a Deus.

 

FORMAÇÃO, EDUCAÇÃO PERMANENTE NA FÉ (SALUAR)

Até agora as mensagens proclamadas estão nos mostrando o plano de Deus para cada um de nós: Descobrimos que devemos ter um sentido para nossa vida, além da dignidade de ser humano de que somos constituídos, descobrimos que temos uma dignidade de filhos de Deus, somos filhos amados de Deus pai, que nos fez por amor à sua imagem e semelhança.

Temos em Jesus cristo o nosso modelo, é nele que podemos nos espelhar, configurar a nossa vida. Ele nos disse: eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Onde vamos viver esta vida cristã: na igreja: somos igreja povo de Deus. É na igreja que vamos viver a nossa fé, nossa espiritualidade, nosso estilo de vida: somos fieis leigos, temos a nossa missão própria, específica. Fortalecemos a nossa caminhada através da nossa oração diária, comunitária.

Mas como estamos formados na nossa fé? Estamos prontos para responder as questões que nos são impostas hoje pelo mundo?

Se lhe perguntassem hoje sobre o aborto, caso a sua filha, ou irmã, estrupadas, ou simplesmente um namorado mais avançado tivesse se aproveitado dela?

Você é a favor ou contra a pena de morte?

E a eutanásia você autorizaria seu avó pai ou um parente próximo sofrer sem expectativa de vida.

São questões que nos defrontamos no nosso dia a dia, como respondê-las com critérios cristãos, como Jesus responderia ou respondeu a estas questões?

É talvez tenhamos a resposta na ponta da língua, mas que critérios estou usando, baseado em que estou dando minha resposta?

Como tem sido minha formação, meus estudos das coisas de Deus, minha formação ainda está com base no que aprendi na primeira comunhão ou crisma?

Bem, não sei como vocês estão no conhecimento da fé, quando eu fiz meu cursilho, em 83, o principal que eu descobri é que eu sabia que nada sabia do plano de Deus.

Olha todos nós somos profissionais, cada um na sua especialidade.

Imaginem se o pedreiro solicita ao seu auxiliar, seu ajudante e para fazer uma massa de traço 3X1  e ele não sabe o que é isto.

Ou você que é engenheiro, advogado ou administrador, pede ao seu auxiliar de escritório para ele escrever uma carta ou um relatório no computador ou máquina de escrever e ele diz que não sabe!, não conhece computador?

A situação é a mesma na igreja, temos de conhecer as coisas da igreja, a bíblia, os documentos da igreja, o catecismo da igreja, os documentos da CNBB, os termos, a linguagem própria da igreja.

Enfim temos de formar a nossa consciência crítica, isto é saber discernir, saber escolher o nosso caminho, as nossas respostas  aos acontecimentos e situações da vida e do mundo à luz dos critérios do reino de Deus, da igreja católica, apostólica, romana.

Entre os vários valores: culturais, humanos, profissionais, éticos,descobrir quais realmente, de verdade expressam o projeto de Deus!

 Portanto devo buscar uma formação integral, quanto melhor se forma um cristão com os valores do reino, tanto mais eficazmente esses valores vão ajudando a pessoa e os que com ela convivem a construir uma sociedade mais justa e fraterna.

A formação integral inclui : formação teologal: é a vivência da fé-testemunho , como vivos na mensagem de fé e espiritualidade. Um estilo de vida cristão, especialmente nós leigos: inseridos no mundo: igreja no coração do mundo , mundo no coração da igreja.

É a sua imagem do cristão, nas realidades: lar, trabalho, no clube.

Muitas vezes, você é o único evangelho que os outros vêem, lêem!

E a formação teológica, é o conhecimento do conteúdo da fé, e de suas razões: a inteligência buscando esclarecer a fé.

Somos seres tri-dimensionais: matéria, espírito e divindade. Todo nosso ser deve crescer. Nosso corpo, nossa mente, reza. Nosso espírito, nossa inteligência cresce através do estudo, boas leituras, cursos, vocês verão mais tarde que temos uma escola de formação permanente no nosso movimento. No momento certo será explicado.

Como já vos falei, quando eu fiz meu cursilho, em 83, o principal que eu descobri é que eu sabia que nada sabia do plano de Deus.

A Bíblia era uma desconhecida para mim. Comecei meu estudo e oração diária. Leitura orante.

Fui descobrindo que a Bíblia era constituída por muitos livros: 73

27 do novo testamento e 46 do antigo testamento.

É dividida em capítulos e versículos. Sua leitura é indicada pelo livro, capítulo e versículo.

Existe orientação de estudo na introdução.

Não basta ter a Bíblia, não basta ler a Bíblia, não basta entender a Bíblia, é fundamental viver a Bíblia, palavra viva.

Outra fonte é a Igreja, presente desde o início, desde os apóstolos até hoje.

Temos uma síntese de nossa fé no catecismo da igreja.

Documentos da cnbb

Curso de teologia para leigos, por correspondência ou Internet, especialmente a escola Mater eclésia, no rio de janeiro.

Ler os sinais dos tempos, o que Deus quer me dizer com os acontecimentos, Deus salva na dor. Para poder fazer uma leitura com critérios cristãos, tenho de conhecer o que Deus, Jesus e a Igreja querem de mim, de minha vocação fundamental e específica.

O recado de Deus está nos acontecimentos universais, nacionais, locais, familiares e pessoais. O que Deus quer dizer com isto?

A conversão pede formação, a formação contribui  decisivamente para a conversão integral.

A força da oração e do estudo propiciam conscientização que leva mais para Deus, para o irmão e para as realidade do mundo, fazendo com que a ação do cristão seja uma ação transformadora dele mesmo, de sua comunidade e também da sociedade.

Logo teremos uma pequena livraria, junto ao bazar, no estilo peg pág. É importante verificar!

 

 

 

MENSAGEM CUR JOVENS: O SACRAMENTO DO MATRIMÔNIO

MEUS CAROS JOVENS, BOA TARDE. VAMOS PEGAR O GUIA DO PEREGRINO PAG 19 ORAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

O Pe   Peixoto   nos mostrou a importância dos sacramentos na nossa vida espiritual. São a presença de Jesus, nos diversos momentos, mais importantes de nossa vida.

Transparência sobre sacramentos

Na vossa idade só faltam os sacramentos do serviço, da vocação maior.

 Hoje Deus vos chama à vocação! Como servirei a Deus e a os irmãos? Serei um religioso/a?

A escuta de Deus vos orientará. É o momento da escuta do chamado de Deus.

Vamos refletir sobre o sacramento do amor, da doação total ao outro, para juntos: homem e mulher constituírem uma família – uma Igreja doméstica formando os dois uma só coisa.

Todos sentimos dentro de nós profundo desejo de felicidade, Deus nos fez para a felicidade, não nascemos para viver sozinho, mas sim com uma companhia.

Para realizar este desejo aceitamos o desafio de nos unir a outra pessoa para sonhar a dois esse sonho – essa união –que envolve a vida toda.

Essa união ou começa no namoro ou não começa nunca. Envolve várias dimensões:

Dimensão biológica: expressão física para muitos a única conhecida e endeusada. É importante, pois é a primeira vista.

 O h/m devem gostar do que vêem. Desde o primeiro momento que vi a teka eu gostei. Foi amor à primeira vista. Num 23 de outubro: baile do aviador. Estava linda!

Dimensão afetiva; envolve o amor :Amor Eros e amor ágape:

Amor Eros: Ao contrário do que se pensa, Eros não significa simplesmente sexo.

Num sentido profundo, Eros é a dimensão do prazer que só se encontra na pessoa amada.
Quando o que se busca é apenas o prazer. Não existe Eros.

Nunca devemos buscar o prazer fora do bem: matrimônio

O prazer vem da realização total do matrimônio: formar uma família, uma igreja doméstica!

Eros, só existe de verdade quando o desejo está na pessoa amada e não apenas no prazer que ela pode proporcionar, pois isso, é apenas sexo.
É só no casamento e entre duas pessoas que se amam, que Eros encontra sua verdadeira expressão. Eros nos diz, sejam amantes.

Ágape amor que nos mostra São João evangelista. TRANSPARÉNCIA

Ágape é o amor em sua dimensão mais sublime. É a palavra usada para falar do amor de Deus.

As palavras que definem este amor são:
renúncia, sacrifício, doação.

Pois é isto que Paulo diz que Jesus Cristo fez por sua noiva: a Igreja! Ele renunciou à sua glória, Ele se sacrificou e se deu por ela, morreu por ela. Mas hoje está aqui conosco, sua Igreja!

É desse amor que Paulo fala na carta aos Coríntios: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

 Nessa dimensão, do amor Ágape o outro é amado independente do que ele possa me dar.

Ágape nos diz seja altruísta.
Eros nos fala do prazer mútuo que deve haver no amor
 Ágape nos fala do sacrifício que deve haver no amor.

Outra Dimensão é a religiosa: sintonia de fé – os dois olhar na mesma direção

O Apóstolo Paulo nos faz aprender, quando diz: «Maridos, amai  as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, a fim de a santificar» (Ef 5, 25-26); e acrescenta imediatamente: «'Por isso o homem deixará pai e mãe para se unir a sua mulher e serão dois numa só carne'.

 

De todos os sacramentos, o que apresenta a dimensão visível e natural mais rica é o matrimônio, pois requer O consentimento matrimonial, o sim do casal.

 

Não é o sacerdote que casa, são os próprios noivos que se casam na presença do ministro de Deus.

são os esposos quem, como ministros da graça de Cristo, mutuamente se conferem o sacramento do Matrimônio, ao exprimirem, à face da Igreja, o seu consentimento.

 

Os protagonistas da aliança matrimonial são um homem e uma mulher batizados, livres para contrair Matrimônio e que livremente exprimem o seu consentimento.

 

«Ser livre» quer dizer: não ser constrangido, não ser impedido por uma lei natural ou eclesiástica.

 

Os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão de amor de Cristo e da Igreja (Cf. Ef 5, 32).

 É Ele o selo da aliança de ambos, a fonte sempre aberta do seu amor, a força em que se renovará a sua fidelidade.

 

A Igreja considera a permuta dos consentimentos, o “sim” entre os esposos como  o elemento indispensável «que constitui o Matrimônio»

 

Se falta o consentimento, não há Matrimônio, por isso muitos casamentos hoje são nulos, se casaram “ se não der certo nos separamos, já casam pensando em separar”.

Se o namoro há de ser posto sob a vontade de Deus, muito mais o noivado, e mais ainda o casamento como processo de doação e crescimento.

Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor, vocação fundamental e inata de todo o ser humano, o amor mútuo dos dois torna-se imagem do amor absoluto e indefectível com que Deus ama o homem.

É bom, muito bom, aos olhos do Criador este amor, que Deus abençoa e que é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum do cuidado da Criação

(Cf. Gn 1, 31): «Deus abençoou-os e disse-lhes: 'Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a'

 

O Matrimônio é o amor. Ninguém consegue viver sem a presença e a amizade de outras pessoas.

    Ninguém está sozinho. No casamento, essa amizade é repartida entre o marido e a mulher: é repartida entre o casal e os filhos, e com a comunidade onde vivem.

Transparências do matrimônio!

Testemunho: amor incondicional de minha esposa

Pelos erros que já cometi no meu casamento, não mereceria estar feliz como estou hoje.

Foi o amor incondicional de minha esposa é que manteve o nosso amor como um matrimônio onde a presença de Deus é visível e permanente. Porque ela soube e sabe me perdoa de minhas misérias, Hoje eu posso dizer com toda a certeza.

 

O matrimônio vale a pena podemos nos realizar plenamente no plano de Deus através deste sacramento.

 

TEKA

Nos dias de Hoje, o Maligno vem se apoderando deste Sacramento como se fosse algo qualquer, ele usa do casal como forma de destruir, eliminar, desconcertar o convívio familiar. A cada um no seu ponto fraco; ou seja: vaidade, narcisismo, orgulho, egoísmo.

A missão do casal é direcionar a família ao caminho da Santidade e do Amor Fraterno. O casal deve ser luz para seus filhos.

Podemos chegar então à conclusão que o Sacramento do Matrimônio é uma vocação: essa vocação vem de Deus que nos ama e nos dá forças para superar as fazes difíceis de sua vida.

Só o amor verdadeiro é capaz de perdoar, nos erguer, ver as pessoas, os fatos, com os olhos de Deus. Vá além das aparências.

A Família é o grande investimento que Deus criou, é através dela que se educa cidadãos retos, procurando a imitação de Cristo Jesus.

O bom relacionamento sexual na vida do casal é de fundamental importância para a sua harmonia.

O ato sexual, para o casal, é a mais intensa manifestação do seu amor; é a celebração do amor no nível afetivo e sensitivo.

Portanto, só pode haver sexo com profundo amor, e dentro do matrimônio.

Ele só pode ser vivido no casamento, porque só no casamento existe um compromisso de vida para toda a vida, e a responsabilidade de assumir as suas conseqüências, especialmente os filhos.

O que faz do sexo algo perigoso e desordenado, é exatamente o seu uso fora de uma realidade de manifestação de amor.

Se tirarmos o amor, o sexo se transforma em mera prostituição: sexo sem amor, sem compromisso.

Aquele que usa da prostituta não tem responsabilidade sobre ela; não importa se amanhã ela estará doente, desempregada, passando fome, ou morrendo de AIDS.

Foi apenas um instrumento de prazer, que foi alugado por alguns instantes.

“O próprio Criador... estabeleceu que nesta função sexual os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito.

 Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou.

Manter a castidade antes e fora do casamento

Infelizmente nos dias de hoje, muitos jovens estão queimando a etapa fundamental que é o namoro, época de saber o que o outro gosta, pensa, faz, etc., juntos encontrarem resposta para viverem um relacionamento com respeito, diálogo e compreensão.

No namoro ou “ficar” os jovens querem conhecer o outro, não no seu jeito de ser, mas sim no seu corpo, e se entregam a uma paixão incontrolável, desordenada,

Quando se antecipa a coisa num relacionamento, o resto perde o sentido.

Caros jovens, um conselho:

Ainda que os amigos não  entendam, ainda que o namorado te abandone, vale a pena guardar o seu corpo, que é templo do Espírito Santo, para viver o sexo somente no casamento, segundo o plano de Deus.   

Ninguém é mais feliz do que aquele que faz a vontade de Deus e obedece suas Leis.. o controle sexual pode ser dominado com o auxílio da graça de Deus.

Por isso, aproxime-se de Deus e da sua graça. Receba regularmente os sacramentos, reze o Rosário da Mãe da pureza, encontre-se freqüentemente com Jesus na Eucaristia, pois Ele é o Remédio e o Sustento da nossa alma.

E você vencerá. Sua família será bela e seus filhos serão felizes ao seu lado

SALUAR

Como a teka já falou: Fora do casamento o sexo só traz problemas e misérias: doenças venéreas, abortos, crimes sexuais, filhos abandonados, órfãos de pais vivos, mães e pais solteiros, milhões de jovens adolescentes grávidas e sem a mínima condição de criarem os seus filhos...

O que serão dessas crianças mais tarde? Drogados? Assassinos? Ladrões?... Tudo pode acontecer com uma criança que é criada sem receber a educação dos pais.

Podemos dizer, sem medo de errar, que a miséria de nossa sociedade tem o seu fundamento na sua miséria moral. Porque ela abandona a lei de Deus, pagando por isso um preço incomensurável. Medite nessas palavras, e viva-as!

A união matrimonial do homem e da mulher é indissolúvel. Na sua pregação, Jesus ensinou sem equívocos o sentido original da união do homem e da mulher, tal como o Criador a quis no princípio: a permissão dada por Moisés, de um marido repudiar a sua mulher, era uma concessão feita à dureza do coração (Cf. Mt 19, 8); e foi o próprio Deus que a instituiu: «Não separe, pois, o homem o que Deus uniu» (Mt 19, 6).

Meus caros jovens, não se esqueçam de conversar com Deus sobre o vosso futuro, com quem vocês serão felizes e farão felizes. Só Deus sabe quem os fará feliz e realizado no plano Dele. Sejam felizes.

O CASAMENTO É COMO UMA DELICADA PORCELANA CHINESA; pode lascar e quebrar facilmente.

Mas com cuidado, carinho e devoção, pode durar a vida toda. Como o nosso, quase 33 anos de convivência: dois filhos, uma neta e muitos amigos.

Queremos também ter cada um de vocês como nossos amigos. Queremos representar vossos pais agora e vos pedir perdão de todos os erros que eles possam ter cometido. Perdão!

Aceitem o nosso perdão por eles! Nos os amamos!

Música : oração da família!

 

 

Bem, logo após o almoço voltaremos para o grupo, para o nosso trabalho, na seqüência do método VJA.

         O que iremos fazer agora nos grupos com referência à fase do agir?

                   Em primeiro lugar, certamente cada um de vocês já terá tomado aquelas resoluções que, em consciência acham que devam tomar. Resoluções pessoais, familiares e com referência ao seu ambiente, que não necessitam ser publicadas nem programadas em público.

                   Mas além destas resoluções pessoais, a igreja precisa de vocês no pós cursilho. Oferece a vocês a possibilidade de uma ação organizada, com ajuda da comunidade.

                   Agora vocês irão para os grupos para os grupos por ambiente:

 

                   Procuraram fazer um planejamento do agir no vosso pós cursilho: talvez o grupo resolva continuar se reunindo lá fora, talvez alguma resolução quanto à escola de fé e vida às terças feiras.

                   Vocês é que decidirão agora nos grupos, que ação ou resolução seriam viáveis hoje, visando o pós cursilho.

                  

      

MENSAGEM: FIDELIDADE E ESPERANÇA (SALUAR)

 

       Vocês  gostaram da maravilhosa mensagem do plano de Deus?

-        Gostaram do cursilho? – É claro !!

Da vontade de exclamar:

-        O CURSILHO É DA HORA! É dez! O cursilho é lindo de morrer!!

 Mas aí é que está o perigo. Se ficar só nisto pode morrer mesmo!!

 A gente pode se entusiasmar com Cristo, começar bem, mas desanimar logo nas primeiras dificuldades. E o segredo do êxito e do fracasso está resumido só nisto:

- Fidelidade ou in-fidelidade!!!

  A chave do êxito é a  fidelidade

-        A chave do fracasso é a  infidelidade, É desanimar!!

 

O Título dessa mensagem:

                    FIDELIDADE  E  ESPERANÇA

 

A mensagem do Cursilho nos mostrou que podemos ser felizes e fazer os outros felizes.

Há então uma grande esperança de felicidade, e a certeza que Deus quer nos ajudar!

 Isto vai animar a nossa fidelidade.

Fidelidade, meus caros jovens, é uma virtude, síntese e conclusão de todas as virtudes que dependem do esforço humano:

-        Obediência, paciência, fortaleza, audácia, coragem...

 

Fidelidade é uma virtude forte, própria de homens/jovens de fibra, valentes!! Estes homens recebem um grande apoio do alto: virtudes especiais que dependem só de Deus:

Fé, Esperança e Caridade.

Pois a fidelidade dá o brilho a essas virtudes chamadas teológicas. Vejamos:

                      A FIDELIDADE E A FÉ

A fidelidade é a prova da nossa fé. Somos fieis a uma pessoa ou a uma causa na medida que acreditamos nessa pessoa ou nessa causa.

Somos fieis a Jesus quando aderimos à sua causa -  à sua mensagem

Deus, Jesus  é a verdade, não nos engana.

Nós é que, às vezes, colocamos mais fé em nós do que nele. Então “dá Zebra”     dá boot!,     nos deletamos.

 

                            A FIDELIDADE E A ESPERANÇA        

 

Esperança quer dizer confiança, certeza. Com as pessoas humanas nunca podemos ter certeza absoluta!

Só em Deus há absoluta certeza! Ele é fiel, não falha!!

Se um dia a gente começa a desanimar no seguimento de Jesus Cristo, falha no compromisso com o plano de Deus...

A solução é agarrar-se na esperança como a de Deus!!

E a esperança alimenta a fidelidade.

 

                           A FIDELIDADE E O AMOR/caridade

 

A fidelidade é a prova última e suprema do amor!!  A fidelidade no casamento é um exemplo

 

                   ( TESTEMUNHO)

Muitas vezes confundimos Amar com Gostar. Gostar se gosta de uma laranja, de um franguinho, de uma Brahma!! De uma suquita

Amar se ama uma pessoa, uma causa!! Amar é do paladar divino, gostar é do paladar humano.

Vejam por exemplo, a amizade verdadeira. A amizade que oferecemos a vocês neste cursilho. Não é gostinho que acaba amanhã, no primeiro “desgosto” que se dá.

Ser amigo é como Jesus mostrou ser:

-        Sempre pronto a nos receber, quando queremos voltar para ele.

Quem ama vai até o fim. Quem ama, ama pelo amor de Deus que há dentro de si. Porque Deus é AMOR

 

Na Bíblia temos magníficos exemplos de fidelidade. Todo o antigo Testamento é um hino à fidelidade de Deus. Ele não cansa de repetir:

-- Eu serei fiel até a última geração!!

De um lado a fidelidade de Deus, do outro a infidelidade dos homens!

No novo Testamento temos os dois maiores exemplos de fidelidade em toda a história da Salvação e do plano de Deus:

-        Jesus e Maria , sua mãe!

Maria, como vimos na mensagem                               fiel desde a anunciação até o calvário e Pentecostes.

Presente no nascimento da Igreja, na redenção da Igreja e no dia que a Igreja recebeu o E. Santo!

Jesus é fiel até a morte no compromisso de anunciar o plano de Deus! O plano do Pai!

E nós ficamos com tanta Frescura para assumir o mesmo plano de Deus!

 

Não podemos nos esquecer também da fidelidade dos Santos. Eles só se tornaram Santos pela Fidelidade, não pelos milagres. Para a I os milagres são secundários. Eles foram heróicos na Fidelidade!!

 Abraão, Francisco de Assis, Afonso de Ligório, Lourenço...Paulo de Tarso...   São Paulo, nosso patrono!!

Em 1963 o Papa João Paulo VI declarou São Paulo patrono do movimento de Cursilho!

 

Dimensões     da       ACEITAÇÃO OU ACOLHIMENTO

É o sim de Maria!

Aceitar a vontade de Deus supõe um grande ato de fé! Aceitar a vontade de Deus, muitas vezes contraria aos meus projetos, meus gostos pessoais.

 Acolher, meus caros jovensl! Acolher, no coração a Palavra de Deus!  Torna-la oração, Vida!!

Aceitar ser fiel a alguém maior que nós, maior que nossa compreensão.

Também não é fácil aceitar a caminhada da igreja-Hoje, quando ele grita por Justiça!

Ela grita por Justiça e questiona o nosso comodismo, que arranja desculpa..

Desculpa pra não descer do muro e arregaçar as mangas!!

Não é fácil a gente trocar o comodismo de uma religião de práticas religiosas, por um cristianismo de fé e vida.

 

E agora eu pergunto: após este cursilho, após tudo o que foi proclamado, será possível a gente dormir “sossegado” sem uma tomada de posição?

Montar uma verdadeira e cristã escala de valores!

 

Dimensões     do        SER COERENTE

 

Ser coerente! Viver de acordo com a fé !

Fé,                           nos falou:  é vida e não somente práticas religiosas.

Fé implica num estilo de vida, marcado pelos critérios do evangelho!

A coisa que mais escangalha com a nossa religião é a falta de coerência. Os contra-testemunhos,

Os testemunhos negativos. Imaginem por exemplo, um MENSAGEIRO do cursilho falar uma coisa e , lá fora viver outra.

-        Nossa mensagem , nossa vida!

 

 Temos também a perseverança

  A própria realização da fidelidade.

Perseverar é o heroísmo da fidelidade. Perseverar, ir até o fim!

Nos 2 dias do cursilho a gente entra em órbitra! Veste um traje espacial e vai às nuvens.Logo teremos de voltar a terra, por os pés no chão!

 Amanhã é o 3/4 dia de cursilho. O terceiro/quarto dia começa amanhã e deve se prolongar até a eternidade. Deve ir além do “lindo de morre”.

                    Dimensões  COMUNITÁRIA DA FIDELIDADE

 

O apoio da comunidade é indispensável à fidelidade.

Ela se alimenta da oração, da reflexão, da Eucaristia, da ação da comunidade.

A principal características do Pós-C é uma convivência  cristã comunitária.

Assim o tripé de nossa vida cristã

ORAÇÃO, FORMAÇÃO E AÇÃO encontrará apoio.

A nossa conversão encontrará apoio.

Conversão, aprendemos, é um processo contínuo. Um processo dinâmico, para a vida toda!

Estamos nos convertendo cada dia!

Conversão integral para o plano de Deus, volta contínua para Deus e para o irmão.

Conversão do cristão hoje, acompanhando a Igreja em sua luta por uma sociedade Justa e Fraterna.

-        Vai dar certo?

Pergunta que vocês devem estar se fazendo agora.

-Sim, vai dar certo!!

Temos de recomeçar cada dia, com a força da fé, da esperança e da caridade!

 Vivendo o milagre da normalidade, pois vida cristã não é vida normal!

 Agora atenção!

Vamos focalizar o grande inimigo da Fidelidade. É o cupim! O veneno da fidelidade. Ele surge no nosso desejo egoísta de obter logo um resultado imediato

                           IMEDIATISMO

Ë a mania que temos de querer um resultado rapidinho em nossos empreendimentos.

Somos, em tudo, inveterados investidores em um “overnight”.

 Mas o plano de Deus, o próprio cursilho, conta com resultados em longo prazo!

Tão longo que pode durar uma vida toda. Não se esqueçam de um sábio conselho do Cursilho:

-        Deus não quer a nossa vitória, mas a nossa luta!!

 

-        Deus não conta agora com a nossa chegada, mas com a nossa caminhada. Quando o cristão luta, já é vitorioso! Quando um cristão caminha, já está chegando lá. Cristo ressuscitado é a nossa vitória é nossa chegada.

 

(  SÍNTESE DOS TRÊS DIAS)

 O cristão fiel é um homem que dá sentido à sua vida!

Traz no coração um grande amor, um grande ideal que orienta o inquieto desenrolar de sua vida.

 

O cristão fiel é um homem que não vive só em graça, mas da Graça de Deus! E com ela vive a filiação divina, a comunhão dos Santos e a bendita fraternidade cristã!

O cristão fiel sabe que o plano de Deus só necessita de uma coisa:

UMA RESPOSTA SUA!!

O cristão fiel vive a Vida Nova de Graça na prática de Jesus. Crê num Deus ressuscitado que salvou o mundo, que não perde batalhas.

 

O cristão fiel é um homem de Igreja e para a igreja. Sabe que não basta a sua presença na Igreja... Mas é necessário sua presença de Igreja no mundo.

 

O cristão fiel é um homem de . Vê a marca de Deus em cada coisa, em cada pessoa.  E por isso trama, pois sente que está sempre tocando o infinito!

 

O cristão fiel é um homem de espiritualidade. Busca a força de Deus no evangelho, na oração, na Eucaristia.

 

O cristão fiel é santo de cada dia. Com seu modo de viver, hoje, ensina uma espiritualidade para os homens ao seu redor!

 

O cristão fiel é um homem que procura a formação cristã. Sabe dialogar com Deus. Sabe ouvir, sabe falar, sabe responder!

 

O cristão pede a palavra não pra criticar, mas para dizer:

-        Jesus Cristo eu estou aqui!

O cristão fiel é sacramento!!

É sinal, é marca de Deus entre os homens!

 

O cristão fiel é comprometido com a ação.

Age de acordo com o seu mais profundo sentir. Faz com que lhe vem de dentro.

Dá para a construção do mundo o seu tempo, seu dinheiro, seus talentos, enfim, tudo o que possui.

 

O cristão fiel descobre os problemas, parte para um julgamento evangélico, com vistas a uma solução cristã. Ë o ver o julgar e o agir.

Vê com a esperança.

 Julga com fé  e

Age com amor!

Faz tudo com alegria.

-ALEGRIA, GENTE!

-PORQUE O MUNDO ESTÁ TRISTE!!

O mundo está perdendo o seu bom humor. E nós temos o segredo para os homens voltarem a sentir alegria!

É preciso por uma canção de esperança. Nós, homens de cristo, temos a resposta. Nos trazemos em nossas almas o segredo do único sorriso. O nosso segredo é a ESPERANÇA. Uma esperança otimista e alegre.

 

Amanhã é o quarto dia, a alegria continua!!

 

Encontramos a nossa esperança em Cristo! Esta é a nossa alegria! Na missa de logo mais o sacerdote dirá:

-Corações ao alto

E nós responderemos:

-        O nosso coração está em Deus!!

-        Esta é a nossa alegria!!

-        DE COLORES!!

 

                                          FIM

  

 

JESUS CRISTO – MENSAGEM CURSILHO (SALUAR)

 

UM AMIGO ASSIM

        VOCÊS JÁ PENSARAM SE PUDESSEM CONTAR COM ALQUÉM ASSIM:

ALQUÉM QUE QUISESSE BEM A VOCÊ COM AMOR DE TODOS OS PAIS JUNTOS, DE TODAS AS MÃES, DE TODOS OS AMIGOS.... UM AMIGO QUE TIVESSE PROVIDENCIADO TUDO PARA VOCÊ SER FELIZ. ALQUÉM QUE POSSUISSE TODOS OS BENS E OS PUSESSE À SUA DISPOSIÇÃO PARA VOCÊ SER FELIZ, PARA SUSTENTAR VOCÊ.

          E IMAGINE QUE, ESTANDO VOCÊ CONDENADO À MORTE OU À PRISÃO PERPÉTUA, ESSE ALQUÉM SE OFERESESSE PARA MORRER POR VOCÊ OU FICAR NA PRISÃO EM SEU LUGAR.

         E MAIS: ESSE ALQUÉM, COM SUA VIDA, CONSERVASE A VIDA DE VOCÊ, GARANTINDO-LHE UMA FELICIDADE QUE NUNCA MAIS HAVERIA DE ACABAR...

        COMO VOCÊ DEVERIA QUERER BEM A ESSE ALQUÊM TÃO EXTRAORDINÁRIAMENTE BONDOSO, NÃO!

         VOCÊS PODERIAM ESTAR PENSANDO QUE MINHAS PALAVRAS SERIAM UMA FANTASIA DESCABIDA, UMA COISA QUE NÃO ACONTECERIA..

        CERTAMENTE VOCÊ JÁ TERÁ ADIVINHADO DE QUE AMIGO EU ESTOU FALANDO, QUEM SERIA ESTA PESSOA, ESSE ALQUÉM.

         SIM É ELE MESMO: JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS VIVO, UM DEUS QUE SE FEZ HOMEM COMO NÓS E CONTINUA FAZENDO-SE NOSSO IRMÃO:    O FILHO DE DEUS E DA VIRGEM MARIA.

JESUS É O MAIOR PROJETO DE AMOR QUE JAMAIS  EXISTIU. TÃO GRANDE É O PROJETO QUE ELE FICA SEMPRE UM MISTÉRIO.....UM MISTÉRIO DE AMOR!

UM DEUS SE FAZ HOMEM PARA QUE O HOMEM SE FAÇA DEUS! JÁ QUE O HOMEM PARTICIPANDO DA VIDA DE DEUS PAI, TEM VIDA DIVINA PARTICIPADA.

ASSIM COMO UM FILHO É FILHO PORQUE RECEBEU DOS PAIS A NATUREZA, A VIDA QUE ELE TEM.      

JESUS, O FILHO DE DEUS, TORNA-SE UM DOS NOSSOS, ENCARNA-SE, TORNA-SE NOSSO IRMÃO E POR NÓS MORRE E RESSUSCITA PARA MOSTRAR COMO DEUS NOS AMA COMO FILHOS:

 JESUS VEIO PARA REFAZER A NOSSA COMUNHÃO COM O PAI.

JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS ENCARNADO, É O MAIOR DOM, É O MAIOR PRESENTE QUE DEUS PAI NOS FEZ!

DEUS NOS DEU SEU FILHO UNIGÊNITO: A SEGUNDA PESSOA DA SANTISSÍMA TRINDADE, E ENCARNOU-SE NO SEIO DE MARIA, TORNOU-SE UM DE NÓS EM TUDO, MENOS NO PECADO.

VIVEU NOSSA VIDA, ENCARNOU-SE EM TODA NOSSA REALIDADE TEMPORAL COTIDIANA.

JESUS DE NAZARÉ – QUEM É ESTE HOMEM? TODOS PERGUNTAVAM: DISCÍPULOS, ADVERSÁRIOS, POVO, AUTORIDADES.

QUE TIPO DE HOMEM ERA ESSE JESUS?

QUE OS ADVERSÁRIOS TEMIAM, O POVO EXALTAVA COM ENTUSIASMO.

OS DISCÍPULOS AMAVAM, MESMO SEM AINDA SABER DAS COISAS EXTRAORDINÁRIAS QUE FAZIA E DIZIA!

QUE FENÔMENO FOI JESUS? QUE SEM OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE HOJE – A NÃO SER A BOCA DO POVO, TORNOU-SE CONHECIDO EM TODA A GALILEIA, JUDEIA E OUTRAS REGIÕES DA ÉPOCA.

 FICOU CONHECIDO EM MESES! O QUE HAVIA NESTE HOMEM PARA QUE MILHÕES DE PESSOAS CONTINUASSEM E CONTINUEM ACREDITAR NELE, VIVENDO COMO ELE E DISPOSTAS A DAR A VIDA POR ELE!

 VALE A PENA, POIS, CONHECER MELHOR PARA MELHOR SERVIR E AMAR ESSE DEUS AMOR, CUJA OBSESSÃO POR NÓS É FAZER-NOS FELIZES COMO O PRÓPRIO DEUS É: A FELICIDADE DO PAI COMUNICADA AO FILHO.

 QUE JESUS CRISTO É DEUS QUEM NOS DÁ A CERTEZA?

É A FÉ REVELADA NA BÍBLIA E CONFIRMADA PELO ESPÍRITO SANTO ATRAVÉS DA IGREJA,

 MAS ALÉM DO DOM DA FÉ, QUE É A GRANDE E INSUBSTITUÍVEL CERTEZA PARA NÓS CRISTÃOS- HÁ OUTRAS RAZÕES, FATOS PASSAGENS NA VIDA DO PRÓPRIO JESUS QUE NOS DIZEM QUE ELE NÃO ERA SÓ HOMEM, MAS DEUS TAMBÉM; VEJAMOS

DOS GRANDES HOMENS DA HUMANIDADE, DA HISTÓRIA, QUAL DELES TEVE SEU NASCIMENTO PREVISTO MUITOS ANOS ANTES DE NASCER?

DO NASCIMENTO DE CRISTO, SUA PASSAGEM PELA HISTÓRIA, DELE AFINAL JÁ SE FALAVA QUASE MIL ANOS ANTES

 VÁRIAS PASSAGENS DA BÍBLIA FALARAM ISTO NO AT:

        EM (Is 7,14). “Por isso, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a jovem mulher está grávida e vai dar à luz um filho, e lhe dará o nome Emanuel”

        (Is 9,1). “O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz. Sobre os que habitavam a terra da sombra, brilhou uma luz”

         EM  (Jr 23,5). “Eis que virão os dias—oráculo do senhor—em que suscitarei a Davi um rebento justo; Um rei reinará e agirá com inteligência e administrará no país o direito e a justiça

         Assim, a esperança messiânica se fundava na convicção de que Deus de Israel cumpriria sua promessa e um dia estabeleceria seu reino sobre a terra e todos participariam da felicidade, adquirida para sempre. Todos tinham a mesma esperança: dos sacerdotes, escribas e sábios aos mais simples e humildes.

 

FONTES HISTÓRICAS DA VIDA DE JESUS

         Afinal que foi Jesus Cristo? Quase todas as informações que temos são extraídas dos evangelhos de Mateus, Marcos, João e Lucas.

Neles, Jesus é apresentado não só como figura histórica, mas também como divindade, como o Messias esperado pelo povo judeu.

 

OS EVANGELHOS SINÓTICOS

Evangelho”vem do grego “euangelion”e significa “a recompensa pela boa notícia trazida”, ou a própria “boa notícia”.

 

No NT indica a “boa-nova da salvação trazida por Jesus Cristo, que significa “anunciar a boa-nova da salvação

 A partir do século II “evangelho” passa a designar também cada um dos quatro livros escritos que contêm esta mensagem: segundo Mateus, segundo Marcos, segundo Lucas e segundo João.

 

Neles foram recolhidos os fatos e ditos de Jesus, conservados durante certa de quarenta anos de tradição oral, transmitida e elaborada pela pregação, liturgia e catequese.

Embora fiéis aos dados vivos da tradição, para atender às necessidades espirituais das comunidades, os evangelistas selecionavam os materiais que melhor se adaptassem ao fim peculiar teológico-catequético, bem determinado, dos respectivos escritos.

 

Apesar das perspectivas próprias de cada evangelista, nota-se nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas muita semelhança quanto ao plano geral: a) Pregação de João Batista e batismo de Jesus; b) Ministério de Jesus na Galiléia; c) Viagem para Jerusalém; d) Paixão, morte e ressurreição de Jesus.

Por isso os três primeiros evangelhos são chamados sinóticos (do grego syn-opsis = olhar de conjunto

Mateus e Lucas dependem de Marcos

MATEUS

Segundo a tradição (Orígenes) Mt foi escrito para fiéis oriundos do judaísmo, com o que em parte concorda a crítica:

MATEUS tenta preservar o patrimônio espiritual de Israel, mas aceita a existência de uma Igreja gentio-cristã, ciente de que a mensagem de Cristo destina-se a todos os povos (28,19).

Com recurso contínuo às Escrituras(AT) mostra que Jesus é o Messias prometido a Israel, o Filho do Deus vivo (16,16), que salvará o seu povo dos pecados (1,21).

 Mas já no prólogo (1–2) deixa claro que este Jesus foi rejeitado pelos judeus para que a boa-nova fosse comunicada aos pagãos. Por isso a salvação agora só se alcança dentro da Igreja de Cristo

Jesus inaugura o “reino dos céus”esperado pelos judeus,

encarrega os apóstolos de anunciar a mensagem da salvação, convocando todas as nações a se tornarem discípulos do Reino.

 

MARCOS (DISCÍPULO DE PEDRO E PAULO)

MAIS OBJETIVO, DIRETO, EXPLICATIVO

Jesus que se mostra preocupado em esclarecer a natureza de sua pessoa e pergunta: “Quem o povo diz que eu sou?”

E ele mesmo dá a resposta, apresentando-se como o Filho do homem que deve morrer e ressuscitar . Mas não é compreendido pelos discípulos.

 A sombra da cruz projeta-se cada vez mais e Jesus faz exigências mais severas aos que o seguem

Por fim, diante do tribunal que o condena, Jesus se afirma “Messias e Filho de Deus bendito”(14,61s);

 e, ao morrer, é confessado pelo centurião romano como “Filho de Deus”(15,39).

Mc recorre ao “segredo messiânico”, revelado somente aos poucos, para mostrar como a dignidade de Jesus Messias e Filho de Deus já estava escondida na sua vida terrena, mas foi reconhecida e proclamada somente após a morte e ressurreição

Marcos É APRESENTADO como “intérprete”de Pedro, o que não se deve entender como tradutor, mas como expositor da pregação do apóstolo..

 

LUCAS

Autor do terceiro evangelho e dos Atos dos Apóstolos. Embora não tivesse conhecido pessoalmente a Jesus, Lucas foi companheiro de Paulo durante suas viagens missionárias

Paulo o lembra com simpatia :como “médico caríssimo”e colaborador.

Mas o evangelho se destina a um público mais vasto, formado sobretudo de comunidades gentio-cristãs.

 

A finalidade é precisada no prólogo: “para melhor conheceres a firmeza da doutrina em que foste instruído”(1,4).

 Lc quer expor “de maneira ordenada”tudo o que pôde pesquisar junto das testemunhas oculares: MARIA E OS APÓSTOLOS

. escreve, antes de tudo, uma história sagrada. Como servidor da palavra, interessa-se pelos fatos da vida de Jesus enquanto possam ter um significado para a fé em Cristo ressuscitado e para a vida das comunidades.

Segundo Lc, Jesus dedica-se exclusivamente a Israel, pois a pregação do Evangelho a todos os povos (cf. At 10–28), ordenada pelo Ressuscitado (Lc 24,47s), caberia à Igreja pós-pascal.

 QUE SOMOS NÓS HOJE!

 

A obra missionária se cumpriria com a força do Espírito Santo (24,49; cf. 12,12). Ele já age na vida terrena de Jesus (1,35; 3,22; 4,1.14.18; 10,21), mas há de animar todos os momentos da vida da Igreja, como se vê nos Atos.

 

JOÃO

Jo é identificado com “o discípulo que Jesus amava”, figura mantida em misterioso anonimato ao longo do evangelho.

 Aparece na última ceia (13,23), ao pé da cruz (19,26), junto ao túmulo de Jesus (20,2-8), no apêndice (21) e, provavelmente, se identifica com “o outro discípulo

 Parece pouco interessado no aspecto histórico da vida de Jesus, pondo em realce o seu significado para a existência cristã.Ao que tudo indica “o discípulo que Jesus amava”é um personagem real e pertence aos Doze. Entre estes, o mais forte candidato a se identificar com o discípulo amado é o apóstolo João. O próprio nome João  (Johanan = “Javé amou”, ou “agraciou” ) parece sugerir tal identificação.

O núcleo original se deve a uma testemunha ocular, o discípulo amado.

O próprio evangelista indica a finalidade de sua obra:para que creiais que Jesus é o Cristo, Filho de Deus e, crendo, tenhais a vida em seu nome”(20,31). O evangelista que “viu e creu”(19,34s; 20,8) quer confirmar a fé dos que “não viram e creram”(20,29).

 

Porém, os evangelhos não são a única fonte da vida de Jesus, que também é mencionado por alguns historiadores romanos.

FONTES HISTÓRICAS DA VIDA DE JESUS

 

        O primeiro historiador a falar de Jesus foi Flávio Josefo—nascido na Palestina, pouco depois da morte de Cristo--, e que obteve informações de primeira mão de testemunhas oculares.Flavio Josefo viveu entre os anos 37 e 97 de nossa era. No ano de 93, ele escreveu um livro de informações históricas sobre o judaísmo com o título “Antiguidades judaicas”. Ë nas paginas desse livro que encontram-se notícias paralelas aos evangelhos.

O historiador define Jesus como um homem sábio, líder das massas, operador de prodígios, que foi condenado ao suplício da cruz de Pôncio Pilatos.

 

        Vinte anos depois, um outro historiador fala de Cristo: Públio Cornélio Tácito, que escreveu os “Anais de Roma”, mais ou menos pelo ano 116 d.C. As notícias encontradas em sua obra são em grande parte dos arquivos imperiais e, talvez, tenha obtido ali as informações sobre Jesus e os cristãos.

 

        Plínio, o jovem, então governador da Bitínia, situada nas costas norte-ocidentais da Ásia Menor, também fala de Jesus.

        A carência de notícias sobre Jesus Cristo fora dos evangelhos explica-se pelo fato de o cristianismo ser considerado uma das supertições que chegaram a Roma vindas do Oriente. E, para os historiadores romanos, isso era uma coisa vergonhosa, um sinal de decadência do Império Romano.

Além disso,JESUS o fundador do Cristianismo era considerado por Roma como um malfeitor comum, condenado à morte por Pilatos com base nas leis romanas. Por tudo isso, mais que uma menção histórica, tal superstição merecia silêncio e esquecimento.

 

        A NOSSA CURIOSIDADE , A NOSSA IMAGINAÇÃO GOSTARIA QUE OS EVANGELISTAS FALASSEM MAIS DE JESUS, DE MARIA, DE JOSÉ, DA INFÂNCIA, DA MOCIDADE DE JESUS, NÃO É ?

MAS DEVEMOS NÃO ESQUECER QUE OS EVANGELISTAS, OS HISTORIADORES DE JESUS DE NAZARÉ, USANDO A FORMA LITERÁRIA “EVANGELHO” DEVERIAM ATER-SE A ESTA FORMA LITERÁRIA, QUE NÃO É FAZER UMA BIOGRAFIA COMPLETA, MAS DAR UMA IDEIA DE SUA MISSÃO: ANUNCIAR A BOA NOVA, O REINO DE DEUS.

        O QUE JESUS VEIO FAZER? 

NÃO DÁ PARA RESPONDER COM UMA PALAVRA OU COM UMA FRASE.

TENHAMOS SEMPRE DIANTE DOS OLHOS QUE JESUS É O VERBO, A SEGUNDA PESSOA DA SS. TRINDADE, O FILHO DE DEUS QUE SE ENCARNOU.

 

        ASSIM JESUS NÃO APRESENTA PROPRIAMENTE “UMA DOUTRINA” COMO VERDADE.

ELE, DEUS É A VERDADE.

PORTANTO, JESUS CRISTO NÃO PROPÕE UMA DOUTRINA ( COMO MAOMÉ, CONFÚCIO, BUDA, QUE SÃO SIMPLES CRIATURAS HUMANAS).

JESUS COMO DEUS “SE PROPÕE”, PROPÕE SUA VIDA PARA SER VIVIDA POR NÓS: É O SEGUIMENTO DE JESUS.

A “SEQUELA CHRISTI“. NÃO UMA SIMPLES “IMITAÇÃO DE JESUS”, POIS, IMITAÇÃO DÁ IDEIA DE REPRESENTAÇÃO, COISA DE PALCO.

SEGUIMENTO, ENTRETANTO, IMPLICA COMPROMISSO, UMA REALIDADE QUE DEVE VIR DE DENTRO, COMO VIDA.

        JESUS O FILHO DE DEUS ENCARNADO, VEIO REFAZER A COMUNHÃO DO HOMEM COM DEUS.

COMUNHÃO QUE A HUMANIDADE, EM ADÃO E EVA TINHA ROMPIDO. JESUS VEIO TRAZER-NOS A VIDA NOVA DA GRAÇA, JESUS VEIO REFAZER A FILIAÇÃO DIVINA, A COMUNHÃO COM O PAI E O ESPÍRITO SANTO.

 

        ELE VEIO RECONSTRUIR O PLANO DE DEUS QUE O HOMEM TINHA ROMPIDO.

        JESUS VEIO NOS REVELAR O PAI E O ESPÍRITO SANTO.

        VEIO DAR-NOS UMA IDEIA COMPLETA DE QUEM É DEUS. O QUE DEUS PENSA DO HOMEM, COMO ELE O AMA

 

        O DEUS DE JESUS DE NAZARÉ, COMO JESUS NOS REVELA, É UM DEUS DIFERENTE DO QUE A MESQUINHEZ DO JUDAÍSMO TRADICIONAL DESCREVIA.

COM SUA MORTE NA CRUZ DÁ-NOS A IDEIA DA ENORMIDADE DO MAL DO PECADO E DA GRANDEZA DO AMOR DE DEUS POR NÓS.

 

        PELA SUA RESSURREIÇÃO JESUS NOS DEIXA CLARO QUE ELE NÃO TINHA COMO MOTIVAÇÃO DE SUA MENSAGEM, VALORES TERRENOS, MAS VALORES ETERNOS.

        ELE NOS DEIXA BEM CLARO QUE NOSSA VIDA TODA DEVE ESTAR EM FUNÇÃO DA ETERNIDADE.

 

        EMBORA NOS DEIXE BEM CLARO DE QUE O 2º TEMPO, DA ETERNIDADE, O “LÁ”, DEPENDA DECISIVAMENTE DO 1º TEMPO, “DO AQUI”, DA NOSSA VIDA, DO NOSSO COMPROMISSO COM ELE.

 

        NOS  DEIXA CLARO TAMBÉM QUE A DIMENSÃO SOCIAL, FRATERNA, DA FÉ É UMA REALIDADE DECISIVA: SÓ AMAMOS A DEUS, A JESUS CRISTO NA MEDIDA QUE O RESPEITAMOS E O AMAMOS NO IRMÃO....ESTA É A PRIMEIRA JUSTIÇA!

 

        NESSA DIMENSÃO DA FÉ DEIXA CLARA SUA MENSAGEM DE QUE SEM ELE NÃO PODEMOS NADA:

NECESSIDADE DA ORAÇÃO, DA FÉ, DA IGREJA, DA VIDA SACRAMENTAL.

JESUS NOS DEIXA, NO EVANGELHO E NA SUA IGREJA, TODOS OS MEIOS PARA PERTENCERMOS AO SEU REINO. COM SUA RESSURREIÇÃO GARANTIU-NOS QUE PODEMOS CONTAR COM ELE SEMPRE.

 

QUAL O PROGRAMA DE VIDA E DE AÇÃO PELOS SEUS SEGUIDORES:

VIVER AS BEM AVENTURANÇAS

 

Bem-aventurados os pobres, porque deles é o reino dos céus !

 

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados !

 

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra !

 

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados !

 

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia !

 

Bem-aventurados os corações puros, porque verão a Deus

 

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus !

 

Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem; quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.

 

(Mat, cap. 5, 3-12)

 

FAZER OPÇÃO  DE TRANSFORMAR A REALIDADE QUE SE VIVE: A SOCIEDADE, TUDO O QUE NÃO ESTEJA DENTRO DO PLANO DE DEUS.

OPÇÃO PELOS POBRES. PELOS EXCLUIDOS.

 

JESUS CONTINUA VIVO:

- NA SUA PALAVRA, NA BÍBLIA, QUE DEVEMOS LÊR DIARIAMENTE.

 

- NA COMUNIDADE IGREJA, QUE LOGO VEREMOS OQUE É, OU OQUE SOMOS.

 

- NOS SACRAMENTOS: 8?, O 8º DA IGNORÂNCIA.

 

- PRINCIPALMENTE NO IRMÃO: POIS ELE NOS DISSE: TODAS AS VEZES QUE VOCÊS FIZEREM ISSO A UM DOS MENORES DE MEUS IRMÃOS, FOI A MIM QUE FIZERAM

 

JESUS NOS DEIXOU UMA MISSÃO MUITO CLARA:

IDE E EVANGELIZAI, POR ISSO DEVEMOS TER UMA CONSCIÊNCIA MUITO CLARA DE UM CHAMADO PESSOAL DE DEUS PARA ANUNCIARMOS O REINO, QUE DEVE COMEÇAR AQUI, NO NOSSO DIA A DIA.

DEVEMOS TER CONSCIÊNCIA DE QUE O ANÚNCIO DO REINO PASSA PELAS CRISES, TENTAÇÕES, FRACASSOS E ESPECIALMENTE PELO SOFRIMENTO, PELA CRUZ E PELA MORTE.

MAS JESUS NOS CONSOLA, POIS NOS DISSE: EU ESTAREI CONVOSCO ATÉ O FIM DOS TEMPOS: ONDE DOIS OU MAIS ESTIVEREM REUNIDOS EM MEU NOME EU ESTAREI CONVOSCO.

POR ISTO TEMOS A CERTEZA DE QUE JESUS ESTÁ AQUI CONOSCO, POIS ESTAMOS REUNIDOS EM SEU NOME.

 

        

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