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AGRADECIMENTO-

 

            Agradeço de maneira toda especial à minha esposa Teka, pelo incentivo e toda retaguarda necessária para que eu pudesse ter tempo, paz e tranqüilidade para contemplar e meditar os assuntos abordados neste livro. Agradeço também, à Força Aérea Brasileira por ter me proporcionado a possibilidade de realizar um curso de pós-graduação, no Texas, pois foi lá que eu pude tomar conhecimento da imagem da Virgem de Guadalupe e iniciar uma pesquisa e especialmente, abrir o meu coração, para que a graça pudesse frutificar em mim.
SUMÁRIO

 

PREFÁCIO

1-A VIRGEM DE GUADALUPE, A FACE DE MARIA EM NOSSO MEIO!

2- O MILAGRE NARRADO NO NICAN MOPOHUA

3- A CONTEMPLAÇÃO DA IMAGEM DE GUADALUPE

4- ESTUDOS CIENTÍFICOS QUE COMPROVAM O MILAGRE

5- O NOME E OS MILAGRES DA VIRGEM

6-IMPERATRIZ DAS AMÉRICAS E PROTETORA DOS NASCITUROS

7- A VERDADEIRA FACE DE JESUS MARCADA NO SUDÁRIO PELA ENERGIA DO AMOR DE DEUS

8-POR QUE É IMPORTANTE PARA NÓS O SANTO SUDÁRIO?

9- POR ONDE ANDOU O SANTO SUDÁRIO

10- COMPROVAÇÃO CIENTIFICA DA AUTENTICIDADE DO SUDÁRIO: A VERDADEIRA FACE DE JESUS

11-A PRESENÇA REAL DE JESUS NA HÓSTIA E NO VINHO CONSAGRADOS PELAS MÃOS SACERDOTAIS

12- OS MILAGRES EUCARÍSTICOS

13- A CELEBRAÇÃO CORPUS CHRISTI: JESUS EUCARÍSTICO CAMINHA NO MEIO DO POVO

CONCLUSÃO
PREFÁCIO

 

Caro leitor, durante o desenrolar deste livro, procuraremos mostrar que as relíquias e milagres são preciosos elementos, que estimulam a devoção da humanidade, e funcionam como referência material, mostrando aqui na Terra a quem devemos elevar nossas preces e louvores nos Céus. Tenho meditado, contemplado e pesquisado sobre os milagres que estão acontecendo hoje na humanidade. Iremos explanar que no mundo em que vivemos, apesar de todas as evidências de um acontecimento, ninguém é privilegiado, sempre existem as duas opiniões: as que são a favor e as que são contrárias. Isto é próprio da natureza e do sentimento humano, sempre em estado de alerta e disposto a questionar, a impor suas idéias e a sua lógica. Contudo, este procedimento se tem um aspecto construtivo e bom, apresenta também um lado negativo e absurdo, porque existem pessoas que excedem em querer impor a sua opinião, ensejando o exercício da vaidade, a prática de sentimentos mesquinhos, geralmente estribados em convicções insensatas que escancaram as portas do coração à rebeldia e a irracionalidade.

Assim acontece com o Sudário de Turim, com a imagem da Virgem de Guadalupe e do milagre Eucarístico de Lanciano: muitos acreditam nas provas e nos testemunhos e muitos as rejeitam, todavia, em casos como este, devemos ser minuciosos, devemos abrir espaço em nossa mente para um raciocínio objetivo e direto, porque também só assim alcançaremos a luz da razão que nos propiciará a certeza sobre uma determinada realidade.

 Veremos que o Sudário de Turim, mostra a verdadeira Face do Jesus Cristo, deformada pelas atrocidades e abominável flagelação, com uma riqueza de detalhes tão expressiva, que permite perceber a dimensão infinita do Amor de JESUS e sua heróica perseverança na execução do projeto Divino, que Redimiu e Salvou a humanidade de todas as gerações, com o sacrifício de sua própria vida.

Através da explanação do milagre Eucarístico de Lanciano, mostraremos que nossos sacrários mantêm entre nós a realidade da Encarnação: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós..." E habita ainda verdadeiramente presente entre nós, não somente de uma maneira espiritual, mas com seu próprio Corpo. Esta presença real da carne de Cristo (é uma carne viva, unida à alma e a divindade do Verbo, pois Jesus esta hoje ressuscitado) é admiravelmente manifestada pelo milagre de Lanciano. Um milagre que dura há doze séculos e que a ciência acaba de examinar, e diante do qual, ela teve que se inclinar: "A Carne é verdadeiramente carne. O Sangue é verdadeiro sangue. Um e outro são carne e sangue humanos. A carne e o sangue são do mesmo grupo sangüíneo (AB). A carne e o sangue são de uma pessoa viva. O diagrama deste sangue corresponde a de um sangue humano que tenha sido retirado de um corpo humano naquele dia mesmo! A Carne é constituída de tecido muscular do coração (miocárdio). A conservação destas relíquias, deixadas em estado natural durante séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário".

O outro milagre atual é a imagem de Nossa Senhora, que está impressa em uma tilma ou ponche do Santo índio batizado Juan Diego. Ela é a imagem de real de Maria que ficou impressa pela sua presença física e material junto às pessoas que presenciaram o milagre, porém de maneira invisível. Por volta de 1531, Juan Diego passava pela colina de Tepeyac, perto da capital mexicana, quando ouviu uma suave melodia. Olhou e viu sobre uma nuvem branca uma linda Senhora resplandecente de luz, envolta em um arco-íris.

Ela chamou-o pelo nome, disse-lhe que era a verdadeira mãe de Deus, e encarregou-o de pedir ao bispo, Dom Juan de Zumárraga que construísse uma igreja naquela colina para sua honra e glória de Deus. Após muita dificuldade o índio conseguiu falar com o bispo, que naturalmente não acreditou na sua história.

Usando de prudência, o bispo pediu um sinal da Virgem ao indígena, que somente na terceira aparição foi concedido, quando Juan Diego estava indo buscar um sacerdote para o tio doente. A Virgem o instruiu para que colhesse flores no bosque e as levasse ao bispo. Diego obedeceu.

O bispo ficou estupefato quando abriu o pano que o índio lhe estendeu. Não podia entender como, em pleno inverno, o índio encontrou um ramalhete de flores frescas e perfumadas! E, na manta bordada que o índio usou para embrulhar as flores, estava a figura da Virgem de Guadalupe: tez morena, olhos claros, e vestida como as mulheres da Palestina! Dom Zumárraga, emocionado, acreditou na história do índio e seguiu suas instruções, providenciando a construção do templo em honra da mãe de Deus.

A partir daí, a evangelização do México, até então lenta e difícil, tornou-se avassaladora, sendo destruídos os últimos resquícios da bárbara superstição dos astecas, que escravizavam outros povos e sacrificavam seus próprios filhos em rituais sangrentos.

O manto de Juan Diego, que deveria ter se deteriorado em 20 anos, devido à baixa qualidade do tecido, mantém-se perfeitamente conservado apesar de se terem passado mais de 450 anos, e ainda hoje é venerado no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, que se tornou o santuário católico mais popular do mundo depois do Vaticano.

Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada Padroeira de toda a América, em 1945, pelo Papa Pio XII.

 Sim, milagres, e bem destinados ao nosso tempo de incredulidade. Pois, como diz São Paulo, os milagres são feitos não para aqueles que crêem, mas para os que não crêem.

Meus caros amigos, a identificação do Sudário de Turim, da imagem de Nossa Sra de Guadalupe, da hóstia e do vinho transformados em verdadeiro corpo e sangue de Jesus; se for verdadeiro ou falso, não é um problema de “fé” mas da “ciência”. A fé é uma virtude interior que independe da autenticidade das relíquias. É dom do Espírito Santo, é dom de Deus. Nasce com as pessoas, sedimenta na alma através do Sacramento do Batismo, cresce, ganha vigor e força, por meio da Catequese, da leitura Bíblica, da Oração, dos demais Sacramentos e da prática religiosa.

Caríssimo amigo leitor/a procurarei, didaticamente, apresentar os fatos e provas, decorrentes de cada um dos milagres que eu acredito estarem acontecendo. Veremos também, que diante de um fenômeno religioso extraordinário, a Igreja se sente interpelada. Ela se vê obrigada a procurar distinguir o autêntico do não autêntico, pois pode haver ilusões, fraudes ou algum estado doentio na origem das revelações. Por isso, quando se proclama uma revelação de certo vulto, a Igreja estuda alguns aspectos da questão, quais sejam: o conteúdo da mensagem transmitida pelos videntes. É mensagem condizente com as verdades da fé? Está em harmonia com o Credo e a Moral Católica? Não haveria aí expressões da fantasia humana, sequiosa de dados maravilhosos? Um vidente, mesmo de boa fé ou candidamente, pode propor suas idéias como se fossem reveladas por Deus; daí a cautela da Igreja a examinar o que se atribui a intervenção do além, do transcendental, de Deus.
I-A VIRGEM DE GUADALUPE, A FACE DE MARIA EM NOSSO MEIO!

             No dia 12 de Dezembro comemoramos o aparecimento de Nossa Senhora de Guadalupe, a Padroeira da América latina, a Imperatriz das Américas, como o Pe Zezinho a intitulou em uma música: Mãe do céu morena!

     Tive a oportunidade de participar desta comemoração, quando estivemos nos Estados Unidos, em 1994 e 1995, quando morei no Texas, realizando uma pós-graduação. Juntamente com minha esposa e meu filho participamos da festa de N. Sra de Guadalupe, em uma catedral da cidade de San Antonio.  Na época fiquei muito impressionado com a história da aparição, mas não me liguei nos detalhes extraordinários da imagem impressa no manto de São Juan Diego. 

 Contemplando a vida cotidiana de Jesus em Nazaré, nos meus exercícios espirituais diários, dentro da espiritualidade Inaciana; veio-me a figura de Maria, virgem, totalmente doada a Deus. Procurei contemplar o dogma da virgindade de Maria e pude compreender que sempre esteve presente na consciência da Igreja, desde os primeiros testemunhos evangélicos - até hoje, a fé de que Jesus nasceu de uma virgem: "Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão com o nome de Emanuel, que significa: Deus conosco - (Mt 1,23). A virgindade de Maria está totalmente orientada para a verdade sobre Jesus e, num sentido biológico e espiritual constituiu um modelo para expressar o novo começo da humanidade, inaugurada por seu Filho.   Jesus inaugura uma nova ordem, voltada para a bondade, para a graça e para a glória, muito diferente da atitude de Adão. Jesus "refaz", as atitudes de Adão, que pelo desobediência semeia o mal nas estruturas. Jesus nasce, então, de uma virgem. Esse fato vai permitir que a fé seja estimulada a falar da virgindade de Maria; inicialmente antes do parto, mais tarde durante o parto e, posteriormente, depois do parto.

Mas, cremos que "o essencial" nos ajuda a compreender o interesse do Magistério da Igreja em zelar e divulgar o papel de Maria, no plano de amor - que Deus - tem para cada um de nós.

Pude compreender que a Igreja - desde os primórdios - vê, no gesto de entrega de Maria uma atitude de profundíssima humildade - (Lc 1,49); sua baixeza; sua disponibilidade de radical entrega a Deus: - “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua palavra (Lc 1,37)”.

Maria vive - na visão de São Lucas - na pura fé em Deus, despojada de toda auto-afirmação, entregue totalmente aos desígnios do Mistério. Sua atitude de serva vai mantê-la antes, durante e depois de sua maternidade em total doação, não pretendendo mais nada do que fazer a vontade de Deus, oferecendo-Lhe seu seio puríssimo. Ela conserva depois do parto a mesma virgindade de forma indissolúvel e permanente. E, em 7 de agosto de 1555, numa Bula do Papa Paulo IV aparece a formulação clássica: "sempre virgem antes do parto, no parto e depois do parto", palavras estas, utilizadas pelo Beato Frei Galvão, quando enrolando um pequeno papel, fez uma pílula milagrosa, que hoje conhecemos por pílula do Frei Galvão, que tem curado muitas pessoas de fé. Entretanto, confesso que em minhas contemplações e estudos da virgindade de Maria, de sua vida familiar junto a José, vinha sempre uma certa curiosidade ou até, com certeza, ação do mau espírito a me incomodar com uma ponta de dúvida do porquê da virgindade de Maria. 

Em um dia abençoado, durante uma contemplação, veio-me como graça, a figura de Nossa Senhora de Guadalupe, que ainda estava em minha memória. Via seus cabelos negros e soltos e um cinto amarrado acima da cintura que me chamavam a atenção, mas não entendia o significado disto. Todavia sentia uma grande alegria e consolação. Como que por acaso, minha esposa Teka, trouxe umas revistas antigas dos Arautos do Evangelho que encontrou na sala de catequese, pois lhe chamaram a atenção os belos artigos destas revistas. Numa destas revistas observei um artigo sobre Nossa Senhora de Guadalupe, do senhor Leonardo Barraza, correspondente do México dos Arautos do evangelho. Logo que comecei a ler o artigo sobre a imagem da Padroeira da América Latina, me deparei com o significado do cinto e dos cabelos soltos, imagem que recebi no dia de minha contemplação. Era a resposta de Nossa Senhora para minhas constantes inquietações sobre sua virgindade, que não tinha dúvida real, mas sentia ser uma obra do mau espírito para me perturbar na oração e especialmente nas contemplações da santíssima virgem Mãe de Deus. Pude começar a apreender os detalhes dos desenhos e cores, “códices Astecas”, presentes na magnífica imagem da Virgem Maria estampada no ponche, ou “tilma” de São Juan Diego, índio mexicano ao qual nossa Senhora de Guadalupe apareceu, recentemente canonizado pelo Papa João Paulo II.

Nossa Senhora de Guadalupe não é somente invocada como protetora das Américas, mas também das vocações, das famílias e dos nascituros.

    Celebrando a festa da Virgem de Guadalupe, o Papa Francisco elogia a humildade de Maria e saúda a América como o "continente da esperança": Deus se compraz em subverter as ideologias e as hierarquias mundanas".

  A aparição da Virgem de Guadalupe - a primeira na América Latina - representou uma "dramática gestação" que, de certa forma, recorda o Apocalipse: "um grande sinal apareceu no céu, uma mulher vestida do sol, a lua debaixo dos seus pés"(Ap 12,1).

Nesta referência bíblica, o Papa Francisco centrou sua homilia da Missa que, como tradição há alguns anos, é celebrada na Basílica de São Pedro todo 12 de dezembro, festa da Virgem de Guadalupe, padroeira das Américas.

A celebração foi acompanhada pelo canto da Missa Criola do compositor argentino Ariel Ramirez, dirigido por seu filho, Facundo Ramírez.

A imagem de Maria impressa na tilma do índio San Juan Diego, além de seguir fielmente as Escrituras, “assumiu para si a simbologia cultural e religiosa dos indígenas, anuncia e doa seu Filho aos novos povos da sofrida mestiçagem", explicou Papa.

"Muitos pularam de alegria e esperança diante de sua visita e diante do dom de seu Filho e que a mais perfeita discípula do Senhor se tornou a grande missionária que levou o Evangelho à nossa América" (Aparecida, 269), continuou o Santo Padre.

O Filho de Maria, Imaculada grávida - acrescentou – se revela desde as origens da história dos novos povos como o “verdadeiro Deus, graças ao qual se vive", boa nova da dignidade filial de todos os seus habitantes. Ninguém mais é servo, mas todos filhos do mesmo Pai e irmãos entre nós".

Depois de "visitar" os povos do novo mundo, a Santa Mãe de Deus "quis permanecer com eles", deixando "impressa misteriosamente sua imagem sagrada no manto de seu mensageiro para que recordássemos sempre, tornando-se assim símbolo da aliança de Maria com estes povos, a quem se confere alma e ternura".

Nas Américas, a fé cristã cresce em particular graças à intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria que se tornou "o mais rico tesouro da alma dos povos americanos, cuja pérola preciosa é Jesus Cristo."

O resultado é, portanto, "um patrimônio que se transmite e se manifesta até hoje no batismo de multidão de pessoas na fé, na esperança e na caridade de muitos, na preciosidade da devoção popular e também no ethos dos povos, visível na consciência da dignidade da pessoa humana, na paixão pela justiça, na solidariedade com os mais pobres e sofredores, na esperança, por vezes contra toda a esperança".

Por esta razão, ainda hoje, continuamos a louvar a Deus pelas “maravilhas que realizou na vida dos povos latino-americanos". Por sua intercessão, Maria "reconhece o estilo e modo de agir de seu Filho na história da salvação."

Superando "juízos mundanos, destruindo ídolos do poder, da riqueza, do sucesso a todo custo, denunciando a auto-suficiência, a soberba e os messianismos secularizados que afastam de Deus, o cântico mariano confessa que Deus se compraz em subverter as ideologias e as hierarquias mundanas", disse o pontífice.

Como nos lembra o Magnificat, Maria "enaltece os humildes, auxilia os pobres e os pequenos, sacia com bens, bênçãos e esperanças os que confiam em sua misericórdia de geração em geração, enquanto abate os ricos, os poderosos e os dominadores de seus tronos".

É o Magnificat que "nos introduz nas Bem-aventuranças, síntese primordial da mensagem do Evangelho". À sua luz "nos sentimos impelidos a pedir que o futuro da América Latina seja forjado pelos pobres e por aqueles que sofrem, pelos humildes, por aqueles que têm fome e sede de Justiça, pelos piedosos, pelos puros de coração, por aqueles que trabalham pela paz, pelos perseguidos por causa do nome de Cristo".

A exortação feita pelo Papa Francisco é motivada pelo fato de que a América Latina é o "continente da esperança", para o qual "esperam-se novos modelos de desenvolvimento que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e igualdade com a reconciliação, desenvolvimento científico e tecnologia com sabedoria humana. Sofrimento fecundo com alegria esperançosa".

É possível ter essa esperança "com grandes doses de verdade e de amor, fundamentos de toda realidade, motores revolucionários de uma autêntica vida nova", disse o Papa, pouco antes de invocar a intercessão da Virgem de Guadalupe, "para que continue a acompanhar, ajudar e proteger os nossos povos".


2- O MILAGRE NARRADO NO NICAN MOPOHUA

 Todos os escritos narrados sobre as quatro aparições de Nossa Senhora de Guadalupe são inspirados no Nican Mopohua, ou Huei Tlamahuitzoltica, escrito em Nahuatl, a linguagem Asteca, pelo índio erudito Antônio Valeriano em meados do século XVI. A escrita dos Astecas não era alfabética, como a nossa, mas "pictográfica", isto é, constituída por desenhos. Colocando juntas várias palavras,  obtemos uma frase. Portanto, a cultura náhuatl exige que a comunicação entre as pessoas seja feita de modo concreto, e não em termos abstratos. Tem um significado mais amplo e simbólico. Associavam os símbolos, ou "grifos", e obtinham um conjunto de imagens e desenhos que lhes davam uma mensagem, sobretudo quando se trata de indicar as realidades que não estão diretamente sob a ação dos nossos sentidos. Do mesmo modo a Virgem de Guadalupe, no assim chamado "Boa Nova ou Evangelho mexicano" como foi chamada a "tilma" (o poncho) de São Juan Diego, sobre o qual tinha sido impresso a sua imagem, se adapta inteiramente ao modo de entender dos Astecas. Para eles e para os indígenas do México do tempo da conquista e os de hoje também, os vários elementos da imagem de Guadalupe são perfeitamente compreensíveis, pois se referem a mitos e a antigas tradições profundamente radicadas em sua existência, conforme tentaremos contemplar mais adiante, na imagem de Guadalupe.

Vou procurar manter a narração de uma cópia publicada em Nahuatl por Luis Lasso de La Veja, em 1649, em virtude da beleza e da originalidade do texto escrito pelo índio erudito Antônio Valeriano.

 

As Aparições

Dez anos depois da tomada da Cidade do México, a guerra chegou ao fim e houve uma paz entre os povos. Desta maneira começou a brotar a fé, o conhecimento do Deus Verdadeiro, por quem nós vivemos. Neste tempo, no ano de mil quinhentos e trinta e um, nos primeiros dias do mês de dezembro, aconteceu que havia um pobre índio, chamado Juan Diego, inicialmente conhecido pelo nome nativo de Cuautitlan. No que diz respeito às coisas espirituais, ele pertencia ao Tlatilolco (um convento ao norte da cidade do México, que era um centro de catequese). 

Era sábado de madrugada, pouco antes do amanhecer, ele estava em seu caminho, a seguir seu culto divino e empenhado em sua tarefa. Ao chegar no topo da montanha conhecida como Tepeyacac, o dia amanhecia e ele ouviu cantos acima da montanha, assemelhando-se a cantos de vários lindos pássaros. De vez em quando, as vozes cessavam e parecia que o monte lhes respondia. O som, muito suave e deleitoso, sobrepassava do "coyoltototl" e do "tzinizcan" e de outros pássaros lindos que cantam. Juan Diego parou, olhou e disse para si mesmo: "Porventura, sou digno do que ouço? Será um sonho? Estou dormindo em pé? Onde estou? Será que estou agora em um paraíso terrestre de que os mais velhos nos falam a respeito? Ou quem sabe estou no céu?". Ele estava olhando para o oriente, acima da montanha, de onde vinha o precioso canto celestial e então de repente houve um silêncio. Então, ouviu uma voz por cima da montanha dizendo: "Juanito, Juan Dieguito”.  Ele, com coragem foi onde o estavam chamando, não teve o mínimo de medo, pelo contrário, encorajou-se e subiu a montanha para ver. Quando alcançou o topo, viu uma Senhora, que estava parada e disse-lhe para se aproximar.

Em Sua presença, ele maravilhou-se pela Sua grandeza sobre humana. Seu vestido era radiante como o sol, o penhasco onde estavam Seus pés, penetrado com o brilho, assemelhava-se a uma pulseira de pedras preciosas e a terra cintilava como o arco-íris. As "mezquites", "nopales", e outras ervas daninhas que ali estavam, pareciam como esmeraldas, sua folhagem como turquesas e seus ramos e espinhos brilhavam como ouro. Ele inclinou-se diante Dela e ouviu Sua palavra, suave e cortês, como alguém que encanta e cativa muito. Ela disse-lhe: Juanito, o mais humilde dos meus filhos, onde estás indo?"

Ele respondeu: "Minha Senhora e Menina, eu tenho que chegar na Sua igreja no México, Tlatilolco, para seguir as coisas divinas, que nos dão e ensinam nossos sacerdotes, delegados de Nosso Senhor". Ela então lhe disse:  sabe e entende, tu é o mais humilde dos meus filhos. Eu sou a Sempre Virgem Maria, Mãe do Deus Vivo por quem nós vivemos, do Criador de todas as coisas, Senhor do céu e da terra. Eu desejo que um templo seja construído aqui, rapidamente; então, Eu poderei mostrar todo o meu amor, compaixão, socorro e proteção, porque Eu sou vossa piedosa Mãe e de todos os habitantes desta terra e de todos os outros que me amam, invocam e confiam em mim. Ouço todos os vossos lamentos e remédio todas as vossas misérias, aflições e dores.

E para realizar o que a minha clemência pretende, vá ao palácio do Bispo do México e lhe diga que Eu manifesto o meu grande desejo, que aqui neste lugar seja construído um templo para mim. Tu dirás exatamente tudo que viste, admiraste e ouviste. Tem a certeza que ficarei muito agradecida e te recompensarei. Porque Eu te farei muito feliz e digno da minha recompensa, por causa do esforço e fadiga que terás para cumprir o que Eu te ordeno e confio. Observa, tu ouviste minha ordem, meu humilde filho, vai e coloca todo teu esforço".

Retornou no mesmo dia. Foi diretamente ao topo da montanha, encontrou-se com a Senhora do Céu, que o esperava no mesmo lugar, onde tinha aparecido. Vendo-A, prostrou-se diante Dela e disse: "Senhora, a Caçulinha de minhas filhas, minha Menina, eu fui onde me mandaste para levar Tua mensagem, como me havias instruído. Ele recebeu-me benevolentemente e ouviu-me atentamente, mas quando respondeu, pareceu-me não acreditar. Ele disse: "Volte depois, meu filho e eu o ouvirei com muito prazer. Examinarei o desejo que você trouxe, da parte da Senhora". Entendo pelo seu modo de falar, que não acredita em mim e que seja invenção da minha parte, o Teu desejo de construção de um templo neste lugar para Ti. E que isso não é Tua ordem. Por isso eu, encarecidamente Te peço, Senhora e minha Criança, que instrua a alguém mais importante, bem conhecido, respeitado e estimado, para que acreditem. Porque eu não sou ninguém, sou um barbantinho, uma escadinha de mão, o fim da cauda, uma folha. E Tu, minha Criança, a minha filhinha caçula, minha Senhora, envias-me a um lugar onde eu nunca estive! Por favor, perdoa o grande pesar e aborrecimento causado, minha Senhora e meu Tudo”.

A Virgem Santíssima respondeu: Escuta, meu filho caçula, deves entender que eu tenho vários servos e mensageiros, aos quais Eu posso encarregar de levar a mensagem e executarem o meu desejo, mas eu quero que tu mesmo o faças. Eu fervorosamente imploro, meu caçula, e com severidade Eu ordeno que voltes novamente amanhã ao Bispo. Tu vais em meu Nome e faze saber meu desejo: que ele inicie a construção do templo como Eu pedi. E novamente dize que Eu, pessoalmente, a Sempre Virgem Maria, Mãe de Deus Vivo, te ordenei.

Juan Diego respondeu: "Senhora, minha Criança, não deixes que eu Te cause aflição. Alegremente e de bom grado eu irei cumprir Tua ordem. De nenhuma maneira irei falhar e não será penoso o caminho. Irei realizar Teu desejo, mas acho que não serei ouvido, ou se for, não acreditarão. Amanhã ao entardecer, trarei o resultado da Tua mensagem com a resposta do Bispo. Descansa neste meio tempo". Ele, então, foi para sua casa. 

No dia seguinte, domingo, antes do amanhecer, ele deixou sua casa e foi direto ao Tlatilolco, o centro de catequese, para ser instruído em coisas divinas, e em seguida estar presente a tempo para ver o Bispo. Por volta das 10 horas, estando em cima da hora, após participar da Missa e o povo ter dispersado, ele apressadamente se foi. Pontualmente, Juan Diego foi ao palácio do Bispo. Mal chegou, ansioso já estava para tentar vê-lo. E novamente com muita dificuldade, o Bispo estava à sua frente. Ajoelhou-se diante de seus pés, entristecidamente, e chorando, expôs a ordem de Nossa Senhora do Céu, e que por Deus, acreditasse em sua mensagem, de que o desejo da Imaculada de erguer um templo onde Ela queria, fosse realizado.

O Bispo para assegurar-se, fez várias perguntas, onde ele A tinha visto e como Ela era. E ele descreveu perfeitamente em detalhes ao Bispo. Apesar da precisa descrição de Sua imagem, e tudo que ele tinha visto e admirado, que em tudo refletia ser a Sempre Virgem Santíssima Mãe do Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Bispo não deu crédito e disse que somente pela sua súplica, não atenderia o seu pedido, que, aliás, um sinal era necessário; só então acreditaria, ser ele enviado pela verdadeira Senhora do Céu.

Após ouvir o Bispo, disse Juan Diego: "Meu senhor, escuta! Qual deve ser o sinal que o senhor quer? Para eu pedir a Senhora do Céu que me enviou aqui".

O Bispo, vendo que ele ratificava tudo sem duvidar, nem retratar nada, o despediu. Imediatamente, ordenou algumas pessoas de sua casa, e de inteira confiança, para segui-lo e olhar onde ele ia, a quem ele via e falava.

E assim foi feito. Juan Diego veio direto pela estrada. Aqueles que o seguiam, após cruzarem o barranco perto da ponte do Tepeyacac, perderam-no de vista.

Eles procuraram por todos os lugares, mas não puderam mais vê-lo. Retornaram com muita raiva, não somente porque estavam aborrecidos, mas também por ficarem impedidos do objetivo. E o que eles informaram ao Bispo, o influenciou a não acreditar em Juan Diego. Eles lhe disseram que foi enganado. Juan Diego apenas forjou o que veio dizer, e a sua mensagem e pedido não passava simplesmente de um sonho.

Eles então arquitetaram um plano, que se ele de alguma forma voltasse, eles o prenderiam e o puniriam com severidade e de tal forma que ele jamais mentiria ou enganaria novamente. 

Entretanto, Juan Diego estava com a Virgem Santíssima, contando-lhe a resposta que trazia do senhor Bispo. A Senhora, após ouvir, disse-lhe: muito bem, meu querido filhinho tu retornarás aqui amanhã, então levarás ao Bispo o sinal por ele pedido. Com isso ele irá acreditar em ti, e a este respeito, ele não mais duvidará nem desconfiará de ti, e sabe, meu querido filhinho, Eu te recompensarei pelo teu cuidado, esforço e fadiga gastos em Meu favor. Vai agora. Espero por ti aqui amanhã".

No outro dia, segunda-feira, quando Juan Diego teria que levar um sinal pelo qual então acreditariam, ele não pôde ir porque, ao chegar em casa, seu tio chamado Juan Bernardino, estava doente e em estado grave. Primeiro foi chamar um médico que o auxiliou, mas era tarde, e o estado de seu tio era muito grave. Por toda a noite seu tio pediu que, ao amanhecer, ele fosse ao Tlatilolco e chamasse um sacerdote, para prepará-lo e ouvi-lo em confissão, porque certamente sua hora havia chegado, pois não mais levantaria ou melhoraria de sua enfermidade.

Na terça-feira, antes do amanhecer, Juan Diego ia de sua casa ao Tlatilolco para chamar o sacerdote, e ao aproximar-se da estrada que liga a ladeira ao topo do Tepeyacac, em direção ao oeste onde estava acostumado a passar, disse: "Se eu seguir adiante, a Senhora estará esperando-me, e eu terei que parar e levar o sinal ao Bispo, como pressuponho. A primeira coisa que devemos fazer apressadamente é chamar o sacerdote, porque meu pobre tio certamente o espera". Então, contornou a montanha, deu várias voltas, de forma que não poderia ser visto por Ela, que pode ver todos os lugares. Mas, ele A viu descer do topo da montanha e estava olhando na direção onde eles anteriormente se encontraram. Ela aproximou-se dele pelo outro lado da montanha e disse: "O que há, meu caçula? Aonde você esta indo"?

Ele estava afligido, envergonhado, ou assustado. Ele inclinou-se diante dela e A saudou dizendo: "Minha Criança, a mais meiga de minhas filhas, senhora, Deus permita que estejas contente. Como estás nesta manhã? Estás bem de saúde? Senhora e minha Criança. Vou te causar um pesar. Sabe, minha Criança, um de Teus servos está muito doente, meu tio. Ele contraiu uma peste, e está perto de morrer. Eu estou indo depressa à Tua casa no México para chamar um de Teus sacerdotes, querido pelo Nosso Senhor, para ouvir sua confissão e absolvê-lo, porque desde que nós nascemos, aguardamos o trabalho de nossa morte. De forma que, se eu for, retornarei aqui brevemente, então levarei Tua mensagem. Senhora e minha Criança, perdoa-me, sê paciente comigo. Eu não Te enganarei, minha Caçula. Amanhã eu voltarei o mais rápido possível." 

Depois de ouvir toda a conversa de Juan Diego, a Santíssima Virgem respondeu: "escuta-Me e entende bem, meu caçula, nada deve te amedrontar ou te afligir. Não deixes teu coração perturbado. Não temas esta ou qualquer outra enfermidade, ou angústia. Eu não estou aqui? Quem é tua Mãe? Não estás debaixo de minha proteção? Eu não sou tua saúde? Não estás feliz com o meu abraço? O que mais podes querer? Não temas nem te perturbes com qualquer outra coisa. Não te aflijas por esta enfermidade de teu tio, por causa disso, ele não morrerá agora. Tem a certeza de que ele já está curado". (E então, seu tio foi curado, como mais tarde se soube).  

 

A imagem de Guadalupe

Quando Juan Diego ouviu estas palavras da Senhora do Céu, ele ficou enormemente consolado. Estava feliz. Prometeu que, quanto antes, estaria na presença do Bispo, para levar o sinal ou prova, a fim de que cresse. A Senhora do Céu ordenou que subisse ao topo da montanha, onde eles anteriormente haviam se encontrado. Ela lhe disse:   sobe, meu caçula, ao topo da montanha; lá onde Me viste e te dei a ordem, encontrarás diferentes flores. Corta-as, junta-as, então volta aqui e traze-as em minha presença".

Imediatamente Juan Diego subiu a montanha, e quando atingiu o topo, ele espantou-se pela variedade de esquisitas rosas de Castilha que haviam brotado bem antes do tempo, porque, estando fora da época, deveriam estar congeladas. Elas estavam muito fragrantes e cobertas com o orvalho da noite, assemelhando-se a pérolas preciosas. Imediatamente ele começou a cortá-las, recolheu todas elas e as colocou em seu tilma.

O topo da montanha era um lugar impossível de nascer qualquer tipo de flor, porque havia vários penhascos, cardos, espinhos e ervas daninhas. Ocasionalmente as ervas cresceriam, mas era mês de dezembro, na qual toda vegetação é destruída pelo frio, pois é início de forte inverno naquela região. Ele voltou imediatamente e entregou as diferentes rosas que havia cortado para a Senhora do Céu, que ao vê-las, tocou-as com suas mãos e de novo colocou-as de volta no tilma, dizendo: "meu caçula, esta variedade de rosas é a prova e sinal que levarás ao Bispo. Tu irás dizer em meu nome que nelas ele verá o meu desejo e que deverá realizá-lo. Tu és meu embaixador, muito digno de confiança. Rigorosamente eu ordeno que apenas diante da presença do Bispo desenroles o manto e descubras o que estás carregando. Tu contarás tudo direito. Que Eu te ordenei a subir ao topo da montanha, e cortar estas flores, e tudo que viste e admiraste, então, tu podes induzir ao Bispo dar a sua ajuda, com o objetivo de que um templo seja construído e erguido como Eu tenho pedido".

Depois que a Senhora do Céu deu seu aviso, ele se pôs a caminho pela estrada que dava diretamente ao México. Estava feliz e seguro de seu sucesso, carregando com grande carinho e cuidado, o que continha dentro de seu tilma. De tal forma que nada poderia escapar de suas mãos, a não ser a maravilhosa fragrância das variadas e belas flores. 

No palácio do Bispo, os serventes tentaram ver o que Juan Diego carregava. Com cuidado, ele descobriu o manto que escondia e eles puderam ver algumas flores; ao verem que eram rosas fora de época, ficaram impressionados, ainda mais por verem-nas frescas, tão fragrantes e belas. Estenderam a mão para as rosas, mas, ao tentar pegá-las, elas pareciam pintadas ou estampadas ou costuradas no tecido. Ao relatarem esse fato ao Bispo, ele compreendeu que Juan Diego carregava a prova desejada.

Ao ser admitido na presença do Bispo, Juan Diego contou o que havia visto e feito, renovando a mensagem de Nossa Senhora que pedia a construção de uma igreja no monte das aparições. Então, desdobrou seu manto, onde estavam as rosas; quando elas caíram ao chão, apareceu subitamente o desenho da preciosa imagem de Nossa Senhora, como ela é vista até hoje no templo de Tepeyacac, chamada Nossa Senhora de Guadalupe.

Meu caro amigo/a, este é o momento da graça, do milagre, da assinatura de Deus, conforme nos diz o Pe Oscar Quevedo. É o sinal da presença de Maria, mãe de Jesus e nossa. Sua presença não foi notada, ninguém se deu conta, pois ela tinha de estar invisível aos nossos olhos, ainda não nos é dado ver, sentir com nossos sentidos humanos, materiais; mas eu tenho esta esperança: logo, na eternidade que eu, nós que temos fé em Jesus Cristo Ressuscitado dos mortos, e que procuramos segui-lo, já estamos vivendo a eternidade! Logo quando, por graça de Deus deixarmos este corpo material, também nós, juntos com Maria, estaremos no céu, na Jerusalém celeste prometida por Jesus na sua revelação a João, no livro do Apocalipse, o qual estou contemplando e escrevendo, em breve ele estará disponível para sua meditação. Este grande momento já tem um dia e horário: conforme estudos modernos realizados por cientistas, no instituto de Astronomia da Universidade Nacional do México, dentre eles: Dr Juan Homero, Dr Canto Ylla e Dr Armando Garcia Leon. Foi comprovado cientificamente que no dia 12 de Dezembro de 1531, às 10:35 horas, inexplicavelmente para a ciência atual, ficou impresso no manto do índio Juan Diego, na imagem de nossa Senhora de Guadalupe, 46 estrelas. Estas estrelas correspondem à situação que estavam, vistas de fora da abóbada celeste, do Alasca até a Patagônia, sobre toda a América, no solstício de inverno do norte.

Caro amigo/a quero fazer um parêntese aqui: como eu me sinto triste quando medito e contemplo este momento! Nós cristãos ficamos divididos, muitas vezes pelo sinal da Graça: Maria! Alguns católicos não enxergam o sinal e só vêem o símbolo, e brigam pelo símbolo! Alguns irmãos cristãos evangélicos não enxergam o sinal e só vêem o ídolo! Quem está certo? Nenhum deles! Temos que purificar o nosso olhar, às vezes olhamos como urubus ou corvos: temos uma visão maravilhosa e potente, mas só enxergamos carniça! Diabo, coisa ruim! Onde está o poder do sinal da Graça, só vemos o mal, ou intuímos o mal!

Temos de mudar nosso olhar para um olhar de garimpeiro, que no meio da sujeira, da imundície, entre pedras e arreia suja, ele enxerga a pedra preciosa, a pepita de ouro!

O racionalismo ignorou por completo o mistério da santidade. O que é santo é bem diferente do resto; diante do que é santo, só nos podemos cair em admiração, adorar e prostrar-nos. O que é santo, não é possível compreendê-lo. Lendo, por acaso um artigo em uma revista evangélica Luterana (Manifesto de Dresden - documento redigido por vários teólogos luteranos e publicado pela revista "Spiritus Domini" n.5, Maio/1982). Diante da exortação, de Martinho Lutero, de que Maria nunca pode ser suficientemente honrada na cristandade, como a mulher suprema, como a jóia mais preciosa depois de Cristo. "Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderá exaltar bastante (nunca poderemos exaltar o suficiente), a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade". (Martinho Lutero, "Comentário do Magnificat", cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista "Jesus vive e é o Senhor").

"Por justiça teria sido necessário encomendar-lhe [para Maria] um carro de ouro e conduzi-la com quatro mil cavalos, tocando a trombeta diante da carruagem, anunciando: “aqui viaja a mulher bendita entre todas as mulheres, a soberana de todo o gênero humano”. Mas tudo isso foi silenciado; a pobre jovenzinha segue a pé, por um caminho tão longo e, apesar disso, é de fato a Mãe de Deus. Por isso não nos deveríamos admirar, se todos os montes tivessem pulado e dançado de alegria."(idem, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista "Pergunte e Responderemos" nº 429).

"Ser Mãe de Deus é uma prerrogativa tão alta, coisa tão imensa, que supera todo e qualquer intelecto. Daí lhe advém toda a honra e a alegria e isso faz com que ela seja uma única pessoa em todo o mundo, superior a quantas existiam e que não tem igual na excelência de ter com o Pai Celeste um filhinho comum. Nestas palavras, portanto, está contida toda a honra de Maria. “Ninguém poderia pregar em seu louvor coisas mais magníficas, mesmo que possuísse tantas línguas quantas são na terra as flores e folhas nos campos, nos céus as estrelas e no mar os grãos de areia." (idem, cf. escritora evangélica M. Basilea Schlink, revista "Jesus vive e é o Senhor")

"Peçamos a Deus que nos faça compreender bem as palavras do Magnificat... Oxalá Cristo nos conceda esta graça por intercessão de sua Santa Mãe! Amém." (Martinho Lutero, "Comentário do Magnificat").

"O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o auxílio de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem." (Martinho Lutero, "Artigos da Doutrina Cristã")

"Maria é digna de suprema honra na maior medida." ("Apologia da Confissão de Fé de Augsburg", art. IX).

"Um só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria." (idem)

"Não podemos reconhecer as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus." (João Calvino, Comm. Sur l’Harm. Evang.,20)

"Firmemente creio, segundo as palavras do Evangelho, que Maria, como virgem pura, nos gerou o Filho de Deus e que, tanto no parto quanto após o parto, permaneceu virgem pura e íntegra." (Zwinglio, em "Corpus Reformatorum")

"Creio que [Jesus] foi feito homem, unindo a natureza humana à divina em uma só pessoa; sendo concebido pela obra singular do Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem Maria que, tanto antes como depois de dá-lo à luz, continuou virgem pura e imaculada." (John Wesley, fundadador da Igreja Metodista, em carta dirigida a um católico em 18.07.1749)

Ao ler estas palavras de Martinho Lutero [em "Comentário do Magnificat"], que até o fim de sua vida honrava a mãe de Jesus, que santificava as festas de Maria e diariamente cantava o Magnificat, se percebe quão longe nós geralmente nos distanciamos da correta atitude para com ela, como Martinho Lutero nos ensina, baseando-se na Sagrada Escritura. Quão profundamente todos os, evangélicos, deixam-se envolver por uma mentalidade racionalista, apesar de que em seus escritos confessionais se lêem sentenças como esta: "Maria é digna de ser honrada e exaltada no mais alto grau".

Caro amigo o Senhor tem me concedido a graça de aprender a amar e honrar cada vez mais a Maria, a mãe de Jesus. E isto, à medida que, pela Sagrada Escritura, vou me aprofundando no conhecimento de sua vida e dos seus caminhos. Minha sincera intenção, ao escrever este livro, é fazer o que posso para ajudar, a fim de que entre nós os católicos e os evangélicos, a mãe de nosso Senhor seja corretamente amada e honrada, como lhe compete, segundo as palavras da Sagrada Escritura e conforme nos recomendou Martinho Lutero, aos protestantes e evangélicos.

Quero dar um testemunho pessoal de contemplação que tive, durante meus exercícios espirituais contemplativos, que faço diariamente. Em uma oportunidade, quando estava fazendo um retiro espiritual em Itaici, no CEI, Indaiatuba, SP; contemplava Jesus visitando sua Mãe Maria em sua residência, em Nazaré. Jesus ressuscitado falava a sua Mãezinha: “Mamãe é necessário que permaneças aqui por uns anos, para orientar meus discípulos e mantê-los unidos e fortes, pois eles serão a minha Igreja e levarão minha Boa Nova a todos os povos. Logo virei buscá-la e tu serás assumida na corte celestial. Terás a permissão de visitar teus filhos, como sinal de Graça e amor de nós trindade Santa, que te escolhemos para ser a minha mãe, onde fui gerado, não criado, consubstancial ao Pai”. Claro foi uma simples contemplação, mas para mim foi um sinal, uma resposta que eu necessitava para iniciar este livro de contemplação dos milagres atuais da Graça de Deus, presente no mundo de hoje.

 Todos nós, católicos e protestantes temos de refletir sobre nossas atitudes em nossos cultos, missas e momentos litúrgicos. O fanatismo pode levar muitos, a não prestarem honras aos que honras merecem. Honrar significa considerar a virtude, o talento, a coragem, a santidade ou as boas qualidades de alguém. A mulher escolhida por Deus para dar à luz, a Luz do mundo. A santa Maria - nos deixou exemplos de fé, obediência, coragem, humildade, de amor e temor a Deus. Então, honremos a Maria porque Deus a honrou primeira.

Maria foi escolhida para tão nobre missão porque era justa e reta aos olhos do Senhor. "Eis aqui a serva do Senhor. Cumpra-se em mim segundo a Tua palavra". (Lucas 1, 38). Este foi um exemplo de fé, obediência e humildade que nos deixou Maria. Com estas palavras ela acatou a missão que lhe acabara de ser anunciada pelo anjo Gabriel, ou seja, a missão de ser a mãe de Jesus, de servir de veículo para que o Verbo se fizesse carne e habitasse entre nós. Foi exemplo também de coragem: ela não ficou a meditar se o seu casamento com José seria desfeito ou se José gostaria ou não; se iria compreender ou não a sua gravidez. Ela confiou no Senhor e na Sua Palavra. Seguindo seu exemplo, sejamos submissos à Palavra de Deus e à Sua vontade, ainda que isso nos cause algumas dificuldades no meio em que vivemos. Que bom seria se todos dissessem: "Cumpra-se em mim, Senhor, segundo a tua palavra".

Também Maria não se envaideceu diante das declarações de sua prima Isabel, que lhe disse: "Bendita és tu entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre". Tão logo ouviu estas palavras, dirigiu-se ao Senhor em oração: "a minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque atentou na humildade de sua serva, pois eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (Lucas 1, 39-55).

Maria também não se abalou quando um certo homem chamado Simeão, cheio do Espírito Santo, profetizou a respeito do Menino: "Eis que é posto para queda e elevação de muitos... e uma espada traspassará também a tua própria alma" (Lucas 2, 34-35).

A missão seria difícil tanto para Maria quanto para Jesus. Maria foi uma mãe sofredora. Sofredora, porém resignada. Sofreu na apressada fuga para o Egito, livrando Jesus das mãos de Herodes; sofreu diante das perseguições e das ameaças com vistas a tirar a vida de seu filho; e, finalmente, sofreu muitíssimo ao ver seu filho traído, condenado sem justa causa e morto numa cruz.

Muitos outros santos bíblicos são merecedores, também, de nossa admiração e honra por haverem cumprido fielmente, com fé, obediência e humildade, os encargos que Deus lhes confiou. Exemplo de Noé, homem reto e justo que recebeu de Deus, a incumbência de anunciar o Dilúvio a uma geração depravada, e de construir uma enorme barca. Exemplo de Abraão, que deixou sua cidade natal e seus parentes, e seguiu em busca de uma terra desconhecida. Exemplo de Moisés, ao qual Deus confiou a espinhosa missão de livrar seu povo da escravidão do Egito. Exemplo de Josué que, atendendo ao Senhor, passou o Jordão e conquistou a Canaã prometida. Exemplos de tantos profetas que não vacilaram em transmitir as mensagens do Altíssimo, ainda que colocando em risco a própria vida. Exemplos como os de São João Batista, que pagou com sua vida por haver falado a verdade. Exemplos dos discípulos de Jesus, que não recuaram diante das dificuldades e das perseguições no cumprimento da elevada missão de "pregar o Evangelho a toda criatura". E muitos foram perseguidos, torturados e mortos.

Maria faz parte, portanto, dessa galeria de santos que souberam cumprir com firmeza, determinação, coragem e fé os encargos que Deus lhes confiou. Que nós, os santos vivos, nós os santos de nossa geração, saibamos cumprir a nossa missão como filhos de Deus, tendo como exemplo os santos do passado, tudo para honra e glória do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Como vimos, honrar a Maria significa reconhecer que a sua missão aqui na Terra foi uma das mais nobres e importantes, qual seja, a missão de carregar em seu ventre, alimentar com seu sangue, amamentar e criar o nosso Redentor, Jesus Cristo.

Como justo juiz, Deus não dará a Maria nada mais nada menos do que ela merece, do que ela conquistou com sua fé, humildade e obediência. E o que ela mais desejou foi a sua salvação, ou seja, viver com Cristo na eternidade. Maria dedicou toda a sua vida ao cumprimento da sua honrosa missão. Ela nunca teve a intenção de ofuscar o ministério de Jesus. E não poderia fazê-lo. Ela sabia que a missão de Jesus era incomparavelmente superior à sua. A missão de Jesus era a do Verbo que se fez carne para trazer aos homens, na linguagem dos homens, a mensagem redentora do Pai.

Em momento algum Maria avocou a qualidade de mãe de Jesus para usufruir regalias. Ela nunca demonstrou qualquer intenção de ser alvo das atenções, de roubar a cena, de ofuscar o Filho de Deus. Maria manteve uma posição discreta com relação ao trabalho de Jesus. Uma única vez interferiu no ministério de Jesus, nas bodas em Caná da Galiléia, com uma discreta participação. Vejamos o diálogo: "E, no terceiro dia, fizeram-se uma bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas. E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Não têm vinho”. Disse-lhe Jesus: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora”. Sua mãe disse aos empregados: "Fazei tudo quanto ele vos disser" (João 2, 1-5).

Ao informar a Jesus que acabara o vinho, Maria deixa implícito que seu filho teria condições de resolver aquele problema. A resposta de Jesus - "que tenho eu contigo, mulher", não desrespeita sua mãe, não significando uma repreensão, mas é uma recusa. Não era dos planos de Jesus iniciar a manifestação da sua glória naquela oportunidade. Ele disse que a hora dele não havia chegado. Porém, tudo indica que Maria continuou esperançosa de que algo poderia acontecer.

Certamente, ela voltou a falar a Jesus sobre os vexames por que passariam os anfitriões em não havendo mais vinho para servir. Percebeu no seu coração que Jesus estava inclinado a reavaliar sua posição. Então, segura de si, chamou os empregados e disse: "fazei tudo quanto Ele vos disser". E o milagre aconteceu. Embora a mensagem de Maria tenha sido específica para aquela ocasião, quando ela orienta os empregados para obedecerem a Jesus, nada impede de estendermos esse apelo aos dias atuais, ou seja, fazermos tudo de acordo com os mandamentos e ensinos de Jesus: "Se me amarem guardarão os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre" (João 14.15-16).

Conclui-se, portanto, que a santa Maria deve ser honrada, e o seu exemplo - exemplo de fé, obediência, amor e humildade - deve ser seguido. Ela cumpriu sua missão aqui na Terra com bastante zelo, dedicação e confiança no Senhor. Deve ser adorada por isso? Não. E nós católicos não adoramos Maria, mas sim Veneramos. Por isso nós temos de tomar cuidado para que nosso amor por Maria não escandalize nossos irmãos separados ainda mais!

Ás vezes nossas palavras, por um excesso de amor dizem coisas que na realidade, não quereríamos dizer. Por exemplo, na música em que Roberto Carlos diz: de joelhos no chão vos pedimos, na realidade estamos de joelhos na frente de Deus Pai, da trindade Santa, que assumiu Maria em sua companhia e que um dia, se formos fiéis, lá estaremos também! E não de Maria! É claro que nós católicos não adoramos Maria, nem nos colocamos de joelhos em frente à suas imagens, mas estas imagens só servem para nos lembrarmos dela. São símbolos, fotos que nos recordam sua bondade, singeleza e santidade.

Conforme o Catecismo de nossa Igreja, títulos 970 e 971, página 274: "a missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única de Cristo; pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (...) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, estriba-se na sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força".

"Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser equiparada ao Verbo encarnado e Redentor. Mas da mesma forma que o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos seja pelos ministros seja pelo povo fiel, e da mesma forma que a indivisa bondade de Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas uma variegada cooperação que participa de uma única fonte".

"Todas as gerações me chamarão bem-aventurada" (l,c 1,48): "A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão". A Santíssima Virgem "é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito, desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada da sob o título de 'Mãe de Deus', sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (...) Este culto (...) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encarnado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente".

            Bem caro irmão/ã, acho que fui claro o suficiente. Prestemos nosso culto de veneração à Nossa Senhora com todo nosso amor e bem querer, e não tenhamos atitudes de adoração, colocá-la no lugar de Deus. Não é Ela que realiza os milagres, é Deus, Ela só intercede por nós! Ajoelhar-se em atitude de adoração: só a Deus, à Trindade Santa: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito santo. Não tenhamos atitudes que escandalizem os nossos irmãos separados! É uma questão de caridade cristã!
3- A CONTEMPLAÇÃO DA IMAGEM DE GUADALUPE

Bem, continuemos a contemplação da imagem de Guadalupe. A figura no manto é cheia de sinais, ou melhor, códices astecas entre palavras, imagens e símbolos.  Eu tenho aprendido a contemplar a imagem da virgem de Guadalupe, procurando ver, sentir o sinal que Deus quis anunciar ao povo Asteca e ao povo Espanhol, que não se digladiassem, mas que se amassem e respeitassem! A imagem é o melhor exemplo de inculturação evangélica jamais vista! Levou à conversão em massa de milhares e milhares de Astecas. Porquê?

Por que o povo Asteca entendeu a mensagem, o sinal dado por Deus Pai, através de Maria, de sua imagem impressa milagrosamente no manto do Santo Juan Diego!Quando olho para a imagem, meditando, procurando sentir como um Asteca, eu vejo em primeiro lugar seu rosto moreno, uma índia de uns 15 anos de idade, cabelos negros e caídos, soltos, que indicam para o Asteca que Ela é virgem, mas olhando para o laço amarrado acima da cintura, indica para aquele povo que ela está grávida, grávida do sol, que os Astecas tinham como seu deus maior, indicado pelos raios solares que rodeiam a virgem. Um broche com a cruz indicam que o Deus maior é Cristo, pois é uma cruz cristã! Podemos observar na imagem da virgem, que estão presentes e irmanadas, duas cruzes, a cruz índia, ou "quincunce" e a cruz cristã. Os antigos mexicanos costumavam representar o universo na forma de uma cruz grega. Este símbolo se encontra freqüentemente seja nos monumentos de pedra, seja nos antigos códices. Esta era, de certo modo, a síntese gráfica, o resumo desenhado, de toda a cultura náhuatl. Apresenta de uma maneira simbólica a concepção fundamental para o mundo centro-americano: os caminhos dos homens, representados pêlos quatro pontos cardeais, são continuamente cortados pêlos caminhos de Deus. Se observarmos atentamente a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, se notará, junto aos laços negros, uma pequena cruz índia, o "quincunce". O símbolo indica, de modo evidente que o novo centro do universo é aquele que a Virgem leva no seio. Deste modo, o seio de Maria se torna, como diz S. Lucas em seu Evangelho, o templo da nossa presença de Deus, no meio dos homens. Por sua vez, no medalhão que Maria leva ao pescoço, se vê claramente a cruz cristã. Ainda aqui, o significado simbólico é claríssimo: Maria, que quis manifestar-se ao mundo Asteca como uma pessoa perfeitamente inserida naquela cultura, se apresenta, ao mesmo tempo como a que leva o Cristo, e simultaneamente como discípula do Cristo: "Filha do seu Filho", diria Dante.

 Suas mãos postas, uma de espanhola e outra de índia, indicam que deve haver paz e entendimento entre eles.  Uma chave dentro da mão indica que a oração é a chave para tudo.

Coração nas costas da mão: o Coração Imaculado de Maria, como representamos, com chamas. Somente nas aparições de Guadalupe e Fátima esse sinal apareceu, o que mostra que são eventos relacionados.

Chave entre as mãos postas: a oração é a chave para o Céu.

 A lua sob seus pés indica que ela pisa sobre a serpente, pois havia um deus na cultura Asteca que era representado pela lua e um deus mau e sanguinário, um verdadeiro demônio que matava crianças e adultos em cultos sangrentos. Sua cabeça curvada para baixo indica para os Astecas que ela não é deusa, mas que existe um deus superior a ela, a qual ela esta subordinada. As cores do manto e da túnica são as cores da rainha dos Astecas. E muitos outros sinais e códices que ainda estão sendo decifrados. Vamos ver alguns:

Nossa Senhora está diante de uma Luz Brilhante: os índios veneravam o deus sol. Ela está vestida de sol, o que mostra que Seu Deus é mais poderoso.

Manto azul: a cor azul era sinal de realeza e virgindade, e a cor que as deusas Astecas vestiam.

As estrelas no manto: de acordo com o Doutor Juan Homero Hernández Illescaz, se comprova, com exatidão, que no manto da virgem de Guadalupe, está reproduzido o céu do dia 12 de dezembro: a manhã do solstício do inverno de 1531. Conhece-se pelo nome de solstício (Do latim solstitiu) aos dois momentos, no verão e no inverno, nos quais a terra se encontra mais distante do sol em sua órbita. Época em que o Sol passa pela sua maior declinação boreal ou austral, e durante a qual cessa de afastar-se do equador. 

 Os índios viviam sob as estrelas e aqui Ela as veste, mostrando que Seu Deus é mais poderoso que as estrelas. O solstício de inverno é também, o ponto em que a terra, em sua rota em torno do sol, dá uma mudança do sentido em suas órbitas e começa a aproximar do astro rei.  Com esta mudança do sentido, tem-se a impressão de que o sol está recuperando sua força e que o inverno é acabando. Para os indígenas o solstício de inverno era o dia mais importante de seu calendário religioso, era o dia em que o sol vencia as trevas, e surgia vitorioso. Por isto não pode se dizer que o aparecimento da Virgem de Guadalupe precisamente neste dia tenha sido obra do acaso. A Virgem de Guadalupe teria apresentado seu filho Jesus aos povos indígenas, porque assim eles puderam compreender que ela trazia em seu Ventre o Deus Verdadeiro.

No manto estão representadas as estrelas mais brilhantes, das principais constelações visíveis do Vale de Anáhuac do dia 12 de dezembro de 1531. Ali, estão as constelações completas, comprimidas. A extraordinária distribuição das estrelas não pode ser produto do acaso ou coincidência, pois nenhuma distribuição ao acaso pode representar com exatidão, em sua totalidade, as constelações de estrelas de um momento determinado.

Para os indígenas, o solstício de inverno era o dia mais importante em seu calendário religioso. O sol vencia as trevas e ressurgia vitorioso. Por isso, não é casual que precisamente neste dia ocorreu tão grandioso milagre.

Cabeça curvada: na cultura indígena, os deuses e deusas olhavam diretamente nos olhos para mostrar seu poder e eram representados com olhos grandes. Maria com Sua cabeça abaixada mostra que não é um deus ou uma deusa, mas que há um poder maior acima dela.

Lua: A Virgem de Guadalupe está pisando no meio da lua; e não é casual que as raízes da palavra México em Náuhatl é "Metz-xic-co" que significa "no centro da lua". Também é símbolo de fecundidade, nascimento e vida. Os índios veneravam Quetzalcoatl (serpente de pedra), representado por uma lua encrespada. Os pés de Maria estão firmemente apoiados sobre a lua, simbolizando que Ela está esmagando o deus deles.

Em 1966 reuniu-se uma comissão de sete pintores, os mais famosos de então, que após um estudo demorado, deram seu parecer sobre o desenho do ponche, perante escrivões e dignitários.

 

4- ESTUDOS CIENTÍFICOS QUE COMPROVAM O MILAGRE

Em 1751, Miguel Cabrera, chamado também de "Miguel Ângelo mexicano" e mais três outros pintores de renome voltaram a realizar novos estudos sobre a pintura. Desde então, repetidamente, vem sendo realizado este trabalho científico, cada vez com meios mais adequados (tais como raios-X, análises químicas e novas modalidades de investigação) na medida em que a Ciência avança e facilita melhores técnicas.

No transcorrer do tempo, os homens tentaram realçar as cores para que fossem vistas melhor de longe e pretenderam introduzir outros "enfeites". Nas nuvens foram pintados anjos - (desapareceram com o tempo) Os raios de sol foram recobertos de ouro - o ouro está descascando. A lua branca foi "iluminada com prata” - (ficou preta e o preto está descascando) Pintaram uma coroa sobre a cabeça - (com dificuldade pode ser vista ainda).

As tintas: pintores e análises químicas não desvendaram ainda a origem das tintas empregadas. Mauel Garibi, um perseverante examinador da pintura, resume assim a estranheza dos investigadores, principalmente quanto ao dourado que aparece nos perfis do vestido, nas quarenta e seis estrelas, nos arabescos e nos 129 raios de sol.

"O dourado é transparente e sob estes se vêem os fios do poncho. E como não exista nenhum material que seja transparente, nem sequer o cobre e o ouro, elementos indispensáveis para que o homem possa executar um dourado. Esse dourado dotado de transparência, não pode ser obra humana".

A pintura resistiu à umidade e ao salitre, muito abundante e muito corrosivo naquela região, antes de ter sido secado o lago Texcoco. Quadros de contextura mais firme perderam a cor e se danificaram em poucos anos.

O tecido da tela é de tão má qualidade que deveria ter se desintegrado em questão de 20 anos. Atualmente tem 469 anos. Até as madeiras e metais (prata, ouro e bronze) não duravam então, mais que um século.

O tramado da tecelagem é tão separado e tão imperfeito (comprovado cientificamente em 1751) que olhando por detrás do poncho, pode-se ver através, como se fosse uma peneira, podendo, sem que o tecido atrapalhe, ver os objetos e a claridade. Esta experiência foi realizada várias vezes, conforme testemunho de Cabrera.

Durante 116 anos, de 1531 a 1647; a pintura esteve desprotegida e exibida em várias procissões solenes. A veneração popular levou piedosos e doentes a que beijassem as mãos e a face da pintura ou que fosse tocada com objetos cujo material deveria ter deteriorado ou destruído o tecido e a pintura.

Carlos Maria Bustamante conta que em 1791, quando os peritos estavam limpando o ouro que enquadra a imagem, foi derramado um vidro de ácido nítrico, de extraordinário poder corrosivo. "Onde está a força corrosiva do ácido?(pergunta Bustamante) que derramado de alto a baixo no poncho, deixou apenas um vestígio como testemunho do prodígio para a posteridade”.

Hoje se percebe, de perto, uma leve mancha como de água, no lado esquerdo da imagem e salpiques em vários outros lugares. A análise química confirma: é ácido nítrico.

No ano de 1929, o fotógrafo Alfonso Marené Gonzáles, enquanto realizava o exame de uns negativos fotográficos, muito ampliados, descobriu uma figura refletida nos olhos da jovem de Tequatlaxopeuh. Naquele tempo, as autoridades eclesiásticas pediram-lhe prudentemente que não publicasse suas observações até obter uma comprovação científica.

Em 1951, Carlos Salinas fez uma descoberta semelhante e o Arcebispo do México, Dom Luis Maria Martinez, nomeou uma comissão para estudar o fenômeno.

Foi somente em 1955 que o México soube pela rádio a notícia de que nos olhos da Virgem de Guadalupe aparecia uma pessoa espelhada, a exemplo do que acontece com os olhos vivos de uma pessoa. É um fenômeno muito comum no mecanismo normal da visão humana. Não se produz apenas um reflexo das figuras que vemos, mas três diferentes e superpostas. Esta tríplice imagem leva o nome de seus descobridores: Sanson (Oftalmólogo de Paris) e Purkinje (médico de Breslau-Alemanha).

Estudos feitos em épocas diferentes e posteriormente confrontados e formando uma só teoria, foram cientificamente comprovados e admitidos por todas as escolas de oftalmologia.

Tal como toda imagem se reflete em nossos olhos, assim a de Juan Diego se refletiu nos olhos da "Virgem de Guadalupe".

Tríplice imagem, em cada um dos olhos da Virgem, no lugar exato, com a curvatura exata... O índio Juan Diego, tal como estaria sendo visto pelos olhos da jovem que lhe "apareceu", saiu refletido nos olhos da imagem que ficou gravada no poncho.

No mesmo ano, outro oftamologista examinou os olhos da imagem com um oftamoscópio em grande detalhe. Ele observou a aparente figura humana nas córneas nos dois olhos, com a localização e distorção de um olho humano normal e, especialmente, notou uma singular aparência dos olhos: eles parecem estranhamente vivos quando examinados.

O oftalmologista Torija Lauvoignet examinou com um oftalmoscópio de alta potência a pupila da imagem e observou, maravilhado, que na íris se via refletida uma mínima figura que parecia o busto de um homem. E este foi o antecedente imediato para promover a investigação mais profunda, ou seja, a "digitalização" dos olhos da Virgem de Guadalupe, que pode ser assim descrita: sabemos que na córnea do olho humano se reflete o que a pessoa está vendo no momento.

O doutor Aste Tonsmann fez fotografar (sem que ele estivesse presente) os olhos de uma filha sua e, utilizando o procedimento denominado "processo de digitalizar imagens", pôde, sem mais, averiguar tudo quanto via sua filha no momento de ser fotografada.

Este mesmo cientista, cuja profissão era a de captar as imagens da Terra transmitidas do espaço pelos satélites artificiais, "digitalizou", no ano de 1980, a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, e os resultados foram surpreendentes. Tal procedimento consiste em dividir a imagem em quadrículas microscópicas, até o ponto de, numa superfície de um milímetro quadrado, caberem 27.778 ínfimos, mínimos quadrinhos.

Uma vez feito isso, cada mini quadrícula pode ser ampliada, multiplicando-se por dois mil, o que permite a observação de pormenores impossíveis de serem captados a olho nu.

Ora, os pormenores que se observaram na íris da imagem são: um índio no ato de desdobrar sua tilma perante um franciscano; o próprio franciscano, em cujo rosto se vê escorrer uma lágrima; uma pessoa muito jovem, tendo a mão sobre a barba com ar de consternação; um índio com o torso desnudo, em atitude quase orante; uma mulher de cabelo crespo, provavelmente uma negra, serviçal do bispo; um varão, uma mulher e umas crianças com a cabeça meio raspada; e mais outros religiosos vestidos com hábito franciscano.

Isto é... O mesmo episódio relatado acima, o Nican Mopohua, em náhualt por um anônimo escrito indígena na primeira metade do século XVI e editado em náhualt e em espanhol por Lasso de La Veja em 1649.

Foram feitos também estudos iconográficos para comparar estas figuras com os retratos conhecidos do arcebispo Zumárraga e de pessoas do seu tempo ou do lugar.

O que é radicalmente impossível, é que num espaço tão pequeno como a córnea de um olho, situada numa imagem de tamanho aproximado ao natural, um miniaturista tenha podido pintar aquilo que foi necessário ampliar duas mil vezes para que pudesse ser percebido.

Caro irmão/ã, todo fiel católico sabe que a Igreja não impõe à fé dos cristãos alguma revelação particular, mas deixa a critério de cada um aceitar ou não as respectivas narrações. Ora as que se referem a Nossa Senhora de Guadalupe têm forte cunho de verossimilhança, dados os estudos científicos que acabamos de mencionar.

Deus seja louvado pelos sinais que Se digna de dar aos homens, para manifestar a Sua presença e providência no mundo conturbado em que vivemos!

 

Detalhes do rosto de Nossa Senhora de Guadalupe

Reflexo nos olhos: no ano de 1929, o fotógrafo Alfonso Marené Gonzáles, enquanto realizava o exame de uns negativos fotográficos, muito ampliados, descobriu uma figura refletida nos olhos da jovem de Tequatlaxopeuh. Naquele tempo, as autoridades eclesiásticas pediram-lhe prudentemente que não publicasse suas observações até obter uma comprovação científica.

      Em 1951, Carlos Salinas fez uma descoberta semelhante e o Arcebispo do México, Dom Luis Maria Martinez, nomeou uma comissão para estudar o fenômeno.

Foi somente em 1955 que o México soube pela rádio a notícia de que nos olhos da Virgem de Guadalupe aparecia uma pessoa espelhada- a exemplo do que acontece com os olhos vivos de uma pessoa. É um fenômeno muito comum no mecanismo normal da visão humana. Não se produz apenas um reflexo das figuras que vemos, mas três diferentes e superpostas. Esta tríplice imagem leva o nome de seus descobridores: Sanson (Oftalmologista de Paris) e Purkinje (médico de Breslau - Alemanha).

  Estudos feitos em épocas diferentes e posteriormente confrontados e formando uma só teoria, foram cientificamente comprovados e admitidos por todas as escolas de oftalmologia.

  Tal como toda imagem se reflete em nossos olhos, assim a cena que ocorreu quando o índio Juan Diego abriu o manto para mostrar as flores, se refletiu nos olhos da Virgem de Guadalupe: Tríplice imagem em cada olho, no lugar exato, com a curvatura exata! O índio São Juan Diego e as demais pessoas presentes no local, tal como estaria sendo visto pelos olhos da jovem que lhe "apareceu", saíram refletidas nos olhos da imagem que ficou gravada no poncho.

Não parecem olhos pintados, mas olhos naturais, humanos, vivos.

 Diversos oftalmologistas examinaram os olhos da Virgem de Guadalupe. O Dr. Rafael Torrija Lavagnet assim se referiu: "Utilizei um Oftalmoscópio como fonte luminosa e lente de aumento, que me permitiu uma percepção mais perfeita dos detalhes. Certifico: -que o reflexo de um busto humano é observado no olho direito da imagem. -Que o reflexo desse busto humano se encontra na córnea. -que a distorção do mesmo corresponde à curvatura normal da córnea. -que além do busto humano, observam-se no dito olho dois reflexos luminosos correspondentes às imagens de sanson-Purkinje: que esses reflexos luminosos tornam-se brilhantes ao refletir a luz que é enviada diretamente; que os reflexos luminosos mencionados demonstram que o busto humano é uma imagem refletida na córnea e não uma ilusão de ótica, causada pela textura do poncho; que na córnea do olho esquerdo da imagem se percebe, com suficiente claridade, o reflexo correspondente do citado busto humano. É impossível obter esse reflexo numa superfície plana e escura."

Testemunhos: o Dr. Torroella Bueno, o Dr. Guillermo Silva Rivera, o Dr. Ismael Ugalde Nieto, o Dr. Jayme Palacios, o Dr. Charles J. Wahlig e o Dr. Joseph P. Gallagher, todos oftalmologistas, após terem feito exames separadamente, também eles chegaram às mesmas conclusões. 

Uma ampliação de 25 a 30 vezes do olho da imagem permite ver com maior clareza a figura de um homem com barba.  

      A presença de uma figura humana nos olhos da Imagem da Tilma asteca e a descoberta do brilho e profundidade deles deixou os oftalmologistas assombrados. Do ponto de vista da Ciência, eles nada puderam explicar. Entretanto, a Jovem Rainha em atitude de oração ainda não dissera tudo.

Como já dissemos, o Dr. José Aste Tonsmann, especialista em engenharia de sistemas ambientais pela Universidade de Cornell (EUA), em fevereiro de 1979 iniciou a trabalhosa e minuciosa pesquisa no Centro Científico da IBM.

      Não podendo os computadores trabalhar sobre uma superfície rústica e sinuosa como a da tilma, o Dr Aste tirou muitas fotografias. O estudo dele concentrou-se em fotografias das íris dos olhos da imagem de Guadalupe. Ampliou as fotografias dos olhos a diversos tamanhos: de 2 a 5 milímetros de altura por 3 a 7 milímetros de comprimento. O computador dividiu cada milímetro quadrado entre 1.600 até 27.778 micro-quadradinhos, e depois ampliou cada micro-quadradinho entre 30 até 2000 vezes.      

Começou pelo olho esquerdo. Os computadores trabalharam e forneceram a primeira ampliação, na extremidade direita do olho, uma figura de pouco mais de 1 milímetro de largura e 4 milímetros de altura: um índio sentado sobre as pernas; sandálias de couro, calção, dorso descoberto, cabelos raspados até o meio da testa segundo o costume da época, ampliando a fronte, recolhidos na nuca, brincos em forma de aro...brilhantes!

 

      A segunda figura que aparece no computador foi a do esperado homem de barba descoberto em 1929, na parte da menina ocular mais próxima do nariz. Um espanhol com uma mão na barba, a outra na espada, com a boca aberta como extasiado pelo que olhava, virado para a tilma de Juan Diego. Em tripla imagem, em relevo, em cores. E no olho direito aparece com maior clareza do que no esquerdo, como já haviam percebido e explicado os oftalmologistas.

A terceira figura, de um velho, vestido de franciscano, com lágrimas escorrendo pelo nariz! Pareceu-lhe de alguém conhecido. Não conseguia lembrar-se (o Dr. José Aste Tonsmann). Procurou nos museus, pinturas, livros, algum rosto semelhante. Um dia ocorreu-lhe um famoso quadro do pintor Miguel Cabrera, do século XVIII, no qual o bispo Juan de Zumárraga, ajoelhado, admirava a Imagem no poncho do índio Juan Diego.Aquela figura no computador assemelhava-se demais com a pintura do velho bispo: seus olhos eram fundos, como também as bochechas, o nariz típico dos bascos, a barba branca, a calva grande e reluzente, com algum cabelo com o corte clássico dos franciscanos da época, isto é, uma franja ao redor da cabeça. Era o bispo Dom Juan de Zamárraga.

Descobriu um outro índio, com um chapéu típico em forma de cone, e com uma tilma amarrada no pescoço. Seu braço direito estendia-se sobre o poncho, e os lábios pareciam entreabertos. São Juan Diego!!

     Atrás de Juan Diego, surgiu uma mulher negra que parecia observar atentamente. Negros no México no século XVI? O engenheiro ficou depois sabendo que o conquistador Hernán Cortés recebera e entregara ao bispo Zumárraga e que este concedera liberdade a escrava negra, que o servia como empregada. Era também a história sendo recuperada.

 

      

À direita do "ancião", os cérebros eletrônicos localizaram um jovem franciscano que olhava quase de frente. Comprovou-se depois que era o intérprete frei Juan González.

 

Mas havia mais gente no olhar calmo da Imagem de Nossa Senhora de Guadalupe. Precisamente do centro de ambas as pupilas, os computadores resgataram um "grupo familiar indígena". Era constituído por uma jovem índia, de perfil, finas feições, brincos em forma de aro, também brilhando, um adorno de madeira atravessando o penteado.Levava um bebê amarrado nas costas. Havia um homem com chapéu também em forma de cone, uma criança em pé junto, e na frente da mulher, e outro casal que apreciava a cena.

    Todas as privilegiadas personagens estavam em ambos os olhos. Diferindo apenas tamanho, ângulo e luminosidade, o que se encaixava perfeitamente na fenômeno da visão estereoscópica. Os alongamentos de algumas das imagens correspondem à reflexão das mesmas numa superfície convexa como é o olho humano.

 Ainda faltava outra surpresa. Das duas personagens que estavam no extremo mais externo do semicírculo, o espanhol com barba e o índio sentado, o computador só podia ampliar os olhos do índio, porque o espanhol estava meio virado. E em ambos os olhos! Nos olhos do índio que está no olho da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, em tripla imagem! Em cores! Os computadores comprovaram a mesma cena de outro ângulo!

 

 

 

A imagem de várias figuras humanas que parecem constituir uma família (incluindo várias crianças e um bebê levado nas costas por sua mãe, como se costumava no século XVI), aparecem no centro da pupila da Virgem, como centro de sua visão.

Talvez um dos aspectos mais fascinantes é que Nossa Senhora, não só nos deixou sua imagem impressa, como prova de sua aparição, mas também mensagens que permaneceram escondidas em seus olhos para serem reveladas quando a tecnologia permitisse descobri-las, e em um tempo em que fossem mais necessárias. Este seria o caso da imagem de uma família, presente no centro dos olhos da Virgem, justamente quando a Família se encontra precisamente ante sérios ataques, em nossos dias. Mas ainda eu vejo como um sinal para todos nós cristãos: sejam uma única família! Amem-se, respeitem-se, assim como no início da igreja: “vejam como eles se amam!”. Maria, mãe de Jesus não pode ser sinal de desunião, de discórdia. Olhe para suas mãos unidas, uma de índia e a outra de espanhola, as duas cruzes: uma de Cristo e outra Asteca, e no meio uma chave: a oração!  Deus quer que todos sejam um! Maria é o sinal para isso. No início da Igreja foi Maria que manteve unidos todos os discípulos e discípulas de Jesus. Hoje Maria é o sinal desta união querida por Deus. Em todas as suas aparições ela aparece, ou melhor, só os humildes, os pobres e necessitados a vêem. E ela vem atender necessidades de pobres, discriminados, oprimidos e injustiçados. É só meditar sobre estas aparições: em Aparecida: a pobres pescadores, através dela os pescadores pescaram em abundância em um lugar que não estavam pegando nada! Em Fátima: a pobres pastore. Em Lurdes, a uma pobre camponesa humilhada e discriminada. Em Guadalupe, no México, a um pobre índio. A uma Nação que estava sendo desrespeitada, dizimada e oprimida pelos próprios cristãos! E em todas as outras aparições aceitas pela Igreja: ela pede paz, oração, jejum. Tudo o que está claramente na Bíblia, nas doutrinas católica e evangélica. Como vamos ver se tudo isto é do bom ou do mau espírito? Santo Inácio de Loyola de Loyola nos ensina a verificar se nosso discernimento é bom ou do mau espírito. Verificar se o meio, o princípio e o fim são bons, logo verificar se os frutos são bons. Bem caro irmão/a, é só verificar o bem que foi feito no México: milhares de cristãos quiseram ser batizados e se tornaram cristãos. E a colonização passou a ser pacífica e hoje o México é o maior país cristão do mundo!
5-
O NOME E OS MILAGRES DA VIRGEM

A origem do nome Guadalupe (um nome espanhol) nas aparições do México sempre foi motivo de controvérsias, e muitas possíveis explicações têm sido dadas. A razão mais provável é que o nome seja a passagem, do nahuatl para o espanhol, das palavras usadas pela Virgem durante Sua aparição a Juan Bernardino, o tio enfermo de Juan Diego. Acredita-se que Nossa Senhora tenha usado a palavra Asteca Nahuatl coatlaxopeuh, que é pronunciado "quatlasupe" e soa extremamente parecido com a palavra em espanhol Guadalupe. Coa siginifica "serpente"; tla, o artigo "a"; xopeuh significa "esmagar". Assim, Nossa Senhora deve ter chamado a si mesma como "Aquela que esmaga a serpente", também numa referência ao deus Quetzalcoatl, ou serpente de pedra, ao qual os Astecas costumavam oferecer sacrifícios humanos.

Em 1487, devido a dedicação de um novo templo em tenochtilan, cerca de 80.000 cativos foram imolados em sacrifícios em uma só cerimônia que durou quatro dias. Certamente, neste caso Nossa Senhora esmagou a serpente, e milhões de nativos foram convertidos ao Cristianismo!

O milagre da flecha

Catorze dias depois do milagre das rosas e da impressão, dia 26 de dezembro de 1531 , o bispo Dom Juan de Zumárraga, organizou uma procissão para levar o poncho com a Imagem de  Guadalupe à ermida provisória no monte Tepeyac. Nomeou Juan Diego encarregado da ermida e da Sagrada Imagem.

A multidão caminhou sobre uma calçada adornada, "um tapete de folhagens e flores". De ambos os lados, estava o lago, onde alguns índios em canoas faziam batalhas simuladas, características das festas e costumes dos chichimecas, os indígenas que usavam o arco e a flecha.

Durante a "batalha", acidentalmente, um dos participantes esticou seu arco e a flecha atravessou o pescoço de outro "guerreiro". Nada puderam fazer os médicos espanhóis. A flecha atravessara a jugular e a traquéia. Puseram o cadáver sobre o andor da imagem de Guadalupe... E repentinamente a flecha pulou, o morto levantou-se sadio e forte como era antes. Só ficou uma marca rosada, como testemunho do milagre durante toda sua vida.

Existe uma pintura de grandes proporções, que hoje pertence à coleção do Museu da Basílica de Guadalupe. Apesar de sua data ser de 1653, e de seu estilo europeu, ela fornece uma série de confirmações históricas.

Existe também, um outro documento, denominado "informações de 1666", no qual vários índios testemunham o que lhes foi contado por seus avós e antepassados sobre a procissão e o milagre.

A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Guadalupe verteu lágrimas de óleo em 1994.

Em 1921, no dia 14 de novembro houve um atentado cujo plano era destruir o quadro da Virgem de Guadalupe e acabar de vez com a devoção mexicana, fechando definitivamente todas as igrejas católicas. Um pedreiro chamado Luciano Perez colocou um ramo de flores no altar-mor da Basílica, uma poderosa bomba de dinamite estava escondida entre as flores. A bomba explodiu a poucos metros do quadro. A explosão praticamente destruiu o altar de mármore, todos os vasos e castiçais. Dobrou e atirou longe um pesado crucifixo de bronze que estava sobre o altar. As vidraças e os vitrais da Basílica foram estilhaçados. Os estragos foram consideráveis.

O quadro da Virgem, entretanto, que era o objetivo do atentado, nada sofreu! Nem mesmo o vidro se quebrou ou sequer trincou. À partir de então se iniciou, na capela lateral, uma exposição contínua do Santíssimo Sacramento, que ainda hoje atrai muitos devotos.

Os mexicanos, perante tal milagre, redobraram sua devoção em todo o país, e pelo sacrilégio, a Capela do Santíssimo se transformou em templo expiatório para desagravar a Jesus na Eucaristia por todas as profanações e pecados cometidos.

Graças a Deus, o episódio, em lugar de amedrontar os católicos mexicanos, lhes aumentou o fervor.

Muitos outros milagres se devem à Virgem de Guadalupe.
6-IMPERATRIZ DAS AMÉRICAS E PROTETORA DOS NASCITUROS

Durante sua guerra contra a vida humana, a antiga serpente nunca se satisfez com o extermínio causado pelas contínuas guerras e violências promovidas por ela neste mundo. Ela sempre pediu rituais de morte, vidas humanas inocentes sacrificadas a seus disfarces ao longo da história.

Lemos no Livro do Levítico como o Senhor diz a Moisés sobre o sério crime e a extrema punição de se oferecer os filhos a Moloc, referindo-se ao costume cananeu de sacrificar crianças ao deus Moloc. As pequenas vítimas eram primeiro mortas [decapitadas] e então cremadas (Veja Levítico 20,1-5 e 18,21).

Nas Américas, há cinco séculos atrás, os rituais mais cruéis de sacrifício humano, registrados pela história, eram feitos pelo império Asteca. Entre 20.000 e 50.000 eram sacrificados por ano. Os rituais incluíam o canibalismo dos órgãos das vítimas. A maioria eram cativos ou escravos, e além de homens eles incluíam mulheres e crianças. O antigo historiador mexicano Ixtlilxochitl fez uma estimativa de que uma de cada cinco crianças no México era sacrificada. O clímax destes rituais de morte foi em 1487 para a dedicação do novo templo de Huitzilopochtli, ricamente decorado com serpentes, em Tenochtitlan (hoje Cidade do México), quando em uma única cerimônia, que durou quatro dias e quatro noites, com o constante soar de gigantescos tambores de pele de cobra, o soberano e adorador do demônio Asteca, Tlacaellel, presidiu o sacrifício de mais de 80.000 homens. Nossa Senhora de Guadalupe esmagou esta serpente em 1531.

Hoje, a antiga Serpente certamente conseguiu outra obra-prima de seus rituais de sangue contra a vida humana. Milhões de crianças não nascidas são mortas todos os anos ao redor do mundo, em procedimentos que em alguns países são não apenas legais, mas também oficialmente apoiadas e financiadas por seus governos. Em muitos casos, os procedimentos seguem as mesmas regras dos sacrifícios ao deus Moloc: a morte e cremação das criancinhas.

A Mulher vestida de sol, na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, Protetora dos Nascituros, esmagará esta serpente mais uma vez.

A canonização de Juan Diego aconteceu na  Cidade do México no dia 31 de julho de 2002 (clique aqui)

 

Canonização Do Índio Juan Diego Cuauhtlatoatzin

Homilia do Santo Padre João Paulo II

Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe
Quarta-feira, 31 de Julho de 2002.


1. "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado!" (Mt 11, 25-26).

Queridos Irmãos e Irmãs, estas palavras de Jesus no Evangelho deste dia constituem, para nós, um convite especial para louvar e dar graças a Deus pela dádiva do primeiro Santo indígena do Continente americano.

É com grande alegria que fiz a peregrinação até esta Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, coração mariano do México e da América, para proclamar a santidade de Juan Diego Cuauhtlatoatzin, o índio simples e humilde que contemplou o rosto dócil e sereno da Virgem de Tepeyac, tão querido a todas as populações do México.

2. Agradeço as amáveis palavras que me foram dirigidas pelo Senhor Cardeal Norberto Rivera Carrera, Arcebispo da Cidade do México, assim como a calorosa hospitalidade dos homens e das mulheres desta Arquidiocese Primaz:  dirijo-vos a todos a minha cordial saudação. Saúdo também com afeto o Senhor Cardeal Ernesto Corripio Ahumada, Arcebispo Emérito da Cidade do México, e os outros Purpurados, Bispos do México, da América, das Filipinas e de outras regiões do mundo. Agradeço igualmente, e de maneira particular, ao Senhor Presidente da República e às Autoridades civis a sua presença nesta celebração.

Hoje, dirijo uma saudação muito especial aos numerosos indígenas provenientes das diferentes regiões do País, representantes das diversas etnias que compõem a rica e multiforme realidade mexicana. O Papa manifesta-lhes a sua proximidade, o seu profundo respeito e admiração, enquanto os recebe fraternalmente em nome do Senhor.

3. Como era Juan Diego? Por que motivo Deus fixou o seu olhar nele? Como acabamos de escutar, o livro do Eclesiástico ensina-nos que somente "Deus é todo-poderoso e apenas os humildes o glorificam" (cf. 3, 19-20). Inclusivamente as palavras de São Paulo, também proclamadas durante esta celebração, iluminam esta maneira divina de realizar a salvação:  "Deus escolheu aquilo que o mundo despreza [e que é insignificante]. Deste modo, nenhuma criatura se pode orgulhar na presença de Deus" (cf. 1 Cor 1, 28-29).

É comovedor ler as narrações guadalupanas, escritas com delicadeza e repletas de ternura. Nelas, a Virgem Maria, a escrava "que proclama a grandeza do Senhor" (Lc 1, 46), manifesta-se a Juan Diego como a Mãe do Deus verdadeiro. Ela entrega-lhe, como sinal, um ramalhete de rosas preciosas e ele, mostrando-as ao Bispo, descobre gravada no seu manto ("tilma") a imagem abençoada de Nossa Senhora.

"O acontecimento guadalupano como afirmaram os membros da Conferência Episcopal Mexicana significou o começo da evangelização, com uma vitalidade que ultrapassou qualquer expectativa. A mensagem de Cristo através da sua Mãe assumiu os elementos centrais da cultura indígena, purificou-os e atribuiu-lhes o definitivo sentido de salvação" (14 de Maio de 2002, n. 8). Desta maneira, Guadalupe e Juan Diego possuem um profundo sentido eclesial e missionário, e constituem um paradigma de evangelização perfeitamente inculturada.

4. Com o salmista, acabamos de recitar: "Do céu, o Senhor contempla e vê todos os homens" (Sl 33 [32], 13), professando uma vez mais a nossa fé em Deus, que não considera as diferenças de raça ou de cultura. Ao acolher a mensagem cristã, sem renunciar à sua identidade indígena, Juan Diego descobriu a profunda verdade da nova humanidade, em que todos são chamados a ser filhos de Deus em Cristo. Desta forma, facilitou o encontro fecundo de dois mundos e transformou-se num protagonista da nova identidade mexicana, intimamente vinculada a Nossa Senhora de Guadalupe, cujo rosto mestiço dá expressão da sua maternidade espiritual que abarca todos os mexicanos. Por isso, o testemunho da sua vida deve continuar a dar impulso à edificação da Nação mexicana, a promover a fraternidade entre todos os seus filhos e a favorecer cada vez mais a reconciliação do México com as suas origens, os seus valores e as suas tradições.

Esta nobre tarefa de edificar um México melhor, mais justo e mais solidário, exige a colaboração de todos. Em particular, hoje em dia é necessário apoiar os indígenas nas suas aspirações legítimas, respeitando e defendendo os valores autênticos de cada um dos grupos étnicos. O México tem necessidade dos seus indígenas e os seus indígenas precisam do México!

Amados Irmãos e Irmãs de todas as etnias do México e da América, ao exaltar neste dia a figura do índio Juan Diego, desejo expressar-vos a proximidade da Igreja e do Papa em relação a todos vós, enquanto vos abraço com amor e vos animo a ultrapassar com esperança as difíceis situações por que estais a passar.

5. Neste momento decisivo da história do México, tendo já passado o limiar do novo milênio, recomendo à valiosa intercessão de São Juan Diego as alegrias e as esperanças, os temores e as angústias do querido povo mexicano, que trago com muito afeto no íntimo do meu coração.

Ditoso Juan Diego, índio bondoso e cristão, em quem o povo simples sempre viu um homem santo! Nós te suplicamos que acompanhes a Igreja peregrina no México, para que seja cada dia, mais evangelizadora e missionária. Encoraja os Bispos, sustenta os presbíteros, suscita novas e santas vocações, ajuda todas as pessoas que entregam a sua própria vida pela causa de Cristo e pela difusão do seu Reino.

Bem-aventurado Juan Diego, homem fiel e verdadeiro! Nós te recomendamos os nossos irmãos e as nossas irmãs leigos a fim de que, sentindo-se chamados à santidade, penetrem todos os âmbitos da vida social com o espírito evangélico. Abençoa as famílias, fortalece os esposos no seu matrimonio, apóia os desvelos dos pais, empenhados na educação cristã dos seus filhos. Olha com solicitude para a dor dos indivíduos que sofrem no corpo e no espírito, de quantos padecem em virtude da pobreza, da solidão, da marginalização ou da ignorância. Que todos, governantes e governados, trabalhem sempre em conformidade com as exigências da justiça e do respeito da dignidade de cada homem individualmente, para que desta forma a paz seja consolidada.

Amado Juan Diego, a "águia que fala"! Ensina-nos o caminho que conduz para a Virgem Morena de Tepeyac, para que Ela nos receba no íntimo do seu coração, dado que é a Mãe amorosa e misericordiosa que nos orienta para o Deus verdadeiro.

No final da celebração, antes de conceder a Bênção apostólica a todos os fiéis ali presentes, o Santo Padre disse:

Ao concluir esta Canonização de Juan Diego, desejo renovar a minha saudação a todos vós que nela pudestes participar, alguns nesta Basílica, outros nos arredores e muitos outros ainda através da rádio e da televisão. Agradeço de coração o afeto de todas as pessoas que encontrei pelas ruas que percorri. No novo Santo encontrais, o maravilhoso exemplo de um homem justo, de costumes retos, leal filho da Igreja, dócil aos pastores, amante da Virgem e bom discípulo de Jesus. Ele seja um modelo para vós, que muito o amais, e Deus queira, interceda pelo México, a fim de que seja sempre fiel. Levai a todos quantos a mensagem desta celebração, além da saudação e do afeto do Papa a todos os mexicanos.

 

 

CRONOLOGIA DOS EVENTOS RELACIONADOS AO MILAGRE

ANO

EVENTO

1474

Um Índio chamado Quauhtlatoatzin nasceu em Cuautitlan.

1476

Juan de Zumarraga nasceu na Espanha.

1492

Cristovão Colombo chega em uma ilha do continente Americano e lhe dá o nome de San Salvador.

1514

O primeiro Santuário Mariano no novo mundo é estabelecido na cidade de Higuey, sendo assim o primeiro a ser construido em solo americano.

1519

Hernan Cortez chega ao México.

1521

A capital dos Astecas é derrotada pelas forças de Cortez.

1524

Os 12 primeiros Franciscanos chegam na Cidade do México.

1525

O Índio Quauhtlatoatzin é batizado por um sacerdote Franciscano e recebe o nome Cristão de Juan Diego.

1528

Juan de Zumarraga chega ao Novo Mundo.

1529

A esposa de Juan Diego, Maria, cai enferma e falece.

1531

Ano das aparições à Juan Diego

1533

O primeiro santuário é erguido.

1541

O sacerdote Franciscano e historiador da Nova Espanha, “Motolinia” escreve que cerca de nove milhões de Astecas foram convertidos ao Cristianismo.

1548

Morre Juan Diego.

1555

No Conselho Provincial, o segundo Arcebispo do México, Alonso de Montúfar, formula cânones que indiretamente aprovam as aparições.

1556

Arcebispo Montúfar começa construção da segunda igreja.

1560

Um documento conhecido como a Relação Valeriano é escrito por um índio chamado Antônio Valeriano. Também conhecido como o Nican Mopohua. (Entre 1540 e 1580).

1564

Uma imagem foi levada na primeira expedição formal às Filipinas.

1567

A nova igreja construída pelo Arcebispo Montúfar é terminada.

1570

Arcebispo Montúfar envia ao rei Felipe II da Espanha, uma cópia pintada a óleo da imagem de Guadalupe.

1571

Almirante Doria leva uma cópia da imagem a bordo de seu barco durante a batalha de Lepanto, e atribui a Virgem de Guadalupe a vitória sobre as forças do Império Ottomano.

1573

A “Relação Primitiva” e´ escrita pelo historiador Juan de Tovar, que transcreve a história de fontes ainda anteriores, é provavelmente Juan Gonzalez, o tradutor do Bispo Zumarraga. (Descoberta na biblioteca Nacional de arquivos do México)

1647

A imagem é coberta por um vidro pela primeira vez.

1648

O sacerdote Miguel Sanchez publica na Cidade do México, em espanhol, a obra titulada "Imagem da Virgem Maria, Mãe Guadalupe de Deus.

1649

Luis Lasso de la Vega publica a “Huey Tlanahuicoltica”, ralatando as aparições em Nahuatl. Usando fontes anteriores a Nahuatl.

1666

Uma investigação formal é conduzida pela igreja desde 18 de fevereiro à 22 de março para autorizar sua tradução.

1695

É colocada a primeira pedra do novo Santuário. É solenemente dedicado o novo Santuário em 1709.

1723

Outra investigação formal é ordenada pelo Arcebispo Lanziego y Eguilaz.

1737

A Santíssima Virgem Maria de Guadalupe foi escolhida como patrona da Cidade do México.

1746

O patronado de Nossa Senhora de Guadalupe é aceito por toda Nova Espanha, que até então, compreendia as regiões do norte da Califórnia até El Salvador.

1746

O cavalheiro italiano Boturini Benaducci promove a solene e oficial coroação da imagem.

1754

O Papa Benedito XIV aprova o patronato da Nova Espanha e outorga uma Missa e ofício para a celebração da festa de 12 de dezembro.

1756

O Famoso pintor Miguel Cabrera publica seu estudo da imagem em um livro "Maravilha Americana".

1757

A Virgem de Guadalupe é declarada patrona dos cidadãos da Ciudad Ponce em Porto Rico.

1767

Os jesuítas são expulsos dos domínios espanhóis e a imagem e a sua devoção são levadas a várias partes do mundo.

1895

Com a autoridade papal, a imagem foi coroada com a participação do Episcopado do continente.

1910

O Papa Pio X declara a Virgem da Guadalupe Patrona da América Latina.

1911

Uma igreja foi construída no sítio da casa do Juan Bernardino.

1921

Uma bomba colocada abaixo da imagem explodiu, causando grande dano, mas nada aconteceu ao tilma.

1924

Um importantíssimo antecedente histórico do século XVI documentando o milagre, é encontrado no Peru pelo antropólogo M. Saville. É um calendário conhecido como o Codex Saville e mostra a imagem de Guadalupe na posição do ano de 1531.

1928

Uma coroação da imagem realiza-se em Santa Fé, Argentina.

1929

Primeira observação documentada da aparente imagem de um busto humano refletido em um olho da Virgem, pelo fotógrafo Alfonso Marcue.

1935

O Papa Pio XI entende o Patronato da Virgem às Filipinas.

1945

O Papa Pio XII declara a Virgem de Guadalupe como "Rainha do México e Imperatriz das Américas" e que sua imagem foi pintada "por pincéis que não são deste mundo”.

1946

O Papa Pio XII A declara Patrona das Américas.

1951

Exame da imagem por Carlos Salinas. É observada a aparente reflexão de um busto humano no olho direito da Virgem.

1956

Dr. Torroela-Bueno, um oftamologista, examina os olhos da Virgem no tilma.

1958

Dr. Rafael Torija-Lavoignet publica seu estudo sobre o efeito de Purkinje-Sanson observado nos olhos da Virgem de Guadalupe.

1961

O Papa João XXIII dirige-se a Ela em oração como Mãe das Américas. Refere-se a Ela como Mãe e Mestra da Fé dos povos das Américas.

1962

Dr. Charles Wahlig, anuncia o descobrimento de duas imagens aparentemente refletida nos olhos da Virgem, ao examinar a fotografia ampliada vinte e cinco vezes.

1966

O Papa Paulo VI envia uma rosa de ouro à Basílica.

1975

O vidro é removido para permitir que a imagem seja examinada por outro oftamologista, o Dr. Enrique Grave.

1976

Dedicação da nova Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, localizada quatro milhas do centro da Cidade do México.

1979

Dr. Philip Callahan tira 40 fotos em infra-vermelho da imagem. Mais tarde concluiu que a imagem original é inexplicável como criação humana.

1979

O Papa João Paulo II A chama de “Estrela da Evangelização”, ajoelha-se diante de Sua imagem, invoca Sua assistência maternal e dirige-se a Ela como a Mãe das Américas.

1979

Dr. Jose Aste-Tonsmann anuncia o descobrimento de quatro figuras humanas aparentemente refletida em ambos os olhos da Virgem. Dr. Tosmann usou técnicas sofisticadas de processamento de imagem com digitalização fotográficas de ambos os olhos.

1988

A celebração litúrgica de Nossa Senhora de Guadalupe em 12 de dezembro foi levada ao status de festa em todas as dioceses nos Estado Unidos.

1990

Juan Diego é beatificado pelo Papa João Paulo II no Vaticano.

1990

O Papa João Paulo II retorna a Basílica na Cidade do México. Preside a cerimônia de beatificação de Juan Diego.

1992

O Papa João Paulo II dedica uma capela em honra a Nossa Senhora de Guadalupe na Basílica de São Pedro no Vaticano.

 

A Basílica de Guadalupe

 

 

 

Oração de João Paulo II  à Nossa Senhora de Guadalupe

Ó Virgem Imaculada, Mãe do Deus Verdadeiro e Mãe da Igreja!  Que deste lugar revelastes Vossa clemência e Vossa piedade a todos os que pedem por Vossa proteção, ouvi a oração que Vos dirigimos com filial confiança, e apresentai-a ao Vosso Filho Jesus nosso único Redentor. Mãe de Misericórdia, Mestra do sacrifício oculto e silencioso, a Vós, que viestes a nós pecadores, dedicamos neste dia todos o nosso ser e todo nosso amor. Também dedicamos a Vós nossa vida, nosso trabalho, nossas alegrias, enfermidades e tristezas. Concedei-nos paz, justiça e prosperidade a nossos povos, pois confiamos a Vosso cuidado tudo o que temos e tudo o que somos, nossa Senhora e Mãe. Desejamos ser inteiramente Vossos e caminhar Convosco pelo caminho da completa fidelidade a Jesus Cristo em Sua Igreja; amparai-nos sempre com Vossa Mão amorosa. Virgem de Guadalupe, Mãe das Américas, a Vós rezamos por todos os Bispos, para que consigam levar os fiéis ao longo dos caminhos da intensa vida cristã, do amor e humilde serviço a Deus e às almas. Contemplai esta imensa messe, e intercedei junto ao Senhor para que Ele desperte a fome pela santidade em todo o povo de Deus, e grandes e abundantes vocações de sacerdotes e religiosos, fortes na fé e zelosos dispensadores dos mistérios Divinos. Concedei a nossos lares a graça do amor e do respeito à vida desde seu início, com o mesmo amor com o qual concebestes em Vosso ventre a vida do Filho de Deus. Bem-Aventurada Virgem Maria, protegei nossas famílias, para que sejam sempre unidas e abençoai a educação de nossos filhos.

Nossa esperança, olhai sobre nós com compaixão, ensinai-nos a ir continuamente a Jesus e, se cairmos, ajudai-nos a levantarmos novamente, para retornar a Ele, por meio da confissão de nossas faltas e pecados, no Sacramento da Penitência, que concede paz à alma.

Nós Vos pedimos que nos alcanceis um grande amor a todos os Santos Sacramentos, que são, como foram, os sinais que Vosso Filho nos deixou na terra.

Assim, Santíssima Mãe, com a paz de Deus em nossas consciências, com nossos corações libertos do mal e do ódio, seremos capazes de levar a todos a verdadeira alegria e a verdadeira paz, que vem a nós de vosso Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que com Deus Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos. Amém.

Sua Santidade João Paulo II, México, janeiro de 1979. (em visita à Basílica de Guadalupe na sua primeira viagem ao exterior como Papa)
7- A VERDADEIRA FACE DE JESUS MARCADA NO SUDÁRIO PELA ENERGIA DO AMOR DE DEUS

Durante mais de vinte e dois anos tenho, juntamente com minha querida esposa Teka, militado na Igreja católica, como um leigo engajado, ou como dissemos no Movimento de Cursilho: um cristão comprometido. Após o meu encontro pessoal com Jesus, Maria e com a Igreja, isto com os irmãos que a compõe, tenho meditado e contemplado a face de Jesus. Quantas e quantas vezes os jovens, crianças e adultos aos quais ministrávamos catequese, em encontros, cursos de crisma, curso de noivos ou mesmo em encontros de casais e cursilhos nos perguntavam: qual a verdadeira face de Jesus e de Maria? Bem a de Maria ou já vos mostrei: pelo inefável amor de Deus, da Santíssima Trindade, a presença de Maria entre nós ficou gravada na tilma de San Juan Diego, e vocês já sabem a data completa do acontecimento! Mas qual a face verdadeira de Jesus? Quanto eu tenho procurado! Mas graças a Deus eu descobri! Até o final desta explanação eu a mostrarei a cada um de vocês que estão lendo este livrinho.

Através dos filmes de Jesus apresentados, a face de Jesus que nos é oferecida, como loiro, olhos azuis e tez clara. Minha esposa o vê sempre assim! Mas eu não conseguia vê-lo assim. Para mim sempre vinha a imagem de um judeu forte, narigudo, olhos esverdeados ou negros, mas nunca azuis. Após ter realizado o meu cursilho em 83, comecei um curso de teologia para leigos, juntamente com minha esposa e logo após um curso de Cristologia, um aprofundamento no conhecimento teológico da pessoa e da missão de Jesus. O professor deste curso foi o Pe Geraldo de Almeida Sampaio, hoje superior da da Congregação Dos Oblatos De Cristo Sacerdote. Através dele tive oportunidade de conhecer o Mosteiro da sagrada face, em Roseira, SP, bem próximo aqui de Guaratinguetá, onde resido. Neste mosteiro tem a foto original do santo sudário de Turin, pois conforme a história da fundação desta congregação, o Pe Baleeiro, seu fundador, a pedido de umas freiras desenhou a face de Jesus em uma folha de papel para uma procissão, usando carvão. No outro dia, pela manhã, verificaram que no lado oposto do papel, havia ficado gravada a face de Cristo, com uma semelhança impressionante, da do sudário. Um milagre? Ou um sinal? Para mim um sinal, pois á partir desta visita passei a meditar sobre a face de Jesus. E a uns meses atrás, estando realizando um retiro em Itaici, no Centro de Espiritualidade Inaciana. Durante este retiro meditamos e contemplamos a ressurreição de Jesus Cristo, especialmente em Jo. 20,1-10: o túmulo vazio, Meditemos:

* O que é viram e observaram os discípulos que visitaram o sepulcro por primeiro, para nos transmitir?

* Qual foi o primeiro detalhe que chamou a atenção dos discípulos?

* O que exatamente viram João e Pedro, alguns instantes antes de perceberem que o túmulo estava vazio?

João, o único a narrar o particular que nos interessa, frisa que foi o primeiro a chegar ao sepulcro, o primeiro a inclinar-se e ver “os panos de linho estendidos por terra... e o sudário dobrado, em um lugar à parte”. Porque motivo faz notar algo de uma importância aparentemente tão secundária?

- Quem é este Homem que por ocasião do maior acontecimento da sua vida, a ressurreição, encontra tempo para recolher e dobrar o sudário?

- Por que, no dia em que lhe cabe a extraordinária ventura de retornar à vida, Ele se mantém atento aos detalhes que o circundam?

- Que importância pode ter um pedaço de tecido para quem se liberta dos braços da morte?

No entanto, o gesto de atenção ao sudário nos revela a personalidade de Jesus, nos faz entrever Jesus no mais íntimo do seu mundo humano. A atenção às coisas mínimas, pequeníssimas, ao que aparentemente se revela sem importância... É um traço essencial da personalidade de Jesus.

O detalhe de recolher o sudário enrolá-lo e colocá-lo à parte não alude apenas à calma de quem efetuou tal gesto. Jesus revela-se como o homem que resgata e plenifica o aspecto ordinário da vida, o que é habitual e cotidiano.

Qual pode ser o segredo da sua condição humana?

Jesus não permite que a vida de cada dia seja destruída. Sabemos que tudo aquilo que se repete todos os dias, tende a dissipar-se e a passar desapercebido.

O acontecimento singular e grandioso da Ressurreição não o afasta da dimensão real e simples da vida humana. A vida humana é simples em plenitude. É constituída de fatos e circunstâncias insignificantes, banais, óbvia, o mais das vezes desprovidas de importância.

Jesus não se deixa prender pelo “extraordinário”, porque sua vida encontra sentido no “ordinário”.

As coisas superiores adquirem sentido quando relacionadas às inferiores.

Jesus vence e resgata o sentido da vida, se revela humano precisamente naquilo que se apresenta sem atrativo, sem importância. O “extraordinário” não transforma a sua consciência, mas, ao contrário, é a sua consciência do que é a vida humana que transforma o ordinário em extraordinário.

Sua visão dos fatos permite-lhe entrelaçar o surpreendente com a realidade de sempre, feita aparentemente de coisas simples.

Jesus não se deixou dominar pela Ressurreição. Mesmo depois de ressuscitado, concedeu a si próprio o direito de penetrar na humilde vida de cada dia.

Quando se têm olhos somente para o que é grande, o horizonte de compreensão da vida se restringe.

Ignorando a importância das coisas mínimas, acaba-se por perder o sentido das grandes.

Os especialistas em coisas extraordinárias perdem os numerosos milagres da vida cotidiana. As coisas qualificadas como pequenas podem, efetivamente, revestir-se de uma importância decisiva na vida.

Com o gesto de “dobrar o sudário” Jesus revela-se como o homem da vida de cada dia, que não quer anular a realidade mais simples. O divino continua a atuar naquilo que pareceria desprovido de valor.

Jesus restitui à condição humilde da vida o seu caráter de realidade preciosa e esplêndida.

Através desse gesto elementar, Jesus honra e diviniza as realidades pequenas, as que podem passar despercebidas. Aos seus olhos nenhum aspecto da realidade é desqualificado. Ele está ciente de que a transcendência está misturada com a realidade. Vislumbra-se o invisível através do visível.

Tudo quanto parece incompleto, inacabado, imperfeito, pequeno, encontra acolhimento em Jesus. As coisas não são destituídas do próprio valor nem mesmo depois de usadas.

Se assim trata as “coisas” desprezíveis e irrisórias da vida, que tratamento Ele reservará à “existência” humana, em si mesma frágil, vulnerável, pobre, imperfeita...?

Quê lugar ou que espaço consagra à realidade desprezada e desarmada do ser humano?

Jesus não se afasta da existência limitada do ser humano. Ele faz tudo quanto é necessário para manter-se ligado a ela. Seu interesse pelo sudário é o espelho do seu interesse pela pessoa.

Estas foram as conclusões gerais a que chegamos no plenário final do dia.

Mas para mim, em minha contemplação havia algo mais: eu havia contemplado uma força extraordinária, um brilho, uma energia poderosíssima acontecendo naquele instante da ressurreição de Jesus! Havia uma certeza em meu coração: Jesus não colocou o sudário enrolado ao lado só por que era caprichoso ou muito organizado! Se não ele teria juntado também ou outros panos de linho que ficaram espalhados no chão! Não! No sudário existe uma mensagem, um sinal de sua ressurreição para os dias de hoje, onde a técnica apurada pode provar sua autenticidade, especialmente nestes dias em que está circulando idéias conflitantes sobre um tal código Da Vinci. Eu já escrevi um livro sobre esse assunto: o verdadeiro código de vida: Jesus Cristo, se vai publicar não sei, mandei para as editoras. Mas continuando a meditação sobre o sudário. Aquela contemplação que fiz me levou a pesquisar sobre o sudário, e vocês verão que não foi em vão, aquilo quem havia contemplado em Itaici, realmente foi o acontecido, meu coração e os meus sentidos me dizem isso! O mesmo fenômeno transcendental do amor misericordioso de Deus, da Trindade Santa, faz acontecer sinais de seu amor para nós, especialmente para os céticos, aquele que tende ver para crer. Tomé foi um exemplo destes: na ressurreição de Jesus, quando Maria Madalena corre anunciar que Jesus havia ressuscitado, Tomé diz: eu não acredito, só se ver seus pés e mãos furadas e seu peito rasgado pela lança! Jesus respeita seu ceticismo e lhe aparece dizendo:  veja Tomé, coloque sua mãos em minhas chagas, Tomé acreditou imediatamente: meu Senhor e meu Deus!

Assim como Jesus respeitou o ceticismo de Tomé, Ele respeita o nosso! E por isso deixou para nós este sinal de sua ressurreição: sua imagem, imagem de seus sofrimentos e de sua ressurreição, para que aqueles que não acreditam, creiam e mudem sua vida, assim como eu e minha esposa e muitos amigos estamos fazendo. Para que você veja e acredite, aqui vão os fatos que comprovam a autenticidade do sudário de Turim.
8-POR QUE É IMPORTANTE PARA NÓS O SANTO SUDÁRIO?

            Caro amigo leitor/a, todas as contemplações e meditações que tenho relatado neste livro, são pura responsabilidade minha, são fatos que tem acontecido com minha pessoa, com certeza, em virtude de ter me dedicado de corpo e alma na busca da verdade. É importante antes do relato das pesquisas que tenho obtido, mostrar a posição da Igreja nestes fatos. Pelo que tenho verificado, a identificação do Sudário de Turim, se é verdadeiro ou falso, não é um problema de “fé” mas da “ciência”.  A fé é uma virtude interior que independe da autenticidade das relíquias. É dom do Espírito Santo, é dom de Deus. Nasce com as pessoas, sedimenta na alma através do Sacramento do Batismo, cresce, ganha vigor e força, por meio da Catequese, da leitura Bíblica, da Oração, dos demais Sacramentos e da prática religiosa. Tudo isso tem acontecido com minha pessoa a vinte e dois anos de orações, estudos e contemplações. As relíquias são preciosos elementos que estimulam a devoção da humanidade e funcionam como referência material, mostrando aqui na Terra a quem devemos elevar nossas preces e louvores nos Céus.

A Igreja Católica nunca se pronunciou oficialmente sobre a autenticidade do Sudário, assim como de dezenas de outras peças que pertencem ao acerco cristão, porque o culto das relíquias é “relativo”, isto é, o culto não deve ser feito ao “objeto”, por exemplo: no caso do Sudário, o culto não deve ser feito ao Lençol de Linho que está em Turim, nem a tilma de San Juam Diego, na qual ficou gravada a imagem da Virgem de Guadalupe, mas o que ele representa, “a imagem dos sofrimentos de Jesus impressa no tecido com o seu Divino Sangue, oriundo dos terríveis flagelos e de sua abominável morte na Cruz, que redimiu a humanidade de todas as gerações”.

Antes de iniciarmos a apresentação dos fatos e pesquisas que comprovam, ou pelo menos nos dão certeza de que algo inexplicável aconteceu naquele lençol no momento da ressurreição. Vamos meditar um pouco sobre aquele momento e pouco depois: A Ressurreição não é a negação da Cruz, nem uma revanche sobre a Cruz. Ela proclama com força, que Deus estava com o Crucificado, até no seu abandono; que a Cruz, longe de ser um fracasso, é o triunfo do Amor mais forte que a morte. A Cruz não é a última palavra de Deus; Deus ressuscitou o crucificado.

A Ressurreição mostra que a Cruz é o 1º passo para a Vida: “Se o grão de trigo não morre...” É impossível para nós, neste mundo, captar totalmente esta realidade da Ressurreição que esperamos pela fé. É como se a uma criança no ventre materno explicássemos como é a vida fora, que é respirar ou que são as cores. Em suas existências fetais, fechadas, obscuras e flutuantes, seria absolutamente incapaz de imaginar.

Anseios de Vida nova, busca de um sentido para a própria existência, medo da morte enquanto fracasso, esperança do Amor que tudo renova... Tudo isso encontra sua razão de ser na Ressurreição de Jesus. Ela é o dinamismo que impulsiona a vida e ação dos que se comprometem com Cristo: O Amor gera a Fé, a Fé gera o testemunho: contemple o texto em  Jo. 20, 1-9.

O texto de João é uma verdadeira catequese sobre a Ressurreição de Jesus. Com este trecho, visa-se responder às perguntas:

-          com que disposições deve o cristão encarar o “túmulo vazio”?

-          serão ainda necessários “sinais” que suscitem a fé em Jesus?

A cena começa com uma indicação de tempo: “no primeiro dia...”

-          inicia-se a Nova Criação, nascida da morte e Ressurreição de Jesus;

-          há uma referência explícita ao 1º Dia da Criação: “Faça-se a luz...”.

Há um mergulho através da morte, para além da morte.

E é assim que, Maria Madalena, porque olha a morte de frente, vai ser a primeira testemunha da Ressurreição. Por isso ela adiciona algo à nossa experiência, porque se fugimos da morte, não poderemos ir ao outro lado, ao além da morte.

Porque é no fundo desta experiência mortal que podemos entrar na contemplação do que é imortal.

Maria Madalena é figura simbólica. Representa a comunidade sem a perspectiva da fé, incapaz de assimilar a morte de Jesus. Ela é figura representativa de todos os que pensam que o túmulo seja o lugar do fracasso do projeto de Deus.

 No versículo 2 ela fala na 1ª pessoa do plural, denotando que é figura representativa de um todo (“não sabemos”). O gesto dela indo ao túmulo sintetiza as buscas da comunidade cristã, ansiosa de vida e amor, mas que às vezes os procura em lugar errado. Já é de madrugada, mas para ela ainda são trevas. As trevas representam o “mundo”, a negação da vida, que não aderiu a Jesus.

Diante da “pedra rolada” ela pensa em roubo de cadáver. Para ela, a morte havia interrompido a vida, para sempre.

Na Ressurreição, Jesus assume todos os rostos da humanidade (por isso é confundido nas aparições).

Na sua vida pública Ele se identificou com todos.

Na Ressurreição Ele transfigura todos os rostos; nossa humanidade foi transfigurada. Jesus assume a identidade de todos e ao mesmo tempo revela a identidade de cada um; possibilita que cada um revele o seu rosto (ao dizer o “nome” ele toca na identidade da pessoa e esta o reconhece). Madalena procura ainda um corpo, o lado humano que a acolheu, aceitou e perdoou. Jesus a conduz a ir além da aparência, além do corpo, ir ao encontro do Mistério: O Mistério não pode ser segurado e retido. “Não me retenha!” É como se dissesse: “Não me retenha”. Aquele que você procura no exterior procure-o no seu interior. E não o procure mais da mesma maneira como você o conheceu, porque Ele vai se revelar em você de uma maneira nova”.

Também os dois discípulos representam a comunidade que não assimilou a morte de Jesus.

O evangelista dá a entender que a comunidade tinha se dispersado. Por isso Maria Madalena encontra os dois a sós.

A intenção de João é bem clara: a comunidade não subsiste sem a vivência da fé em Cristo Ressuscitado. Eles saem correndo em direção ao túmulo.

“Quem ama corre mais e chega primeiro”. Ele percebe que há “sinais de vida”, mas não alcança a plena compreensão do que aconteceu. “Entrar” é diferente de “estar fora”. Entrar no túmulo é entrar no Mistério: “Viu e acreditou”.

O fato de deixar Pedro entrar antes no túmulo é, da parte do discípulo amado, um gesto de reconciliação e de amor, gesto que repete o de Jesus.

Naquele momento eles não puderam ver o que o sudário mostrava, ainda não existia fotografia, nem era possível ter-se um negativo desta foto. Mas também, não era necessário naquele momento, a fé e o amor de João viram mais longe: João viu e acreditou. Maria Madalena viu e acreditou. Eles foram testemunhas oculares! Mas nem todos acreditaram, havia muitos céticos!

Meu caro amigo/a leitor, a prisão, o processo, a crucificação e a morte do Mestre na cruz deixaram os discípulos num incrível estado de desorientação. Dois deles decidiram ir embora, deixando Jerusalém, onde tinham acontecido aqueles eventos dramáticos e chocantes.

Ambos se distanciavam da Cidade e o dia escurecia, também dentro deles. A caminhada dos discípulos que haviam abandonado Jerusalém, cidade da esperança, dirigindo-se para Emaús, realiza-se ao anoitecer: estava escurecendo, o coração se apagando, os pensamentos tristes, os passos cansados, o horizonte obscuro. Conversavam, discutiam, mas não compreendiam o sentido dos fatos. Em seus rostos transparecia a obscuridade pela tristeza e decepção.

Os dois peregrinos tinham uma meta: Emaús, onde esperavam voltar à vida de antes ou conseguir começar a fazer algo de novo.

São impelidos àquela meta unicamente pela desilusão, pela perdição, pelo pessimismo. Na verdade, ainda não eram livres e se sentiam oprimidos por uma esperança traída.

A vida de todo ser humano, que busca compreender o sentido dos fatos e das coisas, é como o caminho de Emaús. O fracasso da morte permanece no horizonte da vida de cada pessoa, tornando-se evidente nas coisas incompreensíveis ou nos fatos que não se consegue explicar.

Diante desta situação, apresentam-se duas tentações extremas: a fuga ou a indiferença.

Pode-se viver, fugindo de tudo o que acontece ou padecendo os eventos de modo fatal.

Jesus se torna um estranho – o único estrangeiro – para fazer entender o que aconteceu. No silêncio, deixa-os narrar. A seguir, tomando a palavra, explica as coisas “do seu modo”, à luz da Verdade.

Sem que eles percebam, Jesus os ajuda a ver os acontecimentos e a própria existência sob uma perspectiva nova. Ele se torna Palavra viva, contemplada, ouvida. Fazendo memória das suas promessas, ele enche de sentido e de esperança o coração deles, fechado na tristeza.

Antes, sem saber e, depois, conscientes, começam a perceber um raio de luz na escuridão de seu coração.

Pelas palavras do Desconhecido, conseguem dar um nome aos próprios sentimentos, às próprias expectativas, aos temores que os perturbavam.

Pouco a pouco, a Palavra se torna gesto, se torna ceia, convite, partilha e pão repartido.

Assim, toda a vida humana é resumida nesses dois gestos, simples e essenciais: a bênção e a partilha.

Jesus partilha com eles o caminho, a dúvida, a decepção, a obscuridade, a escuta, a conversa, o pão.

Ele lhes concede uma esperança, repleta de memória e de profecia.

Enfim, diante de um gesto simples e familiar, o “partir do pão”, reconhecem um rosto, o Rosto. Mas Ele desaparece. O coração arde no peito e os olhos se abrem: finalmente compreendem e voltam a Jerusalém, a cidade onde se aperfeiçoa o encontro e o reconhecimento.

Jerusalém é a cidade que gerou a primeira esperança naqueles dois discípulos; depois se torna contexto no qual explode a experiência da desilusão, do medo, da morte e da falência; agora, enfim, é, mais uma vez, o lugar que acolhe a exuberância do encontro e do reconhecimento.

Os dois discípulos, logo que reconheceram o Mestre, retornaram a Jerusalém: lá o haviam conhecido; de lá se afastaram, tentando esquecer a derrota da Cruz e a comunidade amedrontada dos discípulos; para lá, enfim, retornam, a fim de transmitir a alegria contagiante do reconhecimento.

Então, a noite não os amedronta mais. Correm na escuridão, sem temor, em direção àquela Jerusalém, que não era mais cidade da morte, da Cruz, da derrota, da desilusão.

O crepúsculo que acompanhava a sua fuga se tornara uma nova aurora, repleta de esperança. Jerusalém se torna para eles Cidade da comunidade, lugar do memorial, tempo de partilha, tempo de profecia.

Assim, começa algo novo: das ruínas da derrota, do medo, da fuga, renasce uma cidade, uma comunidade nova. Os discípulos de Emaús deixam para trás o próprio passado e, junto com os Onze e os outros, que estavam em Jerusalém, começam uma vida nova.

Jesus com os discípulos de Emaús se faz estrangeiro, e recomeça do zero: ajuda-os a reconhecer, a retomar o sentido perdido e oculto atrás da derrota e atrás da escuridão, da dúvida e da dificuldade de crer.

Sozinhos, os dois de Emaús, não teriam conseguido reconhecer: precisavam ser ajudados; o Anônimo toma a iniciativa, aproxima-se, acompanha-os, escuta-os, compartilhando, antes, o mistério do sentido das coisas, e, depois, o pão da partilha.

Agora, seus corações se tornam disponíveis à escuta, os olhos prontos a reconhecer, os pés prontos a correr, as mãos aprendem a repartir o pão da vida.

Ele desaparece, mas não se sentem sozinhos; a noite não é mais obscura; a mesa não está mais vazia; suas palavras narram o que viram; cada companheiro de estrada traz no rosto os sinais do Desconhecido.

Hoje podemos ver com clareza o sinal que Cristo quis deixar com sua delicadeza em dobrar o sudário e o colocar à parte, à vista dos discípulos.
9- POR ONDE ANDOU O SANTO SUDÁRIO

É grande a quantidade de informações que quer reproduzir o provável caminho, seguido pelo lençol que cobriu Jesus, até os nossos dias. Entre os livros apócrifos, existem três documentos: o Evangelho Apócrifo de São Mateus, escrito em aramaico, o Evangelho de Jesus segundo os Hebreus, o qual foi citado diversas vezes por São Jerônimo em suas homilias e epistolas, e o Livro dos Atos de Filipos, todos eles escritos no século I e II de nossa era. Nos mencionados textos encontram-se referências diretas ao Santo Sudário, provando a sua existência, apesar de não serem escritos aceitos pela nossa Igreja, mas servem de base para viajarmos no tempo, digo sem pára-quedas, pois são apócrifos.

Por volta do ano 338, São Cirilo, o Bispo de Jerusalém costumava mostrar aos seus fieis, as provas da Ressurreição, na Basílica do Santo sepulcro, exibindo algumas relíquias, tais como: os panos de linho que amarraram o Lençol no Corpo do Senhor, o pano usado para manter a boca fechada, assim como um pedaço da pedra que foi utilizada para fechar o sepulcro e o Sudário.

Entre os anos 550 e 565, Justiniano, último Imperador Romano, enviou emissários à Jerusalém, a fim de tomar as medidas do Senhor, no Sudário. Posteriormente mandou fundir em prata dourada a imagem de Jesus no tamanho natural, que ficou conhecida como a “Crux Mensuralis”.

Pouco tempo depois, no ano 670, o Bispo francês Dom Arculfo fez uma peregrinação a Jerusalém para também medir a altura do Senhor.

Por volta do ano 670, São João Damasceno assinala entre as relíquias veneradas pelos, cristãos em Jerusalém, o "sindon" ou  "sudarium".

Consta que em 1005, no século XI, os cristãos levaram todos os objetos sagrados para Antioquia na Síria.

De Antioquia, presume-se que o Sudário tenha sido levado primeiro para Edessa (1.050) e depois Constantinopla (hoje cidade de Istambul na Turquia), lá permanecendo de 1.092 a 1204, de acordo com as referências históricas encontradas.

Em 1147, Luis VII, rei da França, visitando oficialmente Constantinopla, teve a oportunidade de venerar o Santo Sudário .

Em 1171, o Imperador de Constantinopla Manuel Comneno, mostra a relíquia ao Rei Adamauri de Jerusalém.

No século XII o Sudário se encontrava em Constantinopla, porque naquela época alguns peregrinos afirmavam que tinham venerado o "sudarium" naquela cidade.

Roberto de Clari, cavaleiro francês da Picardia, que tomou parte na tomada de Constantinopla em 1204, descreve com detalhes, as riquezas e as relíquias que viu nos palácios e nas ricas Capelas da cidade, especialmente no "Boucoleon". Ele viu dois pedaços da verdadeira Cruz de Jesus, a ponta de ferro da lança do centurião, dois cravos também de ferro, uma túnica vermelha que colocaram nos ombros de Cristo (sagum romano) e a coroa de espinhos. Encontrou o Santo Sudário, em um Mosteiro sob a proteção de Santa Maria de Blachernes. Às sextas-feiras era exposto aos fieis. O Lençol Mortuário era aberto e mantido esticado num local estratégico para facilitar a visitação, de tal forma, que se podia ver com bastante nitidez o retrato de Nosso Senhor, afirma Roberto de Clari.

Quando a cidade de Constantinopla foi invadida o sudario desapareceu misteriosamente, foi roubado ou transformado em presa de guerra.

A Mortalha somente reapareceu oito anos mais tarde, em 1357, como propriedade do conde Godofredo de Charny, que a recebeu de presente do rei Felipe VI, como testemunho de grande amizade. Em 22 de Março de 1452, o Sudário foi transferido para a Igreja de Chambèry, onde o Duque de Savóia construiu uma rica Capela e colocou a preciosa relíquia numa urna de prata em exposição. Em 4 de Dezembro de 1532, um incêndio de origem criminosa começou na Sacristia da Igreja e alastrou-se violentamente, inclusive atingindo a Capela do Santo Sudário, sendo a caixa de prata superaquecida pelo calor das chamas, retirada com grande dificuldade. Entretanto, em face da alta temperatura, a prata da caixa começou a se derreter, queimando uma pequena parte da Mortalha, que estava dobrada diversas vezes para caber dentro da caixa.

Em 1534, as Irmãs Clarissas de Chambèry, fizeram a restauração utilizando uns tecidos similares, aplicando remendos nas partes queimadas, assim como em outras partes que sofreram mutilações em outras épocas.

Examinando-se o Sudário, observa-se que as duas impressões com sangue no tecido ficaram entre duas linhas paralelas (devido à prata fundida), sobre as quais se percebe os remendos de forma triangular aplicado encima das queimaduras.

Em 1578, o Duque Emanuel Felisberto de Savóia, levou o Sudário para Turim na Itália.

De 1578 a 1694, o sudário permaneceu guardado na Igreja de São Lourenço em Turim.

Em 1694 o Santo Sudário foi solenemente colocado na Catedral de São João Batista em Turim.

Em 1898, o sudário foi fotografado pela primeira vez, pelo advogado Secondo Pia.

Em 1931 foi fotografado novamente em diversos ângulos. O trabalho foi executado pelo especialista Giuseppe Enrie que tinha autorização eclesiástica e as fotografias confirmaram o caráter extraordinário da primeira foto.

Em 1939 o Lençol Mortuário que envolveu o Senhor foi levado para a Abadia de Montevergine (Avellino), na Itália, para não sofrer dano ou profanação durante a 2ª Grande Guerra Mundial.

Em 1945 voltou para a Catedral de Turim.

Com a morte do ex-rei da Itália Umberto II, da família Savóia, herdeiro da preciosa relíquia, deixou em testamento que o Santo Sudário passaria à posse do Papa João Paulo II. Em Abril de 1980 o Santo Padre, visitou e reverenciou santo Sudário, que permanece em Turim.

Em 1969, o Cardeal Pellegrino, então Arcebispo de Turim, nomeou uma Comissão de Estudos, formada por especialistas das Universidades de Roma, Turim, Milão e Modena. Naquela ocasião o Sudário foi novamente fotografado por Giovanni Judica-Cordiglia, cujas fotos foram submetidas a uma análise especial constatando que a imagem não foi pintada, “foi produzida por um acontecimento que atuou semelhante a um processo fotográfico”.

            Na noite do dia 11 para 12 de abril de 1997, um grande incêndio destruiu a Capela do Sudário, e também o coro da Catedral de Turim, onde estava a Relíquia. Ela foi salva heroicamente pelos bombeiros, que foram obrigados a quebrar o vidro à prova de bala para salvar o precioso “Sudário”. Dois dias após, uma comissão de peritos, composta pelo Cardeal Giovanni Saldarini e técnicos especialistas, examinaram o estado da Mortalha e constataram que não houve nenhuma danificação, e então, o Cardeal confirmou as exposições programadas para 1998 e para o ano 2000.

O Lençol de linho que cobriu Jesus morto estava guardado numa caixa de prata dentro de uma redoma na capela Guarini, parte do complexo da Catedral e do Palácio Real de Turim. Ao sair do meio das chamas com a urna de prata nos braços, o bombeiro foi aplaudido e aclamado pelos fiéis. Ele disse depois: "DEUS me deu forças para quebrar o vidro e tirar o Sudário daquele inferno". Para o Cardeal de Turim, Dom Giovanni Saldarini, responsável pela guarda do manto que pertence ao Vaticano, "aconteceu um verdadeiro milagre" (referindo-se a salvação do Sudário, pelo bombeiro). Ao saber da proeza, o papa João Paulo II que visitava a Bósnia, anunciou que ia fazer uma homenagem especial ao bombeiro e dar-lhe pessoalmente a sua bênção.

No dia 24 de Abril de 1997, o Santo Sudário foi guardado em lugar secreto até concluírem as investigações sobre o incêndio que devastou a Capela Guarini. O Cardeal responsável pela sagrada Relíquia, de acordo com a polícia, não revelou a ninguém onde a Relíquia foi guardada, por temor que o incêndio tenha sido criminoso.

De 18 de abril a 14 de junho de 1998 o Sudário foi exposto em Turim, na celebração do qüinquagésimo aniversário da Consagração da Catedral de São João Batista e da comemoração do primeiro centenário da exposição pública do Lençol Mortuário, realizada pela primeira vez em 1898, quando foi feita a primeira fotografia que contribuiu de forma determinante para o encaminhamento das pesquisas científicas sobre a Relíquia.

Em 2000, aconteceu uma Exposição Especial entre os dias 29 de abril e 11 de junho, em honra e homenagem ao Jubileu dos 2000 anos do nascimento de JESUS. Sobre o sentido da exposição o Cardeal Saldarini, curador do Sudário, disse: “Realizam-se as exposições de acordo com o interesse religioso e histórico de um povo”.

As marcas no Sudário retratam com detalhes riquíssimos como foi o suplício e a morte do Homem que ele envolveu. Tão ricos e pormenorizados que foram muitas vezes confirmados por médicos e cientistas.

Existe uma farta bibliografia sobre este tema. Verdadeiros tratados médicos que confirmam cientificamente que as marcas que estão no Sudário são provas do que está descrito nos Evangelhos.

Algumas dessas marcas são:

- o próprio envolvimento no lençol: a impressão da figura está em negativo com efeitos tridimensionais como já dissemos. As manchas de sangue estão obviamente em positivo, e nas dobras as mesmas alargam-se e duplicam-se, devido ao fato do lençol ter sido “aconchegado” ao corpo e amarrado. No entanto a figura está em projeção ortogonal ao corpo, sem a projeção referente à parte lateral do corpo. O que dá a impressão de que o Sudário foi “iluminado por dentro”.

Se algum falsário quisesse simular essa condição, envolvendo um cadáver com um lençol e amarrando-o, não teria de modo algum a figura que está no Sudário, nem de longe.

- os ferimentos da cabeça: os ferimentos apontam para um capacete de espinhos, muito mais doloridos do que as coroas de espinhos que as pinturas piedosas nos mostram. Aparentemente os espinhos penetraram no couro cabeludo em aproximadamente 50 pontos.

- o transporte da cruz: o Homem do Sudário transportou sobre as costas um objeto pesado que provocou duas grandes escoriações. As macrofotografias feitas pela STURP mostram fragmentos de material terroso misturados com resíduos escuros, provavelmente sangue que se encontram na ponta do nariz, escoriado, no joelho esquerdo, notavelmente ferido, e num dos calcanhares, também ensangüentado. Tudo isso por quedas ao carregar o patibulum da cruz.

- a crucificação com pregos: as marcas são bem visíveis nos pés e nos pulsos. Aliás, na mão não seria possível passar um prego para depois suportar o peso do corpo. Ao se passar com o prego no pulso, o nervo médio central provoca a contração do polegar, que no Sudário não se vê, exatamente por estar contraído.

- as marcas de escorrimento de sangue nas mãos e nos braços: o sangue escorria conforme os movimentos dolorosos da agonia. Para os condenados crucificados, o golpe de misericórdia era a ruptura das pernas: faltando o ponto de apoio, a morte ocorreria por asfixia, o que não aconteceu com Nosso Senhor, que morreu antes, e por isso não teve nenhum osso quebrado.

- o ferimento no lado: é bem visível uma ferida no lado. É notável um abundante escorrimento, lamentavelmente arruinado por um dos incêndios. As descrições evangélicas, confirmadas no Sudário, demonstram que muito provavelmente Nosso Senhor morreu “por ruptura do coração em conseqüência de infarto seguido de hemorragia no pericárdio”, que é considerável concentração de sangue na membrana que envolve o coração, que explica a “água” (soro) e sangue que saíram do lado de Nosso Senhor, após ser perfurado com a lança. Esse tipo de morte rápida provoca normalmente umas dores violentíssimas, que poderia ser a causa do forte brado de Nosso Senhor (Mt 27,50).

Segundo P. Barbet: “a ferida causada por uma lâmina dilacerou o pericárdio que o infarto enchera de sangue e líquido seroso, bem como o ventrículo direito do coração que, nos cadáveres recentes, está cheio de sangue. Pelo lado esquerdo teria rasgado os ventrículos vazios”.

No sepultamento, jorrou da ferida um fluxo de sangue e soro mais claro, bem visível à altura do abdome, esparramando-se em correspondência da dobra do Sudário.

- o corpo cruelmente flagelado: são muito evidentes as marcas de uma terrível flagelação, infligida conforme costume romano, que usavam para castigar açoites com pesos de chumbo ou pedacinhos de osso, que causavam feridas, lacerando e contundindo o corpo do condenado.

O corpo quase inteiro foi açoitado, menos na área do coração, pois o condenado não deveria morrer com os golpes.

Estas marcas estão bem visíveis no Sudário, de onde pode se saber exatamente com era o açoite.

Muitas vezes, nos dias de hoje, a probabilidade é um fator de credibilidade. Qual seria a probabilidade de um falsário medieval que, inspirando-se no texto dos evangelhos, teria torturado e crucificado um judeu contemporâneo seu, com métodos e características totalmente estranhas à sua cultura, com o objetivo bem claro de construir um falso lençol fúnebre de Nosso Senhor, e deixando propositadamente sobre o tecido marcas invisíveis a olho nu, polens e outros vestígios, observáveis apenas com instrumentação do século XX?

No livro de Bruno Barberis e Piero Savarino, eles calculam essa probabilidade de uma em duzentos bilhões.
10- COMPROVAÇÃO CIENTIFICA DA AUTENTICIDADE DO SUDÁRIO: A VERDADEIRA FACE DE JESUS

Na apreciação sobre a autenticidade do Sudário, devemos ter presente todas as pesquisas que criteriosamente foram realizadas, como: os ensaios do suíço, Dr. Max Frei-Sulzer, médico, especialista em criminologia e botânica, fez uma notável descoberta.

Ele é a maior autoridade mundial na identificação de polens. Afirmou Dr. Max, que toda flor produz um pólen que é diferente dos polens das demais. Como exercício de pesquisa, ele costumava examinar roupas no microscópio para saber de onde vieram ou onde estiveram, identificando os polens que existiam grudados nelas. O pólen, segundo o cientista, tem uma parede protetora que faz com que ele se mantenha inalterado por milhares de anos. Autorizado pela Igreja, estudou os polens que se encontram no Sudário, retirando-os da superfície da Mortalha com o auxílio de fita adesiva. Após quatro anos de pesquisa, identificou 48 tipos diferentes de polens e que a Mortalha tinha estado na Turquia e em outros paises da Europa (Alemanha, França e Itália) e por isso, decidiu viajar a Jerusalém, para conhecer a flora e vegetação de Israel. Pesquisando as plantas daquela região, descobriu oito tipos diferentes, cujos polens se encontram na Síndone Sagrada. Por exemplo: a planta “Suaera” que só existe em Israel, o seu pólen está no Sudário; a planta “Apagani Rerbala”, muito comum no deserto entre Jericó e o Mar Morto, o seu pólen também está no Lençol Mortuário. Isto indica, segundo a conclusão do especialista, que o Santo Sudário esteve nestes lugares, em qualquer época de sua existência.

De acordo com o cientista suíço e o grupo de pessoas que trabalharam com ele, no encerramento das pesquisas concluíram:

"Não foram encontradas pinturas, tinturas ou manchas nas fibras. Pelas radiografias realizadas, pela fluorescência e também, por micro química aplicada às fibras do tecido, foi excluída a possibilidade da imagem ter sido pintada. A avaliação feita com raios ultravioletas, e infravermelhos confirmam plenamente o resultado dos estudos realizados".

"Também, a avaliação micro química não indicou qualquer evidência de especiarias, óleos ou elementos bioquímicos passíveis de serem produzidos pelo corpo em vida ou na morte. O tecido estava em contato direto com um corpo, o que explica certas características, como marcas de açoite e de sangue”.

Eric Jumper - Professor de Aerodinâmica e John Jackson - Professor de Física, em 1977, podemos destacá-los, em uma equipe de mais de 40 técnicos da NASA, analisando o Sudário de Turim. Destroem a sensação de falsificação. Em suas pesquisas não encontram sinal algum de pigmento, corante ou tinta.
Afirmam que qualquer teoria de impregnação é absurda. Alias pela própria análise do Lençol, provam que Cristo já estava morto na cruz. O sangue está todo coagulado. É inadmissível a impregnação por sangue, teria que estar líquido. Nem se trata de impregnação por ungüentos. Só por "luz", como aconteceu com a explosão atômica em Hiroshima! "Queimou" só a parte interna do pano, confirmando a teoria de.
Ashe (1966) e Willis (1969). Estes dois cientistas procuraram perceber o modo como foi "impresso" o Sudário, e a conclusão irrefutável é empolgante: a impressão no lençol de Turim deu- se por uma radiação luminosa-térmica.
Explicando melhor: ao ressuscitar, ou seja, a passagem do corpo morto ao estado vivo e glorioso, há uma espantosa produção de energia, que se pode comparar a uma explosão atômica.

A impressão, tridimensional do Sudário, deu-se por radiação de um milionésimo de segundo. Mais um milionésimo de segundo de exposição à tão forte radiação térmico- luminosa e teria sido volatilizado todo o lençol, portanto como já vos falei no início: energia do amor de Deus Pai por seu filho Jesus: seu amor ficou impresso no lençol, para que hoje nos possamos entender a grandiosidade de Seu amor por nós!

 A impressão é uniforme e dependendo da distância, maior ou menor, do corpo. Não há contato. Não há marcas de decomposição.

Muitos foram os que aprofundaram os estudos da NASA. Continua em estudo o abundante material recolhido, com cada dia maiores confirmações e novas descobertas.

 A descoberta do biofísico americano Dr. John Heller informando que o Sangue do Sudário é humano do tipo "AB" universal; o testemunho técnico de John Tyrer pesquisador da industria textil na Inglaterra a favor da origem oriental do tecido; os estudos e testes feitos pelo médico e cirurgião francês Dr. Pierre Barbet; da palavra autorizada do químico Dr. Willard Libby prêmio Nobel de 1960, informando sobre a maneira inadequada que foi realizado o teste do Carbono 14; as experiências do professor e físico americano Dr. John Jackson e do cientista russo Dr. Dmitri Kouznetsov, que reproduziram em laboratório o efeito do incêndio de Chambèry sobre a Mortalha, provando que aumentou consideravelmente a quantidade de Carbono 14 desprendido durante o ensaio, apresentando uma datação enganosa; etc. Isto porque, além dessas pesquisas, muitas outras foram realizadas e que aqui não foram evidenciadas, mas que reforçam a nossa convicção, de que o Sudário de Turim é uma relíquia muito especial e preciosa, não é um tecido falso e vulgar, forjado para iludir a humanidade.

O padre Francisco Filas, da companhia de Jesus, especialista em História, descobriu marcas de moedas nos olhos do Homem que foi envolvido no lençol mortuário, tal como enterravam os judeus. O peso da moeda servia para manter a pálpebra fechada. Os judeus tinham o hábito de enterrar os seus mortos colocando uma moeda nos olhos. Analisadas as marcas encontradas, verificou-se ser de moedas cunhadas por Pôncio Pilatos, nos anos 30-32!

A organização Ciert - Centre International D'Études Sur Le Linceul de Turin (Centro Internacional de Estudos do Lençol de Turim), sediada em Paris, apresenta as últimas e mais dramáticas descobertas envolvem as palavras "Jesus" embaixo do queixo, e "Nazarenus" em um lado, foram destacadas em vermelho. Abaixo e aos lados do queixo, há três linhas claras e regulares onde nenhuma impressão está presente. Todas as fotografias oficiais do lençol foram divididas em dezenas de milhares de quadrados que receberam uma densidade óptica correspondente e depois foram transferidos para um programa de visualização. Por meio de um programa extremamente avançado, algumas letras emergiram gradualmente, em latim e em grego: embaixo do queixo, "Jesus" e no outro lado "Nazarenus". Como isso pode ser explicado? O centurião (Extractor Mortis), que era encarregado de garantir a execução dos condenados, desenhava faixas de cola no tecido, onde ele escrevia o nome do falecido com um líquido vermelho. Nos locais em que essas faixas foram feitas, o tecido estava impermeável e não seria sujeito ao processo químico que posteriormente formou a impressão dos nomes: Jesus e Nazarenus.

Este Lençol bendito guarda uma imagem que lembra com uma beleza excepcional o mistério inefável da Redenção da humanidade, em particular a Paixão e Morte de JESUS. A exposição pública tem a finalidade de oferecer ao homem de hoje um amplificador do anúncio da Salvação, que vem somente do SENHOR JESUS e de seu Divino Amor. Há séculos essa mensagem tem produzido frutos de conversão e de santidade.

Também a mensagem do Sudário pode colaborar e participar da nova evangelização, para a qual o Papa está empenhado e solicita a atenção dos cristãos.

O Cardeal Anastácio Ballestrero, ex-Arcebispo de Turim esclareceu numa entrevista à Rádio Vaticano: “A Igreja nunca julgou a questão da autenticidade do Sudário, embora tem consciência de que se encontra diante de uma imagem tão significativa como expressiva, que recorda a Paixão e Morte do SENHOR. E por essa razão, permite e favorece o seu culto, sem, contudo pronunciar-se sobre a sua autenticidade histórica. Tanto é verdade, que os últimos documentos pontifícios relacionados com a Síndone de Turim: a carta do Papa Paulo VI e a carta do Papa João Paulo I, ressaltam que não se trata de uma questão de fé. A fé cristã está sedimentada e em plena atividade em todos os corações que colocam em prática os ensinamentos e a palavra de Deus. O Sudário é uma relíquia e como tal, deve ser submetida a uma intensa pesquisa cientifica com a finalidade de ser definida a sua autenticidade, seja através dos fatos históricos ou da tecnologia moderna”.

Pelo fato de ser uma relíquia preciosa e de valor inestimável para a cristandade, não é exposta com freqüência. Ela é conservada em plena segurança e só em ocasiões especiais, é mostrada à visitação pública.

Sendo o Sudário um patrimônio cristão muito especial para todos que acreditam na sua autenticidade, despertou em todos os tempos uma profunda e carinhosa devoção a Face de Cristo, o que motivou a organização de Congressos e Simpósios ao longo dos anos, para um melhor conhecimento e aprofundamento dos estudos das impressões decalcadas no tecido de linho, sobretudo para uma observação mais minuciosa dos impressionantes flagelos e dos maus tratos suportados pelo Senhor. Desse modo, a devoção a Divina Face de Jesus, é uma digna resposta de amor, que a humanidade oferece ao Criador, primordialmente lembrando a citação do Novo Testamento, "é na Face do Senhor que resplandece com todo esplendor a glória do Santo Pai Eterno". E segundo São Paulo nos exorta na carta aos Hebreus:...”Fixar os olhos em Jesus, o autor e realizador da nossa fé, que suportou a cruz, desprezando a vergonha...” (Hb 12, 2).

Bem caro amigo/a leitor, muitas pessoas acreditam nas provas, e nos testemunhos e muitas as rejeitam, dizendo tratar-se de uma pintura do século XII. Eu já contemplei a ressurreição de Jesus Cristo, como já vos relatei, a visão está em meu coração. Para mim, Saluar, o Sudário é uma imagem de Jesus Cristo que me enche de alegria e consolação, serve para mim como a verdadeira face de meu Senhor. Espero que para você sirva também. A verdade, só veremos e sentiremos, se guardarmos a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, e durante nossa vida, vivermos conforme Ele nos indicou. Isso é o mais importante. As autenticidades do Sudário só descobrirão, na Jerusalém Celeste, junto a Jesus, quando o veremos face a face, e então viveremos eternamente com Ele.

O certo é que esta Sagrada Face continuamente atrai multidões de fieis, que querem permanecer a seu lado, venerando e retribuindo o Divino Amor, agradecidas pela incomensurável Obra do Filho De Deus.

Jesus falou a Irmã Maria Pierina, na Itália: “Por Minha Sagrada Face alcançará a salvação de muitas almas! Reze e peça. Nada lhe será negado!”

Nosso Senhor disse, também a Irmã Maria Pierina: “Cada vez que um fiel contemplar a Minha Face, derramarei sobre ele mais graças e amor”.

Jesus falou a Santa Gertrudes: “Os devotos da Sagrada Face receberão pela contemplação de Minha Natureza Humana, graças e discernimento para saberem se colocar diante dos mistérios da vida”.

Nosso Senhor disse a Irmã Maria de São Pedro de Tours: “Do mesmo modo que através das Orações e Penitências, que você e todos que procuram reparar a Minha Face desfigurada pelos pecadores, derramarei graças cuidando da alma de cada um, tornando-a tão bela como naquele dia em que saiu da Pia Batismal, quando recebeu o Sacramento do Batismo”.

Jesus falou a Irmã Maria de São Pedro de Tours: “Minha Face é como um Selo Divino que tem o poder de imprimir nas almas que a ela se dedicam a imagem do Deus Vivo. EU concederei a essas almas uma contrição tão perfeita, que mesmo os seus pecados mais graves, serão lavados e transformados diante de Mim, tornando-se brancos e puros como a neve.”

Rezemos a Jesus pedindo: “Senhor, mostrai-nos a vossa face e seremos salvos”.

Ó Bom Jesus, que quer salvar o mundo de hoje com o mesmo infinito amor com que o criastes e redimistes, inclui-me entre aqueles que trabalham pelo triunfo do Vosso Amor na Terra. Receba o meu ser! Disponha de mim! Quero difundir a imagem de Vossa Divina Face, para que em todas as almas ela substitua o vulto do ódio, do egoísmo e da sexualidade, que habita nos corações.

Em Vosso Amor misericordioso e onipotente convertei as pessoas, os dirigentes, os políticos e as nações, afastai os males do ateísmo que destrói a unidade e com a poderosa força do Divino ESPÍRITO SANTO, renove a face da Terra. Que todos nós redimidos pelo Vosso Sagrado Sangue e unidos filialmente a sempre Virgem Maria, MÃE DE DEUS e nossa MÃE, caminhemos na tranqüilidade da ordem, na felicidade do amor, na harmonia da família e na paz do mundo, rumo a vida eterna. Amém.

Outra possibilidade para a oração é usar as invocações da Ladainha da Sagrada Face, que se seguem. Posso escolher as que mais me tocaram e nelas aprofundar-me.

Face de Jesus, reflexo da majestade de Deus;

Face de Jesus, cuja pobreza e amabilidade conquistou os corações;

Face de Jesus, espelho da perfeição divina;

Face de Jesus, mais brilhante do que o sol e envolta em glória, no monte Tabor;

Face de Jesus, que se entristeceu quando contemplou Jerusalém e chorou sobre ela;

Face de Jesus, sofrendo angústia mortal no Horto das Oliveiras e coberta de suor e sangue;

Face de Jesus, desonrada pelo beijo do traidor;

Face de Jesus, cuja divina afirmação encheu os soldados de pavor e os lançou no chão;

           
11-A PRESENÇA REAL DE JESUS NA HÓSTIA E NO VINHO CONSAGRADOS PELAS MÃOS SACERDOTAIS

            Caro amigo/a, a Eucaristia é Sacramento é isto: sinal visível de uma ausência, símbolo que nos faz pensar em retorno. Como aconteceu com Jesus que, logo antes da partida, realizou um memorial de saudade e espera. Juntou seus amigos, seguidores, partiu o pão e lhes deu de comer, tomou o vinho e com eles bebeu dizendo que, depois daquilo viria a separação e a saudade. Tempo de lágrimas, de espera... E por onde quer que fossem, encontrariam os sinais de uma ausência imensa... E o coração ficaria inquieto, sem descanso...

Ninguém ceia sozinho. Há um partir, um distribuir, mãos que se tocam, olhares que se encontram. E, em tudo isto, sensação como se fosse a de uma “conspiração”. Conspiração, palavra bonita de origens esquecidas.

       Conspirar, com-inspirar, respirar com alguém, juntos.

       Conspiradores: respiram o mesmo ar. Jesus e os discípulos, comendo o Pão e bebendo o Vinho, respiram o mesmo ar, o mesmo sonho, a mesma utopia do Reino.

Come-se a ceia, surge a mágica, os fios invisíveis da saudade e da espera são lançados e, a partir dali, dão-se as mãos os homens e as mulheres que têm, nos olhos, aquela marca triste-alegre da saudade e da esperança. É assim a comunidade dos cristãos, a Igreja: juntos, conspirando, mãos dadas, comem o pão, bebem o vinho e sentem uma saudade, uma esperança sem fim...

Tomar o pão e o vinho da Eucaristia é falar sobre uma grande promessa de Amor que esteve entre nós, que partiu e cuja volta aguardamos. Vem, Senhor Jesus”: oração dos cristãos primitivos, confissão de saudade, gemido de espera, esperança.

         É por isso, caro amigo/a, que é bom falar sobre Ele: n’Ele se dependura nossos desejos profundos.

         E Deus mora na saudade, ali onde o Amor e a ausência se assentam. E a gente sabe que é coisa do Espírito, a “coisa nova” que se começa a ver. Os olhos mudam. O coração também. E é porque o coração fica diferente que os olhos começam a ver “coisas” que ninguém mais vê. São invisíveis. Não é a carne e nem é o sangue. É mistério. “Eis que todas as coisas são refeitas. Ficam novas”.

Conhecemos o quadro da Última Ceia de Salvador Dali: o quarto alto, Jesus e os discípulos, o pão partido, o vinho vermelho translúcido. O autor fez as paredes do Cenáculo, enormes, de vidro, como nunca foram na realidade, mas como o são na magia da saudade.

E, da singeleza da Eucaristia, o olho vai mergulhando para fora, vendo o mar as praias, as montanhas, o mundo, o universo, tudo isto transfigurado por um abraço de um corpo humano/divino enorme, braços abertos, acolhendo a cena toda...

        Como se Ele ficasse transparente e a gente passasse a ver o mundo inteiro através d’Ele. Sem transparência não há Eucaristia.

E são palavras que fazem a diferença. Por isto Jesus não deu só o Pão e o Vinho. Não bastava comer.

Era preciso Ver, com olhos novos. Comer para ver melhor. E foi por isso que Ele realizou a mágica, misturando, no alimento, as palavras de Amor e Promessa, para curar nossa cegueira. E diz então que o alimento era outra coisa daquilo que parecia ser.

Pão e Vinho, Corpo e Sangue, aperitivos de um retorno...

Pão e vinho: generosos, desejam ser destruído, pois é na sua destruição que ganham sentido.

O Pão deve ser consumido imediatamente e seu destino é se transformar no corpo do outro e desaparecer.

Caro amigo/a, sem a magia das Palavras viveríamos mergulhados num mundo opaco de coisas, destituídas de transparência, sem ver o invisível, sem memória de uma perda e sem saudade, e sem a esperança que nasce da saudade... Uma saudade comum.

Este é o nosso sacramento: pão e vinho. Sentimos saudades juntas. Isto nos torna irmãos.

Comer é sempre coletivo, pois vem de “cumedere”, alimentar-se com alguém.

 

Contemple ou pouco antes de entrar no mistério eucarístico, eis alguns textos bíblicos: Jo l3,l-l7 e lCor ll,l7-34.

 

Caros amigos, contemplando a ultima Ceia de Jesus com seus amigos, na oração contemplativa rezamos com a memória, o corpo, os sentidos. Sem limites, a imaginação tem como único desejo colocar-se com Jesus e deixar-se afetar por sua presença.  

Depois dessa experiência desconfio que a tradição do brinde começou ali, quando “Ele tomou o cálice, agradeceu e o abençoou, e deu a seus discípulos...”

            Dá para imaginar o cálice de Jesus cheio até a borda. Os discípulos tinham os seus vazios. Ele ergueu-se e foi passando de um a um, derramando um pouco do vinho do seu cálice no cálice dos amigos.  A cada um, um sorriso, uma palavra apenas sussurrada, uma expressão de afeto particular. No toque sutil, cálice com cálice, uns brindes universais, transcendentais, aconteciam.

Jesus já havia feito isso com o pão que partira, dando a eles um pedaço, no início da ceia. O gesto era tradicional. O anfitrião que reparte o pão e o vinho com seus convidados, partilha com eles o que tem de melhor. É gesto fraterno de boas vindas e desejo de paz e bem.

            A surpresa ficou por conta das palavras de Jesus. Ele identifica-se com o pão e o vinho de forma vital, visceral. Reparte ali o seu corpo e o seu sangue. Faz um brinde à vida (não à morte) que oferece inteira e que ultrapassa todos os limites de tempo e espaço. Aquele cálice erguido é oferecido “por vós”, diz Jesus olhando para os apóstolos, “e por todos os homens”, e Ele pensa em cada um de nós, “para o perdão dos pecados”.

            Perdoar é gesto de reconciliação. Reconciliação convida a abraço. Abraço é convite natural à mesa e à festa. Não é por acaso que o rito da Eucaristia segue os passos de Jesus que consagra, reza ao Pai, convida ao abraço da paz e depois à partilha da mesa.

            Na Eucaristia, a Fé se faz festa e promove comunhão.

            Desde que fiz meu Cursilho de cristandade, aqui em Aparecida, tomei consciência da presença verdadeira de Cristo nas partículas do pão e do vinho, não há duvida: eu as olho sendo consagradas, por mãos sacerdotal, independente de quem seja o Padre, são as palavras de Jesus repetidas: “este é o meu corpo, comei. Este é meu sangue, bebei”. Dentro do meu coração surgem estas palavras: “meu Senhor e Meu Deus, eu creio, mas aumentai a minha fé”.

            Meus caros imãos/ãs, antes de falarmos sobre o milagre de Eucarístico de Lanciano, exorto que meditem sobre o capítulo 6 do evangelho de São João.

Aconselho uma pequena preparação, um roteiro para a Oração ou meditação diária:

a) Escolher a hora e o lugar mais apropriados para a oração.

b) Acolher a presença de Deus, saber que Ele me quer junto de si.

c) Pedir a luz do Espírito Santo para que Ele me dirija e inspire.

d) No início de sua oração pessoal, sugiro uma oração preparatória:

“Aqui estou, meu Deus, diante de ti, tal como sou agora. Estou sentado diante de ti, Senhor, tranqüilo e pacificado. Estou na tua presença e deixo-me conduzir. Abro-me à tua proximidade. Tu és a fonte da vida, a força da vida que me penetra. Tu és minha respiração que me carrega e dilata. Deixa que a paz me habite. Concede-me a graça de me deixar "limpar" por ti, ser uma concha que se enche de ti,Deus. Que todos os meus pensamentos e sentimentos, minha vontade e liberdade sejam orientados para o teu serviço e louvor, meu Deus, fonte da vida. Assim seja!

e) Ler o texto, Evangelho de João capítulo 6 inteiro de uma vez; reler, devagar, versículo por versículo. Pergunte-se: O que diz o texto em si?

Parar onde Deus me fala interiormente, não ter pressa, aprender a saborear. Pergunte-se: O que o texto diz para mim? Deus é Pai que nos ama muito mais do que poderíamos ser amados. Pergunte-se: O que o texto me faz dizer a Deus? Podem ser louvores, pedidos, ação de graças, adoração, silêncio...

Ir acolhendo o que vier à mente, o que tocar o meu coração: desejos, luzes, apelos, lembranças, inspirações.

Pergunte-se: O que o texto e tudo o que aconteceu nesta oração me fazem saborear e viver?

Finalizar a oração com. uma despedida amorosa. Rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Terminada a oração, revejo brevemente como me saí nela, perguntando-me:

- que Palavra de Deus mais me tocou?

- que sentimento predominou?

- senti algum apelo, desejo, inspiração?

- tive alguma dificuldade ou resistência?

Anoto o que me pareceu mais significativo na forma de uma breve oração de súplica ou de agradecimento.

            Bem caro amigo/a, agora vamos juntos, meditar um pouco sobre este capítulo da Bíblia. Inicialmente Cumprimento sinceramente nossos irmãos evangélicos pelo grande amor que têm à Palavra de Deus como Pão de vida. Mas me surpreende que eles com tanta facilidade rejeitem o Pão Eucarístico ou Santa Missa. Muitos católicos também parecem não entender a verdadeira presença de Jesus na Eucaristia. O capítulo 6 de João é suficiente para explicar-lhes que não estamos enganados com a celebração da Eucaristia ou Santa Missa, e para relembrar que a Missa não é uma invenção dos padres, mas que, segundo a Bíblia, é um mandato sagrado do próprio Cristo.

No Evangelho de São João, Jesus faz uma reflexão muito profunda acerca deste assunto. Primeiro Ele prepara os seus discípulos. Realiza a multiplicação do pão e alimenta uma multidão de pessoas, mais de cinco mil, fora mulheres e crianças. E ainda no final sobram cestos de pães. Desde este momento exorta-nos a ter cuidado, carinho com o que sobre de pão: “recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.” Ele já estava nos exortando a cuidarmos com muito carinho do pão que Ele nos dará mais para frente: seu próprio corpo!

Prepara os discípulos ainda mais: anda sobre as águas, controla a natureza, tudo para que os discípulos soubessem e sentissem no fundo do coração que Ele tem poder sobre tudo e todos, pois Ele, Jesus é o filho de Deus. A multidão o procura. Ele fala à multidão: “vocês me procuram, não pelo milagre, mas porque comestes pão e ficastes fartos. Trabalhai não pela comida que perece, mas a que dura pela vida eterna que o filho do Homem vos dará. Pois nele o pai imprimiu seu sinal.” Proclama que “Ele é o verdadeiro Pão que desceu do céu” ( Jo 6,33-35), e o Senhor nos apresenta dois motivos para explicar-nos porque Ele é o Pão da vida:

- Primeiro: Jesus é  “o Pão da vida” por sua Palavra que abre a vida eterna aos que crêem (Jo 6,26-51). Quer dizer: “Jesus é o Pão da Palavra” que devemos crer.

- Segundo: Jesus é “Pão da vida” por sua carne e seu sangue que nos é dado como verdadeira comida e bebida (Jo 6,51-58). Com estas últimas palavras, Jesus anuncia a Eucaristia que Ele vai instituir durante a última Ceia: “Tomai e comei, isto é meu Corpo” (Lc 22,19). “Minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. O que come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,55-56).

            Está claro então que não devemos ficar somente com “o Pão da Palavra”. Jesus nos convida também a “comer realmente seu corpo” como “o Pão Eucarístico”.

Muitos pensam que o Pão eucarístico é somente um símbolo de Jesus Cristo e negam a presença real de Cristo na ceia do Senhor. A frase: “Isto é meu corpo” para eles é só uma expressão figurada.

            Jesus nos convida a comer seu Corpo e a beber seu Sangue:

1. O discurso de Jesus sobre “seu Corpo, Pão da vida” (Jo 6,51-58) foi pronunciado depois da multiplicação dos pães e, nesta ocasião, pela primeira vez, o Senhor falou a respeito da Eucaristia “O pão que Eu darei é minha Carne, e darei para vida do mundo” (Jo 6,51). Quando Jesus disse estas palavras, muitos de seus discípulos o abandonaram, dizendo que este modo de falar era intolerável (Jo 6,59-66). Mas Jesus não disse que estava falando em sentido figurado. Jesus insistiu: Em verdade lhes digo: se não comem a carne do filho do Homem e não bebem seu sangue, não têm verdadeira vida (Jo 6,53). Mas ainda, Jesus perguntou aos doze apóstolos: “Vocês também querem deixar-me? (Jo 6,67). De nenhuma maneira Jesus falou aqui no sentido figurado: “O que come minha carne e bebe meu sangue, tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54).

2.A última Ceia do Senhor: no Novo Testamento encontramos até quatro testemunhos diferentes à respeito da última Ceia do Senhor: Mateus, Marcos, Lucas e Paulo. Isto quer dizer que a última Ceia foi um acontecimento de suma importância na vida de Jesus e na vida da Igreja primitiva.

Na noite antes de morrer, Jesus convidou seus apóstolos para celebrar a Páscoa dos judeus, que consistia, sobretudo, numa ceia solene. Esta comida era, para os judeus, “a grande ação de graças” a Deus. E o Senhor Jesus aproveitou a ceia para dar-lhe um sentido novo e profundo.

            Lemos no Evangelho de São Lucas: “Depois Jesus tomou o pão e dando graças “eucharistein, em grego) o partiu e o deu a seus discípulos dizendo: “Isto é o meu corpo que é entregue por vocês. Façam isto em minha memória”. Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice. Disse: “Este cálice é a aliança nova selada com meu sangue, que vai ser derramado por vocês. (Lc 22, 19-20).

3.A Última Ceia do senhor tem muitos significados. Aqui somente queremos indicar alguns aspectos em relação com nosso assunto:

            - Primeiro: a Ceia do Senhor é “a grande ação de graças” a Deus. A palavra grega “eucharistein” (lc 22,19; 1 Cor 11,24) recorda as benções que proclamam as obras de Deus: a criação, a redenção e a santificação. A Igreja prefere a palavra “Eucaristia” para indicar a Ceia do Senhor.

            - Segundo: Quando Jesus disse, na última Ceia, ao partir o pão: Tomem e comam, isto é meu corpo” não estava falando de forma simbólica. Estas palavras anunciavam claramente sua presença misteriosa e real nos sinais do pão e do vinho. Realmente Jesus deu um novo sentido ao pão e ao vinho. Jesus disse claramente: “Isto é meu corpo”. Jesus indicou um realismo incomparável e não um simples simbolismo. Isto aconteceu na primeira Eucaristia ou Santa Missa.

            - Terceiro: Jesus deu também a seus apóstolos, o mandato de recordar e reviver estes gestos sagrados. “Façam isto em memória de mim” (Lc 22,19). A Igreja, fiel a este mandato de Jesus, desde aquele momento até agora, realiza continuamente estes sinais sagrados que Jesus fez a Última Ceia. E a Igreja acredita que o Pão consagrado em cada Eucaristia é ao mesmo tempo figura e realidade do Corpo celestial de Cristo: um memorial vivo de Cristo.

            - Quarto: O apóstolo Paulo para recordar o sagrado que é o alimento eucarístico, escreve em termos muitos claros: “O cálice que abençoamos, não é acaso a comunhão do Sangue de Cristo? E o Pão que partimos, não é por acaso a comunhão do Sangue de Cristo? E o Pão que partimos, não é por acaso a comunhão do Corpo de Cristo?”. ( 1cor 10-16).

Para Paulo, esse pão e esse vinho, uma vez consagrados, não são um simples símbolo do corpo e sangue, senão realmente o Corpo e o Sangue de Cristo glorificado. E neste mesmo sentido, o apóstolo continua escrevendo aos Coríntios, depois de repreendê-los por alguns abusos que cometiam em suas reuniões: Assim, pois, cada vez que comem deste pão e bebem do cálice estão proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. Portanto, se alguém come o pão e bebe do cálice do Senhor indignamente, peca contra o Corpo e o Sangue de Cristo. Por isso, cada um examine sua consciência antes de comer do pão e beber do cálice. De outra maneira come e bebe sua própria condenação ao não distinguir o corpo de Cristo. Esta é a razão pela qual se vêm tantos enfermos entre vocês” ( 1 Cor 11, 26-30).

Meus caros irmãos/ãs, muita gente hoje, como no tempo de Jesus, tem dúvidas acerca da presença real de Cristo no Pão Eucarístico. Muitos se perguntam: ‘’Como pode ser isso?...Não é demais para nossa inteligência humana aceitar tudo isso?...”

            E isto é verdade: nossa inteligência humana não é capaz de captar esta presença misteriosa de Cristo na Eucaristia. Somente com os olhos da fé podemos experimentar esta presença real e íntima de Cristo no Pão Sagrado.

A presença do corpo de Cristo no Pão Sagrado não é uma presença física, ou seja, material, como se pudéssemos dizer: “Jesus está aqui sentado à mesa ao meu lado”. Não devemos esquecer que o Corpo de Cristo, depois de sua morte e ressurreição, é para sempre um corpo glorificado, um corpo celestial que se faz presente entre nós no pão e no vinho. É uma presença real. Não uma presença material de Cristo, mas uma presença terrena de seu corpo celestial.

            Em outras palavras: mediante um gesto visível, o cristão participa de uma realidade que não se vê, mas entra realmente em comunhão com Cristo glorificado e ressuscitado. Acostumamos a aplicar a palavra sacramento para designar um sinal externo que contém uma realidade espiritual. Na Ceia do Senhor, ou Santa Missa, nossa fé nos leva a receber como corpo e sangue de Cristo algo que, todavia não parece ser mais que pão e vinho. Mas, por estes sinais ou sacramentos, Cristo se faz para nós realmente alimento e vida.

A Comunhão Eucarística é o corpo e o coração da vida da Igreja, a qual é antes de tudo, comunhão. É o lugar onde os homens experimentam, já na terra, a união entre eles e Cristo.

            Bem, caros amigos/as, queridos irmãos, tentei em breves e singulares palavras, mostrar as razões para as quais minha fé na presença real de Jesus nas espécies do Pão e do Vinho, consagrados pelas palavras sacerdotais: “Façam isso em memória de mim”, Celebramos a eucaristia domingo após domingo, e cremos com toda firmeza que Cristo glorificado está realmente presente no pão e no vinho consagrados. Não é nenhuma invenção dos padres, como pensam alguns irmãos evangélicos, mas este é um ensinamento bíblico, aceito plenamente por todos os verdadeiros cristãos desde o começo de nossa santa religião até o dia de hoje.

Existem diferentes nomes para indicar a Santa Missa:

1. Eucaristia: porque é “ação de graças” a Deus. A palavra grega “eucharistein” (Lc 22,19 e 1 Cor 11,24) recorda as bênçãos dos judeus que proclama, sobretudo durante a comida, as obras de Deus; a criação, a redenção e a santificação.

2. Ceia do Senhor ou Banquete do Senhor: porque se trata da Ceia que o Senhor celebrou com seus discípulos na véspera de sua paixão ( 1 Cor 11,20).

            3. Fração do Pão: porque Jesus utilizou o gesto de partir e repartir o pão quando abençoou e distribuiu o pão na Última Ceia (Mt 26,26; 1 Cor 11, 24; At 2, 42 e At 20, 7-11).

            4.  Comunhão: porque por este sacramento nos unimos a Cristo que nos faz partícipes de seu Corpo e de seu sangue para formar um só Corpo ( comum-união) ( 1 Cor 10, 16-17).

5.  Santo Sacrifício: porque atualiza  o único sacrifício de Cristo salvador e inclui a oferenda da Igreja. Assim também se chama “Sacrifício de Louvor” ( Hb 13, 15 ), sacrifício espiritual ( 1 Pd 2,5).

            6. Santa Missa: porque a liturgia na qual se realiza o mistério de nossa salvação termina com o envio dos féis (envio significa: missão, em latim ) no final de cada missa começa nossa missão! Por isso: missa, a fim de que cumpram a vontade de Deus em sua vida quotidiana.

            A Eucaristia, caro amigo/a, é um amor que alegra e sacia:

«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede.» (Jo 6, 35)

            São João narra no seu Evangelho que Jesus, depois de ter multiplicado os pães, diz entre outras coisas no grande discurso de Cafarnaum: «Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará»1.

Para seus ouvintes, é evidente a referência ao maná, como também à expectativa do "segundo" maná que descerá do céu no tempo messiânico. Pouco depois, no mesmo discurso, diante da multidão que ainda não tinha chegado a entender, o próprio Jesus se apresenta como o verdadeiro pão descido dos céus, que deve ser aceito por meio da fé:

            “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede”.

Jesus já se vê como pão. Então é este o motivo principal de sua vida aqui na terra. Ser pão para ser ingerido. E ser pão para nos comunicar a sua vida, para nos transformar nele. Até este ponto é claro o significado espiritual desta palavra, com suas referências ao Antigo Testamento. Mas o discurso se torna misterioso e duro quando, mais adiante, Jesus diz, a respeito de si mesmo: “O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” e “se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”.

É o anúncio da Eucaristia que escandaliza e distancia muitos discípulos. Mas é o maior dom que Jesus quer dar à humanidade: a sua presença no sacramento da Eucaristia, que sacia a alma e o corpo. Confere a plenitude da alegria, como fruto da íntima união com Jesus.

Caros amigos/as, quando estamos nutridos por este pão, nenhum outro tipo de fome tem mais razão de existir. Todo desejo nosso de amor e de verdade é saciado por aquele que é o próprio Amor, a própria Verdade:

«Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede.»

Este pão, portanto, nos nutre de Jesus já nesta terra, mas nos é dado para que possamos, por nossa vez, saciar a fome espiritual e material da humanidade que nos rodeia. O mundo recebe o anúncio de Cristo não tanto da Eucaristia quanto da vida dos cristãos nutridos por ela e pela Palavra. E eles, pregando o Evangelho com a vida e com a voz, tornam Cristo presente no meio dos homens.  A vida da comunidade cristã, graças à Eucaristia, torna-se a vida de Jesus. Portanto se torna uma vida capaz de doar aos outros o amor, a vida de Deus: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede”.

Com a metáfora do pão, Jesus nos ensina também o modo mais verdadeiro, mais "cristão" de amar o nosso próximo. Com efeito, o que significa amar? Amar significa "fazer-se um" com todos, fazer-se um em tudo aquilo que os outros desejam, nas coisas menores e insignificantes e naquelas que talvez não tenham importância para nós, mas para os outros sim. E Jesus exemplificou maravilhosamente este modo de amar, fazendo-se pão para nós. Ele se faz pão para entrar em todos, para tornar-se comestível, para fazer-se um com todos, para servir, para amar a todos. Também nós, portanto, devemos nos fazer um até o ponto de nos deixarmos ingerir.  O amor é isto: fazer-se um de modo que os outros se sintam nutridos pelo nosso amor, confortados, aliviados, entendidos.

Ah! Se nós cristãos acreditássemos realmente, do fundo do coração que ali está Jesus! O nosso salvador! Quanta coisa mudaria em nossa vida! Francamente, caro amigo/a, eu sinto estar mudando, minha esposa, filhos e amigos são testemunha. Cada vez procuro viver mais esta verdade. Para mim não seriam necessários o milagre atual de Lanciano e outros.

            Mas para aqueles que, como Tomé, céticos que só acreditam vendo, tocando, colocando as mãos, Deus quis fazer o milagre!

            Sim caros amigos/as, muitos de nós somos tentados pela dúvida frente a dogmas da Igreja, frente a afirmações que não podem ser comprovadas, mas que fazem parte de nossa fé, de nossa vida religiosa. A pureza de Maria, a presença do Senhor na Eucaristia... E, para quem pensa que somente na cabeça dos leigos se passam tais pensamentos, é bom tomar conhecimento do Milagre de Lanciano.
12- OS MILAGRES EUCARÍSTICOS

O milagre eucarístico de Lanciano em Abruzzo (Itália), que remonta ao século VIII, é o mais antigo dos milagres eucarísticos acontecidos no mundo. A narração do fato está presente num documento de 1631: “Nesta cidade de Lanciano, por volta dos anos 750 de Nosso Senhor, encontrou-se, no mosteiro de São Legonziano, onde habitavam monges de São Basílio. Um monge, o qual, letrado nas ciências do mundo, mas ignorante naquelas de Deus, passava os dias duvidando se na hóstia consagrada existia o verdadeiro corpo de Cristo, e se no vinho existia o verdadeiro sangue. Todavia, por causa de sua contínua oração, não foi abandonado pela divina graça. Constantemente pedia a Deus que lhe tirasse do coração esta aflição que ia envenenado sua alma”. Conta ainda o autor anônimo do manuscrito: “Numa manhã, no meio do seu sacrifício, depois de ter proferido as santíssimas palavras da consagração, viu o pão converter-se em carne e o vinho em sangue. Ficou aterrorizado diante deste estupendo milagre; mas finalmente, o temor cedeu ao contentamento espiritual, que enchia os olhos e a alma. Diante das circunstâncias disse: Ó felizes assistentes aos quais o Deus Bendito, para confundir a minha incredulidade, quis revelar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Venham irmãos e olhem o nosso Deus junto de nós. Eis a carne e o sangue do nosso diletíssimo Jesus”.

Os monges Basilianos conservaram as preciosas relíquias até 1176 quando chegaram os Beneditinos.

Os frades franciscanos construíram sobre a antiga igrejinha de São Legonziano um novo santuário onde, desde 1258, repousam as relíquias eucarísticas. Primeiramente elas foram colocadas em uma capela ao lado do altar mor e a partir de 1902 as relíquias foram guardadas atrás do tabernáculo do altar monumental, erguido pelos leigos no centro do presbitério.

A hóstia que virou carne, como hoje se pode observar conservada num ostensório de prata, tem o tamanho da hóstia grande que atualmente é usada na Igreja latina. É ligeiramente marrom e se torna toda rósea se observada em transparência. O vinho transformado em sangue está contido num cálice de cristal e é agrupado em cinco glóbulos de diversos tamanhos.

No decorrer dos séculos as relíquias foram objeto de grande devoção do povo. Após o Concílio Vaticano II os Franciscanos decidiram submetê-las a análises científicas.

Assim, em 1970, o professor Odoardo Linoli, docente de Anatomia foi encarregado de realizar os testes. Os resultados foram extraordinários: aquela carne e aquele sangue - mesmo tendo sido deixados em estado natural, sem qualquer tipo de conservação ou mumificação por doze séculos, e expostos à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos - apresentam as mesmas características de uma carne e de um sangue coletados no mesmo dia.

     Também em Bolsena (Itália) o milagre aconteceu nas mãos de um sacerdote atormentado com as dúvidas sobre a transubstanciação. Em 1263, voltando de uma peregrinação a Roma, um padre de Boemia parou em Bolsena. Celebrando a missa na pequena basílica subterrânea denominada Gruta de Santa Cristina, no momento da consagração, a hóstia que estava entre as mãos do presbítero jorrou sangue manchando a túnica e a pedra do assoalho. A população de Bolsena que tinha assistido o prodígio pegou o linho ensangüentado da vestimenta e o conduziu em solene procissão ao Pontífice, Urbano IV, o qual reconheceu o milagre e instituiu a festa de Corpus Domine.

As pedras foram colocadas na capela do milagre, enquanto que a vestimenta está sob a custódia da Catedral de Orvieto.

            Fica-se estupefato diante de tais conclusões, que manifestam de maneira evidente e precisa a autenticidade deste milagre eucarístico. Antes mesmo de as darem a conhecer de modo oficial, os peritos, no fim de sua analises, enviaram aos Padres Franciscanos de Lanciano o seguinte telegrama: " Et Verbum caro factum est" (E "o Verbo se fez carne.") Telegrama este, que é um ato de fé.

Outro detalhe inexplicável: pesando-se as pedrinhas de sangue coagulado (e todos são de tamanhos diferentes), mas cada uma delas tem exatamente o mesmo peso das cinco pedrinhas juntas! Deus parece brincar com o peso normal dos objetos.

Conforme testes e pesquisas feitas, se trata de carne e sangue de uma pessoa viva e, vivendo atualmente, pois que esse sangue é o mesmo que tivesse sido retirado, naquele dia mesmo, de um ser vivo!

É bem uma prova direta de que Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente, que a Eucaristia é o Corpo e o Sangue de Cristo glorioso, assentado a direita do Pai e que, tendo saído do túmulo na manhã da Páscoa, não pode mais morrer.

Tanta tolice tem sido ditas, especialmente nos “códigos Da Vinci, que circulam por ai, nesses últimos anos, contra a ressurreição do Cristo!”

Caro irmão/ã, foi verdadeiramente na carne que o Cristo morreu e foi verdadeiramente também na carne, que Jesus ressuscitou no terceiro dia. E a mesma Carne, verdadeira carne nos é dada vida na Eucaristia, para que possamos viver da vida de Cristo!

Não é a carne de um distante cadáver, mas uma carne animada e gloriosa.

Portanto, quando olho, meus sentidos vêem a Hóstia consagrada, podemos dizer como o Apóstolo Tomé, oito dias depois da Páscoa, quando colocou os dedos nas chagas de Cristo: " Meu Senhor e meus Deus". É bem a carne viva do Deus vivo!"

Um segundo fato impressiona-me ainda mais: a Carne que lá esta é a carne do Coração. Não a carne de qualquer parte do Corpo adorável de Jesus, mas a do músculo que propulsiona o Sangue – e por tanto a vida – ao corpo inteiro, do músculo que é também o símbolo mais manifesto e o mais eloqüente do amor do Salvador por nós. Quando Jesus se entrega a nós na Eucaristia, é verdadeiramente seu próprio Coração que ele nos da a comer, é ao seu amor que nós comungamos, um amor manso e humilde como esse Coração mesmo, um amor poderoso e forte mais que a morte, e que é o antídoto dos fermentos de morte física e espiritual que carregamos em nossa "carne de pecado".

E pasmem! O tipo sanguíneo é o mesmo do Santo Sudário: AB! Coincidência? Várias pesquisas eclesiásticas foram realizadas.

Quiseram, em nossos dias, verificar a autenticidade do milagre. Em 18 de novembro de 1970, os Frades Menores Conventuais que têm a seu cuidado a igreja do Milagre decidiram, com a autorização de Roma, a confiar a um grupo de peritos a análise científica daquelas relíquias, datadas de doze séculos.As pesquisas foram feitas em laboratório, com estrito rigor, pelos professores Linoli e Bertelli, este último da Universidade de Siena. A 4 de março de 1971, estes cientistas davam suas conclusões, que em inúmeras revistas de ciência, do mundo inteiro divulgaram em seguida. Ei-las:

"A Carne é verdadeiramente carne. O Sangue é verdadeiro sangue. Um e outro são carne e sangue humanos. A carne e o sangue são do mesmo grupo sangüíneo (AB). A carne e o sangue são de uma pessoa viva. O diagrama deste sangue corresponde a de um sangue humano, que tenha sido retirado de um corpo humano, naquele dia mesmo!”

A Carne é constituída de tecido muscular do coração (miocárdio). A conservação destas relíquias, deixadas em estado natural durante séculos e expostas à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos, permanece um fenômeno extraordinário".

Para mim um sinal! Um sinal extraordinário e transcendental.

O Milagre de Lanciano, desafiando a ação do tempo e toda a lógica da ciência, se apresenta a nós como a prova mais viva e palpável de que "Tomai e comei, isto é o meu Corpo" (Mt.26,26), mais do que uma simbologia, é o sinal divino de que, no Sacramento da Comunhão está o alimento do nosso espírito, da nossa fé.

Como já citamos acima, a caminhada dos discípulos (lc. 24,13-35), que haviam abandonado Jerusalém, cidade da esperança, dirigindo-se para Emaús, realiza-se ao anoitecer: estava escurecendo, o coração se apagando, os pensamentos tristes, os passos cansados, o horizonte obscuro. Conversavam, discutiam, mas não compreendiam o sentido dos fatos. Em seus rostos transparecia a obscuridade pela tristeza e decepção.

Os dois peregrinos tinham uma meta: Emaús, onde esperavam voltar à vida de antes ou conseguir começar a fazer algo de novo.

São impelidos àquela meta unicamente pela desilusão, pela perdição, pelo pessimismo. Na verdade, ainda não eram livres e se sentiam oprimidos por uma esperança traída.

A vida de todo ser humano, que busca compreender o sentido dos fatos e das coisas, é como o caminho de Emaús. O fracasso da morte permanece no horizonte da vida de cada pessoa, tornando-se evidente nas coisas incompreensíveis ou nos fatos que não se consegue explicar.

Diante desta situação, apresentam-se duas tentações extremas: a fuga ou a indiferença.

Chama-nos a atenção, também, a maneira como Jesus indicou a Pedro e João o local onde queria que a Ceia fosse celebrada. Jesus mandou-os seguir um homem que encontrariam à entrada da cidade, carregando uma bilha d’água. Anônimo perante a posteridade, sem rosto, porque era seguido pelos que vinham atrás dele, o homem com a bilha d’água, de certo modo e do modo certo, serviu a Cristo como a Igreja deve servi-Lo, sem perguntar qual seria seu lugar na mesa.

O que teve lugar dentro de sua casa, transformada no mais importante templo material da história humana, seria mais do que suficiente para arrancar dele alguma expressão de vaidade capturada pelo evangelista. Mas não. Não é assim que se faz, na História da Salvação.

Aquele homem, com a água que levava, representa a todos nós; cabe-nos mostrar o caminho do local da Ceia, cabe-nos palmilhar, sobre as pedras do cotidiano, o rumo que leva à casa do Pai.

E devemos fazer com que outros nos sigam, para que se cumpra tudo que foi instituído.

Orientadores do povo de Deus, como cristãos comprometidos que somos: abramos as portas da grande sala e a confiemos ao Mestre para que se realize, ali, o imenso dom da Eucaristia, “como aquele que serve”.

 

Conheçamos estes outros extraordinários relatos!

A intervenção Divina acontece diariamente em todas as partes do mundo. Algumas são grandiosas, impressionam multidões e revelam a bondade ilimitada do Criador por toda humanidade.

            Já conhecemos o maravilhoso milagre de Lanciano, ocorrido na Itália, no ano 700. Porém, mais de cinqüenta Milagres Eucarísticos, desde o século VIII até nossos dias, são reconhecidos pela nossa Igreja. Conheçamo-los:

Ferrara - Itália - Ano 1171

Este milagre ocorreu na Basílica de Santa Maria in Vado. Propagava-se com perigo a heresia de Berengário de Tours, que negava a Eucaristia.

Pe. Pedro de Verona, com três sacerdotes celebravam a Missa de Páscoa; a Hóstia se transformou em carne, saiu sangue que atingiu o altar, cujas marcas são visíveis ainda hoje.

(Documentos: Breve do Cardeal Migliatori (1404). - Bula de Eugênio IV(1442), encontrada em Roma em 1975. Em Londres, em 1981, foi encontrado um documento de 1197 narrando o fato)

Daroca, Espanha, ano 1239

A cidade de Daroca está localizada no nordeste da Espanha e situa-se a cerca de 75 quilômetros de Zaragoza. Esta cidade foi escolhida pelo SENHOR para uma notável manifestação sobrenatural eucarística.

            Embora tenha toda esta riqueza histórica, o maior tesouro de Daroca é a relíquia dos Sagrados Corporais, que data de 1239, quando aconteceu o milagre.

            Por aquele ano, a cidade de Valencia estava sob o reinado do Rei católico Dom Jaime, quando o rei sarraceno Zaen Mora decidiu tomar a cidade com tropas que haviam chegado do norte da África.

O rei católico vendo as intenções do sarraceno, e sabendo que a força militar espanhola era menor, pediu para oferecer uma Santa Missa ao ar livre, e encorajou os soldados assim como os oficiais, a receberem a Sagrada Eucaristia. O Rei Jaime assegurou aos militares que se eles fossem fortalecidos espiritualmente com o Corpo do Senhor, poderiam lutar sem medo porque receberiam a proteção e a ajuda Divina. Porém, assim que terminou a distribuição da Santa Comunhão, o sacerdote que celebrava a Santa Missa ficou aterrorizado com o estrondo de canhões, os tiros, gritos e toda a confusão que se formou: os Sarracenos fizeram um ataque de surpresa. Por isso, ao invés de consumir as seis Hóstias Consagradas que restaram, colocou-as, por segurança, entre dois Corporais. Rapidamente desceu do altar improvisado e colocou-os ocultos sob uma pedra.

Quando os sarracenos se retiraram para agrupar suas forças, os soldados católicos ajoelharam-se diante do altar para dar graças a DEUS por aquela primeira vitória alcançada.  Rapidamente o padre tentou encontrar o lugar onde havia ocultado as Hóstias embrulhadas nos dois Corporais e teve grande dificuldade, porque em face da confusão reinante, esquecera-se onde os pusera. Mas por fim encontrou os encontrou e apressadamente abriu-os para verificar se estava tudo bem: as seis Hóstias tinham desaparecido, deixando no corporal e em seus lugares, seis manchas de sangue. Apressado, o sacerdote subiu ao altar improvisado e mostrou aos militares o Corporal manchado pelo Sangue do Senhor, para reverência e veneração de todos. Como a celebração da Santa Missa foi realizada no campo, bem distante da cidade de Valência, as três cidades: Teruel, Catalayud e Daroca, começaram a reivindicar que o milagre tinha acontecido dentro de suas jurisdições. Todas as três cidades queriam ficar com a custódia dos Santos Corporais. O assunto foi debatido durante muito tempo e depois de muitas palavras, decidiram que a disputa seria resolvida através da sorte.

Embora não fosse um critério comum, foi o escolhido para indicar qual a cidade que ficaria na posse dos Panos Sagrados que os Corporais, devidamente acondicionados e protegidos, seriam colocados sobre uma mula e o animal deveria escolher qual a direção e o caminho a seguir. E assim foi feito!

A mula depois de vaguear e fazer duas pequenas voltas, encaminhou-se para o portão da cidade de Daroca. Então Daroca foi a cidade escolhida. Os habitantes felizes com o desfecho, logo providenciaram a construção de uma Igreja, para ser a depositária dos preciosos Panos de linho. Num altar especial colocaram os dois Corporais dentro de molduras e vidros protetores, a fim de que os fieis pudessem apreciar e venerar às seis manchas com o Sangue do Senhor.

Atualmente a Igreja em Daroca onde estão os Corporais Sagrados é denominada de Igreja de Santa Maria Colegiada, ou simplesmente "A Colegiada".

Nas paredes foram pintadas cenas admiráveis do milagre, e junto ao altar, existem muitas imagens e estátuas feitas de alabastro, multicoloridas, no estilo medieval.

Santarém, Portugal - ano 1247.

            Entre os anos 1225 e 1247, havia uma mulher em Santarém que se sentia muito infeliz, porque o seu marido lhe era infiel. Querendo salvar o seu casamento, ouviu a sugestão de pessoas amigas, procurou por uma feiticeira que lhe prometeu fazer com que o seu marido mudasse de conduta. Pediu que levasse a ela uma Hóstia Consagrada. Ao ouvir tal pedido ficou espantada, pois bem sabia ser um abominável sacrilégio.Sem nada dizer, retornou para sua casa e ficou a imaginar a possibilidade de alcançar a ambicionada felicidade com seu esposo. Ao receber Jesus Sacramentado na língua, não consumiu a Hóstia. Guardou-a e deixou a Igreja imediatamente, indo para a casa da feiticeira. No caminho, a Partícula Sagrada começou a sangrar. Várias pessoas notaram manchas de sangue em sua roupa e pensaram que ela estivesse com algum problema de saúde como uma hemorragia. Levou a Hóstia Consagrada para sua casa, envolveu-a num lenço bem limpo e para uma maior proteção envolveu-a com um tecido de linho branco. Colocou-a num baú em que havia em seu quarto. Durante a noite ela e o marido foram acordados por uma radiação clara e luminosa que vinha do baú e iluminava inteiramente o quarto.Espantados e comovidos, viram dois Anjos abrirem o baú e retirarem Nosso Senhor Eucarístico daquele local. Sem palavras e admirados com aquele fato, viram a pequena Hóstia branca bem no meio do lenço aberto. E diante de tal realidade chorando e arrependida por seu pecado, a esposa contou ao marido toda a verdade sobre o acontecido. Ambos chorando e emocionados passaram a noite, ajoelhados rezando diante Nosso Senhor Eucarístico, suplicando perdão por aquele abominável sacrilégio. Chamaram o padre, que levou a Hóstia Consagrada em procissão para a Igreja. Por ordem superior, a Partícula foi colocada em cera de abelha e lacrada num recipiente.

Dezenove anos após aconteceu outro milagre. Um outro sacerdote abrindo o Tabernáculo, notou que o recipiente de cera que guardava a Hóstia tinha quebrado o lacre e a Partícula Sagrada se transformara em Sangue do Senhor, que permaneceu visível dentro de um recipiente cristalino fechado.  As autoridades eclesiásticas para homenagear a Manifestação Divina mandaram fazer um precioso Relicário, onde colocaram o Milagre, que se mantém na Igreja do Santo Milagre, para a visitação e veneração dos fieis.

Desde aquela época até hoje, todos os anos, no segundo domingo do mês de Abril, o Relicário sai em procissão pelas ruas de Santarém, até a casa onde aquela mulher residia. Na mencionada casa fizeram um respeitoso Altar transformaram a residência em Capela diocesana

Regensburg, Alemanha: ano 1257.

Durante muitos anos havia em Regensburg (antigamente chamado Ratisbon) uma Capela foi entregue à proteção de São Salvador.No dia 25 de Março de 1255, numa quinta-feira Santa, padre Dompfarrer von Ulrich Dornberg levou o Santíssimo Sacramento para diversos membros de sua paróquia que estavam doentes e, tinha que atravessar um pequeno córrego chamado Bachgasse. Cuidadosamente colocou o pé numa prancha estreita de madeira que servia como uma ponte, para poder passar para o outro lado, mas perdeu o equilíbrio, caindo de suas mãos o Cibório com as Hóstias Consagradas ,que se espalharam na margem do córrego. Foi com muita dificuldade que conseguiu recolhê-las uma a uma, por causa da lama.

            Os paroquianos quando souberam do acontecido, decidiram em sinal de reparação ao Santíssimo Sacramento, construir uma Capela no, local onde as Hóstias Consagradas ficaram sujas de lama, ainda que o incidente não tenha sido intencional. A construção de uma capela de madeira começou no mesmo dia, e foi concluída três dias depois, ou seja, em 28 de março.

            O Bispo Albert de Regensburg denominou à pequena estrutura de madeira de Capela de São Salvador e a consagrou no dia 8 de setembro de 1255. O famoso milagre que colocou Regensburg na História da Igreja, aconteceu dois anos depois, exatamente nesta mesma Capela entregue a proteção de São Salvador.

Um padre cujo nome não é conhecido celebrava a Santa Missa na Capela, em todos os fins de semana, aos sábados e domingos. Todavia duvidara da Presença Real de Jesus na Sagrada Eucaristia. Havia ocasiões em que a crise da falta de fé. Certo dia, entrando na Capela para a celebração, sentiu-se meio estranho: uma angústia em seu coração e, ao mesmo tempo, via-lhe um sorriso sarcástico em seus lábios acendendo-lhe ainda mais tal desconfiança. E assim, sem nenhuma fé, passou a celebrar da Santa Missa. Diante do Altar havia um grande Crucifixo onde Jesus Crucificado lhe parecia estar vivo. Um tanto perplexo passou para o momento da Consagração e, neste momento, Nosso Senhor da Cruz estendeu a mão e retirou o Cálice das mãos dele. Trêmulo, recuou-se permanecendo estático e assustado, contemplando atentamente o Senhor. Uma força estranha percorreu todo o seu corpo, fazendo com que ele se prostrasse com os joelhos no chão em sinal de profundo arrependimento, ao mesmo tempo em que grossas lágrimas desciam de seus olhos. Compreendendo a grandeza do pecado que cometera, abaixou a cabeça e interiormente fez uma sincera súplica de perdão. Assim permaneceu por alguns minutos. Depois, pôs a fixar seus olhos em Jesus, até perceber que Ele queria devolver-lhe o Cálice com o Sangue Redentor. Levantou-se e respeitosamente segurou o Cálice que o Senhor, em Sua bondade, entregou em suas mãos. As pessoas que participavam da Santa Missa ficaram impressionadas e este fato, como não poderia deixar de acontecer, foi divulgado intensamente em todas as partes. Após a celebração, o sacerdote respeitosamente beijou os pés do Cristo Crucificado e deixou rapidamente o recinto. Nunca mais foi visto. Entrou um Mosteiro em Ulms e lá permaneceu recluso até a sua morte.

Depois do milagre multidões de pessoas foram visitar o famoso Cristo da Capela de São Salvador. Com as doações reformaram totalmente a Capela reforçando a estrutura e edificando-a com pedras.

Em 1267 foi construído um Mosteiro no terreno ao lado da Capela de pedra e ela, foi confiada a Ordem dos Agostinianos Eremitas.

Em 1542 a Capela foi confiscada pelos luteranos e durante séculos passou a ser usada como dormitório. Contudo, os objetos sagrados e inclusive o Cristo Crucificado foram salvos e escondidos, graças à coragem e o desprendimento de fieis que verdadeiramente amavam a Igreja. E em razão da perseguição luterana jamais foi mostrado ao público e por isso mesmo, com a seqüência dos anos, ficou no esquecimento e hoje ninguém mais tem notícia dele. Por outro lado, depois do longo tempo de ocupação pelos luteranos, a Capela ficou fechada e esquecida. Foi demolida na época da Segunda Grande Guerra Mundial.

Orvieto - Bolsena - Itália; ano 1263.

Jesus tinha pedido à Beata Juliana de Cornillon (+1258) a introdução da festa de "Corpus Domine" no calendário litúrgico da Igreja. O Pe. Pedro de Praga, da Boêmia, estava celebrando uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena quando ocorre o milagre: da hóstia consagrada caem gotas de sangue sobre o corporal.

O Papa Urbano IV (1262-1264), residia em Orvieto e ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. O Papa emitiu a Bula Transiturus de mundo, em 11/08/1264, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes fosse celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor.

São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. Em 1290 foi construída a Catedral de Orvieto, chamada de "Lírio das Catedrais".

Hasselt, Bélgica: ano 1317.

Em 1317, um Padre de Viversel que ajudava na cidade de Lummen, foi solicitado a levar o Santo Viático (Sagrada Comunhão ministrada aos doentes e idosos) a um homem da aldeia que estava enfermo.

Levando um Cibório com uma Hóstia Consagrada, entrou na casa e colocou o utensílio sagrado sobre uma mesa enquanto entrou no quarto para conversar com a família e o doente.

Um homem que ali residia, encontrava-se em pecado mortal. Passando pela sala e vendo o Cibório, cheio de curiosidade, mas sem fé, removeu a tampa de cobertura e segurou a Hóstia Consagrada. Imediatamente a Hóstia começou a sangrar. Assustado, jogou a Hóstia dentro do Cibório e saiu apressado. Quando o padre veio pegar o Cibório para ministrar a Comunhão ao doente, encontrou-o aberto! Surpreso observou também que a Hóstia estava com diversas manchas de sangue. No momento ficou indeciso sobre o que fazer, entretanto logo a seguir, decidiu procurar o senhor Bispo e levar o fato ao seu conhecimento.

O bispo, percebendo em se tratar de uma manifestação eucarística sobrenatural, aconselhou-o levar a Hóstia Milagrosa para um Sacrário na Igreja das freiras Cisterciense em Herkenrode, aproximadamente a 50 quilômetros de distancia, perto de Liege, na Bélgica, fundado no século XII e pertence às freiras Cistercienses.

Por saber sobre a vida de santidade desta comunidade religiosa, o senhor Bispo escolheu aquele local para acolher a Hóstia Milagrosa A seguir, acompanhado das Irmãs e em procissão entraram na Igreja e aproximou-se do altar. Quando ele abriu o Sacrário para colocar o Cibório com a Hóstia Milagrosa, teve uma visão de Cristo coroado com espinhos, que também foi visto por todas as pessoas presentes. Nosso Senhor parecia dar um sinal especial de que a vontade Dele era permanecer ali.

Por causa desta visão e da presença da Hóstia Milagrosa, Herkenrode tornou-se um dos lugares mais famosos de peregrinação na Bélgica.

A Sagrada Hóstia permaneceu na Igreja em Herkenrode até 1796, época da Revolução francesa, quando as freiras foram expulsas do Convento. Durante este tempo terrível a Hóstia foi confiada aos cuidados de uma sucessão de diferentes famílias. Conta-se que foi até acomodada numa caixa metálica comum e embutida na parede da cozinha de uma casa.

Em 1804 a Hóstia foi removida do esconderijo e levada em solene procissão para a Catedral de São Quintinus em Hasselt.

O Templo possui uma bela arquitetura gótica e foi construído no século XIV. Contém pinturas impressionantes dos séculos XVI e XVII que recordam eventos da história do Milagre.

Mas muito mais importante que a construção e a beleza da Catedral, é o Relicário com a Hóstia do notável Milagre Eucarístico de 1317 que ela abriga, em esplêndida condição de conservação, num Altar especial a veneração dos fieis.

Sena - Itália: ano 1330: Milagre Eucarístico De Cássia

Cássia é um bonito povoado aninhado nas montanhas, na Úmbria, Itália, bastante conhecido por sua filha Santa Rita de Cássia, cujo corpo repousa na Basílica, mas aqui está também a relíquia do Milagre Eucarístico ocorrido em Siena, Itália, em 1330.

Na Capela, debaixo do Tabernáculo, há uma caixa de cristal com os ossos do Beato Simone Fidati, que esteve envolvido no Milagre Eucarístico.

O padre Simone era um sacerdote Agostiniano do século 14 e conhecido, apesar de ser ainda jovem na região, como um homem sábio e santo, Muitos sacerdotes o procuravam para se confessar.

Certa vez, um dos sacerdotes confessou-lhe que havia perdido o respeito pela Eucaristia, ou seja, não acreditava na presença real de Jesus Cristo. Rezava a missa seguindo a rotina por obrigação e afastava-se a cada dia de Deus.

Certo dia recebeu o chamado de um enfermo para receber o Extrema-unção. Deveria levar o Hóstia Santo em um relicário junto ao peito, mas desrespeitosamente colou-a entre as páginas de seu missal.

Quando chegou a casa do enfermo, ao abrir o livro, tomou grande susto, pois no lugar da Hóstia havia duas grandes manchas de sangue arredondadas.O sacerdote fugiu em pânico e foi à procura do Beato Simone que ouviu a confissão de seu pecado e do milagre e pediu ao sacerdote as duas páginas de seu missal.

Uma das páginas manchadas de sangue foi colocada no Tabernáculo de Perugia e a outra com a Santa Hóstia aderida à página foi para o mosteiro Agostiniano de Cássia.

O Milagre Eucarístico foi venerado ao longo dos anos no Mosteiro. Em 1930 houve um Congresso Eucarístico em Nurcua, perto de Cássia.

Nessa ocasião a Hóstia milagrosa foi levada em uma Custódia ao Congresso, em homenagem aos 600 anos da ocorrência. Quando a nova igreja de Santa Rita foi construída, ao lado do Mosteiro, foi construída, também, uma capela para acomodar o Milagre Eucarístico.

Quanto à página com sangue, também venerada, ao longo dos anos, em Cássia, na Basílica de Santa Rita de Cássia, como "Corpus Domine". As pessoas notaram que no lugar do sangue começou a aparecer o rosto de Jesus Cristo.

O sacerdote que mostra aos fiéis o milagre coloca uma lanterna por trás da página para mostrar o rosto.

Seefeld Áustria: ano 1384

Na diocese DeInnsbruck, província do Tirol, na aldeia de Seefeld, Áustria, a Paróquia de São Oswaldo é muito conhecida por um milagre ocorrido na quinta-feira Santa de 1384.

Nessa época, Knight Milser era o guardião do Castelo de Schlossberg, localizado ao norte do lugarejo que fora estrategicamente construído para proteger uma importante estrada de acesso e servir como uma fortaleza, para defender os moradores do local.

O senhor Knight era bastante orgulhoso da posição que ocupava e de sua autoridade e procurava sempre estar em evidência, relatados no jornal da comunidade:

Numa manhã, com alguns de seus servidores, foi à Igreja Paroquial e cercou o Padre e a congregação com homens bem armados, exigindo do sacerdote que iria celebrar a Santa Missa, comungar a Hóstia grande, a qual é utilizada na consagração. Pois, segundo ele, a Hóstia pequena tinha menor valor. O Padre ficou apreensivo: recusar um pedido do senhor Knight lhe poderia significar a morte. No momento da Comunhão, o profanador com a espada desembainhada e a cabeça coberta, dirigiu-se ao lado esquerdo do altar e ali ficou à espera. No mesmo momento em que o senhor Knight a recebeu, o solo da igreja abriu sob seus pés, fazendo com que se afundasse até a altura dos joelhos. Bastante assustado e querendo sair, segurou-se no Altar: e o fez com tamanha força, que suas impressões digitais ficaram ali gravadas e podem ser vistas até os dias de hoje.

Porém não conseguindo sair, aterrorizado implorou ao Padre para remover a Hóstia Consagrada que ainda continuava em sua boca, dizendo que ela lhe estava sufocando. Assim que o sacerdote retirou a Sagrada Espécie, o chão novamente ficou firme. Ao retirar a Hóstia da boca do senhor Knight via-se que estava impregnada pelo Sangue do Senhor. Imediatamente conseguiu sair de onde se encontrava e em pânico deslocou-se rapidamente para o Mosteiro de Stams, onde chamou um sacerdote e confessou os seus muitos pecados.

A partir desse episódio, procurou viver uma vida santa, realizando freqüentemente penitências e ajudando aos mais necessitados.

Morreu dois anos depois e, conforme o seu pedido, foi enterrado numa área próximo da capela do Santíssimo Sacramento do Mosteiro.

O belo manto aveludado que usava durante a Santa Missa naquela quinta-feira Santa, pediu que o cortasse e fizesse com ela uma casula sacerdotal, doando-a ao Mosteiro de Stams.

A Hóstia do Milagre foi guardada numa Âmbula por determinação da autoridade eclesiástica, até a confecção de um belíssimo relicário de prata em estilo gótico, também por ele encomendado.

A relíquia sagrada é preservada até hoje na Igreja de São Oswaldo, sendo permitido ao público a visitação da mesma.

Ainda é mantido o buraco no piso, onde o senhor Knight afundou-se até os joelhos. Por motivo de segurança, o buraco foi coberto com um grelha de ferro para evitar que alguém distraidamente caia dentro dele. Entretanto a grelha pode ser removida para aqueles que desejarem examiná-lo.

Em 1984 a Igreja de São Oswaldo celebrou o 600 anos de aniversário do Milagre Eucarístico.

Turim - Itália; ano 1453.

A igreja e o sacrário da Catedral de Milão foram saqueados e o ostensório de prata foi roubado e colocado em uma carruagem, e levado a Turim. Alí o cavalo parou diante da igreja de S.Silvestre, o ostensório caiu no chão, e levantou-se pairando no ar, com grande esplendor, como o Sol.

O bispo Ludovico Romagnano foi chamado. O ostensório caiu no chão e a hóstia ficou pairando no ar. Desceu em seguida dentro de um cálice seguro pelo bispo.

Faverney, França: ano 1600.

O Milagre Eucarístico que aconteceu em Faverney, na França consistiu numa notável demonstração sobrenatural de superação da lei da gravidade. Faverney está localizado a 20 quilômetros de Vesoul, distante 68,7 quilômetros de Besançon. A Abadia onde se encontra a Igreja em que aconteceu o milagre foi fundada por São Gude no século VIII e pertencia a Ordem eclesiástica de São Benedito.

A Igreja foi colocada sob a proteção de Nossa Senhora de La Blanche, representada por uma pequena imagem colocada à direita do Altar Principal, na Capela do Coro. Desde sua fundação, a Abadia estava entregue as freiras, mas a partir de 1132, os monges a assumiram.

No inicio de 1600 a vida religiosa do povo não era tão fervorosa o quanto deveria ser. Poucas vocações, que revelavam a falta de estímulo para tão nobre missão. Viviam na Abadia somente seis monges e dois noviços. Para manter acesa a fé das pessoas, debilitada pela terrível influência protestante, os monges procuravam realizar todas as cerimônias tradicionais e sempre revestidas com a maior solenidade, inclusive fazendo com freqüência a reza da Via Sacra e adoração do Santíssimo Sacramento.

Para a celebração da Festa de Pentecostes em 1608, fizeram um magnífico Altar de madeira perto do Portão de entrada do Coro, adornado com belíssimas flores.

A cerimônia religiosa realizada no domingo de Pentecostes foi bonita e participada por um grande número de fieis que lotavam o templo. Ao anoitecer, fecharam as portas da Igreja e os monges foram repousar, deixando duas lâmpadas com óleo para iluminar o Santíssimo Sacramento, que permaneceu exposto sobre o Altar num Ostensório.

No dia seguinte, segunda-feira 26 de Maio, quando o sacristão Don Garnier abriu as portas da Igreja, observou que havia muita fumaça e chamas em quantidade, que subiam por todos os lados do Altar.

Apressou-se em avisar os Monges, que imediatamente se uniram aos leigos e procuraram salvar a Igreja, porque as chamas violentamente já devoravam o Altar.

Um dos noviços chamado Hudelot, notou que o Ostensório que se encontrava junto ao Santíssimo Sacramento sobre o Altar, elevou-se e ficou suspenso no ar e que as chamas se inclinavam e não tocavam nele.

As pessoas que estavam na Igreja para ajudar a apagar o incêndio ao verem aquele fenômeno, ficavam impressionadas. Os habitantes do lugarejo, pessoas que residiam nas proximidades, gente de todas as idades logo vieram a Igreja para ver o que estava acontecendo.

Os Frades Capuchinhos de Vesoul também se apressaram para observar e testemunhar o fenômeno.

Muito embora os monges com a ajuda do povo, conseguiram apagar o incêndio que queria consumir toda a Igreja, o Milagre não cessou, o Ostensório com Jesus Sacramentado continuou flutuando no espaço.

As pessoas que chegavam, ajoelhavam em demonstração de respeito, de temor e em adoração, diante do Ostensório suspenso no ar, enquanto diversos céticos também se aproximaram para examinar o milagre que acontecia. Ao longo do dia e durante a noite os monges não estabeleceram nenhuma restrição, e os curiosos puderam livremente visitar a Igreja e presenciar o notável fenômeno.

Na manhã de terça-feira, dia 27 de Maio, o Milagre continuava.

Padres dos bairros circunvizinhos e de outras cidades vinham ao local e celebravam a Santa Missa em horários seguidos, enquanto o Ostensório se mantinha suspenso no ar. Aproximadamente às 10 horas da manhã, no momento da Consagração da Santa Missa que estava sendo celebrada pelo Padre Nicolas Aubry, Pároco de Menoux, as pessoas presenciaram o Ostensório mudar de posição e suavemente descer sobre o Altar improvisado, onde estavam celebrando as Missas, substituindo aquele que foi destruído pelo fogo.

Ao todo, o Ostensório permaneceu durante 33 horas suspenso no ar.

Em 31 de Maio, uma investigação foi ordenada pelo Arcebispo Ferdinand de Rye. Foram recolhidas cinqüenta e quatro testemunhas: monges, padres, autoridades, homens e mulheres do povo.

Em 30 de Julho de 1608, depois de estudar os testemunhos e todo material coletado durante a investigação, o senhor Arcebispo afirmou que havia acontecido de fato, um notável milagre eucarístico.

 Examinando alguns detalhes da ocorrência, observamos que, o altar era de madeira e foi quase que completamente reduzido a cinzas, com exceção dos pés. Queimou totalmente a toalha de linho e o Corporal que estavam sobre a Mesa de Celebrações, assim como um dos lustres que decorava o Altar, que foi achado derretido pelo calor do fogo. Todavia o Ostensório que abrigava Jesus Sacramentado estava perfeito, misteriosamente preservado de qualquer dano. As duas Hóstias Consagradas que se encontravam dentro dele, permaneceram intactas. Também foram poupados e permaneceram sem nenhum dano quatro preciosidades que estavam dentro de um tubo cristalino preso ao Ostensório: uma relíquia de Santa Agatha, um pequeno pedaço de seda que protegia a relíquia, uma proclamação de indulgências pelo Santo Padre, e uma carta episcopal em que a cera do selo derreteu e correu em cima do pergaminho sem, contudo, alterar o texto.

Sobre o Ostensório que se manteve flutuando livremente no espaço durante 33 horas, 54 pessoas testemunharam, inclusive padres de outras Ordens Religiosas que vieram presenciar o acontecimento sobrenatural. Deram declarações sob juramento e assinaram um documento que ainda é conservado.

Considerando que a Igreja possuía piso de madeira, disseram também que a suspensão do Ostensório não foi afetada pelas pessoas que se moviam ao redor para melhor observar o milagre, nem das pessoas que constantemente entravam e saiam do templo, assim como da atividade dos monges que se dedicaram a imediata remoção do material queimado pelo fogo e da montagem de um altar provisório. Posteriormente uma pedra de mármore foi colocada para marcar o local do milagre. Nela estão cinzeladas as palavras "Lieu Du Miracle" - Lugar do Milagre.

Em dezembro de 1608, uma das duas Hóstias que estavam no Ostensório na hora da suspensão milagrosa foi transferida solenemente para a cidade de Dole, que era a capital do município.

Durante a Revolução Francesa infelizmente o Ostensório do Milagre foi destruído, mas a Hóstia Consagrada foi preservada de qualquer dano por membros do conselho municipal de Faverney, que a manteve escondida até passar o perigo. Depois, mandaram confeccionar outro magnífico Ostensório onde colocaram a Sagrada Hóstia. Dentro deste novo Ostensório à mesma Hóstia Consagrada que ficou em suspensão milagrosa durante 33 horas, sobrevivendo ao grande calor do fogo de um incêndio, encontra-se em perfeito estado de conservação e disponível à veneração dos fieis na Igreja de Nossa Senhora de La Blanche.

Sena - Itália: ano 1730

No ano 1730, Sena já não era a cidade de grande devoção dos tempos de Sta. Catarina e São. Bernardino. Melhor, era um lugar como muitos na Europa, onde nos dias de festas religiosas, eram ocasiões para se divertir. Partiu perdendo o significado e força religiosa das festas. Todos se reuniam na Praça do Setor, para celebrar um dia livre de trabalho.

Em meados do Século XVII, A Europa estava bastante em volta no Renascimento. O interesse das pessoas estava na arte e na cultura. E ainda muitos iam à Igreja, não eram necessariamente movidos por um profundo amor à Eucaristia, nem à Virgem.

Por isto que em 1730, Sena necessitava de um milagre, uma graça de Deus para a renovação espiritual. Na realidade não só a Itália, como também a Europa, necessitava uma mudança que lhes fizesse encontrar e concentrar sua atenção no poder de Deus. Nessas situações, nosso Senhor não abandona o seu povo.

Sena tem na realidade dois milagres Eucarísticos e aqui relatamos o mais famoso deles. O segundo encontra-se na basílica de Cássia e que já narrado acima (ano 1330).

No dia antes da festa da Assunção pela manhã, os sacerdotes de todas as igrejas de Sena consagraram as Hóstias adicionais prevendo a grande multidão que receberia a Comunhão no dia seguinte. Todos eles foram ao esplêndido Duomo, a Catedral, para planejar as festividades do dia seguinte, e tomar parte na Cerimônia da Vigília dessa noite. Como todos os sacerdotes estavam na Catedral, as Igrejas estavam vazias.

Em 14 de agosto, à noite, alguns ladrões entraram à Basílica de São Francisco, que se situa no extremo norte da cidade. Abriram o Tabernáculo para roubar o Cálice de ouro que continha as hóstias consagradas. Levaram tudo, as Hóstias e o Cálice. Ninguém se deu conta do crime até na manhã seguinte, quando os sacerdotes da Igreja foram celebrar a Missa da Assunção. Surgiu o pânico. A prova do crime foi confirmada quando alguém trouxe a parte de cima do Cálice, que havia encontrado na rua frente à Igreja. Todo o povo passou a buscar as Hóstias perdidas. Todas as celebrações foram suspensas. O arcebispo pediu orações públicas para que aparecessem as Hóstias Consagradas em bom estado. Até esse momento não se sabia a razão do porque das hóstias terem sido roubadas. Seria pelo ouro do Cálice, ou por um propósito ainda mais diabólico, para profanar e cometer sacrilégios contra de Nosso Salvador? Novamente, o Senhor se permite ser bondoso diante da maldade do homem.

Três dias mais tarde, em 17 de agosto, enquanto um homem estava orando na Igreja de Santa Maria em Provenzano, muito perto da Basílica de São Francisco, notou que havia algo de cor branca dentro da caixa dos pobres. Este algo branco tinha forma redonda e parecia brilhar. Imediatamente foi dizer ao sacerdote dessa igreja, e este informou de imediato ao arcebispo, quem mandou a um de seus assistentes à Igreja de Santa Maria. Quando o representante do arcebispo e um sacerdote da Basílica de São Francisco chegaram à Igreja de Sta. Maria, abriram a caixa dos pobres e encontraram uma grande quantidade de Hóstias. Algumas se haveriam enroscado com as teias de aranha dentro da caixa e outras caíram ao fundo. Eles as contaram para ver se havia perdido alguma.

O sacerdote da Igreja de São Francisco disse que a quantidade era correta: 348 Hóstias inteiras e 6 metades. O sacerdote havia consagrado 351 Hóstias no dia 14 de agosto.

Quão longos se tornaram esses três dias em que as hóstias estiveram perdidas! Esses três dias pareceram com os dias entre a Crucifixão e a Ressurreição. Um suspiro de alívio e de louvor ao Senhor ressoou por duas razões. Uma razão foi que as Hóstias Consagradas haviam sido encontradas e, a outra, que não se haveriam tirado nenhuma. Esse era o temor que todos tinham: que se lhes interessava o Cálice, deixassem as hóstias consagradas em qualquer lugar, ou em um lixo.

Recolheram todas as hóstias e as limparam com sumo cuidado. Levaram à Igreja de São Francisco numa procissão acompanhada por uma grande multidão. Uma vez que chegaram à Igreja, expuseram-nas para adoração e reparação. A história do roubo ventilou-se por todo o país e muitos começaram a fazer peregrinações à Igreja de São Francisco para orar diante das Hóstias Consagradas. Isto foi antes que soubessem que nelas se ia a dar um milagre. As hóstias não foram distribuídas. Não há nenhuma explicação certa do porquê as hóstias não foram distribuídas. Uma das razões pode ser que grande multidão de pessoas de Sena e outros povos vizinhos que chegavam para adorar as hóstias e assim os sacerdotes viram-se forçados a não as consumir. Outra razão possível é que, e ainda as hóstias foram cuidadosamente limpadas, mas inda ficaram um pouco sujas. Em casos como este, em que as Hóstias Consagradas foram de alguma forma contaminadas, não se requer que sejam consumidas. Geralmente, continuam reservadas até que se deteriorem. Quando isto ocorre a Presença Real desaparece delas. Possivelmente, os Franciscanos desejavam deixar que as Hóstias fossem adoradas pelos peregrinos até o momento em que se deteriorassem, e isso teria sido o final de tudo. Porém isto nunca sucedeu.

Diante do assombro dos sacerdotes, as Hóstias não se deterioravam, mantendo-se frescas e com odor muito agradável. Ao passar do tempo, os franciscanos se convenceram de que estavam presenciando um milagre contínuo de preservação.

Alguns personagens importantes da Igreja, bispos ou cardeais, foram permitidos receber uma das hóstias. Eles disseram que seu gosto era recente e agradável.

Cinqüenta anos depois que as hóstias foram recuperadas, conduziram a uma investigação oficial para comprovar a autenticidade do milagre. O Geral da Ordem Franciscana, Pe. Carlo Vipera examinou as Hóstias em 14 de abril de 1780, consumindo uma e comprovando que estava perfeitamente normal, incorrupta.  Já que se haveriam distribuído algumas hóstias durante os anos anteriores, o Geral ordenou que as 230 hóstias que restaram fossem colocadas em um novo cibório e proibiu que as continuassem distribuindo.

Nove anos depois, em 1789, uma mais detalhada investigação foi feita pelo arcebispo de Sena. Esta investigação incluiu teólogos proeminentes e outros dignitários. Após examinar as hóstias com microscópio, a comissão declarou que estavam perfeitamente intactas e que não mostravam nenhum sinal de decomposição, nem mudança de cor. Três franciscanos que estiveram presentes nas investigações anteriores foram questionados pelo arcebispo, sob juramento. Nesta investigação também se reafirmou que as hóstias examinadas eram as mesmas que haviam sido roubadas em 1730 e três dias mais tardes descobertas.

Foi nesta investigação, que o arcebispo ordenou que uma quantidade de hóstias, sem ser consagradas, fossem colocadas em um vasilha hermeticamente fechada e iria ser guardada sob chave, por dez anos, no departamento da Chancelaria.

As Hóstias Milagrosas foram guardadas em um Cálice, não seladas hermeticamente, e sim na forma em que haviam sido conservadas nos últimos 59 anos.

No final do período de 10 anos, a vasilha das hóstias não consagradas, foi aberta, na presença do arcebispo e vários oficiais. Eles as encontraram estavam descoloradas, desfiguradas e deterioradas. Então, revisaram as Hóstias Milagrosas e encontraram-nas estavam em perfeitas condições. Em 1850, 61 anos mais tarde, fez-se uma prova similar obtendo-se os mesmos resultados. As hóstias sem consagrar estavam reduzidas ao pó e as hóstias milagrosas mantinham seu frescor.

Outras investigações ocorreram em diferentes ocasiões. A mais importante foi no ano de 1914 e realizou-se por pedido do Papa Pio X. Para isto selecionaram um debate com famosos pesquisadores que incluía cientistas e professores de Sena e Pisa, como também, teólogos e oficiais eclesiásticos.

Exames com ácido e amido foram colocados em um dos fragmentos e indicaram um nível normal de ambos.

Por um exame microscópico, concluiu-se que as hóstias haviam se tornadas feitas de farinha de trigo cozido, o qual estava perfeitamente preservado.

A comissão explicou que se o pão sem fermento era preparado em condições de limpeza e era guardado em uma vasilha onde não entrasse o ar, que estivesse esterilizado, poderiam manter-se por muito tempo. O pão sem fermento preparado numa forma normal, exposto ao ar e à atividade de microorganismos poderia manter-se intacto por alguns poucos anos.

Concluiu-se que as hóstias roubadas foram preparadas sem precauções alguma e guardadas sob condições comuns, que deveriam tê-las feito rapidamente deterioradas. As hóstias estavam e estão tão perfeitamente preservadas que após mais de 200 anos podem ser consumidas.

O professor Siro Grimaldi, professor de química na universidade de Sena e diretor do Laboratório municipal, e reconhecido por suas muitas distinguidas posições na área da química foi o líder da comissão de investigação do ano 1914. Deu muitas conferências sobre a natureza milagrosa das hóstias e escreveu um livro.

No ano 1922, ocorreu outra investigação na presença dos Bispos de Sena, Montepulciano, Folignno e Grosseto. Os resultados foram iguais aos anteriores. Não havia explicação natural pela qual as hóstias houvessem permanecido sem se corromper por um período de tempo tão longo (192 anos). Proclamaram-no milagre.

Em 1950, as Hóstias Milagrosas foram removidas do seu antigo cibório e colocadas em um mais elaborado e encantador que chamou a atenção de outro ladrão. Este, na noite de 5 de agosto de 1951 cometeu outro sacrilégio contra as hóstias, porém desta vez só foi até a o cibório deixando as hóstias na esquina do tabernáculo.

Depois de contar 133 hóstias, o arcebispo as guardou seladas em um cibório de prata. Foram fotografadas e colocadas em um relicário adornado no qual se encontram hoje.

Os Bispos e oficiais da Igreja foram, solenemente, em procissão com as Hóstias pelas ruas da cidade, e as tiveram expostas por algum tempo.

As hóstias milagrosas são expostas publicamente em várias ocasiões, porém especialmente no dia 17 de cada mês, em que se comemora o dia em que foram encontradas, no ano de 1730.

Na festa de Corpus Christi, as hóstias sagradas são levadas numa triunfante procissão das ruas de Sena.

Entre os muitos que visitaram as hóstias milagrosas para adorar ao Senhor, temos São João Bosco e o Papa João XXIII quem em 29 de Maio de 1954 e, assinaram os livros dos visitantes. E ainda não puderam fisicamente visitar o milagre eucarístico, os Papas Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII, mas fizeram declarações oficiais de grande interesse e admiração.

Em 14 de setembro de 1980, o Papa João Paulo II foi a Sena para adorar a Jesus Cristo nas Sagradas Hóstias do Milagre Eucarístico, no 250º Aniversário do Milagre das Hóstias.

Em voz unânime, os fiéis, sacerdotes, bispos, cardeais e papas têm se maravilhado e adorado as sagradas Hóstias, reconhecendo que nelas ocorreu um milagre permanente, completo e perfeito, que já dura 250 anos. Um milagre em que as hóstias permaneceram completas e com brilho natural e com o odor característico do pão sem fermento.

Como se encontram em perfeito estado de conservação, a igreja Católica confirma que, consagradas em 1730, continuam sendo verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo.

Cada sexta-feira à noite, às 6:00 da tarde, reza-se um Rosário seguido pela celebração da santa Missa, e em seguida é dado a Bênção com as Hóstias Milagrosas.

Sim caro amigo/a, desejará sempre o Senhor nos mostrar a importância de permanecer fiéis a uma fé pura sem a mesclarmos com nada que a dilua ou a diminua.
13- A CELEBRAÇÃO CORPUS CHRISTI: JESUS EUCARÍSTICO CAMINHA NO MEIO DO POVO

O sentido da celebração

            Na quinta-feira, após a solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja celebra devotamente a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, festa comumente chamada de Corpus Christi. A motivação litúrgica para tal festa é, indubitavelmente, o louvor merecido à Eucaristia, fonte de vida da Igreja. Desde o princípio de sua história, a Igreja devota à Eucaristia um zelo especial, pois reconhece neste sinal sacramental o próprio Jesus, que continua presente, vivo e atuante em meio às comunidades cristãs.

Celebrar Corpus Christi significa fazer memória solene da entrega que Jesus fez de sua própria carne e sangue, para a vida da Igreja, e comprometer-nos com a missão de levar esta Boa Nova para todas as pessoas.

Poderíamos perguntar se na Quinta-Feira Santa a Igreja já não faz esta memória da Eucaristia. Claro que sim! Mas na solenidade de Corpus Christi estão presentes outros fatores que justificam sua existência no calendário litúrgico anual. Em primeiro lugar, no tríduo pascal não é possível uma celebração festiva e alegre da Eucaristia. Em segundo lugar, a festa de Corpus Christi quer ser uma manifestação pública de fé na Eucaristia. Por isso o costume geral de fazer a procissão pelas ruas da cidade. Enfim, na solenidade de Corpus Christi, além da dimensão litúrgica, está presente o dado afetivo da devoção eucarística. O Povo de Deus encontra nesta data a possibilidade de manifestar seus sentimentos diante do Cristo que caminha no meio do Povo.

Origem da solenidade

Na origem da festa de Corpus Christi estão presentes dados de diversas significações. Na Idade Média, o costume que invadiu a liturgia católica de celebrar a missa com as costas voltadas para o povo, foi criando certo mistério em torno da Ceia Eucarística. Todos queriam saber o que acontecia no altar, entre o padre e a hóstia. Para evitar interpretações de ordem mágica e sobrenatural da liturgia, a Igreja foi introduzindo o costume de elevar as partículas consagradas para que os fiéis pudessem olhá-la. Este gesto foi testemunhado pela primeira vez em Paris, no ano de 1200.

Entretanto, foram as visões de uma freira agostiniana, chamada Juliana, que historicamente deram início ao movimento de valorização da exposição do Santíssimo Sacramento. Em 1209, na diocese de Liége, na Bélgica, essa religiosa começa ter visões eucarísticas, que se vão suceder por um período de quase trinta anos. Nas suas visões ela via um disco lunar com uma grande mancha negra no centro. Esta lacuna foi entendida como a ausência de uma festa que celebrasse festivamente o sacramento da Eucaristia.

Nasce a festa do “Corpus Christi”

Quando as idéias de Juliana chegaram ao bispo, ele acabou por acatá-las, e em 1246, na sua diocese, celebra-se pela primeira vez uma festa do Corpo de Cristo. Seja coincidência ou providência, o bispo de Juliana vem a tornar-se o Papa Urbano IV, que estende a festa de Corpus Christi para toda Igreja, no ano de 1264.

Mas a difusão desta festa litúrgica só será completa no pontificado de Clemente V, que reafirma sua significação no Concilio de Viena (1311-1313). Alguns anos depois, em 1317, o Papa João XXII confirma o costume de fazer uma procissão, pelas vias da cidade, com o Corpo Eucarístico de Jesus, costume testemunhado desde 1274 em algumas dioceses da Alemanha.

O Concílio de Trento (1545-1563) vai insistir na exposição pública da Eucaristia, tornando obrigatória a procissão pelas ruas da cidade. Este gesto, além de manifestar publicamente a fé no Cristo Eucarístico, era uma forma de lutar contra a tese protestante, que negava a presença real de Cristo na hóstia consagrada.

Atualmente a Igreja conserva a festa de Corpus Christi como momento litúrgico e devocional do Povo de Deus. O Código de Direito Canônico confirma a validade das exposições publicas da Eucaristia e diz que “principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, haja procissão pelas vias públicas” (cân. 944).

A celebração do Corpo de Cristo

Santo Tomás de Aquino, o chamado doutor angélico, destacava três aspectos teológicos centrais do sacramento da Eucaristia. Primeiro, a Eucaristia faz o memorial de Jesus Cristo, que passou no meio dos homens fazendo o bem (passado). Depois, a Eucaristia celebra a unidade fundamental entre Cristo com sua Igreja e com todos os homens de boa vontade (presente). Enfim, a Eucaristia prefigura nossa união definitiva e plena com Cristo, no Reino dos Céus (futuro).

A Igreja, ao celebrar este mistério, revive estas três dimensões do sacramento. Por isso envolve com muita solenidade a festa do Corpo de Cristo. Não raro, o dia de Corpus Christi é um dia de liturgia solene e participada por um número considerável de fiéis (sobretudo nos lugares onde este dia é feriado). As leituras evangélicas deste dia lembram-nos a promessa da Eucaristia como Pão do Céu (Jo 6, 51-59 - ano A), a última Ceia e a instituição da Eucaristia (Mc 14, 12-16.22-26 - ano B) e a multiplicação dos pães para os famintos (Lc 9,11b-17 - ano C).

A devoção popular

            Porém, precisamos destacar que muito mais do que uma festa litúrgica, a Solenidade de Corpus Christi assume um caráter devocional popular. O momento ápice da festa é certamente a procissão pelas ruas da cidade, momento em que os fiéis podem pedir as bênçãos de Jesus Eucarístico para suas casas e famílias. O costume de enfeitar as ruas com tapetes de serragem, flores e outros materiais, formando um mosaico multicor, ainda é muito comum em vários lugares. Algumas cidades tornam-se atração turística neste dia, devido à beleza e expressividade de seus tapetes. Ainda é possível encontrar cristãos que enfeitam suas casas com altares ornamentados para saudar o Santíssimo, que passa por aquela rua. A procissão de Corpus Christi conheceu seu apogeu no período barroco. O estilo da procissão adotado no Brasil veio de Portugal, e carrega um estilo popular muito característico. Geralmente a festa termina com uma concentração em algum ambiente público, onde é dada a solene bênção do Santíssimo.

Nos ambientes urbanos, apesar das dificuldades estruturais, as comunidades continuam expressando sua fé Eucarística, adaptando ao contexto urbano a visibilidade pública da Eucaristia. O importante é valorizar este momento afetivo da vida dos fiéis.

 

“Ó Sagrado Banquete, no qual o Cristo é recebido; nele se faz memória de sua Paixão, a alma se enche de graça e o penhor da futura glória nos é dado”.
CONCLUSÃO

Concluindo caro amigo/a, podemos afirmar que o milagre, no Antigo Testamento, é palavra que designa uma coisa maravilhosa feita por Deus, susceptível de diversos sinônimos. É um evento sensível em que se verifica a irrupção de Deus no mundo. Não é o sagrado em si mesmo, mas um sinal que aponta para ele, e que por isso se distingue da aparição, a qual mostra o próprio sagrado no seu mistério. Pudemos refletir tanto sobre o milagre, quanto às aparições.

No Novo Testamento, um sentido especial é acrescentado. A palavra aparece em nosso sentido usual, como um motivo de credibilidade, enquanto manifesta ora o poder de Cristo e nos obriga a crer em sua pessoa, ora a missão dos evangelizadores da religião.

A plena manifestação de Deus ao ser racional se deu com a encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, na qual se uniram as naturezas divina e humana. Isto significou a inserção máxima de Deus na História. É a página áurea do processo salvífico, que atinge então seus pontos culminantes, profundos e definitivos.

Ultimamente, muito se tem falado sobre as aparições de Nossa Senhora em diversas partes do mundo, especialmente no Brasil: Ceará, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro etc. Em conseqüência, muita gente pergunta: que diz a Igreja Católica a respeito desses fenômenos extraordinários? A Igreja jamais dirá oficialmente que Nossa Senhora apareceu; mas, em vista dos frutos espirituais colhidos, poderá abonar a devoção a ela tributada no local das chamadas "revelações particulares". Notemos logo que se trata das chamadas "revelações particulares", isto é, feitas a uma ou a algumas pessoas, para as quais elas podem ter significado. Se tais pessoas julgam que Nossa Senhora realmente apareceu e falou, podem continuar acreditando nisso enquanto a Igreja não se pronuncia a respeito de modo oficial. Em outras palavras: a aceitação dessas aparições e revelações fica a critério de cada fiel, contanto que a Igreja ainda não se tenha se manifestado a propósito. Tal é, por exemplo, o caso de Medjugorje: quem julga que Nossa Senhora fala aos videntes daquela localidade pode-lhes dar crédito, pois a Igreja até hoje não se definiu a respeito.

A Teologia ensina que o conteúdo de tais revelações particulares não se pode tornar artigo de fé obrigatório para todos os cristãos, porque a Revelação Divina pública e oficial foi encerrada com a geração dos Apóstolos. É o que nos diz o Concílio Vaticano II: "A dispensação cristã da graça, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e já não há que se esperar alguma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo" (cf' I Tm 6, 14 - (Constituição Dei Verbum nº 4).

Mas, depois dos Apóstolos, o Senhor Deus pode permitir que os Santos, como Nossa Senhora, apareçam aos homens a fim de nos exortar a uma vida santa e ao apostolado. Essas aparições, porém, mesmo quando autênticas nada acrescentam ao patrimônio da fé. Em suma, o que Nossa Senhora pediu em La Salete, Lourdes e Fátima, e  Guadalupe, casos  que podem ser tidos como genuínos, foi a conversão dos pecadores, incluídos os cristãos, e o retomo à oração, muito esquecida em nossos dias; tal e a síntese das revelações particulares.

Como pudemos meditar em nossos escritos, isso já está no Evangelho. Por conseguinte, quando o Senhor Deus permite que algum Santo apareça, Ele tem em vista reafirmar as verdades básicas do Evangelho, negligenciadas num mundo que se entrega cada vez mais ao ativismo materialista e ao hedonismo, busca desenfreada do prazer. Eis a razão pela qual as revelações particulares não se impõem obrigatoriamente à fé de todos os católicos.

Devemos distinguir o autêntico do inautêntico. Está claro que, diante de um fenômeno religioso extraordinário, a Igreja se sente interpelada. Ela se vê obrigada a procurar distinguir o autêntico do não autêntico, pois pode haver ilusões, fraudes ou algum estado doentio na origem das revelações. Por isso, quando se proclama uma revelação de certo vulto, a Igreja estuda quatro aspectos da questão:

1) O conteúdo da mensagem transmitida pelos videntes. É mensagem condizente com as verdades da fé? Está em harmonia com o Credo e a Moral Católica? Não haveria aí expressões da fantasia humana, sequiosa de dados maravilhosos? Um vidente, mesmo de boa fé ou candidamente, pode propor suas idéias como se fossem reveladas por Deus; daí a cautela da Igreja a examinar o que se atribui a intervenção do além;

2) Os videntes gozam de boa saúde física e mental? Podem estar sendo vítimas de alguma alucinação ou fantasia doentia? Sabemos que isso acontece com certa freqüência; de modo especial, a temática religiosa sugere "intuições", dado o peso da religião na vida dos homens;

3) Há honestidade, humildade e amor nos videntes e naqueles que propagam suas respectivas mensagens? Ou é possível descobrir charlatanismo, vaidade, cobiça de lucro, desejo de autopromoção em suas ações? Está claro que qualquer deslize moral na transmissão das mensagens desabona a "revelação";

4) "Pelos frutos se conhece a árvore", diz o Evangelho. A Igreja estuda as conseqüências do fenômeno extraordinário. Procura saber se há benefícios espirituais (conversões, novo fervor, progresso nas virtudes, etc.) resultantes de tais mensagens, ou se há benefícios corporais (curas, graças no plano físico ou material...).

Caso tais benefícios ocorram, sem que haja erro doutrinário, nem defeito moral, a Igreja pode tomar uma ou outra das seguintes atitudes:

a) deixa correr os acontecimentos, não havendo motivo para alguma censura. A Igreja não se pronuncia - o que equivale a um certo abono dos fatos;

b) favorece o culto à Virgem Santíssima, tal como é prestado no lugar das ditas aparições, especialmente no México onde a imagem de Maria está gravada, viva, na tilma de San Juan Diego.

 Observemos bem: a Igreja nunca dirá oficialmente que Nossa Senhora apareceu nesta ou naquela localidade; mas, em vista dos frutos espirituais colhidos em conseqüência das propaladas aparições, poderá abonar a devoção a ela tributada no local mencionado. É o que se dá em Lourdes e em Fátima, no México: embora não se pronuncie sobre as aparições como tais, a Igreja incluiu no calendário litúrgico a Festa de Nossa Senhora tal como é cultuada em Lourdes (11 de fevereiro) e em Fátima (13 de maio) e em Guadalupe (12 de dezembro).

Não precisávamos do Sudário para bradar que Jesus Cristo ressuscitou, verdadeiramente. A Igreja já nos ensinou isto.

No entanto, Deus nos deixou essa prova material, que quase miraculosamente foi preservada durante dois mil anos.

E uma prova material tão forte que atinge diretamente os céticos ateus e materialistas. O fato é que quanto mais se estuda, mais se comprova a autenticidade do Sudário.

Eu não tenho duvidas, o Sudário não é uma falsificação. Com nenhuma técnica se poderia fabricar, há centenas de anos atrás, alguma coisa semelhante, nem hoje, com toda técnica moderna.

O lençol mortuário tem as características de um tecido funerário hebraico do século I, proveniente da área da Palestina. A pessoa coberta por esse pano, sofreu uma crucifixão romana do século I.

Esse corpo marcado no sudário sofreu os tormentos descritos nos evangelhos, que narram a vida de Jesus.

Provar sua autenticidade compete aos cientistas. As questões: dos polens, da tridimensionalidade, da imagem em negativo, das coincidências históricas e arqueológicas, da ausência de decomposição, da impossibilidade de que a imagem tenha sido pintada, etc. Caberão a eles, explicar-nos todas.

Portanto, caro amigo/a você é livre para acreditar ou não de que a face de Jesus no Santo Sudário de Turin é a verdadeira face de Nosso Senhor e Salvador. Ou se a imagem de Nossa Senhora, mãe de Jesus e nossa está realmente gravada na tilma de San Juan Diego. E, especialmente, as espécies de corpo e sangue, nos milagres Eucarísticos de Lanciano e de Bolsena, são realmente uma prova de que Jesus se Faz realmente presente na Eucaristia e as espécies de pão e vinho se transubstanciam no corpo e sangue do Senhor Jesus.

Mas, seja qual for a sua posição, acredite ou não, o mais importante é o seu nível de seguimento de Jesus cristo, contido de maneira espetacular nas bem-aventuranças. A felicidade, proclamada nelas por Jesus, é já uma realidade presente na sua pessoa e na sua missão. Todas e cada uma das bem-aventuranças são autobiográficas. Jesus viveu-as durante 30 anos antes de proclamá-las. Elas são, portanto, a expressão do que constituem o centro mesmo da sua pessoa e da sua missão, dos seus sentimentos, atitudes; numa palavra, do seu mistério.

Poderíamos dizer que as bem-aventuranças são o auto-retrato de Jesus. O Evangelho que foi depositado nas mãos da Igreja é um programa para alcançar a felicidade, a vida ditosa, prazerosa, bem-aventurada. Elas são o compêndio do ministério de Jesus. Não é lei que se impõe por si mesma; é confissão: “o Reino chegou”.

No meio dos discípulos começa-se a realizar e se propaga o anseio de toda a humanidade:

 “Ditosos (felizes) os que seguem os meus caminhos..., quem me encontra (a sabedoria), encontrou a Vida e alcançou o favor do Senhor”  (Prov. 8,32.35).

Na boca de Jesus brilha sempre a palavra chave: “Felizes”.

Anuncia um Reino de Deus que é oferta de felicidade e caminho para conseguí-la.

É isso que te desejo caro amigo/a: seja feliz e anuncie todas estas maravilhas em cima dos telhados. Deus te proteja. Amém!
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