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AGRADECIMENTO

 

            Agradeço de maneira toda especial à minha esposa Teka, pelo incentivo e toda retaguarda necessária para que eu pudesse ter tempo, paz e tranqüilidade para contemplar e meditar os assuntos abordados neste livro. Agradeço também ao Padre Adroaldo, SJ, que me permitiu utilizar toda experiência dos retiros, contemplações, meditações e estudos, obtidos durante os Exercícios Espirituais de 30 dias em etapas, que realizamos eu e minha querida esposa, em Itaici. À Márcia, à Irmã Fátima e a todo o pessoal do CEI, Centro de Espiritualidade Inaciana de Itaici, que me proporcionaram todo conhecimento intelectual, e especialmente afetivo, da metodologia Inaciana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PRÓLOGO

 

"É impossível que não venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos." (Lucas 17, 1-2)

 

A palavra "escândalo" no grego é "skándalon" (de onde se derivou a palavra portuguesa escândalo) e significa tropeço ou armadilha, símbolo daquilo que incita ao pecado ou à perda da fé. Escândalo é todo ensino, palavra, obra ou omissão que incita o outro a pecar.

O tema deste livro é uma crítica ao código Da Vinci, de Dan Brown. Mas não uma simples crítica ao escândalo de perda da fé, que o autor pode ter causado a pessoas que tenham lido o livro.

O que pretendo neste livro, ou podemos até chamá-lo de um compêndio de discernimento da fé, é uma crítica construtiva. Não simplesmente citar o ensino, palavra ou objeto do escândalo, mas apontar um caminho de aprofundamento na fé, pois se possuo maturidade na minha fé, tudo eu posso ler, analisar ou verificar, e nada abala meu amor por Deus Pai, pelo seu Filho Jesus Cristo e o amor que os une e se derrama sobre nós, o Espírito Santo. Mas aos pequeninos, aos que ainda tem fé um tanto infantil, da primeira comunhão, como são, infelizmente, a maioria de nós católicos do Brasil, colocações como a do Código Da Vinci afeta e escandaliza!

Procuraremos na primeira parte do livro, apresentar alguns pontos em que o código Da Vinci escandaliza, apresentando críticas de diversas pessoas, captadas na mídia. Bem como, faremos um Desagravo à pessoa de Jesus Cristo e de Santa Maria Madalena, seriamente ofendidos pela visão conflitivas de suas vidas apresentada por Dan Brown em seu livro.

Na segunda parte procuraremos apresentar o verdadeiro Plano de Deus para cada ser humano, desmistificando o paradoxo: pode o homem arrogar-se o poder de manipular e captar Deus, como se fosse mais um objeto do seu mundo?

Certamente, santo Agostinho parece negá-lo, quando falando ao Senhor  diz: "Vós procurais aqueles que escapam de vós e escapais daqueles que vos procuram". Encontramo-nos perante um paradoxo cristão clássico: conquistar a Deus é deixar-se conquistar por Ele, é descobrir o caminho pelo qual Ele vem ao nosso encontro e deixar-nos alcançar por Ele.

Meditar e contemplar a misericórdia de Deus Pai através de uma metodologia de discernimento espiritual para, de algum modo, conhecer e sentir as várias moções que se produzem na alma.

Descobrir afetivamente a sua misericórdia, que é incomensurável e se faz presente dentro da Justiça Divina, que é Ele mesmo, perdoando-nos quando contritos, arrependidos e suplicantes, reconhecemos os nossos erros e buscamos a Sua paternal proteção.

Assim, podemos procurar viver dentro de um padrão que seja harmonioso não só com as Leis e a Justiça dos Homens, mas primordialmente que esteja conforme com a Justiça e o Amor de Deus, porque só assim conseguiremos a ajuda Divina imprescindível ao nosso bem-estar, e à nossa vida.

E demonstramos o nosso Amor a Deus, cultivando atitudes e manifestações, que sejam condizentes com o nosso espírito cristão e, portanto, são válidos todos os nossos atos, desde os menores aos mais brilhantes e heróicos.

            Na terceira parte do livro, procuraremos levá-lo a um encontro com Jesus Cristo, através da contemplação de sua vida, utilizando uma metodologia de discernimento espiritual, através de exercícios de meditações e contemplações baseados em Santo Inácio de Loyola e seus Exercícios Espirituais.

Você descobrirá através da contemplação, que a pessoa, por si mesma, não pode fazer absolutamente nada na "ordem sobrenatural". Tudo, absolutamente tudo, vem de Deus. É dom gratuito de Deus. Todo progresso espiritual depende da graça: "Se alguém disser que a graça de Deus pode ser dada segundo a vontade humana e não é a graça mesma que nos faz pedir contradiz o Apóstolo, que diz: O que tens que não recebeste?” (Rm 10,20).

Poderemos verificar no desenrolar das contemplações e exercícios, que o papel da pessoa na comunicação com Deus consiste em uma cooperação dispositiva, em um não-pôr-obstáculos à atuação da graça.

Veremos também que, da parte da pessoa, porém, essa cooperação significa muito. Exige trabalho dedicado, abnegação, sacrifícios, disciplina contínua, penitências... Em tudo, se deixando motivar e mover pêlos afetos interiores de consolação espiritual.

É preciso que aconteça a morte do eu "egoísta" e uma abertura total para Deus. Com certeza, se você seguir com amor e carinho as nossas orientações para que possas: "buscar e encontrar a vontade divina": esta será a finalidade última deste livro.

Para isto deve ser orientada toda a vida, seja quanto ao modo de abraçar o que diz respeito à vocação comum a todos os batizados ou quanto ao que é específico para cada pessoa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

I-INTRODUÇÃO

 Há uns meses atrás minha filha falou-me sobre um tal best-sellers, O Código Da Vinci, em destaque na lista do New York Times, que estava cativando a atenção de milhões de leitores, motivou um programa especial no horário nobre na ABC News e está para ser lançado como um importante filme de Hollywood em 2005.

Minha filha estava só iniciando a leitura, e até me ofereceu o livro para que eu lesse. Como que por coincidência, ou melhor, providência Divina, naquele dia eu liguei a tv na canção nova e ouvi o Padre Leo, da comunidade Bethânia, em uma pregação, falar sobre os absurdos que estavam contidos naquele livro.

Conversei com minha filha sobre o livro, mas ela estava iluminada por ser aquele um best-seller, lido por milhares de pessoas! Sinto que não consegui convencê-la a não lê-lo. Mas fiquei com aquele livro em minha cabeça, especialmente num retiro que fiz em Itaici, no CEI, que é um centro inaciano de espiritualidade. Estando lá comentei sobre o livro com meu orientador espiritual o Padre Adroaldo, SJ e minha acompanhante a Márcia, que me aconselharam a ler o referido best seller com um olhar crítico cristão. Assim o fiz.

O livro prende o leitor com uma história excitante de aventura e intriga, fazendo-o acompanhar seus personagens numa louca incursão pela Europa à medida que procura indícios da verdadeira identidade de Jesus Cristo. Estas excêntricas suposições misturam-se com a realidade e com pesquisas mal feitas. Este romance de ficção faz parte de um gênero que apresenta um raivoso clichê do catolicismo como um vilão.

Mas francamente, eu pessoalmente, como livro de ficção ou romance não gostei, ele mistura realidade e ficção, como um filme baseado em fatos reais, e lança conjecturas sem fundamento sobre o catolicismo. Confesso que senti indignação e repugnância pelas inverdades ali contidas, e especialmente, pelos motivos fúteis pelo qual o autor e as editoras publicam um livro como este: busca de dinheiro e fama! Lembrei-me de uma passagem da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, 1Cor 9, 24-27, em que ele nos adverte de não buscarmos a coroa corruptível, referindo-se aos atletas que gastam esforços e energias extremas com o intuito de fama e muito dinheiro. Nos exorta a usarmos nossas energias para ganharmos a coroa incorruptível, isso é, a vida eterna. Nesse momento eu me senti consolado, pois tenho gastado muito esforço, até dor, pois estou com LER, uma lesão no nervo do braço, que me dói muito quando escrevo, mas assim mesmo, dedico a maior parte de meu tempo escrevendo, pois foi a maneira que Deus tem-me convocado a evangelizar. Sinto a verdadeira consolação, pois sei e sinto que faço isso em defesa do evangelho, não viso ganhos materiais, nem fama, mas só levar a verdade de Jesus Cristo, que tenho procurado viver e tem me trazido uma felicidade verdadeira, juntamente com minha querida esposa.  

Mas sinto não ser só eu a me indignar com este livro, pois buscando na mídia opiniões à respeito dele, tenho visto que o mundo se indignou, cito algumas fontes importantes no mundo a confirmarem os meus sentimentos:

“Este livro é, sem dúvida, o mais tolo, inexato, mal-informado, estereotipado, desarrumado e popularesco exemplar de pulp-fiction que eu já li.” O cortante comentário do crítico do The Times, Peter Millar,  ao  livro “O Código da Vinci”, não foi uma nota dissonante no conjunto das avaliações do best seller do norte -americano Dam Brown. Outros críticos espalhados pelo mundo corroboraram o Times e acrescentaram epítetos semelhantes: “Um livro oportunista e pueril” (El Mundo); “Um insulto à inteligência” (The New York Times); “Uma estória disfarçada de História” (Catholic News Service); “De um estilo espantosamente banal, pretensiosa, fanático” (Our Sunday Visitor); “Uma mixórdia de narrativas imaginosas” (Weekly Standart); “Erros crassos que só não chocam um leitor muito ingênuo” (New York Daily News); e assim por diante.

Embora a conspiração e o ódio ao catolicismo impregne todo o livro de Dan Brown, nenhuma parte da Igreja recebe mais ataques que o Opus Dei, que iremos explicar mais à frente.

Os erros grosseiros contidos no livro Código Da Vinci só podem causar um sentimento de indignação a um leitor que conheça um pouco do assunto.

Para muitos deve parecer estranho um leigo querer fazer uma crítica a um outro livro, especialmente um “Best sellers” como o Código Da Vinci, usando a vida de Jesus contida nos Evangelhos e sua profetização no Antigo Testamento, como base de prova da Divindade de Jesus Cristo. E ainda, estariam contidas neste livro, as contemplações que fiz do Apocalipse de São João, mas que por terem ficado muito extensas resolvi editar mais um livro, mas que são uma seqüência deste: Contemplando a Revelação de Jesus Cristo a São João.

Quero iniciar este livro de crítica, oração, contemplação e meditação, com esta oração de uma campanha de evangelização de uns anos atrás, que muito me tocou e me tem feito trabalhar pelo reino de Deus:

“Ó Pai, enviastes Jesus, vosso Filho e nosso irmão, para nos libertar do pecado e de todo tipo de escravidão”.

Ao celebrarmos o Jubileu dos Dois Mil Anos da vinda do Redentor, feito homem, e dos Quinhentos Anos da chegada do Evangelho ao Brasil, ajudai-nos a abrir as portas ao Redentor!

Queremos escutar sua voz Ele nos envia em missão, para o anúncio da Boa-Nova, promovendo a justiça e a paz.

Amamos a Igreja e, com ela colaboramos na missão de evangelizar a sociedade, implantando os valores do Vosso Reino, com a ajuda do Espírito Santo. Ele nos estimula a seguir os passos de Jesus, a exemplo de Maria, servindo, com nossos dons espirituais e materiais, à causa do vosso amor.

Aceitai nossa oferta, e multiplicai em nós Senhor, os frutos da vossa salvação. Amém!

 

II- CRÍTICA DO CÓDIGO DA VINCI

O Código Da Vinci tem pretensões de ser um livro culto e verdadeiro, pois no início, o autor cita uma respeitável série de bibliotecas, museus e outras instituições, onde teria efetuado suas pesquisas. Mas, comete erros históricos graves e afirma verdades históricas totalmente sem comprovação e com afirmações totalmente equivocadas e medíocres. Com certeza os membros dessas instituições, bibliotecas e museus que citou, devem ter ficado corados, com muita vergonha e indignação por todas estas inverdades e pesquisas mal realizadas em suas instituições. Além disso, não há verdadeiro suspense, e o estilo é tanto corriqueiro, mesmo para o gênero de romance baseado em ficção histórica, especialmente ligada ao cristianismo.

O Código Da Vinci contêm inverdades sobre a história da salvação, bem como uma mistura de gnosticismo e nova era, em que tenta unir o santo graal, Jesus Cristo e Maria Madalena, os Templários, o Priorado de Sion, os Rosa Cruz, os números de Fibonacci e a Era de Aquário. Bem como quer trazer colocações sobre a formação da Bíblia sagrada, sem fundamento histórico e base teológica.

O que tem me impressionado é que muitos católicos que eu conheço e convivo, pessoas de fé profunda, achem que o livro: é só um romance, e que o autor não tem intenção de ofender a Igreja Católica! Francamente, quando li o livro, de início pensei: se alguém, algum católico, mudar a sua fé com esse livro é melhor mudar de Igreja mesmo, pois se com um punhado de besteiras como estas muda a fé, é por que nunca teve fé!

Mas nesses mais de 20 anos de fiel cristão leigo tenho visto tanta falta de consciência crítica cristã nos nossos católicos, bem como falta de conhecimento; e o pior falta de amor e seguimento a Jesus e sua mensagem, bem como um relativismo religioso que aceita tudo como bom ou sem intenção, que tudo isso me motivou a escrever este livro, de crítica, contemplação e oração da vida de Jesus Cristo e o projeto de Deus para cada um de nós, seres humanos limitados e fiéis cristãos.

O grande problema é que o livro código da Vinci aborda a vida de Jesus de uma maneira completamente antibíblica e ofensiva para os que acreditam e fizeram uma experiência de fé verdadeira. Assim como tantos outros ataques à integridade e Divindade de Jesus Cristo, de Santa Maria Madalena, da Igreja Católica, à Opus Dei, que é uma prelazia Católica de mais de 80.000 fieis cristãos, leigos e sacerdotes. O Código Da Vinci declara que Jesus realmente existiu, mas que Ele era meramente humano e não divino.

Na realidade, os personagens do livro alegam que Jesus foi casado com Maria Madalena e que teria deixado uma linhagem de descendentes humanos, alguns dos quais estariam vivos hoje. Desculpem, mas escrevendo isto chego a ter calafrios de indignação, e sinto que mais do que um livro de orientação e um compêndio de contemplação da vida de Jesus Cristo é um Desagravo ao Nosso Senhor Jesus Cristo, meu Deus e Salvador.  É em espírito de desagravo, isto é, na intenção de agradar a Jesus que tanto é desprezado e ofendido no mundo inteiro, pois bastam uns traços do amor de Deus que se encarna, e logo a sua generosidade nos toca a alma, nos inflama, nos arrasta com suavidade a uma dor contrita pelo nosso comportamento, em tantas ocasiões mesquinho e egoísta. Jesus Cristo não tem inconveniente em rebaixar-se, para nos elevar da miséria à dignidade de filhos de Deus, de irmãos seus. Tu e eu, pelo contrário, com freqüência nos orgulhamos, sem saber, dos dons e talentos recebidos, até os convertermos em pedestal para nos impormos aos outros, como se o mérito de umas ações acabadas, com uma perfeição relativa, dependesse exclusivamente de nós: Que tens tu que não hajas recebido de Deus? E, se o recebeste, por que te glorias como se não o tivesses recebido? Ao considerarmos a entrega de Deus e o seu aniquilamento - digo-o para que o meditemos, pensando cada um em si mesmo, a vanglória, a presunção do soberbo revela-se como um pecado horrendo, precisamente porque coloca a pessoa no extremo oposto ao do modelo que Jesus Cristo nos apontou com a sua conduta. Pensemo-lo devagar. Ele se humilhou, sendo Deus. O homem, empertigado no seu próprio eu, pretende enaltecer-se a todo o custo, sem reconhecer que está feito de mau barro de moringa. Não fazemos o nosso apostolado. Então, como havemos de dizer? Fazemos - porque Deus o quer, porque assim no-lo mandou: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho - o apostolado de Cristo. Os erros são nossos; os frutos, do Senhor. Portanto caro amigo/a  leitor, todos os frutos deste livro não são meus, mas como um ato de desagravo a Jesus Cristo.

A divindade de Jesus foi afirmada em seu próprio tempo, não só por seus apóstolos e discípulos, mas também por documentos históricos 200 anos antes da data que Dan Brown afirma que este assunto foi resolvido, ou seja, que sob o domínio do Imperador Romano Constantino, foi convocado o concílio de Nicéia, realizado em Nice ou Nicéia em 325, e que neste concílio teria sido “inventada” a divindade de Jesus Cristo, bem como todos os evangelhos e a Bíblia toda. Mas a divindade de Cristo já era professada e aceita bem antes, através de documentos cristãos e históricos e até Judeus, tais como:

Documentos de escritores romanos (anos 110-120):

1. Tácito por volta do ano 116, falando do incêndio de Roma que aconteceu no ano 64, apresenta uma notícia exata sobre Jesus, embora curta.

"Um boato acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então, para cortar o mal pela raiz, Nero imaginou culpados e entregou às torturas mais horríveis esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos. Estes nomes vêm-lhes de Cristo, que, sob o reinado de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha a sua origem, mas na própria cidade de Roma" (Anais, XV, 44).

2. Plínio o Jovem, Governador romano da Bitínia (Asia Menor), escreveu ao imperador Trajano, em 112:

"...os cristãos estavam habituados a se reunirem em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que eles tinham como Deus" (Epístolas, I.X 96)

3. Suetônio, no ano 120, referindo-se ao reinado do imperador romano Cláudio (41-54), afirma que este:

“expulsou de Roma os judeus, que, sob o impulso de Chrestós (forma grega equivalente a Christós), se haviam tornado causa freqüente de tumultos” (Vita Claudii, XXV).

Esta informação coincide ainda, com o relato de Atos 18,2 (“Cláudio decretou que todos os judeus saíssem de Roma”); esta expulsão ocorre por volta do ano 49/50.

Suetônio, mal informado, julgava que Cristo estivesse em Roma, provocando as desordens.

Documentos Judaicos:

1. O Talmud dos judeus apresenta passagens referentes a Jesus. Coletânea de leis e comentários históricos dos rabinos judeus posteriores a Jesus. Combatem Jesus histórico.

Tratado Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia:

"Na véspera da Páscoa suspenderam a uma haste Jesus de Nazaré. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: "Merece ser lapidado, porque exerceu a magia, seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferí-lo! "Nada, porém se encontrou que o justificasse; então suspenderam-no à haste na véspera da Páscoa".

2. Flávio Josefo (historiador judeu, 37-95):

"Por essa época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem. Porque Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com júbilo a verdade, e arrastou muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia ele lhes apareceu ressuscitado, como o anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos” (Antiguidades Judaicas, XVIII, 63a).

Documentos Cristãos:

Os Evangelhos: narram detalhes históricos, geográficos, políticos e religiosos da Palestina.

São Lucas, que não era apóstolo e nem judeu, fala dos imperadores Cesar Augusto, Tibério; cita os governadores da Palestina: Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias, Anás e Caifás (Lc 2,1;3,1s);

São Mateus e São Marcos falam dos partidos políticos dos fariseus, herodianos, saduceus (Mt 22,23; Mc 3,6);

São João cita detalhes do Templo: a piscina de Betesda (Jo 5,2), o Lithóstrotos ou Gábala (Jo 19, 13), e muitas outras coisas reais.

Outros argumentos:

- Os apóstolos e evangelistas nunca teriam inventado um Messias do tipo de Jesus: Deus-homem, crucificado (escândalo para os judeus e loucura para os gregos - (1Cor1,23).

- Os relatos dos Evangelhos mostram um Jesus bem diferente do modelo do Messias “libertador político” que os judeus aguardavam.

- Homens rudes da Galiléia não teriam condições de forjar um Jesus tão sábio, santo, inteligente, desconcertante...

- A doutrina que Jesus pregava era de difícil vivência

O romano Tácito: o cristianismo como "desoladora superstição”,

Minúcio Felix, falava de doutrina indigna dos gregos e romanos.

- O zelo da Igreja pela verdade - rejeitou textos apócrifos.

- Será que poderia um mito ter vencido o Império Romano?

- Será que um mito poderia sustentar os cristãos diante de 250 anos de martírios e perseguições?

Tertuliano (†220), de Cartago : “o sangue dos mártires era semente de novos cristãos”.

- Será que um mito poderia provocar tantas conversões?

- No século III já haviam cerca de 1500 sedes episcopais.

- Será que um mito poderia sustentar uma Igreja, que começou com doze homens simples, e que já tem 2000 anos; já teve 264 Papas, tem hoje mais de 4000 bispos e 410 mil sacerdotes?

Até o final deste livro você mesmo terá argumentos afetivos, para como eu e bilhões de pessoas afirmarem que Jesus Cristo é o filho de Deus Pai e Criador, o Messias esperado e anunciado pelos profetas!

 

No livro código Da Vinci, o autor, Brown mistura fatos reais com alegorias e fantasia, romance e ficção, de tal forma que a conseqüência derradeira do livro, cria uma sensação de que o conteúdo é histórico e verdadeiro, mas na realidade é puro romance de ficção, mas que conspira contra a verdade de Jesus Cristo e sua Igreja. Para um escritor, essa é uma habilidade de grande valor. Mas, como qualquer habilidade, pode ser utilizada para um fim censurável ou pelo menos inconveniente. O autor Dan Brown, para questionar os alicerce da fé cristã e para atacar a Igreja Católica, utiliza uma forma literária romancista; na qual normalmente não se espera encontrar uma contextura fantasiosa de verdade histórica, especialmente ligada a uma fé professada por bilhões de pessoas, ao redor do mundo.

Hoje em dia, excepcionalmente em nossa sociedade globalizada e relativista, uma afirmação, racista, anti-semita, machista, feminista ou aos homossexuais, tornará inapto ou não recomendado o seu autor, por muitos anos, mas o mesmo não ocorre em relação a insultos a Jesus Cristo, a uma Santa, à Igreja e seus seguidores. Ao contrário, fale mal da Igreja, dos santos, busque inverdades e histórias de conspiração católica, crie opiniões inexatas, coloque, com suas palavras, algo que um pintor e artista famoso como Leonardo Da Vinci não falou e nem pensou, pelo contrário, não falaria. Junte todo este material em um formato de romance e lance um livro: você poderá tornar-se rico e famoso, como acabou de acontecer com Dan Brown, autor de O Código Da Vinci.

O enredo do livro gira em torno de uma série de supostos vestígios ocultos nas obras de Leonardo da Vinci, que pintou “Mona Lisa” e “A Última Ceia”. Indícios estes, que estão somente na mente deste autor, pois historicamente não existe fundamento algum, pois analisando o quadro da Santa Ceia e a maneira Histórica em que foi realizado. E o próprio Leonardo forneceu indicações claras nesse sentido, quando escreveu: "Aqui, em 12 figuras completas, é apresentada a cosmografia do microcosmo, na mesma ordem que Ptolomeu aplicou à sua cosmografia. E, assim, eu dividi aquela em membros, como ele dividiu esta, em seu todo, em províncias. E vou mostrar as ações de cada parte em todos os aspectos, anotando todas as formas e capacidades do indivíduo, através de seus gestos e localização. Agrade ao nosso Criador que eu represente a natureza do homem e seus costumes através da representação de cada figura".

O comentário de Leonardo é tortuoso. Vale a pena destacar suas idéias principais: Ele pretendeu fazer uma representação da humanidade (o microcosmo), seguindo o mesmo esquema utilizado pelo astrônomo alexandrino Cláudio Ptolomeu (século 2 d.C.) em sua representação do universo (o macrocosmo); para isso, Leonardo se valeu dos 12 apóstolos, concebidos como os correspondentes humanos das 12 constelações do zodíaco;
 o signo associado a cada apóstolo é indicado por seus gestos e localização na cena e as figuras não representam indivíduos particulares, mas tipos universais, que, em seu conjunto, abarcam toda a natureza humana.

Mas, analisando-se a posição de cada um à mesa, os dados de suas supostas biografias e o simbolismo de seus gestos e fisionomias, chega-se à correlação mais provável. Da direita para a esquerda (conforme a seqüência dos corpos, que não coincide exatamente com a dos rostos), temos:

                

 

 

 

 Da esquerda para a direita da foto acima:

1 Simão, o Zelota

7 João

2 Tadeu

8 Judas

3 Mateus

9 Pedro

4 Felipe

10 André

5 Tiago

11 Tiago, o Menor

6 Tomé

12 Bartolomeu

Leonardo Da Vinci passou três anos pintando a Última Ceia. E, durante boa parte desse período, dedicou a ela sua atenção integral - fato raro para um gênio polivalente e dispersivo como ele. Espalhados por vários museus e bibliotecas do mundo, há uma enorme quantidade de desenhos preparatórios, tanto do conjunto da obra como de cada figura isolada. Pode-se afirmar, com segurança, que nenhuma fisionomia, nenhum gesto é fortuito na Última Ceia. Tudo obedece a um propósito longamente meditado. Cada apóstolo está numa relação de polaridade com aquele que ocupa posição simétrica à sua. Assim, o gesto expansivo de Mateus (o terceiro da direita para a esquerda) encontra sua contrapartida na postura receptiva de André (o terceiro da esquerda para a direita). E a indiscutível sinceridade estampada na fisionomia de Felipe (o quarto da direita para a esquerda) contrasta com o mundo de intenções ocultas, mal dissimuladas nas feições de Judas (cujo corpo recuado faz com que seu rosto ocupe, no lugar de Pedro, a quarta posição da esquerda para a direita).

Não fosse pelo conjunto de sua obra, a criação da Última Ceia seria suficiente para inscrever o nome de Leonardo no rol dos maiores gênios da humanidade. Essa pintura nos mostra que ele não foi apenas um artista, um cientista e um inventor excepcional. Foi também um profundo observador da natureza humana e um iniciado no conhecimento do mais alto simbolismo.

O autor Dan Brown, quer afirmar, sem qualquer fundamento histórico ou técnico, que São João, conforme quadro acima, o sétimo personagem, que se debruça sobre o ombro de Pedro, pois conforme o Evangelho de Lucas capítulo 22, versículos 21 a 23, onde diz estarem os discípulos perguntando-se quem o haveria de trair. Mas, a confirmação maior de que o sétimo personagem é mesmo São João e não Maria Madalena, como quer afirmar o autor Dan Brown, está no Evangelho de João, capítulo 21, versículo 20: voltando-se Pedro, viu que o seguia João, aquele discípulo que Jesus amava, aquele que estivera sobre seu peito durante a ceia, e lhe perguntara: “Senhor, quem é que te há de trair”. Bem como, nenhum evangelho cita qualquer mulher na ceia do Senhor, que foi pintada de maneira excepcional por Da Vinci.

O romance apresenta da Vinci como membro de uma sociedade secreta chamada de “Priorado de Sião”, fundada em 1099, mas não dá qualquer fundamento ou documento histórico de tal afirmação. O livro também quer afirmar que algumas personagens famosas como Isaac Newton, Victor Hugo e Claude Debussy tenham contribuído para manter escondida a suposta “verdade” sobre Jesus e Maria Madalena da humanidade, durante séculos.

O livro trata de Robert Langdon, um especialista em busca de comparações simbólicas, de Nova Iorque que, em sua viagem para França, envolve-se numa investigação de homicídio. O caso de morte é a de Saunière, o conservador um conceituado conservador do museu. A polícia encontra um código de números e letras, chegado ao seu corpo, disposto de uma forma no mínimo curioso e também com mutilações, com indício de terem sido feitas pelo próprio cadáver. Robert Langdon torna-se o suspeito do assassinato de Saunière, com quem estava agendado encontrar-se nessa noite, e faltou  ao encontro. Unindo esforços com uma jovem criptóloga da polícia francesa. Sophie Neveu, que tinha também ligações a Saunière, Langdon resolve o enigma, para descobrir que este o levará a um sem fim de outros enigmas escondidos nas obras de Da Vinci. Tudo isto enquanto tenta escapar de Fache, o chefe da polícia que não poupa esforços para o prender. Entre todas estas confusões, Langdon descobre que Saunière fazia parte de uma sociedade secreta chamada o Priorado de Sião (da qual Leonardo daVinci fora também membro, assim como sir Isaac Newton, Boticelli e Victor Hugo), uma sociedade milenar que tem como objetivo esconder e proteger o seu maior tesouro: uma relíquia religiosa escondida durante séculos! Uma relíquia que poderá mudar para sempre a visão que se tem da igreja Católica, do poder, da fé, da própria Cristandade! Langdon e Neveu têm agora o dever de decifrar todos os enigmas para que o segredo, cuidadosamente mantido durante séculos, uma série de vestígios criptografados que revelam os “segredos” do Cristianismo: que Deus seria uma mulher, Jesus teria descendentes e que Maria Madalena seria divina.

O livro alega que essas verdades estariam escondidas numa série de documentos secretos chamados de “Documentos do Santo Graal”. E ainda fugir de um perigoso membro da Opus Dei, determinado em conseguir a localização da relíquia para a sua igreja.

Em que consiste o grande segredo? “Em que Jesus foi casado com Maria Madalena, que estava grávida quando Cristo foi crucificado. Os descendentes daquela criança ainda sobrevivem e mantêm-se no anonimato protegidos pelo Priorado de Sião, que é também o guardião da verdadeira fé em Jesus e Maria Madalena, baseada na teoria do sagrado feminino.

O romance, portanto consiste numa corrida em demanda do Santo Graal. Mas em vez de buscar o cálice da Última Ceia, procura principalmente os restos mortais de Maria Madalena“.

Esta estranha personagem, um monge albino que pratica a mortificação corporal e recebe ordens de um enigmático Professor, não descansará enquanto não fizer tudo por tudo para conseguir a localização da relíquia. Em várias igrejas e catedrais da Europa, Langdon e Sophie tentam desvendar o mistério, contando depois com a ajuda de um extravagante sir inglês, historiador de renome e o maior entendido sobre a relíquia história que os protagonistas tentam encontrar. Com a sua ajuda, chegarão ainda mais longe, até que novos contratempos quase farão com que todos os esforços sejam em vão.

O autor Dan Brown tece uma narrativa com grande poder de entretenimento, mas perigosamente blasfema, em O Código Da Vinci. Ele afirma que Maria Madalena seria o Santo Graal (o cálice de Cristo), que ela e Jesus seriam os progenitores da linhagem merovíngia de governantes europeus e que ela estaria sepultada sob a pirâmide invertida de vidro no Louvre, em Paris, onde ainda hoje se poderiam sentir emanações de seu espírito divino.

O romance descreve o Cristianismo como uma gigantesca conspiração baseada numa grande mentira (a divindade de Cristo). Os personagens de Brown sugerem que os apóstolos seriam nada mais do que opressores patriarcais que teriam suprimido a adoração à “divindade feminina”, alegando que a igreja primitiva, dominada por homens e liderada por Pedro, teria se voltado contra Maria Madalena após a morte de Jesus e provocado sua fuga para a França (a antiga Gália). Então o imperador Constantino teria convenientemente transformado Jesus em Deus a fim de consolidar seu controle sobre o mundo.

O livro indica que na votação do Concílio de Nicéia, que teve como decisões principais, a confissão de fé contra Ário: igualdade de natureza do Filho com o Pai. “Jesus é Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”. Mas o autor afirma que sobre a divindade de Cristo, o resultado teria sido apertado. Na realidade, houve 300 votos favoráveis e apenas dois contrários. Dificilmente essa pode ser considerada uma eleição disputada! Mas, definitivamente, a precisão histórica não é o ponto forte do romance.

Essa é apenas uma das muitas distorções deliberadas existentes no livro. Outra envolve os heréticos evangelhos gnósticos, nome derivado do termo grego gnosis (conhecimento). Os gnósticos tornaram-se uma seita que defendia a posse de conhecimentos secretos que, segundo eles, tornava-os superiores aos cristãos comuns que não tinham o mesmo privilégio. O movimento surgiu a partir das filosofias pagãs anteriores ao Cristianismo, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia (Macedônia). Ao combinar filosofia pagã, alguns elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas com as doutrinas apostólicas do Cristianismo, o gnosticismo tornou-se uma forte influência na Igreja.

A premissa básica do gnosticismo é uma cosmovisão dualista. O Supremo Deus Pai emanava do mundo espiritual "bom". A partir dele, procediam a sucessivos seres finitos (éons), quando um deles (Sofia) deu à luz a Demiurgo (deus criador), que criou o mundo material "mau", juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem.

Cristãos gnósticos, como Marcião (160 DC.) e Valentim, ensinavam que a salvação vem por meio de um desses éons, Cristo, que se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Cristo, embora parecesse ser um homem, nunca assumiu um corpo físico; portanto, não foi sujeito às fraquezas e emoções humanas. Jesus não veio em carne! Ele afirma terem sidos escritos no final do século II como sendo os evangelhos “reais”. Encontrados em Nag Hammadi no Egito, em 1946.

Esses mitos gnósticos nunca foram reconhecidos pela igreja primitiva como Escrituras legítimas.

Em O Código Da Vinci o “cálice” é Maria Madalena, mitologizada e sexualizada como se fosse a amante ou esposa de Jesus Cristo. Os dados históricos que possuímos sobre Maria Madalena (da cidade de Magdala,na Galiléia) são os que nos oferece o Evangelho.

    Lucas a incluiu entre as mulheres que seguiam e serviam a Jesus. Alguns exegetas quiseram identificar a Maria Madalena com a pecadora pública, e de que fala Lucas no capítulo anterior(Lc 7,36-50),e também com Maria a irmã de Lázaro. Não existe no Evangelho nenhum indício para esta identificação. Depois de ter seguido Jesus durante a sua vida, Maria Madalena foi-lhe fiel até o pé da cruz."Perto da cruz de Jesus, estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria mulher de Cléofas, e Maria Madalena"(Jo 19,25).

    Foi a primeira testemunha a sua ressurreição: Foi Maria Madalena anunciar aos discípulos: Vi o Senhor, e eis o que me disse: ide falar aos seus companheiros que ressuscitei e subo ao pai. Pode-se dizer até que foi neste momento que a Igreja de Cristo iniciou! Ela foi a primeira a cumprir a ordem de Jesus: ide anunciar a seus irmãos: Eu subo ao pai. Maria Madalena foi a primeira evangelizadora. Ofendê-la, desta maneira é muito triste e me sinto ofendido por Ela! Façamos neste momento uma Oração de desagravo a esta Santa que soube amar ao Nosso Senhor Jesus Cristo e cumprir a sua ordem de evangelizar: “Santa Maria madalena, vós que ouvistes da boca de Jesus estas palavras: ”Muito lhe foi perdoado porque muito amou. Vai em paz, os teus pecados estão perdoados", deixai-me participar do ardente amor que inflamou o vosso coração, para que eu seja capaz de seguir a Cristo até o Calvário, se for preciso e assim, mais cedo ou mais tarde, tenha a felicidade de abraçar e beijar os pés do divino Mestre. Como Jesus ressuscitado vos chamou pelo nome: "Maria!" Ele chame também pelo nosso nome, e nós nunca mais nos desviemos do seu amor, com recaídas nos erros do nosso passado. Perdoai-nos santa Maria Madalena pelas ofensas feitas à sua pessoa e a do Divino Mestre Jesus Cristo.

       Santa Maria Madalena, eu vos peço esta graça, por  Cristo Nosso Senhor. Amém.

O livro código Da Vinci delata o Cristianismo de culpar a mulher pelo pecado original da raça humana. Ele parece esquecer que a história de Adão e Eva é judaica e antecipa o Novo Testamento por muitos séculos. O livro assevera que o próprio Da Vinci, um cientista brilhante e pintor renascentista, estaria ciente da verdade sobre Maria Madalena e a teria representado como João, sentado próximo a Jesus em sua “A Última Ceia”. O romance deixa a impressão de que Maria estaria retratada na pintura de Da Vinci como a esposa de Cristo. Ele também afirma que Pedro estaria fazendo um gesto ameaçador em direção a Maria como se estivesse tentando eliminar a influência feminina da Igreja. Na realidade, de forma nenhuma Maria Madalena aparece no quadro! Os personagens de Brown “lêem” na pintura aquilo que eles querem ver. Não há nada no registro bíblico sobre a Última Ceia que indique a presença de mulheres nessa refeição. Também não há qualquer indicação nos Evangelhos bíblicos de que os discípulos guardaram o cálice de Cristo, pedaços da cruz ou quaisquer outras relíquias religiosas. Não é o cálice no qual Jesus bebeu que nos salva, tampouco lascas da cruz onde Ele morreu. O sangue que Ele derramou naquela cruz, simbolizado pelo cálice, é a verdadeira base para nossa salvação.

A Bíblia diz: “a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé” (Romanos 3.25); “no qual temos a redenção, pelo seu sangue” (Efésios 1, 7); “e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz” (Colossenses 1, 20); “e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo.

A Bíblia exorta: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo” (1 João 4.1-3).

Algumas críticas ao código Da Vinci retiradas de jornais, revistas e Internet:

O padre Zezinho comenta o livro ”Código da Vinci: “é um livro e está vendendo mais do que sorvete no verão. Por ossos do ofício de professor e escritor católico, li o livro e três outros sobre ele, dois contra e um a favor. O escritor inglês, de menos de 40 anos, Dan Brown conseguiu o que todo o escritor sonha. Chegou lá. Suscitou polêmica e está vendendo a rodo. Não importa quantos livros se escreverão contra o dele, marcou seus pontos. É do seu livro que o mundo vai falar por muito tempo. Priorado de Sião, Leonardo Da Vinci e seu quadro A Última Ceia , Madalena e Jesus, Dinastia Merovíngia, Santo Graal, Cavaleiros Templários, Opus Dei, tudo isso, para quem estudou Bíblia, História e Literatura parece mais uma sopa destemperada de ingredientes  picantes do que alimento para a alma ou para a cultura. Dan Brown ousou e sua ousadia deu certo. Não veio explicar e sim confundir e provocar. Conseguiu.

Há um tipo de católico que nunca leu nenhuma biografia de santo, nenhum documento oficial, não leu nenhuma encíclica de qualquer papa que fosse, jamais abriu o catecismo, não leu nem lê a Bíblia, não assina revistas católicas, não vê programas católicos, mas quando vê o tal livro que diz que Jesus casou com Madalena e que existe um tal cálice sagrado em algum lugar do planeta, vai compra, lê e concorda e passa a defender o escritor.  Nunca quis saber do resto, e teria dificuldade de lembrar os rudimentos do catecismo de sua primeira comunhão, mas fala do livro como se, agora, sim, a verdade tivesse aparecido. Não pode ser levado a sério. Afirma-se, mas não é católico.

Há outro que sabe religião, mas também não tem visão abrangente da fé. Ficou na sua fé tangencial ligada a determinado movimento e também ele não lê História, nem Dogmas, nem Moral Católica, nem leu as encíclicas nem conhece o pensamento da Igreja. Limita-se aos livros de piedade do seu movimento. Ele descarta o livro com palavras nada agradáveis e o picha sem nunca ter lido. E não lê, porque seu mentor disse que o livro é do demônio e dele não deve ser lido por um católico. Se não leu, não deveria falar do que não conhece.

Há o outro que conhece os principais livros do catolicismo e tem uma noção bem clara dos acertos e erros dos católicos. O livro de Dan Brown não o assusta e em muitos casos até leva ao riso. Dan Brown inventa fatos para provocar a autoridade da Igreja Católica, como o comediante inventa piadas para rir da autoridade do seu país. Dan Brown não é sério. Passa pela História como o falso entomólogo que foi procurar um tipo de inseto e, não o achando, descreve os bichinhos, que achou parecido com o seu inseto como se fosse ele. E daí? Afinal 99 entre 100 leitores não irão consultar nem verificar se é verdade o que ele afirma em forma de narrativa exótica e esotérica.

Além deles, há o evangélico sereno que também ri do livro e também o seu irmão mais aguerrido que acha Dan Brown maravilhoso porque afinal desmascara a Igreja Católica. Se fosse um livro contra a sua Igreja, ele não leria e o proclamaria do diabo, mas como é contra os católicos ele lê e confirma, sem também se dar ao trabalho de consultar os fatos.

Diante desse tipo de livros, que contestam os papas, a Igreja Católica, e os vinte séculos de história de Cristo e dos cristãos a maioria dos leitores em geral não procura explicação. Vale pela contestação. Finalmente, alguém está pondo os pingos nos is. Só que tem que não é pingo, nem os colocou nos is e sim onde lhe interessou colocar.

Como sacerdote católico sei que minha Igreja teve pessoas, atitudes e situações altamente condenáveis e questionáveis no passado. Mas teve também muitos grandes santos e grandes santas que não aparecem como tais no sectário livro de Dan Brown. Desafio qualquer religião com tanto tempo de existência, que não passe ou não venha a passar por isso, posto que religiões não são feitas de anjos. Outros santos de outras religiões também mandaram matar e massacrar em nome de Deus. Quem leu o Antigo Testamento e o Alcorão sabe onde e quem defendeu a violência contra gente de outras religiões, ou contra os que erraram.

O escritor Dan Brown lança suspeitas, não prova e não se explica, Afinal, ele não veio para isso. É um escritor que pesca diamantes em águas turvas. Suja a água e espera que as pessoas venham procurar com ele as verdades escondidas naquelas águas turvas, O ingresso é o preço do seu livro. Eles ficam com as discussões e as dúvidas e o jovem Mister Brown com o lucro. Afinal, não é o primeiro, nem será o ultimo livro dele. Tem cultura suficiente para abordar qualquer assunto e misturar os fatos como alguém embaralha cartas. Quem não conhece baralho, cai no seu truque. Quem leu os mesmos livros que ele leu e os que ele nunca leu nem lerá, sabe com quem esta lidando. 

Ele chega aos quarenta anos como um fenômeno de mercado, consagrando-se como mestre da controvérsia.  Que os outros provem que ele está errado. Ele provou que sabe vender livros e semear dúvidas. Tem milhares de religiosos que o odeiam, sem jamais ter lido seus livros, e milhares de leitores que o admiram e que jamais lerão os livros que ele deturpou. Papel aceita tudo. Livrarias e editoras, não. Elas só aceitam o livro que vende, mesmo que minta e deturpe.  Provavelmente vai virar filme. E as caixas registradoras outra vez tilintarão. Outra vez muita gente vai discutir sobre o que não leu, não viu e não pesquisou, mas aceita porque Dan Brown falou que é!  Seu livro deu certo e ele virou um ídolo, porque ousou questionar. Mas ai de quem questioná-lo!  As pessoas vão continuar acreditando que quem vende milhões de livros está certo e quem nunca escreveu nem vendeu está errado.  Vale a quantidade e o sucesso, não necessariamente a verdade! É o tipo de sociedade que criamos. Vale mais o grau de exposição na mídia do que o conteúdo”!

Apresento mais uma crítica, que sinto ser como se eu estivesse escrevendo, pois concordo em tudo com o professor de Ética da Comunicação, Carlos Alberto Di Franco, que é jornalista e professor, e considero-o um leitor cuidadoso, e de profundo senso de responsabilidade nas suas críticas:

Há um consenso de que o livro é ruim, de uma ruindade aflitiva e embaraçosa, porque se apresenta com pretensões de seriedade e de cultura. De fato, logo no início o autor enumera uma respeitável série de bibliotecas, museus e outras instituições, onde teria efetuado suas pesquisas, para depois, no corpo do livro, afirmar mediocridades e erros históricos que fariam qualquer membro dessas instituições corar de vergonha. Em que biblioteca séria do mundo o autor poderia encontrar base para afirmações como “no Renascimento, ciência era sinônimo de heresia”, ou que Godofredo de Buillon, um dos líderes da Primeira Cruzada, era “um rei da França”, ou  que a Bíblia é o resultado de uma colagem de textos, feita por Constantino para dominar o mundo, ou ainda que os Evangelhos atuais são o resultado do expurgo de mais de 80 Evangelhos anteriores, que foram propositalmente destruídos? Como corroborar a afirmação de que a Igreja, durante a Idade Média, “matou mais de cinco milhões de mulheres”, e organizou as Cruzadas para destruir documentos secretos que havia no Oriente, “comprovando”  que o Santo Graal é na verdade Maria Madalena, casada com Jesus, e  fundadora do autêntico cristianismo? Que engenheiro ou arquiteto avalizaria a tese cerebrina de que as catedrais da Idade Média foram construídas pelos Templários, e representam o interior do corpo feminino? Que lingüista, gramático, ou estudante de literatura apoiaria a afirmação de que a língua inglesa é a única língua pura, pois não tem raízes latinas – “a língua do Vaticano” e, portanto está “lingüisticamente afastada da máquina de propaganda de Roma”? Que historiador da arte endossaria a puerilidade de que “da Vinci” era o sobrenome de Leonardo, ou que sua Santa Ceia é um “afresco”, ou ainda que o discípulo São João, ali representado, é na verdade Maria Madalena, vestida como um homem? Brown comenta que a união de Jesus com Maria Madalena é um tema “mais que explorado pelos historiadores modernos”. Seria interessante que ele citasse o nome de pelo menos um historiador de verdade. Certamente esse historiador o aconselharia a não afirmar que os Manuscritos do Mar Morto, “descobertos na década de 50”,  “contam a verdadeira história do Graal”, ou que o Vaticano “mantendo sua tradição de enganar os fiéis, tentou com todas as forças evitar que esses manuscritos fossem divulgados”. Um historiador moderno o lembraria, sem dúvida, que os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos em 1947, não falam absolutamente nada do Graal, que estão muito bem custodiados pelo Estado de Israel, que pesquisadores de todos os credos trabalham livremente com eles, e que todos os estudos até agora feitos apenas corroboram aquilo que a Bíblia sempre ensinou.

 O enredo é inteiramente condizente com a “seriedade histórica anunciada. A Igreja Católica precisa impedir a divulgação de um grande segredo: Jesus foi casado com Maria Madalena, de quem teve uma filha. Os documentos que confirmam esse segredo são o verdadeiro Santo Graal, e estão sob a guarda de uma sociedade secreta chamada O Priorado de Sião, da qual foram grão-mestres homens famosos como Sandro Boticelli, Leonardo da Vinci, Robert Boyle, Isaac Newton, Victor Hugo, Claude Debussy, Jean Cocteau. Essa sociedade espera o momento propício (o fim da era de Peixes e o início da era de Aquário) para tornar públicos os documentos. Sentindo que esse momento se aproxima, o Vaticano resolve eliminar todos os líderes do Priorado que conhecem a localização do Graal, e o encarregado desses assassinatos é um monstruoso gigante albino, “monge do Opus Dei”. A fonte de pesquisas que o autor afirma ter consultado, não lhe revelaram o fato sobejamente conhecido de que o Opus Dei não tem e nunca teve monges. O gigante consegue executar três dos detentores do segredo. Mas o quarto, o curador do Museu do Louvre, sobrevive alguns minutos, tempo suficiente para deixar uma mensagem em código revelando – para quem souber ler – o esconderijo do Graal. É aí que entra o herói, um “professor de simbologia” de Harvard, uma espécie de Indiana Jones de terno, que acompanhado pela neta do curador, irá decifrando todas as charadas, fugindo do monstro albino e da polícia, até descobrir que o Graal está enterrado no centro de Paris, debaixo da Pirâmide de vidro do Museu do Louvre.  O mocinho se enamora da mocinha, os homens maus são castigados, e a história termina.  Ao final, o leitor ingênuo e desavisado fica com uma má impressão difusa e amarga da Igreja Católica, apresentada como uma monstruosa organização empenhada em  enganar a humanidade, “demonizar o sexo”, e rebaixar a mulher. Infelizmente, os leitores desavisados são muitos. Para milhares de jovens e adultos, esta novela será seu primeiro, e talvez único contato com a história antiga da Igreja, uma história regada pelo sangue dos mártires, pelo exemplo dos santos, pela palavra dos evangelistas, apologetas, filósofos e Padres.

 Resta saber como um livro desses vendeu mais de dez milhões de exemplares, conforme anunciado na capa da edição brasileira. A primeira e mais óbvia explicação está na propaganda: a editora norte-americana investiu uma fortuna na divulgação, e distribuiu 10 mil cópias à mídia. O crítico do jornal The Guardian sugere que os norte-americanos devoram livros desse estilo para compensar o vazio que anteriormente era preenchido pela paranóia da guerra fria: “Teologia, ideologia, qual a diferença”? Amy Welborn, do Our Sunday Visitor, atribui o interesse pelo livro à grande influência do catolicismo na cultura norte-americana. Cynthia Grenier, da UPI, comenta que o mundo atual tem sede de espiritualidade e que qualquer coisa que pareça saciar essa sede mesmo sendo água salobra, é buscada com avidez. Mas talvez a melhor explicação esteja no próprio livro.  Na página 181 o autor comenta: “todo mundo adora uma conspiração”.  Em outras palavras: uma conspiração vende fácil, mesmo sendo inverossímil, mesmo sendo caluniosa. Em outra passagem do livro, o editor do “herói” o adverte: “você é historiador de Harvard, e não um autor de literatura de consumo procurando um tema polêmico para faturar uma grana”. Acredito que a frase, invertida, se aplica exatamente ao livro e a seu autor: “você é um autor de literatura de consumo procurando um tema polêmico para faturar uma grana, e não um historiador de Harvard”. Deixe, por favor, a verdade histórica em paz”.

Quanto às críticas feitas ao Opus Dei, podemos afirmar que a Opus Dei é uma Prelazia pessoal da Igreja Católica. Foi fundado em Madrid a 2 de outubro de 1928 por São Josemaría Escrivá. Atualmente pertencem à Prelazia cerca de 80.000 pessoas dos cinco continentes. A sede prelatícia com a igreja do Prelado encontra-se em Roma.

O Concílio Vaticano II recordou que todos os batizados são chamados a seguir Jesus Cristo, e a viver e dar a conhecer o Evangelho. A finalidade da Opus Dei é contribuir para essa missão evangelizadora da Igreja, promovendo, entre fiéis cristãos de todas as condições, uma vida plenamente coerente com a fé nas circunstâncias correntes da existência humana e especialmente por meio da santificação do trabalho.

Com o intuito de alcançar esse fim, a Prelazia da Opus Dei proporciona meios de formação espiritual e atendimento pastoral aos seus próprios fiéis e também a muitas outras pessoas.

Por meio desse atendimento pastoral, estimula-se à prática dos ensinamentos do Evangelho pelo exercício das virtudes cristãs e pela santificação do trabalho profissional.

Santificar o trabalho significa, para os fiéis da Prelazia, trabalhar segundo o espírito de Jesus Cristo: realizar as tarefas próprias com perfeição, para dar glória a Deus e para servir os outros, e assim contribuir para santificar o mundo, tornando presente o espírito do Evangelho em todas as atividades e realidades temporais.

Os fiéis da prelazia realizam pessoalmente a sua tarefa evangelizadora nos variados ambientes da sociedade em que vivem. Por conseguinte, o trabalho que levam a cabo não se limita a um campo específico, como a educação, o cuidado dos doentes ou a ajuda aos incapacitados. A missão da prelazia é lembrar a todos os cristãos que, seja qual for à atividade secular a que se dediquem, devem cooperar para uma solução cristã dos problemas da sociedade e dar testemunho constante da sua fé.

Quanto às acusações que o autor do Código Da Vinci faz a Opus Dei, no sentido de haver ritual de auto flagelamento, não existe nenhuma evidência desse tipo de atitude nas orientações da prelazia. Caso ocorram casos individuais, são condenados, pois a orientação de Jesus é contrária a qualquer tipo de rituais desta natureza. Jesus é claro neste ponto: não quero sacrifícios, mas misericórdia.   

Dan Brown demonstra não ter conhecimento do que seja a Opus Dei, pois se refere a “monge”, referindo-se a uma pessoa desta prelazia. Não existem monges na Opus Dei, pois não é um monastério, existem sim, padres e leigos. Mais uma vez o autor demonstra ser superficial e incorreto em suas indagações”.

Apresento também, a crítica de Alexandre Matias, free-lance para a Folha de S.Paulo: ”Quinze milhões de livros vendidos no mundo todo, o número um nas listas de mais vendidos na Inglaterra, nos Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Brasil e outros países, traduzido para 42 idiomas e com um filme já em andamento, nas mãos da mesma equipe (o diretor Ron Howard e o roteirista Akiva Goldsman) que transformou a história do matemático John Nash em "Uma Mente Brilhante", Oscar de melhor filme de 2002. O comportamento do best-seller "O Código Da Vinci" não difere de muitos livros que passaram do mercado editorial para o imaginário popular, sempre com cifras de oito ou nove dígitos.

A linguagem ágil e a narrativa cinematográfica dada por seu autor Dan Brown também o aproximam de outros popstars da zona do crepúsculo entre o cinema e os livros, como Stephen King, J.K. Rowling, Robert Lundlum e John Grisham. Mas é o conteúdo de "Código" que o torna tão alienígena tanto nas prateleiras quanto futuramente nas salas de cinema.

É que o livro acompanha as aventuras do professor de Harvard Robert Langdon e da criptóloga parisiense Sophie Neveu, que se encontram após o assassinato do curador do museu do Louvre. Seguindo uma série de pistas deixadas de formas estratégicas, os dois aos poucos desvendam o que chamam de "a maior conspiração da história": que a Igreja Católica foi fundada sobre o segredo de que Jesus Cristo era um simples mortal (casado, e com filhos, com Maria Madalena) e que sua santidade foi aferida séculos após sua morte, para justificar a própria existência da igreja.

Pelo livro, os dois protagonistas se guiam por pistas deixadas em quadros de Leonardo da Vinci, cujo clássico "A Última Ceia" seria uma grande piada contada sob o nariz da Igreja Católica, sem que esta percebesse. Ainda cruzam o livro sociedades secretas como a Opus Dei, os Cavaleiros Templários e o Priorado de Sião, esta última dedicada a passar, pelos séculos, a verdade sobre o Vaticano. A história ainda é temperada por assassinatos, autoflagelação, rituais mágicos e o clima de thriller policial que faz Brown parecer uma espécie de Umberto Eco pop.

O nervo cutucado pelo livro surtiu efeito e pode ser medido além do sucesso editorial de "Código", em várias publicações que surgiram a partir deste. São mais de doze livros publicados sobre o tema, quase todos mostrando que as argumentações de Brown são falhas ou incríveis, esquecendo-se que o livro pertence ao território da ficção.

Dois destes livros acabaram de chegar ao Brasil: "Quebrando o Código Da Vinci", do professor Darrell L. Bock, e "Revelando o Código Da Vinci", de Martin Lunn.

A maior parte do material usado por Brown veio do livro "A Irmandade Secreta e o Santo Graal ("Holy Blood, Holy Grail", de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, de 1983) ou foram emprestadas preguiçosamente de algumas idéias em aulas de religião sobre Jesus dadas em universidades", explica Bock, que enfatiza não ser católico. "Há, na verdade, três grandes falsas acusações quando nos referimos à igreja", diz o autor. "A primeira é que Jesus foi casado com Maria Madalena e teve filhos. A segunda é que a divindade de Jesus foi votada em um conselho fechado no início do século 4. A terceira é que os quatro evangelhos da Bíblia foram escolhidos a partir de 80 outros evangelhos porque eles consideravam Jesus divino", conclui Bock.

Ele segue rebatendo cada uma das acusações. "Primeiro, não há nenhum texto que diz que Jesus foi casado. Na verdade, teólogos liberais e conservadores concordam que Jesus não foi casado. Tal concordância é rara e quando ocorre é muito provável que o assunto seja correto. “A divindade de Jesus foi afirmada em seu próprio tempo, por seus seguidores diretos", diz o professor Bock. "Há inclusive uma carta de um governador romano do século 2 que reporta cristãos cantando hinos para Jesus como Deus, e isso 200 anos antes da data que Dan Brown afirma que este assunto foi resolvido. Além disso, duas pessoas do Conselho de Nice, que era composto por 216 ou 316 pessoas, votaram contra a afirmação que lá foi defendida. Não há números corretos sobre a quantidade de pessoas que compareceram. Os votos foram abertos". "Quanto à terceira acusação, há apenas 12 evangelhos dos séculos 2 e 3 além dos evangelhos bíblicos do primeiro século, e não 80, e eles contam muito pouco sobre Jesus. Alguns desses textos têm uma teologia diferente da cristã, por isso foram rejeitados. Por exemplo, em alguns textos, Jesus riu no paraíso porque as pessoas achavam que estavam crucificando Jesus, mas de acordo com estes textos, não era ele quem foi crucificado porque Deus não pode ter carne humana”.

 

III-PROPOSTA DE JUSTIFICATIVA ÀS CRÍTICAS DO CÓDIGO DA VINCI

Caro amigo leitor/a seria muito enfadonho ficarmos justificando parte por parte do livro de código Da Vinci, pois o autor usou diversas imagens gnósticas da realidade que ele “investigou”, como já vimos, falha e superficial. O conhecimento meramente intelectual da história da salvação não nos leva a nada, alias muitas vezes leva a heresias e entendimentos errôneos da verdade de Jesus de Nazaré, e um bom exemplo, é o entendimento feito por Dan Brown, que apesar de ter escrito o livro com intenções comerciais e de sucesso, mostra um entendimento totalmente defasado da verdade de Jesus Cristo, das Sagradas escrituras e da história da Igreja Católica.. A verdade só nos afetará o coração e a mente se utilizarmos todo o nosso ser, completo, tridimensional: matéria, espírito e divindade. O uso das nossas faculdades: a memória, a inteligência e a vontade, nos leva a meditar ou contemplar o mistério da vida de cristo.

            A reminiscência, a memória da história que contemplamos marca a nossa história graças à inteligência pode ser sentida: que lição a história nos dá. Vontade: querer no sentido de “eu quero”, “eu amo”, desejar, amar: tudo ligado à vontade. Onde tudo acaba se decidindo. É na vontade que tudo acaba se decidindo. Na vontade é que a liberdade pode se realizar. A vontade vai aparecendo nas marcas que vai deixando na minha vida.  Os mistérios da vida de cristo que são trazidos para minha memória tocam a minha vontade, movem em nós os nossos afetos, seja pela clareza, isto é, o amor suscitado em nós movimentos de medo, repugnância: ah! Isto não! Isto eu não posso! Ou uma admiração do pavor, do medo, do receio.   

            Nós pensamos que conhecemos melhor a humanidade nas suas fraquezas, mas pode ser um pensamento viciado com o defeito do outro ou por antropocentrismo, isto é, me coloca no centro e não me deixa mais sair de mim mesmo. Sabemos que somos pecadores.

Amar consiste na comunicação entre o amor e o amado e é uma comunicação mútua daquilo que cada um tem. Que amor seja a palavra definitiva. Dá uma luz gloriosa, mas verdadeira sobre os afetos e afetividade na contemplação da vida de Cristo e da história da salvação.

            Este amor é acessível a cada um de nós. Deus se põe no nível da criatura para ser amado e amar. Consiste na grande afecção (afeto) da humanidade, que está afetada pelo amor de Deus, está afetada pelo amor Dele pela humanidade. É no fim que o princípio se revela. Você caro leitor/a pode amar Deus de uma maneira absoluta! Que só Deus pode amar.      

O homem que eu tenho sentido ser é alguém que tem vontade e desejos, que muitas vezes estão desordenados. Orientando estes desejos é que podemos descobrir a vontade de Deus em nossa vida. Não se deixar mover por nenhuma paixão, pois as paixões fazem que fiquemos instáveis. A contemplação que faremos da vida de Jesus e da história da salvação, pressupondo esta indiferença, pressupõe o caminho. Porque passamos a encaminhar nossa vida ao amor. O afeto que deve nos mover de verdade é o amor. Não podemos ser pessoas sem afeto, mas sim amar como somos amados.

O caminho da conversão para Deus e para os outros e para os outros e para Deus, não seria possível sem a contemplação do criador e o chamado de Jesus Cristo. O grande afeto, a marca de Deus que mexe com a história de cada um de nós e com a história da salvação da humanidade, é viver experenciando, tendo a experiência contemplativa dos Evangelhos de Jesus Cristo. Sair do próprio amor, do próprio interesse seria uma alienação, se essa saída não fosse realizável, graças a querer mais que não nos destrói, mas nos leva a nossa verdadeira identidade: por Jesus Cristo, com Jesus Cristo e para Jesus Cristo.

Esta crítica que faço ao código Da Vinci tem por finalidade, mostrar a verdadeira notícia que é ter o conhecimento interno de que tudo são Graça e dom de Deus. O pedido último é: “dai-me vosso amor e a vossa Graça, isto me basta”(Santo Inácio de Loyola).

Deus vem ao nosso encontro e nos eleva para que haja uma reciprocidade amorosa. Muitos não entendem que Deus pode se inclinar para nos amar. Ser meu amante. Quem tem medo de estar numa relação de amor com Deus, mostra claramente que não entendeu a presença de Deus, a graça que é Jesus Cristo na nossa vida. As contemplações que proponho neste livro, nos levarão ao criador e a criatura.

Quando Deus nos criou, nos colocou num plano onde o amor aconteça. A palavra amor é ligada ao servir. Não é só lua de mel. Não se pode deixar de dizer o que é o âmago do cristianismo: Deus é amor!  Aquele que foi criado à sua imagem e semelhança é também amor, imagem e semelhança de Deus. Nós que fomos criados por amor. Temos no amor o sentido de nossa vida. Mesmo que em nossa vida tenhamos egoísmo.  Não podemos esquecer: o fim e o princípio da fé cristã: o amor de Deus. Pode ser um sonho, uma utopia. Mas é a realidade! Se Deus é amor, nos não podemos ser coisa diferente do amor.

            Como já dissemos anteriormente, não basta um conhecimento intelectual de Jesus Cristo. Temos de ser afetados, isto é ter um conhecimento afetivo da Fé. Todos temos experiências de pensamentos, desejos e estados de ânimo diversos: momentos de entusiasmo, alegria, abertura aos outros, desejos de ajudar, como também momentos de medo, desânimo e fechamento sobre nós mesmos. Poderíamos dizer que se dá em nós um movimento ou força que nos aproxima de Deus e dos outros, levando-nos a amar mais, e em outras ocasiões um movimento que nos impulsiona a amar menos, afastando-nos de Deus e dos outros. Chamamos moções ou movimentos que se causam em nossa interioridade:

Uma que poderíamos chamar de “vitalidade espiritual”, ou momento de “luz”: consolação;

Outra moção que poderíamos chamar de desânimo espiritual, ou momento de sombra: desolação.

Para isso é importante entendermos o sentido da palavra afetar ou o substantivo afeição, ou mesmo o adjetivo afeiçoar.

            Afeição=Afeccion: traduzido por afeição, carinho, tornar-se parecido com, ter a mesma feição.

            Afecção: termo clínico: alteração mórbida causada por vírus, ou que destorce a realidade.

            A palavra afeição tem dois sentidos:

1) aquilo por que sou afetado que me leva para um lado ou outro.

2) afetar: me afeto ou sou afetado, isto é, as realidades exteriores me afetam e eu afeto as realidades exteriores.

            Logo as afecções são moçôes. As moções têm sempre sua origem em uma afeição ou afecção.

            Etimologia latina: affectus (ad + fectus): Sentido de alguém que gosta de alguém ou algo. Pertencer, ser conduzido.

            Do Grego pathos: patético, paixão ou capacidade humana de ser tocado, tanto pelo que é agradável, como pelo que é desagradável. Quando você tem uma gripe você fica pertencendo ou afetado a este vírus. Quando você tem uma paixão desordenada, você fica pertencendo a esta afeição ou paixão. Isto é: algo que nos sujeita! Eu afeto os outros: com carinho, ira, etc. Pode nos mover para o bem ou para o mal.

            Logo algo patético, paixão, afeição que mexem conosco, produzem Moções.

            Desordenadas: não é simplesmente o que não está no lugar, desarrumado, mas vai mais longe, diz respeito ao fim. Desencaminha-me, me tira do caminho que me leva ao fim: louvar, reverenciar e servir. Tudo que me tira do caminho é desordenado. Tudo que me encaminha para o fim é ordenado. A vida é um caminho posso me desviar dele, me enveredar por caminhos que não me conduzem ao fim. Tudo que me tira deste caminho é uma afecção desordenada. Às vezes o fim não é reto. Desordenado: diversão, desvio. O que me move? No fim está o amor de Deus. Se eu resolvi caminhar de costas para o fim, esta coisa é que esta no lugar de Deus, me desviando.

            Cada um de nós é afetado de maneira diferente. Em cada pessoa os movimentos são diferentes. Se não tiver movimento nenhum é o pior. Não se levar por nada. Por exemplo: não querer mais riqueza que pobreza ou saúde que doença. A partir desta indiferença, se determinar para que, o que realmente move sua vida seja o amor de Deus. O seguimento de Jesus Cristo. O equilíbrio não é morte, mas igualdade de forças. Que o que me equilibra seja a paixão amor de Deus. Sempre refazer para que a nossa liberdade seja verdadeira. O equilíbrio de ontem, não serve para hoje. Hoje estou sendo afetado por outras realidades ou afecções. As afecções, alterações na nossa vida estão sempre mudando. A bússola é o amor de Deus. A correção do caminho é permanente, pois sou deslocado pelo que quero ou por o que me quer. Santo Agostinho dizia: “meu amor é meu peso”.

Muitas vezes na nossa vida o bom aparece apavorador e o mal como algo maravilhoso, agradável. Olhe para sua cauda, pois o inimigo aparece com a sua cauda. Nada nem ninguém nos afetam tanto quanto Deus pode afetar. Não podemos dizer o caminho. Só quem pode dizer, mostrar o caminho é Deus. Deus que nos amou primeiro, nos ama. A graça é dada a todos e às vezes não tomamos conhecimento. A contemplação que iremos realizar facilitará toda esta ginástica para que Deus possa nos visitar. O ar de sua graça que é o Espírito Santo de seu filho Jesus. Mas que não pode ser programado. O processamento da alegria e do amor em nós não é programável.

A graça é algo que escapa de nosso controle. O importante é cair na conta que Deus nos abraça, fala ao nosso coração sem ruídos de vozes. A atração de Deus, que às vezes a sociedade reprime, nos impede de imaginar que Deus possa nos atrair.

            Na prática não acreditamos muito que Deus seja atrativo, ou que possa nos atrair. Pensamos às vezes que Deus já não esta tão atrativo, velho. São João mostra no seu evangelho e no Apocalipse: Cristo é a luz que ilumina todos os homens que vem neste mundo. Ficamos muitas vezes marcados pelo intelectualismo da cultura ocidental. Se Deus é amor, que toca no nosso coração. Toda a consolação não existe sem que Deus nos toque.

Nós perdemos a capacidade de julgar o toque de Deus ou o momento da graça. Ás vezes parece que Deus já me abraçou, hoje parece que já não tenho mais Deus. Isto é burrice nossa! Acharmos que já tivemos Deus, Deus não é coisa que se tenha! 

Não há receita para atingir a graça. Deus vem, nos abraça quando Ele quer, sopra onde quer. Não sabemos de onde vem, nem para onde vai. Isto é insuportável para nós! A gente custa a aceitar que não tem domínio sobre Deus. Não há consolação sem perda. A consolação me leva a sair do meu próprio amor ou interesse.

Portanto, amigo leitor/a proponho a você este caminho contemplativo da pessoa de Jesus Cristo, especialmente nos Evangelhos e no Antigo Testamento. Se você teve a paciência de ler todo código Da Vinci, você demonstra gostar de ler, por que não é fácil suportar quase 500 páginas de informações estranhas, maldosas e às vezes até ofensivas à Igreja, à Cristo e especialmente à Santa Maria Madalena. Peço a vocês um voto de confiança de que no final do livro, se vocês fizerem os exercícios e contemplações conforme oriento: vocês estarão afetados, amando profundamente Jesus e a sua Igreja, que somos cada um de nós que amamos Jesus Cristo, e o colocamos como nosso ideal.

           

IV-METODOLOGIA DE ESTUDO CONTEMPLATIVO E MEDITATIVO

Para que fiquemos afetados pela pessoa de Jesus Cristo, é necessário contemplar sua pessoa. Ordinariamente, contemplar é ficar parado, sem dizer nada, olhando, escutando e deixando-se afetar (por uma obra de arte, uma paisagem, o rumor da água, o movimento do mar, etc.). Saborear, admirar, deixar-se comover pelo que produz em nós a visão ou a escuta das coisas. Toda espiritualidade dedica-se a cultivar aguçada sensibilidade para captar “sinais” de Deus em toda a realidade, deixando-se tocar e inspirar por eles. Receber e assimilar esse toque divino, através de uma atitude contemplativa é o ponto central da própria vivência cristã.

            Na perspectiva da espiritualidade cristã, contemplar implica colocar as funções dos sentidos a serviço da fé (registrando o mistério oculto e revelado na realidade visível, Deus e seu Amor, em seu desígnio de libertação).

             “Con-templatio” deriva de “templum” (lugar onde se amplia o campo de visão – com-Templo); contemplar é “abrir o campo de visão de uma pessoa”. É entrar no templo, escutar, falar, participar, enfim ser afetado pelo contemplado.

Contemplar é mais que uma maneira de orar é uma maneira de estar com Cristo.

Quando alguma coisa me impacta, parar, permanecer aí, curtindo, saboreando; deixar que ressoe, que ecoe em mim.

Refletir para tirar proveito espiritual, depois de cada ponto, versículo, ou no final, tomar consciência do que a visão das pessoas, a escuta das pessoas ou a atenção aos seus gestos produziram em mim. Refletir como alguém diante de um espelho, algo do Mistério fica gravado em mim, deixa uma impressão, um gosto, um sentimento espiritual por meio dos quais compreendo ou conheço algo de Deus, de sua maneira de atuar, ou do ser humano ou de mim mesmo, diante d’Ele.

É possível que este “eco”, este “reflexo” tenha lugar sem palavras, no momento, e que só no diálogo final com o Senhor, ou no exame venha formulá-lo com palavras. No final, entretenho-me com o Senhor ou com algumas das pessoas (colóquio).

É possível que ao retomar, ao repetir uma passagem do texto, sinta paz ao viver a cena de perto, até o ponto de contemplá-la não só com a vista e ouvido, mas também com o tato, o olfato e o gosto.

Todos os meus sentidos oram, prova de que minha oração se simplificou, se unificou, que meu corpo e meu ser deixam que a Palavra de Deus lhes fale.

Portanto, contemplar é: “estar com Deus no templo”, no lugar de sua presença.

Maneira nova de tornar Deus presente ao homem, e do homem fazer-se, por sua vez, presente a Deus. À luz da contemplação, a vida e o mundo são percebidos e tratados como o grande templo do Transcendente.

A fonte de onde emana a possibilidade da contemplação humana é o próprio Mistério Divino. O ser humano é capaz de contemplar, de fazer-se presente ao Mistério porque Este o contemplou primeiro.

Contemplando os “mistérios”, contemplamos o Mistério do Verbo Encarnado, o Verbo Encarnado revela o Pai em cada gesto e dito; pela força do Espírito cada mistério é transparente; pela fé vemos o Mistério em cada “mistério” da vida de Jesus.

Os frutos que a contemplação realiza em nós a nível profundo, são, re-ordenamento dos pensamentos, sentimentos, atitudes, valores, as decisões e opções mais sólidas nascem de um coração purificado.

Na contemplação dos mistérios da vida de Jesus, não permanecemos indiferentes; pouco a pouco, de modo quase imperceptível, dá-se uma purificação dos nossos pensamentos, sentimentos, atitudes. Uma assimilação dos gestos e valores da pessoa contemplada.

Contemplando longamente a vida de Jesus na variedade das cenas que os Evangelhos nos oferecem, experimentamos um “descentramento” de nós mesmos para tornarmos atentos ao mistério; descobrimos quais aspectos particulares somos chamados a viver, numa espécie de “composição” entre objeto contemplado e as exigências mais íntimas da nossa pessoa.

Na contemplação devemos cair na conta de que tudo o que nós fazemos é expor-nos, abrir-nos a essa presença. Quando o “mistério” se faz presente, o Senhor está atuando em nós. O termo “mistério” significa que há uma presença aqui que está mais além de nós e de nossa compreensão. Somos “lançados” nesse mistério da presença divina, no contínuo mistério da presença de Cristo. A contemplação implica nossa habilidade para entrar na presença de Cristo, e sua habilidade para entrar em nós. Pela contemplação tudo se encaminha para um sentido abrangente e integrador; vê em tudo e em todos a realidade maior, Deus e a Salvação.

Caro amigo tenha certeza de que isso tudo aconteceu com São João e aos evangelista Mateus, Marcos e Lucas. Eles foram afetados em suas contemplações e anotaram tudo o que acontecia, inspirado por Deus e orientado pelo Espírito Santo.

            Para meditarmos os evangelhos e o Antigo Testamento, em alguns casos usaremos a contemplação, mas quando o símbolo ou imagem é estranho e fora do comum, devemos meditar, isto é usar a inteligência, memória e a vontade para aprofundar e assimilar um dado da fé, com vistas a torná-la vida na nossa vida.

            Sugiro que você caro leitor/a, não só leia este livro, mas que reze, contemple, medite cada oração ou texto sugerido. Poderia aqui dizer, como em diversos livros que já li, que o autor não tem pretensão de que você mude sua vida ou seu modo de pensar ou agir. Mas minha pretensão é que a graça de Deus penetre em você e afete toda sua vida e que a partir desta contemplação da vida de Jesus Cristo, sua vida seja mais útil ao mundo, á sua comunidade, á sua família e a você mesmo. E esta pretensão se baseia na experiência que tenho vivido nos últimos vinte e dois anos de minha existência, desde que iniciei minha busca de cura interior em um cursilho de cristandade, aqui em Aparecida, o cursilho número 59. Ali iniciei minha entrega a Jesus Cristo, quando o Padre Chiquinho olhou firme para meus olhos e me perguntou, Saluar, Cristo conta com você! E eu respondi, firme e convicto, e eu com a graça de Cristo!

Tenho vivido com esperança nestes longos anos de estudos, cursos de religião para leigos, centenas de livros litúrgicos e teológicos, encontros de formação e espiritualidade, Cursilhos, seminários de vida no espírito, retiros espirituais inacianos e dias de cura interior na canção nova. Tudo isto acompanhado de minhas misérias pessoais, temperamento sanguíneo e tipo sete de ENA pessoal. Os muitos erros, caídas e soerguimentos, especialmente ajudados pela mão amorosa de minha querida esposa Teka, que é a maior representante da misericórdia e do amor de Deus na minha vida. A Ela dedico a escrita deste livro.

Caro amigo/a não foi para que você leia este livro, e não mude nada em você e em sua vida, que eu resolvi dedicar toda minha vida, especialmente meu tempo e possibilidade de ganhos salariais chamativos, que eu renunciei, quando trabalhava no CTA, em São José dos Campos. Graças a Deus já sou aposentado da Força Aérea e o que ganho é mais que suficiente para uma vida digna, o que me dá possibilidade de dedicar-me integralmente a servir a Deus Pai em tudo que for sua divina vontade. Sou feliz e sinto-me um instrumento de Deus que, apesar de seus defeitos e misérias, está na militância cristã da Igreja Católica, apostólica, romana, sentindo-me livre para seguir o que Jesus nos pede em suas bem-aventuranças e especialmente suas exortações contidas em Mateus 25.

Estou vivendo a minha sexta feira santa, iluminado pelo Espírito Santo e com esperança e certeza de que já estou vivendo a eternidade, e um dia eu viverei, com a graça de Deus, com Cristo, na nova Jerusalém celeste, prometida por Ele, no livro do Apocalipse de São João.  

Como já mencionei acima, é importante usar uma metodologia para tirar proveito da leitura deste livro, ou melhor, reza ou oração que serão propostas para contemplação. Claro que será preciso superar a preguiça e até o temor mais ou menos consciente de colocar sua vida diante de Deus. Escolha a hora mais propícia do dia, num momento em que não esteja atarefado com preocupações, trabalhos, calor ou frio, sono ou cansaço. Seria bom que a hora fosse sempre a mesma.

Simplificando sugiro este roteiro para a Oração diária que tenho utilizado, com base nas orientações do CEI Itaici.

a) Escolher a hora e o lugar mais apropriados para a oração e leitura do livro.

b) Acolher a presença de Deus, saber que Ele me quer junto de si.

c) Pedir a luz do Espírito Santo para que Ele me dirija e inspire.

d) No início de sua oração pessoal, reze esta oração preparatória:

“Aqui estou, meu Deus, diante de ti, tal como sou agora. Estou sentado diante de ti, Senhor, tranqüilo e pacificado. Estou na tua presença e deixo-me conduzir. Abro-me à tua proximidade. Tu és a fonte da vida, a força da vida que me penetra. Tu és minha respiração que me carrega e dilata. Deixa que a paz me habite. Concede-me a graça de me deixar "limpar" por ti, ser uma concha que se enche de ti Deus Pai. Que todos os meus pensamentos e sentimentos, minha vontade e liberdade sejam orientados para o teu serviço e louvor, meu Deus, fonte da vida. Assim seja!”

Dois modos de orar os textos indicados:

1º - Contemplação evangélica (se o texto for um fato bíblico ou um mistério da vida de Cristo)

Como proceder?

Recorde a história e use a imaginação para entrar na cena evangélica. Procure ver, contemplando cada pessoa da cena; dê um olhar demorado, sobretudo, na pessoa de Jesus (se for o caso). Olhar sem querer explicar ou entender. Tente ouvir, prestando atenção às palavras ditas ou implícitas: o que podem significar? E, se fossem dirigidas a você? Observe o que fazem as pessoas da cena. Elas têm nome, história, sofrimentos, buscas, alegrias. Como reagem? Perceba os gestos, os sentimentos e atitudes, sobretudo, de Jesus. Participe ativamente da cena, deixando-se envolver por ela. Além de ver, ouvir, tente apalpar e sentir o sabor das coisas que nela aparecem. E, refletindo, tire proveito de tudo o que ocorreu durante a oração. Finalize com uma despedida íntima de seu Deus, rezando um Pai-Nosso Saindo da oração, fazer a sua revisão (cf 12 acima).  

 

2º - Leitura orante ou meditação (se for um texto de ensinamento da Escritura)

Ler o texto inteiro de uma vez; reler, devagar, versículo por versículo. Pergunte-se: O que diz o texto em si?

Parar onde Deus me fala interiormente, não ter pressa, aprender a saborear. Pergunte-se: O que o texto diz para mim? Deus é Pai que nos ama muito mais do que poderíamos ser amados. Pergunte-se: O que o texto me faz dizer a Deus? Podem ser louvores, pedidos, ação de graças, adoração, silêncio.

Ir acolhendo o que vier à mente, o que tocar o meu coração: desejos, luzes, apelos, lembranças, inspirações.

Pergunte-se: O que o texto e tudo o que aconteceu nesta oração me fazem saborear e viver?

Finalizar a oração com. uma despedida amorosa. Rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Terminada a oração, revejo brevemente como me saí nela, perguntando-me:

- que Palavra de Deus mais me tocou?

- que sentimento predominou?

- senti algum apelo, desejo, inspiração?

- tive alguma dificuldade ou resistência?

Anoto o que me pareceu mais significativo na forma de uma breve oração de súplica ou de agradecimento.

 

Oração de atenção amorosa:

No fim do dia dê um minuto de atenção amorosa, fazendo-se presente a Deus como alguém que foi agraciado por Ele Agradeça a Deus tudo o que aconteceu de bem para você e para seus irmãos e irmãs. Invoque o Espírito Santo, pedindo luz para discernir o uso que fez de sua liberdade. Verifique com olhar de fé as situações, encontros, acontecimentos em que permitiu que Deus atuasse em sua vida, sendo sinal de sua presença e amor para com os outros.

Peça perdão a Jesus, seu amigo fiel, pelo bem que deixou de fazer, não se deixando conduzir por seu Espírito. Confie ao Senhor o seu amanhã, experimentando a alegria de nele depositar sua esperança. Reze um Pai-Nosso.

 

 

V-ENCONTRO COM O CRIADOR

Meu caro amigo/a leitor depois destes mais de vinte anos de estudos, meditações e contemplações da palavra de Deus, eu posso afirmar com convicção que o que faz diferença entre uma vida cristã cheia de sentido e vitalidade e uma vida cristã enfadonha é ter ou não a experiência de um encontro pessoal com Deus. Quanto mais intenso e freqüente é esse encontro, maior será a consolação espiritual e a plenitude da vida, tanto nas alegrias como nas tristezas próprias de toda vida humana. A própria igreja católica adotou o tema: queremos ver Jesus caminho, verdade e vida, procurando responder a esse apelo do Papa João Paulo II para o Novo Milênio e também ao mesmo apelo no Projeto Nacional de Evangelização da CNBB para o atual quadriênio (2004-2007). Esse projeto pede de maneira toda especial que os cristãos tenham um encontro pessoal com Deus, especialmente com Jesus e busquem a santificação pessoal através deste encontro e de sua vida cotidiana.

"Senhor, Tu és o meu Deus, há muito que te procuro com grande ansiedade. Como a terra seca do sertão à espera da chuva, todo o meu ser anseia por Ti, Senhor". (Sl 62,2)

Certo dia, um discípulo foi ter com o Mestre e lhe disse:

- Mestre, quero encontrar a Deus! O Mestre olhou o jovem discípulo, limitou-se a sorrir, sem nada dizer. O discípulo vinha diariamente procurar o Mestre, e repetia-lhe sempre a mesma palavra. Dizia que estava em busca de Deus e que queria dedicar-se à religião. O Mestre, porém, não lhe dava atenção. Sabia o que convinha fazer. Num dia em que o calor era muito intenso, o Mestre pediu ao discípulo que o acompanhasse até o rio, próximo dali, para, juntos, atravessá-lo a nado. Lá chegando, o discípulo lançou-se à água. O Mestre o acompanhou. Quando estavam em meio à corrente, o Mestre, subitamente, agarrou o discípulo pela cabeça, afundou-o na água e o segurou lá embaixo, enquanto o pobre coitado procurava, desesperadamente, libertar-se e respirar. Quando o discípulo estava a ponto de morrer afogado, o Mestre então, largou-o e perguntou-lhe: - O que é que você mais desejava quando eu segurava sua cabeça debaixo d’água? - De ar, respondeu o discípulo. O Mestre continuou: - Será que neste instante você tem tanto desejo de Deus quanto tinha de ar debaixo d’água? E se o desejar tanto assim, encontra-lo-á no mesmo instante. Se, porém, você não tem tal desejo e tal sede de encontrar a Deus, é melhor que lute com toda sua inteligência, com todo seu coração, com seus lábios; do contrário, não O encontrará.

Sem esta sede de Deus, você faria melhor continuar ateu. Porque um ateu pode, muitas vezes, ser sincero ao passo que você não é”.

Meu caro amigo, o ser humano é um ser insaciável e insatisfeito. Vive eternamente buscando, sem saber o quê. Em contato com este "poço infinito" (seu interior) sente a necessidade de preenchê-lo a qualquer preço; na maioria das vezes preenche-o com "coisas", ruídos, problemas, busca de poder, posses, drogas, etc. e sente-se frustrado, porque nada lhe satisfaz.

Na realidade, o único que pode saciá-lo é o encontro consigo mesmo e com Deus, no seu interior. É na dimensão mais profunda, no seu "coração" que o ser humano é divino. Por isso, é lá e somente lá que a pessoa encontra a si mesma, a sua identidade pessoal. Só o Senhor e Criador, de quem recebe gratuitamente o sopro da vida, pode preencher seu interior por completo.

Portanto, o caminho da Vida é para dentro. Feliz quem encontra o caminho do coração. É no coração que está a Fonte, a Origem e o Mistério do ser humano.

Horário da oração - É importante prestar atenção à influência que certas atividades da sua vida diária podem ter sobre a sua oração. Para quem tem o dia muito cansativo, talvez seja conveniente evitar a noite e dar preferência à manhã para sua oração. Não veja televisão imediatamente antes da oração. Tenha um lugar especial para a oração, não atenda ao telefone. Por vezes, ajudará acender uma vela, música suave.

Graça a pedir: Senhor, que eu tenha fome e sede de Ti.

Palavra de Deus para ser meditada - Isaías 55,1-13

Revisão da oração - Qual é a "água" que seu coração busca?

 

Caro leitor/a, normalmente vivemos com a cabeça cheia de uma multidão de pensamentos, ocupações, preocupações, idéias, obsessões e recordações. Lutam para ocupar o primeiro lugar em nossa mente. Pretendem organizar sua vida, programá-la e dirigi-la. Às vezes inclusive lhe exigem, lhe culpam, lhe martirizam. Esta multidão de pensamentos, obsessões, idéias, também exige dos outros, julgando-os, castigando-os, desqualificando-os. Uma cabeça assim, cheia de trabalho, se seca, se debilita, se transtorna e acaba por render-se. Não serve. Sente-se incapaz de levar a vida, de conduzi-la.

Falta-lhe o calor do coração. Por que não aprendemos a viver com o coração? O coração não é algo sentimental, emocional ou romântico.

O coração é o centro do homem. O coração é o núcleo mais profundo de nossa vida psíquica e espiritual. O coração é o amor íntimo e profundo do homem, onde se encontra com o mais sólido, verdadeiro e genuíno de si mesmo. O coração é o lugar do encontro, onde a relação e o contato com as coisas, com os outros, consigo mesmo, com Deus. Converte-se em encontro ardente e luminoso. O coração é o templo de Deus. No coração habita o Espírito de Deus, enchendo o homem de seu amor e de sua sabedoria. "Não sabeis que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós" (1Cor 3,16). Desde o coração se irradia o ser íntimo do homem e o Amor infinito de Deus.

Aprenda a viver com o coração. Viva com o coração. Viva desde o centro de seu ser, onde você é amor. Irradie desde o centro do seu ser o amor, como o sol irradia seus raios.

Ponha o coração em cada manhã, ao despertar. E saúde o novo dia com amor. Viva desde o mais encima de seu ser sua oração ao Senhor. Ponha o coração ao olhar a si mesmo e julgue-se com bondade e compreensão.

Realize cada tarefa com amor em seu coração. Viva com ânimo seus esforços e desalentos. Viva com compreensão e amor as suas falhas e limitações. Se Aceite e queira ser de verdade seu melhor amigo.

Viva sua relação com os outros com amor, e veja-os com olhos suaves e compreensivos. Viva com o coração toda sua relação com os outros para que se converta em encontro cheio de amor e bondade. Escute e acolha os outros com os olhos do coração. Viva com o coração as limitações e falhas dos outros para que a compaixão e a ternura prevaleçam sobre o fechamento ou a indignação. Sirva e ajude os outros a partir do seu coração.

Ponha o coração, todo seu coração, em seu encontro com Deus, na oração. Viva desde o coração quando se sinta julgado pelos outros. E escute com o coração as críticas sobre você, sobre a vida, sobre as coisas. Aceite, com simplicidade e humildade, os favores e atenções dos outros.

Ponha o coração em seus lábios quando fala. Ponha amor em suas palavras quando fala dos outros, procurando não ferir, mas curar e salvar. Ponha o coração em seus juízos, para que aumente a tolerância e a aceitação. Ponha o coração em sua vida, em todos os seus aspectos. Viva desde o coração as contrariedades, as dificuldades e o sofrimento. Ponha muito amor em tudo, e irradie-o ao longo do dia. Ponha o coração em Deus, Fonte e Meta de toda sua vida. Ponha o coração em. Viva este dia com todo seu coração.

Graça a pedir - Senhor, que eu aprenda a viver com o coração.

Palavra de deus - Isaías 43,1-5

Revisão da oração - O que lhe parece mais importante, no qual você está pronto a investir sua vida?

 

Meus irmãos falar do desejo é falar do ser humano em sua profundidade última. O desejo é uma das expressões mais nobres da pessoa, é seu impulso evangélico vital. Como seria pobre e fria a nossa vida sem a capacidade de desejar e de expressar desejos! Por outro lado, como seriam de baixa qualidade e repetitivos os nossos desejos se não fossem "evangelizados" na escola da oração! De fato, qualquer desejo é caminho no qual podem se encontrar "expectativa humana" e "oferta divina", desejo do homem e desejo de Deus.

Deus trabalha através dos desejos, suscitando atrações, movendo nosso coração, impulsionando nossa liberdade". “De sua divina Majestade, da qual procede ao que se deseja" (S.Inácio) "Deus, quanto mais quer dar, tanto mais faz desejar" (S.João da Cruz) Nos desejos mais profundos habita Deus. O coração é o lugar onde os nossos desejos se confundem com os desejos de Deus.

O desejo de Deus está escondido nas consciências. Deus é o desejo maior! É Ele quem atrai, precede e desafia sempre o ser humano provocando-o e convocando-o, para além das fronteiras de seus limites. Os desejos autênticos são, antes de tudo, graça, dons do Espírito. Tais desejos sempre são autotranscendentes, isto é, nos conduzem para fora de nós mesmos, para a comunidade, a comunicação. Nos impulsionam ao serviço, ao compromisso. O ser humano é capaz de desejar quando sai de si mesmo e mergulha num mundo muito maior que ele.

Nascemos marcados pelo desejo, e nascemos assim porque Deus mesmo é a Fonte do desejo. É Deus que faz nascer o desejo. O que desejamos é Deus que no-lo concede. "Desejamos porque Deus nos faz desejar". Por isso, o desejo e a capacidade de desejar são o lugar por excelência da experiência humana de Deus. Devemos ser pessoas de grandes desejos, se queremos obter resultado. O Desejo nos introduz no mundo das idéias, dos sonhos, dos projetos. E busca o modo de concretizá-los. Desejar algo é antecipar o futuro e procurar uma maneira de torná-lo presente. Os grandes desejos são "grandes avenidas" pelas quais circula o melhor das pessoas (riquezas, intuições, "garra".) Ter grandes desejos é já um grande passo para que se convertam em realidade. Dificilmente pode ser realizado aquilo que nem sequer foi imaginado, desejado.

Um desejo sincero repetidas vezes renovado acaba por criar a força que nos move. As pessoas mais efetivas e criativas são aquelas capazes de liberar e desenvolver em seu interior a energia dos grandes desejos. Isso tudo nos revela que o desejo é uma força totalizante, portadora de significados, que impede a acomodação.

O desejo é aquela disponibilidade a canalizar todas as nossas energias para "algo" que consideramos central, importante em si mesmo. Através dos desejos exprimimos aquilo que mais nos atrai, aquilo para o qual se dirige o nosso olhar e que está no centro de nossa vida. A oração é um caminho para suscitar, canalizar e potenciar desejos; talvez despertar o desejo que está adormecido em nosso coração. As "vozes do desejo" são algo constitutivo desse caminho. É preciso "escavar" o desejo, para não ficar na superfície da vida e terminar por desejar muito pouco e de maneira repetitiva: não descobre Deus e sequer a si mesmo.

A Graça - Ela centra-se na idéia de que o crescimento na oração é dom de Deus e não nosso trabalho pessoal. Quando você pede uma graça determinada, referente a uma área do seu viver, você a coloca aberta à ação de Deus. Com isso a graça pedida, de caráter mais geral, vai se particularizando de acordo com suas necessidades. De o seu relacionar-se com o Criador, por exemplo, pode vir-lhe consciência de uma falta de relacionamento humano por inexistência de confiança; aí você pede a graça de ser confiante para poder relacionar-se.

Graça a pedir - Senhor, que os meus desejos me revelem quem eu sou.

Proposta da palavra de Deus a ser meditada ou leitura orante (verificar roteiro de oração no cap IV) - Isaías 35.

Revisão da oração - Que ideais, sonhos, projetos. Alimentam e dão sabor à sua vida?

 

O deserto, na experiência bíblica, é o lugar da passagem constante da escravidão à liberdade. O deserto é a experiência pela qual Deus faz passar Israel para que surja como povo antes de entrar na Terra Nova: tempo de purificação e de vida em marcha, peregrinos apegados somente em Deus.

No deserto Israel aprendeu a descobrir e a confiar em Deus. Longe da segurança do Egito emerge o que há no fundo de seu coração. Os profetas cantam o tempo do deserto como tempo das obras maravilhosas de Deus.

O deserto é o lugar da Aliança, escola de intimidade com Deus. Jesus, como todos os profetas, antes de entrar em missão é conduzido pelo Espírito ao deserto (Mc 1,12; Lc 4,1). Jesus recorria a esta experiência em meio à sua vida ativa: afastava-se para lugares solitários (Lc 5,16).

No deserto temos a possibilidade de reconhecer a ação de Deus em nós com outra luz e com outra força. A experiência do deserto é a de um "tempo" e "lugar" de decisão, de orientação decisiva da vida. O mestre do deserto é o silêncio. O deserto tem valor porque revela o silêncio. E o silêncio tem valor porque nos revela Deus e a nós mesmos.

Quem anda no deserto sente profundamente o que é o "nada". Foi no deserto que o povo de Israel sentiu profundamente sua pequenez e total dependência de Deus. O deserto grita o nosso nada, o deserto elimina todas as distrações, o deserto nos coloca entre a areia e o céu, o nada e o tudo, o eu e Deus. O deserto é o grande auditório para ouvir Deus. "O deserto é fértil" (D. Helder).

Motivação - Lembre-se novamente que a revisão não é descrição passo a passo do que aconteceu na oração, mas uma tentativa de registrar a experiência no nível do sentir. A questão-chave é "o que aconteceu durante e ao final da oração?"; não que idéias, conhecimentos novos tive, mas "o que sinto a respeito do que me ocorreu durante a oração".

Graça a pedir - Senhor, vem ao meu encontro e me acompanhe neste deserto.

Proposta de oração diária palavra de Deus - Salmo 23(22) - O Senhor é meu pastor!

Revisão da oração - Sinto vontade de fazer a experiência do deserto? Por quê?

 

Bem caro amigo/a leitor, espero que você esteja curtindo estes momentos de encontro com Deus, através de sua palavra e esteja realmente querendo se encontrar com Ele, só sentindo profundamente a presença de Deus em nossa vida é que podemos nos afetar e entregar a Ele.

A solidão, a solidez e a solidariedade são três dimensões da oração cristã, consideradas não como realidades paralelas, mas como três pontos de vista de uma só, rica e complexa realidade. Três dimensões que não se excluem, mas se interagem e se exigem mutuamente, num movimento circular.

A solidão é um momento fundamental na vida cristã. Sem ela a pessoa se mascara, se aliena, se dilui, se desintegra espiritualmente de tal modo que seu interior fica um imenso vazio; esse vazio, tão comum à solidão dos que permanecem fechados em si mesmos, é que gera a angústia e o desespero.

A solidão é indispensável ao ser humano engajado, por mais ativa e atribulado que seja a sua vida. Ela o impede de ser tragado pelo ativismo que põe em risco a própria eficácia da luta. Ela proporciona o recuo necessário à visão de conjunto, à crítica e à autocrítica. Nela a pessoa se abastece, recupera suas energias criativas, areja o espírito, avalia corretamente a realidade. Colocando a pessoa diante de si mesma, a solidão é como um espelho, no qual ela vê aquilo que em sua vida é detrito, é carga supérflua, poeira acumulada. E essa limpeza purifica e renova.

A solidão, tecida no silêncio, faz descobrir mais uma vez a novidade do Amor. Ela é o momento de síntese, re-união, encontro. Agora tudo em nós é gratuidade e verdade. Nesse espaço emerge toda a nossa liberdade, libertada pelo silêncio que nos faz conhecer as raízes do Amor. Somos todo intimidade. Aqui não há lugar para a farsa, para a trapaça. A intimidade revela a verdadeira identidade do ser humano. Colocados diante de nós mesmos, a solidão nos conduz para além de nós mesmos, nos fazendo viver a partir da raiz, da Fonte mesma da vida. Do silêncio que exprime amor brota à luz que aponta o caminho da interioridade: do para-além-de-nós-mesmos. Este caminho só pode ser percorrido pela pessoa enquanto ela se encontra só. Ninguém pode percorrer por ela.

A solidão, planificada na intimidade consigo mesmo e com Deus: cria uma consistência interior, solidificam opções, valores, atitudes de vida; dá segurança e firmeza nas convicções e nas decisões, fidelidade aos princípios fundamentais; faz carregar dentro de si esperanças duradouras capazes de transformar realidades mesquinhas; nutre confiança em si mesmo: daqui brota a criatividade, a busca do "novo", a aventura. Uma pessoa sem solidez se afoga na banalidade, se perde na superficialidade, não leva adiante projetos de fôlego. Uma pessoa superficial "passa" sem deixar rastro.

A solidão e a solidez, tecidas no silêncio, nos conduzem à morte de nós mesmos para que sejamos totalmente abertura e transcendência no outro e para o outro; nos fazem descobrir a novidade do Amor e nos abrem para a solidariedade. É o resultado de ultrapassar todas as alienações. Temos agora a completa posse de nós mesmos porque já não nos possuímos mais. Estamos salvos porque nos perdemos. No espaço ilimitado de nossa interioridade tudo é maravilha.

O mergulho em si mesmo, para além de si mesmo, opera a metamorfose que nos devolve à vida transfigurados pelo Amor que nos habita e planifica.

Proposta de oração diária e a palavra de Deus: Pode acontecer que, no seu tempo de oração, não tenha acabado de rezar toda a Palavra de Deus sugerida para a oração. A Palavra não é uma tarefa, é o lugar para encontrar a Deus. Mesmo se alguma vez não achar nenhum significado nela, peça a Deus compreensão e um coração sensível. Tanto a Palavra em que você achou um enorme significado como, pelo contrário, a Palavra em que não achou nada, serão objeto de voltar uma e outra vez, deixando que cada Palavra de Deus possa enraizar-se profundamente na sua vida. Leia a Palavra de Deus, num espírito de oração, suavemente, parando e degustando palavras e frases, falando com Deus, o Senhor, e não sentindo nenhuma pressão para terminar logo.

Graça a pedir - Senhor, que a solidão me dê mais solidez e me faça mais solidário com meus irmãos.

Palavra de Deus - Deuteronômio 8, 1-20

Revisão da oração - Como você está se preparando para a travessia do deserto?

Um discernimento em clima de escuta da Palavra de Deus, de comunicação de vida profunda, de oração intensa e constante, de diálogo sincero com Deus, é o clima para a resposta.

“É melhor pôr o coração na oração sem encontrar palavras do que encontrar palavras sem pôr nelas o coração“ (Gandhi).

Se a ”vocação“ é antes de tudo chamado de Deus, a primeira atitude só pode ser descrita como escuta. Aquele que procura reconhecer sua vocação, só pode dizer como Samuel: “Fala, Senhor, que teu servo escuta“ (1Sm 3,10).

Vivemos num mundo marcado por ruídos externos e internos. Carregamos o ruído dentro de nós: em nosso corpo (tensões, pressas e nervosismos), em nossa mente (“falatório“ crônico, confusão mental, perturbação.), em nossa afetividade (sentimentos negativos, traumas, tristeza e angústia).

Também a nossa oração segue o ritmo dos ruídos. Passa a ser não uma oração de escuta, mas um ”falatório interior“, onde Deus não tem como manifestar sua voz. Deus não faz ruído! É Preciso um coração atento, em silêncio, para ouvi-lo. Urge "fazer deserto" no coração: imprescindível para se optar, para se decidir. Fazer deserto é entrar no coração, ficar aí e escutar. Porque o coração não nos engana, uma vez que o próprio Deus está no fundo de nosso ser. E no coração se exige silêncio, disponibilidade, contemplação. Este é o caminho sério para se ver, para se descobrir o plano de Deus na vida.

Acontece, normalmente, que o coração se vê invadido por um monólogo interior carregado de auto-reprovações, censura, exigências, críticas que se faz em função da auto-imagem, acusações.

A oração se converte em algo incômodo e hostil; ela passa a ser o lugar do "deveria", "teria". Desta maneira, a pessoa não se situa corretamente na presença de Deus e nem se relaciona sadiamente consigo mesma. Daí a necessidade, primeiramente, de silenciar o ruído nocivo, o ruído obstáculo. Através da "escuta amorosa", ou seja, uma atitude positivamente amorosa para consigo mesmo, sentir-se valiosa aos olhos de Deus, sem julgar-se, avaliar-se.

Esta "escuta amorosa" é a base para uma sadia oração e se traduz numa autocompreensão carinhosa, cálida e criativa.

Só assim, sem defesas e juízos, brotará sua palavra, seu silêncio, sua escuta.

Caro amigo/a entrar em contato amoroso consigo mesmo na oração, é deixar transparecer a ação de Deus criador, libertador, vendo a si mesmo como fruto da criação amorosa de Deus. A "escuta amorosa" de si mesmo conduz à "escuta comprometida" do Deus da Vida. Precisamos do silêncio.

Precisamos viver no silêncio e a partir do silêncio: silêncios plenos, transparentes, transformantes e comprometedores, que nos revelam Deus e "toca" o mistério de nossa vida.

Se queremos continuar aprofundando no descobrimento de toda a riqueza de nosso ser e da presença do Senhor no nosso coração, temos que descobrir o silêncio. Só na quietude, silêncio e harmonia do seu corpo, da sua mente e do seu coração chegará a aflorar sua autêntica e verdadeira realidade, chegará a refletir a imagem de Deus que você é.

Por isso o silêncio é vazio e plenitude, ser e transparência, obscuridade e mistério. O silêncio e a escuta interior dispõem a pessoa para a resposta. Mais ainda: essa atitude harmoniosa já é resposta, porque ela faz Deus presente em seu coração.

A vida não muda; mas faz-se outra: imensa, forte e silenciosa; próxima e amorosa. Chegou à hora em que a vida cala e o silêncio fala. Deus não fala ao homem enquanto este não consiga estabelecer o silêncio dentro de si mesmo.

Graça a pedir - Senhor, ensina-me a silenciar para escutar tua Palavra.

Proposta de oração diária através da palavra de Deus - 1 Sm 3, 1-10

Revisão da oração - Como você se sentiu na oração?

 

Olhar para dentro de si mesmo requer coragem, empenho e luta.

Bebe a água da tua cisterna,  a água que jorra do teu poço “(Prov. 5, 15). A imagem do poço nos ajuda a captar o mistério profundo da pessoa, fonte rica e inesgotável. Daí a necessidade de um acesso constante a essa fonte, como uma viagem para o interior, para o coração”.

Normalmente vivemos na superfície, cheio de ”coisas“, de ruídos. Mas o que dá valor ao poço é a profundidade (de onde brota a água viva). O que planifica o ser humano é a descoberta das riquezas interiores: desejo de autenticidade, de ser "eu mesmo", atitude de busca, busca de algo melhor, mesmo que seja mais exigente.

A água parada apodrece. O sentido da vida está precisamente em comunicar-se, em perder-se pelos outros, em partilhar.

O nosso interior é dinamismo, força, criatividade e vida sempre nova. É tempo de "olhar para dentro", de fazer uma peregrinação interior.

É tempo de ser poço. Cantar sua vida que salta como nascente. Cantar sua liberdade e sua originalidade. Ser o que se é, aquilo para o qual saiu da Montanha.

Ser poço que se alarga, ampliando a vida. Ser poço que conhece as águas. Ser poço e viver feliz. Aprender a jorrar água e a fecundar tudo ao seu redor. Onde você está deixa a alegria nas árvores com mil pássaros que saltam de galho em galho. Ser poço e jorrar vida feita água fresca para a pomba que, sedenta, desce à sua borda.

Deixar sua água livre para que o cordeiro e a ovelha, o leão e a pantera, se juntem em sua transparência. Ser poço para todos. Ser poço de onde brota a vida. Ser poço e o ser para sempre. Poço sem fronteiras. Poço transbordante. Ser feliz. Viver. Sua vida é sua luz. Sua vida estremece sua vida. Alguém vive em você. Você sabe, você experimenta. Ainda mais: é você quem vive n'Ele. A vida dele é sua vida. O viver dele é seu viver.

Para você a vida é a vida dele. Alguém vive em você no silêncio. Alguém que é como uma força de tormenta na montanha. Alguém que é como a luz transparente. Alguém que é como a beleza de uma rosa que perfuma seu ser, alguém que conhece o bem, a verdade e a liberdade. Ser poço desde a Origem. Desde a Montanha, desde o vigor incontido do Manancial. Ser poço. Sua mãe é a Montanha. Você a leva em suas entranhas como um canto de libertação. Seu "interior" conhece a Montanha. Conhece o seu silêncio e a sua solidão. Conhece a sua interioridade e a sua profundidade. Conhece a vida. Ser poço.

Seu "interior" conhece a água do Manancial. É algo como o espírito que lhe anima. É algo como o vento que não se sabe de onde vem nem para onde vai, mas que se ouve a sua voz. É algo que lhe "marca", que lhe dá identidade.

Se a Montanha não lhe tivesse dado suas águas, se a Montanha não lhe tivesse dado sua vida de Manancial, hoje você não seria poço. Ser poço e gritar a todos sua vida, deixar a torrente transbordar como quem encontrou a brecha por onde entrar. A torrente se fez sua liberdade e sua força. A torrente lhe deu um nome: poço. Ser poço. Ser peregrino no "silêncio". Ser dinamismo e tenda levantada em cada amanhecer. Ser para a aventura, ser para o desconhecido, ser para o novo, ser para o amanhã, ser futuro a galope de suas águas transbordantes. Ser poço.

Sentir em seu ser a vida que brota. Ser fecundo como a Montanha. Dar a vida nova como a Montanha. Saber que em sua vida há raízes eternas. Saber que vive desde a Origem.

Saber que se alargará enquanto chegue a vida da Montanha. E será cada vez mais livre. Será a harmonia que buscava. Leva-a "dentro" de si. É sua experiência. É uma voz que nasce "dentro" de você e fala no silêncio de suas águas. Ser poço e querer gritar bem alto.

Ser poço e viver. Amar sua vida e não querer abafá-la. Amar sua vida e não querer morrer "entupido" de coisas que lhe sufocam e não lhe deixam encontrar a razão de viver. Gritar que viver é sua vida.

Gritar que a vida vem da Montanha. Oh! Grita à Montanha e Manancial da sua vida!

Graça a pedir - Senhor, que eu mergulhe na profundidade do meu interior.

Proposta de oração diária e a palavra de Deus - Ezequial 47, 1-12.

Revisão da oração - A que fontes você se tem dirigido?

 

Você, naquele entardecer da criação, ouviu, sentiu passos no jardim. Era ele, o Senhor da Criação. Aconteceu que, neste entardecer, ele parou, se inclinou, com um olhar carregado de amor. E, de repente, lhe juntou ao chão, a você, pobre e pequeno punhado de terra, e ficou lhe olhando pensativo. Remexeu-lhe longamente, longamente e carinhosamente. E então, começou a amassá-lo: primeiro retirou de você uma porção de impurezas que o atrapalhavam: pedrinhas. Pedacinhos de madeira. Coisas secas.

E você foi ficando terra pura. Do seu gosto. Fez ainda outras operações que você não compreendia e nem deveria compreender: "Pode, por acaso, um vaso dizer ao oleiro: eu entendo disso mais do que você!" (Is 29,16) .

Você nada perguntava. Oferecia simplesmente o seu ser em disponibilidade de amor. Deixava-se fazer. Deixava que Ele lhe fizesse. Deixava-se modelar. Deixava-se trabalhar. Deixava-se conduzir pelo Oleiro, sem saber o que Ele faria de você.

Não era a argila que ia decidir sobre a forma, tamanho, modelo do vaso. Porque você sabia que era obra sua que Ele transformava com amor. Tudo dependia da iniciativa e criatividade do Oleiro.

Pouco a pouco foi tomando forma. Uma forma e um contorno segundo o seu desejo, à maneira sua, à sua imagem!

O Oleiro trabalha com as mãos; por isso dá um "toque" especial em cada obra que faz. Havia um trato especial, um cuidado carinhoso. Você foi tomando forma. Foi se tornando obra de Deus, brotando da sua inteligência e da sua habilidade. "E Ele aplicava seu coração em aperfeiçoá-lo, pondo cuidado vigilante em torná-lo belo e perfeito" (Eclo 38,31)

Depois, veio uma etapa difícil, porque foi um forno superaquecido que deu ao barro forma e consistência. Toda obra criada a partir da argila passa pelo crivo do fogo; isto lhe dá maior consistência, durabilidade.

É o calor e o valor de sua vida que leva a bom termo a obra de suas mãos, o seu sonho criador. A cada vaso muito querido, Ele dava contornos diferentes e de eternidade. Se uma obra não correspondia ao gosto e querer do Oleiro, ela era desfeita e refeita. Até atingir aquilo que o Oleiro sonhava. Então, você começou a olhar em torno de si, e descobria outros vasos que suas mãos hábeis e cheias de amor haviam amassado e modelado. Riqueza de diversidades, formas, tamanhos e características.

Sem cansar-se, Ele havia até mesmo refeito aquele que não tinha saído bem. Cada um tinha sua forma e sua cor, sem dúvida, conforme sua destinação no mundo.

Não importava o tamanho, o modelo, a matéria-prima utilizada. Todos eram criados para. Todos tinham utilidade. Mas, do mais humilde ao mais rico, todos eram lindos, todos bem feitos. Ele os tinha feito como Ele os queria. O Oleiro contemplava satisfeito cada obra saída de suas mãos; percebia que cada uma é expressão de expectativas, sonhos, projetos. Do seu Criador.

 "Pode, porventura, um vaso perguntar ao oleiro: por que me fizeste assim? Não tem o oleiro, poder sobre o barro para fazer da mesma argila, um vaso de uso nobre e outro de uso vulgar?" (Rm 9,20-21).

 Ó Oleiro Divino, Criador e Pai, permite que se cumpra em mim a obra que começaste. Seja meu projeto o teu projeto para mim!

Graça a pedir - Senhor, concede-me ser argila dócil em suas mãos.

Proposta de oração diária através da palavra de Deus - Jeremias 18,1-10.

Revisão da oração - Quais os seus sinais digitais divinos (as "marcas" de Deus em você)?

 

A cada dia que passa, tenho descoberto, com a ajuda dos exercícios espirituais de Santo Inácio, que tenho realizado nestes últimos quatro anos, que Deus Pai nos elegeu e nos predestinou desde a origem da Criação, à identificação com seu Filho.

Nosso Deus não é um Deus distante, senão Alguém que nos ama e se aproxima de nossa vida, em nosso mesmo ser de homens e mulheres, na comunhão com nosso ser pessoal. Ele chama a nossa liberdade a configurar-se com a imagem de seu Filho Jesus, vocação original de ser homem-mulher. O ser humano está “finalizado” em Cristo; n’Ele o ser humano recupera a imagem perdida de si mesmo.

Esse ser humano é alguém plenamente sujeito, dono de si mesmo e de seu destino, que, como criatura, se define por sua origem e por seu fim (vem de Deus e volta para Deus). Ele está acima de todas as coisas; tudo foi criado para ele; ele é o centro da criação.Ele é colocado com carinho por Deus neste movimento para a plenitude. Ele é criado para. Criação contínua e atual. Por isso ele é original, único, sagrado. Dotado de capacidades, riquezas, sonhos, projetos, que o levam a ultrapassar-se e fazer-se peregrino.

Todo ser humano traz dentro de si uma força que o arrasta para algo maior que ele, não se limita ao próprio mundo; tem um horizonte que o atrai; traz dentro de si uma aspiração profunda de ser pleno, sente a necessidade de “ser mais”, de crescer até atingir a Vida plena.

Ele carrega motivações profundas que o movem e que regem sua vida.

No uso de sua liberdade o ser humano tem a vida nas próprias mãos e é capaz de construir o “novo”, de dar uma direção à sua própria vida, de tomar decisões a partir da vivência de valores.

O ser humano “é criado” e “é criativo”, ou seja, participa do dinamismo criativo de Deus. Ao mesmo tempo em que ele é criatura de Deus, ele é também co-criador com Deus; está em suas mãos fazer seu próprio projeto de vida, criar e transformar as estruturas de relação com a natureza e com os outros homens. Deus descansa de sua atividade criadora, apoiando-se nas mãos, na inteligência e no coração do homem, a quem seu Criador considera capaz de continuar a obra por Ele começada.

 O ser humano contempla aquilo que o mundo estende à sua frente e, lá de dentro, a voz do amor e dos valores lhe diz que a realidade pode ser modificada.

 Aí entra a imaginação e começa a explorar possibilidades ausentes. Re-cria o mundo: jardins, artes, canções, danças, ferramentas e ciência. Como se fosse aranha, o ser humano produz o seu mundo a partir de suas próprias entranhas.

Ao se sentir parte do grande movimento da Criação, brota no coração do ser humano um desejo de louvar, reverenciar e servir.

O louvor é a resposta da pessoa que brota espontânea ao sentir-se inundada pela glória de Deus; é uma reação que brota das entranhas em resposta à presença ativa e amorosa de Deus na Criação. Louvar é ponderar a grandeza, a beleza e a majestade de Deus. É através do louvor que o ser humano deixa ressoar em sua vida a obra de Deus. Louvor é harmonia da pessoa com Deus e suas obras; é sintonia profunda com a glória transbordante de Deus. Viver em louvor é viver em acorde, e em ressonância com Deus e seu Reino.

A reverência é atitude de apreço, cordialidade, respeito, agradecimento. É acolher e apreender o valor de cada coisa; reconhecer-se criatura diante do Criador.

O serviço é atitude de colaboração, trabalhando com Deus na mesma direção. Não se contentar com um serviço qualquer, mas o maior serviço de Deus. O serviço não é mais que o amor criativo; amar é servir, trabalhar.  Amor que se converte em serviço e serviço que se faz com amor.

O trabalho é a colaboração da pessoa ao Deus trabalhador: trabalhar com a mesma intenção de Deus; trabalhar com Deus na mesma direção.

O lugar do “louvor, reverência e serviço” é o mundo; é no coração deste mundo que a pessoa é chamada a ocupar o seu “lugar”, a desempenhar a sua “missão”.

 

Caro amigo, siga os passos do roteiro do cap IV e contemple: Eclo. 17, 1-15, e reflita sobre os seguintes pontos:

* Quais são as motivações que movem e regem a sua vida?

* Que critérios, valores, aspirações acompanham suas decisões?

* Que uso faz e como você coloca a serviço suas qualidades pessoais, seus talentos?

* Que sonhos dão sustentação e sabor à sua vida?

 

VI-QUAL É O PLANO DE DEUS PARA NÓS?

Você, eu, caro amigo/a leitor, como todo ser humano, é dotado de uma inteligência com a qual pensa, reflete, planeja; você é dotado de uma vontade com a qual quer ou não quer executar o que sua inteligência lhe propõe, com ela você age ou cruza os braços. Porque tem uma inteligência e uma vontade você é livre para fazer isso ou aquilo, para orientar sua vida numa direção ou noutra, para abraçar esses ou aqueles valores. Além disso, você é dotado de uma sensibilidade que o faz vibrar com as coisas, os acontecimentos, as pessoas ou detestá-las: sentimentos de alegria ou de tristeza, de paz ou de angústia, de ódio ou de amor, de ânimo ou desânimo. Com tudo isso você é um ser criativo, é capaz de criar uma realidade nova. Todo aquele que cria alguma coisa, a cria para um fim: cria-se uma casa para morar nela. Aquele que cria, ao realizar o projeto, deseja que a execução do projeto corresponda exatamente ao que ele imaginou.

Você ficaria aborrecido se o pedreiro alterasse a fachada da sua casa, mudasse a distribuição interna dos cômodos, colocando o quarto onde você pensou colocar a sala e vice-versa. Você diria: não foi assim que concebi a minha casa. E fico imaginando sua reação em face daquele pedreiro.

Todo ser humano, inteligente e livre tem três relações fundamentais: uma relação com Deus, uma relação com o próximo e uma relação com o mundo Na nossa fé afirmamos que Deus tem uma inteligência e uma vontade e é soberanamente livre. Afirmamos também que Deus criou o mundo e o homem. Com sua inteligência concebeu um belo projeto de criação e com sua vontade o executou. Você já pensou alguma vez nesse projeto de Deus para o homem no mundo? Como o concebeu? Como o sonhou? O que ele queria para o homem ao criá-lo? Como Deus no seu projeto concebeu as três relações do homem?

A Bíblia que é a Revelação de Deus nos responde o seguinte: em relação a Deus o homem é chamado a ser filho que vive na sua amizade e intimidade, aceitando sua condição de criatura e suas limitações, obedecendo filialmente Àquele que é a Fonte de sua existência e o faz existir, mas uma obediência sem temor, sem medo, respondendo ao amor de seu Pai.

Em relação aos outros o homem é chamado a ser irmão, a relacionar-se com seu próximo no amor, uma vez que todos são filhos de Deus, amados por Ele. Não deveria haver dominação de uns sobre os outros, nem opressão, nem injustiças, nem ódio entre os filhos de Deus. Em relação ao mundo o homem é chamado a ser senhor. Deveria submeter o mundo com seu trabalho, deveria ser o representante de Deus no mundo de sorte que Deus continuasse através do homem, agindo e criando.

Ser imagem e semelhança de Deus exprime também essa vocação ao senhorio, a ser livre diante de todas as criaturas. O homem é chamado a viver essa tríplice dimensão do filho, irmão e senhor, pelo simples fato de ser criatura e de ser homem. Respondendo a essa tríplice vocação o homem se realizaria plenamente, seria feliz. O projeto de Deus para nós é muito belo! Se vivêssemos dessa maneira!

Todos temos, em nossa vida, um absoluto, referencial de tudo o que somos e fazemos. Evidente que é Deus, diríamos. Importa, entretanto, ter claro qual Deus e se é realmente o Absoluto de sua existência. Temos em nós uma ou várias imagens de Deus. Estas, porém, podem ser falsas ou verdadeiras. Precisamos nos purificar dos falsos conceitos de Deus, purificando-nos também dos falsos deuses, abrindo-nos para o autêntico mistério de Deus revelado em Jesus Cristo.

Temos falsas imagens de deus, o grande ausente: um velho de barbas brancas, nas nuvens, e que não se interessa pelo mundo. O “vingador”: cheio de defeitos, como você, e do qual você tem medo ("o que fiz para merecer isto?"), pois nos fará pagar por todos os nossos erros. O “mesquinho”: que não se alegra com nossa felicidade. O opressor: que me submete a leis e normas das quais não consigo libertar-me. O “pára-raios”: do qual só me lembro quando algo não vai bem. O “vitamina”: que nos fornece um suplemente de força para passar através de dificuldades momentâneas. A “máquina automática”: sempre lá, pronta a socorrer minhas necessidades urgentes. Basta apertar um botão!

O Deus de Jesus, entretanto, revela-se como: Deus que toma a misteriosa iniciativa de vir ao nosso encontro. Deus que se comunica aos homens através de Jesus Cristo. O Mistério Incognoscível, em certo momento, toma a iniciativa em relação a nós e se aproxima para interpelar-nos. Deus do Evangelho, da “Boa-Nova”, do Reino, que faz nova todas as coisas. É aquele que vem trazendo a boa notícia da mudança radical da situação pessoal e social.

Deus a quem Jesus reza, aquele com quem está em íntima e misteriosa união. Deus que apresenta aos homens a boa notícia do perdão, que ama os pecadores, que vai atrás dos seus filhos dispersos, os respeita até no seu erro. Deus que é o único verdadeiramente bom. Deus que merece absoluta fé e confiança. Deus criador de toda a realidade.

Deus onipotente que nos guia por caminhos misteriosos, como o fez com Cristo. Deus não obrigado a fazer aquilo que esperamos que faça. Deus vivo, a quem um filho pode falar. Deus acolhedor de todos, sem exceção. Deus preocupado com seus filhos. Deus a serviço dos outros. Deus presente na nossa vida cotidiana. Deus que escolhe os pobres, humildes e fracos Deus que se dá gratuitamente a todos.

Caro amigo, siga os passos do roteiro do cap IV e contemple: Lc 12, 22-34.

Graça a pedir - Senhor, que eu coloque o meu coração em Ti.

Revisão Da Oração - De que falsas imagens de Deus você precisa ser libertado?

 

Neste momento é importante você perguntar: Quem sou eu para Deus-Pai, meu Criador?

“Receberás um novo nome, determinado pela boca do Senhor” (Is. 62,2)

1. Preparar o coração:

    * Método: Relaxa e concentra-te dentro de ti mesmo, a partir do que estiveres sentido ou experimentando neste preciso momento.

    * Presença de Deus: Coloca-te diante de Deus que está presente fora e dentro de ti mesmo. Reconhece-O como Soberano e Senhor. Adora-o.

    * Petição: Peça a Deus que te revele a tua identidade e teu nome autêntico, aquele que Ele pronunciou no momento de te criar, para que conhecendo quem tu és, possas também saber como deves agir. O teu agir deve decorrer do teu ser.

2. Oração

    A) Faça uma contagem regressiva até a Criação do mundo. Escute a voz de Deus criando todas as coisas. “E Deus viu que tudo era bom”.

    B) Escute a Voz de Deus ao criar o primeiro homem e a primeira mulher (Gn. 1,26). Trate de ver e contemplar o fato, escutar a voz de Deus.

    C) Faça a contagem regressiva de tua criação e torne a escutar a mesma Voz de Deus-Pai, Criador do mundo: “Façamos o homem (este homem, esta mulher,  .....................) à nossa imagem e semelhança” (escreve o teu nome).

    D) Retorne ao preciso momento em que Deus-Pai te criou e escute, neste momento, o nome que Ele pronunciou sobre ti. Como te chamou neste momento?  Faça uma leitura orante de Is. 62,1-5

    E) Acompanhe a contagem progressiva de tua vida desde as entranhas de tua mãe. Procura sentir “quem és tu” para Deus Pai que te criou.

- Quem sou eu para que Deus se preocupe comigo?

- Sou um ser de muito valor diante de Deus.

- Como eu me valorizo? O que eu penso de mim?

    F) Agora, sabendo o que Deus-Pai pensa de ti, poderias descobrir o teu nome? A tua identidade? Quais os teus “sinais digitais divinos?”

    G) Que resposta darias de ti mesmo, agora, se um repórter te entrevistasse e te perguntasse: “Quem és tu?”

H) Medite Jo 1, 19-23 e trata de dar-te um nome que te identifique, como fez João Batista.

I)  O que colocarias na tua carteira de identidade que te diferenciasse de todas as outras pessoas? Quais seriam os teus sinais digitais mais originais?

J) Termine esta oração falando com o Deus que está dentro de ti e te conhece intimamente.

    K) Avalia a oração: como foi? Bem? Mal? Por que?

    Anotar as idéias, moções, sentimentos novos.

 

VII-COMO DISCERNIR OS NOSSOS SENTIMENTOS NO CAMINHO PARA A ETERNIDADE?

Caro amigo leitor/a todos nós temos experiências de pensamentos, desejos e estados de ânimo diversos: momentos de entusiasmo, alegria, abertura aos outros, desejos de ajudar, como também momentos de medo, desânimo e fechamento sobre nós mesmos.

Poderíamos dizer que se dá em nós um movimento ou força que nos aproxima de Deus e dos outros, levando-nos a amar mais, e em outras ocasiões um movimento que nos impulsiona a amar menos, afastando-nos de Deus e dos outros, são as chamadas moções ou movimentos que se causam em nossa interioridade:

    * uma que poderíamos chamar de “vitalidade espiritual”, ou momento de “luz”: consolação;

    * outra moção que poderíamos chamar de desânimo espiritual, ou momento de sombra: desolação.

Discernir significa “conhecer” as emoções, os sentimentos que acontecem em cada um de nós. Por isso devemos nos conhecer, termos um conhecimento amplo de nós mesmos. O confronto com a Palavra de Deus na oração deve ajudar nessa tarefa, “porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4,12-13). “Temos este tesouro em vasos de barro.” (2Cor 4,7)  

            Essa Palavra atinge o coração, a fonte. Quando atinge o coração, algo acontece. Diante desta Palavra o nosso coração reage. Vêm as reações ou movimentos interiores. Ninguém fica neutro a estas moções. Elas podem ser: paz, perturbação, tristeza, ânimo, secura, inspiração, luz, medo, insegurança, confusão, atração por Deus. Tudo isso são moções.

            Santo Inácio divide as moções em boas e más. Chama de consolação às moções boas, que nos conduzem para Deus. Chama de desolação às moções más, que nos afastam de Deus.

            Deus se manifesta nas moções, como pequenos toques. Se há moções sempre presentes, aí há algo de Deus. As moções são a linguagem do coração. Devemos ir atrás das moções persistentes. As outras, que vem e vão, devemos desprezá-las.

            Tanto a consolação como a desolação nasce do coração e repercutem nos outros níveis da pessoa: afetivo, mental, corporal. A consolação é movimento de expansão para fora, vem de dentro e se alarga. Uma pessoa consolada sente sua afetividade tranqüila, sem feridas, as idéias em ordem, a cabeça leve, o corpo leve e solto e tranqüilo, levando-nos a uma melhor relação com os outros.

            A Consolação é um estado de ânimo forte, intenso, além do normal, perceptível. A pessoa percebe sem saber o porquê. Não é algo rápido, mas é algo que tem duração. No entanto, não se pode reter. Do mesmo modo que aparece pode ir embora. Não temos domínio sobre a consolação, não conseguimos repeti-la. Cada consolação é única, porque é graça de Deus. Ele dá a quem quiser e quando quiser. Ela é dom, não é conquista pessoal. Ela vem, entra e sai quando quer. Devemos pôr os meios para acolhê-la, buscá-la, mas não a provocamos. Para cada pessoa a consolação é única e cada uma a capta de um modo diferente.

            Não se deve confundir a consolação com estados eufóricos. A consolação é interior, silenciosa, calma, centrada em Deus e nos outros. O estado eufórico é exterior, ruidoso, o centro é a pessoa voltada para si mesma. No entanto, pode se transformar o estado eufórico numa consolação, levando-o da exterioridade para a interioridade, na oração, no confronto com a Palavra de Deus. Apesar dos conceitos serem pobres e frágeis para definir a consolação, podemos citar algumas de suas características:

Claridade: luz e certeza no que creio, no sentido de minha vida e do mundo. Vejo as pessoas, os acontecimentos e as coisas de maneira transfigurada. Vejo em todos um reflexo de Deus. Vejo claro o que Deus está me pedindo.

Alegria: sinto um grande ânimo por aquilo que realizo, um entusiasmo profundo invade todo meu ser. Sinto a alegria de estar com o Senhor.

Paz: experimento uma paz ativa e profunda que me faz sentir seguro, sereno, vivendo sem ansiedade e sem medo.

Contentamento do coração: sei que Deus me quer e o sinto próximo. Encontro-me bem com Ele e comigo mesmo.

Amando tudo em Deus: produz-se em mim um movimento de amor a Deus tão grande que já não me apego a coisa alguma em si mesma, senão que amo todas elas n’Ele. Minha liberdade cresce e me sinto atraído a viver segundo o Evangelho.

Confiança e esperança: minha fé se fortifica, minhas dúvidas se dissipam e a esperança aumenta. Sinto a proximidade e ajuda de Deus que me afirma e me faz caminhar confiante n’Ele. Sinto-me como navegando com vento a favor.

Proximidade de Deus: sinto sua presença próxima, íntima e o gosto de estar com Ele. Reconheço seu rosto nas coisas que vou vivendo. Sinto que o meu coração se alarga no desejo de entrega aos outros. Sinto contentamento ao renunciar o egoísmo e ajudar o necessitado.

Aumento de fé, esperança e amor: vivo um dinamismo de crescimento na experiência de Deus. Movimento para o “mais”.

Em alguns casos, a consolação coexiste com um sofrimento físico ou também com sentimentos de tristeza, dor ou pena. Isto pode surpreender-nos, mas é a força do Espírito que nos anima. Não está em nossas mãos causar a consolação, senão que é uma Graça de Deus e pode surgir a qualquer momento.

Quando certas consolações são “constantes” ao longo de uma caminhada, e concordam com experiências semelhantes, anteriores, então as consolações tornam-se indicação ou confirmação importante para conhecer a Vontade de Deus sobre cada um de nós. Se na sua oração ou na sua vida (comportamento, modo de ser, etc), você experimenta consolações ao se orientar para uma certa vocação específica, pode ter a certeza de que essas moções se foram constantes, indicam a voz do Senhor que chama. Sentir em si, profunda e constantemente, a consolação ao escolher algo para o serviço do Senhor, da Igreja e do Mundo por causa do Evangelho, pode ser considerado como um convite que Deus faz.                         

Não esquecer do roteiro de oração do cap IV, sua oração deve iniciar sempre com essa oração preparatória: “Senhor Deus, que todos os meus pensamentos, minhas atitudes, meus desejos e minha afetividade sejam puramente ordenados para o Teu maior serviço e dos irmãos”. Ela o ajudará a pôr-se diante de Deus.

Sempre pedir a graça, peça agora: dê-me, Senhor, o dom do discernimento!

Medite Os 11,1-9 e sinta o que mais lhe impressionou na oração?

 

Vimos como as moções são todo movimento interior, impulso, atração da “alma” que aparecem, sobretudo na oração, mas também a partir da vida, dos acontecimentos e de situações eclesiais e sociais. Como experiências espirituais concretas, podem preceder ou acompanhar uma escolha, uma decisão e também decorrer dela como confirmação.

Chamamos às moções boas de consolação e às moções más de desolação. Ninguém é culpado por ter más moções. Como as boas moções, as más moções também surgem sem esperar, acontecem. São reações interiores diante da Palavra de Deus. Costumamos achar que se nos sentimos mal na oração é porque não rezamos, o que não é verdade! Você rezou sim! Isso só indica que está havendo moções interiores. Santo Inácio dizia que se não há nenhum movimento na oração, algo está errado. A desolação também é fruto da oração. Se não se sente nada enquanto se reza, deve-se verificar se está rezando de modo conveniente.

Na consolação, aprendemos muito sobre Deus. Na desolação aprendemos muito sobre nós.

A desolação nos abre para o específico nosso, que é “esperar” tudo do Senhor; nos abre para o específico de Deus, que é a iniciativa livre, soberana e gratuita.

Em si mesma, a desolação é positiva, pois nos ajuda a amadurecer na fé e na fidelidade. Só aquele que é posto à prova em sua fé e em suas convicções, se forma e se fortifica. “O Senhor corrige ao que ama como um pai corrige ao filho querido” (Prov. 3,12). A provação nos ajuda a passar do dom à pessoa que dá. Seria uma autêntica purificação que nos leva ao centro da experiência cristã: relação inter pessoal numa fé madura.

Todos nós temos a tendência a procurar mais o consolo de Deus que o deus que nos consola.

A provação é um modo de educar a pessoa a “buscar a Deus” por Ele mesmo e não por interesse próprio. Deus quer que o amemos muito mais do que estamos amando. Trata-se de amadurecer e purificar nossa adesão a Deus. A desolação espiritual nos mostra até onde somos capazes de chegar no amor e serviço a Deus quando nos vemos privados da consolação; nos obriga a dar provas de uma fé pura e de um amor desinteressado; nos faz ver que a consolação não está em nossas mãos; os períodos amargos nos fazem compreender, por experiência, que tais períodos vivificantes são momentos de Graça; nos ajudam a descobrir mais profundamente o mistério do qual vivemos.

Alguns traços que nos permitem identificar melhor ainda a desolação:

Obscuridade: minha fé se obscurece; também caem minhas certezas. Não me é clara minha vocação nem o sentido de minha vida. Sinto obscuridade e dúvida diante das decisões que devo tomar; já não sei por onde avançar.

Tristeza: desgosto por tudo; falta de entusiasmo, abatimento e um mal humor. Este estado invade todo meu ser, me oprime e impossibilita uma comunicação simples e verdadeira com os outros.

Inquietude: invade-me certo desassossego que tira minha paz. Sinto-me com medo, tentado, com escrúpulos, inseguro e ansioso.

Secura de coração: falta de entusiasmo e gosto na oração, apostolado e todo serviço. Sinto uma espécie de vazio e de desgosto comigo mesmo. Sou terra árida.

Atração pelas coisas mundanas: vida fácil, sem compromisso. Busca de seguranças humanas, aburguesamento. Apego às coisas por elas mesmas sem capacidade de renúncia pelo bem do outro ou por um bem maior.

Perda de confiança e esperança: vejo tudo escuro. Os obstáculos se me apresentam juntos fazendo me sentir tudo como impossível, sem saída. Dá vontade de largar, de deixar tudo.

Distancia de Deus: não sinto sua presença e me custa crer nela. Sinto as coisas de Deus como inconsistentes, voláteis, inúteis, que nada tem a ver com minha vida concreta.

Diminuição de fé, esperança e amor: toda a minha vitalidade espiritual diminui, tanto a fé como a esperança e o amor a Deus e aos outros. Dá-se em mim um movimento para o “menos”. Ao descobrir e reconhecer a desolação em mim, o importante é ver o que faço. É possível que não me seja fácil mudá-la, mas sempre posso optar por seguí-la ou não, alimentá-la ou não.

Não se deve confundir a desolação com a depressão. A desolação tem origem numa situação interna, se dá na oração, no confronto com a Palavra de Deus, refere-se ao sentido da vida, aponta para frente, para o novo, para o desafio. A depressão é provocada por uma situação externa, por alguém ou por uma frustração, uma derrota, minando as forças da pessoa, isolando-a, desanimando-a. A desolação está no nível da fé, a depressão está no nível afetivo. A desolação faz referência ao futuro, a depressão faz referência ao passado. A desolação pode se aproveitar de uma depressão, somar-se a um estado afetivo frágil.

Quando certas desolações são constantes ao longo de uma caminhada, podem indicar resistências e conflitos diante de um possível convite ou chamado de Deus.  Se a pessoa está buscando sinceramente o Senhor e a vocação pessoal e sente confusão interior, inquietação e tristeza, apesar da busca sincera, significa que algo não está bem com respeito à escolha. Com efeito, a doação a Deus e aos irmãos sempre deixa a pessoa intimamente satisfeita, apesar do sacrifício que exige. Caro amigo/a Deus nos ensina através da desolação. Ela pode ser lição do Senhor!

Peça a Graça - Dai-me, Senhor, o dom do discernimento!

Medite a palavra de Deus em Rm 7, 14-25.

 

Bem, temos meditado que discernimento espiritual é distinguir e conhecer o que Deus nos pede no dia-a-dia de nossa vida. Em cada um de nós estão presentes duas forças, a força de Deus e a força do mal, ou, o “bom espírito” e o “mau espírito”. O bom espírito nos leva para junto de Deus, o mau espírito nos quer afastar de Deus. É importante prestarmos a atenção e aplicarmos algumas regras para o nosso discernimento diário, quais sejam:

1. Numa pessoa que está numa vida de pecado, contra Deus:

 O bom espírito: tentará tirá-la daí, questionando-a e fazendo-a sentir-se vazia e com remorso.

 O mau espírito: procurará animá-la para que se afunde ainda mais no pecado: “Vá em frente!”

2. Numa pessoa que está buscando crescer na descoberta de Deus e na vivência do amor:

 O bom espírito: vai fortalecê-la dando-lhe paz e alegria verdadeiras, removendo todos os impedimentos para que a pessoa continue nos caminhos de Deus.

 O mau espírito: vai tentar tirá-la daí colocando-lhe dúvidas, confusão, oposição, desânimo.

3. Quando estamos desolados, devemos prosseguir no caminho que seguíamos antes de cair em desolação. Nunca tomar decisões quanto estiver desolado.

4. Na desolação, não se deixe dominar, mas lutar contra:

    - ser insistente na oração, mesmo que ela seja difícil!

    - examinar mais a consciência para perceber o que levou à desolação.

    - intensificar a caridade, sacrificar-se mais pelos outros.

5. Quem estiver desolado, lembre-se de que Deus permite um tempo de provação para purificar o amor. Mantenha viva a fé mesmo não sentindo a presença de Deus.

6. Quem estiver desolado, seja paciente. Saiba aguardar o momento de sair desta situação. Ela não vai durar para sempre.

7. As causas da desolação são três, sendo uma de nossa parte e duas da parte de Deus:

Debilidade, preguiça ou negligência no nosso relacionamento com Deus.

Faz-nos notar que devemos buscar a Deus porque é bom, e não apenas pelos efeitos consoladores da sua presença. Temos tendência a buscar mais a consolação do que o Deus da consolação (o que poderia ser, no fundo, busca de nós mesmos!).

Faz-nos compreender que a consolação não depende de nós. É um dom que Ele nos concede por pura bondade e amor, gratuitamente.

8. Quem estiver consolado, prepare-se para enfrentar a desolação que possivelmente virá.

9. Quem estiver consolado seja humilde, reconhecendo sua pequenez e a grandeza de Deus. Quem estiver desolado seja forte, acreditando que Deus não nos abandonou!

10. Nunca se deixar abater pelas oposições, obstáculos, mas enfrentá-los com força e coragem.

11. Desmascarar as tentações e oposições externas ou internas comunicando-as a alguma pessoa mais experiente nos caminhos de Deus. O “segredo” nos enrola mais e mais em nós mesmos e nos impede de atingir a libertação do mal.

12. Conhecer-se a si mesmo, principalmente tendo bastante clareza dos pontos mais fortes e dos pontos mais fracos. Nossos pontos fracos serão sempre uma ameaça ao nosso crescimento para Deus. Portanto, ser prudente em não se expor a situações que incidem sobre os pontos fracos.

13. Para perceber as moções e discerni-las, é necessário revisar sua oração:

- Sentir - cair na conta de que alguma coisa passou dentro de você. Ex: distrações, recordações, imagens, sentimentos, frases, desejos, decisões, etc.

- Conhecer - perceber para onde lhe levam as moções - para Deus ou contra Ele?

- Agir - acolher as boas moções e purificar ou repelir as más moções.

 

Você sempre deve fazer em sua oração um “colóquio” com Deus: um diálogo muito aberto e livre, espontâneo e familiar, carregado de um imenso respeito, falando com Ele como um amigo fala com outro.

O colóquio é o ponto culminante da oração. Exprime a presença total do homem diante de Deus, a resposta à sua Palavra, o meio mais profundo de identificação com o Senhor.

O colóquio pode ser atingido a qualquer momento da sua oração, não somente no fim. Pode mesmo prolongar-se durante todo o decurso da oração. Como a iniciativa é sempre do Senhor, há que deixar-se primeiro invadir pela sua Palavra, ouvir, “sentir internamente a presença e depois falar”. O colóquio brota da contemplação e meditação da Palavra de Deus e da ação do mesmo Deus no seu coração.

Peça como Graça: Dai-me, Senhor, um coração que discerne!

Medite em - Mt 4, 1-11

Revisão Da Oração - Quais foram os apelos de Deus na sua oração?

 

VIII-O PECADO COMO REALIDADE QUE NOS DESVIA DO CAMINHO PARA DEUS

“É do coração que provêm os maus pensamentos. Eis o que mancha o homem: aquilo que sai do seu coração.” (Mt 15,11.19s)

O mal não se encontra fora do homem, mas no seu coração! O mal desvia todo o criado do seu caminho para Deus. O pecado é uma desordem, uma ingratidão que invadiu não só o seu coração, mas o mundo todo. Você deve perceber a ausência de Deus na sua vida de pecado.

Perceber o pecado em nossas vidas é dom de Deus. Um dos efeitos do pecado está justamente em cegar-nos para perceber sua ação e presença.

O pecado é uma ofensa a Deus, a nós mesmos e aos outros homens. A Deus, enquanto rejeitamos sua Palavra e seu amor; a nós mesmos, enquanto fracassamos em nossa realização ou ameaçamos nossa existência de infelicidade; aos outros, enquanto nossas más ações destroem as relações fraternas e nossas omissões e maus exemplos privam os outros de bens que lhes poderíamos proporcionar. O pecado é um império do desamor e o germe de todos os males. Sua gravidade somente se pode medir contemplando um crucifixo: o pecado mata o Filho de Deus e os filhos de Deus e muda esta terra em um inferno.

Medite o texto a seguir que, francamente, não sei o autor: “Ao final o homem destruiu seu mundo que se chamava terra. A terra havia sido linda até que o espírito do homem se moveu sobre a sua face e destruiu todas as coisas. E disse o homem: - Que haja trevas. E ao homem pareceram boas as trevas, e deu a elas o nome de Segurança; e dividiu a si mesmo em raças e religiões e classes sociais. E não havia nenhum entardecer e nenhum amanhecer no sétimo dia antes do final. E disse o homem: - Que haja um governo forte para reinar sobre as nossas trevas. Que haja exércitos para matarem-se mutuamente com ordem e eficiência em nossas trevas; cacemos para destruí-los àqueles que nos dizem a verdade, aqui e até os confins da terra, porque gostamos de nossas trevas. E não havia nenhum entardecer e nenhum amanhecer no sexto dia antes do final. E disse o homem: - Que haja foguetes e bombas para matar mais rápido e facilmente.    E houve câmaras de gás e fornos para terminar melhor o trabalho. E era o quinto dia antes do final. E disse o homem: - Que haja drogas e outras maneiras de fuga, já que há uma leve e constante moléstia - a Realidade - que estorva nossa comodidade. E era o quarto dia antes do final! E disse o homem: Que haja divisões entre as nações para que possamos saber quem é o nosso inimigo. E era o terceiro dia antes do final. E por fim disse o homem: - Façamos Deus à nossa imagem e semelhança de modo que nenhum outro deus nos faça concorrência. Proclamemos que Deus pensa assim como nós pensamos e que odeia assim como nós odiamos, e que mata assim como nós matamos. E era o segundo dia antes do final. No último dia houve um grande estrondo sobre a face da terra: o fogo queimou o lindo globo terrestre, e houve silêncio. E viu o Senhor Deus tudo o que havia feito o homem. E no silêncio que envolvia os restos fumegantes, Deus chorou.”

Caro amigo, vivemos num mundo que progride, que evolui. Percebemos uma força que impulsiona tudo à plenitude; há um dinamismo presente na Criação. Tudo vem de Deus e tudo volta para Deus; toda a realidade está envolvida pelo Amor criativo e dinâmico de Deus. No centro desse movimento está o ser humano, chamado à vida, à comunhão e a realizar um projeto que é o sonho de Deus.

No entanto, no ritmo de nossa vida, percebemos também que há uma outra força contrária presente no nosso próprio interior e na realidade que nos cerca.

Existe junto à História da Salvação, um movimento contrário a ela; estamos mergulhados numa história de infidelidades; o Projeto de Deus encontra obstáculos históricos e resistências pessoais; há um freio estrutural e pessoal que impede a realização do plano de Deus; é a força do MAL que destrói o Projeto de Deus e ameaça nossa existência de fracasso, destruição e morte.

Qual é a raiz dessa situação? O ser humano é criado livre e pelo mau uso da liberdade, recusa ser colaborador de Deus na Criação. Rebela-se contra Deus para construir um mundo sem Deus e constitui-se a si mesmo como senhor absoluto de sua existência; não se reconhece como dependente de Deus. Através da liberdade o ser humano organiza seu próprio projeto sem levar em contra o “sonho” de Deus; Ele quer construir sua vida a partir dos próprios critérios; sua resposta ao Projeto do Deus-Amor foi a infidelidade; “deu as costas para Deus”, criando em torno de si um círculo de morte e destruição. Ao voltar as costas para Deus, o projeto do ser humano funda-se sobre o egoísmo, poder, status e riqueza. Isso significa o fracasso de seus anseios mais profundos de felicidade.

Neste mundo onde borbulha vida, impera ídolos que oprimem e tudo contaminam com o veneno da morte: economia, trabalho, organização política, instituições e relações sociais. Vivemos num ambiente contaminado que nos afeta e nos infecta. Somos bombardeados pelos falsos valores; sentimo-nos impotentes diante dessa realidade.

Puebla descreve o “mundo da exclusão”, conseqüência de um “mundo sem Deus”:

Esta situação de extrema pobreza generalizada adquire na vida real feições concretíssimas, nas quais deveríamos reconhecer as feições sofredoras de Cristo, o Senhor, que nos questiona e interpela:

 Feições de crianças golpeadas pela pobreza ainda antes de nascer.

 Feições de jovens desorientados por não encontrarem seu lugar na sociedade.

 Feições de indígenas e de afros que vivem segregados e em situações desumanas.

 Feições de camponeses que vivem sem terra, em situação de dependência.

 Feições de operários mal remunerados e que tem dificuldades de se organizar e defender os próprios direitos.

 Feições de subempregados e desempregados, despedidos pelas duras exigências das crises econômicas.

 Feições de marginalizados e amontoados das nossas cidades.

 Feições de anciãos, postos à margem da sociedade, que prescinde das pessoas que não produzem.

Compartilhamos com nosso povo de outras angústias que brotam da falta de respeito à sua dignidade de ser humano, “imagem e semelhança” do Criador e a seus direitos inalienáveis de filhos de Deus”.

Passos para a oração

Comece a oração relacionando-se bem consigo mesmo: escuta atenta, próxima, aceitação pessoal.

Alimente um sentimento de presença, ou seja, resposta de sua pessoa à ação do Senhor.

Peça uma graça: “Que o Espírito de Deus me ajude a  “olhar” o mundo com os “olhos” de Deus.

Texto bíblico: Is. 59,1-15

Diante de Deus, deixe seu coração responder: Como você se coloca diante deste mundo: inconformado? Revoltado? Acomodado? Indiferente? Otimista? Ativo?.

Examinando a sociedade, sentindo de perto os seus problemas e desafios, quê esperanças você carrega? Somos chamados a criar uma sociedade digna da liberdade humana, a partir das condições econômicas, políticas, sociais e culturais. Como você atua e se prepara para se comprometer com a transformação do mundo que o cerca?

Termine sua oração com o “colóquio da misericórdia”. Imagine Jesus Cristo pregado na cruz diante de você ou faça sua oração diante de um crucifixo! Converse com Jesus, perguntando como de Criador veio a fazer-se homem, da vida eterna veio abraçar a morte, morrendo por seus pecados. Olhando depois para você mesmo, pergunte-se o que já fez por Cristo, o que faz por Cristo e o que deve fazer por Cristo. E vendo-O assim, maltratado e pregado na cruz, deixe-se levar pelos sentimentos e afetos que lhe vierem.

Peça como Graça: Senhor, que eu me sinta confuso porque os meus pecados não me destroem como destroem tantas outras pessoas.

Medite em Gn 3,1-13

Revisão da oração - Por onde o mal é mais facilmente acolhido por você?

 

O sentido do pecado para o cristão faz referência a uma relação e não a uma lei. O pecado surge na Bíblia, em 1º lugar, como ruptura de uma aliança com o Senhor. O pecado não é, em 1º lugar, uma infração à Lei, nem uma falta contra nós mesmos, mas uma ruptura de Amor. A Bíblia põe em evidência a situação do pecador como sendo, radicalmente, uma situação de fechamento, de bloqueio e de ruptura de relacionamentos. É uma recusa a viver e amar.

O pecado é colocar um grande “NÃO” diante do grande sentido da Vida: não louvar: cegueira diante dos dons; frieza; incapacidade de agradecer, de maravilhar-se. Não reverenciar: partir para longe da presença de Deus; errante. Não servir:  auto-suficiência e soberba.

É a atitude pela qual nos fazemos o centro e só vemos as “coisas” em relação a nós; ao invés de dirigir o olhar para a plenitude, dirigimos para nós mesmos.

pecado é o ato da liberdade que se fecha a si mesma. O homem “organiza” a vida sem levar em conta o plano de Deus; dá as costas para Deus, criando um outro projeto fundado sobre o poder, riqueza e status.

É o egoísmo levado às últimas conseqüências: amor a si mesmo até o desprezo de Deus. O ser humano cria em torno de si um círculo de morte e destruição (fracasso). Estrutura de pecado. É a longa história humana feita de nossos desejos ambíguos, dos medos que nos retém, de buscas de nós mesmos, de instintos mal dirigidos.

Por isso, é necessário descer mais profundamente para descobrir o mal interno, ali onde se instala a divisão: no coração do ser humano.

O pecado é algo que está historiado, mas que se assenta, sobretudo no coração.

O fato de sermos pecadores cria em nós uma resistência para reconhecermos como tais; daí a dificuldade de rezarmos sobre o pecado.

Percebemos que há uma solidariedade no pecado: fazemos parte de uma história de infidelidades. Somos um elo. “Pecado dos Anjos”, “pecado de Adão e Eva”: através destas meditações, ir à raiz do pecado; e a raiz é o não reverenciar: soberba. “Liberdade”, “reverência”, “obediência”, “soberba”: nestes conceitos está em jogo todo o tema do pecado.

“Pedir o que quero e desejo” (dimensão do coração, centro da pessoa e sede das decisões vitais). É momento de pedir como Graça a “Vergonha”“a graça da vergonha” ou “vergonha enquanto graça” é a expressão desse contraste entre o Amor fiel de Deus e a minha infidelidade; “vergonha reconstrutora” do ser a partir de uma humildade radical e ao mesmo tempo confiada: suscita, desperta o desejo de mudança, diante da bondade de Deus; “vergonha” que não se limita a uma lamentação do passado, mas é impulso para o novo; é a “vergonha” ante o Amor inteiramente imerecido e no entanto incondicional;  quando descubro com assombro o Amor que se me dá e que não mereço; “vergonha” que brota emocionadamente empapada de confiança na fidelidade do Amor que se me dá, que me abre à Vida, e que me salva de todo tipo de angústia destrutiva ou traumatizante; a distancia entre o Deus fiel e a minha infidelidade considerada em si mesma nos paralisa; a partir de Deus nos impulsiona. Há diversos tipos de vergonha que não são graça: “vergonha negativa” que é rebaixadora da pessoa; “vergonha” por complexos, culpabilidade e retraimento.

Vergonha, em seu sentido saudável, conforma e forma o coração, dá fundamento à consciência moral, protege a intimidade e qualifica o amor aos outros. Por ocupar os espaços mais profundos de nosso ser, ela nos dá uma consciência de nossa pessoa.

Uma vergonha saudável que reforça o amor central é o fundamento para uma boa auto-estima.

Como tal ajuda a construir a própria imagem e a modificar positivamente o caráter, a estrutura mesma da personalidade.

Talvez, em alguns momentos, esta vergonha nos manifesta um sentimento de desaprovação para indicar-nos que o que fazemos nos faz menos respeitáveis do que desejaríamos. É a ocasião de mudar para melhorar certos aspectos de nossa vida.

O contrário é a “vergonha-humilhação” que nos faz sentir um conjunto de impressões afetivas que nos levam a prestar mais atenção no outro que nos observa e que nos provoca a sensação de incomodidade, de não estar bem por causa da impressão que nos parece que o outro tem de nós. Ela desemboca no desprezo de si mesmo.

Confusão”-  confusão segundo Deus; leva ao arrependimento; esta confusão revela confiança no perdão e desemboca numa ação de graças pela misericórdia de Deus; significa reconhecer-se ingrato diante de tantos dons recebidos, e é a mesma confusão do mendigo diante de uma esmola grande.

Vamos pedir como GRAÇA: Senhor, que eu sinta a profunda solidão que sofre uma pessoa que recusa o amor para sempre.

Meditar em  Lc 16, 19-31.

Revisão da oração - O que mais o escraviza: o orgulho? O sexo? o dinheiro? O comodismo? A gula? O ódio? A incapacidade de perdoar? A insensibilidade ao sofrimento alheio? A inveja? As drogas?.

Textos bíblicos para meditação do assunto: 1) Ap 12, 7-10; 2) Gen 3; 3) 2Sm 11 e 12; 4) Is 5; 5) Os 2; 6) Is 59, 1-15 e 7)  Tg 5, 1-6.

 

Meu caro amigo leitor/a nós cristãos parecemos viver um interminável sentimento de culpa diante de Deus, sempre se sentindo em dívida e conseqüentemente experimentando uma separação ou pelo menos uma distancia e frieza no relacionamento com Ele. O Pai de Jesus Cristo, revelado como infinita ternura, misericórdia, amor, proximidade para com os pecadores não é então percebido como PAI, mas como um juiz mal humorado, esquadrinhando nossa vida atrás de infidelidades, desobediências e fraquezas.

Em vez da intimidade, da proximidade e da alegria que Jesus manifesta no seu relacionamento com o Pai, nós sentimos medo de Deus e procuramos esconder-nos. As causas desses sentimentos e comportamentos dos cristãos podem ser procuradas em múltiplas direções:

no tipo de educação religiosa recebida, na psicologia pessoal mais ou menos propensa a sentimentos de culpa e de escrupulosidade, na experiência de se ter sido ou não amado com gratuidade, na experiência pessoal de Deus, nas múltiplas camadas teológicas e ideológicas que se foram superpondo, obscurecendo a experiência original do cristianismo e conseqüentemente a alegria cristã.

Vivemos a vida cristã com falta de paz e alegria. Por quê? O que nos atrapalha?

Talvez seja por causa da confusão que fazemos entre santidade e perfeição. Tendemos a identificar santidade com perfeição.

Qual o conceito que temos de perfeição? O conceito que temos de perfeição nos vem da infância: “Erramos, logo somos castigados! Acertamos, logo ganhamos uma bala!” Este conceito vai sendo agravado cada vez mais pela formação que recebemos, pelo nosso sentimento de culpa.

Passamos a entender perfeição como: não ter defeitos, não ter vícios, não ter fraquezas, não ter falhas. Quanto mais avançamos na vida, mais notamos nossas falhas. A tendência é desanimar. Aí convém desconfiar de nossa perfeição.

É mentira achar que se chegou à perfeição. A perfeição somos nós que fabricamos e a fabricamos para nós mesmos. A perfeição é prescindir de Deus. É pelo nosso esforço que chegamos lá. Daí, a perfeição não suporta o pecado. Ela é humilhada pelo pecado. O pecado é visto em relação ao próprio ideal, aí a pessoa se sente humilhada.

A perfeição é querer viver só com os melhores aspectos de nós mesmos. As fraquezas, os fragmentos obscuros de nós mesmos ficam trancados no porão de nossa existência, fermentando como uma chaga secreta. A tendência é a pessoa não chegar a amar ninguém, não se abrindo na sua pretensa perfeição. Essa perfeição é uma escada que deve ser subida, degrau por degrau, para apresentar-se diante de Deus com “direitos”. Aos poucos a pessoa começa a entrar em crise e escorregar de lá para baixo. Essa crise pode ser uma graça de Deus.

Em vez de optar pela perfeição, seria interessante optar pela santidade. Perfeição e pecado não se dão bem, como já vimos. Santidade e pecado não se excluem. Os santos são os primeiros a se reconhecerem grandes pecadores.

Perfeição é algo que está lá no fim, e tenho que chegar lá, para ser agradável a Deus. Isso dá idéia de um Deus longe, distante. Pelo contrário, a santidade é dada por Deus.

Santidade é a graça de transformar o Amor em atos. Fazer o bem às pessoas. Essa força não vem de nós, mas é dada por Deus. Santidade é capacidade de amar. Deus é Santo não porque é perfeito, mas porque é dom total. A santidade nos é dada agora.

Somos humilhados quando pensamos ser alguém. Somos humildes quando aceitamos ser pobre. Jesus nos propõe que desçamos às profundidades da humildade: “Quem se exalta será humilhado, quem se humilha será exaltado”. Abrirmo-nos para a compaixão para com os irmãos.

A santidade é essa recusa de se deixar fechar nessa fraqueza do pecado. Nós somos amados por Deus como pecadores. Jesus mesmo disse: “Eu vim para os pecadores”. A perfeição humilhada pelo pecado leva ao fechamento sobre si mesmo. A santidade nunca leva ao fechamento, mas leva ao querer ser aberto, ao abrir-se, ao doar-se cada vez mais.

“Ide, sede perfeitos na misericórdia de Deus”. Deus não impõe condições para chegar-se a Ele. Olhar com misericórdia, como Deus nos olha, é só isso que basta. “Quando sou fraco é que sou forte”.

Somos filhos. Cada um de nós é o centro da ternura e das carícias de Deus. Você é único diante de Deus. Deus está satisfeito conosco, Deus vibra com suas criaturas. Não devemos nos arrastar até Deus. Até um passo em falso é um passo na direção a Ele. É maravilhoso ser tão pobre quando se é tão amado por Deus. Deixe o juízo para Deus. Ele tem compaixão. Devemos ter dois pontos de referência:

- a certeza do Amor de Deus por nós. Sou amado sem condições.

- ter como meta a pessoa de Jesus Cristo. Caminhar para uma configuração à pessoa de Jesus Cristo. “Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus”. Jesus é alguém que nunca viveu para si. Sempre foi um dom para o Pai, para os outros.

Neste momento vou me preparar para minha reconciliação com a Trindade Santa, coloco-me em frente a um crucifixo ou imagino-me diante de Jesus crucificado. Peço a luz do Espírito Santo e a Graça de conhecer profundamente a realidade dos meus pecados, de a desordem de minhas ações e omissões.  Mas especialmente, sentir a alegria do perdão e da misericórdia de Deus Pai e o desejo sincero de mudança, de conversão e vida nova.

Reconheço os dons que recebi de Deus e os inúmeros benefícios que tenho recebido de Deus durante a minha vida.

Reconheço meus pecados, trazendo à lembrança a história de minha vida: quais as omissões, fatos e conseqüências dos meus pecados próprios.  Quais são as causas e profundas atitudes que estão por trás desses fatos e omissões.

Medito pausadamente o salmo 51(50), Miserere.

Coloco-me na presença do Pai, acolhendo seu amor e perdão. Renovo a fé em sua misericórdia, sua bondade e amor que sempre perdoa a quem deseja mudar de vida. Reconheço que a misericórdia de Deus é maior que meus pecados.

Peço a Deus Pai a força do seu Espírito para que eu possa caminhar seguindo a sua vontade. Verifico quais pontos que necessito mudar em minha vida, para poder corresponder melhor ao que Deus quer de mim.

Termine sua oração com o “colóquio da misericórdia”. Imagine Jesus Cristo pregado na cruz diante de você ou faça sua oração diante de um crucifixo! Converse com Jesus, perguntando como de Criador veio a fazer-se homem, da vida eterna veio abraçar a morte, morrendo por seus pecados. Olhando depois para você mesmo, pergunte-se o que já fez por Cristo, o que faz por Cristo e o que deve fazer por Cristo. E vendo-O assim, maltratado e pregado na cruz, deixe-se levar pelos sentimentos e afetos que lhe vierem.

Caso você sinta necessidade, procure realizar sua confissão pessoal procurando um sacerdote. Tenho certeza que lhe trará muita paz e consolação.

 

Meu amigo/a leitor: não desista! Quando olhamos para nossas misérias, erros e problemas, surge automaticamente em nossas mentes uma palavra: desisto! Inúmeros são os obstáculos que temos de enfrentar em nossas vidas, e à medida que o tempo passa, parece que eles se tornam cada vez maiores e, em alguns momentos, se mostram como intransponíveis.

Certa vez, em um torneio de formação profissional, realizado na Suíça, um jovem aprendiz que concorria na área de tornearia, já nas últimas etapas da confecção de sua peça, errou uma medida e teve sua peça desqualificada. O instrutor que o acompanhava saiu imediatamente da oficina aos prantos, inconsolado pelo ocorrido. Mas diferentemente do instrutor, o jovem olhou para o avaliador, caminhou em sua direção e perguntou: posso fazer outra peça? O avaliador sorriu e disse: tudo bem, mas o tempo está quase no final. O jovem respondeu: eu sei, mas gostaria de tentar. Então, movido por uma sede de cumprir sua tarefa, o jovem retoma o material bruto e começa a confeccionar uma outra peça. Terminado o torneio teve início a sessão de premiação e o jovem recebeu o prêmio de terceiro colocado!

Meu amigo/a, inúmeras são as vezes em que somos inclinados a desistir, largar tudo, achando que não damos para a coisa, ou somos incorrigíveis. Ou ainda que não acreditam em nós. Sempre haverá pessoas que não acreditarão em nós, contudo, justamente quando parece não haver saída é que temos oportunidade de perseverar. O jovem da história não foi o primeiro colocado, mas sua perseverança marcou a vida das pessoas presentes naquele torneio e hoje ele é lembrado como herói.

Olhando para trás, lembro-me de um episódio em minha vida em que a perseverança foi decisiva. Veio-me a chance de fazer uma pós-graduação nos EEUA, mas eu teria de passar em um teste de inglês dificílimo, e eu nunca fui muito bom nessa língua. Coloquei-me totalmente em estudos. Chegou à época do teste, um na própria Força Aérea, que diziam ser o mais difícil. Fiz o teste e me sai muito bem: 98 % de acertos. Achei que já tinha conseguido a vaga! Mas para minha surpresa e decepção no teste da Embaixada Americana, tirei uma nota abaixo do mínimo necessário: 7,8 %. Fiquei decepcionado comigo mesmo e envergonhado com minha atuação. Quase desisti de tentar, mas continuei estudando com firmeza. Mas no fundo do coração havia uma força negativa que me dizia: desista, desista! Mas com o incentivo de minha esposa e colegas empenhei-me no estudo e no próximo teste que fui chamado, passei e fui para a América realizar o curso e fui um dos primeiros colocados a ainda trouxe um diploma de distinção. Graças a Deus e à perseverança.

Quando me lembro dos heróis que a história da humanidade relata, destaco um nome que está acima de todos os nomes: Jesus Cristo! Ao contemplar os evangelhos, o que iremos iniciar em breve! Vamos nos deparar com o maior herói de todos os tempos. Poderemos verificar que em nenhum momento da vida de Jesus houve espaço para desistência, Jesus jamais desistiu! Por isso te peço amigo: não desista! Dê mais um passo, dê mais uma braçada, corra mais alguns metros, pois somente dessa maneira é que nós poderemos ver o que está além e verificar com nossos olhos do coração e da fé, quanto está equivocado e errado as informações contidas no livro código Da Vinci que estamos criticando com consciência cristã de leigo engajado.

Caro irmão/a, miremo-nos no exemplo de Jesus Cristo, e busquemos em Deus, força, mesmo esteja tudo escuro, e o último fio de esperança esteja prestes a se partir!

O Senhor Jesus Cristo nos deixou o exemplo de vida e em uma de suas citações disse: “tende ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16, 33).

Nesta minha vida de busca de Deus e de respostas, bem como, a dificuldade que tenho sentido de conviver com minhas misérias e especialmente com o meu temperamento sanguíneo, falador, que busca o prazer e a satisfação em tudo, tenho aprendido com Jesus uma palavra que define Deus e tem me deixado tranqüilo e esperançoso, esta palavra é misericórdia. Todos os dias deveríamos desejar: Sacia-nos com tua misericórdia pela manhã, e nossa vida será jubilo e alegria. Transforma em alegria para nós os teus dias de castigo”. (Sl 90, 14-15).

Deus, em sua infinita misericórdia colocou no coração humano um anseio desesperado, um desejo irrefreável e uma vontade incontrolada de buscar o bem, a verdade, a felicidade e a alegria; e este é segundo São Tomás de Aquino, o sentido de nossa vida, a essência do ser humano o que move o ser humano, a força que nos impele a ação é o “bem”. Freud e Jung diziam ser o prazer que movia o ser humano, mas pelo que eu tenho vivido e meditado, eles não estavam certos.

A minha certeza cada vez mais é absoluta: vida humana se orienta sempre em direção ao bem, nunca será o prazer, como finalidade direta e independente.

Procurar a recompensa sem o trabalho, o repouso sem o movimento, o prazer separado do bem que o justifica e produz, é desordem moral, é erro, leva a frustração, a infelicidade. Por exemplo: o prazer sexual está subordinado, como expressão de funcionamento exato, como estímulo e recompensa, a um bem maior: à amizade conjugal e à procriação.

Assim, caros amigos/as a nossa vida deve se orientar sempre em direção ao bem, àquilo que é bom, justo e verdadeiro. Fazendo-se do prazer o mais importante, o maior valor, perde-se o rumo, pois o prazer não é o ponto de orientação. A vida fica desorientada, desequilibrada, desajustada. Quem procura avidamente o prazer, a alegria e a felicidade como objetivo da vida, só pode ficar frustrado e levará uma vida febril, saltitante e irrequieta; sempre buscando novas sensações, porque nenhuma satisfaz; sempre faminto e nunca saciado.

O ritmo da procura se acelera na medida das desilusões; transforma-se em angústia, obsessão, desespero e não raro o suicídio.

Tenho ajudado, como voluntário na recuperação, ou na busca da recuperação de dependentes de álcool, drogas e tenho podido observar o mal que causa esta busca frenética da felicidade através de coisas e prazer, fora da normalidade da vida. Quantas vidas destruídas!

Prazer e felicidade não podem ser procurados diretamente; fogem de quem lhes corre ao encalço, como sombra que nunca se agarra.

Procurai primeiro o bem, e tudo o mais (prazer, alegria, sossego e felicidade) vos será dado por acréscimo.

É importante tomarmos consciência de que a ação re-criadora de Deus fez o ser humano passar: da amargura no vale de lágrimas à cura do coração para conseguir saborear a gota mais imperceptível de felicidade; do fogo ardente que queimava ao prazer do calor; da noite gelada que arruinava a vida ao prazer da intimidade; do trabalho tão fadigoso ao sabor da obra bem feita; da dor de dar à luz à felicidade do filho; do meio das relações ásperas ao sentimento da presença amiga.

A partir da ação misericordiosa de Deus, as pessoas passaram a desenvolver todas as suas potencialidades:

 Poliram a linguagem para entender-se e desfrutar;

 Aperfeiçoaram as artes para aceder ao prazer dos sentidos;

 Fizeram da comida uma arte para o prazer do gosto;

 Da vibração do ar uma arte para o prazer do ouvido;

 Da luz uma arte para o prazer da vista;

 E dos perfumes uma arte para o prazer da presença.

Buscar passou a ser uma atitude humana básica. Buscar. e achar  o prazer do encontrado. O caminho do ser humano para a felicidade se realiza buscando. A tradição cristã incita a “buscar”: “Buscai e encontrareis., o que busca encontra” (Mt 7, 7-8), “buscai o Senhor” (Is 55, 6); “a Sabedoria se deixa encontrar por aqueles que a buscam” (Sb 6, 12).

Toda a humanidade busca em todos os níveis de vida:

- Os médicos buscam aliviar a dor, para que ao menos seja menos infeliz;

- Os arquitetos e urbanistas buscam criar um “habitat” no qual se possa desenvolver uma vida ditosa;

- A técnica busca fazer a vida mais fácil, para que seja mais agradável;

- A festa busca ser interminável, para que não se rompa o feitiço da alegria;

- A ciência busca saber mais, para que se possa desfrutar do universo com mais satisfação;

- A literatura busca criar estórias ainda não contadas, para que se possam ter melhores sonhos;

- A arte busca conhecer os segredos da luz e do som, para que vibre todo o planeta da sensibilidade;

- Os psicólogos e orientadores espirituais buscam libertar as dores da alma, para que se recobre a paz interior.

 

Caro amigo/a eu tenho esta certeza: fomos criados para a felicidade, destinado à felicidade, tendo sido criados à imagem e semelhança do Deus-Bem-Supremo, do Deus-Feliz, somos chamados a potenciarmos o positivo, o que dá alegria, contentamento, satisfação profunda, a ser ditoso e otimista, e a viver bem. Isto é o que nos impulsiona a exclamar: “Por isso, eu louvo a alegria” (Ecl 8, 15); coração contente alegra o rosto; coração aflito deprime o espírito(Pr 15, 13); n’Ele se alegra nosso coração (Sl 33,21).

Nós somos chamados a termos uma consciência de buscar o positivo, o que dá alegria, contentamento, satisfação profunda, a ser otimista, a viver bem.

A consciência é uma faculdade natural do homem. Assim como a vista é feita para distinguir a luz e as trevas, assim a consciência tem por atividade própria distinguir entre o que é moralmente bom e o que é mau. Todos nós, em nossa existência no vemos continuamente colocados perante o bem e o mal, impondo-nos uma decisão.

Quais os valores que me movimentam, me fazem agir hoje? Qual a minha escala de valores: qual é o meu tesouro? A busca do prazer a qualquer custo? O dinheiro, ficar rico? Minha família? A igreja?

Seguindo a sua consciência, porém, o homem vive e realiza uma vida que só a ele foi confiada. É precisamente através da comunidade, através da palavra esclarecedora e do bom exemplo da vida, que a consciência de cada um é formada em sua essência. Somente onde o indivíduo por própria convicção respeita o direito dos outros, desde as exigências mínimas da regra de ouro: “o que não queres que alguém faça a ti, não o faças tu a nenhum outro”.

Constatamos uma crise nos valores em nossa cultura neoliberal, que favorece o egoísmo e o individualismo, estimulando para um hedonismo, isto é: busca do prazer, e um consumismo materialista.

A felicidade, no mundo de hoje, consiste em satisfazer-se custe o que custar. O importante é levar vantagem, é ter, é possuir, é consumir, é lucrar, é gozar. Surgem as leis: de Gerson: levar vantagem em tudo certo! Ou de QZPagodinho: se for para garantir meu caviar: vou mentir, vou fingir e vou elogiar!

Os meios de comunicação estão a serviço do sistema, ridicularizando os valores morais, estimulando a violência, a permissividade, corrompendo a consciência. A família, vítima da situação sócio-econômica bombardeada pelos contra valores, revela-se também totalmente omissa na educação dos filhos: sem autoridade, sem firmeza, sem amor, sem fé, sem participação na comunidade.

Não sabendo impor limites, permitindo e estimulando um liberalismo total, onde o adolescente pode fazer o que quiser. A família lava as mãos de uma responsabilidade que é basicamente sua.

Compartilhamos com nosso povo de outras angústias que brotam da falta de respeito à sua dignidade ser humano”.

Nossa vida não é um acaso, tem sentido! A nossa vida pode ser comparada com um rio. O curso de um rio nos ajuda a compreender a vida, porque se assemelha ao caminho do homem. A água brota límpida e clara de uma rocha ou de uma geleira, para descer ao vale, não sabendo se chegará ao mar ou se terminará sua corrida num lago sem saída. Mas o seu caminho é de repente marcado por dificuldades: sufocado pela poluição da grande cidade, o rio perde sua limpidez e, fechado na barragem, faz-se silencioso. Vem à mente o desejo de se perguntar: Por que andar tanto, se andar significa perder a beleza e tornar-se inútil? Mas, quando tudo parece perdido, de súbito o rio vê diante de si o mar, sua meta. O impacto é terrível, mas purificador: as ondas salgadas erguem uma barreira e o rio deve deixar-se filtrar, lenta e pacientemente por aquela água nova, compreendendo finalmente o sentido de seu percurso. O que define um rio é sua origem, o impulso primordial que continua lhe dando o ser. Também se define pelo seu fim, o mar, no qual se fundem e se confundem as águas.

Assim, o ser humano: que principia sua vida na simplicidade e na inocência de uma criança. Mas como o rio que se defronta com o mar, para desembocar e perder-se dentro dele, também o ser humano, se sabe viver sua luta cotidiana na paciência e esperança, há de encerrar sua carreira no infinito, na plenitude. Nós somos os rios que vão se desembocar no mar.

A vida humana se orienta para o bem, em recompensa, encontra o prazer. Mas eliminando o bem, fazendo do prazer e do gozo o seu escopo, alvo dos desejos, perde o rumo e o sentido.

Voltemos a falar da misericórdia, ela não é só a mais humana, mas também a mais divina das virtudes. É aquela que melhor revela a natureza do Deus Pai e Mãe de infinita bondade. É a que revela igualmente o lado mais luminoso da natureza humana. Por isso é a que mais humaniza as relações entre as pessoas.

Mas, por que a misericórdia revela a natureza íntima de Deus?

Porque a misericórdia é uma outra expressão típica do Amor. É o mesmo Amor, mas enquanto é Amor sofrido e dolorido. Explicando: quando o amor não encontra resposta de amor, quando a oferta encontra a recusa, quando a mão que se estende não encontra a outra mão que a acolhe, quando um coração se fecha a outro coração, quando, apesar disso tudo, a pessoa continua a amar, persevera na oferta, persiste na mão estendida e insiste na abertura do coração e por isso perdoa, então se realizou a misericórdia.

Deus é puro e completo Amor. E, se não encontra amor, continua amando e sofrendo. A falta de reciprocidade no amor é preenchida pelo perdão. Então Deus perdoa e se mostra misericordioso para com quem lhe negou amor. É o sofrimento de Deus. Mas um “sofrimento de amor”.

A misericórdia revela um aspecto essencial da natureza divina: o lado feminino de Deus. Misericórdia significa, etimologicamente, possuir um coração (cor) que se compadece da miséria (miseri) do outro porque a sente profundamente como sua. Em hebraico é ainda mais forte, pois a palavra “misericórdia” – “rahamim”, significa ter entranhas como uma mãe.

É comover-se diante do mal do outro porque se sente intimamente afetado e por isso com a disposição de ser magnânimo, clemente e benevolente para com ele. Constitui uma “caridade-em-ação” perante o sofrimento alheio numa atitude fundamental de solidariedade. É a ternura que se traduz por atos.

Deus não só tem um coração que ama. Isso já é extraordinário. Mas também tem entranhas. Isso é avassalador. Tal fato permite que Deus seja visceralmente bom. Tão bom que convive magnanimamente com os maus. “Ele é bom para com os ingratos e os maus” (Lc. 6,35).

Meu caro amigo leitor/a, tenho sentido em minha vida que a misericórdia é um carisma ou dom do Espírito que atinge o coração do Evangelho e nos faz entrar na intimidade trinitária como revelação máxima do amor divino. Na Sagrada Escritura sempre há um núcleo comum na realidade indicada com “misericórdia”: uma bondade essencial, um envolvimento do coração, uma ternura que comove.

O genuíno movimento de misericórdia compõe-se de três passos interdependentes e, por isso, inseparáveis:

O processo da misericórdia começa sempre com o olhar e escutar.

   Enxergamos o sofrimento do outro e suas necessidades concretas. Com o homem ou mulher “caído(a) à beira da estrada” entramos em relação pessoal.  Deslocamo-nos de nosso caminho para entrar no dele ou dela. Somos tocados pela dor que encontramos e colocamo-nos em movimento.

A compaixão é precisamente a interiorização do sofrimento alheio. Somos atingidos no mais íntimo de nós mesmos: as “entranhas se comovem”, fazendo todo o nosso corpo tremer, sentir calafrio, revolver-se.

Ficamos sensibilizados e afetados pela dor do outro e acercamo-nos dele com o coração. É o sentimento que predomina e que interiormente nos impele a uma ação.

A misericórdia se realiza efetivamente quando não permanecemos nos “bons sentimentos”, na contemplação do sofrimento alheio, mas partimos para a ação amorosa. Saímos de nós mesmos para tornar-nos solidários. A compaixão se transforma numa exigência ética, num compromisso de partilha. Experimentamos esta ação como uma fidelidade essencial a nós mesmos, sem a qual faltaria algo muito fundamental em nosso ser-homem-mulher e ser-cristão. A solidariedade expressa-se em gestos concretos de ajuda e proximidade. No entanto, trata-se de um movimento “de mão dupla”: um mútuo dar e receber. Aqui não temos propriamente sujeito e objeto, mas ambos os envolvidos são “sujeitos”.  Quem dá recebe e quem recebe dá: há uma humanização recíproca. Passamos por um processo de profunda conversão, que modifica radicalmente nossa vida e lhe confere um sentido novo e altamente humanizador.

A misericórdia como estilo-de-vida cristã procura estabelecer “morada no outro”. Ela nos descentraliza de nós mesmos e nos coloca no caminho do co-irmão. Em certo sentido nos torna capazes de sentirmos a partir dele, almejando com todas as forças aquilo que é o melhor para a pessoa do outro.

Trata-se de uma “escuta existencial” feita de profundo respeito pela alteridade do meu irmão. Não pretende que o outro se amolde à nossa maneira de ver ou sentir, mas deixa o outro ser profundamente ele mesmo. Assim lançamos a base para um autêntico encontro fraterno, inspirando-nos na própria  atitude de Jesus para com as pessoas. Abrimo-nos por dentro para captar o diferente do outro e acolhê-lo com o coração.

A espiritualidade da misericórdia contém em si a gratuidade do relacionamento, a dimensão desinteressada da doação. O misericordioso torna-se uma pessoa realmente livre, e isso lhe proporciona profunda alegria interior.

A misericórdia recebida e experimentada é a base da atitude compassiva, não como ato ocasional mas como estilo de vida evangélico. Torna-se o fundamento e a perene inspiração de uma existência de partilha e solidariedade.

Entrar no movimento da misericórdia humaniza e cristifica essencialmente a pessoa, porque a misericórdia constitui: “a estrutura fundamental do humano e do cristão”.

Isso tudo que estamos falando da misericórdia, não é só teoria, tudo isso eu tenho vivido, experenciado em minha vida, há uns quatro anos para cá. Em 98 pedi reserva da Força Aérea, me aposentei, novo, com 46 anos. No início tive um período de depressão, que confesso, passou pela minha cabeça idéias obscuras e até de suicídio. Comecei a procurar, desesperadamente um emprego, pois achava que seria a solução para todos os meus problemas. Logo encontrei um razoável emprego de gerente de manutenção de uma industria. Remuneração razoável. Coloquei minhas finanças em dia e apliquei tudo o que ganhava na finalização da construção de minha casa. Após dois anos recebi um convite para trabalhar em um Instituto do CTA, em São José dos Campos. Ordenado maior, status de autoridade aeronáutica, engenheiro de fiscalização aeronáutica, tudo o que eu mais queria e desejava. Mas minhas misérias começaram a vir à tona: muito dinheiro, distância de casa, minhas concupiscências começaram a me trazer problemas conjugais e fui até o fundo do poço! Quase jóquei fora tudo que havia construído durante 30 anos de matrimônio. Senti na dificuldade o que era o verdadeiro amor, o amor misericordioso de Deus, através de minha esposa: amor incondicional! Comecei a fazer um discernimento da vontade de Deus para minha vida. Através da oração, do diálogo com minha esposa, da orientação espiritual que obtive no CEI, Centro de Espiritualidade Inaciana, em Itaici, onde tenho realizado meus exercícios Espirituais Inacianos.

Caro irmão/ã a meu ver, nada na Bíblia nos mostra o tamanho da misericórdia de Deus pai e de como nós seres humanos somos miseráveis, mas amados do Pai, como a parábola contada por Jesus, no evangelho de São Lucas, no capítulo 15: o Pai Misericordioso ou filho pródigo, conta-nos Jesus que o pai tinha dois filhos, mais velho, insensível à voz do amor, faz ruptura com o Pai:

"O filho mais jovem disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte da herança que me cabe'. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, ajuntando todos os seus pertences, o filho mais jovem partiu para uma região longínqua,. "(Lc 15,12-13)

Caro amigo/a o que está acontecendo aqui é um fato inaudito, danoso, ofensivo, e em flagrante contradição aos hábitos mais respeitáveis da época. Ao exigir sua herança enquanto seu pai ainda vive mostra que a maneira do filho partir é equivalente a desejar a morte de seu pai. As palavras do filho mais novo: "dá-me a parte da herança que me cabe", são a fenda mais dolorosa que um filho podia causar no pai, pois elas expressam a ruptura do convívio e da comunhão com ele.

Trata-se de uma rejeição cruel do lar no qual o filho nasceu e foi criado e uma ruptura com a mais preciosa tradição apoiada pela comunidade maior da qual ele faz parte.

Quando Lucas escreve "partiu para uma região longínqua" ele se refere a uma quebra drástica da maneira de viver, pensar e agir que recebeu como um legado sagrado através das gerações, e uma traição aos valores cultuados pela família e pela comunidade,

As conseqüências da ruptura com o pai serão a miséria extrema e a degradação. Quando atravessou o limiar da casa paterna e deu as costas ao pai, o filho estava partindo para a solidão, para a alienação, para a perdição.

Mas o pai não podia forçar o filho a permanecer em casa. Não podia impor o seu amor ao seu amado. Tinha que deixar que se fosse em liberdade embora sabendo a dor que isso causaria a ambos.

A decisão do filho faz o pai sofrer, mas ele sofre em silêncio, sem pronunciar uma única palavra de repreensão nem de queixa.

Meus caros irmãos/ã leitores nós somos filhos pródigos toda vez que buscamos amor incondicional onde não pode ser encontrado. Por que continuamos a ignorar o lugar do amor verdadeiro e insistimos em buscá-lo noutra parte? Por que insistimos em sair de casa, quando aí somos chamados de filhos(as) de Deus? Aqui o mistério de nossa vida é revelado. Somos amados a tal ponto que temos liberdade para abandonar a casa. A bênção existe desde o princípio. Deixamos o lar muitas vezes, mas o Pai está sempre nos buscando com braços estendidos para nos receber de volta e de novo sussurrar aos nossos ouvidos: "Tu és o meu amado, sobre ti ponho todo o meu carinho ".

Pedir como graça: pedir, com insistência e com confiança, a graça de conhecer o Amor sempre fiel e ilimitado, apaixonado e compassivo com que Dês ama a todos e a cada um dos seus filhos;

- pedir a graça de experimentar esse Amor de Deus por mim, a paixão com que me busca quando estou perdido;

- pedir a graça de corrigir as minhas imagens falsas ou distorcidas de Deus, imagens que não correspondem ao Deus Pai que nos foi revelado por Jesus Cristo,

 

Continuando a meditação, caro amigo/a leitor, o filho ingrato teve a perda da própria identidade:

“E ali dissipou a sua herança numa vida devassa. E gastou tudo. Sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar privações. Foi, então, empregar-se com um dos homens daquela região que o mandou para os seus campos cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com as bolotas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava"(Lc. 15,13-16).

O que aconteceu com o filho no país distante? Vemos diante de nós um homem que se afundou numa terra estranha e perdeu tudo o que levou consigo. Vemos um vazio, humilhação c derrota. Ele, que era tão semelhante ao pai, deixou a casa paterna vestido de roupas finas, cheio de saúde, de dinheiro e de auto-suficiência. Volta totalmente espoliado: sem dinheiro, honra, amor próprio, esfarrapado, faminto, sem dignidade. Tudo havia sido dissipado.

Viu instantaneamente e com mudez o caminho que escolheu; compreendeu a sua opção pela morte; percebeu que um passo a mais naquela direção o levaria à autodestruição.

Na oração: na contemplação, poderíamos penetrar no mundo interior dos sentimentos do filho pródigo, na sua experiência de fracasso, de vazio e de solidão. Pedir a graça; - pedir a graça de experimentar a alienação e a destruição em que caímos quando nos afastamos de Deus, quando rompemos a comunhão com Ele; - pedir a graça de sentir no mais profundo de nós mesmos a saudade do Pai, do nosso único e verdadeiro Abba, do amor Infinito e apaixonado com que Ele nos ama.

Textos bíblicos para serem meditados: Mc. 5,1-20; Mc. 2,1-12; Mc. 2,13-17; Lc. 7,36-50; Lc. 7,11-17.

 

Caro amigo/a leitor a caminhada do filho mais jovem não pode ser separada da de seu irmão mais velho:

"O filho mais velho estava no campo" (Lc. 15,25).

"Então ele ficou com. muita raiva, e não queria entrar. Seu pai saiu para suplicar-lhe. Ele, porém, respondeu ao pai: 'Há tantos anos que eu te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. Contudo, veio este teu filho, que devorou teus bens com prostitutas, e para ele matas o novilho cevado" (Lc 15,28-30).

Externamente, o filho mais velho fez todas as coisas que um bom filho eleve fazer, mas, no íntimo, se afastou bastante do seu pai. Ele cumpriu o seu dever, trabalhou duro todo o dia e deu conta de suas obrigações, mas se tornou mais e mais infeliz, amargo e raivoso.

Sua raiva e inveja mostram-nos a sua própria sujeição. Quando ouvimos as palavras com as quais o filho mais velho agride seu pai - justificando-se e pedindo reconhecimento - percebemos uma queixa mais profunda. É a que vem do coração que acha que nunca recebeu o que lhe era devido.

É a queixa expressa de inúmeras maneiras, sutis ou não, formando uma montanha de ressentimento. Queixar-se é contraproducente e nocivo. Alguém que reclama é alguém difícil de conviver e poucas pessoas sabem corno responder às queixas feitas por alguém que se rejeita. O trágico é que, uma vez expressa, a lamúria leva ao que mais se queria evitar: um afastamento maior.

Essa queixa íntima é sombria e pesada. Condenação dos outros, condenação própria, e justificativas. Entrando numa espiral de auto-rejeição.

O erro do filho mais jovem é facilmente reconhecível Há algo claramente definido a respeito de sua má conduta. Temos aqui uma falha humana clássica, com uma decisão acertada (deu a volta e pediu perdão). O pecado do filho mais velho, entretanto, é mais difícil de identificar. Afinal de contas, ele fez tudo o que devia. Foi obediente e cumpridor de suas obrigações, respeitador das leis e trabalhador. As pessoas o respeitavam, admiravam-no, elogiavam-no e consideravam-no um filho modelo.

Mas quando se defronta com a alegria do pai pelo filho que volta, surge uma onda de revolta que explode, chegando à superfície. De repente, aparece aqui, nitidamente visível, uma pessoa ressentida, orgulhosa, má, egoísta. Revela-se nele uma seriedade, uma intensidade moral e até um pouco de fanatismo, que fizera com que fosse mais e mais difícil se sentir à vontade na casa de seu pai. Tornou-se menos livre, menos espontâneo e um tanto "pesado".

Pedir a graça: pedir a graça de descobrir em que medida os sentimentos e atitudes do filho mais velho estão presentes em mim, escravizando-me e fazendo-me infeliz.

Na oração: - é na "queixa" declarada ou não que reconheço o filho mais velho em mim. Quais são minhas queixas? É mais assustador ter de me curar como o filho mais velho do que corno o filho mais moço; como posso voltar se estou perdido em ressentimento, apanhado em cenas de ciúme, prisioneiro da obediência e do dever que escraviza?

Esta é a realidade: onde quer que se encontre meu lado virtuoso, aí também existirá sempre um lado queixoso e ressentido.

Meditar o texto: Mt 2O,1-16 e Lc 18,9-14.

 

 Mas aqui caro irmão/ã, vem a grande prova da misericórdia de Deus: Ele é Pai e Mãe ". Encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos". O pai disse aos servos: ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado!' E começaram a festejar" (Lc 15,22-24).

A volta do filho perdido provoca uma "explosão de alegria". A alegria do pai era tão intensa que ele não poderia esperar para dar início à comemoração. O pai convida a todos a comer, beber e dançar. As ordens aos empregados são dadas em voz alta para que todos fiquem sabendo da festa, para que a alegria do pai seja conhecida e partilhada por todos. Uma grande festa tem início, mas não tem fim.

Não somente o pai perdoa sem fazer perguntas e alegremente acolhe seu filho perdido de volta à casa, mas não pode esperar para lhe dar vida nova, vida em abundância.

Tão fortemente o pai deseja dar vida a seu filho mais novo que parece quase impaciente. Nada é suficientemente bom. O melhor precisa lhe ser dado. O pai ordena que o filho seja imediatamente vestido com a túnica luxuosa, como a que é usada nos dias de festa pelos hóspedes ilustres. O filho recupera sua identidade e sua dignidade de filho.

O pai lhe dá o anel para o dedo para honrá-lo como seu filho amado e novamente devolver-lhe a condição de herdeiro e a plenitude de seus direitos.

Com as sandálias, é devolvida ao filho a condição do homem livre e de senhor da casa. Dar sandálias significa a restituição do poder de propriedade sobre tudo o que o pai tem.

O pai veste o filho com todos os sinais de liberdade. A palavra "depressa", com a qual o pai exorta seus criados denota muito mais do que impaciência humana; o serviço deve ser executado sem demora, pois o filho não pode ficar por mais tempo privado de sua dignidade. O amor do pai é amor paciente que sabe esperar e é, ao mesmo tempo, um amor inquieto, apressado, que corre ao encontro do filho para devolver-lhe a filiação perdida. Por isso ordena aos servos que sejam eliminados imediatamente todos os sinais da degradação e da escravidão do filho e todos os sinais dos sofrimentos e das humilhações que sofreu.

É significativo também que as ordens sejam dadas pelo pai publicamente. Todos devem ficar sabendo que o filho não só foi perdoado, mas foi investido de novo da sua dignidade de filho, com todos os seus direitos e poderes. Não há dúvida de que o pai deseja uma festa suntuosa.

Matar o novilho que havia sido cevado para uma ocasião especial mostra o quanto o pai desejava retirar todos os impedimentos e oferecer ao filho uma celebração como nunca antes tinha havido.

É óbvia sua esfuziante alegria. Há abundância de comida, músicas e danças, e os ruídos alegres de um festejo poder ser ouvidos bem longe de casa.

Essa é a descrição dê Deus caro amigo/a leitor, cuja bondade, generosidade, amor, alegria e compaixão não tem limites. Nosso Deus é Deus novo, desconcertante e escandaloso. O amor de Deus por nós faz-lhe perder sua soberania e compostura e sair correndo ao nosso encontro para abraçar-nos na nossa humanidade ferida e profanada, para devolver-nos a filiação e a dignidade.

Caro amigo/a quero vos apresentar um Deus que é festeiro, a festa faz parte do Reino de Deus. Deus não só oferece perdão, reconciliação e cura, como deseja que aqueles a quem esses dons são concedidos, os recebam como uma fonte de alegria. Esse convite para uma refeição é um convite para uma intimidade com Deus. "Alegrai-vos comigo!” Deus não deseja guardar para si mesmo sua alegria. Deseja que todos dela participem. A alegria de Deus é a dos anjos e dos santos; é a alegria de todos os que pertencem ao Reino. E a alegria meus amigos/as, é a identidade do Cristão, onde existe alegria verdadeira, ai está o Espírito Santo, ao contrário, se há azedume, irritação, tristeza: isso é obra da carne!

Na oração; - aprender de Deus a me "apoderar" de toda e verdadeira alegria;

- sou tentado a ficar tão impressionado/a pela tristeza da condição humana, que não reconheço mais a alegria que se manifesta de diversas maneiras, singela, mas verdadeiras;

- a recompensa por escolher a alegria é a alegria mesmo;

- quando sou capaz de encontrar a alegria escondida no meio de todo sofrimento, a vida se transforma em celebração.

- a alegria nunca anula a tristeza, mas transforma-a num solo fértil para maior alegria.

- as mãos de Deus desde sempre me sustentaram, me acolheram, me alimentaram, protegeram-me nos momentos de perigo e me consolaram nas horas de dor. Essas são as mãos de Deus. São também as mãos de meus pais, -O regresso do filho pródigo-, 1669.professores, amigos. E de todos aqueles que Deus colocou no meu caminho.

Pedir a graça: pedir a graça de sentir a ternura e o carinho, a força e a proteção, o consolo e a cura das mãos benditas de nosso Deus pousadas sobre nossos ombros cansados e que nos apertam contra seu coração.

Meditar o seguinte texto bíblico: Zc 3, 1-10, seguindo o roteiro a a oração preparatória do cap IV.

Se for possível, caro irmão/ã contemple a pintura da “volta do filho pródigo” de Rembrandt. Um dado de uma extraordinária riqueza simbólica e teológica da obra, é que as mãos com que o pai acolhe e abraça o filho são diferentes uma da outra. Nelas se concentra toda a luminosidade, a elas se dirigem os olhares dos que estão próximos; nelas a misericórdia se personifica; nelas se une perdão, reconciliação e cura e, através delas, não somente o filho cansado, mas também o pai abatido, encontra repouso.

A mão esquerda do pai tocando o ombro do filho, é forte, larga, viril e musculosa. Os dedos estão bem abertos e cobrem o ombro direito e parte das costas do filho. Podemos sentir uma leve pressão, sobretudo do dedo polegar. A mão não parece somente tocar, mas, com sua força, também sustentar. Sem deixar de expressar ternura e delicadeza na maneira com que o pai toca o filho, sua mão esquerda protege e fortalece, dá segurança e oferece comunhão.

A mão direita do pai não segura ou agarra; ela apóia-se sobre o lado esquerdo das costas do filho; é delicada, macia e muito meiga. Os dedos, alongados e finos, estão juntos e tem uma certa elegância. Trata-se de uma mão suave, feminina, mão que quer acariciar, afagar e oferecer consolo e conforto. E a mão de uma mãe.

O pai não é somente um grande patriarca. Ele é igualmente pai e mãe. Ele toca o filho com uma mão masculina e uma feminina. Ele segura, ela acaricia.

Ele confirma, ela consola. Ele é, certamente, Deus em quem o masculino e o feminino, a paternidade e a maternidade estão totalmente presentes.

Ao contemplar o velho patriarca passamos a ver não só um pai que aperta seu filho nos braços, mas também, uma mãe que acaricia seu filho, envolve-o com o calor do seu corpo, e segura-o contra o ventre do qual ele saiu. Assim, a "volta do olho pródigo" se torna a volta ao seio de Deus, o retomo as origens do ser e novamente faz ecoar a exortação de Jesus a Nicodemos para renascer do alto.

A mão do pai acariciante e feminina está em paralelo com o pé ferido e descalço do filho, enquanto a mão forte masculina corresponde, ao pé calçado na sandália. Não seria demais pensar que uma das mãos protege o filho no seu aspecto vulnerável, enquanto a outra reforça o seu vigor e, aspiração de ir adiante na vida. Outro símbolo da acolhida e da proteção que Deus oferece a todos os seus filhos e filhas é o grande manto vermelho, sobre os ombros e as costas do pai. Com sua cor quente e sua forma de arco, oferece um lugar de abrigo onde encontramos segurança e aconchego.

O manto cobrindo o corpo curvado do pai parece-nos uma tenda convidando o viajante cansado a encontrar algum repouso.

Aconselho a você ler o livro “ a volta do filho pródigo”, do Pe Jesuíta, Álvaro Barreiro, da editora Loyola.

 

Meu caro irmão/ã, eu tenho podido compreender que a Vontade de Deus é essencialmente de natureza dialogal. A Vontade de Deus não está em competição com a do ser humano; ela não se apresenta de maneira despótica, coercitiva, alienante e impositiva. Deus não passa por cima da liberdade humana; dinamiza-a, a partir de dentro, em todos aqueles que se abrem à sua graça.

Ela favorece e respeita a liberdade humana com a qual entra em diálogo. A liberdade de Deus desperta a nossa liberdade. O exercício mesmo de nossa liberdade forma parte do plano divino. Podemos dizer que nossa vontade fica incluída no “querer”  de Deus. Deus e o homem estão indissoluvelmente unidos.

A Vontade de Deus e a vontade do ser humano entram verdadeiramente em diálogo. Digo isso tudo porque durante minhas orações fui sentindo vontade de renunciar ao meu emprego, ao ótimo salário que ganhava a mais, além de minha aposentadoria. Mas tinha um certo medo de largar o emprego, primeiro pelo salário, mas também pelo receio de ter de ficar o tempo todo em casa. Mas coincidiu de ter de realizar uma cirurgia no joelho, que se complicou e resultou em outra, no mesmo joelho. Fiquei em casa durante uns cinco meses. Foi uma experiência muito boa, pois fui perdendo o medo de ficar no lar. Comecei a me envolver em atividades de ajuda a dependentes de drogas, pastoral de ajuda aos moradores de rua e atividades de catequese na paróquia. A vontade de renunciar a mais um ordenado foi ficando forte. Dialogando com minha família, especialmente com minha esposa, fui sentindo que este era o caminho que Deus queria de minha vida. Fui descobrindo que vontade de Deus é, pois, sempre “personalizadora”. Assim, quando tratamos de conhecê-la, sempre temos de prestar atenção ao nosso interior, onde atua o mesmo Deus cuja vontade buscamos, para comprovar se o que “parece” ser Vontade de Deus é mediação adequada para realizar em nós aquela plenitude que é a obra própria do Espírito. “Deus, quanto mais quer dar, tanto mais faz desejar” (S. João da Cruz). Com muita tranqüilidade fui até o CTA e pedi para não renovar o meu contrato, senti muita consolação, pois já existia pessoa desempregada aguardando minha vaga. Tudo na minha vida começou a dar certo. Redescobri a verdadeira felicidade e o amor no matrimônio. Hoje meu tempo é dedicado à minha família, à igreja e a minha comunidade. Cada dia eu tenho descoberto que:

* Não há busca da Vontade de Deus sem interioridade ou capacidade de entrar dentro de si, sem prática de discernimento espiritual.

* A Vontade de Deus sobre nós que devemos buscar e encontrar não é uma realidade já escrita, fixa e pré-fabricada antes de nós e sem nós; ela não é uma coisa já pronta que somente deveremos descobrir, como se descobre um tesouro que alguém escondeu em nosso jardim; ela se encontra no dinamismo da vida, no seio de nossas relações múltiplas e requer uma busca humilde, confiante e contínua.

 A Vontade de Deus não pode ser um projeto existente fora de nós, ou à margem de nossa vida e de nosso mundo, e à qual deveríamos ir acomodando nossa vida e nossa ação, independentemente daquilo que somos ou do rumo dos acontecimentos. Há uma posição teológica chamada de predestinação. Muitos interpretam essa crença como as Deus tivesse planejado cada detalhe de nossa vida, por toda a eternidade. Ouve-se dizer que Deus tem um plano divino para sua vida. Quem diz isso dá a entender que somos como marionetes penduradas por fios e que tudo o que fazemos e dizemos está predestinado e predeterminado.

A Vontade de Deus sobre nós, que devemos buscar e encontrar; não é uma realidade que já foi escrita, fixa e pré-fabricada, antes de nós, e sem nós; Ela não é uma coisa já pronta que somente deveremos descobrir, como se descobre um tesouro que alguém escondeu em nosso jardim; ela se encontra no dinamismo da vida, no seio de suas relações múltiplas. Requer uma busca: humilde, confiante e contínua. Deus não é o demiurgo onipotente que previu tudo, mas Aquele que ama os homens, com Amor infinito. Bem longe de manipulá-las, Deus acompanha as pessoas em sua história, respeitando-lhes a liberdade e a responsabilidade própria. Não há “plano” de Deus e Ele não “dirige” o mundo a seu bel-prazer, uma vez que respeita muito, a liberdade do homem; de fato, se Deus age, não age fora das leis do mundo e da sucessão de nossas ações humanas. Bem mais que isso, sua providência funda nossa autonomia. Ele está bastante presente para deixar que “sejamos nós mesmos”. O Deus Criador do homem não é seu rival, mas Aquele que lhe permite ser plenamente ele mesmo.

Tal concepção ignora o fato de que nossa própria vida e nossa própria história estão já radicalmente marcadas pela iniciativa de Deus. E a iniciativa de Deus é manifestação de seu Amor.

Portanto, a busca e realização da Vontade de Deus há de levar sempre o selo da confiança, já que não nos encontramos diante de um Deus arbitrário que faz e desfaz, sem atenção à realidade de cada um de nós, mas diante de um Deus Pai-Mãe que nos criou.

 A Vontade de Deus eu a descubro no momento mesmo em que, sintonizado aqui e agora com Ele, construo a minha vida segundo o que “eu quero e desejo”. Minha tarefa mais essencial como homem ou mulher não é encontrar um “objeto” (a Vontade de Deus em mim), para conformar-me a ele, mas um Sujeito, uma Pessoa, que desde sempre me ama e atua em mim e  em torno a mim.

A Vontade de Deus vem de encontro à minha vontade (quando esta é oblativa), e reforça-a, intensifica-a. Trata-se de “deixar-me encontrar por Ele” e pôr-se a cooperar com Ele, que age em mim.

Fazer a Vontade de Deus é “fazer o que eu livremente quero e desejo”, enquanto me deixo abraçar por Ele. O discernimento torna-se espontâneo, intuitivo e brota do coração com naturalidade. Reconheço que minha decisão se encontra com a Vontade de Deus quando posso que ela me faz mais livre, isto é, se traz à minha vida coerência e sentido, se ela unifica o meu passado e se abre um novo futuro.

Encontro meu caminho que eu mesmo traço, enquanto sigo de perto a pessoa de Jesus, que já está caminhando em minha vida e vai diante de mim, e enquanto me conformo (me identifico) a Ele o mais que posso, fazendo-me iluminar e aquecer por seu Espírito.

Provavelmente, não há nenhuma passagem que melhor defina a providência Divina do que diz: “todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus”. Rm 8, 28. Podemos entender como cooperação, ação coordenada, synergia; logo Deus coopera com as pessoas para a realização do bem. Deus trabalhará com qualquer um que busque o bem. Deus é nosso parceiro para o bem!

Meu caro amigo/a imagine que neste momento, Deus está tentando tornar a escolha que vocês estão fazendo agora mais intensa, mais vital, mais clara e mais verdadeira. Eu senti em minha vida que Deus usa até nossos erros e pecados para realizar o bem. Eu e minha esposa sentimos e vivenciamos isso. Depois dos erros aconteceu o perdão e o perdão reconduziu nossa vida para uma vida autêntica de amor conjugal verdadeiro e uma parceria, de mãos dadas com Ele que é nosso parceiro. Sentimos claramente que Deus está trabalhando conosco para nossa inteireza, para nossa libertação, para nossa verdade e para nossa independência, com certeza mais que nós mesmos. O que nós pedimos todos os dias, juntos é que é isso que nós queremos, queremos a vida, a liberdade, a verdade e o real. Pedimos juntos: deixe-nos pequeno, deixe-nos longe da posição de controle para que possamos cooperar, trabalhar junto, como verdadeiros parceiros, ajuda mútua e amorosa, na qual o perdão é constante e renovador.

O nosso passado carrega lembranças de fatos e experiências negativas: culpas, traumas, desilusões, limites, pecados, rejeições, fracassos, erros.

Tudo isso pesa na memória e continua influenciando negativamente o presente. O passado de cada pessoa não pode ser considerado como um destino, como algo que aconteceu e terá uma fatal continuação, sem qualquer alternativa possível. Uma pessoa doente em sua memória, ressentida com sua história pessoal, rancorosa com o mundo que a cerca, também será doente na mente, na afetividade e no coração.

      “O importante não é o que fizeram comigo, mas o que eu faço com o que fizeram comigo” (Sartre).

Meu caro amigo/a, você pode não ser responsável pelo seu passado, mas de qualquer forma é responsável pela atitude que assumir, no presente, em face desse passado”. O passado continua vivo em nossas mãos, e à espera de receber um significado que ninguém, a não ser o próprio indivíduo, você mesmo, pode lhe dar.

O perdão não tem impacto no que foi, mas no que é e será. É um gesto de responsabilidade para com o presente e o futuro. O perdão limpa o terreno para o novo. O perdão reconhece na pessoa a sua condição humana, suas limitações, ou seja, o dom de começar de novo, o dom de iniciar algo novo apesar de todas as expectativas em contrário.

Caro amigo leitor/a, podemos estar sempre prontos a nos renovar, a começar de novo, mesmo quando nos sentimos cansados e indispostos para a caminhada. Temos um exemplo na natureza de um animal, uma ave, a águia, é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. Mas para chegar a essa  idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos ela está com as unhas compridas e flexíveis, não conseguindo mais agarrar suas presas, seu alimento. O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas e voar fica cada vez mais difícil! A águia então só tem duas alternativas: Morrer. Ou enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar 150 dias (é aproximadamente o tempo que você levará para contemplar e colocar em sua vida um novo caminho, seguindo Jesus, através das orientações que tento lhe passar através deste compêndio). Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico no paredão até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera  nascer um novo bico com o qual irá, depois, arrancar suas  unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela  passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos. É assim!!!

  Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo para começar um processo de renovação. Sabemos que às vezes, morrer seria mais confortável. Só que nem a águia, nem nós escolhemos morrer.

  No nosso caso, para continuar a voar o vôo da vida, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras condições que nos causaram dor. Somente livres do peso do passado poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz.

Ainda um pouco mais sobre a águia: você sabe como os bebês águia aprendem a voar? A mamãe águia empurra seus filhotes para a beira do ninho. Seu coração se acelera com emoções conflitantes, ao mesmo tempo em que sente a resistência dos filhotes a seus insistentes cutucões.  A mamãe águia sabe que a emoção de voar começa com o medo de cair. O ninho fica colocado no lugar mais alto de uma montanha.  Abaixo, somente o abismo e o ar para sustentar as asas dos filhotes. A mamãe águia pensa: e se justamente agora isto não funcionar?

Mas, apesar do medo, a águia sabe que esse é o momento exato de empurrar os seus filhotes.  Sua missão está preste a se completar, resta somente a tarefa final: o empurrão.   A águia enche-se de coragem.  Enquanto os filhotes não descobrirem suas asas, não haverá propósito para a sua vida.  Enquanto eles não aprenderem a voar, não compreenderão o privilégio que é nascer águia.  O empurrão é o melhor presente que ela pode oferecer aos seus filhotes.  É o seu supremo ato de amor!

  Então, ela empurra um a um, para o abismo.  Aí os filhotes voam, voam, voam, voam sem parar.  Agora pense em você, não é exatamente assim em alguns momentos da sua vida?  Quantas pessoas você percebe em determinadas circunstâncias tentando lhe empurrar para   baixo.  Às vezes, na sua vida, as circunstâncias fazem o verdadeiro papel de águia.  E não são as pessoas, são as circunstâncias que lhe empurram para o abismo.  E quem sabe não são as circunstâncias, que lhe fazem descobrir que você tem asas para voar.  Lembre-se sempre de que você é a pessoa mais importante e Especial do mundo, para você   mesmo.

Mas abstraindo das metáforas, que significa concretamente rejuvenescer como águia? Significa entregar à morte tudo aquilo que de velho existe em nós, para que o novo possa irromper e ser integrado. Mas o que é velho em nós? São os hábitos e as atitudes que não nos engrandecem, tais como: desinteresse pelo bem comum, falta de solidariedade para com os mais necessitados, o querer ter razão e levar vantagem em tudo, o desperdício em tudo, e o não respeitar a obra criadora de Deus: o homem e a natureza.

Poderemos inaugurar uma forma sustentada de convivência com nossos irmãos e com os demais seres da criação. Para isso: preciso morrer e ressuscitar! Rejuvenescer como águia significa também, desprender-se de coisas que um dia foram boas e de idéias que foram luminosas, mas que lentamente se tornaram ultrapassadas e incapazes de inspirar o caminho da vida. Significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar nossos conceitos e preconceitos.

É hora de nos perguntarmos: o quanto de galinha existe em mim que não quer outra coisa senão ciscar o chão, ou o quanto de águia há ainda em nós, disposta a rejuvenescer ao se confrontar valentemente com tropeços, e as crises da vida ou que teimam em aceitar uma visão estreita e preconceituosa, e gnóstica da salvação e de Jesus Cristo?

Nossa proposta é que você ande, descubra o seu caminho, aqui vão várias dicas, tenha coragem de rejuvenescer!

Caro amigo/a leitor, podemos descobrir três facetas da busca amorosa da vontade de Deus:

1. Deixar-se transbordar:  “Abbá, Pai. não  o que eu quero, mas o que tu queres” (Mc. 14,36).

Deus é Deus e deve ser alcançado com todo o coração, com toda a mente e com todas as forças. Esta disposição básica apresenta três traços importantes:

a) Situar-se diante de Alguém

A busca da Vontade de Deus sobre a própria vida é muito mais uma relação pessoal que reflexão racional. É, como em toda relação sadia, a tarefa de pôr-se diante da pessoa de modo desinteressado, valorizando mais o quem (sua pessoa, seus interesses, sua maneira de ser, etc) que o quê (análise da realidade, idéias, motivos.).  É uma conseqüência da natureza da vida de fé: relação amorosa com Deus que entrou em diálogo vivo com cada um de nós.

Buscar sua Vontade é tratar de conhecer a melhor maneira de responder a seu amor.

 b) Arriscar-se a confiar

A relação de fé há de ser filial: “que sejamos chamados filhos de Deus, e o somos de verdade” (1Jo. 3,1). Daí que na laboriosa rota do descobrimento da Vontade de Deus o maior risco não é errar, mas mover-se na ansiosa atitude do explorador que nunca sabe se o caminho escolhido vai acabar bem ou mal.

Sabemos que, da parte de Deus, tudo conduz a bom termo. Quem busca a Vontade de Deus não se encontra diante de um tribunal severo, senão diante do Pai que revelou seu coração em Jesus, que sempre repete a quem estabelece relação com Ele: “não tenhas medo!!!”

c) Averiguar “o que agrada a Deus”:

“O que agrada a Deus” ilumina bem tanto o caráter “aberto” da Vontade de Deus como o estilo de sua busca. Como nas relações humanas de amizade ou de afeto filial, quem busca conhecer a Vontade de Deus trata de distinguir “o bom, o agradável, o perfeito”. Portanto, a pessoa se guia pela sintonia com o “gosto” de Deus e movida pelo desejo de responder a seu Amor.

Para S. Paulo, capacitar-se para conhecer a Vontade de Deus consiste numa transformação pessoal que possibilita a sintonia mais perfeita possível com o Senhor. O estilo da exploração espiritual da Vontade de Deus é existencial, pessoal. Porque, como nas relações humanas, conhecer o que agrada a alguém é resultado de um conjunto de experiências, disposições e conhecimentos relativos a uma pessoa, que vão muito mais além do mero conhecimento intelectual (trato, compreensão, afeto, reflexão, etc.).

2. Humanizar-se: O encontro com Deus e sua Vontade, que pede transcender-se a si mesmo, exige ao mesmo tempo, numa experiência que só é explicável desde o mistério humano-divino de Jesus, humanizar-se n’Ele.

a) Dizer sim à realidade

Jesus o Homem e todo o humano são mediação indispensável para o acesso ao Deus transcendente. O itinerário da busca da Vontade de Deus passa necessariamente pela humanização, pela assunção da própria vida e da vida da sociedade na qual a pessoa se acha imersa. A realidade forma parte da história da salvação e que deve ser aceita e abraçada ativamente. Integrar o real (corporal-espiritual, social, profissional.) na experiência espiritual. Dizer sim à realidade comporta viver imerso na vida individual e social deixando-se impregnar por ela; assumi-la como é, e portanto, captá-la em sua verdade; e finalmente, reagir de modo humano nela e ante ela.

b) Evangelizar a realidade

A realidade é polivalente e permite múltiplas leituras ou interpretações. Daí, pois, que é necessário situar-se no ângulo de visão do Evangelho se quer captar a perspectiva cristã da Vontade de Deus. “Evangelizar a realidade” significa, em 1º lugar, leitura evangélica da realidade, ver as coisas como Jesus vê. Nem tudo é graça, mas tudo pode ser visto sob o ângulo da graça. Nada escapa do ocular da graça.Além disso, exige também acomodar os fatos a esta interpretação evangélica, reagir como reagia Jesus em situações semelhantes.

Ao nos aproximarmos da realidade, há de ser feito segundo Jesus, impõe-se, para quem busca conhecer a Vontade de Deus, uma tarefa de evangelização do coração, isto é, das atitudes profundas, para não confundir qualquer leitura da vida e qualquer bem intencionada reação ante os acontecimentos, com a maneira de ver e fazer de Jesus. Só tem garantia de aproximar-se do conhecimento do que Deus quer quem se submerge responsavelmente na vida humana com seus componentes pessoais e estruturais, individuais e sociais; quem sabe captar a verdade e a bondade das coisas e, ao mesmo tempo, procura reagir de modo humano e solidário. Acreditamos, portanto, que há duas fontes de acesso à Vontade de Deus sobre nós: a realidade e a revelação, não percebidas paralelamente, mas dialeticamente articuladas. A realidade empresta-nos olhos para ler a revelação, e a revelação, por sua vez, lança suas luzes sobre essa realidade.

3. Viver a partir de dentro: “Se vivemos pelo Espírito, atuemos segundo o Espírito” (Gl 5,25).

As duas dimensões da busca da Vontade de Deus, consideradas anteriormente, “descentram” a pessoa: deixa-se transbordar pelo Deus transcendente e humaniza-se ao estilo de Jesus de Nazaré.

Estas duas dimensões, duas caras de uma única realidade, vão unidas à terceira: viver a partir de dentro. Deus habita no mais profundo de nós mesmos e realiza sua obra revelando nossa verdadeira identidade.

Concluindo este capítulo, podemos dizer que “Vontade de Deus é aquilo que eu, no fundo, quero, à luz do Espírito Santo, depois de tirados os obstáculos”.

a) “Aquilo que eu, no fundo, quero”.”

É o que eu quero e não o que me apetece. O apetecer é sensível e nem sempre está de acordo com a vontade profunda. Ex: não me apetece trabalhar, mas no fundo eu sei que devo e desejo cumprir esta obrigação. É no profundo do nosso coração que podemos “ouvir a voz” do Espírito. O próprio Jesus experimentou isto na Agonia: “Pai, não se faça o quero (=apetece), mas Eu quero o que Tu queres (faça-se a tua vontade)”. E S. Paulo dizia: “não faço o bem que quero, mas aquilo que não quero” (Rom. 7,20); Há uma divisão em nosso interior; é, pois preciso libertar o nosso querer que está envolvido pelos apeteceres, medos, paixões, atrações imediatas.

b) “À luz do Espírito Santo.”

Porque o querer move-se sempre sob alguma luz, algo que o atrai. É a questão das motivações e dos objetivos. A Vontade de Deus não é o meu querer motivado (iluminado) só pela ciência, ou a psicologia, ou a sociologia. Apresentando-me o que é bem nesses campos. A vontade busca sempre um bem, e aqui é o bem que o Evangelho apresenta como “bem para mim”, aquilo que sinto (no fundo) que me identifica com Jesus, com os seus mandamentos e estilo de vida, com a construção do Reino. Esses bens é o Espírito Santo que os mostra e os tornam atrativos para a pessoa. Trata-se, pois, de se deixar mover pelo espírito de Deus e não por outros espíritos.

c) “ Depois de tirar os obstáculos”.

Obstáculos à ação do Espírito, que vem de fora: a mentalidade dominante, as pressões sociais, as chamadas “tentações”. E vem de dentro: os medos, os preconceitos, o comodismo-egocentrismo e todas as defesas perante aquilo que pode parecer exigente ou vai pôr em cheque o que parece mais fácil e mais feliz.

Faz-se necessário “descascar a cebola”, ou seja, tirar todas as capas (e escamas) de nossos olhos, que não nos deixam ver bem e que nossos egoísmos e apeteceres nos prendem e escravizam. Quando começo a libertar-me disso, então pode vir à tona o meu querer que, passado o momento de agitação, confusão ou medo, encontrará a paz ao identificar-se com o Evangelho, ao assumir e aceitar os movimentos profundos.

Então a Vontade de Deus para mim é que eu colabore com Ele para viver evangelicamente cada momento da minha vida, e a própria orientação a dar à vida.

Portanto, quando busco a Vontade de Deus, estou buscando minha própria origem. Em minha origem está minha finalidade original, minha razão de ser.

A Vontade de Deus – e isto é o Princípio e Fundamento – é a que me está fazendo. Busco a Vontade de Deus para saber quem sou.

Ser criatura quer dizer ser querido pelo Criador. Se for importante saber quem sou, é indispensável saber que Deus me quer e saber, além disso, o que Ele quer de mim e para mim.

“E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que O amam” (Rom. 8,28)

Antes de iniciarmos a contemplação da vida de Jesus Cristo, proponho alguns textos bíblicos para serem meditados seguindo o roteiro do cap IV.

Textos bíblicos: Lc 10, 29-37; Ecl 28, 1-7; Os 11; Is 54, 4-14; Mt 18, 23-35; Mt 25, 31-46.

 

IX-CONTEMPLANDO A VIDA DE JESUS

Faço minha estas palavras de Fyodor Dostoevsky, em uma carta escrita enquanto estava na prisão: "Acredito que não exista nada mais belo, mais profundo, mais compreensivo, mais racional, mais franco e perfeito do que o Salvador; digo a mim mesmo com um amor zeloso que não só não existe ninguém como Ele, como não poderia existir nenhum outro”.

            Alguém poderia supor que Jesus era alguém que queria ser o messias e estava na hora certa no lugar certo. Teria fundamento tal suposição?

            No Antigo Testamento existem cerca de sessenta profecias e aproximadamente duzentos e setenta ramificações a cerca do Messias que estava por vir, e todas elas se cumpriram em Jesus. Lendo o Antigo Testamento você pode encontrar trezentas referências à vida de Cristo.

Todas as profecias a respeito do Messias, foram feitas a aproximadamente 400 anos antes do nascimento de Jesus. O autor do livro que estamos criticando, Dan Brown, quer afirmar que essas profecias foram escritas depois da vinda de Cristo e teriam sido moldadas a partir do próprio Cristo, porém, devemos lembrar que a Septuaginta - tradução em grego do Velho Testamento Hebraico - foi feita entre 200 e 150 AC (antes de Cristo).

Eu Saluar, caro leitor/a, não tenho dúvida, o único messias foi e é Jesus, nunca existiu nem existirá alguém como Ele. Foi Ele, Ele é o presente de Deus, para todo aqueles que nele crêem não morram, mas tenha a Vida Eterna. Se você não quer este presente é problema seu, eu tenho tomado posse dele e com meu testemunho de vida, meus escritos, minhas palavras, enfim em tudo que tenho procurado fazer, juntamente com minha querida esposa Teka e muitos amigos e companheiros que confiam em nós!

            Há uma pergunta que paira sobre as cabeças de muitos que estão aprendendo sobre Jesus pela primeira vez. Por que Jesus veio ao mundo, não teria Deus outro método? Essa pequena história ilustra o porquê de Jesus ter vindo ao mundo: um certo homem tinha um formigueiro em seu jardim. Todo dia ele ficava ali sentado, observando-as. Certo dia ele notou que muitas formigas estavam saindo do formigueiro e caminhando juntas em direção ao lago. O homem percebeu que se caíssem no lago elas morreriam, então tentou impedi-las, colocando a mão em seu caminho, para que assim elas retornassem ao formigueiro em segurança. Porém as formigas passavam por cima da mão do homem e continuavam seus caminhos. O homem então criou uma barreira de terra para que dali elas não passassem, procurando assim salvá-las, mas mais uma vez as formigas transpassaram essa barreira e continuaram seus caminhos. O homem então pegou algumas formigas que continuavam no formigueiro e as levou até onde estavam as formigas que caminhavam em direção ao lago, na esperança de que essas formigas trouxessem as outras de volta ao formigueiro. Porém, as formigas que caminhavam ignoraram as outras formigas, e continuaram seus caminhos. Então o homem começou a gritar: Hei, vocês, voltem! Se vocês forem por aí vocês vão morrer, não façam isso, esse é um caminho de morte. Mas as formigas não o ouviam. Então o homem fez o seguinte: Fez-se formiga e foi até onde elas estavam caminhando e as avisou, lhes contou o que elas deveriam fazer para que assim voltassem em segurança para o formigueiro. E muitas delas voltaram, e de geração em geração foram ensinando as outras formigas a não tomarem o caminho do lago.

Deus não se transformou em formiga, mas se fez homem para avisar a todos que o caminho que estavam tomando era um caminho de morte e que a vida que tinham estava os levando ao inferno, mas Deus não queria isso, Deus nos queria com Ele, ao lado dele.

Na história acima, quando o homem coloca a mão para que as formigas voltem, ilustra quando Deus tentou falar com o povo para que eles não continuassem vivendo daquela maneira.

A barreira de terra que o homem fez, tentando assim controlar as formigas, impedindo-as de ultrapassá-la, foi quando Deus deu a Moisés os dez mandamentos, porém muitas pessoas passaram por cima dos dez mandamentos e continuaram suas vidas de pecado.

Então o homem mandou algumas formigas que permaneceram no formigueiro para avisar as outras, porém elas as ignoraram. Deus da mesma maneira mandou os profetas para a visar o povo, para que eles deixassem o pecado e obedecessem a Deus, porém muitos continuaram não dando atenção.

Então Deus se fez homem, e veio ao mundo alertar ao homem sobre a vida pecadora que ele estava levando, e veio afim de que mudassem de vida. Vivessem suas vidas dedicadas ao Senhor e afastada do pecado. Pois como está escrito na bíblia: E assim quem está em Cristo é nova criatura: as coisas antigas já passaram, e eis que se fizeram novas.

Jesus morreu por você! Assim como morreu por mim, Jesus morreu por você também. Mas como? Eu nem sei direito quem é esse Jesus, não me interesso por ele. Como poderia ele ter morrido por mim? Mesmo você não o conhecendo, Jesus o conhece, quando você ainda estava na barriga de sua mãe Jesus já sabia seu nome, e quando ele estava pregado na cruz do calvário ele sabia que estava ali por você.

Mas afinal. Por que Jesus morreu por nós? O homem sendo pecador está afastado de Deus, porém Deus, no seu infinito amor, se recusa a deixar-nos dessa maneira. Contudo, Deus precisava resolver o problema do pecado da humanidade.

            Existe uma pequena estória, provavelmente de Josh McDowell, que usa um incidente ocorrido na há vários anos na Califórnia para ilustrar o que Jesus realizou na cruz: Uma jovem foi detida por um policial por excesso de velocidade. Ela recebeu a multa e compareceu perante o juiz, como estabelece a lei da Califórnia. O juiz leu a acusação e perguntou a jovem: "Você se declarara culpada?". Sim - respondeu a moça. O juiz baixou o martelo e a multou em 100 dólares ou dez dias de detenção. Logo após aconteceu um fato impressionante. O juiz levantou-se, tirou a toga, deu a volta e chegou à frente da mesa. Retirou a carteira do bolso e pagou a multa. O juiz pagou a multa! O juiz era o pai da moça. Ele amava muito a sua filha, mas não poderia simplesmente lhe dizer: "Como eu lhe amo muito, lhe perdôo. Pode ir embora". Se tivesse procedido dessa maneira não seria um juiz honesto. Não estaria cumprindo a lei. Mas ele amava tanto a filha, que estava disposto a desvestir-se da toga, descer de sua posição, ir à frente do tribunal, e representá-la como seu pai e pagar a multa.

Essa ilustração nos mostra até certo ponto o que Deus fez por nós através de Jesus. A Bíblia diz que o salário do pecado é a morte, sendo assim, todos nós, sendo pecadores, estávamos condenados a não gozar da vida Eterna que Deus nos reserva. Porém, sendo um Deus de amor, ele estava disposto a descer de seu trono na forma de Jesus e pagar o preço por todos nós, que foi sua morte na cruz.

Talvez você esteja se perguntando: Não seria muito mais fácil Deus apenas nos perdoar e nos instruir a não mais pecar? Por muitas vezes Deus instruiu o povo a não pecar e o perdoou. Primeiro precisamos entender que sempre que há perdão, há também algum tipo de compensação. Digamos que um filho, correndo pela casa, esbarre em uma televisão e a deixe cair no chão. O garoto começa a chorar, então o pai o abraça e diz: Filho, não chore, papai o ama e o perdoa. Talvez você se pergunte agora: Mas não é exatamente isso que Deus deveria fazer? Tudo bem, mas quem paga pela perda? O pai pagará! Há uma perda, a bicicleta, e alguém deve pagar por ela, mesmo que o pai não compre outra bicicleta, o preço a ser pago é ficar sem tv.

Digamos que eu o insulte na frente de várias pessoas. Mais tarde, arrependido, vou até você e lhe digo: Me desculpe, fui um tolo, me perdoe pelo que eu fiz. Você pode me perdoar, porém quem estará pagando o preço do insulto é você.

Caro amigo/a foi exatamente isso que Deus fez, Ele nos perdoou no seu infinito amor, mas estava a disposto a descer de seu trono, e ele próprio pagar o preço por todos nós através do seu sacrifício na cruz, e para que através desse sacrifício e de nossa confiança em Jesus nós possamos novamente estar unidos com Deus.

No princípio de toda historia da humanidade, Deus colocou o primeiro homem no mundo, Adão, e desde então a terra começou a ser habitada. A partir de Adão, passaram-se aproximadamente dois mil anos quando surgiu no mundo um outro homem de real importância para a história da salvação. Trata-se de Abraão. Algo extraordinário aconteceu no relacionamento entre Deus e os homens através de Abraão. Deus estabeleceu uma aliança fazendo uma promessa a esse homem. Este fato é vital para a nossa contemplação de Jesus Cristo, sempre lembrando que as promessas de Deus cumprem-se literalmente na íntegra.

Vamos destacar duas promessas feitas por Deus a Abraão,

1) Deus estabeleceu que a descendência de Abraão seria extremamente numerosa, comparada com as estrelas no céu e a areia do mar.

2) A descendência de Abraão possuiria a terra perpetuamente.

“Quanto a mim, eis o meu concerto contigo é e serás o pai de uma multidão de nações. E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai da multidão de nações te tenho posto. E te farei frutificar e de ti farei nações, e reis sairão de ti. E estabelecerei o meu concerto entre mim e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, por concerto perpétuo, para te ser a ti por Deus e a tua semente depois de ti. E te darei a ti e a tua semente depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-ei o seu Deus. (Gn 17, 4-8)”. Então, o levou fora e disse, Olha, agora, para os céus e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe, Assim será a tua semente. (Gn 15, 5).

É muito importante notar a Palavra onde diz "concerto perpétuo". Considerando que a Palavra de Deus é perfeita, fiel e verdadeira. Considerando também que concerto perpétuo significa eterno, para sempre, concluímos que essa promessa nunca será extinta e permanecerá por toda eternidade. Através dessa promessa surgiu no mundo um povo especial controlado e protegido por Deus. É o povo de Israel. Para quem não sabe, Abraão, que recebeu a promessa, teve um filho chamado Isaac. Isaac por sua vez teve um filho chamado Jacó o qual teve o seu nome mudado por Deus e que passou a se chamar Israel. Este, por sua vez, teve doze filhos que se constituíram nas doze tribos de Israel, e são essas doze tribos de Israel que estão na linha da promessa feita por Deus a Abraão.

A partir de Abraão, passaram-se aproximadamente mais dois mil anos quando surgiu na terra outro homem muito mais importante do que Adão e de Abraão. Trata-se agora de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Através de Jesus foi feita uma nova aliança, quando surgiu um outro povo especial, controlado e protegido por Jesus. Trata-se agora da Igreja de Jesus Cristo, a qual já está com mais de dois mil anos de idade, a exemplo dos períodos anteriores.

A história da igreja começou com Jesus Cristo quando ele ordenou aos seus discípulos que divulgassem o evangelho da graça por todo o mundo. E disse-lhes, Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. (Mc. 16, 15-16).

 

Caro leitor/a para que você possa entender e sentir todo amor que João sentia de Jesus, é importante você contemplar algumas passagens do evangelho. Procurar entender e sentir o cerne da missão de Jesus, tornar presente o Pai como Amor e Misericórdia. Toda a sua vida foi uma eloqüente demonstração da Misericórdia divina para com os homens. A revelação da Misericórdia de Deus aparece nas parábolas e na própria prática de Jesus (refeições e curas).

Nao se esqueça da proposta de uma leitura orante e contemplativa que fizemos no início do livro, cap IV, bem como do roteiro de oração, para que você possa experimentar, a verdade do perdão; abandonar-se a Deus, sem reservas; deixar Deus ser “maior” onde Ele mais gosta, no perdão; pedir e gostar internamente da misericórdia de Deus; alegrar-se com a Bondade infinita de Deus e ser testemunha e sinal da Misericórdia de Deus.

Segundo Dom Odilo Pedro Scherer, Bispo Auxiliar de São Paulo e Secretário Geral da CNBB, o Projeto Nacional de Evangelização, “Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida”, é uma proposta missionária da CNBB para toda a Igreja Católica no Brasil. Dois são os principais objetivos: proporcionar aos católicos praticantes uma renovada experiência da própria fé, mediante o encontro pessoal com Jesus Cristo vivo, e motivá-los para uma nova atitude missionária. É fundamental a renovada experiência da fé, para redescobrir o valor da própria fé, a razão da pertença à Igreja e a alegria de crer. Uma fé apenas superficial é como planta sem raiz profunda que, ao primeiro sol quente, seca, ou é arrancada pelo vento forte. Nossa fé é preciosa: Cremos como creram os apóstolos, os mártires, os santos, tantos pregadores e evangelizadores que, ao longo de dois mil anos de Cristianismo, nos transmitiram esta “herança apostólica”, muitas vezes ao preço da própria vida. Sem mérito nosso, mas por graça de Deus, estamos na Igreja fundada por Jesus sobre as colunas dos Apóstolos e enriquecida pela dedicação e a vida santa de incontáveis multidões.

A nova atitude missionária, tão necessária à Igreja no Brasil, vai ser possível somente se houver cristãos profundamente apaixonados por Jesus Cristo e serenamente amantes da sua Igreja. E disso nascerão também os desejados novos frutos da fé, através do testemunho da caridade e do serviço à sociedade e da edificação do mundo, segundo as propostas e valores do reino de Deus.

O Projeto “Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida” também nos convida ao interesse em comunicar a herança apostólica aos outros. Não se retém para si a “Boa Notícia” e a experiência de vida que faz bem à gente. Atenções especiais devem receber os católicos que foram batizados, mas não evangelizados, para que também eles possam descobrir a alegria de crer. “Ver” e encontrar Jesus Cristo, são encontrar Deus. Esta é a aspiração mais profunda de cada coração humano.

Jesus Cristo não é meramente uma pessoa importante que viveu e morreu há muitos anos atrás. De acordo com a Bíblia, ele é o Deus Criador, que viveu nesta Terra, como homem, para derramar seu sangue e nos dar vida, resgatando esta humanidade pecadora do poder do pecado, de Satanás e da morte. Ele está vivo hoje e dá vida eterna a todos quantos o buscam.  Aceitar ou rejeitar a Jesus Cristo é uma questão de vida ou morte. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida (1João 5, 12). E não há salvação em nenhum outro; porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (At 4, 12). 

Que Deus se torne bem real para você ao contemplar a vida maravilhosa de Jesus Cristo! E a vida eterna é esta, que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste (Jo 17, 3).

É bom ter em conta esta indicação já que nossa cultura ocidental é hiper-intelectual, mas é muito pobre no desenvolvimento do mundo afetivo interior. O manejo dos conceitos a um nível superficial faz a pessoa acreditar que alcançou a verdade à qual estes conceitos remetem. Portanto, devemos aprender a nos colocar na senda da experiência de Deus, diferente do mero saber sobre Deus, por meio do “sentir e saborear internamente”.

Como já meditamos anteriormente existem traços que diferenciam entre “experiência” e “saber”. A experiência de Deus é vivida a partir do centro da pessoa intervém a própria afetividade; a totalidade da pessoa se sente surpreendida; tem uma sensação de novidade; não se consegue verbalizar, explicar com palavras; unifica interiormente; dá-se uma mudança na pessoa, na percepção do mundo e de si mesma.

Para alcançar o Deus do Evangelho, uma radical e profunda “re-conversão” se torna necessária. Distinguir o Deus que surge das carências e necessidades mais profundas e primitivas de nosso mundo afetivo do Deus que nos é revelado através das palavras e ações de Jesus de Nazaré, constitui uma experiência única por suas repercussões decisivas em nossa vida pessoal e comunitária da fé. O “Deus infantil” é um Deus “providência-mágica” que está ali primordialmente para gratificar e tornar suportável a dureza da vida. É um aliado do eu. Entretanto, o “Deus de Jesus” é Aquele que nos descentra e nos lança à realidade, com toda a dureza que esta pode nos apresentar em muitos momentos de nossa existência; em lugar de solucionar os problemas, Ele prefere nos dinamizar para que nós mesmos trabalhemos na busca de soluções.

O “Deus de Jesus” não veio para nos dar explicação cabal às grandes questões existenciais e a cada um dos problemas e incógnitas que a vida nos coloca. A vida, o mal, e a morte, o sofrimento dos inocentes, e o sentido do futuro humano, etc. Permanecem como incógnitas, de certo modo escandalosas, para as quais o cristão não possui respostas pelo simples fato de crer. Neste sentido, ele não está em situação privilegiada em relação aos que não crêem. Somente o diferenciam a esperança de saber-se e sentir-se acompanhado por Deus; mas que tem um olhar diferente – olhar contemplativo – capaz de perceber o “mistério” e o “sentido” de todas as coisas e de todos os acontecimentos.

 

X-FAZER-SE DISCÍPULO DE JESUS CRISTO

            “Ó Verbo de Deus amado, ensinai-me a ser generoso, a Vos servir como mereceis, a dar sem contar, a combater sem temor das feridas, a trabalhar sem procurar repouso, e a me consumir sem esperar outra recompensa senão a de estar certo de que faço a Vossa Santíssima Vontade”. (Santo Inácio de Loyola).

            A conversão do coração e o chamado para a missão são duas etapas consecutivas e inseparáveis que revelam a obra de Jesus. Ninguém pode dizer: “Senhor, afasta-te de mim que sou um pecador”, sem logo ouvir: “Vem e segue-me” (Lc 5,11). Por outra parte, ninguém pode trabalhar na obra de Cristo, sem antes se ter reconhecido como pecador, sem antes ter feito a experiência da misericórdia, da conversão.

            Jesus Cristo nos liberta para seguí-lo. Ele nos salva, nos dá a sua vida e, sempre respeitando nossa condição de homens livres, nos convida para nos associar à sua obra: a realização do Reino de Deus (a Vontade do Pai) através deste mundo marcado pela dor, pobreza, injustiça.

            Neste empreendimento cada um de nós deve descobrir a sua maneira de melhor corresponder. Neste chamado feito a todos, devemos escutar a parte que nos cabe: que vou fazer de minha vida? A quem vou entregá-la? Para que vou contribuir? Nós, na nossa pobreza, fomos convidados para colaborar com Jesus na reconstrução do homem e do Mundo. Que resposta nós daremos?

            Aqui não se trata tanto da grandeza da obra ou da importância daquilo que fazemos, mas do modo como Cristo quer a nossa colaboração: participar de sua vida, sofrimento, serviço, pobreza. Identificar-se com Ele. Desprender-nos de nossa maneira de viver, para revestir-nos da maneira de viver de Cristo.

            Aceitar ouvir o chamado de Jesus é aceitar por em questão nosso estilo de vida, nossos valores, nossos projetos.

Hoje você fará sua oração meditando sobre o texto que vem a seguir:

1ª PARTE

1. Imagine-se diante de um líder reconhecido por todos como tal, por sua honestidade, visão, humanismo e qualidades pessoais. Ele propõe uma campanha de nível mundial, com um plano concreto e realista para iniciar uma renovação de toda a sociedade a nível pessoal e estrutural, com base para criar um mundo novo, mais justo e fraterno.

2. Este líder se apresenta diante de você, precedido por sua justa fama, para expor-lhe seu plano e está pedindo voluntários de diversos tipos:

            - Simpatizantes - que dêem apoio moral

            - Colaboradores - que dediquem parte de seu tempo

            - Comprometidos - plenamente dedicados

3. Diante deste chamado, como você responderia?

             Como se sentiria se não respondesse positivamente?

2ª PARTE

1. Jesus, o Filho de Deus feito homem, totalmente solidário com os homens, especialmente com os pobres e necessitados, propõe seu plano de salvação e de verdadeira libertação da humanidade com a instauração do Reino de Deus: construir uma nova realidade, na qual todos se reconheçam e se amem como irmãos.

2. Apresenta-se a cada homem e, agora, a você, para chamar-lhe e dizer-lhe: “Minha vontade é construir o Reino de Deus. Convido-lhe para que me siga. Eu estarei com você e você estará comigo em todos os momentos. Passaremos juntos alegrias e tristezas, esperanças e dores”.

3. Os que, além de juízo e razão, tenham coração, oferecer-se-ão sem reserva, seguindo a Jesus, e colocarão suas vidas e toda a sua pessoa a serviço do Reino de Deus, dispostos a lutar contra o próprio egoísmo e contra toda a dificuldade que se apresente, e vencendo seus temores dirão a Ele: “Eterno Senhor de todas as coisas, eu faço a minha oblação com o vosso favor e ajuda, diante da vossa infinita bondade, e diante de vossa Mãe gloriosa e de todos os santos e santas da corte celestial. Eu quero e desejo e é minha determinação deliberada, contanto que seja para vosso maior serviço e louvor, imitar-vos em passar por todas as injúrias e todas as humilhações e toda a pobreza, tanto material como espiritual, se Vossa Santíssima Majestade me quiser escolher e receber em tal vida e estado!”( oblação de santo Inácio)

Pedir como Graça - Senhor, dá-me a graça de não ser surdo ao seu chamado: que eu coloque toda minha criatividade, meu ânimo, minhas forças a Teu serviço.

Revisão da oração - Diante de Cristo que te convida a seguí-lo, que te chama pessoalmente a participar de sua missão, o que você respondeu?

 

XI-O AMOR DE DEUS SE ENCARNA

Ao penetrar no Mistério da Encarnação, gesto extremo do Amor Trinitário, que encerra dentro de si o inteiro plano da redenção da humanidade; peço a graça do conhecimento íntimo de Jesus, Verbo Encarnado; que o possa conhecer por dentro - suas disposições de amor para com os homens - a fim de que mais o ame e melhor o siga.

            Pela tua simples Palavra, Trindade Santa, existe mundos celestes e terrestres, espaços, mares, terras, continentes; pela tua simples Palavra existem seres inanimados e animados: vegetais e animais em espécies incontáveis, em cores aos milhares. Pela tua simples e eterna Palavra existe o homem, criado à tua Imagem, destinado a plenificar a obra iniciada. “Crescei e multiplicai-vos” é a tua Palavra, ó Trindade! E homens da raça branca, negra e amarela nascem, povoam o mundo, trabalham, convivem, comem, dormem, sonham, inventam, criam, vivem, morrem.

            Entretanto, ó Trindade Santa, em meio a este esplendor de vida, levanta-se o poderio de morte, nascido do mesmo ser - homem livre - criado à tua: “Imagem e Semelhança”. E a liberdade, mal usada, faz vítimas: irmãos matam irmãos, nações se digladiam: ódio, inveja, soberba, orgulho, gula, calúnia e maledicência se tornam um arsenal de guerra no coração daquele que pelo Criador fora pensado para ser foco de luz e explosão de amor. Então, na eterna comunhão trinitária, nasce novo gesto de amor que, do infinito alcança o finito na história, manchada de sombras, morte e pecado, a fim de salvar, restaurar, redimir, santificar o homem decaído.

E no teu seio, ó Trindade Santa, se faz ouvir, pleno de compaixão, a voz do Filho: “Eis que eu venho. Fazer vossa vontade, meu Deus” (Sl 39), voz que encontra eco na filha mais bela, mais plena do Espírito que assim fala: “Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38). E, Maria Virgem, se torna santuário que acolhe a Palavra na realidade da mais pequenina parcela vital que dá origem ao Deus feito Homem. Sim, Trindade Santa, a tua filha crente, pobre, acredita na vinda de Deus misericordioso, do Deus cumpridor da promessa de libertação dos pecados de seu povo, do Deus que é Deus da justiça, no Deus que cumula os pobres de bens.

            E o Verbo, que era desde o Princípio, desce das alturas da glória, esconde a própria glória na pequenez de um ser que começa a existir e a se desenvolver na carne humana. “O Verbo se fez carne” (Jo 1,14).

           

Caro amigo daqui para frente não deixe de usar o roteiro de oração indicado no cap IV, pois quem faz a experiência da contemplação na oração deverá também ser um “contemplativo na ação”, isto é, no engajamento e no serviço. Tal como fazemos na oração, devemos fazer na ação, dando os passos próprios de toda contemplação:

            -“Olhar as pessoas.” e nelas descobrir a Pessoa do Senhor;

            -“Escutar o que dizem.”: entre todas as vozes que escutamos, perceber e discernir qual é a do Senhor e o que Ele tem a lhe dizer hoje;

            -“Observar o que fazem”: participar, fazer-se presente. Optando, colaborando de modo evangélico numa tarefa. Querendo construir a história dos homens com os valores do Evangelho.

A partir de agora, quando se usa o método de contemplação, o colóquio não é somente para o final da oração, mas também durante ela, particularmente quando você se faz presente nos acontecimentos. Conversação supõe falar e escuta do outro que fala. Assim, imagine Jesus, Maria ou outra pessoa falando com você e vice-versa. Deus se manifesta também através de nossa imaginação.

Com “os olhos da fé” temos acesso ao mistério de Deus e podemos olhar o mundo com os olhos de Deus. Esta visão do mundo dos desesperançados e desesperados, quando é feita com os olhos da Trindade, é de uma extraordinária fecundidade apostólica.  Ela gera, naquele que contempla, “entranhas de misericórdia” e leva à entrega e ao compromisso em favor dos perdidos. Quem, movido pelo desejo de imitar e seguir a Cristo, se perguntar: “Que fiz por Cristo? Que faço por Cristo? Que farei por Cristo?” Será movido a dar uma resposta que o levará à Encarnação no mundo dos homens, a ser presença eficaz na realidade que vive.

            Ao contemplar o mistério da Encarnação contemplamos o mistério de Deus, que é comunhão intratrinitária e ao mesmo tempo, o mais profundo do mistério do homem, criado para a comunhão com Deus e com todos os homens. É justamente através da encarnação do Filho, da sua Kénosis, isto é, do seu “abaixamento” e “esvaziamento”, que Deus manifesta sua majestade e sua grandeza, seu poder e sua glória. A glória de Deus manifesta paradoxalmente seu máximo esplendor na fragilidade da “carne” do Verbo. A forma em que se manifesta o poder e a glória de Deus é a do Amor “condescendente”, a da misericórdia e da compaixão, que “desce” em busca dos perdidos, que “desce” até a condição de perdição dos “homens que Deus ama”, para salvá-los. A única explicação da “descida” de Deus é o seu “amor compassivo”, seu “amor apaixonado”, a “paixão do seu Amor”.

A razão última da Encarnação é o próprio Deus. Porque “Deus é Amor” (1Jo. 4,8) e o Amor exige proximidade e comunhão de vida e de destino, Deus sai de si, num êxodo de Amor, para auto-comunicar-se pessoalmente a nós na sua plenitude, conservando sua infinita plenitude; para poder partilhar em tudo nossa vida, “menos no pecado” (Heb. 4,15).

            A indigência e a impotência dos homens atrai a plenitude do poder e da graça de Deus. Para nos libertar do cativeiro, o Filho de Deus assume a condição de escravo. Assume nossa “carne”, ferida e caída, para elevá-la à dignidade de filhos e filhas de Deus. “Esvazia-se” de sua glória para plenificar-nos e glorificar-nos.

No momento em que o Verbo de Deus se faz homem, o homem chega à plenitude de sua realização, para o qual tendia sempre sem nunca poder alcançá-la: ser abertura total a Deus. A descida de Deus até o homem é a que possibilita a subida dos homens até Deus.

No Verbo feito homem nos é revelada a grandeza, a dignidade, o mistério inesgotável do homem: o homem finito tem acesso ao infinito, entra em comunhão com o infinito, recebe uma dignidade infinita. “Assumiu nossa Humanidade para fazer-nos participantes de sua Divindade”. Este mundo nunca deixará de ser finito, frágil. tenda precária, imprópria e indigna para Aquele que imaginamos nas alturas inalcançáveis ou nas profundezas impenetráveis, mas é o único lugar que ora é  possível a Deus estar junto dos homens e aos homens estarem perto de Deus.

Qual foi o propósito de Jesus em vir ao mundo: A Encarnação é o ponto de chegada de toda a história anterior de salvação e de perdição da humanidade. Mas é, sobretudo o ponto de partida de uma nova Criação, de uma nova humanidade. Na Encarnação do Verbo de Deus nossa história torna-se sua história, nosso tempo torna-se seu tempo. O Deus transcendente e incompreensível tornou-se proximidade máxima num tempo e num espaço de nossa história: na carne de Jesus de Nazaré. As “loucuras” do amor de Deus são incompreensíveis para os que se julgam “sábios” e ininteligíveis para as pessoas “sérias”. Para ter acesso a Ele é necessário fazer-se “criança”. Para “conhecer” a realidade e a verdade do Nascimento de Jesus precisamos de olhos novos e de um coração novo.

Na Oração:

Com “os olhos da fé” temos acesso ao mistério de Deus e podemos olhar o mundo com os olhos de Deus. Esta visão do mundo dos desesperançados e desesperados, quando é feita com os olhos da Trindade, é de uma extraordinária fecundidade apostólica.  Ela gera, naquele que contempla, “entranhas de misericórdia” e leva à entrega e ao compromisso  em favor dos perdidos.

Quem, movido pelo desejo de imitar e seguir a Cristo, se perguntar: “Que fiz por Cristo? Que faço por Cristo? Que farei por Cristo?” Será movido a dar uma resposta que o levará à Encarnação no mundo dos homens, a ser presença eficaz na realidade que vive.

Textos bíblicos a serem contemplados, conforme roteiro do cap IV: 1) Hb 2,1-18; 2) Rom 8,1-17; 3) Ef 1,3-14; 4) 2Tim 1,6-14; 5) 1Jo 1,1-4;  6) Gl 4,1-7; e 7) 2Cor 5,11-21.

 

XII-JESUS FOI CONCEBIDO DE FORMA SOBRENATURAL

Depois de contemplar a devastação causada na humanidade pelo pecado, “chegada a plenitude dos tempos”, Deus que é comunhão intratrinitária e que criou os homens para a comunhão, “põe por obra a santíssima encarnação”. Ao olhar contemplativo de Deus segue-se a decisão e a ação. A salvação querida por Deus é universal, mas encarna-se no particular, no ponto de intersecção de um tempo e de um espaço únicos: na casa e no corpo de Maria de Nazaré, na Galiléia.

Esse ponto torna-se o centro da história, o ponto de apoio e de partida de um movimento pelo qual o Filho assume a condição humana para fazê-la retornar consigo, pelo poder do Espírito, ao Pai.

Maria é o primeiro e mais belo fruto do olhar de misericórdia da Trindade sobre a humanidade e de sua decisão de salvá-la.

“Um anjo faz o anúncio, uma virgem o escuta, crê e concebe. Na alma, a fé, e no ventre, Cristo” (S. Agostinho).

Para revelar e realizar a Encarnação do seu Filho, Deus não escolheu o templo nem uma família sacerdotal. Nazaré, lugarejo situado na Galiléia dos gentios, uma terra considerada abandonada de Deus, da qual “não havia saído nenhum profeta” (Jo. 7,52), foi escolhida por Deus para a encarnação do seu Filho.

Não menos estranho é o fato de Deus ter escolhido como forma de entrada na nossa história uma jovenzinha de Nazaré, aldeã com um nome comum, totalmente desconhecida e insignificante aos olhos dos grandes do mundo, como tantas Marias do nosso povo.

Para realizar a salvação dos homens, Deus escolhe o insignificante e desprezado pelos homens. Escolhe o caminho do “esvaziamento” e do “amor louco”. Verdadeiramente, os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, e seus pensamentos não são os nossos pensamentos (Is. 55,8).

Por que será que Jesus nasceu pequenino e pobre?

       É que nada é digno de Deus, nada está à sua altura para poder acolhê-lo. Nenhum tipo de ornamento, nenhum palácio, nenhuma forma de sabedoria humana. Por isso, Deus resolveu escolher um lugar onde não houvesse nada, onde não houvesse concorrências ridículas. Deus só se manifesta onde Ele é tudo. Na manjedoura, na verdadeira pobreza. Em Maria, na pobreza do coração. Se meu coração se transformar em manjedoura, Deus se fará pequenino para nele vir nascer de novo.

Jesus nasce na periferia do mundo, na periferia do poder político (Roma), do poder religioso (Jerusalém), do poder intelectual (Grécia). Jesus nasce, vive e começa a falar a partir da margem geográfica, cultural, religiosa e econômica. O próprio Jesus é margem: Belém e o Calvário são os dois extremos periféricos – início e fim de toda uma vida desinteressada e pobre. Todos tinham os olhos voltados para o centro. Jesus, no entanto, movimenta-se em direção contrária: sobe, a partir da mais baixa periferia para o centro. Jesus descentraliza o mundo a partir da periferia e torna-se o centro da história. A vida de Jesus é excêntrica, porque não combina nem se ajusta com a construção social de todos aqueles que controlam o mundo a partir do centro. A ação de Deus provoca um deslocamento geográfico, social e religioso. Todo aquele que pretende encontrar-se com Jesus terá de voltar a cabeça e peregrinar em direção à margem. Cada passo na direção das periferias do mundo também é um passo contemplativo em busca do encontro com o Senhor da História, que nos chama de baixo e de fora.

Hoje queremos contemplar o teu Nascimento, Senhor. Tudo foi preparado com muito amor, desde o início, para que este momento pudesse acontecer. Tudo estava sendo organizado para te acolher, Senhor! Tudo o que Ele fez era bonito e bom! Até o homem e a mulher eram bons! “E Deus viu que tudo o que tinha feito era muito bom” (Gn 1,31) e ficou muito contente!

Mais tarde, a liberdade do homem começou a trilhar outros caminhos que não eram os do Criador. A humanidade, afastando-se do projeto do Pai, atingiu toda a criação com a sua rebeldia. As conseqüências foram catastróficas. Os irmãos até se matavam (Gn 4,8) e os homens tiveram medo de si mesmos, dos outros e até de Ti, Senhor! (Gn 3,10). Os efeitos foram terríveis. Houve uma ruptura total contigo, nosso Criador e com todas as criaturas. A morte se apoderou de todos nós! Era noite, Senhor, e fazia excessivo frio!

Vendo nosso desespero, olhastes com mais amor para essa bela obra de tuas mãos. “Façamos redenção!” Dissestes, e não brotou outra idéia melhor do que mergulhar na nossa treva e Te fazer um de nós. Bendita aquela noite, Senhor!

“E o Verbo se fez carne!” (Jo 1,14) Para que nenhum de nós se pudesse sentir eternamente afastado de Ti, Te fizeste um de nós.  

Maria, tua serva fiel de Nazaré, desde cedo, ficou cheia de graça por Ti. Nela, Tu nos escolheste para acolher o Teu Filho muito amado. Realmente todos estávamos perdidos no meio de um mundo tenebroso. Ela foi a primeira a ver a luz. Foi a primeira a Te ver, amar e acolher.

E Tu vieste ao meio de nós! Assumiste carne humana, como a nossa! E a partir desse momento toda a humanidade ficou iluminada. Teu Nascimento foi a nossa salvação!

Mas, teu Nascimento também nos ensina outras coisas. Tu nasceste na periferia do poder político, para que entendêssemos que não é a força do poder, seja ele qual for, que nos salva. Apareceste na periferia do poder intelectual para que compreendêssemos que, a sabedoria que nos salva, não consiste no muito saber, mas no entender e acolher, como pobres e pequenos, a Ti, Jesus. Também ficaste na periferia do poder religioso, para que todos aqueles que se encontram às margens de tudo pudessem Te receber como algo próprio. Teu Nascimento, Senhor, rompeu todos os nossos esquemas. Temos de aprender a Te acolher como Tu és e não como queremos que Tu sejas. Tu és, realmente, um Deus diferente.

Jesus, teu Nascimento Te situou dentro da nossa história, pobre história. Nasceste nos limites do tempo e do espaço, como um de nós. Não teve medo de entrar nessa realidade transtornada da história de um povo oprimido e indesejável, membro de uma família empobrecida, cidadão de um país marginalizado.

Na manjedoura Tu estás como um de nós! Vejo-Te com as mãos e os pés enfaixados! Embrulhadinho, totalmente dependente de nós! Realmente Te colocaste nas nossas mãos, confiaste imensamente no acolhimento que podíamos Te dar!

Jesus, ao Te ver tão pequenino e limitado, quero me colocar a tua disposição. Quero que minhas mãos sejam agora tuas mãos. Age por meio de mim, Senhor, e que meus pés possam levar até lá, onde Tu queres chegar. Tua Palavra, Verbo de Deus, forte e poderosa, agora é balbuciada e calada. Que a minha pobre palavra seja, agora Senhor, a Tua Palavra.

Teu Nascimento, Senhor, tão pobre e pequeno, me desconcerta. Lembro-me de tantos nascimentos. Na vida que surge estás Tu, plenitude da Vida! Ensina-me a Te ver na vida que nasce! Que eu não fique cego diante do pobre e do pequeno!. Que eu não fique surdo diante de tanta palavra balbuciada por aqueles que, neste mundo, se parecem contigo, Senhor!

A vida é frágil e pequena e precisa de todos nós para poder desabrochar na sua plenitude. Que a minha vida, Senhor, esteja a serviço da vida! Quero assumir, com alegria, atitudes diferentes. Não quero fazer a minha história a partir do poder, do prestígio e do prazer. Teu Nascimento me compromete com a vida e vida em plenitude (Jo 10,10).

Faz-me nascer de novo, Senhor, para este novo modo de viver!

Peça a Graça: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.           

Contemple, seguindo o roteiro e oração preparatória, em Lc 2,1-21

Revisão da oração - O que é para você Jesus fazer-se pobre com os pobres?

 

 Jesus recebe adoração: por que os Magos deixaram sua terra e se puseram a caminho? Guiados pela estrela no céu e pela estrela de uma grande esperança no coração, começam a peregrinar. Na sua busca, examinam o céu e auscultam o próprio coração. Porque buscam, empreendem o caminho. “Não se puseram a caminho porque viram a estrela, mas viram a estrela porque se puseram a caminho” (S. João Crisóstomo). Colocam-se a caminho porque têm perguntas e inquietações no coração. São o símbolo dos que buscam. “Anunciam e perguntam, crêem e buscam; simbolizando aqueles que caminham na fé e desejam a realidade” (S. Agostinho).

Às vezes, é depois de uma longa caminhada quando temos de enfrentar as maiores provações e as perguntas mais dilacerantes e perigosas.

Essas perguntas fazem parte da providência de Deus. Na verdade, Deus está presente nelas, porque são perguntas por Ele. Depois de empreender o caminho do êxodo, de atravessar o deserto e a noite, quando a estrela que nos acompanhou, orientou e deu força ao longo da travessia, desaparece, deixando-nos às escuras; quando parece que Deus nos abandonou e não caminha mais ao nosso lado, então se torna necessário perguntar: por quanto tempo os Magos caminharam?

Não sabemos. O que sabemos é que caminharam juntos, em comunidade. Por isso chegaram juntos. O longo caminho da busca, feito no despojamento e na obediência aos sinais de Deus, enfrentando o cansaço e os obstáculos, a incompreensão e o menosprezo, só pode ser feito em comunidade.

Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam, Onde está o recém nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.

Guiados pela estrela no céu e pela estrela de uma grande esperança no coração, os magos puseram-se a caminho. Na sua busca examinam o céu e escutam o próprio coração. Porque buscam, empreendem o caminho, vêem a estrela. Põe-se a caminho porque têm perguntas e inquietações no coração.

Para chegar ao encontro com Deus é necessário atravessar, como os magos, desertos escaldantes e noites escuras, desinstalar-se, vencer novos obstáculos. Quem quer encontrar a Deus, não pode ficar preso ao passado. Precisa partir sempre de novo, mudando, cada manhã, o modo de pensar, a maneira de esperar e a forma de viver.

Para encontrar Jesus é necessário à busca e o discernimento. Só começa a buscar quem tem os olhos e o coração abertos para as realidades que estão além do que vêem os olhos e do que sente o coração. Sair do nosso pequeno mundo e empreender um caminho novo. Um coração aberto e despojado saberá distinguir a voz de Deus das vozes que nos querem afastar do seu caminho.

Quem é movido por uma grande esperança ou por um grande amor, tem força e entusiasmo para deixar tudo o que tem. E partir, enfrentando obstáculos, correndo riscos. A “estrela” guia nossa busca apontando para o “mais”.

Muitas vezes, a estrela que nos acompanha, que nos guia e dá força para o caminho, desaparece, deixando-nos às escuras. Quando parece que Deus nos abandonou e não caminha mais ao nosso lado, então se torna necessário perguntar: “Onde está o rei dos judeus, recém-nascido”?

Herodes e os magos. Os que estão contra Jesus e os planos de Deus, e os que estão a favor de Jesus e do plano de Deus. Os que não reconhecem Jesus e os que O buscam e acolhem.

Jesus nos perturba, nos assusta, nos alarma, nos ameaça?. O que há de “Herodes” em nós? No nosso mundo?

Depois da busca e das perguntas, a estrela volta a aparecer para conduzir até o fim os que tinham sido chamados. Eles encontram um bebê numa casa pobre, filho de pais pobres, pobremente vestidos. O recém-nascido dorme segurado contra o peito de uma jovem mãe pobre. Ela nos apresenta e nos entrega Jesus, seu filho. Seu filho é para nós.

Depois que os magos viram o menino, depois que encontraram o que buscavam, os magos não precisam mais da “estrela”. A glória de Deus não está nos astros do céu, mas na fragilidade dessa criancinha.

Creram naquele menino. o adoraram. Prostraram-se! Jesus Salvador e Emmanuel, “Deus conosco”. Nosso Deus no meio de nós, como um de nós! A busca de Deus só pode terminar na adoração e na entrega. Buscamos a Deus, não para tirar qualquer vantagem em proveito próprio, mas para reconhecer Deus como Deus. “Em seguida, abriram seus cofres, e ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra”. Jesus nos espera para acolher nossos dons, nossa homenagem, nossa adoração.

Todo verdadeiro encontro com o Senhor nos despoja de nós mesmos para nos enriquecer com a sua riqueza. Quem encontrou verdadeiramente a Deus, vê o mundo e as pessoas com outros olhos.

Os sinais que Deus nos dá, nossas “estrelas”, nos levam sempre ao encontro com Jesus.

Pedir como GRAÇA: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.

Contemple seguindo o roteiro e oração preparatória, em Mt 2,1-12.

REVISÃO DA ORAÇÃO - Onde você reconhece a presença de Jesus?

 

XIII- INFÂNCIA E VIDA OCULTA DE JESUS

Satanás odeia a Jesus desde a eternidade: Jesus nasce num mundo hostil. Ele foi perseguido pelos “donos do poder” desde o início de sua vida. O não reconhecimento de Jesus por Herodes e por Jerusalém antecipa a rejeição, a condenação e a morte de Jesus na Cidade Santa, no lugar onde Jesus encontrará a maior hostilidade.

             “Ensinaram a outros a fonte da Vida e eles morreram de sede” (S. Agostinho).

O paralelismo entre Jesus e Moisés, de um lado, e entre Herodes e Faraó, de outro, é claro. Há também um paralelismo entre Jesus e o povo de Israel: Jesus revive na sua própria história a história do seu povo chamado por Deus do Egito. “Do Egito chamei meu filho” (Os. 11,1). A narrativa evangélica não é, pois, uma historiografia, não é uma seqüência neutra de fatos; ao contrário, é meditação, reflexão sobre o sentido oculto e teológico dos fatos.

A perseguição e o exílio logo no início da vida de Jesus mostram o realismo da Encarnação. Ao entrar na nossa história, o Filho de Deus esvaziou-se de sua glória e assumiu nossa condição humana, com todas as conseqüências: pobreza e impotência, trabalhos e fadigas, perseguições e ameaças de morte por parte dos poderosos de turno. Jesus e seus pais são simples exilados, parte da corrente ininterrupta de vítimas do poder, que são obrigadas a percorrer lugares inóspitos, desertos, cidades estrangeiras, gente hostil, durante o percurso dos séculos. Jesus e seus pais são irmãos de todos os refugiados políticos dos países repressivos.

Já desde pequeno Jesus se alinha com os pobres, com os últimos. Ele é um Deus frágil que arma tenda nos acampamentos dos exilados, nas favelas da miséria total; é um Deus que escolhe ser mais pobre do que suas próprias criaturas, porque “as raposas tem tocas e as aves do céu, seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt. 8,20). É um Deus que acompanha e partilha a sorte dos fugitivos, que é condenado como ateu e blasfemador, que é expulso para fora das aldeias, que é crucificado e mandado para fora da segurança, da tranqüilidade dos muros da cidade. Para Ele permanecem cerradas as portas de ferro dos palácios.

Caro amigo/a quero neste momento fazer um tributo a São José, o Homem Justo: o carpinteiro foi o escol h ido por Deus para ser o pai de Jesus na Terra. Na história dos santos católicos, nenhum é considerado tão fiel à própria fé. Conta a tradição popular que a mão de Maria era cobiçada por diversos pretendentes. O carpinteiro José, da Galiléia, sem fazer a menor idéia dos árduos tempos que viriam pela frente, acabou se tornando o marido da futura mãe de Jesus. Quando ainda eram noivos, o anjo Gabriel anunciou a Maria que ela daria à luz ao menino Jesus. José vacilou. Aquela criança que era gerada no ventre de sua mulher não era fruto de um amor carnal. Bastante confuso e angustiado, mas confiando na fidelidade de Maria, o humilde carpinteiro decidiu deixá-la secretamente, sem contar nada a ninguém.

Um sonho, entretanto, mudaria tudo. Numa noite que marca o fim do Antigo Testamento e o começo do Novo, um anjo lhe revela que aquela criança era o filho de Deus, aconselhando-o a retomar o casamento, acolher sua mulher e filho, protegendo-os acima de tudo (Mt 2, 13-15, 16).

A Bíblia pouco fala dele, mas é certo que José sempre esteve ao lado de Maria e Jesus nas maiores provações. Como guardião do filho adotivo, precisou fugir duas vezes com a mulher e o pequeno messias. A primeira para o Egito, tentando escapar de Herodes e sua ordem de exterminar todas as crianças do sexo masculino, e a segunda para Nazaré, temendo um sucessor do tirano assassino.

Pouco se sabe sobre a morte de José. Ele, provavelmente, não acompanhou o calvário do filho de Deus até a morte na cruz. Teria deixado este mundo quando Cristo tinha 30 anos. São José recebeu na Bíblia o maior título que um homem talvez possa almejar: o de homem justo. Por toda sua fé, dedicação, humildade e proteção, é o patriarca, o grande pai, o provedor. É o amigo do povo, dos pobres, dos perseguidos e dos sofredores. Vamos rezar esta linda oração de São José operário:

"Vós que viajastes pelo Egito conduzindo a Sagrada Família, enfrentando todas as adversidades, dai-me, como vós tivestes, muita saúde para enfrentar as peregrinações que a vida me impõe. Vós que, com o trabalho árduo de carpinteiro, sustentastes a Sagrada Família, dai-me serviço para que a ociosidade e o desemprego não me aflijam e para que sempre me coloque ao serviço do Senhor. Vós que soubestes aceitar com humildade e resignação os desígnios de Deus dai-me a mesma sabedoria, que tivestes para que eu tenha a humildade e a alegria, necessárias para bem servir a Deus neste mundo. Pois com saúde, serviço e sabedoria nada mais me faltará. E assim poderei, como vós, servir cada dia mais ao Senhor, nosso Deus, nesta breve passagem para a vida eterna. São José valei-me. Amém."

Jesus nos ensina, em Nazaré, o valor das coisas cotidianas, quando são feitas com dedicação e carinho. É uma teologia do trabalho: o “fazer”, seja qual for, segundo suas motivações, é redentor; não são as coisas que nos fazem importantes, mas somos nós que fazemos qualquer coisa ser importante.  É o sentido que damos à nossa vida e à nossa ação que fazem com que estas sejam significativas ou não. Somos nós que damos significado às coisas e não o contrário! Quando são as “coisas importantes” que nos fazem importantes, e se “estas coisas” um dia desaparecerem, é como se a nossa própria vida perdesse seu sentido. Na escola da vida, Jesus também foi aprendiz. Aprender é conseqüência básica da dinâmica da Encarnação. Lucas o confirma: “Jesus crescia em sabedoria e em graça, diante de Deus e diante dos homens” (Lc. 2,40.50).

Portanto, Jesus viveu a vida como um processo lento e progressivo, a partir da própria condição humana, no meio do seu povo e em vista do Reino de Deus, graças a uma criatividade transformadora.

Tanto em Nazaré quanto na vida pública, Jesus nos comunica uma profunda união com o Pai. Jesus recorre em seu íntimo ao Pai, numa oração confiante e de entrega. Jesus sente quando o Pai o chama a mudar o estilo de vida escondido. Ele está atento aos “sinais dos tempos” e sabe discernir nesses sinais a Vontade do Pai que o chama a mudar de caminho, a deixar sua terra, a lançar-se numa aventura. Começa uma vida itinerante, missionária e despojado de tudo.

Na oração: descobrir o significado profundo da vida cotidiana mais simples: trabalhos, relações, família. Na vida de todos nós há momentos em que Deus intervém, tirando-nos de Nazaré para a vida pública. O dom fundamental a ser pedido é o da fidelidade, da constância, da sabedoria que sabe reconhecer as sutis palavras de Deus, ocultas no interior das pessoas de sempre, dos fatos habituais, da monotonia doméstica. A vida cotidiana exige não apenas fidelidade,  mas também amor, gratuidade. Ainda que o itinerário de Nazaré pareça pobre, se o percorremos com fidelidade e amor, ele se insere no projeto de Deus e fica iluminado. Para atravessar a Nazaré cotidiana é preciso aprender a dimensão perfeita do amor, que é doação silenciosa, é oblação alegre e livre.  Nazaré pode transformar-se em Jerusalém quando, quem a habita, deixa-se possuir pela totalidade do amor no coração.

Caro amigo quando contemplamos a cena bíblica, especialmente a pessoa de Jesus, todos os nossos sentidos devem ser afetados, por isso usamos o tipo de oração: A aplicação dos outros sentidos, que terá lugar conforme voltemos sucessivamente à cena, por meio de repetições que nos ajudem a passar do global ao particular, do exterior ao interior, da inteligência ao coração.

        Com efeito, por meio dos cinco sentidos, passamos do mais distante ao mais próximo:

Vemos o que ainda não conseguimos escutar (uma pessoa ao longe sem ruído de passos);

Escutamos o que ainda não conseguimos sentir com o olfato;

Sentimos o odor antes de poder tocar (uma flor, uma comida.), e o saborear nos faz estar mais próximo ainda que o tocar.

Vamos passando do mais exterior ao mais íntimo.

Por quê aplicar nossos sentidos a uma cena bíblica?

Orar com os sentidos sobre uma cena bíblica tem seu fundamento na fé:

* O verbo fez-se carne e corpo. Sua Palavra viva não pode chegar até nós fora de nossas faculdades humanas, inclusive corporais, através das quais captamos as realidades espirituais.

* A Aplicação dos sentidos é sinal de uma oração simplificada, que chegou ao coração. Se é verdadeira, nos dará paz, humildade e simplicidade; se forçada, nos cansará e se desviará.

* As repetições e a aplicação dos sentidos nos unificam pouco a pouco.

            A pessoa inteira se “recolhe” para o essencial e “colhe” um fruto maduro.

* Deus responde nela à petição da graça: “conhecimento interno do Senhor, para que mais o ame e o  siga”.

Modo de proceder na aplicação dos sentidos:

a) Trazer pela memória, com a ajuda das revisões da oração, o que de mais significativo aconteceu em você, na contemplação dos textos.

b) Tomar um aspecto central (imagem, atrativo profundo, uma disposição interior, abandono e confiança).) e “saborear internamente”. Deixar que este aspecto vá penetrando todo o seu ser.

c) Tomar consciência de uma presença; aí, permanecer longamente, silenciosamente, procurando entrar em sintonia com seus sentimentos, estabelecendo a comunicação pela comunhão, o que só acontece quando duas pessoas que se amam estão presentes uma à outra. Repousar silenciosamente n’Ele, de maneira intuitiva, sem discorrer.

d) O importante não é se preocupar com os cinco sentidos; não é se preocupar em usá-los durante o exercício.

O importante é fazer uma oração não discursiva, uma oração mais simples, de sintonia profunda e de comunhão.

e) Quando este clima interior de intimidade não for possível, não se inquietar, deixar o Espírito Santo, que vive em nós, falar e não importuná-lo com a nossa ansiedade.

Textos bíblicos para serem contemplados, seguindo o roteiro proposto no cap IV: Mt 2,13-23; Lc 2,41-52; Lc. 10,38-42; Mt. 6,25-34 e Ecl 3,1-15.

 

XIV- VIDA PÚBLICA DE JESUS

Ao inaugurar a vida pública de Jesus, o BATISMO significa o alvorecer dos novos tempos, o novo início para toda a humanidade, a NOVA CRIAÇÃO: “O Espírito de Deus pairava sobre as águas (Gen. 1,2). A fé da comunidade cristã vê no batismo de Jesus uma AÇÃO definitiva de Deus em favor dos homens. À luz deste acontecimento “escatológico”, situado no início da vida pública de Jesus, deve ser visto tudo o que vai ser relatado em continuação nos Evangelhos. Com o Batismo de Jesus, começa uma NOVA ERA na história do mundo, na história da intervenção salvífica de Deus na humanidade.

      A “abertura dos céus” que se rasgam significa a abertura de novas relações entre Deus e os homens o início de um novo diálogo de Deus com os homens, um novo tempo de graça, de novos dons dados por Deus aos homens. Jesus é o lugar do novo, definitivo e pleno encontro de Deus com os homens, dos homens com Deus  e dos homens entre si.

          “Jesus sai das águas elevando consigo o mundo que estava submerso, e vê rasgarem-se e abrirem-se os céus que Adão fechara para si e sua posteridade” (São Gregório Nazianzeno).

Caro amigo aproveite este momento para relembrar e contemplar o seu batismo. Contemple você no colo de seus Pais e padrinhos, escute o que eles falam e fazem. Sinta a Trindade Santa penetrando no seu coração, fazendo morada em você: rezar o compromisso batismal.

 

Jesus vence a tentação: Ao ser tentado, Jesus se aproxima de nós. As tentações são acesso ao mistério de Jesus. O alvo do tentador não é a moralidade das ações externas de Jesus, mas sua atitude interior de obediência à Vontade de Deus.

As tentações partem freqüentemente de necessidades humanas fundamentais e apelam para o uso de capacidades que são também reais:

a) Tentação materialista (Mt 4,3-4). Consiste no convite ao uso distorcido do poder que Jesus possui, na proposta de que se sirva de sua intimidade com Deus em proveito próprio.               

b) Tentação da eficácia pela ostentação do poder (Mt 4,5-7). A tentação está no recurso a uma prova ostensiva da proteção de Deus. À tentação do messianismo materialista segue-se a tentação do messianismo espetacular. A confiança em Deus não deve ser usada em benefício próprio. Jesus não precisa verificar sua confiança em Deus porque ela é incondicional.

c) Tentação do poder (Mt. 4,8-10).  É a tentação mais direta, a mais sedutora e a mais terrível. O tentador propõe a Jesus o caminho do messianismo político: o abandono do caminho do serviço e a escolha do poder como o meio mais eficaz para alcançar os fins da sua missão. “O poder é um demônio que não dá descanso, não havendo exorcismo que o resolva. Totalitário, ele se apossa do corpo e da alma; exige lealdade total e não deixa sobrar tempo para mais nada” (Rubem Alves).

Jesus revive na sua pessoa a experiência de Israel durante a travessia do deserto.

Nos três sinóticos, aparecem os três elementos fundamentais da teologia do Deuteronômio: o “deserto”, as “tentações” e os “quarenta dias”.

Jesus é o Novo Israel. Suas respostas expressam sua total obediência à Vontade de Deus, que é seu alimento, a razão de ser de sua vida e de sua missão.

As lutas decisivas são as lutas interiores, as que têm lugar no campo de batalha que é o coração do ser humano. É no “deserto” que o povo de Deus e os eleitos de Deus são “tentados”, onde tanto Deus como o tentador lhes fala ao coração para “seduzi-los”.

É no “deserto” e no coração que são tomadas as opções fundamentais das quais vão depender todas as outras opções.

No deserto Israel aprendeu a descobrir e a confiar em Javé. Longe da segurança do Egito emerge o que há no fundo do seu coração. Os profetas cantam o tempo do deserto como o tempo das obras maravilhosas de Deus.

Na travessia do deserto aconteceu a provação e a intimidade com Javé. Não existiam caminhos prontos. Era preciso discutir, planejar, rezar, lutar e sonhar para fortalecer a caminhada. No fundo, o Êxodo era uma radical opção pela liberdade, porque o povo só é livre quando pode escolher o rumo de seu caminhar.

Contemplar em Mt 4, 3-10 as tentações sofridas por Jesus.

 “Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados”. —Hebreus 2, 18

Caro amigo aqui vão algumas dicas (regras) de Santo Inácio, para ajudar neste momento de contemplação: estas novas regras supõem um desejo de servir ao Senhor e seguir sua Vontade em liberdade e com generosidade. Essas regras não se referem a tentações diretas para o pecado, como as que foram dadas no início de nossas meditações. Ao contrário, tratam de considerar como o mal impulsiona uma pessoa cristã generosa para a ansiedade, medo, perturbação e angústia.

            No discernimento deve-se sempre perguntar pelo resultado final da moção: consolação ou desolação. No entanto, como pode haver falsa alegria e paz, tem-se de perguntar a que elas conduzem: humildade ou orgulho? Centralização em si ou generosidade?  São regras para discernir entre o bom e o melhor, lá vai:

1. Na pessoa em purificação, as causas se conhecem pelos efeitos:

            - o bom espírito leva à paz, consolação;

            - o mau espírito perturba, causa hesitações e apresenta razões aparentes, coisas boas em si, “em princípio”, mas que não são saudáveis e depois conduzem para  a desolação.

2. Se não se percebe a causa aparente da consolação, não podendo atribuí-la a nada nosso, toda consolação vem imediatamente de Deus. Ela vem como dom e é sempre experimentada como algo gratuito. A experiência é sempre a de uma presença, misteriosa, mas real. A pessoa se dá conta, na sua própria vida, de uma plenitude, na experiência da presença de um Outro. É próprio do Criador entrar, sair, causar moções, levando a pessoa toda ao seu amor.

3. A consolação com causa só é distinguível pelo fim a que visa, pois sua origem pode ser ambígua, podendo ser de Deus ou uma usurpação do mau espírito:

            - o bom espírito leva à maior consolação;

            - o mau espírito leva à menor consolação e, por fim, à desolação;

4. O mais típico nesta etapa é que o mau espírito se disfarce. Ele aparece disfarçado de “anjo de luz”, isto é, como dono da verdade, sob a forma de bem. Pode haver falsa consolação.  A verdade surge na medida do amor.

5. Examinar, nas deliberações mais importantes, onde há presença do bom espírito e do mau espírito no seu conjunto. Se o princípio, o meio e o fim são todos bons, inclinados inteiramente para o bem, é sinal do bom espírito. O mau espírito costuma cativar por meio de fervores indiscretos, que se apóiam em nossos “ideais exagerados”. O mau espírito não consola; ele usurpa a consolação, conduzindo-a a seus baixos fins. Sua estratégia não é derrubar de imediato. Tem objetivos de longo prazo. Interessa-lhe fazer decrescer, pouco a pouco, o interesse na vida espiritual.

6. Aproveitar as experiências de desolação para aprender a desconfiar a tempo.

7. Nos que progridem de bem para melhor, o bom espírito toca a alma, doce, leve e suavemente, como a gota de água que penetra numa esponja. O mau espírito toca-a com dureza, ruído e inquietação, como a gota de água que cai na pedra. Aos que vão de mal a pior os mesmos espíritos, os tocam de maneira inversa. Cada espírito trata as almas semelhantes com doçura, e as dessemelhantes, com aspereza. Quando se leva uma vida espiritual, o bom espírito entra em silêncio, como em sua própria casa de porta aberta. Ao contrário, o mau espírito produz “ruído”.  É a sensação de que algo díspar entra na nossa vida. É a experiência de ter um estranho em casa.

8. Após uma consolação, é preciso estar atento à ação do mau espírito: agarra-se à traseira do veículo na subida, pula na boléia para acelerar a descida.

9. Lembra-se do Exame de Consciência? O Exame de Consciência feito cada dia, durante alguns minutos, ajuda você a manter-se atento aos Exercícios a que você se comprometeu. Ainda mais importante. Ele dá a você alguns minutos para relembrar como estão as coisas entre você e Deus.

Na oração de hoje peça como GRAÇA: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.     

Contemple seguindo o roteiro, em  Jo 1,19-34.

Revisão da oração - Como você tem percebido a ação de Deus ou do mau espírito? Quais as moções experimentadas?

 

Jesus escolhe seus discípulos: Jesus arrasta porque oferece um mundo novo, uma proposta nova. Ao chamar, Ele não o faz a partir de um plano, mas sim a partir da experiência da vida; chama NA vida e PARA a vida, e põe a pessoa em movimento. A voz de Jesus no nosso coração é sempre exigente. Exige “perder” a vida, as seguranças, a posição, perder tudo. Seguir significa centrar a vida no outro, é “perder-se a si mesmo”. Ganhar a vida”  é arriscar-se, é deixar que Cristo vá fazendo caminho em mim, é despojar-se, desnudar-se.

            O chamado de Deus desfaz todos os nossos caminhos, porque os caminhos d’Ele são outros. Deus sempre nos chama para algo novo, nos conduz para terras novas, para a “outra margem”. A pessoa chamada não pode deixar morrer o espírito recebido, porque Deus não nos deu um espírito de timidez, de covardia nem de fuga. Deu-nos, ao invés, um espírito de audácia, de energia, de luta e de participação.

A condição de discípulo de Jesus exige romper todo e qualquer laço que prenda a pessoa a si mesma. Quem optou por seguir a Jesus encontrou um centro para a sua vida, fora de si mesmo. Não gira mais em torno do próprio “eu”, dos gostos individuais, dos próprios interesses pessoais. Não é mais só sua pessoa, a sua razão de ser. O centro de sua vida está doravante na Vontade de Deus, manifestada para ele na pessoa e na missão de Jesus Cristo. Com outras palavras, quem optou por seguir Jesus Cristo, optou por viver uma vida “excêntrica”, optou por “descentrar-se” de si mesmo e pôr, como Jesus, no centro de sua vida o Outro e os outros, o Abba e o Reino. O discípulo-seguidor de Jesus torna-se, assim, um “homem para os outros”.

           

Bem caro leitor/a chegamos a um momento muito importante, no qual você é convidado a compreender a fundo o Mistério de amor e de pecado no qual estamos envolvidos. Mais do que nunca você precisa da graça de Deus, da luz do Espírito Santo para captar a realidade envolvente do pecado e a força transformadora do amor, a fim de decidir-se por um caminho: do ter ou o do ser: o caminho do mundão ou o caminho de Jesus:

O caminho do ter

            Esse caminho, que tem por trás o pai da mentira (Satanás) apresenta-se com um grande atrativo e exerce sobre as pessoas um verdadeiro fascínio, promete vida e felicidade. Mas é tudo engano, falsidade, fumaça nos olhos. Esteja agora bem atento à sua experiência pessoal e à sua observação das pessoas e da realidade que o envolve e verifique se é verdade ou não o modo como somos envolvidos pela proposta do mundo.

            Inicialmente todos são atraídos pelo desejo de riquezas, de ter muito dinheiro, muitos bens. Confunde-se riqueza com felicidade, porque a riqueza abre as portas a todos os prazeres da vida: conforto, viagens, sexo, comidas e bebidas finas, espetáculos, mordomias, etc, etc.

            Além disso, a riqueza confere status. A pessoa é considerada, bajulada e elogiada, sua opinião tem peso, suas decisões têm autoridade. Segue-se a ambição pelo poder, a ocupar um cargo de comando para que seus interesses sejam defendidos. E finalmente através desse processo a pessoa chega a um grande orgulho, à auto-suficiência, considerando-se o centro e a norma de tudo, julgando-se incapaz de errar, não aceitando a menor crítica, porque é infalível e senhor da verdade. Chegado a esse ponto a pessoa torna-se incapaz de amar verdadeiramente: manipula, engana, escraviza, elimina as pessoas do seu caminho, porque não se interessa por ninguém, só se interessa por si mesma.

            O fascínio dessa proposta, contudo se exerce sobre todos: os pobres sonham com ganhar numa loteria, os jovens sonham com uma carreira que os leve, não a ajudar e servir os pobres, mas a se tornarem ricos, famosos, importantes, numa vida boa, e os meios de comunicação fazem a propaganda desse projeto que é assimilado tranqüilamente, sem espírito crítico.

O caminho do ser

            Jesus também promete a vida, a vida verdadeira, mas sua proposta aos olhos dos que seguem o caminho do ter é uma loucura total. Ela não se encontra no “ter e ter sempre mais”, mas no “ser e ser sempre mais”.

            Jesus convida à simplicidade de vida, ao desprendimento interior de todos os bens deste mundo, a relativizar o ter e a estar pronto a renúncias. “Todo aquele que não renuncia a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). “Felizes os que têm um coração simples, porque deles é o Reino” (Mt 5,3).

            Ora, os simples normalmente não são levados em consideração, não contam, não tem privilégios nem defensores. Seria de estranhar que os discípulos do Senhor sejam humilhados, ridicularizados, marginalizados e até mortos pelos que seguem o mundo? Contudo essas gozações e humilhações do mundo, não lhes tira a paz, porque estão radicados no amor do Pai e buscam “não a glória que vem dos homens, mas a glória que vem de Deus”. Humildes diante de Deus e dos homens, os seguidores de Jesus abrem-se para o amor vivendo como filhos de Deus e irmãos dos homens: não se buscam a si, mas servem, ajudam, perdoam, acolhem, e interiormente saboreiam as verdadeiras alegrias de Deus.

            Esse foi o caminho de Jesus, esse é o caminho dos seus verdadeiros discípulos. Santo Inácio de Loyola ao perceber os enganos do caminho do ter que seguia com avidez, abandona seu castelo, troca suas roupas finas com um mendigo e logo é desprezado por todos. Inúmeros são os que entram pelo caminho do ser que, contra todas as aparências, leva à verdadeira vida.           

Proposta de oração diária: na oração de hoje faça o Tríplice Colóquio: primeiro, com a Virgem Maria, depois, com Jesus e, finalmente, com o Pai, conversando com cada um deles, pedindo-lhes que atendam sua graça: dá-me, Senhor, o dom de ser apto a reconhecer as ciladas do mal nas decisões que procuro tomar e me ajude contra elas. Da mesma forma, dá-me conhecimento da verdadeira vida, para que possa tomar decisões que me ajudem a encontrá-la.

Contemple em Mc 6,17-44

Revisão da oração - Sente os apelos dos dois caminhos em você, produzindo tensões e conflitos? Quais são suas principais tensões e conflitos? Quando é que se sente chamado, convocado, estimulado e movido pelo mau espírito ou por Jesus?

 

Jesus prega as boas novas: O novo conteúdo da Boa Nova do REINO – Mc 1,16-45 - Marcos quer nos revelar quem é Jesus através de sua ação. Os fatos falam mais que os discursos; o ser de Jesus se reconhece através de suas ações históricas. Através da atuação de Jesus o Reino se faz presente.

Um dia típico na vida de Jesus:

       - Ele olha com amor todas as pessoas (“ver as pessoas. sobretudo a de Jesus”);

       - Escuta-as com carinho (“ouvir o que as pessoas dizem. sobretudo o que Jesus diz)”;

       - Observa as pessoas e as serve nas suas necessidades (“participar da cena evangélica, tomando  decisões, ajudando, servindo.”).

Sete pontos marcam o anúncio da Boa Nova realizado por Jesus:

1. Mc 1,16-20: A Boa Nova tem como primeiro objetivo congregar as pessoas em torno de Jesus e, assim, criar comunidade;

2. Mc 1,21-22: Admiração do povo diante do ensinamento de Jesus. A Boa Nova faz surgir no povo a consciência crítica diante dos escribas;

3. Mc 1,23-28: A Boa Nova combate e expulsa o poder do mal que estraga a vida humana e aliena as pessoas de si mesmas;

4. Mc 1,29-34: A Boa Nova atende e cuida da vida doente e procura restaurá-la para o serviço;

5. Mc 1,35: A Boa Nova deve permanecer unida à sua raiz que é o Pai, através da oração;

6. Mc 1,36-39: A Boa Nova exige que o missionário mantenha a consciência da missão e não se feche nos resultados já obtidos;

7. Mc 1,40-45: A Boa Nova acolhe os marginalizados e procura reintegrá-los à convivência humana.

Jesus rompeu com a família, afastou-se da vida normal que levava, iniciou uma vida itinerante e passou a viver a partir de um sonho: a utopia do Reino. Tudo nele vigorava na linha de uma experiência mística, brotava de dentro para fora, como acontece também com a expressão artística. Jesus era um artista, um construtor de mundos, um fazedor de coisas novas. Ele não tinha uma instituição em que pudesse apoiar-se; tudo brotava de dentro.

Então, Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia, e a sua fama correu por toda a circunvizinhança. E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos.

Jesus nos diz: “hoje é o dia da salvação”: “Indo para Nazaré, onde fora criado entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito, o Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, passou Jesus a dizer - lhes, hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. Todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios”. —Lucas 4, 14-22.

 

Na Oração: Caro irmão/ã procure ter um encontro com a pessoa de Jesus – encontro dinâmico e transformante que nos leva à identificação com Ele: reproduzir em nós suas atitudes, sentimentos, opções e valores.  Deixar o Espírito Santo formar em nós os traços da pessoa de Jesus.  Somos escolhidos para estar com Ele, conviver com Ele, comunhão com Ele. Jesus é enviado para trazer-me uma boa notícia para minha pobreza. Que pobreza? Talvez uma preocupação, uma necessidade, um sofrimento. Jesus é enviado para anunciar a remissão da minha prisão e a libertação da minha depressão. Talvez a libertação do meu envolvimento, sem culpa, em situações difíceis ou o perdão de minha culpa. Jesus é enviado para trazer-me luz à minha escuridão: talvez à minha própria cegueira ou à minha cegueira diante da necessidade das pessoas ao meu redor! Já recebi o sacramento da penitência? Não seria a hora?

 

Jesus purifica o templo: Jesus é claro: apresenta-nos as conseqüências do seu seguimento. Quem vive radicalmente o Evangelho, vai ser rejeitado e perseguido. Tudo o que Jesus faz – suas atitudes, seus gestos, suas palavras - revelam uma nova visão das coisas, um novo ponto de partida, uma nova ordem, um novo projeto. Jesus encarna-se num mundo fechado, dividido e conflituoso. Faz-se presente no mundo da dor: enfermos, pobres, pecadores. A partir daí propõe um projeto novo. Vivendo e anunciando a Boa-Notícia  do Reino, Jesus vai provocando conflitos.

Encontramos o conflito já no centro do mistério da Encarnação: Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam” (Jo1,11). Isso vai se prolongar durante toda a sua vida.

Jesus não buscou o conflito (já que trazia uma mensagem de misericórdia e fraternidade) mas conheceu uma das experiências conflitivas mais dramáticas da história humana.

          Há um traço na personalidade de Jesus que os Evangelhos destacam: Ele era um “transgressor”. Rompeu com a família, afastou-se da vida normal que todos levavam, rompeu com as tradições de seu povo, violou a lei do sábado, não respeitou as hierarquias, a ordem estabelecida, revelou-se livre perante o Templo, o culto.

          Sua transgressão decorria da percepção de situações extremamente injustas vigentes na sociedade e das quais as primeiras vítimas eram os excluídos. Jesus optou por ficar do lado das vítimas. Jesus se tornou um sinal de contradição porque permaneceu absolutamente fiel a uma mensagem, a um modo de agir e a uma missão que havia recebido do Pai e que devia realizar com critérios e opções coerentes com o conteúdo do seu Evangelho. Falar em conflito na missão de Jesus é o mesmo que falar da fidelidade de Jesus. O que tem valor em sua vida é seu amor fiel, e não os conflitos em si mesmos.

E foram para Jerusalém. Entrando ele no templo, passou a expulsar os que ali vendiam e compravam; derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. Também os ensinava e dizia: “não está escrito, a minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes transformado em covil de salteadores.” Marcos 11, 15, 17.

No Evangelho de São João, este mesmo episódio tem outra conotação, João nos diz em seu evangelho que Jesus tece, prepara uma corda ou chicote. Não é uma atitude intempestiva, mas uma atitude de quem sabe o que está fazendo e para que está fazendo. Ele que nos dar uma grande mensagem: devemos manter o templo de Deus livre de toda sujeira, de todo lixo. Mas a mensagem é mais profunda, pois se refere também a nós, o nosso templo, que é morada do Espírito Santo, da trindade que habita em nós, de maneira toda particular desde o nosso Batismo. Com o gesto do chicote, Ele quer nos mostrar que nos temos muitas vezes, de usar o chicote para expulsar de nos nossos afetos desordenados, nossos apegos e misérias; só assim poderemos começar a sermos pessoas novas, cristãos autênticos, entrarmos no caminho da santidade.

 

Jesus prepara os seus seguidores para a missão

            É bonito ver como Jesus prepara e acompanha os seus amigos, os Apóstolos, na nova Missão. No acompanhamento dá forma humana à nova experiência que Ele mesmo tem do Pai.

            Depois de chamar os Apóstolos, Jesus continua lhes dando uma sólida formação. Dedica à formação dos Doze suas melhores forças e seus ensinamentos mais claros. Em particular lhes revela o sentido último das palavras que disse em público. O fundamental, nesta formação, é o “estar com Ele”: através da convivência, vai cimentando uma sólida amizade com Ele.

            Nesta convivência com Jesus os Apóstolos vão se formando, “conhecendo” o mistério de sua vida e conhecendo o mistério do próprio chamado.

            Nesta pedagogia da formação é importante assinalar o fato de que Jesus entendeu radicalmente que a Vocação dos Apóstolos era um Dom do Pai: “Pai, rogo pelos que me deste, porque são teus” (Jo 17,9). Procurou que nenhum se perdesse: cuidou-os, amou-os e, finalmente, encomendou-os a força do Espírito Santo.

            Vejamos alguns pontos da pedagogia de Jesus na formação dos seus seguidores:

1. Confronta-os com os problemas e necessidades do povo: “Onde vamos comprar pão para o povo comer?” (Jo 6,5)

2. Reflete com eles as questões que o povo levanta: “Vocês acham que esses galileus eram mais pecadores que os outros?” (Lc 13,1-5)

3. Leva em conta a opinião e o sentir dos outros, pois faz levantamento da realidade: “Quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27-29)

4. Faz revisão depois da missão: “Não se alegrem porque os maus espíritos lhes obedecem, mas fiquem alegres porque os nomes de vocês estão escritos no céu” (Lc 10,20)

5. Critica-os quando brigam pelo primeiro lugar (Lc 9,46-48) e quando mandam as crianças embora (Mc 10,13-15).

6. Explica por que falharam e ajuda-os a discernir e usar os intrumentos certos na missão: “Essa espécie de demônio não sai a não ser pela oração” (Mc 9,28-29)

7. Procura ter momentos a sós com seus discípulos para poder instruí-los: “Tendo partido dali, atravessaram a Galiléia. Não queria, porém, que ninguém o soubesse. E ensinava os seus discípulos” (Mc 9,30-31)

8. Interpela-os quando são lentos demais: “Nem assim compreendem?” (Mc 8,21; 17,17)

9. Ao povo fala em parábolas, mas aos discípulos ele explica tudo em casa: “E não lhes falava a não ser em parábolas; a sós, porém, explicava tudo a seus discípulos” (Mc 4,34; 7,17)

 

10. Prepara-os para o conflito: “Se perseguiram a mim, também vão perseguir a vocês” (Jo 16,33; Mt 10,24-25).

 

11. Defende-os quando são criticados: “Enquanto o noivo está com eles, eles não podem jejuar” (Mc 2,19; 7,5-13).

12. Cuida do descanso deles: “Vamos sozinhos para algum lugar deserto, para que vocês descansem um pouco” (Mc 6,31).

13. Cuida da alimentação deles após uma noite de pescaria: “Logo que pisaram em terra firme viram um peixe na brasa e pão” (Jo 21,9)

14. Desperta neles a vontade de rezar: “Senhor, ensina-nos a rezar como João ensinou a seus discípulos” (Lc 11,1). E ensina como rezar (Lc 11,2-13; Mt 6,5-15).

 

XV- ESCUTAR O CHAMADO DE JESUS PARA A VOCAÇÃO FUNDAMENTAL

            A vocação é um mistério pessoal e eclesial, onde entram em jogo a liberdade do Senhor e a liberdade do indivíduo. É algo que acontece no mais íntimo e a partir daí repercute em todas as outras dimensões da pessoa. Há um apelo fundamental que impregna toda a personalidade. É como que o “fio de ouro” da gente, o que há em cada um de mais típico e de melhor que o faz ser ele mesmo.

            A vocação fundamental abrange três dimensões do Ser humano e visa criar uma “unidade profunda” integrando todos os aspectos e dimensões do homem:

            1. Ser pessoa - é a mais simples exigência que a vida nos impõe e que os outros querem de nós.  Todo ser humano está chamado a ser Sujeito e a realizar a si mesmo como Pessoa. Esse processo de realização é, por sua natureza, criativo, transformador e gestador de humanidade. A personalidade é exatamente o poder de expressão que nós temos através de nossas possibilidades, de nossos sinais, de nossos sistemas de referência, de nossa corporeidade. É a nossa identidade, a nossa marca, a maneira nossa de estarmos presentes no mundo.  É a primeira resposta do homem ao chamado de Deus, que o convida a realizar-se como “gente”. Consiste em viver, pessoal e comunitariamente, valores e virtudes humanas. Ser gente com os dois pés no chão, gente que sente, que chora, que sorri, que sofre, que ama, gente que está no meio do povo, sem redomas, sem subterfúgios. que não pretende ser mais do que realmente é.

            Alguns sinais de que existe na pessoa um processo inicial de crescimento nessa dimensão: aceitação de si e dos outros; senso de responsabilidade; posicionamento crítico diante da realidade; suficiente integração da afetividade e da sexualidade; bom uso da agressividade; capacidade de interiorização.

            2. Ser cristão - É viver o “ser pessoa”  à luz da fé e da mensagem de Cristo, estar marcado pelo Cristo. Ser cristão significa também “viver sob a inspiração criadora do Espírito de Cristo”. Este Espírito sempre nos levará a sermos fiéis ao Cristo dos Evangelhos (abertura para Deus e para os homens). Por isso pode-se dizer que ser cristão é viver a união com Cristo.  É morrer para que o outro viva. É radicalismo no amor. Consiste, sobretudo em dar continuidade à missão do Senhor, assumindo o batismo nos seus traços de chamamento à santidade (comunhão e cooperação com Deus) e em ser membro ativo de comunidade, dando testemunho do Reino (comunhão e cooperação na Igreja e no Mundo).

            Alguns sinais de que existe na pessoa um processo inicial de crescimento nessa dimensão: vivência espiritual; amor pessoal à Jesus, à Eucaristia, a Nossa Senhora, à oração; valorização da Palavra, pessoal e comunitariamente; orientação espiritual; testemunho de vida; busca de coerência entre vida e vocação; comportamento adequado ao tipo de vida que quer assumir; responsabilidade nos compromissos do dia-a-dia: estudo, trabalho, atividades; desejo do “mais” em tudo.

            3. Ser igreja: É pertencer a uma comunidade de fé onde a Palavra, a Eucaristia, o Testemunho, são assumidos, vividos, comunicados (evangelização e compromisso). Ser Igreja significa ter um engajamento efetivo nos “ministérios” como, por exemplo: anunciar a Palavra, visitar doentes, catequizar novos membros, organizar a liturgia, coordenar grupos de jovens, participar de pastorais e movimentos. Por isso o empenho, a co-responsabilidade, o compromisso na Igreja e no Mundo. Isso tudo significa assumir efetivamente as exigências do Batismo e da Crisma.

            Alguns sinais de que existe na pessoa um processo inicial de crescimento nessa dimensão: engajamento apostólico; estar comprometido com uma atividade pastoral concreta, na comunidade; ser capaz de trabalhar em equipe e ter disponibilidade para servir; amor à Igreja, aos Pastores e tendo uma dedicação especial pelos mais pobres, assumindo os riscos que isso comporta; alegria na doação; capacidade de reflexão e de revisão.

            Logo caro amigo leitor/a, a vocação fundamental é a base para o discernimento das vocações específicas.

Pedir como Graça: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.

Contemplar em Mt 5,1-14, seguindo o roteiro de oração e a oração preparatória.

Revisão da oração - Quais são os gostos, os interesses e as inclinações do seu coração? Para onde se dirigem com mais freqüência?

 

Para sentir o chamamento: aproximar-se da pessoa de Jesus

            “E vós, quem dizeis que Eu sou?” (Mc 8,27-29)

            bem caro amigo/a aos poucos vamos dando passos importantes na nossa contemplação. Estamos conhecendo a Pessoa de Jesus e entrando num relacionamento pessoal e íntimo com Ele. Também estamos conhecendo o caminho pelo qual Jesus realiza o Projeto do Pai na história e percorrendo esse caminho, sintonizando-nos com Ele.

            A plena revelação de Deus só se deu através de Jesus Cristo: “Este é o meu Filho, o Eleito, ouvi-o sempre” (Lc 9,35). O Pai nos convida a escutar Jesus, como se nos dissesse: “Tudo o que tenho para dizer-vos, vou revelar-vos por meu Filho: Ele é minha Palavra, minha Imagem, meu rosto para vocês”.

            Jesus é o “homem dos Caminhos”, que chama para uma Vida Nova. A “pegada” que ele deixa ao passar é sua própria Vida partilhada. Jesus é o homem que se definiu. Ele tem um sonho, um projeto. E surge diante dos homens com força pessoal capaz de arrastar consigo. Ele “passa” e sua presença atrai.

            Jesus aproxima-se. Não trata de convencer, de argumentar, de fazer seguidores à base de discursos. Jesus “arrasta” porque oferece um mundo novo, uma proposta nova. Chama na vida e para a vida, e põe a pessoa em movimento, a caminho. Jesus “passa” ao nosso lado e nos desperta para a vida.

            Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida para todo homem que vem a este mundo. Ele abre o caminho na história, o caminho para a construção do Projeto do Pai nos corações dos homens, indicando-nos os valores, as atitudes, as preferências e os critérios para essa reconstrução. No fundo, não somos chamados para coisas nem para tarefas.Trata-se de um encontro com a pessoa de Jesus: encontro dinâmico e transformante que nos leva à identificação com Ele, reproduzindo em nós suas atitudes, sentimentos, opções, valores.

             É esta experiência que temos pedido: “conhecimento íntimo de Jesus Cristo”. Não se trata de um conhecimento intelectual, especulativo, mas significa conhecimento do coração, de afeto e de entrega. Mediante este conhecimento, a Pessoa e a Vida de Jesus penetram no mais profundo de nosso ser: nosso coração, nossos critérios, nossa maneira de viver. E nós penetramos no mais íntimo da Pessoa de Jesus: seus valores, motivações.

            Tal conhecimento só se dá no seguimento: somente aquele que segue Jesus pode chegar a conhecê-lo profundamente. Jesus Cristo não quer que o imitemos, mas quer que o sigamos. Imitação é cópia, repetição e falta de novidade. Seguimento, ao contrário, é avanço, é continuação histórica de uma causa, de uma proposta de vida.

            Jesus convoca pessoas que têm espírito de audácia, de energia, de criatividade, de luta, de participação.  Neste empreendimento onde há vagas para todos, cada um de nós deve descobrir a sua maneira pessoal de melhor corresponder à proposta de Jesus.

            Vemos, com freqüência, muitas pessoas dotadas de grandes capacidades, mas por medo, insegurança, dúvidas. Renunciam multiplicar e desenvolver suas qualidades e embarcam na realização de projetos minúsculos. São chamadas para “coisas maiores” e, no entanto, limitam-se a realizar o menor; são impulsionadas para o Mais e contentam-se com o Menos. Enterram suas aspirações mais profundas, seus sonhos mais nobres. Diante do convite para um “novo passo”, voltam para trás; falta-lhes uma injeção de idealismo e de sonhos, de generosidade e serviço. Passam a vida. Sem dar sentido à ela.

Pedir como Graça: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.  

Contemple em Mc 1,14-45.

Revisão da oração - Qual o aspecto da vida de Jesus que mais lhe custa viver? Mais lhe questiona? Mais lhe assusta?

 

A vocação do leigo cristão

            Ser leigo cristão é uma explicitação da “Vocação Fundamental” segundo um estilo de vida, uma maneira de viver, de reproduzir o Cristo. A essa explicitação ou desdobramento da “Vocação Fundamental” chamamos “vocação específica”.

            O leigo é um cristão que vive sua vocação batismal. Cabe ao leigo construir o Reino de Cristo no mundo, transformando as estruturas injustas, pela presença dos valores evangélicos no âmbito da família, da escola, do trabalho, da política, etc., e sentir-se co-responsável no serviço da Igreja, através dos ministérios leigos.

            No mundo: Pelo testemunho de sua vida, por sua palavra oportuna e sua ação concreta ele tem a responsabilidade de ordenar as realidades do mundo (a família, a educação, as comunicações sociais, a política, etc) para pô-las a serviço da instauração do Reino de Deus.

            Em todas as realidades do mundo o leigo deverá buscar e promover o bem comum: na defesa da dignidade do homem e de seus direitos; na proteção dos mais fracos e necessitados (crianças, anciãos, marginalizados, jovens desorientados, desempregados, operários, camponeses.); na construção da paz, da liberdade, da justiça; na criação de estruturas mais justas e fraternas. Deste modo o leigo tornará a Igreja presente e ativa no meio dos homens, no meio do mundo, dando um verdadeiro testemunho do Evangelho na construção do Reino.

            Na igreja: marcado pela “consagração batismal” e membro do povo de Deus, o leigo é chamado a ser um fermento de santidade, testemunhando as riquezas de seu Batismo e de sua Confirmação. O leigo, consciente de sua realidade de “batizado” vai assumindo trabalhos diversificados, dentro das comunidades eclesiais.

            O desempenho de um ministério é uma forma de responder ao chamado de Deus, de viver a vocação apostólica que todos recebem no batismo. Os ministérios leigos são tarefas exercidas em benefício da comunidade como: ministro extraordinário da Palavra, da Eucaristia, catequista, pastoral dos enfermos, animador da comunidade, organizador da liturgia, ser líder nos movimentos de jovens, de adultos.

            Desta forma o leigo contribui para construir a Igreja como comunidade de fé, de oração, de caridade fraterna. Faz isto por meio da catequese, da vida sacramental, da ajuda a seus irmãos.

            O leigo pode viver sua vocação formando uma família, através do matrimônio. O matrimônio é um compromisso de amor, uma aliança de pessoas à qual se chega por vocação amorosa do Pai que convida os esposos a uma íntima comunidade de vida e de amor, cujo modelo é o amor de Cristo à sua Igreja. A maioria das pessoas segue esta vocação.

            A lei do amor conjugal é: comunhão e participação, não dominação de um sobre outro; uma exclusiva, irrevogável e fecunda entrega à pessoa amada, sem perder a própria identidade; uma aliança, amizade profunda, mútua, gratificante, vivificada pelo acolhimento, a doação, a comunhão, a fidelidade, o perdão e a transparência.

            A missão dos esposos é buscar a plenitude do próprio ser por uma realização plena numa vida a dois, como expressão do amor mútuo; colaborar com Deus na transmissão da vida e educação integral dos filhos; servir à causa do Reino, pois os esposos são para si mesmos e seus filhos testemunhas da fé e do amor de Cristo, testemunhas da fecundidade da Igreja, enquanto colaboram na formação de homens e de cristãos autênticos.

           

Alguns sinais de um chamado para a vida matrimonial: o desejo de santificar-se no mundo; partilhar a vida com outra pessoa que inspira confiança e com a qual se prevê uma experiência de complementação e de felicidade; a alegria serena e livre em pensar que pode constituir uma família; uma clara inclinação para a paternidade ou a maternidade responsável; amor às crianças e o desejo de ter filhos; a alegria que se espera ter em gerá-los e criá-los; o desejo de ser apóstolo em seu ambiente.

            Muitos leigos há que não se sentem chamados nem à vocação matrimonial, nem à vocação consagrada. Querem, simplesmente, ser solteiros e só solteiros. Nesse estado de solteiro dedicam à Igreja todas as energias de sua vida, dispondo-se ao serviço de irmãos carentes e de comunidades abandonadas. É uma verdadeira vocação!

Pedir como Graça: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.  

Contemple em Jo 2,1-11.

Revisão da oração - Que desejos, tendências, necessidades afetivas e sexuais, experiência de vida e modo de agir podem indicar que o matrimônio seja uma vocação para você? Por quê?

 

Três tipos de pessoas

Hoje você vai rezar para saber até que ponto está disposto a seguir Jesus Cristo. O seguimento de Jesus exige liberdade e desapego diante das coisas. Pode ser que na sua vida algo esteja lhe escravizando, interferindo na sua oferta a Deus. Pode ser medo que lhe retêm, ambição que o impulsiona, orgulho que o leva a prender outros a você.

Toda opção implica uma renúncia e, por isso, toca em algo que nos afeta. Afetados, desencadeiam-se mecanismos de defesa, auto justificação, mascarando aquilo que Deus realmente nos pede. Por isso, nessa oração você vai rezar sobre a infinita capacidade que temos de nos enganar a nós mesmos.

A oração quer ajudá-lo a tomar consciência dos seus condicionamentos e a recuperar a autêntica liberdade de optar.

Imagine três pessoas diferentes, boas, com consciências bem formadas, devotas e de grande fé, que têm uma grande importância de dinheiro.  Agrada-lhes a sensação de ter o dinheiro e estar fazendo grandes coisas com ele. No entanto, não se sentem completamente tranqüilas com o dinheiro que possuem. Parece estar contaminando suas vidas. Talvez elas gostariam de ter menos dinheiro, ou algo assim.

Então, analise cada uma das pessoas, na medida em que elas aparecem e vivem essa inquietação que sentem, e reflita para ver se você se identifica com alguma dessas três pessoas.

A primeira pessoa teve a coragem de identificar o apego ao dinheiro e quer verdadeiramente despojar-se dele e da inquietação. Fala muito sobre o assunto, pelo menos no princípio. Mas, não emprega os meios para mudar a situação. Quer, mas não faz nada! Anos depois quando morre, ainda rica, não fez nada a respeito.

A segunda pessoa continua com sua inquietação. Tenta resolver o problema por si própria. Ela não quer conservar o dinheiro e não entende porque deve desfazer-se dele. Ainda assim, não quer viver com este espírito de inquietação que não a deixa em paz com Deus. Por isso, toma algumas medidas. Sistematicamente, faz doações aos pobres e necessitados, em sua maioria. Montou uma estratégia em que a situação continuasse igual. Põe todos os meios, menos o único que deveria ser colocado. Desta forma, pensa fazer as pazes com Deus. Se dermos isso aos pobres, Tu deverias dar-me a paz. Pensa que Deus se deixa manipular e concorde com sua estratégia.  No medo de perder o que tem, fica ainda mais apegado ao pouco que lhe resta e cria um Deus na própria medida. Quando vem o momento da morte, já tem feito boas obras, mas não conseguiu a paz interior.

A terceira pessoa se abriu de tal modo à graça que está sempre pronta a tudo questionar. Considerou que poderia conservar o dinheiro ou também doá-lo todo. Fica assim disponível, quer para guardar, quer para deixar o dinheiro. Teve que admitir que não sabia se alguma das duas alternativas fosse resolver, de fato, o problema de sua inquietação. Por que conservá-lo? Por que doá-lo? Isto é o que fez: decidiu que não determinaria definitivamente se haveria de conservar ou doar o dinheiro. Esperaria para ver qual o significado dessa inquietação. Então, quando soubesse, agiria, conforme o Senhor o chamasse a fazer na situação concreta.  Não há nenhum obstáculo entre a sua vontade e a Vontade de Deus para ela: fica com o dinheiro e só se decide a respeito depois de descoberta a Vontade de Deus no processo de discernimento. Esta pessoa decide a partir da Vontade de Deus e não a partir do apego ao dinheiro.”

Reflita sobre estas três pessoas, tentando situar-se pessoalmente..

Termine sua oração de hoje com o Tríplice Colóquio, com Maria, Jesus e Deus Pai pedindo graça para mudar-lhe nos apegos a coisas e situações.

Peça a Graça: Senhor, peço-lhe o desapego de tudo e de todos, até da minha própria sensualidade e comodidade, para seguir-Te livremente pelos caminhos que Tu quiseres.

Contemple em Lc 9,57-62.

Revisão da oração - Com qual das pessoas você se identificou e por quê? Quais os sentimentos que lhe invadiram ao pedir a Deus essa graça da disponibilidade, despojamento, liberdade total?

 

Neste momento, caro amigo/a leitor, vamos realizar mais um exercício, para você verificar como está seu amor. Vai se fazendo necessário avaliar o nível do nosso amor para com o Senhor, nos situando mais plenamente na luz de Deus.

            Os três modos de amar são nossa resposta ao amor de Deus por nós. São também três modos de reconhecer que sou criatura e três modos de permitir que Deus modele meus valores.

            “Eu quero e desejo e é minha determinação deliberada, contanto que seja para vosso maior serviço e louvor, imitar-vos em passar por todas as injúrias e todas as humilhações e toda a pobreza, tanto material como espiritual, se Vossa Santíssima Majestade me quiser escolher e receber em tal vida e estado!” (Santo Inácio)

            Esta oração se dirige diretamente ao coração, pois se trata de ser tocado no mais íntimo, de ser irresistivelmente atraído e contagiado pelo estilo de vida de Jesus Cristo.

            Os três modos de amar são um processo de esvaziamento de si mesmo para encher o coração da capacidade de amar e de chegar a uma entrega total. Somente a partir do amor é que a nossa vontade poderá se manter no seu propósito. Sem o amor, a pura “força de vontade” cai. É necessário ter um profundo amor a Jesus Cristo para aceitar seu caminho, mesmo que este caminho implique a Cruz. Esta é a lógica do Amor, incompreensível aos olhos dos homens.

             1º Modo de amar: Vejo o mundo como ele é, e a mim mesmo, desejando certas coisas. Compreendo, porém que não sou eu quem determina quais desejos me conduzem a uma vida mais autêntica, e a uma completa felicidade. Eu dependo de Deus para isso. Deus, o Senhor e Criador colocaram em mim e para mim, certos valores, de forma que quando eu avalio qualquer coisa ou ato, não posso fazê-lo levando em conta somente minhas próprias normas. Deus estabelece seus valores. Eu dependo de Deus através de minha consciência. Vivo para obedecer a Deus, que se manifesta no meu espírito. Deus colocou no mais profundo do meu ser o anseio de chegar até Ele e eu decidi realizar o desejo de me entregar a Ele, acima de qualquer outro desejo e nada fazer que me afaste d’Ele.  É o caminho dos mandamentos.

            2º Modo de amar - Brota em mim o desejo de encontrar a Deus e aumentar o meu amor por Ele. Não perco tempo “fugindo do pecado”, mas dedico meu tempo buscando a Deus. Neste estado de ânimo, sinto-me numa perfeita disponibilidade à graça, mesmo em coisas pouco importantes. Houve em mim uma mudança, escolhendo amar a Deus e não apenas lhe obedecer. Vejo como a minha vida seria inútil se, por exemplo, me entregasse totalmente a fazer algo que gosto. Bobo seria eu se dependesse de coisas materiais para a minha felicidade, pois elas não duram. Isto o vejo e sinto desde o fundo do meu ser. Há em mim uma disposição de aceitar qualquer coisa, pois aceito que o mundo e tudo o que ele contém é do Senhor.  É o caminho da indiferença.

            3º Modo de amar - Jesus Cristo me atrai e me enche com seu amor. Chego a amá-lo até o ponto de querer ver como Ele viu, sentir como Ele sentiu, apreciar o que Ele apreciou, viver, enfim, como Ele viveu. Ele se humilhou de tal modo, que se entregou totalmente, vivendo como os pobres, fazendo com que os mais humildes e rejeitados se sentissem acolhidos ao seu lado, sempre servindo. Ele se manteve firme, mesmo quando as decisões que tomou sob a inspiração do Espírito o conduziram a um grande sofrimento e a uma morte cruel. Vejo que quero seguir seus passos em tudo isso. Conscientemente renuncio a todo desejo de ser famoso, poderoso, rico e tido por sábio. Quero viver como Ele viveu. Eu aceito o que Deus, meu Senhor, quiser de mim. É o caminho do seguimento de Cristo.

Para ajudar a rezar:

Tríplice colóquio - Na oração de hoje faça o Tríplice Colóquio: primeiro, com a Virgem Maria, depois, com Jesus e, finalmente, com o Pai, conversando com cada um deles, pedindo-lhes que atendam sua graça. 

Pedir como Graça - Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.

Contemplar em Mt 19,16-22.

Revisão da oração - Com que forma de amar você se identificou? Por quê?

 

Ter os olhos sempre fixos no Senhor

“Certo dia, um jovem monge foi encontrar um velho monge, cheio de idade e de experiência, dizendo-lhe: - Mestre, explica-me por que tantos jovens procuram a vida monástica e tão poucos perseveram nela. Por que tantos jovens voltam para atrás?

            Respondeu o velho monge:

            - Veja bem: é como um cão que via uma lebre. Ele se põe a correr atrás da lebre, latindo forte. Outros cachorros escutam o cão que late, correndo atrás da lebre, e também se põe a correr. São muitos cães, correndo juntos e latindo; mas apenas um viu a lebre e somente este a segue com os olhos. Num certo momento, um após outro, todos os cães que não viram a lebre de verdade começam a cansar e perder o fôlego: não agüentam mais; estavam correndo apenas porque ouviram o latido daquele único cão que viu a lebre. Este fixou os olhos na meta de modo pessoal e chega ao fim de seu objetivo: capturar a lebre.

            E arrematou:

            - É assim que acontece com os monges: somente aqueles que verdadeiramente fixaram seus olhos na pessoa de Jesus Cristo, nosso Senhor Crucificado, é que conseguem chegar até o fim”.

            Quem fixar os olhos em si mesmo, nunca dará o passo, porque nunca sairá de si mesmo. E a vocação é uma saída da própria terra.

            Só quem puser os olhos Naquele que chama é capaz de dar o passo. Só quem crer na pessoa de Jesus Cristo será capaz de abandonar tudo para seguí-lo.

            A vocação exige “perder a vida”, perder os cálculos, as lógicas, as seguranças, a família, a posição. Perder tudo.

            “Ganhar a vida” é arriscar-se, é lançar-se confiado em Cristo, é deixar que Ele vá fazendo o caminho em mim, é despojar-se, desnudar-se.

            O chamado de Deus desfaz todos os nossos caminhos, porque os d’Ele são outros. Deus sempre nos chama para algo novo, maravilhoso.

            O caminho que você segue acaba sempre por lhe conduzir. Descobrir o caminho é direcionar a existência. Descobrir o caminho na vida é saber de onde ele parte, e para onde chega. Olhar o futuro com esperança.

            Para onde você está indo? Em que direção? Vale a pena viver para fazer o que você está fazendo neste momento?

            Numa sociedade cansada e cheia de ansiedade, como pode o jovem anunciar um futuro de esperança?

            O mundo de hoje precisa de uma vida nova, de uma juventude pura nas idéias, forte e exigente no viver, sincera e sofredora no amor. Uma juventude com uma palavra nova e diferente para os homens. Uma juventude com o olhar centrado no sonho de Jesus: o Reino.

            Revolucionar o mundo é sacudi-lo para que abra os olhos à realidade definitiva: Jesus Cristo.

            “Dá-me percorrer contigo, Senhor, tua terra de andanças. Dá-me seguir a Ti somente. Tu passaste deixando tuas “pegadas” no pó da estrada, e sem perguntar “por que” muitos te seguem. Vais sem nada, peregrino, caminhando qual romeiro; e vais chamando seguidores, que te sigam sem nada levar. Quem se atreve a pisar descalço tuas pegadas, sempre em marcha? A cidade não é teu caminho, é dura para as tuas sandálias. Gostas de deixar na terra a marca de tuas pegadas. Senhor dos Caminhos que tiram as pessoas da segurança, dos seus, das suas casas, de seus bens. e os atira a seguir teu passo feito atalho estreito, num convite para onde quer que vás. Quero ser caminhante, de coração pobre e livre, feito tenda aberta em teu chamado. Amém”.

Pedir como Graça - Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.

Contemple em  Jo 1,35-51

Revisão da oração - Jesus, hoje, passa e continua chamando: estou convencido de que o chamado é para mim? a quê sou chamado?

 

O Chamado de Pedro alerta a nossa escuta

            Há muita gente que ouve Jesus. Ele está perto do lago, vê duas barcas com os pescadores que já desceram e estão limpando as redes. Sobe numa daquelas barcas, a de Pedro. Pede que a afaste um pouco da margem e, sentado, pôs-se a ensinar.

            Podemos imaginar o sentimento de Pedro que fica envaidecido pelo fato de que foi escolhida sua barca. Pedro está vivendo um momento de euforia.

            Acabado o discurso, Pedro pensa em descer a terra e receber os cumprimentos do povo. Mas Jesus, sem mais, diz-lhe que se faça ao largo e lance as redes. Certamente, há uma mudança em Pedro. Da resposta que ele dá pode-se adivinhar que em sua mente surgem dúvidas sobre as palavras do Mestre porque a hora já está adiantada, a pescaria acabou e não há peixes.

            Provavelmente Pedro pensa na figura que farão se depois não acontecer nada. É um instante difícil no qual a confiança de Pedro no Mestre pode ficar abalada: talvez lhe conviesse negar-se simplesmente a isso, evitando esta prova que poderia levá-lo ao ridículo diante do povo.

            “Trabalhamos a noite toda e não pescamos nada”. Sensação de cansaço. Se ceder a este cansaço estará recuando diante do oferecimento de Jesus. Se, ao contrário, Pedro se decidir superar tanto a fadiga que o oprime como também o ridículo que o ameaça, então teremos um homem que supera a própria desconfiança: “Na tua Palavra lançarei as redes.”. Notemos quanto há de profundo nesta expressão que na Bíblia designa a atitude do homem diante de Deus.

            Pedro passa a ser a figura do homem que se compromete também nas coisas pequenas e simples, mas que exigem certa decisão. Sai dos cálculos e se atira, confiando na Palavra do Senhor.

            Os que calculam muito e os que estão continuamente preocupados consigo mesmos, e com as vantagens que possam obter, os que querem verificar tudo para ver se coincide ou não com as próprias seguranças, não são aptos para o seguimento de Jesus.

            Na realidade, o seguidor de Jesus revela-se precisamente nestes momentos. É questão de “arriscar”, de dar algum passo além daquilo que é puramente seguro e sólido. “Quem se arrisca, pode errar; quem não se arrisca, já errou”.

            No fundo, é o próprio Pedro que pula para fora da barca para lançar-se ao lago. É o amor que suscita no homem este se atirar. Pedro é tocado por Jesus na sua disponibilidade para aquela capacidade de risco. E a rede lançada na Palavra de Jesus se enche. Chegam outras barcas e também estão para afundar.

            Vendo isso, Pedro se lança aos pés de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, pois sou homem pecador”.  Colocado diante da santidade de Deus, Pedro sentiu que muitas coisas de sua vida não funcionavam.

            Jesus leva Pedro a provar um ato de confiança; leva Pedro a uma sincera purificação, à humildade, ao reconhecimento da necessidade da misericórdia de Deus. Pedro deu um passo tão decisivo de libertação interior que todos os temores que antes podia ter com relação àquilo que pensa e diz o povo, foram superados.

            Jesus forma o seu seguidor através destes saltos de confiança, com a apresentação de seu poder; gradualmente, faz emergir um verdadeiro sentimento penitencial.

            O episódio se encerra com uma última reviravolta da realidade. Pedro espera que o Senhor o confirme em seu sentimento de penitência, mas Jesus lhe diz: “Não temas; doravante, a partir deste momento serás pescador de homens”.

            É uma reviravolta da situação. Desde homem confiante fez um homem que soube reconhecer espontaneamente a própria pobreza; agora, deste homem humilhado na sua pobreza, faz um homem cheio de confiança.

Peça como Graça: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.

Contemple em Lc 5,1-11

Revisão da oração - O que é que está lhe “amarrando”, impedindo-o de lançar-se mais, “arriscar-se”, dar o passo decisivo?

 

Cinco pães e dois peixes: no milagre da multiplicação Jesus nos ensina a sermos solidários com nossos irmãos mais necessitados.

            Jesus se retira numa barca com os seus discípulos. Ele busca o deserto, um lugar solitário, para ficar a sós com o Pai. A sós para orar.

            Mas, o silêncio é subitamente quebrado. Alguém aponta na direção da costa para onde a barca se dirige. Uma multidão está se encaminhando para lá, a pé. São doentes em busca de saúde, pequenos agricultores, desempregados, pessoas sozinhas, talvez cheias de medo e angústia.  Eles vão a busca de Jesus, o profeta nazareno que consolava e curava!

            “vendo esta numerosa multidão, moveu-se de compaixão para ela e curou seus doentes” (Mt 14,14)

            Apesar de ver frustrado seu desejo de solidão, Jesus não perde a calma. Ele ia ao lugar deserto conduzido pelo amor; o mesmo amor que o une ao Pai e ao seu povo. Jesus não pensa só em si. Ele ama muito. Comove-se.

            O cair da tarde. Os discípulos estão cansados e contrariados com o povo. Não estavam preparados para isso, permanecem passivos, sem iniciativa. Até querem dar uma ordem a Jesus:

            “Este lugar é deserto e a hora é avançada. Despede esta gente para que vá comprar víveres na aldeia!” (Mt 14,15)

            Os discípulos pensam apenas em si. Que cada um cuidasse dos seus afazeres!

            Mas o que o Senhor deseja é a solidariedade. O que o povo mais precisa não é cuidar cada um de si, mas viver em comunhão, numa comunidade de vida, que escute a Palavra, que partilhe a vida e se comprometa com o Reino.

            - Dai-lhes vocês mesmos de comer!

            - Mas, nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes.” (Mc 14,16-17).

            O pouco é muito nas mãos do Senhor! E é isso o que Jesus pede de nós: o pouco que temos. É ele quem multiplica.

            O povo se senta sobre a grama, É guiado e alimentado por Jesus.

            Jesus continua preparando os discípulos ao lhes confiar pequenas responsabilidades e serviços.

            Jesus ordena que se sentem em grupos e, com autoridade e simplicidade, toma os pães e os peixes, levanta os olhos ao céu, abençoa-os, parte os pães e entrega-os aos discípulos, que os distribuem ao povo.

            Jesus é todo gratuidade. Fonte de alegria.

            “Todos comeram e ficaram saciados, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios.” (Mt 14,20)

            A multidão se sente satisfeita. Sentiram o sentido da solidariedade e como o Senhor é bom. Sentiram-se gente importante para Jesus, que os acolheu, sarou e alimentou. Os discípulos certamente se sentem orgulhosos do seu Senhor, e felizes em colaborar com Ele. Todos ficaram saciados! Só Deus sacia o coração humano! Sem Ele o caminho da vida é árido demais. Será que todos aprenderam a lição da partilha?

Pedir como Graça: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.

Contemple em Mt 14,13-21.

Revisão da oração - Quais são seus “cinco pães e dois peixes”? Ou seja, em que você se sente pobre, necessitado?

 

Zaqueu procurava ver Jesus: no episódio de Zaqueu, Jesus nos ensina como deve ser nossa conversão.

“Jesus entrou em Jericó e estava atravessando a cidade. Havia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos. Ele procurava ver quem era Jesus.”(Lc 19,1-3)

            Zaqueu é um homem que busca. Na sua procura, esquece-se de si próprio. Procura porque está insatisfeito, descontente consigo e com tudo o que o rodeia.

             Ele procurava ver quem era Jesus. Tinha ouvido falar d’Ele, mas ainda não o conhecia. Agora era a oportunidade. As oportunidades são como as águas de um rio: irreversíveis; se não se aproveitam no momento que acontecem, nunca mais volta. Zaqueu sabia disso.

            “. Mas não podia por causa da multidão, pois era muito baixo. Então, correu adiante da multidão e subiu numa amoreira para ver Jesus, que devia passar por ali.”. (Lc 19, 3-4). Como sempre sucede, uma multidão de obstáculos se opunham entre Zaqueu e Jesus. Zaqueu fez o que pôde. Superou os obstáculos, e não se importou, nem um pouco em se fazer de ridículo subindo numa árvore. Venceu todo preconceito humano para chegar a Jesus.

            “. Quando Jesus chegou naquele lugar, olhou para cima e disse a Zaqueu:

            - Zaqueu, desça depressa, porque preciso ficar hoje em tua casa.” (Lc 19,5)

            O mais lindo do relato é ver que, se Zaqueu se interessava por Jesus,  Jesus, fazia tempo, já se preocupava por Zaqueu: ele conhece-o pelo nome. O que busca, já muito antes, é procurado pelo Senhor! Como dizia uma velha senhora: “Embora não pensemos n’Ele, Ele continua pensando em nós”.

            “. Então Zaqueu desceu depressa, e o recebeu em sua casa com muita alegria. Todos os que viram isto começaram a resmungar”:

            - Este homem vai se hospedar na casa de um pecador!.” (Lc 19,6-7)

            Zaqueu acolheu Jesus na sua casa, e o fez com muita alegria. Como não podia deixar de acontecer, houve “fofocas” a respeito disso. Caro amigo você já reparou que quando alguém se converte ao Senhor, sempre suscita a ira e a inveja daqueles que vivem sob a orientação de falsos mestres?

            “. Depois Zaqueu se levantou, e disse ao Senhor:

            - Escute, eu vou dar metade dos meus bens aos pobres. E se tenho roubado alguém, vou devolver quatro vezes mais.

            Aí Jesus disse:

            - Hoje a salvação entrou nesta casa.” (Lc 19,8-9)

            Zaqueu converteu-se realmente. Ele compreendeu que a fé não é algo só para ser vivido entre quatro paredes, mas que deve ter uma conotação social: “a metade dos meus bens pertence aos outros”.

            Zaqueu percebeu que sua riqueza acumulada não podia ser uma expressão verdadeira de fraternidade e justiça.

            Zaqueu hoje é você.

            . Se existir um certo vazio interior que o faz procurar algo mais profundo e verdadeiro;

            . Se você se interessa realmente por saber quem é Jesus sem se importar pelas gozações e comentários que seus gestos de aproximação levantem nos outros, naqueles outros que ouvem falar d’Ele, o vêem, mas nada fazem;

            . Se diante dessa procura você, sendo chamado pelo seu nome, interiormente, o aceita e o segue, mesmo sabendo que esse Cristo é radical, incomoda, e que todos os outros começam a resmungar falando mal de você;

            . Se você fosse ainda mais adiante, despojando-se todos os seus excessos, optando por uma vida simples, onde o SER é mais importante que o TER e que, este como aquele, devem estar a serviço dos outros.

Pedir como GRAÇA: Senhor, dá-me a graça de perceber quais as conseqüências deste encontro salvador para mim, na situação atual da minha vida.     

Contemple em Lc 19,1-10

Revisão da oração - Como você tem colocado tudo o que é e tem a serviço dos outros? Quais as conseqüências da visita de Jesus para mim? Onde me quer mostrar um caminho novo e melhor?

 

Jesus ensina a orar: O mesmo Jesus que antes, vendo a multidão imensa, vai ao seu encontro, sente compaixão dela, cura os doentes e alimenta a todos, agora, depois de haver saciado sua fome, despede-a e sobe ao monte para orar a sós com o Pai, sem ser perturbado por ninguém. Nos Evangelhos encontramos várias passagens nas quais Jesus é apresentado orando na solidão da noite. Em geral, a oração solitária de Jesus precede ou segue a algum acontecimento muito importante. O Mistério da vida e da missão de Jesus pode ser expresso, condensadamente no binômio: Abba-Reino.

O Reino que Jesus anuncia e torna presente com palavras (discursos, parábolas, diálogos.) e com sinais (curas, acolhida dos pecadores, dos pobres.) é o Reino do Pai, do seu Abba, que Ele nos revela como sendo também o nosso Abba, o Pai querido que ama a cada um de nós com uma ternura infinita.

            Como já vimos, Jesus tinha o hábito de retirar-se algumas vezes para a solidão dos montes para orar. O monte como lugar do encontro com Deus. Desta vez ele toma a iniciativa de levar consigo três dos seus discípulos.

            Foi transfigurado. Jesus muda de figura, aparecendo com uma aparência diferente da habitual. Em Jesus resplandece a glória do Pai!

            Assim como a experiência do amor, da comunhão, de uma profunda alegria, é capaz de iluminar de dentro o rosto de um jovem, transfigurando todo o seu ser, o rosto e o corpo todo de Jesus transbordam toda sua beleza interior, a beleza de sua alma unida a Deus.

            O esplendor do seu rosto era como o do sol. A luz não vem de fora nem paira “sobre” Jesus. A luz sai de “dentro dele”, emana dele próprio, porque lhe pertence. “Eu sou a luz do mundo!”. A fonte dessa luz é a glória de Deus, revelando que Jesus, no seu ser profundo, é Deus mesmo.

            Estar transfigurado seria o estado normal de Jesus. Uma vez, porém, que “o Verbo se fez carne e acampou no meio de nós” (Jo 1,14), “não se apegando ciosamente à sua condição divina, mas esvaziando-se a si mesmo e assumindo a condição de servo, fazendo-se um homem como os outros”(Fl 2,6-7), Jesus passou a ser visto pelos homens como um homem entre tantos.

            Jesus transfigurado é o nosso destino futuro: no Reino do Pai os justos também brilharão como o sol, transfigurados pela ação do Espírito do Senhor, garantia da nossa ressurreição futura. Ser transfigurado é uma aspiração enraizada no mais profundo do coração dos homens.

            Moisés e Elias, a Lei e os Profetas, não só estão com Ele, mas conversam com Ele: para realizar o desígnio salvífico de Deus, para abrir a todos os homens o acesso ao Pai, é necessário que Jesus suba a Jerusalém e sofra muito antes de entrar na sua glória.

            Pedro era um discípulo espontâneo, decidido, generoso e prestativo. E ao mesmo tempo imediatista, ingênuo e míope. Ele quer prolongar esse momento de felicidade e de glória que está vivendo. Ficar para sempre na tenda, na presença de Jesus transfigurado. Não compreende a necessidade do caminho do sofrimento, da humilhação e da cruz. Pedro “não sabia o que dizia”.

            E você: compreende o caminho de Jesus, a necessidade de passar pelo sofrimento no seguimento de Jesus? Ou quer sempre de novo instalar-se e acomodar-se no que é bom, no que é gostoso, interrompendo o caminho que sobe para Jerusalém?

            Uma nuvem desce sobre Jesus e envolve também os discípulos.  “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o sempre!” Jesus é o Filho, o Amado, o Eleito. Sua missão se realiza pelo caminho da obediência até a morte.

            No monte da transfiguração, Jesus, “o Caminho”, mostra aos seus discípulos qual é o caminho que eles tem de seguir: o caminho da cruz e da glória. Só se chega à glória passando pela cruz. Todos os caminhos de todos os que querem seguir a Jesus desembocam sempre, mais cedo ou mais tarde, no caminho da cruz.

            O Pai tem de insistir em que escutemos o Filho sempre! Para viver no seguimento de Jesus, como discípulo, é necessário ouvir e acolher a palavra de Jesus. E viver dela. Diante dela, muitas vezes, o homem é invadido pelo medo, fica prostrado “com o rosto no chão”. Mas, Deus nos levanta, nos liberta do medo e nos põe em pé para uma vida nova. Só pode estar em pé diante de Deus aquele que Deus levanta. “Levantai-vos e não tenhais medo”. Os discípulos não têm motivo para temer, pois Jesus continua ao seu lado, próximo e familiar, mesmo despojado de sua glória.

            Esta experiência do encontro com Deus pode e deve ser feita ao longo do nosso caminho de subida para Jerusalém como discípulos e seguidores de Jesus. Haver contemplado o rosto transfigurado de Jesus iluminará nossa caminhada, mesmo durante as noites.

Peça a Graça: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.           

Contemple em Mt 17,1-9.

Revisão da oração - Como você vê e sente o sofrimento, as dificuldades, as incompreensões na sua vida?

 

As Bem-Aventuranças

Caro amigo/a leitor o Evangelho que foi depositado nas mãos da Igreja é um programa para alcançar a felicidade: vida ditosa, prazerosa e bem-aventurada.

No meio dos discípulos começa-se a realizar e se propaga o anseio de toda a humanidade: “Ditosos (felizes) os que seguem os meus caminhos., quem me encontra (a sabedoria), encontrou a Vida e alcançou o favor do Senhor””  (Prov. 8,32.35).

Na boca de Jesus brilha sempre a palavra chave: “Felizes”.

Anuncia um Reino de Deus que é oferta de felicidade e caminho para conseguí-la.

A felicidade, proclamada aqui por Jesus, é já uma realidade presente na sua pessoa e na sua missão.

Todas e cada uma das bem-aventuranças são autobiográficas. Jesus viveu-as durante 30 anos antes de proclamá-las. Elas são, portanto, a expressão do que constituem o centro mesmo da sua pessoa e da sua missão, dos seus sentimentos, atitudes; numa palavra, do seu mistério.

Poderíamos dizer que as bem-aventuranças são o auto-retrato de Jesus.

Elas são o compêndio do ministério de Jesus. Não é lei que se impõe por si mesma; é confissão: “o Reino chegou”.

Portanto, os capítulos 5º, 6º e 7º de Mateus reportam o primeiro dos cinco grandes discursos de Jesus. O Sermão da Montanha cujo pórtico são as bem-aventuranças. É considerado como a essência do Evangelho, o resumo de tudo aquilo que Jesus deseja que você realize. Pertence ao Reino de Deus, de Jesus, aquele que amolda a sua vida na proposta das bem-aventuranças. Jesus é o exemplo do bem-aventurado, isto é, é daquele que realizou plenamente em sua vida as bem-aventuranças. Maria e os santos buscaram viver este espírito, por isso são chamados também de bem-aventurados. E nós devemos buscar, com aplicação, realizar em nossa vida as bem-aventuranças. As quatro primeiras bem-aventuranças nos ensinam a ter um ser pobre, despojado, simples e humilde. Daqui parte todo o evangelho Ninguém seria capaz de ter caridade, se não for uma pessoa que tenha coração de pobre, manso, faminto e sedento de Deus. Veja se você tem este coração de pobre, desapegado de si mesmo e de toda criatura. Ter fome e sede de justiça e ter fome e sede do Deus justo e Santo. Diz São Jerônimo que a justiça, em linguagem bíblica, coincide com o que chamamos de santidade. Não é um simples desejo, um vago desejo de justiça, mas é amar e buscar com todas as forças aquilo que torna justo o homem, diante de Deus. Estas quatro bem-aventuranças regem o nosso relacionamento com Deus. As três bem-aventuranças seguintes, comandadas pela 5a, felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia, regem o nosso relacionamento com as pessoas. Preste atenção na formulação desta bem-aventurança: Alcança misericórdia, quem exerce, faz misericórdia. Acho que fazer misericórdia é a melhor oração de súplica: Você gosta e precisa de Deus para lhe dar perdão, para lhe conceder tantas graças de que você precisa. Então, pense bem, se você fizer misericórdia para com os outros, você vai alcançar de Deus esta misericórdia de que você precisa. Conclusão: a última bem-aventurança é um teste para você. Quando você estiver buscando ser bem-aventurado como Jesus, como Maria, você começa a ser parecido com Jesus, você vai sofrer como Ele. "Felizes os que padecem perseguição por causa da justiça" (Mt 5,10). Ser justo é ser santo como Jesus. O mundo não gosta da santidade, persegue os santos e os justos.  Quando começa a perseguição contra você, é sinal de que você está na justiça e na santidade. É um sofrimento muito proveitoso, porque através dele se conseguem a felicidade eterna e a plena realização do homem. Vamos buscar a santidade nas bem-aventuranças.

Como podemos ver caro irmão/ã as Bem-Aventuranças são essencialmente cristocêntricas. Elas põem o discípulo no seguimento de Cristo e como Cristo, fazem-lhe percorrer o itinerário de um aniquilamento. Da pobreza à perseguição. Da carência de bens à carência de tudo, até da liberdade e integridade física. Este esvaziamento progressivo é itinerário inevitável do discípulo bem-aventurado porque segue os passos d’Aquele que nasceu pobre e se foi empobrecendo tanto mais quanto mais sofreu a perseguição até a morte.

As Bem-Aventuranças não são formuladas negativamente, nem na forma de um código moral, mas de maneira positiva e aberta. Não é pura doutrina, mas estilo de vida, um modo de proceder.

Jesus não prega diretamente uma moral. Proclama a irrupção  da graça, do amor, da misericórdia, da justiça de Deus na história da humanidade. Porque tem a certeza de que chegou a hora de Deus intervir na história, Jesus fica feliz e proclama “felizes” os até agora indefesos, oprimidos e marginalizados, mas que mantiveram viva a confiança em Deus. Detrás de cada uma das Bem-Aventuranças há séculos de promessas e de esperanças.

        Os enunciados das Bem-Aventuranças soam à primeira vista como “idealistas”, “utópicas”, absolutamente irrealizáveis no mundo em que vivemos. Não existem de fato proposições mais paradoxais, isto é, mais à margem, mais contrárias e mais opostas à opinião comum, sobre a natureza e sobre os caminhos da felicidade, que as bem-aventuranças evangélicas.

No entanto, elas são as propostas ao mesmo tempo mais “realistas”, mais “revolucionárias” e mais “eficazes” jamais pronunciadas.

Em hebraico, o termo “infelicidade” quer dizer “estar parado”. A “felicidade” está em caminhar.  A bem-aventurança é “andar”.  

Na oração:

À diferença de todos os mistérios contemplados até agora, na contemplação deste mistério o cenário permanece imutável. Jesus vai ficar o tempo todo falando no mesmo lugar, sem mover-se. Ele ocupa o centro da cena e é o único ator. Por isso, nosso “olhar”, “escutar”, e “observar” devem permanecer, ao longo de toda a contemplação, fixos na sua pessoa e nas palavras que saem de sua boca; e ouvi-las como dirigidas direta e pessoalmente a cada um de nós.

 

Jesus tem poder sobre a natureza

Aparentemente, Jesus está ausente quando seus discípulos se encontram no meio da tempestade, em perigo de morte. Na realidade, Jesus está sempre unido à sua Igreja, orando pelos seus; e na hora certa manifesta o seu poder, libertando-os do medo e infundindo-lhes ânimo. A Igreja tem de perseverar na fé mesmo quando é agitada e açoitada pelas ondas e pelos ventos das provações e perseguições.

Pedro, na sua relação com Jesus, representa a figura do discípulo. Nas suas palavras, ações e atitudes, mostra como não deve e como deve se portar o discípulo de Jesus na Igreja. Pedro é exemplar na grandeza e na fortaleza de sua fé; mas Pedro é igualmente o exemplo da pequenez e da fraqueza de fé dos discípulos de Jesus. Em Pedro convivem ou se alternam com extraordinária rapidez os arranques de generosidade e os recuos diante das dificuldades, a coragem e a covardia, a que tudo ousa e a “pouca fé”. As fraquezas e as infidelidades de Pedro são, porém, sempre de novo restauradas por Jesus.

Aqui está a atualidade permanente do mistério que vamos contemplar.

A fé da Igreja que somos nós, a fé de cada um dos discípulos, tem, como a de Pedro, altos e baixos. Cada um de nós é, como Pedro, ora pedra viva, rocha, ora pedra de tropeço no caminho, escândalo. Todo discípulo de Cristo vive alternadamente a separação e o encontro, vive o medo e a fé, mas uma fé que está sempre ameaçada pelas águas do medo e da dúvida.

 

Caro amigo/a no episódio do JOVEM RICO, Mc 10, 17-22, “Ao retomar seu caminho, alguém correu e ajoelhou-se diante Dele, perguntando: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Jesus respondeu: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom se não só Deus. Tu conheces os mandamentos: Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe”. Então ele replicou: “ Mestre, tudo isso eu tenho guardado desde a minha juventude”. Fitando, JESUS O AMOU e disse: “ Uma coisa só te falta: vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Ele porém, contristado com essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens.” (Mc 10,17-22)

Mergulhando nesta passagem podemos perceber que naquele “jovem rico” havia o desejo do Reino dos céus, pela forma como ele se ajoelhou e se dirigiu a Jesus. Uma das dimensões da resposta de Jesus – Por que me chamas bom? Ninguém é bom se não só Deus. – nos mostra que ele tinha, mesmo que de forma ainda superficial, noção de que Jesus é o Filho de Deus, portanto, Bom.

A sua alma era muito boa, além de ele observar desde a sua juventude os mandamentos da lei de Deus. Realmente meus caros amigos/a leitores, esse Jovem era bem melhor que eu, pois quantos pecados e quantos mandamentos eu já transgredi! Não sei o seu caso, mas mesmo assim, graças a Deus estamos na caminhada!

Quando ele se prostrou diante de Jesus, esperava encontrar a salvação, mas saiu sem consegui-la. Como é doloroso: Jesus O amou, mesmo assim ele não foi capaz de deixar tudo para seguir o Senhor.

            Hoje para muitas almas essa história se repete. Almas que chegaram mais longe. Conheceram o Senhor, provaram o Seu amor, caminharam com Ele, pregaram o Seu nome, mas diante de propostas do mundo, olharam para trás, abandonaram o plano do Senhor e dedicaram suas vidas em seus próprios planos.

Imagine a dor que sentiu Jesus ao ver aquele homem amado ir embora. Imagine também a dor que Ele sente ao ver, hoje, pessoas abandonando Seus caminhos e a Sua Obra, reconhecem que Jesus é o Senhor, mas abandonam-nO para viver os valores de uma vida presa ao que passa. O que me atrapalha no meu seguimento de Jesus? O que parece hoje ser prioritário ou mais importante a curto, médio ou longo prazo? Aceitemos os conselhos de Pv 16,1-3: “Cabe ao homem formular projetos em seu coração, mas do Senhor vem a resposta da língua. Todos os caminhos parecem puros ao homem, mas o Senhor é quem pesa os corações. Confia teus negócios ao Senhor e teus planos terão bom êxito.” Observemos o testemunho daqueles que confiaram e se lançaram nas mãos do Senhor, como estão as suas vidas e como estão as vidas daqueles que trocaram o chamado do Senhor pelos seus próprios projetos.

Fixemos os nossos olhos em Deus, sem jamais esquecer que assim como Ele olhou para o jovem rico e o amou Ele olha para nós e nos ama. Então disse Jesus a seus discípulos: “se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas o que perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la.” (Mt 16, 24-26).

         Jesus é o centro, o conteúdo do nosso projeto de vida. A pessoa de JESUS está no centro, porque Ele é o modelo de Eleição (eleger como Jesus) e, além do mais, objeto da Eleição(eleger a Jesus). Nós O elegemos como Caminho, Verdade E Vida. Ao mesmo tempo a eleição vai amadurecendo numa atmosfera de relação pessoal com Cristo pobre e humilhado; é deixar-se configurar totalmente pelo movimento da vida de Jesus.

As eleições concretas sucessivas são referidas a Ele, marcadas por Ele.   À medida que a pessoa contempla a Vida de Jesus  percebe em que direção se sente movida   por Deus, e nesta direção realizar, então, sua opção de vida em vista de um maior serviço.

A eleição, o projeto de vida deve ser consciente, livre e volitiva (querida).

Por isso, nos exercícios que fomos realizando, se ofereceram critérios para se perceber os enganos do inimigo, do mau espírito e para  libertar em profundidade a inteligência (a escolha de Jesus ou do inimigo), a vontade (Três classes de pessoas) e o coração (Três tipos de amor). São critérios que tem como objetivo garantir a “indiferença”, para acolher a novidade desconcertante do Senhor e favorecer a ordenação dos afetos.

O apelo de Cristo é único e dirigido a cada cristão. Mas as respostas diferem, conforme o mistério da generosidade em cada pessoa: há os racionais, que se doam, considerando seus motivos; os que se doam sem cálculos, arriscando tudo, gratuitamente; e os que recusam, continuando a mergulhar na vaidade das aparências.

Quem está em estado de crescimento espiritual está continuamente em “estado de opção, eleição”. Deus vai exigindo progressivamente à medida da resposta e da generosidade da pessoa.

A eleição faz de cada um de nós que buscamos a verdade, um peregrino, uma pessoa sempre em mudança, uma pessoa para o qual a vida é um caminho aberto em contínua busca, humilde e paciente, da Vontade de Deus.

Nossa eleição, nosso projeto de vida é o movimento interno do espírito, a renovação do coração, que não é um ato isolado, mas um processo contínuo de transformação vital; trata-se de uma atitude interior constante pelo qual o cristão, ao perceber-se “conduzido pelo Senhor”,  conforma a sua vida com o proceder de Cristo que, tanto nas grandes como nas pequenas ocasiões, cumpre a Vontade do Pai.

A eleição ou projeto de vida é a maneira pessoal e original de viver o seguimento. Implica uma re-organização vital que orienta toda a atividade e evolução posterior da pessoa. Trata-se da própria vocação, do orientamento único e original, e desemboca numa ação eficaz e transformadora. Tal processo de “ordenação” exige uma intensidade cada vez maior de “afeto” em relação ao Senhor. a vida se renova, se realimenta, se rejuvenesce desde as raízes, renovando nossos velhos e eternos “porquês”.

A experiência existencial da eleição significa ter recuperado a capacidade de dizer sim, de ser livre, de consentir à Vontade de Deus. Eleger é aceitar livremente ser escolhido por Deus; é Deus que nos elege e a Ele devemos pedir  “queira mover a minha vontade e pôr em minha alma o que devo fazer, no tocante à coisa proposta, que seja mais para seu louvor e glória”. (Santo Inácio).

A eleição, o projeto de vida não é “adivinhar” o que Deus quer, mas amar o que Deus ama. Não somente amar o que Deus quer senão como Deus o quer. A eleição é uma decisão pela vida como glória de Deus.

Portanto, a eleição tem por função dispor a pessoa a reconhecer e acolher o que Deus inspira, Suscita, confirma. É escuta fiel à ação e aos sinais de Deus no coração e na história.

Santo Inácio de Loyola propõe a 'reforma de vida' para aquelas pessoas cujo estado implica a posse de bens que devem ser administrados conforme a perfeição evangélica a que são chamados. Assim, ele índice alguns pontos que devem ser examinados:

- de um lado, a família e as pessoas com as quais se convive: que tipo de casa e número de empregados deve ter, como a deve reger e governar como deve ensinar com a palavra e o exemplo".

Meu caro amigo leitor/a, o cuidado das pessoas com quem se convive, faz parte da vida daqueles que querem seguir de perto a Jesus Cristo (casa e família). É preciso ajudá-los com a palavra e, sobretudo com o testemunho de vida.

De outro, a posse de bens: quanto se deve tomar para sua casa e familiares e quanto deve distribuir aos pobres e outras obras. É importante saber usar os recursos materiais e atender de modo especial as pessoas mais necessitadas. O cristão é chamado a estabelecer critérios evangélicos no uso de seus bens.

Pontos que podem ajudar no projeto de vida, opção ou eleição:

- convém recordar que a reforma ou projeto de vida não consiste somente em bons desejos. Trata-se de tomar decisões que afetem realmente o modo de vida. Grande ajuda para isso é a pratica do exame de consciência tanto o geral quanto o particular. É preciso colocar os meios para que se possa perseverar.

- Para isso, reler as notas que se foi tomando durante os momentos de revisão. São moções do Senhor que podem indicar o caminho a seguir. Parar de modo especial naquelas moções, idéias e pensamentos, que foram surgindo com maior freqüência ou intensidade. É próprio de Deus ser insistente em seus chamados. A reforma ou projeto será feito, fundamentalmente, sobre esses chamados que o Senhor foi fazendo, nos momentos de contemplação, especialmente nas revisões da oração. Ter o cuidado de não multiplicar 'pontos' de reforma. Escolher aquelas moções e idéias que, realmente, caem fundo no coração e que supõem mudança de vida, segundo a vontade do Senhor.

Determinar nesse campo algumas decisões sobre hábitos de proceder que afetem diretamente a vida. Procurar que essas decisões sejam poucas, simples, concretas e realizáveis. Apresentá-las, na oração, ao Senhor. Renovar a oblação feita nos EE. Pedir a Deus Nosso Senhor que as confirme e abençoe.

"Estejam sempre alegres, rezem sem cessar. Dêem graças em todas as circunstâncias, porque esta é a vontade de Deus a respeito de vocês em Jesus Cristo. Não extingam o Espírito, não desprezem as profecias. Examinem tudo e fiquem com o que e bom." (1Ts. 5, l 6-21).

           

Caro amigo/a neste momento de oração/exercício, usando o roteiro do cap IV e a oração preparatória:

a)      Reler as notas, os textos, os apelos, os medos e as repugnâncias; ver se há concordância entre os textos; considerar os apelos mais constantes; detectar na própria vida as constantes de Deus: aqueles pontos ou objetos aos quais o Espírito parece impelir-nos nos períodos mais calmos da nossa existência;

b)      Reler a vida: ver se os apelos já estavam presentes anteriormente; discernir e orar; pedir confirmação;

c)      Meios para a concretização dos apelos: elaborar um projeto de vida em torno aos apelos; não se trata de propósitos, mas de respostas concretas aos apelos de Deus.

d)      Peça a Graça: mostra-me, Senhor, o melhor caminho para seguir-te!

e)      Revisão da oração - Que sentimentos experimentou durante o exercício de Eleição?

Textos bíblicos para serem contemplados: 1) Lc 18,18-30; 2) Jo 15,9-17; 3) Ef 1,3-14; 4) Ef 3,1-13;  5) 1Cor. 9,15-23; 6) Gal. 1,11-23; e 7) 2Tim. 1,6-18.

 

XVI- CONFIRMAÇÃO DA ELEIÇÃO OU PROJETO DE VIDA

            Caro amigo/a leitor começa uma nova Etapa. Trata-se de confirmar a Eleição ou projeto de vida. A Eleição só é válida quando vem do alto. Também sua confirmação deve provir do alto. Já não se trata da minha Eleição, mas “do que Deus quer de mim”. Deixemos que ele atue em nós, sem medo, sem impotências: foi a você, ser limitado, pobre e sem forças, que o Senhor confiou a sua Eleição.

            A confirmação não se avalia por resultados externos (dar certo, sucesso, etc), mas pelo fruto no coração. A confirmação é uma especial experiência de consolação interior dada por Deus a quem pede, percebida pelo discernimento das moções interiores.

             Como meio para conseguir esta confirmação se propõe a contemplação do Mistério Pascal: Morte e Ressurreição do Senhor.

            Essa contemplação visa fortificar e dar coragem, liberdade e convicção no seguimento de Jesus. Tomada a decisão, você começa a descobrir o preço da fidelidade no seguimento. Contemplar a Paixão de Jesus é dizer “sim” ao que Deus quer de você, aceitando os riscos imprevisíveis da sua opção.

            É a experiência do “doar-se e perder-se até a morte” por aquilo que se acredita e se ama. Experiência de uma identificação com o Cristo que sofre injustamente por ser fiel ao Pai, comprometido definitivamente com os valores do Evangelho. Experiência do Cristo pobre, humilde e humilhado que tem o rosto concreto dos pobres e dos excluídos da nossa sociedade.

            É tempo de pedir confirmação da sua opção!

            “Eis que vem o teu rei montado num jumentinho!” (Jo 12,15).

            Jesus se aproxima espontaneamente da Paixão, para consumar o mistério de nossa salvação. Está, pois, de livre vontade, a caminho de Jerusalém. Vem, mas não rodeado de pompa. Pelo contrário, vem manso e humilde, e se apresenta com vestes pobres.

            Os peregrinos eram acolhidos na Cidade Santa com uma saudação. Do mesmo modo, a multidão entoa um canto, onde Jesus é aclamado como o Rei-Messias, o enviado de Deus, aquele que traz enfim a paz prometida!

            “Hosana ao Filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” (Mt 21,9)

            Jesus, montado num jumentinho, quebra todas as expectativas do povo de um Messias triunfador e poderoso. Ele se apresenta como um rei humilde, humilhado, pobre e sofredor, que salvará o seu povo, não pela imposição da violência, mas deixando-se violentar, ele mesmo, para poder ser o primeiro a perdoar. Só assim, ele poderá trazer a paz!

            É assim que Jesus é aclamado como Rei. É enquanto Rei que Ele entra em Jerusalém para ser crucificado. Não lhe tomam a vida, mas é Ele quem a dá porque Ele é Rei.

            “Eu vim para servir, não para ser servido” (Mc 10,45)

            Jesus se apresenta a nós tão manso, Ele que é a própria mansidão, para vir e entrar em intimidade conosco e, tornando-se um de nós, erguer-nos e reconduzir-nos a ele.    

            Ouça a pergunta feita por todos: “Quem é este?” Cada um de nós tem de dar uma resposta a esta pergunta. Somente pela fé somos capazes de dar uma resposta perfeita a esta pergunta. É unicamente pela fé que podemos enxergar a realidade profunda do mistério da pessoa de Jesus.

            Corramos juntos com Aquele que se apressa para a Paixão e, como os que foram ao seu encontro, estendendo no caminho seus mantos e ramos de oliveira, ofertemos a nós mesmos, prostrando-nos a seus pés como mantos estendidos.

 

Confirmação - A sua Eleição, projeto de vida, deve receber “confirmação” da parte do Senhor. A confirmação não se avalia por resultados externos (dar certo, sucesso, etc.), mas pelo fruto no coração (Gl 5,22-25). Não é também uma sensação de alívio ou contentamento, nem o olhar que cai sobre uma passagem da Bíblia. A confirmação é uma especial experiência de consolação interior dada por Deus a quem a pede. Pode ser percebida de forma dramaticamente iluminativa, direta (mas é raro), ou pelo discernimento de consolações e desolações, caracterizada por: estarem centradas em Jesus; darem consciência realística do desafio e sofrimento envolvidos no eventual seguimento; senso de paz, mesmo na dificuldade; crescimento e confiança em Deus; humildade e dependência do Senhor; desejo acentuado de unir-se a Jesus pelo seguimento.

 

Neste instante peça Graça - Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple em Mt 21,1-11.

Revisão da oração - Como é o Jesus que você tem descoberto até aqui, nesta fase da leitura orante deste livro?

 

Meu caro amigo/a leitor, consciente de estar realizando o Projeto de Deus, Jesus mostra corno esse projeto se traduz em ações concretas que serão o "modo de proceder” ou o "estilo de vida” da comunidade dos seus seguidores: "despoja-se do manto" (sinal de dignidade do "senhor") e pega o avental (toalha, "ferramenta" do servo). É o Senhor que se torna "servo" (cf. Fl. 2,6-7).

“Durante a Ceia. Jesus se levantou da mesa, tirou o manto. e começou a lavar os pés dos discípulos".

Jesus está no meio dos homens como Aquele que serve. Jesus confirma ser Mestre e Senhor depois que realizou o ato que simbolizava e condensava toda a sua missão, identificando-se com o Servo de Deus: Ele veio para servir e não ser servido. "Despojar-se do manto" significa "dar a vida" sob a forma de serviço.

Jesus coloca toda a sua pessoa aos pés dos seus discípulos. O Criador põe-se aos pés da criatura para revelar como ela é amada e como deve amar.

Mais adiante, ao retomar o manto, não se diz que Ele tenha deposto o avental. Dá-se a entender que Ele tenha vestido o manto por cima. Isso significa que seu serviço continuará, culminando na Cruz.

Jesus retoma o manto e se põe de novo à mesa, ou seja, volta à posição de homem livre (os servos não se sentavam à mesa), mas conserva a disposição de servo (não tira o avental).

A cena é fortemente simbólica: Ele continua sendo sempre aquele que serve.

De fato, Jesus só é despojado do avental na Cruz, pois é aí que Ele conclui seu serviço. O "lava-pés" de Jesus, portanto, se prolonga até a Cruz, e nela tem seu ponto culminante. "Tal Cristo, tal cristão": na vivência do serviço evangélico, somos chamados a vestir o "avental de Jesus". "Vestir o coração" com o avental da simplicidade, da ternura acolhedora, da escuta comprometida, da presença atenciosa e do serviço desinteressado.

Portanto, caros amigos leitores/as, na cena do "lava-pés" três gestos de Jesus revelam três atitudes do cristão: "levantou-se da mesa.", "tirou o manto" e "sentou-se à mesa". O que é "tirar o manto?" Para nós o "manto" poderia ser nossa máscara, nossa redoma, nossa capa de proteção que nos distancia dos outros.; é tudo aquilo que impede a agilidade e a prontidão no serviço. "Tirar o manto" é a atitude firme de quem se dispõe a "arrancar" tudo o que possa ser empecilho para melhor servir; é mover-se, despojado, em direção ao outro; é optar pela solidariedade e a partilha; é renovar a vontade de "incluir" o outro no nosso projeto de vida.

Precisamos "levantar-nos da mesa" cotidianamente. Há sempre um lar que nos espera, um ambiente carente, um serviço urgente. Há pessoas que aguardam nossa presença compassiva e servidora, nosso coração aberto, nossa acolhida e cuidado.

Ora, se não nos livrarmos do manto, tomar-se-á difícil realizar gestos ousados, criativos. Sempre teremos "pés" para lavar, mãos estendidas para acolher, irmãos que nos esperam, situações delicadas a serem enfrentadas com coragem. Sempre teremos, também, a    necessidade  de nos   "sentar à mesa" para renovarmos  as  forças  e redobrarmos a coragem de nos levantar e, na humildade, sem manto, servir com amor, do jeito de Jesus. "Levantar-nos da mesa" - "sentar-nos à mesa": movimento de partida e de chegada; prolongamento do gesto provocativo e escandaloso de Jesus.

Na oração; Seja você alguém que, na admiração da gratidão, se aproxima deste gesto ousado de Jesus (tirar o manto e vestir o avental), a fim de purificar sentimentos, endireitar caminhos e aprofundar a caminhada na convivência com os irmãos. A sua identificação com Jesus lhe confere um novo modo de ver, avaliar, escolher e posicionar. É a contemplação, a postura mais envolvente que lhe pode fazer enxergar o milagre; e, sensibilizado, abrir-se-á à dimensão do maior serviço, por pura gratuidade.

 

Jesus, sabendo que sua vida estava chegando já ao fim, reuniu os seus companheiros, os seus amigos ao redor de uma mesa. Companheiro, aquele que come do mesmo pão, que comunga da mesma vida. A alegria em estar com os seus.

            “Sou trigo de Deus, serei triturado para tornar-me o puro pão de Cristo” (S.Inácio de Antioquia)

            É próprio do coração do homem partilhar, com aqueles que ama, suas emoções, pensamentos e desejos. Participar de uma refeição com os amigos não é só partir e repartir a comida e a bebida, mas, sobretudo partilhar o mais profundo que existe nos corações. É o próprio coração que se parte e reparte.

             “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e Eu nele” (Jo 6,56)

            O Mistério da Eucaristia, a chegada da hora de Jesus Cristo, a hora da entrega da vida verdadeira, o grande sinal do amor e fidelidade de Deus aos homens. Não é a celebração só da Paixão, mas de toda uma vida de amor, de entrega e de abertura para uma nova vida que é a doação contínua da vida.

            A entrega do Corpo e do Sangue do Senhor é um convite a que todos nós entreguemos continuamente a nossa vida pelos irmãos. A Eucaristia é o momento desse apelo de Deus para nós. Se você quer ter vida, dê a vida. O “segue-me” chega até aí.

            “Tomai e comei, isto é meu corpo! Tomai e bebei, isto é meu sangue! Fazei isto em memória de mim!”

            O Pai formou um Corpo para o seu Filho pelo Espírito Santo. O Corpo de Jesus! Um corpo que o situava, com o qual Ele se exprimia. Pelo corpo Jesus se doava inteiramente aos outros. Seu amor transparecia através dos olhos, do rosto, das mãos e no modo de andar. No Corpo de Jesus, formado pelo Espírito e não pela vontade do homem, o Pai manifestava à humanidade o seu Amor eterno. O Corpo do Senhor é manifestação do amor. É dom que o Senhor faz de Si mesmo, o dom total.

            Cada vez que ouvimos estas palavras na Eucaristia devemos pensar nos outros. Ser como Jesus: dar tudo sem tirar nada. “Fazei isto” é o esforço de sair de si, dos seus interesses, para pensar no bem do outro e se comprometer com a sua felicidade.

            Neste mistério podemos ver “até que extremo o Pai nos amou!”

            Aqueles que celebram a Ceia do Senhor, em espírito e verdade, levam para sua vida diária a prática da comunhão que aprenderam do Senhor: ser fermento no mundo, para que se torne justo e fraterno.

            Como pode ser que, após tantos anos de vida cristã, ainda nos limitemos a considerar a Eucaristia como simples cerimônia ou mera devoção entre tantas outras? Ela é o centro de tudo. É ela que transforma um cristão num homem que dá testemunho.

            Qual é a sua atitude, as motivações mais profundas do seu coração? Você vive para si ou para os outros? Você se encontra unido a Jesus e a seus irmãos mais necessitados? Ou você prefere tentar fazer a sua vida sozinho?

            A Eucaristia é um convite a partilhar toda sua vida com todos os homens.

Caro amigo este é o momento de você fazer a sua visita Ao Santíssimo Sacramento: Poderia ajudar a rezar este mistério da Eucaristia fazê-lo em alguma igreja ou capela, diante do Sacrário, na presença eucarística do Senhor. Ou, então, dar algum tempo, durante estes dias, para visitar o Santíssimo Sacramento, com todo amor e reverência.

Peça como Graça - Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple em Mt 26,17-30.

Revisão Da Oração - Você está disposto a partilhar não só o Corpo e o Sangue do Senhor, mas também a sua própria vida?

Aplicação Dos Sentidos:

            Ver - as diferentes pessoas e fatos contemplados. Algo ou alguém lhe move a um ato de fé?

            Ouvir - as diferentes palavras, mensagens. Dizem algo que você pode esperar como realidade em Deus no seu futuro?

            Sentir - nas contemplações que você repete surgem atos de amor de Deus e dos outros? Moções?

            Tocar - percebe-se algo dos mistérios contemplados da vida de Jesus que já são “seus” de algum modo?

 

Inicia-se a paixão, Jesus pede aos seus discípulos: “ficai aqui e vigiai Comigo!”

            Depois da esperança, da paz, da majestade da última ceia, a oração de Jesus no monte das Oliveiras, mostra o aspecto doloroso que a Paixão tem para ele. A agonia no monte das Oliveiras é o momento mais obscuro para Jesus e para seus seguidores. Aqui aparece toda a verdade de sua humanidade, o que faz dele nosso irmão e nosso Salvador no mais profundo de nossa miséria.

            Na vida de todo homem existem momentos tristes e profundamente amargos. Momentos de profunda angústia e tribulação, quando a vida toda parece se desmoronar e perder o seu sentido. O homem se sente só.

            Jesus permanece fielmente humano, tateando na noite.  Quem está com ele: Pedro, que espera o Messias triunfante e chega mesmo a indicar-lhe caminhos; Tiago e João, que pedem o primeiro lugar.

            Momentos de medo, perturbação, inquietação. “Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo” (Mt 26,38)

            Jesus está triste. Esta tristeza de Jesus diante da sua morte nos ultrapassa. Diante de Jesus que afirma a sua tristeza, é melhor ficar em silêncio para ouvir a ressonância de sua voz.“. Meu pai se é possível, afasta de mim este cálice!” (Mt 26,39)

            A uma hora atrás, Jesus acabara de oferecer o cálice de seu sangue, na última ceia. Agora Ele parece hesitar. Ele se pergunta se vai aceitar ou recusar.

            Jesus distingue com aterradora claridade duas vontades. Foi o momento da prova.

            Duas vontades enfrentadas violentamente: “o que eu quero” e “o que Tu queres”. Foi um momento horrível. Jesus desceu nesse momento até o último limite do homem. Nesses momentos, a nossa tentação é por um Deus que se manifeste, que intervenha.

            Jesus hesita durante uma ou duas horas entre a recusa e a aceitação. Ele não recusa, mas sua aceitação é lenta e dolorosa. Jesus volta duas, três vezes aos discípulos, à procura de conforto. Pedro, Tiago e João estão por fora, e por isso dormem. Não o sono do cansaço, mas o sono que conhecemos, algumas vezes, em nossas vidas, o sono de fuga, quando se trata de tomar uma decisão que nos incomoda, para evitar encarar a realidade.

            Mas, além da própria morte, além do sofrimento, Jesus sabe que a Vontade do Pai é Vida. Se a Vontade do Pai se cumprir, a conseqüência não será a morte, mas a Vida, pois Deus não quer a morte. 

            “Meu pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!” (Mt 26,42)

            Por fim, Jesus se entregou como um filho submisso nas mãos do amado Pai com o “faça-se o que Tu queres”. Jesus está entregue ao único plano de Deus. Jesus abandona sua causa a um outro. Ele tinha amado com todo o seu ser, ele tinha servido a uma única idéia: glorificar o Pai no meio dos homens. Agora, ele abandona-se ao mistério da insondável bondade do Pai. E o abandono foi a libertação da “angústia e do terror”, e produziu na alma de Jesus os frutos habituais de todo abandono: consolação, paz, tranqüilidade e sobretudo uma satisfação por ter feito o ato supremo de amor.

            “Chegou a hora: o Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui” (Mt 26,45-46)

            Jesus foi muito sensível à amizade, mas nesta hora todos o abandonam.Quando todos o abandonam, sobra a pergunta: vale a pena?  Pois, o sofrimento não tem sentido. É algo de absurdo! Mas, aquele que segue Jesus na sua agonia, não se desespera, mas crê.

            “Feliz é aquele que nas aflições continua fiel. Porque sabem que quando a sua fé vence essas provações, vocês aprendem a ter mais paciência.” (Tg 1,2-4)

Neste momento de profunda oração, peça Graça – Senhor Jesus, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

            Contemple e aplique os sentidos em Mt 26,31-46.

Revisão da oração - Como você experimenta “compaixão” de forma concreta na sua vida?

 

Caro amigo/a, como muitas vezes em nossa vida, nos momentos difíceis, os amigos, ou falsos amigos nos abandonam, com Jesus aconteceu: os discípulos O abandonaram.

            Jesus introduziu uma novidade total na vida das pessoas, inclusive no campo religioso. Jesus se distanciou da concepção vertical de um Deus que entra na história para corrigir, dominar; que discrimina entre puros e impuros. Ao contrário, proclama um Pai que vem em graça, que se aproxima dos impuros, dos estrangeiros, dos que a religião considera como pecadores.

            A morte de Jesus é o resultado do anúncio da Boa Nova. Tudo vai ficando escuro na vida de Jesus e o céu parece desabar. É a hora das trevas!

Jesus Cristo não “sofreu” a Paixão no sentido de “suportá-la”. Ele a assumiu. Nossa atitude diante do sofrimento pode ser tríplice: de fugir, de rejeitar e de assumir. A fuga não é atitude e só acrescenta mais sofrimentos aos que já se tem. O suportar não é cristão. Só o assumir é cristão.

            Na prisão de Jesus, dois rostos se encontram: Jesus e Judas. Judas, um dos doze, se torna guia para a companhia de soldados encarregada da prisão. Judas tinha mergulhado na noite, símbolo das trevas que habitavam nele. É sob a figura de Judas que agora avança na direção de Jesus o príncipe deste mundo.

            Na cultura de Jesus, o beijo é sinal de afeto e comunhão. Por isso, é desgostosa demais a cena de Judas que beija Jesus para traí-lo. Que decepção! Amar, confiar e ser traído, abandonado e pisado por aquele que dorme na mesma casa e come na mesma mesa!

            A reação dos Apóstolos diante desta cena, a reação de Pedro:

            “Desembainhou a espada e feriu um servo do Sumo Sacerdote, decepando-lhe a orelha” (Mt 26,51)

            Porém, Jesus disse: “embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão”(Mt 26,52).

            Os Apóstolos queriam fazer alguma coisa! Pedro é generoso. Pedro ama o Mestre. Quer dar a vida por Ele. Porém, quer dar a vida defendendo-O, matando e lutando até morrer! Jesus reage a essa tentativa de violência praticada por Pedro. Jesus e os discípulos, que o seguem, não esperam a salvação da violência, e sim da força de um amor que cura e pensa as feridas da violência.

            Deixar-se prender. Não se defender. Deixar-se conduzir como a ovelha que se leva ao matadouro! É a vontade do Pai! É um Jesus obediente que aceita livremente a Paixão e a transforma em dom, em revelação de amor.

            Pedro não compreende mais nada. Seu gesto manifesta uma última e profunda incompreensão do caminho do Messias, que não é o poder e sim o da livre doação, e que não se subtrai à fraqueza que marca o amor porque é precisamente na aceitação desta fraqueza que se cumpre o desígnio do Pai. Pedro tinha previsto tudo, exceto o que está acontecendo.

            Jesus sofre diante da violência injusta de uma prisão durante a noite, mandada pela autoridade, que mais parece uma captura, como se ele fosse um malfeitor perigoso. Ele é vítima de uma trama dos chefes, que por sua vez se revelam servidores de um poder obscuro, violento e mentiroso.

            Quando estaremos preparados para o inesperado como se fosse a coisa mais ordinária da nossa vida? Jesus está nos pedindo que nos preparemos para o inesperado!

            Jesus está com as mãos ligadas. Não se defende, deixa-se prender, Ele, o Todo-poderoso. Fraqueza, humildade de Deus.

            “Então, os discípulos o abandonaram e fugiram” (Mt 26,56)

            O que mais dói: se sentir abandonado por tudo e todos. Os planos que construímos, as obras que realizamos, os relacionamentos interpessoais mantidos parecem ruir. Não fica nada, apenas um coração partido, uma mente cansada e Deus.

            A glória de Deus se manifesta em Jesus que se deixa prender. Porém, para descobrir esta glória, precisamos de um olhar penetrante, do olhar da fé.

Neste momento do sofrimento de Jesus peça como Graça - Senhor dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple e aplique os sentidos em Mt 26,47-56.

Revisão da oração - Como se dá a presença da cruz na sua vida de seguimento de Jesus?

 

Contemple caro amigo/a como um julgamento falso, injusto e fraudulento, leva o filho de Deus, o Messias esperado, à morte de cruz! Mas uma certeza nos fica, Jesus brada com firmeza: Eles não me tiraram a vida, Eu a dei livremente!

            Jesus é trazido diante de Anás e Caifás na sessão noturna do Sinédrio. É a história de um homem levado a um tribunal de outros homens para ser julgado.  Jesus está diante daqueles que, oficialmente, representam a religião, representam Deus, diante do poder legítimo.

            Já se sabe desde o início que não existe saída. Ele já esta julgado: sua vida, o fato de não ser um sacerdote, mas leigo, e não situado dentro do sistema e do aparato religioso de seu tempo, fazendo uma crítica radical, Ele gera a alternativa: ou o Deus de Jesus, da fé, ou o Deus da religião oficial estabelecida.

            Quando se lê hoje nos processos que muitas pessoas foram julgadas injustamente, sem possibilidade de prova ou defesa, é bom pensar em Jesus Cristo e ver o que ele sofreu. O tribunal não precisava de provas porque já o tinha condenado antecipadamente.

            Qual é a atitude de Jesus quando é acusado injustamente diante dos poderes religiosos? Cala-se! Depois, quando a pergunta essencial é feita, responde claramente e simplesmente que Ele é o Filho de Deus: “Eu sou. E vereis o Filho do homem sentado à direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26,64).

            E depois de dizer o que tinha que dizer, Ele entra de novo no silêncio. Este silêncio não é desprezo, nem ódio, nem desforra. Jesus não julga. Disse o que o Pai lhe mandou dizer e agora entra no silêncio.

            São dois modos para chegar a Deus. Para os judeus, é por práticas privilegiadas(culto, sacrifícios, ritos) e lugares especiais(Templo). Para Jesus, é pelas pessoas, particularmente os excluídos e rejeitados pelo sistema, mesmo que religiosamente diferentes.

            Olhemos agora para Pedro. Ele segue Jesus de longe, para ser fiel à sua promessa de fidelidade corajosa. Mas quando Pedro se acha descoberto e suspeito de aderir ao grupo de Jesus, como Galileu, a coisa se torna perigosa e ele nega a sua qualidade de discípulo. É o homem que, querendo ser fiel a Deus baseado em sua própria força, acaba sendo infiel.

            De uma parte o amor e o dom de Cristo, a coragem de Jesus no testemunhar sua missão, de outra, a infidelidade e a fraqueza do discípulo. A coragem de Jesus tem sua origem na comunhão com o Pai, a fraqueza do discípulo na presunção de si.

            Olhemos para nós e não tanto para Pedro. Todo homem é assim. É como se Jesus nos dissesse: “Fui Eu que escolhi você. Você deveria confiar mais em mim e não em sua própria força. Aprenda isso de uma vez para sempre”.

            “Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes”. E saindo chorou amargamente” (Mt 26,75)

            Nós somos sim e não. Através de nossa fidelidade-infidelidade perpassa a fidelidade de Deus. O que interessa é a mudança de Pedro, que, nesse momento, recorda a “palavra do Senhor”. É esta palavra que suscita o seu arrependimento.

            “Bem-aventurados os que choram porque serão consolados” (Mt 5,4)

            Assim, Pedro torna-se o modelo dos que se convertem. Ele redescobre o seu Senhor após a experiência do medo e do escândalo diante da humilhação de Jesus.

            Caro amigo/a veja a atitude de Jesus e aprenda a não se preocupar tanto, com procurar defesas. Não somos chamados a defender-nos ou a julgar os outros, mas a testemunhar o amor de Deus em todas as partes e por todas as pessoas.

            Meu caro amigo/a exercite hoje a oração despojada. Não se preocupe com conclusões nem com muitas idéias. A resposta já está dada.  Aprofunde sua experiência de vazio e solidão. É abandonado por todos, traído por Judas, negado por Pedro. O importante é assimilar tudo sem pressa.

            Peça como Graça - Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple e aplique os sentidos em Mt 26,57-75.

Revisão da oração – seu projeto de vida continua se confirmando? Que sinais parecem surgir?

           

Caro amigo leitor/a, a contemplação e oração que você está fazendo pretendem duas coisas: penetrar no mais profundo do sentimento de Jesus para captar melhor seu amor por você e por todos os outros homens e olhar a paixão da humanidade que hoje sofre, padece, é torturada e crucificada para que tome uma atitude corajosa diante de tal situação.

            Os chefes judeus conduzem Jesus ao governador Pilatos. Diante de Jesus estão os judeus e Pilatos. Pretendendo eliminar Jesus, preparam acusações políticas mentirosas e descaradas. Acusam Jesus de uma atividade subversiva por dois motivos: por se proclamar Messias, título que para efeitos políticos equivale ao de rei; e por motivos políticos-religiosos, convidando o povo a boicotar os romanos, recusando o tributo. A acusação é muito grave, porque faz de Jesus um rebelde, punível por alta traição.

            Pilatos interroga Jesus acerca da acusação principal: “Tu és o rei dos judeus?”. Jesus não nega, mas afirma que é Rei. No entanto, Jesus é um Rei diferente que vive para servir, não para ser servido. Sua idéia de Rei é diferente de Pilatos, dos chefes judeus, do povo. “Eu não acho neste homem culpa alguma”.

            Os judeus e Pilatos chantageiam-se mutuamente, e a chantagem é possível porque ambos estão fechados ao dom de si; salvar sua pele lhes importa mais que a verdade.

            Pilatos envia Jesus a Herodes, pois Jesus era da Galiléia. Herodes tinha se interessado por Jesus, primeiro por curiosidade, depois com intenção hostil. Mas agora, no encontro final com Jesus, a sua curiosidade ficou decepcionada. Para Herodes Jesus não passa de um coitado, um visionário, um idiota pretendente ao trono.

            Pilatos e Herodes se convencem da inocência de Jesus, mas o poder, por não ter a verdade como sua última instância, não hesita em pisotear o inocente. O poder leva em si uma dinâmica de opressão que não é concebível no Reino de Deus. Quantos Pilatos e quantos Herodes existem, ainda, na nossa história!

            A morte de Jesus situa-se no final de uma série de infidelidades contra o projeto de Deus.

            Os judeus se solidarizam com o agitador e homicida Barrabás e pedem sua libertação, enquanto para o inocente Jesus reclamam em altos brados a morte de cruz. Pilatos, por fim, se faz covarde e cúmplice dos judeus, e cede à pressão do povo e entrega Jesus à morte.

            A paixão de Jesus é um pouco a paixão de nosso povo, que vive e sofre sem comover a ninguém, sem impressionar nossa sensibilidade. O homem, que foi criado para ser irmão dos outros homens, converteu-se, pelo seu egoísmo, em inimigo e assassino do seu irmão.

            Como Jesus, hoje, também milhares de nossos irmãos são condenados à exclusão. Muitos, devido à estrutura de nossa sociedade, não podem participar dos bens necessários para uma vida digna: falta casa, trabalho, saúde, educação. Enfim, temos muitos irmãos que não se sentem gente, tal é a situação em que vivem. Milhões de pessoas diariamente se defrontam com o problema da fome. São pobres, não têm saúde, inspiram medo, enfeiam a cidade, sofrem todo tipo de violência e quando morrem são enterrados como indigentes.

            Os pequeninos, os marginalizados, os velhos, os doentes, os prisioneiros, não têm nada para lhe dar, somente eles, só. Por isso eles desafiam e incomodam o nosso amor. O amor que ama sem olhar o que o outro possui é amor verdadeiro. O que deve ser amado é o homem, aquilo que ele é!

Peça a Graça - Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple e aplique os sentidos em Lc 23,1-25.

Revisão da oração - Como você carrega a sua cruz de cada dia?

 

O processo de con-viver com Jesus para mais amá-lo e segui-lo nos vai conduzindo também a aprender a con-morrer com Ele. Trata-se de uma experiência com Jesus Cristo que levou até às últimas conseqüências a opção pelo Reino. É o momento de confirmar nossas opções com o selo da autenticidade.

Há dois aspectos na Paixão de Jesus Cristo:

         - um externo, que todos podemos contemplar e ver: a paixão corporal;

         - um íntimo, ao qual não temos facilmente acesso a não ser por uma fé humilde e penetrada de respeito e amor: a paixão do coração de Jesus.

           É esta que devemos aprofundar. As considerações particulares têm por objetivo nos orientar para as profundidades íntimas e misteriosas da Paixão.

A vida de Jesus é toda orientada para a Cruz; os relatos evangélicos não são mais do que “histórias da paixão com uma introdução pormenorizada”.

Toda a vida de Jesus foi Cruz e Martírio. Sua morte não é uma morte serena; não apresenta traços de arrogância heróica, nem de passiva aceitação do destino, tampouco de fanático entusiasmo. É a morte de um homem que foi humilhado até o máximo. É a reação mais violenta contra o Reino de Deus.

Jesus não viveu para a CRUZ. Se a cruz é de tal modo exaltada que a vida e a ação de Jesus acabam sendo reduzidas a ela, então acontece que ela passa a ser angustiante e aflitiva, incapaz de convidar ao seguimento ou de acender a esperança. Convém vê-la como o que realmente foi: um episódio que nasce de sua vida plena e transbordante, de sua liberdade tão soberana que o fez capaz de enfrentar a própria morte, mostrando justamente o valor, a coerência e a plenitude de sua Vida.

A Cruz não foi um acontecimento que chegou a Jesus de repente. Sua vida foi um lento aprendizado da morte. Fazia tempo que Ele vinha carregando sua cruz; estava familiarizado com ela. A cruz ensina a “desgastar-se”, a “consumir-se” no serviço do Reino e não a prolongar uma vida egoísta.

A Cruz, o sofrimento, considerados em si mesmos, não são salvadores.

A Paixão e a Cruz de Jesus separadas da sua Vida e da sua Ressurreição, não tem caráter salvador. A Cruz de Jesus Cristo tem sentido salvífico na medida em que resume, concentra, radicaliza, condensa o significado de uma vida entregue ao Pai e ao serviço aos irmãos.

É a qualidade de vida vivida por Jesus, incluindo sua Morte e Ressurreição que é salvadora. O sangue derramado, a paixão e morte de Cruz, tem sentido salvífico, sim, mas porque são a expressão mais potente, a radicalização máxima de uma vida gasta a cada minuto no amor-serviço.

A Cruz é sinal do cristão, porque expressa com toda radicalidade a entrega de Jesus. A entrega vivida cada momento da sua vida culmina na entrega final da própria vida, na morte.

O anúncio da sabedoria da Cruz faz parte fundamental da fé cristã. Mas não se trata de uma Cruz pela Cruz, do sofrimento pelo sofrimento. O que torna valiosa a Cruz é a qualidade de vida de Jesus, que culmina na Cruz, mas é vivida no dia-a-dia, durante toda a sua existência.

A contemplação do Crucificado nos impulsiona, nos capacita radicalmente e nos dá a chave para “olhar” os crucificados de nosso mundo, os excluídos de nossa sociedade. Trata-se de descobrir em cada um de seus rostos o rosto de Deus que se humanizou neles, que se fez tão solidário com eles, que morre neles.

            “Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24).

            O caminho agora é este. Não há retorno. Há na existência situações a partir das quais não se pode mais voltar, momentos em que não se pode mais recuar. A morte está ao final do caminho! Jesus bem o sabe!

            Jesus vai morrer fora de Jerusalém, a Cidade Santa, que antes o aclamava como Rei. Ele não é orgulhoso no seu sofrimento. Sabe ter necessidade do outro. Aceita a ajuda de um estrangeiro, Simão Cireneu. Ele consola as mulheres de Jerusalém, cheio de ternura e misericórdia. Ele não olha para si e sim para os outros!

            Quem é Simão Cirineu, hoje? Quem são as mulheres de Jerusalém? Quem são os príncipes dos sacerdotes? Quem são os malfeitores? Quem é o centurião? Quem é o bom ladrão?

            Jesus é despojado de tudo. Só resta nele sua fé no Pai e o seu amor por todos nós:           “Pai, nas tuas mãos entrego o meu Espírito!” (Lc 23,46).

            Por um breve momento, o pecado arrancou do mundo a verdade, a justiça, o amor, a liberdade, a vida, a luz, a alegria, a esperança. Jesus! Foi pisado, triturado, esmagado!

            A Paixão de Jesus purifica toda vaidade, todo orgulho, toda sensualidade. Deixe-se interpelar, mais uma vez, pelo amor de Jesus. Será que sua vida não poderia ser um pouco mais austera, mais simples, mais verdadeira? Medite um pouco nas conseqüências trágicas da mentira e do pecado.

            A Paixão de Jesus continua acontecendo cada ano, em cada cidade, nos prostíbulos, nalgumas delegacias, nas fábricas. Acontece com os pobres, com os posseiros, com marginais e estudantes, com mulheres da vida. A Paixão de Jesus Cristo é a paixão da humanidade que sofre, violada e explorada, nos seus direitos. Nos porões da humanidade, milhões de irmãos que não têm voz, que não têm nome e continuam sofrendo a paixão de Jesus Cristo.

            Que é que você faz diante deste drama? Que faz diante de semelhante paixão? Participa? Crucifica? Omite-se? Cala-se? Foge?

            Não podemos fechar os nossos olhos diante dos sofrimentos e injustiças que sofrem os homens. Será que Jesus morreu à toa?

Peça como Graça - Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple e aplique os sentidos em Lc 23, 26-49.

Revisão da oração - Como a Paixão de Jesus, e a de tantos irmãos, move o seu coração e os seus braços para uma vida misericordiosa?

           

Caro amigo/a, você se lembra do 3º modo de amar? É isto: aceitar o Cristo Sofredor. Já não se trata apenas de evitar o pecado, mas sim de aceitar a graça e o dom de ter a sorte do Cristo humilhado e sofredor.

            A contemplação do Cristo em seu mistério de dor e sofrimento nos ensina a compreender que o sofrimento faz parte de nossa vida. Não temos que buscá-lo, mas sim assumi-lo numa atitude de solidariedade com todo homem sofredor.

            Na vida de Jesus Cristo existiu um caminhar para o Pai, em atitude de entrega e serviço aos irmãos. Todo o caminho de Jesus entre os homens foi uma "Via Sacra", um caminho santo, na qual em cada momento, pode-se contemplar sua fidelidade à Vontade do Pai.

            Olhe a sua própria Via Sacra! Sua vida é "sacra", santa? Qual a sua atitude diante dos acontecimentos e das pessoas? Para onde você olha: para si mesmo ou para os outros? Qual a sua atenção aos que encontra no caminho? Para você, agora é o momento da transformação de sua vida em Via-Sacra, caminho santo e santificado pelo de Jesus Cristo.

            Recordemos, nesta oração de hoje, as sete últimas palavras de Jesus na cruz. Deixe que elas ecoem em sua vida e o questionem.

Caro irmão/ã voltemos ao Calvário. Jesus Cristo sofre, terrivelmente, suspenso na cruz. Asfixiado pela crucificação, mal consegue falar. As mãos crispadas em torno dos cravos que arrebentam nervos e tendões tracionam uma vez mais o corpo para o alto. Neste momento, liberando a respiração, Jesus consegue pronunciar algumas poucas palavras:

1.  “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”

No auge do sofrimento, Cristo não perde a dimensão da fragilidade do ser humano e implora o perdão para nossas culpas. Seu sangue derramado na cruz nos torna limpos para voltar a casa paterna. Mas somos também capazes de perdoar a nós mesmos e aos outros? Quando oramos: “Perdoai-nos, assim como perdoamos”, sabemos o que pedimos? Aceitamo-nos incondicionalmente como somos e nos respeitamos?

2. “Eu te asseguro: ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

E quantos de nós desacreditamos nessa misericórdia divina, acreditando que somente nosso esforço, nesta e em outras vidas, nos tornará dignos de voltar ao Pai!

3. Eli, Eli, lemá sabachthani! O que quer dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”( Salmo 21).

- Teria Deus abandonado seu Filho na cruz? Certamente que não. Contudo, a natureza humana de Jesus sofria tanto que Ele sentiu falta do carinho de seu e nosso Pai.

- Quantas vezes nós também gritamos a mesma coisa, porém sem qualquer convicção de que Deus nos escuta. Quantas vezes passamos meses e anos esquecidos de Deus, nunca nos lembrando de conversar com Ele, agradecendo tudo o que Dele recebemos.

- Mas, quando nos sobrevém qualquer sofrimento e a dor nos atinge, gritamos revoltados: “Porque nos abandonastes?”.

- Mas não é Ele quem nos abandona: nós é que o abandonamos. E, de repente, queremos atribuir a ele todos os nossos sofrimentos que nós mesmos criamos, para nós e para os outros.

- Fazemos de nossa relação com Deus uma transação comercial: “eu lhe dou esmolas e orações apressadas, em compensação quero receber tudo aquilo que penso ter direito. E , se não recebo o que quero, protesto:Porque me abandonaste!”

4) “Mulher, aí está o teu filho”. Depois disse para o discípulo: “Aí está a tua mãe”. E desde aquela hora o discípulo tomou-a sob seus cuidados.

- Apesar de todas as nossas infidelidades, Ele não nos deixou órfãos: deu a sua própria mãe como nossa mãe!

- Mas seremos dignos de ser filhos daquela que disse o sim, totalmente incondicional, quando convidada a ser parte essencial do plano de Deus para nos salvar?

- Seremos nós também, capazes de dar esse sim incondicional, em cada atividade, testemunhar o Evangelho sem timidez?

5. “Tenho sede”.

Jesus teve sede, mas, ao invés de água, deram-lhe vinagre.

Também para nós Jesus vive a dizer: “Tenho sede! Tenho sede de homens e mulheres, adultos jovens, que caminhem comigo. Que não tenham medo de correr riscos, que não se apeguem a títulos, cargos e aos bens transitórios deste mundo. Que estejam dispostos a levar a boa nova a todas as criaturas.

6. “Tudo está consumado”.

            Jesus cristo olha, do alto da cruz, o novo mundo que começa: a humanidade recebe, em letras de lágrimas, suor e sangue, a sua quitação por todas a dívidas assumidas.

            Mas estará tudo consumado para cada um de nós? Será que nada mais tenho a fazer? Posso me esquecer de que Cristo não permanece morto, que ele ressuscitou e está presente em cada ser humano? Posso entrar numa aposentadoria espiritual, nada mais fazendo para que Cristo já fez tudo por nós?

            Jesus consumou sua obra redentora na cruz. Mas foi exatamente que começou a nossa obra pessoal, como redimimos e discípulos de Cristo?

            Tudo estará consumado quando conseguimos expulsar deste mundo o egoísmo, a ambição, o desamor, a miséria e a falta de oportunidade para todos.

7. “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.

            Chega ao final a agonia na cruz. Cristo entrega-se totalmente nas mãos do Pai. Um dia, ao entregarmos também nosso espírito nas mãos do Pai, com certeza ele não nos perguntará pelas grandes obras que fizemos, mas pelas pequeninas coisas que deixamos de fazer.

Via-sacra - Hoje ou nos próximos dias, você pode achar útil fazer toda a Via-Sacra. Procure uma igreja ou capela onde possa percorrer as “estações”, voltando sobre os acontecimentos da Paixão do Senhor.

Continue pedindo como Graça- Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple e aplique os sentidos em Mt 27, 32-56

Revisão da oração - Como você percebe as conseqüências da sua opção vocacional na sua vida concreta?

 

A fidelidade de Jesus nos conflitos

            “Não vim trazer a paz, e sim a espada” (Mt 10,34)

            Tudo o que Jesus faz - suas atitudes, seus gestos, suas palavras - revelam uma nova visão das coisas, um novo ponto de partida, uma nova ordem, um novo projeto.

            Vivendo e anunciando a Boa Nova do Reino, Jesus vai provocando conflitos. Encontramos o conflito já no centro do mistério da Encarnação:

            “Ele veio para os seus, mas os seus não o receberam” (Jo 1,11)

            Jesus não buscou o conflito (já que trazia uma mensagem de misericórdia e fraternidade), mas conheceu uma das experiências conflitivas mais dramáticas da história humana.

            Jesus se tornou um sinal de contradição porque permaneceu absolutamente fiel a uma mensagem, a um modo de agir e a uma missão que havia recebido do Pai e que devia realizar com critérios e opções coerentes com o conteúdo do seu Evangelho.

            Falar em conflito na missão de Jesus é o mesmo que falar de Fidelidade de Jesus. O que tem valor em sua vida é seu Amor Fiel, e não os conflitos em si mesmos.

            A dimensão conflitiva da fidelidade de Jesus à missão é o resultado do confronto entre sua missão (que anuncia a justiça do Reino e as Bem-aventuranças), e a realidade que não quer ouvir e rejeita a novidade do Reino. Jesus não cria conflitos, Ele os revela e os constata, ao dar testemunho das exigências do Amor.

            Combatido e puxado por todos os lados, Jesus resiste fiel a algo que está dentro d’Ele, só n’Ele e no mais profundo do povo pobre e sofrido. É aquela semente de resistência de que fala o profeta Isaías:

            “Machucado não machuca, injustiçado não responde com injustiça, quebrado não quebra” (Is 42,1-4)

            No fim, ficou só e abandonado, exatamente como o povo de seu país.

            Morre abandonado, soltando um grito (Mc 15,37). É o grito dos pobres!

            Morre acreditando que Deus ouve o grito dos pobres.

            Morre acreditando que a vida pisada é mais forte que o poder que a pisa, mais forte que a morte.

            Morre acreditando que Deus liberta o seu povo com Poder Criador que vence a morte. E no “terceiro dia” o Pai o ressuscitará.

            O conflito faz parte da vida do cristão; ele vive na luta.

            O conflito perpassa nossa vida pessoal e comunitária; não é acidente de percurso, é permanente.

            O conflito é um instante difícil, de parada, de mal-estar, de busca sofrida, mas é importante para purificar as pessoas, revigorar a mística e ressaltar os valores e ideais de vida.

            O conflito é um momento de redefinição, de adequação à realidade e de crescimento em todas as dimensões.

            Há pessoas que dissimulam o conflito para salvar a aparência da unidade. Outros recorrem ao poder. Eles eliminam o conflito, abafando, reprimindo, afastando os que causaram o conflito.

            Aprendemos a ignorar os conflitos, mas raramente a enfrentá-los.

            Como transformar o conflito em fonte de fé, esperança e amor? Como crescer e amadurecer no conflito? Como viver o Evangelho no conflito?

            No Evangelho, conflito e crise são dados que marcam o itinerário da maturidade do seguidor de Jesus. Não há maturidade e crescimento pessoal sem passar pelas “crises conflitivas” de crescimento, de aprendizado e de educação para a liberdade.

            O conflito leva à maturidade e pressupõe maturidade para ser assumido e superado.

            A Espiritualidade é a resposta que damos às crises e aos conflitos; é o modo como assumimos, é o sentido que lhes damos.

            Deus também se revela no conflito. Nos conflitos há uma manifestação do Espírito (fogo, dinamismo.). O conflito é um “ensaio de esperança”, uma certeza de que o Espírito “renova todas as coisas sobre a face da terra”. O conflito é certeza da novidade que vem. Por isso exige um discernimento permanente.

Peça como Graça - Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple e aplique os sentidos em Is 52,13­ - 53,12.

Revisão da oração - Qual é a sua experiência de perdão?

 

            Meu caro irmão/ã, o que nós vimos em Jesus no momento do sofrimento é que o amor triunfa efetivamente sobre o pecado, dor, morte. E ele se torna para nós "caminho" para que também triunfemos sobre o pecado, dor, morte, e até mesmo sobre o medo destas realidades, se nos associamos a seu Amor incondicional.

            Através da compaixão, encontramos significado para nossos próprios sofrimentos, na medida em que, à luz da cruz do Senhor, eles são identificados como conseqüência da doação amorosa, do sair de si por causa dos outros.

            Esse dia você vai passar junto ao sepulcro. E você o poderá passar como os Apóstolos talvez o tenham passado, com Maria e todos eles, entre si, relembrando os acontecimentos em que tomaram parte na vida de Jesus.

            O sepultamento de Jesus foi realizado de maneira apressada por causa do descanso do sábado judaico. O autor deste último gesto de piedade humana para com Jesus, é um dignitário judeu, pertencente talvez, ao grupo dos nobres anciãos, membro do Sinédrio, rico proprietário, originário de Arimatéia, que pode dispor em Jerusalém de um túmulo talhado na pedra.

            José de Arimatéia é um homem justo, porque se dissociou de seus colegas no julgamento contra Jesus, e vive à espera do Reino de Deus. É um homem aberto ao futuro e à esperança.

            "Ele o desceu da cruz, envolveu-o num pano de linho, e colocou-o num sepulcro, escavado na rocha, onde ninguém ainda o havia sido depositado." (Lc 23,53).

            Jesus teve um sepultamento digno e honrado num sepulcro novo, como convinha ao Senhor. Antes, as mulheres que sempre seguiram a Jesus desde a Galiléia preocuparam-se em terminar o embalsamento logo após o repouso do sábado, providenciando desde a tarde da sexta-feira os óleos e aromas.

            Para que todos possam ter vida em abundância, é necessário que sepultemos todo egoísmo, todo o ódio, toda a ganância e exploração.

            As mulheres fiéis, que seguiam a Jesus, observam a sepultura. É uma vigília de espera.

Peça como Graça - Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple e aplique os sentidos em Lc 23,50-56

Revisão da oração - Como você relaciona as “cruzes” da vida com a experiência da cruz de Jesus?

 

            Sugiro que você faça uma repetição de toda a Paixão de Jesus. Trata-se, mais do que contemplar as ações externas de Jesus - seus gestos e palavras - de descobrir nelas o Coração de Cristo, as motivações profundas pelas quais Ele caminhou através da solidão e do abandono a um total despojamento de si mesmo, até a morte de Cruz.

            Diante do projeto do Pai, pergunte-se sobre a sua Eleição, seu projeto de vida: mantém-se diante do sofrimento, sobretudo quando este sofrimento é aquele do Senhor?

            Olhe para Cristo para deixar-se transformar interiormente pela contemplação de Cristo na sua Paixão. É pela contemplação de Cristo na sua Paixão que chegaremos à transformação que desejamos. Esta contemplação nos transformará mais que todos os esforços que podemos fazer.

            Nessa Etapa aprofundamos o que temos recebido, através de uma fé concreta na pessoa de Jesus Cristo. Diante do Cristo que sofre, saímos das nossas imaginações e fantasias, para nos colocarmos diante de um Cristo real e concreto.

            Na sua contemplação contemple a liberdade de Jesus. É ele que, livremente, se aniquila, humilhando-se até a morte. 

            Entre silenciosamente na sua oração para deixar-se impregnar e receber o que Deus quer lhe comunicar.

Peça como Graça - Senhor, dai-me a graça de sentir compaixão por Ti, que sofre por causa de mim.

Contemple e aplique os sentidos em Jo 18, 1-40.

Revisão da oração - Diante das cruzes do caminho, quais são as suas palavras e gestos?

 

Bem meus caros irmãos/ãs, seguindo todo o mistério de Jesus, encontramo-nos agora no ponto central da História da Salvação: a experiência do Cristo Ressuscitado.

A ressurreição de Cristo foi o sim de Deus ao Crucificado; foi a resposta de Deus ao grito de Jesus na Cruz;

A ressurreição manifesta a fidelidade de Deus a Jesus: não o abandonou;

A ressurreição é a confirmação da Pessoa-Obra-Mensagem de Jesus de Nazaré;

A ressurreição está intimamente unida à vida, pregação, anúncio do Reino.

Pela Ressurreição, Jesus se manifesta como o Senhor da Vida:

          - Aquele que lutou pela Vida não podia ficar na morte;

          - aquilo que parecia um fracasso é reabilitado;

          - Ele vive entre nós; é o Senhor dos vivos e dos mortos.

A Ressurreição realiza aquilo que Jesus pregou: o Reino de Deus acontece n’Ele;

Deus realizou n’Ele a plenitude do Reino.

A Ressurreição é a realização do anúncio de Jesus de total libertação (inclusive da morte).

Na Ressurreição Deus superando a morte do homem todo cria uma Nova Vida incompreensível a partir de nossa vida atual (e de nossas leis).

É uma nova criação de Deus. É o nascimento do homem novo sobre o qual não pode triunfar a morte. Trata-se de um “corpo espiritual”, incorruptível, revestido de imortalidade. Jesus não é restituído a esta vida ( Ressurreição não é “revivificação” , ou seja, voltar à vida anterior).

             Jesus não voltou à vida para depois morrer novamente. Sua vida de agora é já definitiva, nova, terminada. Mas isto não quer dizer que haja uma ruptura entre sua vida antes de morrer e a de agora, como se não tivessem nada que ver uma com a outra.

Em Jesus Ressuscitado há uma continuidade entre o passado e o presente.

Por sua Páscoa Jesus não é despojado de sua condição humana anterior.

            Ressuscitado, Ele é o Homem Novo: tem uma condição humana levada à sua plenitude e assume em sua nova Vida toda sua história passada.

A Ressurreição de Jesus leva à plenitude sua vida, seu modo de ser.

A Ressurreição não pode ser objeto de análise histórica (como a vida e a morte de Jesus), pois é um acontecimento real, mas meta-histórico (ultrapassa o tempo e o espaço).

A Ressurreição é um fato que escapa à história.

A Ressurreição não se prova, se vive. Trata-se de uma experiência de fé.  Esta experiência é real, mas não se prova cientificamente; só para aquele que tem Fé, que vive essa experiência.

A Ressurreição de Jesus só se pode afirmar na fé, por ser uma realidade que vai além de toda a possibilidade de verificação empírica, condição prévia para uma pesquisa e reconstituição históricas

O acesso ao Ressuscitado nos chega como revelação mediante as aparições, isto é, o testemunho dos que “viram” o Ressuscitado. O que é histórico é esse fenômeno que acontece com os discípulos.

Ninguém “viu” a Ressurreição; ninguém viu o mestre levantar-se do sepulcro; nenhum repórter conseguiu registrá-lo naquela hora gloriosa; nenhum cronista viu a pedra rolar; nenhum teólogo conseguiu ficar com as provas objetivas daquele evento memorável; ela não é um fato que possa ser narrado.

Tal acontecimento é perceptível tão somente pela fé.

O que possuímos são:

Sepulcro vazio (não é prova da Ressurreição, mas sinal: convite à fé);

            Aparições (experiência dos apóstolos: direta, imediata, inefável).

A narrativa do túmulo de Jesus, aberto e vazio:

- Jesus não está no sepulcro, não jaz entre os mortos, porque a ação poderosa de Deus o ressuscitou;

- quem quiser encontrá-Lo não deve procurá-Lo no seu túmulo, domínio da morte, mas entre os vivos;

- os discípulos, como todos os que lêem o Evangelho, são convidados a olhar para o futuro, donde Jesus vem ao seu encontro para dar início à sua missão sempre nova.

O objetivo primário dos testemunhos pascais não é dar uma informação sobre a Ressurreição de Jesus, sobre o seu corpo e feições de ressuscitado.

Diz-se simplesmente que Jesus “aparece”, “se revela”, “se manifesta”, “aproxima-se, vem, põe-se no meio”.

A insistência de Lucas e João sobre a corporeidade física do Ressuscitado (convida a ver, tocar, verificar), tem um objetivo apologético: prevenir as insinuações e suspeitas do ambiente helênico, onde o encontro dos discípulos com Jesus Ressuscitado, era facilmente assimilado às visões de um espírito ou fantasma.

Mas os próprios evangelistas apressaram-se em dar a entender que o reconhecimento-adoração do Senhor Jesus não se funda, na verificação ou constatação física, mas na sua iniciativa e palavra.

O encontro-reconhecimento de Jesus como Senhor Ressuscitado supõe uma sintonia espiritual com o seu projeto histórico.

Por isso as aparições de Jesus ressuscitado não estão ao alcance de todos indiscriminadamente, mas somente das “testemunhas escolhidas” por Deus.

As aparições de Jesus Ressuscitado aos discípulos restabelecem em nível diferente e novo o relacionamento vital que amadurecera na convivência histórica anterior à Páscoa.

A ressurreição é um acontecimento de fé. A fé na Ressurreição faz parte do primitivo Credo; as fórmulas de fé na Ressurreição constituem o Kerygma pascal mais primitivo; 1Cor. 15,3-11: Aquele que morreu, ressuscitou e apareceu.

As aparições são revelação de Deus às testemunhas (Lc. 24,34); elas “viram” o Ressuscitado; tiveram uma experiência de fé, em que o “ver” supõe a fé.

Por meio das aparições do Ressuscitado os discípulos adquiriram a certeza de que Jesus fora exaltado como Senhor. “O Senhor ressuscitou verdadeiramente”.

Na Ressurreição, as aparições incluem duas idéias principais:

           - a de Jesus que se dá a conhecer (experiência de fé);

           - a de Jesus que envia seus discípulos (a experiência da Ressurreição não é para ser guardada, mas comunicada).

As aparições acentuam uma missão. Aparições e chamado à missão vão sempre unidas.

A Ressurreição é dom e missão.

A Ressurreição não é pura contemplação: é ação.

          Isto significa que não se pode fazer da Ressurreição só um “fato do passado”, nem é uma realidade só do “fim dos tempos”.

A Ressurreição acontece aqui e agora e caminha para a plenitude.

         Onde há serviço, compromisso, luta, justiça, solidariedade. aí há Ressurreição.

A Ressurreição é penhor de Salvação: “Porque, se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rom. 10,9).

Jesus Ressuscitado é a “primícia dos que dormem”, isto é, o dom da Ressurreição de todos os mortos;

A Ressurreição é uma vitória solidária; Cristo não ressuscita sozinho, mas compartilha a Ressurreição conosco, abre possibilidade para que todos nós ressuscitemos.

Sua Ressurreição atinge a realidade toda de todos os tempos (universal);

         Ela é compreendida como antecipação de uma Ressurreição Universal.

         Cristo é o primogênito entre muitos irmãos.

Realidade inseparável: estamos destinados a viver com Ele e participar de sua glória.

A Ressurreição de Cristo inclui a nossa Ressurreição;

A Ressurreição de Cristo não só “representa” todas as ressurreições, senão que abre o  futuro enquanto futuro de Vida; ela inicia um futuro libertador.

Graça a pedir - Senhor, dá-me a graça de alegrar-me intensamente com a alegria e a glória da Tua Ressurreição.

Contemple em Marcos 16,1-11.

Revisão da oração - Quais as experiências de Ressurreição na sua vida?

Textos a serem contemplados e aplicados os sentidos: 1) Mt. 27,62-66; 2) Mt. 28,1-8; 3) Mt. 28,9-15; 4) Mt. 28,16-20; 5) Jo. 11; 6) 2Tim. 2,1-13 e 7) Rom. 14,1-11.

 

Aparição a Maria Madalena

Este é o momento, caros amigos/as de contemplarmos à luz da fé, o que realmente aconteceu com Maria Madalena, tão ofendida, no livro que estamos fazendo uma crítica construtiva.

Maria Madalena, apesar do sepulcro vazio e da presença dos anjos, pensa em tudo, menos na Ressurreição. Fica pura e simplesmente perplexa e corre para avisar os discípulos. Pedro e João. Os dois discípulos correm. João chega primeiro ao sepulcro, mas não entra; é Pedro quem entra primeiro para ver. Ambos entraram e viram, mas só João viu e creu. É o discípulo a quem Jesus amava. Não se encontra Deus senão depois de O ter a muito tempo desejado Maria encontra o sepulcro vazio, mas não entende o sinal; não percebe mais além das aparências. Continua reclusa na sua tristeza, pensando em furto do cadáver. A partir desta profunda cegueira é conduzida à fé. Maria passa do pranto à alegria, da mais profunda incompreensão à fé. Maria já não está diante de um sepulcro vazio, mas diante de Jesus mesmo. Contudo, o coração da mulher está ainda cego, incapaz de reconhecer o Senhor. Ela é tentada a voltar à experiência que tinha de Jesus antes da sua Ressurreição. Jesus não sai do sepulcro para retomar o fio interrompido da existência terrena. Ressurgir, agora, significa subir ao Pai, não uma volta à experiência anterior. Jesus entra numa condição nova. Maria Madalena não reconhece o Senhor pela mera visão dele. É preciso uma palavra do Senhor para que a luz se faça. Basta uma Palavra, ouvida dentro do coração.

É sempre a iniciativa de Jesus que provoca o reconhecimento. Jesus a chama pelo nome: "Maria". "O Pastor chama as ovelhas pelo nome e elas reconhecem sua voz" (Jo 10,3) O Ressuscitado aparece "novo" aos olhos de quem o vê e é preciso ter olhos "novos" para reconhecê-lo. Depois de reconhecê-lo, ela é ainda incapaz de avaliar a novidade da comunhão que lhe está sendo oferecida. Maria é convidada a sair de sua tristeza, a não se curvar sobre si, a não tentar fazer voltar o passado.

Ao invés, deve abrir-se aos irmãos e compreender a necessidade de relações novas com Cristo. Aí encontrará a alegria, a paz, o dom do espírito, o perdão dos pecados. "Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado" (Jo 20,18).

O apelo da Ressurreição é para mais. Não podemos acomodar-nos em situação alguma, por melhor que ela seja. Quando a gente se acomoda "mata a vida". E é mais fácil acomodar-se na glória do que na dor. A fé não é para ser vivida individualmente.

É a comunidade que recebe esse dom. Mesmo os que a recebem individualmente, como Maria Madalena, são chamados a vivê-la comunitariamente. A maneira com a qual Jesus se deixa achar pode nos desconcertar. Não O encontramos da maneira que esperávamos. É a passagem à outra realidade. É a passagem do visível ao invisível. É a entrada no mundo da fé.

Graça a pedir - Senhor, dá-me a graça de alegrar-me intensamente com a alegria e a glória da Tua Ressurreição.

Contemple e aplique os sentidos em João 20, 1-18.

Revisão da oração - Como você experimenta a alegria e a glória como graça que vem de Jesus?

 

Jesus nos pergunta a todo o momento: Por que estais tristes?

Através das aparições de Jesus Ressuscitado, o Senhor nos faz entrar pouco a pouco no mundo da fé e "experimentar os verdadeiros e santíssimos efeitos de sua Ressurreição" (Santo Inácio). Jesus que está além de tudo se manifesta pelos seus efeitos. O Deus invisível se torna visível e sensível a nós, não diretamente, mas pelos efeitos que Ele opera em nós.

Reconhecemos a ação do Senhor Ressuscitado pelos efeitos de sua presença. Hoje ficaremos com esta entrada no mundo da fé contemplando a manifestação de Jesus aos discípulos de Emaús.

Os dois deixam a comunidade porque não tinha acontecido o que eles "esperavam". Iam dizendo do seu sofrimento, como meio de encontrar alívio. Iam conversando e discorrendo: "Que se pode fazer?" Gostaram tanto de Jesus. Estão procurando encontrar a razão para os últimos acontecimentos em Jerusalém. Enquanto caminham, desolados, a conversação continua.

Na tristeza. Jesus toma a liberdade de apresentar-se a eles para formá-los interiormente. "De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?" (Lc 24,17) Como? Não é possível? Não estás sabendo? Acaba de acontecer. Há apenas três dias. Sexta-feira. Estamos no primeiro dia da semana. Não estás sabendo! Todo mundo deveria estar sabendo das nossas dores! Não precisamos dizê-las! Então, os discípulos vão conversando com Jesus, sem reconhecê-lo. Jesus fica silencioso. Jesus deixa-os falar, desabafar, dizer todos os seus sentimentos. "Nós esperávamos" que Ele fosse resolver nossos problemas, quebrar os nossos galhos, porque era um homem extraordinário. É justamente a partir destas razões de tristeza que vai fazê-los encontrar a alegria. Chama-os sem inteligência e tardos de coração, não no sentido físico, mas de abertura ao Espírito. Vai-lhes explicando as Escrituras a partir da visão do Ressuscitado e começa a ser entendido. O que Jesus faz é dar-lhes uma perspectiva de presença interior. Porém, estes dois discípulos ainda não o reconheceram. Não sabem quem Ele é. Mas vamos olhar para eles.

No começo, era uma caminhada pesada. Não olhavam para o vizinho. Estavam curvados. Dificilmente tiveram uma palavra amiga para o peregrino desconhecido. Agora eles levantam a cabeça. A sua caminhada é totalmente diferente. Estão totalmente felizes, mas não estão reconhecendo ainda o Senhor que se manifesta pelos efeitos de sua presença.

O primeiro efeito da presença do Senhor é a alegria: a passagem da tristeza à alegria a partir das próprias causas de tristeza. Jesus está ao lado deles, caminha com eles, é verdadeiramente um companheiro de caminhada. Chama-os sem inteligência e tardos de coração, não no sentido físico, mas de abertura ao Espírito.

Vai-lhes explicando as Escrituras a partir da visão do Ressuscitado e começa a ser entendido. É convidado a entrar com eles, a sentar-se à mesa. "Estando sentados juntos à mesa, Ele tomou o pão, deu graças, partiu e lhes serviu o pão. Então se lhes abriram os olhos e O reconheceram, mas Ele desapareceu aos seus olhos" (Lc 24,30-32). É muito curioso! É justamente no momento em que eles O reconhecem que desaparece. Tornou-se-lhes invisível, fazendo-os entrar com Ele no mundo do invisível. Não estão tristes. É a passagem da presença corporal para a presença espiritual.

Os dois discípulos ficaram tão entusiasmados que voltaram imediatamente à Jerusalém para anunciar aos irmãos a notícia. E, naturalmente, caminhando, pensavam no que iam dizer aos Apóstolos. Quando chegam, pensavam que eram os únicos, mas há outros que também fizeram a mesma experiência. É a experiência da verdadeira vida fraterna fundamentada sobre a fé em Jesus Cristo. É a passagem da presença espiritual à presença fraternal.

 Graça a pedir - Senhor, dá-me a graça de alegrar-me intensamente com a alegria e a glória da Tua Ressurreição.

Contemple e aplique os sentidos em Lucas 24,13-35.

Revisão da oração - Que transformação o Cristo Ressuscitado traz à sua vida?

 

Tenho certeza caro irmão/ã que está comigo fazendo este encontro com Jesus ressuscitado, você já deve ter sentido a presença de Jesus Cristo atuando em sua vida, você, nesta altura de nossas meditações e contemplações já deve ter feito um encontro pessoal com Jesus, já deve ter ficado indignado com as coisas que estão contidas no livro “código Da Vinci”.  Mas fique calmo Jesus sempre está a nos dizer: a paz esteja convosco.

As manifestações do Cristo Ressuscitado se dão inicialmente a pessoas isoladas: Maria, Pedro, João. Entretanto, Ele vai sempre enviando as pessoas à comunidade. Hoje vamos contemplar uma manifestação de Jesus Ressuscitado à comunidade. A fé é provada na pessoa de Tomé. "A paz esteja convosco!" (Jo 20,19) A paz é sinal da presença de Deus. Paz interior não é ausência de dificuldade, luta ou sofrimento. A paz da consciência está em a gente se sentir bem diante de Deus e dos homens. Não é o pensar "o que dirão de mim" e sim pensar como pessoa livre, tranqüila. Isso é muito importante para as decisões pessoais. Na presença de Cristo vivo, perceber como Ele pacifica interiormente o homem. Ele é a raiz da Paz entre os homens; tira o medo, faz voltar à alegria. Deixe que esta paz penetre fundo em você; é o Dom de Cristo, mas é um dom que se conquista. Esta paz o mundo não a pode dar. É preciso dar testemunho da presença desta paz num mundo tão atribulado. Jesus nos pacifica diante do mistério de sua Cruz.

A Ressurreição passa pela Cruz. Não se desesperar diante do sofrimento, perseguição, dificuldades. O sofrimento e a perseguição são continuação do mesmo mistério da vida-morte de Jesus. "Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio." (Jo 20,21).

Depois de desejar a Paz, Jesus Cristo dá a Missão para os discípulos, a mesma Missão que o Pai lhe dera: estabelecer a Comunhão com o Pai e a fraternidade entre os homens. Todos os fiéis são chamados pelo Batismo a participar da missão de Cristo. Dentre os fiéis, uns são chamados para a vida matrimonial, outros para a vida sacerdotal. Alguns, ainda, para serem leigos consagrados, outros para a vida religiosa. Todos são chamados a continuar a Missão de Jesus. Somos servidores para a edificação da Igreja, Dom de Cristo Ressuscitado à humanidade.

Ele se faz presente pelo seu Espírito, que estabelece um grupo de pessoas fracas e limitadas, mas que crêem no seu nome, para serem germe de Unidade, Esperança e Salvação, Comunhão de vida, caridade e verdade, enviados a toda parte, como Luz do Mundo e Sal da Terra. Pertencemos a esta Igreja. É dentro dela que podemos ser Testemunha da Ressurreição. Em Jesus a Missão de cada um de nós encontra sua confirmação. "Recebei o Espírito Santo." (Jo 20,22).

O Espírito é Dom do Ressuscitado, sem o qual não é possível realizar uma obra evangelizadora. É o Espírito quem dá força, coragem.A missão que recebemos se realiza no Espírito. A força do Espírito nos faz criaturas novas e diferentes. "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados." (Jo 20,23).

O distintivo da comunidade cristã é o perdão. Jesus só é nosso Senhor quando vivemos o perdão mútuo. A fé passa pelo testemunho dos homens. Tomé recebe o testemunho da comunidade: "Vimos o Senhor". Entretanto, não o aceita. Coloca uma condição. O desafio é ver o sinal dos pregos e colocar o dedo na chaga! Jesus não foge dele.

Oito dias depois, Jesus se manifesta a ele e fala com ele para deixar-se tocar. É então que Tomé exclama: "Meu Senhor e meu Deus!" A fé não deve estar no que se vê e toca, mas no que ultrapassa os sentidos e chega à expressão máxima de ato de fé. Trata-se de tocar o visível para atingir o invisível.

Graça a pedir - Senhor, dá-me a graça de alegrar-me intensamente com a alegria e a glória da Tua Ressurreição.

Contemple e aplique os sentidos em João 20,19-29.

Revisão da oração - Como você vive a gratuidade na vida cotidiana?

        

Meu caro amigo/a leitor, não sei qual o tipo de encontro você tem tido com Jesus cristo, nem qual o tipo de afeto desordenado você está tendo de vencer, muitas pessoas se encontraram com Jesus: Judas, não o aceitou e ficou com seus afetos desordenados e traiu o mestre, não viu em ficou em sua auto-suficiência e suicidou-se! O jovem rico, citado no Evangelho de Lucas, nós já o meditamos. Apegado aos bens materiais, abandonou o chamado de Jesus: vem e segue-me!

Pedro também o negou por três vezes! Mas a atitude de Pedro foi diferente. É a atitude do verdadeiro discípulo. Vamos meditar a situação e tirar proveito: Jesus se manifesta na simplicidade de uma reunião fraternal, conversando com seus Apóstolos. Simplesmente está com os seus Apóstolos junto ao lago. Estão reunidos junto ao lago Simão Pedro, Tomé, Natanael, os filhos de Zebedeu e dois outros discípulos. Eles vão pescar. Precisam fazer alguma coisa, visto que o Senhor não está mais entre eles.

Naquela noite, porém, Pedro e os Apóstolos passaram uma noite difícil em que não pescaram nada. Podemos imaginar muito bem as suas conversas. Na manhã, Jesus estava na praia. Mas, os discípulos não o reconheceram. Ele esta aí e eles não o sabem. Acontece tanto na nossa vida! A uma ordem de Jesus, lançam novamente as redes e pescam uma grande quantidade de peixes.

Esses são os fatos na sua simplicidade puramente exterior. Eis o que se vê. Porém, João, aquele que vê as coisas de uma maneira diferente dos outros, que através do visível atinge o invisível, vendo o resultado da pesca, diz: "É o Senhor!" Pedro se atira ao mar. Excelente maneira de atingir o Senhor! O Senhor está ali. É assim que ele se manifesta. Porém, para reconhecê-lo precisa o olhar penetrante da fé.

Você já descobriu a sua maneira de ir ter com o Senhor? Jesus os espera com peixe assado e pão! Uma situação pequena e humilde: a mais humana possível! Come-se juntos.

E o Senhor esta aí. Basta simplesmente estar aí. E neste silêncio eles O reconhecem e se reconhecem mutuamente entre si. Não é um silêncio embaraçoso, é o silêncio que está além da palavra, que manifesta que há realmente reconhecimento, pois alguém não pode reconhecer o outro senão no silêncio.

Depois de muitas palavras, quando alguém se torna capaz de calar diante do outro, talvez seja o sinal de uma presença cuja profundeza não se conhecia antes. Da mesma maneira, na oração, quando ela chega a esta profundeza de silêncio, talvez neste momento exista realmente a verdadeira presença. Não há nada para dizer, como entre duas pessoas que se amam. É só gostar, saborear, gozar da presença mútua. Pedro é convidado a reafirmar três vezes seu amor por Cristo. E a resposta é bem mais humilde depois de ter passado pela experiência da infidelidade na Paixão. "Tu conheces tudo, sabes que te amo!" (Jo 21,19)  Todo aquele que responde como Pedro escuta as palavras de Jesus: "Apascenta minhas ovelhas." (Jo 21,19). Depois disso vem o "segue-me dirigido a Pedro. Ele escutou o mesmo chamado no princípio da vida pública de Jesus. Até agora, porém, não contava senão consigo mesmo. Depois compreendeu que era atrás de Jesus que devia seguir, e não ir na frente. Compreendeu que o amor que tinha ao Senhor era um amor recebido, um amor que vinha do Alto e se derramava nele. Então ele reconheceu a fonte do Amor. Eis a verdadeira humildade.

O chamado é algo permanente e a resposta deve ser feita em um nível de maior profundidade. Para salvar é preciso amar. Só quem ama e vive a intimidade do amor é capaz de guiar as ovelhas. Olhemos para nossa vida comunitária, nossa Igreja. Deveríamos formar comunidades onde o Amor fosse o único bem. O apelo à conversão é sempre apelo à volta à simplicidade desta verdade: Deus criou o homem por amor, acompanha o homem por amor e o salva por amor. Custa-nos entender isso porque os critérios de Jesus Cristo são diferentes dos nossos. No Reino o Maior é aquele que serve.

 Graça a pedir - Senhor, dá-me a graça de alegrar-me intensamente com a alegria e a glória da Tua Ressurreição.

Contemple e aplique os sentidos em João 20,19-29.

Revisão da oração - Como você responde concretamente à presença exigente e fiel do Senhor em nossa vida?

 

Jesus ascende aos Céus, para sua glória junto ao Pai, mas nos diz: Estou sempre com vocês! Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu,  suba com ele o nosso coração.

A Ascensão é a última manifestação que Jesus dá dEle mesmo e que assegura aos Apóstolos que está sentado no céu. Não um Deus chegou a Deus, mas um homem, Jesus, chegou em Deus. A humanidade de Jesus agora é gloriosa.

Neste corpo glorificado do Senhor que sobe aos Céus, podemos admirar os três modos de presença de Jesus Cristo. O primeiro modo é a presença histórica, quando Jesus caminhava entre nós, sobre a nossa terra. Este modo de presença não mais existe. No segundo modo, ele aparece neste mesmo corpo, mas com um corpo glorioso, ressuscitado e liberto dos limites do primeiro modo de sua presença. Porém, há um terceiro modo do Corpo de Cristo que é o Corpo de Cristo na Eucaristia. É a presença sacramental, é a presença eucarística do Corpo do Senhor que passou pela morte e que agora é glorificado. Este Corpo nos é dado no Pão e no Vinho, para nos comunicar a graça da Ascensão, isto é, a graça de passar através das realidades deste mundo sem nos deixar escravizar por elas, conservando-nos espiritualmente livres.

Pela Ascensão, Jesus continua purificando os Apóstolos, que ainda esperam a restauração do reino de Israel. Jesus, com uma paciência extraordinária continua a purificar a esperança de Israel: "Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder." (At 1,7).

Vivemos um tempo de espera. Jesus é presença na esperança. O Senhor está presente no meio de nós até a consumação dos séculos. É a esperança que nos purifica, nos santifica, nos transforma. Os sacramentos despertam e nutrem a nossa esperança. É o tempo da Igreja, o tempo e o espaço do Cristo glorioso. Na Igreja já se vive a Ressurreição! A Ascensão nos confere a graça da Missão.  Todos seremos chamados a testemunhar no poder do Espírito. "Descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria até os confins do mundo". (At 1,8). É no poder do Espírito, que os Apóstolos poderão testemunhar o Cristo Ressuscitado que subiu ao Céu. Da mesma maneira a Igreja, cada um de nós, só poderemos ser testemunhas do Cristo Ressuscitado na força do Espírito.

 "Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o Céu? Este Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu, voltará do mesmo modo que o vistes subir para o Céu". (At 1,11).

Então, eles voltaram para Jerusalém. Não se trata de ficar olhando para o alto, mas de trabalhar na força do Espírito. É tempo de olhar para o mundo e descobrir nas pessoas a presença do Ressuscitado. A nossa missão não é fuga da realidade, mas nos faz viver na esperança na realidade de cada dia. É a vida concreta que pede nosso olhar, nosso agir. O mundo está cheio da presença e do amor de Deus! Ele caminha conosco! Vamos, nos próximos dias, seguir a ordem de Jesus para os Apóstolos,  ordenando-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem aí o cumprimento da promessa do Pai: o Espírito Santo. Nesta espera de fé há uma presença especial: a de Maria, Mãe de Jesus.

 

Caro amigo/a, vou tentar explicar o inexplicável: mistério da Santíssima Trindade. Nós, cristãos, professamos que há um só Deus. Foi como "o Único" que Deus se revelou a Israel. Lemos no Livro do Deuteronômio a revelação de Deus. Diz assim: "Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Portanto, amarás o Senhor, teu Deus. Com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força”. E, através dos profetas, Deus chama para si Israel e todos os povos dizendo: "Voltai-vos para mim e serão salvos, todos os confins da terra, porque eu sou Deus e não há nenhum outro".

Deus revelou-se a nós, portanto, como um só. Por isso nós não somos politeístas, isto é, pessoas que adoram muitos deuses. Politeístas eram, por exemplo, os gregos. Politeístas eram os romanos, os egípcios. Nós cremos em um só Deus.

Mas Deus, que é nosso Pai, enviou-nos seu Filho Jesus. E como Jesus afirmou que ninguém conhece o Pai senão o Filho, e que ninguém conhece o Filho senão o Pai, a Igreja, no ano de 325, seguindo a tradição dos Apóstolos, confessou que o Filho é consubstanciai ao Pai, isto é, o Filho é um só Deus com o Pai. E em 381, no Concílio de Nicéia, a Igreja redigiu o Credo de Nicéia, onde ela confessa sua fé no "Filho Único de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstanciai ao Pai".

Jesus, antes de sua Páscoa, anunciou o envio do Paráclito, que quer dizer o Consolador. O Espírito Santo então foi revelado por Jesus como uma outra pessoa divina em relação a Jesus e ao Pai. E a fé no Espírito Santo foi confessada pela Igreja no segundo Concílio Ecumênico, em Constantinopla. E assim ficou expressa: Cremos no Espírito Santo, que é Senhor e que dá a vida e que procede do Pai. O Espírito Santo, então, é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é Deus uno e igual ao Pai e ao Filho, da mesma substância e também da mesma natureza divina.

Então são três deuses? Não! Há um só Deus, uma só natureza divina, e há três pessoas em Deus. O único Deus é Pai que cria, é Filho que salva, é Espírito Santo que santifica. Deus é um só, mas não é solitário.

Quando a gente fala em mistério, logo nos vem à cabeça uma coisa que ninguém pode explicar. Mas o verdadeiro sentido da palavra mistério é este: "Mistério é uma verdade que é revelada a quem abre o coração para ela". Portanto O mistério da Santíssima Trindade é muito mais para ser vivido do que para ser discutido. Quanto mais a gente mergulha no mistério de Deus mais a gente vai perceber que Deus é um só, mas que Deus é amor, é relação, é comunidade. Deus é Pai amando o Filho desde toda a eternidade. Deus é Filho amando o Pai desde toda a eternidade. Deus é Espírito Santo, amor do Pai e do Filho derramado em nossos corações e recriando sempre a Terra e a Humanidade. Esta explicação eu aprendi com o Padre Cido, CSSR.

Graça a pedir - Senhor, dá-me a graça de alegrar-me intensamente com a alegria e a glória da Tua Ressurreição.

Contemple com todo amor em Atos 1,1-12.

Revisão da oração - No clima consolador desta etapa, como está se confirmando seu projeto de vida?

 

Caro amigo/a, aqui vão algumas sugestões para continuar o processo de amadurecimento humano e discernimento que confirme a sua opção vocacional ou projeto de vida:

1. Empenhar-se seriamente para continuar crescendo na sua maturidade humana e vocacional: aceitar-se a si mesmo, a própria história, integrando-a; responsabilidade nos compromissos assumidos: autenticidade e franqueza; capacidade de tomar decisões e constância em assumi-las; atitudes serenas e críticas diante da realidade, sem demasiado envolvimento emocional que altera uma visão objetiva das pessoas e dos acontecimentos; uma suficiente liberdade diante da família (saber viver longe dela sem saudade excessiva), dos amigos, do trabalho, das maneiras de vida do mundo (diversões, festas, roupas, conforto.) favorecer o desabrochar de uma afetividade sã: amizades, compromissos, trato simples e pessoal, aceitar os outros.

Desejo real de vida austera, de renúncia de muitas coisas, de vida solidária com os mais pobres; procurar canalizar as energias sexuais e agressivas, tendo delas uma visão sadia e positiva; passar de uma vocação "emotiva" para uma vocação "engajada", onde você esteja comprometido; se você tem vocação para a vida sacerdotal, religiosa ou de leigo consagrado, perceber se existe uma afinidade com o carisma da Congregação, do Instituto secular, do Seminário. Os elementos básicos devem ser conhecidos antes de entrar. Verificar se possui os recursos humanos suficientes para os futuros empenhos de vocações concretas (estudos, aptidões, saúde, liberdade criativa).

2. Descobrir e viver cada vez mais, o Evangelho de Cristo e afeiçoar-se profundamente à pessoa do Senhor. Isso supõe que se interiorize, com constância, a Palavra e se viva a Eucaristia (fazer-se Dom).

3. Todo desejo de crescimento autêntico na linha da vocação exige um encaminhamento sincero e autêntico na vivência cristã: uma vivência-testemunho da Vocação Fundamental; assumir com generosidade o ser cristão; mostrar a sua conversão pelo testemunho de vida; necessidade de coerência de acordo com a nova visão de vida e vocação; esforço para superar as dificuldades; assumir o dia-a-dia dentro de um compromisso concreto, pois toda vocação se descobre, se confirma e se constrói dentro da vida real e das exigências diárias, no cumprimento fiel e constante do dever-missão: estudo, trabalho, engajamento. Desejo e vivência real do "Magis": mais oração, mais disponibilidade, mais firmeza na autodisciplina, no engajamento, na criatividade, maior compromisso com a Igreja e com o Mundo.

4. Cuidar para que desabroche uma liberdade de opção cada vez maior: procurando ser você mesmo, livre de pressões externas (família, amizades, influências) e internas (fugas, compensações, auto-realização.) procurar ter uma suficiente clareza, segurança e alegria interior face à decisão vocacional que tomou (ou que deve ser tomada) e ter a força para superar as dificuldades que encontra na sua realização (na família, no trabalho, no âmbito da afetividade e sexualidade, do conforto.)

5. Facilitar o processo de discernimento vocacional com o auxílio de um orientador: participar de grupos vocacionais abrir-se "plena e profundamente" com o Orientador. Quanto mais plena, mais se acerta.

6. Assumir uma tarefa apostólica dentro da Comunidade Eclesial partilhando com os outros: o tempo, os dons, o saber, a criatividade, a co-responsabilidade. Cada um segundo puder; capacidade de se inserir e viver numa comunidade e trabalhar em equipe; disponibilidade para as exigências do grupo, da comunidade eclesial, dos movimentos. Capacidade de estar atento aos múltiplos apelos de Deus, da Igreja, do Mundo; ter um amor preferencial pelos pobres, uma necessidade de servi-los, de lutar por eles, de solidarizar-se por uma vida mais simples, austera e comprometida.

 

Exame de consciência - Certamente, já quase no final da experiência que tenho procurado passar, você se acha carregado de uma bagagem de vida espiritual. É necessário continuar atento à vida e a capacidade de discernir a presença do Senhor naquilo que você vive. O Exame de Consciência é um dos elementos espirituais que mais lhe poderá ajudar a envolver-se plenamente no mistério pascal do Senhor Jesus. Não deixe de fazê-lo!

Graça a pedir - Senhor, que eu me deixe conduzir pelo vosso Espírito!

Contemple em Atos 1,12-14.

Revisão da oração - Quais foram os apelos de Deus na sua oração? Que projeto de vida eu quero construir?

 

"Celebro a alegria de viver! Conto meus anos não pelo tempo, mas pelo espaço que faço em meu coração. Não pelo número de troféus de minhas conquistas, mas pelo gosto de aventura de minhas buscas. Não pelas vezes que cheguei, mas pelas vezes que tive coragem de partir. Não pelos frutos que colhi, mas pelo terreno que preparei e as sementes que lancei. Não pela quantidade dos que me amam, mas pela medida de meu coração, capaz de amar a todos. Não pelas desilusões que tive, mas pela esperança que infundi".

Caro amigo leitor/a, estamos fazendo juntos uma significativa caminhada: buscamos, através da oração contemplativa, uma intimidade com Deus, um maior conhecimento de nós mesmos, dos outros, da realidade que nos cerca. Sabemos que a oração é uma escola onde se aprende a viver o presente, o "aqui e agora". Ela é, ao mesmo tempo, o lugar onde se realiza a "re-leitura" da própria vida e da realidade, a partir do "olhar divino". A ajuda que a oração presta à vida passa pela lenta transformação da pessoa, que não se isola da realidade histórica mas que se compromete com ela, a partir de dentro. Nesse sentido, a oração não é um enfeite da vida ou um luxo intelectual. Ela compromete, questiona, exige mudanças.

O Encontro com Deus nos faz "diferentes". Nos lança para o Encontro com os outros e com o mundo. Portanto, depois de ter analisado as luzes e inspirações recebidas do Senhor, as aptidões que lhe deu, as inclinações profundas e superiores de seu ser. É chegado o Momento de dar um passo a mais: a elaboração de um Projeto de Vida pessoal como um meio para concretizar a sua opção vocacional ou seu projeto de reforma de vida. À medida que contemplamos a Vida de Jesus percebemos em que direção, nos sentimos movidos por Deus, e nesta direção realizar, então nosso Projeto, em vista de um maior serviço.

Quem está em estado de crescimento espiritual está continuamente em "estado de decisão", de opção. Deus vai exigindo progressivamente à medida da resposta e da generosidade da pessoa. A capacidade de optar faz do ser humano um peregrino, uma pessoa sempre em mudança, uma pessoa para a qual a vida é um caminho aberto em contínua busca, humilde e paciente, da Vontade de Deus.

O termo Projeto ou projetar-se, quer dizer jogar-se mais para frente, para além de si; implica, pois, uma superação de si mesmo ou seja, capacidade de tender para algo que está além da pessoa e que a realiza plenamente; algo que está além daquilo que a pessoa já sabe, já conhece; algo que atrai fortemente o indivíduo, um ideal a ser amado, uma missão a cumprir; uma força que rompe os limites estreitos da pessoa.

Fazer um Projeto exige certo grau de liberdade interior. Liberdade de projetar-se para uma realidade nova. Liberdade arriscada de exigir algo mais de si mesmo. Liberdade corajosa de pensar, sentir e agir de maneira inédita, renovada. O Projeto de Vida deve se articular em torno dos seguintes componentes: um senso de identidade pessoal (quem sou eu?) os caminhos novos que se abrem, que preparam o futuro, que coloca você em situação de iniciativa e criatividade. Uma série de valores, convicções, crenças. Uma união a Cristo servidor, com desejos de tornar-se com Ele mais humilde, disposto para viver o seu Evangelho. Um modo de ser e agir que revelam a qualidade e as prioridades de sua vida. A consciência de pertencer a um grupo, como ponto de referência para se compartilhar a vida.

Sua oração pessoal: É bom começar a abrir espaço e dedicar tempo para pensar seriamente sobre o que vai fazer para manter-se em contato com Deus, o seu Senhor na sua vida cotidiana. Continuará dedicando um tempo à oração pessoal? Com que freqüência na semana? Qual seu tempo de duração? Tenha em mente que tudo aquilo que você faz tem grande significado não somente para você, mas também para aqueles que Deus lhe deu para amar e para você ser amado por eles, e ainda mais para sua família, sua comunidade e sua Igreja.

Graça a pedir - Senhor, que eu me deixe conduzir pelo vosso Espírito.

Contemple e aplique os sentidos em Filipenses 3,4-16.

 Revisão da oração - Como você se sente diante do seu futuro?

 

Passos para a elaboração do projeto de vida:

1. Procure um lugar tranqüilo, coloque-se na presença de Deus e tenha consciência e fé de que o Senhor está com você, envolvendo-o com seu Amor e o iluminando-o com sua Luz. Pacificando-o interiormente.

2. Veja a si mesmo diante de Deus, dos Anjos e dos Santos, que esperam tudo de você, que confiam em que saberá concretizar o que sente ser a Vontade de Deus. Eles estão "torcendo" por você.

3. Peça a graça: "Dá-me, Senhor, o dom do discernimento, para que eu faça o que Tu queres!"

4. Lendo as suas anotações das revisões: idéias, sentimentos, frases ou palavras mais repetidas. E recordando o que mais o impressionou nesta experiência, responda por escrito, sem se alongar demais, à pergunta: sobre que valores, atitudes e comportamentos você vai fundamentar sua vida e caminhar de hoje em diante?

5. Dos aspectos mais importantes de sua vida (personalidade, família, estudos, colégio, trabalho, amizades, namoro, os pobres, a comunidade eclesial, Deus.), escolha um a três que você acha que precisa melhorar, mudar ou aprofundar.

6. Responda mentalmente a duas perguntas sobre o aspecto escolhido: o que tem de deixar de fazer já? O que tem que começar a fazer já?

7. Escreva em forma de propósitos as respostas às duas perguntas anteriores. Os propósitos devem ter três características: ser radicais: que possam ir à raiz daquilo que você considera mais importante e proveitoso para sua vida. Ser concretos: não ficar em coisas vagas, mas em ações concretas e precisas; ser poucos: "quem muito abarca, pouco aperta"; dê-se por satisfeito com um, dois ou três propósitos assumidos.

8. Como conclusão, e num clima de confiança, ofereça ao Senhor seu Projeto de Vida. Peça que se digne recebê-lo e confirmá-lo.

9. Verifique o que você está sentindo ou vivendo no mais íntimo do seu ser. Se você sente, frente ao Compromisso: paz, alegria, claridade. Isso será sinal de que você realizou bem o seu Projeto. Ao contrário, se você se sente confuso, inquieto, triste. Isto indica que algo não está bem e que você precisa revisar o processo e voltar a elaborar o seu Projeto.

10. Procure agora o seu orientador para uma avaliação global do que você viveu e decidiu com relação ao seu Projeto de Vida.

 

Caro amigo/a para alcançar maiores frutos para a sua vida cotidiana, sugiro que você faça a contemplação, para que você possa deixar-se alcançar pelo amor de Deus.

Qual é a atitude fundamental da pessoa diante de Deus e do mundo?

1º Preparar o coração

Esta contemplação não é outra coisa senão uma maneira de orar para recolher os frutos das orações/exercícios que você realizou durante a meditação deste livro.

Estes se resumem no Amor e o Amor deve pôr-se “nos atos mais que em palavras”. O Amor é ação. O Amor chama o Amor. “Consiste em um dom mútuo”. O ser amado partilha com o amante a mesma vida, o mesmo bem, o mesmo poder. De tal sorte que se complementam um com o outro e se sustentam. Não são mais que um. Eles são comunidade de vida.

É importante você se colocar, Compor o lugar: - sentir o olhar de amor infinito de Deus sobre mim; sou objeto de um Amor incompreensível de Deus.

Pedir como Graça: que eu fique livre e entregue a Deus pelo fruto dos Exercícios para “buscar e encontrar Deus em todas as coisas”. Pedirá, então, a graça de um “conhecimento interno” de todos os bens recebidos, para que “em tudo possa amar e servir a sua Divina Majestade”. Amor que se converte em serviço e um serviço que se faz com amor. Amor em serviço. O serviço não é mais que o amor criativo. Amar e servir: isso é ser contemplativo. Servir a deus por puro amor: fruto dos exercícios e orações.

           

Caro irmão/ã o exercício que iremos fazer consiste de Quatro pontos: quatro contemplações diferentes; quatro passos, cada vez mais profundos, para descobrir a presença amorosa de Deus. Quatro grandes capítulos de gratidão, compromisso e entrega. Quatro modos de orar: encontrar Deus em todas as coisas

1a maneira de orar: “Deus dá todas as coisas”.  Ler todos os sinais do Amor de Deus e, para isto, trazer à minha memória todos os bens que recebi: Criação, Redenção e dons particulares. “Trazer à memória” para saborear de novo; memória agradecida (buscar nos arquivos do coração).

A memória é a presença da eternidade em mim. E andando por seus caminhos a pessoa vai à procura do obscuro objeto da nostalgia que faz o seu coração doer, e que beleza alguma é capaz de curar. Ela entra na memória como amante que vai à procura da amada, perdida”. Ponderar com muito amor tudo o que o Senhor fez por mim, por meio das coisas naturais e de minha história passada e presente. Como Ele me cumula de seus próprios bens e, além disso, deseja dar-Se a si mesmo tanto quanto pode. Tudo é dom de Deus; tudo foi criado por amor para mim (Deus providente). Criar um clima de ação de graças. Tudo é Graça.

 Resposta: considerar de minha parte o que devo oferecer e dar a Deus: meus bens e a mim mesmo. Devo saber devolver na mesma linha. Colocar à disposição dos outros os dons recebidos. “Pede-me tudo o que queiras; dá-me tudo o que me pedes” (S. Agostinho).

                “Tomai, Senhor, e recebei...”

2ª maneira de orar: “Deus se dá em todas as coisas”. Considerar como Deus não só me concede dons, mas torna-se presente em seus dons. Deus habita nas criaturas e no ser humano, de modo especial em mim. Sou seu Templo. Ele vem ao meu encontro. Este é o mistério do Amor: não é só dar, senão dar-se. Deus é o princípio vital, enquanto sopro que anima e dá “ser”, “crescimento” e “sensação”. Deus não permanece exterior à sua Criação, mas habita no meio dela. As “criaturas” são o que são devido à presença de Deus nelas. O valor e o significado últimos de todas as coisas provém não delas mesmas, mas da presença de Deus em seu interior. Deus não apenas dá as “coisas” ao homem, mas Se dá a Si mesmo no interior do seu Dom. Sua presença está em tudo. Portanto, as criaturas não são apenas dom, mas santificadas porque nelas está Deus. São sacramento do Senhor. “Olhar o mundo como sacramento de Deus”. Tudo está inundado de Deus; tudo é sagrado, nada é profano. Dilatar o horizonte dessa presença. Há situações em que Deus está presente como protesto, denúncia (injustiça, violência...). Estamos rodeados, mergulhados em Deus: “N’Ele vivemos, nos movemos e existimos”. Todo o universo está permeado pela presença divina.

Resposta: Considerar como eu devo, de minha parte, “querer estar em Sua presença, colaborar com Ele”. Expressar nosso amor fazendo-nos presentes: na história, comprometendo-nos com ela; solidariedade com os outros; sermos pessoas de fronteiras. Estar presente nas realidades deste mundo e atento às necessidades e clamores do povo.

3ª maneira de orar:  “Deus trabalha em todas as coisas”.  “Meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho” (Jo. 5,17). Considerar como Deus trabalha por nós, preparando pessoalmente todos os dons. A presença de Deus é ativa: tudo está sendo construído e reconstruído por Deus. Ele é a força inesgotável de onde brota todo o trabalho do mundo. Deus continua fazendo tudo novo. Presença dinâmica de Deus: Deus ama atuando em nossa história. A ação do Espírito Santo no interior de nosso ser formando-nos à imagem de Jesus Cristo.

Resposta: Considerar como devo, de minha parte, trabalhar a serviço do Senhor, para sua maior glória. Espiritualidade da colaboração: o lugar teológico da presença de Deus é a ação com amor; o trabalho é a colaboração do homem ao Deus trabalhador; saber que sempre se pode fazer algo melhor. Dar sentido de amor e profundidade ao nosso trabalho; dar valor e sentido às pequenas coisas. Pelo trabalho a pessoa está louvando o Pai, está salvando o mundo e está crescendo em graça. Amor é servir, trabalhar: trabalhar com a mesma intenção de Deus; trabalhar com Deus na mesma direção: aperfeiçoar Suas obras.

4ª maneira de orar:  “Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus”. Deus ama deixando traços e pegadas de sua perfeição divina em suas criaturas. Deus se deixa “transparecer”  na Criação. Tudo vem de Deus e tudo leva a Deus. Observar como todos os bens e graças “descem do alto”, como o sol desce com seus raios. Considerar como tudo o que sou e possuo provém de Deus, se origina e se enraíza n’Ele. Em todas as coisas aparece a sabedoria, a palavra, o dom de Deus. A partir de Deus podemos entender e valorizar as criaturas, perceber que o mundo tem sentido e que tudo é história da Salvação. E através da Criação podemos conhecer algo do que é Deus; descobri-Lo nos acontecimentos e nas lutas. Toda a bondade, a beleza das coisas se originam Deus, são uma “imagem”  de Deus. Mas Deus está além das coisas; precisamos ultrapassá-las; elas são um trampolim para chegar a Deus.

Resposta: Considerar, como devo, de minha parte, amar as pessoas de tal maneira que me faça transparente, para que através de mim os outros possam conhecer quem é Deus. Eu devo deixar “transparecer” a imagem de Deus, através da bondade, justiça e serviço. Deus “passou” e “passa” por minha vida, deixando suas pegadas; através delas dar testemunho de quem é Deus. Considerar como posso “encontrá-lo em todas as coisas”  e assim oferecer-me com elas numa resposta de Amor ao Amor que me chama.

Graça a pedir - Senhor, que eu me deixe conduzir pelo vosso Espírito.

Contemple e aplique os sentidos nos seguintes textos: 1) Lc. 1,46-56; 2) Fil. 1,3-12; 3) Ef. 1,3-14; 4) Rom. 8,28-39; 5) Sl. 135(136); 6) Sl 106(107) e 7) Sl. 103 (104).               

Revisão final:

• Onde mais sentiu o Senhor agindo em você na contemplação e meditação deste compêndio de encontro com Jesus Cristo?

• Continuará a fazer oração/exercício diariamente? Revisão escrita? Vais procurar uma orientação espiritual?

• Pretende continuar com o exame de consciência, como verificador da sua opção vocacional, base do seu Projeto de Vida?

• Como você está se sentindo agora, ao terminar esta leitura contemplativa? Por quê?

"Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim; a minha vida presente eu a vivo na fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim" (Gl 2,20).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

Bem caros amigos/a leitores procurei neste livro fazer uma crítica construtiva do livro Código Da Vinci, procurando mostrar alguns pontos ofensivos e sem fundamentação contidos nele. Procurei não ficar só na crítica, mas mostrar um caminho de encontro com Jesus Cristo, com a Igreja, pela fé na pessoa e na mensagem de Jesus Cristo: Homem e Deus Libertador. Procuramos utilizar como metodologia a espiritualidade Inaciana, contemplativa na ação, segundo o livro dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola.

Espero que vocês tenham gostado e feito à experiência de um encontro pessoal com a Trindade Santa. Mas aí é que está o perigo. A gente pode se entusiasmar com Cristo, começar bem, mas desanimar logo nas primeiras dificuldades. E o segredo do êxito e do fracasso está resumido só nisto:

- Fidelidade ou in-fidelidade!!!

  A chave do êxito é a fidelidade. A chave do fracasso é a infidelidade, é desanimar!

Procurei mostrar que através da aceitação do Plano de Deus, podemos ser felizes e fazer os outros felizes. Que há então uma grande esperança de felicidade, e a certeza que Deus quer nos ajudar! Isto vai animar a nossa fidelidade. Fidelidade, meus caros amigos/as, é uma virtude, síntese e conclusão de todas as virtudes que dependem do esforço humano: Obediência, paciência, fortaleza, audácia e coragem!

 Fidelidade é uma virtude forte, própria de homens e mulheres de fibra e valentes!! Estes recebem um grande apoio do alto: virtudes especiais que dependem só de Deus: Fé, Esperança e Caridade.

Pois a fidelidade dá o brilho a essas virtudes chamadas teológicas. Vejamos: A fidelidade é a prova da nossa fé. Somos fieis a uma pessoa ou a uma causa na medida que acreditamos nessa pessoa ou nessa causa. Somos fieis a Jesus quando aderimos à sua causa -  à sua mensagem Deus, Jesus  é a verdade, não nos engana. Nós é que, às vezes, colocamos mais fé em nós do que nele. Então “dá Zebra”! Dá boot! Nos deletamos!

Esperança quer dizer confiança, certeza. Com as pessoas humanas nunca podemos ter certeza absoluta! Só em Deus há absoluta certeza! Ele é fiel, não falha!! Se um dia a gente começa a desanimar no seguimento de Jesus Cristo, falha no compromisso com o plano de Deus. A solução é agarrar-se na esperança como a de Deus!! E a esperança alimenta a fidelidade.

A fidelidade é a prova última e suprema do amor!!  A fidelidade no casamento é um exemplo. Muitas vezes confundimos amar com gostar. Gostar se gosta de uma laranja, de um franguinho, de uma Brahma!! De uma suquita. Amar se ama uma pessoa, uma causa! Amar é do paladar divino, gostar é do paladar humano.

Vejam por exemplo, a amizade verdadeira. A amizade que ofereço a você neste livro! Não é gostinho que acaba amanhã, no primeiro “desgosto” que se dá. Ser amigo é como Jesus mostrou ser:

-          Sempre pronto a nos receber, quando queremos voltar para ele.

Quem ama vai até o fim. Quem ama, ama pelo amor de Deus que há dentro de si. Porque Deus é AMOR

Um conselho amigo: Viver no cotidiano da Igreja. Desta forma, conservará o “sentido verdadeiro” dela, e não perderá sua profunda sintonia. A sintonia com a Igreja, só se alcança no Espírito, a partir da identificação com o Crucificado-Ressuscitado. Como vimos a Igreja é desenvolvida a partir da experiência do Mistério de Cristo. É Ele o Senhor, o “internamente conhecido”, o amado e seguido, quem com seu chamado, planta a Igreja em cada coração, filialmente configurado por seu Espírito.

“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Jo 3, 36.

Caro amigo é muito importante também, você contemplar o livro do Apocalipse de São João, pois desde o dia em que foi dada a revelação ao apostolo João, pelo próprio Jesus Cristo, muitas coisas desta profecia já estão acontecendo e outras ainda irão se cumprir até o fim da história desta humanidade quando então terá início uma nova história, no novo Éden, na nova Jerusalém celeste que jamais terá fim. Esta será a eternidade planejada por Deus desde o princípio da criação. Já estou em fase de conclusão de uma contemplação do Apocalipse, com a metodologia dos exercícios espirituais, se Deus quiser e alguma editora quiser publicar, logo você terá uma oportunidade de contemplá-lo.

Temos percorrido juntos as vinhas e os pomares do Espírito, em busca de frutos; temos admirado a obra-prima do Espírito Santo que é o homem novo, o homem segundo o Evangelho. Todos os frutos, de fato, são expressões do amor, da caridade, isto é, da boa e verdadeira relação de Deus conosco. Da caridade, como boa e verdadeira relação que Deus tem para conosco, brotam os numerosos frutos do Espírito: alegria, paz, jovialidade, mansidão, humildade, paciência, domínio de si e longanimidade. Tudo nasce dessa boa e verdadeira relação, e da boa e verdadeira relação que temos para com os outros. Retorno uma afirmação lapidar de são Paulo: "A caridade esteja acima de tudo, pois é o vínculo da perfeição" (Cl 3,14).

Concluindo, digamos uns aos outros: queremos ser cidadãos da civilização do amor. Queremos sê-lo para o louvor e a glória de Deus. Amém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

Agostinho, Santo. Confessiones Opera onmia. Tomus I. Parisiis, Editio Migne, 1877.

Barreiro, Álvaro, O Itinerário Da Fé Pascal, São Paulo,  Loyola, 2001.

Barreiro, Álvaro, A Parábola do Pai Misericordioso, São Paulo, Loyola, 1998.

Brown, Dan, O Código Da Vinci, Rio de Janeiro, Sextante, 2004.

Garcia, Ceferino, Comunidades de Vida Cristã, Loyola, 1986.

Iglesias, Manuel Eduardo, Ter Deus Diante dos Olhos, São Paulo, Loyola, 2002.

Miguel, A. Fiorito, Discernimento e Luta Espiritual, São Paulo, Loyola, 1990.

Inácio, de Loyola, Santo. Exercícios Espirituais, Loyola, São Paulo, 2000.

Jusan, F. Novaes, Pelos Caminhos do Amor, Apostolado dos Dois Sagrados Corações, Taubaté, 1982.

Tepe, Dom Valfredo, o Sentido da Vida, Psicologia e Ascese Cristã, Petrópolis, Vozes, 2002.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

 

PRÓLOGO-.....................................................................................................................2

I-INTRODUÇÃO- .........................................................................................................4

II- CRÍTICA DO CÓDIGO DA VINCI-..................................................................6

III- PROPOSTA DE JUSTIFICATIVA ÀS CRÍTICAS DO CÓDIGO DA VINCI-.............................................................................................................................21

IV-METODOLOGIA DE ESTUDO CONTEMPLATIVO E MEDITATIVO-........................................................................................................... 26

V-ENCONTRO COM O CRIADOR-......................................................................30

VI-QUAL É O PLANO DE DEUS PARA NÓS?-............................................... 43

VII-COMO DISCERNIR OS NOSSOS SENTIMENTOS NO CAMINHO PARA A ETERNIDADE?- ........................................................................................46

VIII-O PECADO COMO REALIDADE QUE NOS DESVIA DO CAMINHO PARA DEUS- .........................................................................................52

IX-CONTEMPLANDO A VIDA DE JESUS- ......................................................80

X-AS PROFECIAS QUE SE CUMPRIRAM EM JESUS- ...................................86

XI-O AMOR DE DEUS SE ENCARNA- .............................................................88

XII-JESUS FOI CONCEBIDO DE FORMA SOBRENATURAL- .................91

XIII- INFÂNCIA E VIDA OCULTA DE JESUS- ...............................................96

XIV- VIDA PÚBLICA DE JESUS-...........................................................................99

XV- ESCUTAR O CHAMADO DE JESUS PARA A VOCAÇÃO FUNDAMENTAL- ...................................................................................................109

XVI- CONFIRMAÇÃO DA ELEIÇÃO OU PROJETO DE VIDA- ............130

CONCLUSÃO- ...........................................................................................................167

BIBLIOGRAFIA- ......................................................................................................169