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SUMÁRIO
AGRADECIMENTO............................................................................................... .3
1- INTRODUÇÃO......................................................................................................3
2- METODOLOGIA DE ESTUDO CONTEMPLATIVO E MEDITATIVO........................................................................................................ ...4
3- AUTOR DO APOCALIPSE................................................................................8
4-PROPÓSITO DO APOCALIPSE.......................................................................10
5 - UMA VISÃO PANORÂMICA DO APOCALIPSE......................................12
6-HISTÓRIA DA SALVAÇÃO...............................................................................15
7- SIGNIFICADO DOS SÍMBOLOS E DOS ALGARISMOS........................19
8 – PRÓLOGO: UMA SÍNTESE DO APOCALÍPSE (AP 1, 1 - 8)................21
9- A PRIMEIRA VISÃO: A GRANDE MISSÃO................................................25
10- JOÃO CUMPRE A MISSÃO, ESCREVE ÀS SETE IGREJAS.................30
11- A VISÃO DO TRONO DE DEUS (Ap 4, 1-11)...........................................48
12- VISÃO DOS SETE SELOS (Ap 5, 1 – 8, 1)...................................................51
13- JESUS CRISTO, O CORDEIRO ABRE OS SELOS (Ap 6).......................54
14- A VISÃO DOS SELADOS E DOS GLORIFICADOS.............................. 60
15- A ABERTURA DO SÉTIMO SELO (AP 8, 1).............................................63
16- A SEXTA TROMBETA (AP 9, 13-21)............................................................68
17- A SAÍDA É A PROFECIA: O EVANGELHO (AP 10, 1-11)...................69
18- SÃO JOÃO RECEBE ORDENS PARA MEDIR O SANTUÁRIO DE DEUS (AP 11,1-2).......................................................................................................71
19- AS DUAS TESTEMUNHAS VESTIDAS DE SACO DE ESTOPA........72
20- A SÉTIMA TROMBETA É TOCADA: SURGE O REINO DE DEUS.74
21- O PRIMEIRO SINAL: UMA MULHER VESTIDA DE SOL...................75
22- A EXPULSÃO DO DRAGÃO: O DRAGÃO JÁ FOI DERROTADO..78
23- A BESTA QUE SOBE DO MAR: É A IMITAÇÃO GROTESCA DO PROJETO DE DEUS(AP 13, 1-18)........................................................................80
24- VISÃO DO FUTURO, DA VITÓRIA FINAL (AP 14, 1-5).......................84
25- PREPARAÇÃO DO JULGAMENTO (AP 15, 1-8).....................................89
26- OS SETE FLAGELOS ( AP 16).......................................................................91
27- AS VISÕES DO JUÍZO FINAL (AP 17, 1 A 20, 15)...................................97
28- A GRANDE PROSTITUTA FASCINA E ALIENA (AP 17, 6-18).........99
29- O ANÚNCIO DA QUEDA DA IDOLATRIA (18.1 A 8)........................105
30- OS LAMENTOS DOS ALIADOS DO PODER POLÍTICO (Ap 18, 9-20).................................................................................................................................108
31- A COMPLETA E DEFINITIVA DESTRUIÇÃO DE BABILÔNIA: A MULHER VESTIDA DE PÚRPURA (AP 18, 21 A 24).................................................................................................................................111
32- CELEBRAÇÃO NO CÉU PELO JULGAMENTO DA GRANDE PROSTITUTA (AP 19, 1-21)..................................................................................113
33- O GLORIOSO VENCEDOR: JESUS CRISTO (AP 19, 11-21)..............116
34- DA PRISÃO DE SATANÁS AO FIM DOS TEMPOS (AP 20,1-15).....119
35- O FIM DOS TEMPOS: A TRÉGUA DOS MIL ANOS (AP 20 1-3)......119
36- O REINO MESSIÂNICO DA COMUNIDADE DOS SANTOS (AP 20, 4-6)...............................................................................................................................121
37- O JULGAMENTO FINAL, A VOLTA AO PARAÍSO (Ap 20, 7-10)...123
38- A ETERNIDADE: O JULGAMENTO FINAL, O GRANDE TRONO BRANCO (AP 20, 11-15).........................................................................................125
39- NOVO CÉU E NOVA TERRA: A JERUSALÉM CELESTE (AP 21e 22).................................................................................................................................128
40- A NOVA JERUSALÉM: A SOCIEDADE PERFEITA (AP 21, 9- 22)..130
41- DESFECHO: O PARAÍSO PARA SEMPRE NA NOVA CIDADE (AP 22, 6-21).......................................................................................................................135
42- VIVER COMO RESSUSCITADOS NO NOSSO COTIDIANO...........138
43- A VERDADEIRA VIDA ORIENTADA PELO ESPÍRITO SANTO: RUMO A ETERNIDADE! ...................................................................................141
44- CONTEMPLAÇÃO PARA EU ME DEIXAR ALCANÇAR PELO AMOR DE DEUS....................................................................................................146
CONCLUSÃO..........................................................................................................149



























AGRADECIMENTO
Agradeço de maneira toda especial à minha esposa Teka, pelo incentivo e toda retaguarda necessária para que eu pudesse ter tempo, paz e tranqüilidade para contemplar e meditar os difíceis e obscuros assuntos, abordados neste livro. Agradeço também ao Padre Adroaldo, orientador do CEI, que me permitiu utilizar toda experiência dos retiros, contemplações, meditações e estudos, obtidos durante os Exercícios Espirituais de 30 dias em etapas, que realizamos eu e minha querida esposa, em Itaici. À Márcia, minha acompanhante nos exercícios, pelas suas inspiradas orientações, à Irmã Fátima que orienta nosso grupo de oração e discernimento, e a todo o pessoal do CEI, Centro de Espiritualidade Inaciana de Itaici, que me proporcionaram todo conhecimento intelectual, e especialmente afetivo, da metodologia Inaciana.


1- INTRODUÇÃO
Para muitos deve parecer estranho um leigo escrever um livro, sobre o Apocalipse, ou o livro da Revelação de Jesus Cristo ressuscitado, a São João. Mas confesso que quando comecei a meditar e contemplar este livro sagrado, do qual só ouvia falar: este livro é loucura! É para os crentes fundamentalistas, nele só há coisas doidas sobre o fim do mundo, e muitas outras observações nada acolhedoras. Mas na época que antecede o Advento, muitas passagens foram colocadas na liturgia diária e confesso, sentia muita dificuldade de entender ou contemplar, no começo pensei: ah! Deixa para lá! Não é tão importante. Mas isto me incomodou e resolvi começar a meditar este livro, inicialmente tão estranho. Comecei a entender que a palavra Apocalipse é de origem grega e significa “revelação”, conforme podemos ler nos dois primeiros versículos do livro: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou e as notificou a João, seu servo, o qual testificou da Contemple a palavra em:, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto. (Ap 1, 1-2).
Confesso que comecei a ficar muito feliz e consolado com aquelas contemplações e comecei a meditar dia a dia aquelas palavras e revelações que iam surgindo, mas sem entender certos símbolos e contemplações de São João, muitas coisas me pareciam estranhas e complexas. Fui buscando informações em livros, pesquisas em bibliotecas, na Internet; e fui entendendo que estava diante de uma revelação de Deus, que está sendo dada aos homens, mostrando as coisas que deverão acontecer no mundo e que devemos estar preparados e confiantes de que Jesus voltará e ressuscitará os que estiverem marcadas suas vidas pelo amor a Deus, ao próximo e a si mesmo. Começou a vir em minhas orações uma vontade e um apelo de levar esta mensagem, divulgar a todos esta revelação que fazia muito sentido e clareza para mim. Mas ao comentar com minha esposa, filho e amigos de caminhada sobre minhas meditações, pude sentir uma certa resistência quanto ao estudo e meditação deste livro, com certeza por desconhecimento desta revelação. Parei por um tempo de meditá-lo, mas sentia um apelo de levar esta mensagem ou revelação de Jesus Cristo aos outros. Resolvi em discernimento de oração, que continuaria a meditá-lo e ao invés de falar sobre minhas contemplações e meditações, escreveria tudo que meditasse, contemplasse ou estudasse. E assim fui fazendo, procurando integrar ou incorporar a metodologia da oração inaciana nos meus escritos, bem como outros estudos e meditações.
Quero iniciar este livro de oração, contemplação e meditação, com esta oração de uma campanha de evangelização de uns anos atrás, que muito me tocou e me tem feito trabalhar pelo reino de Deus:
“Ó Pai, enviastes Jesus, vosso Filho e nosso irmão, para nos libertar do pecado e de todo tipo de escravidão. Ao celebrarmos o Jubileu dos Dois Mil Anos da vinda do Redentor, feito homem, e dos quinhentos anos da chegada do Evangelho ao Brasil, ajudai-nos a abrir as portas ao Redentor! Queremos escutar sua voz Ele nos envia em missão, para o anúncio da Boa-Nova, promovendo a justiça e a paz. Amamos a Igreja e, com ela colaboramos na missão de evangelizar a sociedade, implantando os valores do Vosso Reino, com a ajuda do Espírito Santo. Ele nos estimula a seguir os passos de Jesus, a exemplo de Maria, servindo, com nossos dons espirituais e materiais, à causa do vosso amor. Aceitai nossa oferta, e multiplicai em nós, os frutos da vossa salvação. Amém!”.

2- METODOLOGIA DE ESTUDO CONTEMPLATIVO E MEDITATIVO
É importante entendermos que as revelações que São João foi recebendo do anjo foram contemplações e visões. A minha experiência tem demonstrado, que a atividade de contemplar contribui de maneira decisiva para o crescimento humano em geral e para o desenvolvimento de certas atitudes e capacidades.
A apropriação contemplativa do Apocalipse começa a alterar o modo como a pessoa vive e a dar à sua atividade na vida uma qualidade mais profunda de semelhança a Cristo.
É comum as mudanças de hábitos e atitudes, aparecerem mais claramente na qualidade das reações do indivíduo, a acontecimentos e pessoas que já fazem parte de sua vida cotidiana. Em outras palavras: o exercício da contemplação tem “reflexos” na vida de quem contempla.
O modo de conhecer através da contemplação é diferente do modo de conhecer do empirismo e da racionalidade, da observação analítica, da reflexão racional e do estudo do Apocalipse. Enquanto estes últimos se processam normalmente com o “hemisfério esquerdo do cérebro” e captam a realidade fragmentada, o conhecimento da contemplação, por sua vez, se processa exclusivamente com o “hemisfério direito do cérebro” e conecta com a realidade percebida como totalidade.
A contemplação não fala por conceitos, mas por co-naturalidade com a realidade contemplada e seu mistério, simbologias e analogias, especialmente as apocalípticas. A contemplação é um “perceber” o que existe, especialmente na transcendentalidade da revelação apocalíptica.
Na contemplação diminui a consciência da diferença entre a pessoa e a realidade contemplada, e em seu lugar só há um sentido de unidade que tudo envolve.
O exercício da contemplação prepara a pessoa para um modo diferente de olhar, de escutar, de observar, de se relacionar com a realidade cotidiana.
A abordagem contemplativa torna-se um modo habitual de “olhar” o mundo: sensibilidade para captar o mistério da presença e da ação de Deus em lugares inesperados.
A Contemplação é uma forma de oração através da qual deixamos que o Mistério da revelação de Cristo a São João nos penetre e nos vá impregnando, e ao mesmo tempo vamos “conhecendo intimamente” esse Mistério insondável da revelação de Jesus ressuscitado oferecida a São João, como graça, preso, por causa de seu amor a Igreja, na ilha de Patmos.
Contemplar não é especular sobre um texto evangélico, nem tirar conclusões, nem sequer examinar sua vida a partir da atuação de Jesus. Trata-se de “fazer-se presente” à cena evangélica, esquecer-se de si e estabelecer uma relação de presença, de intimidade, que faça possível que a Pessoa de Jesus ressuscitado e sua revelação, vá se adentrando, entrando em você.
A Revelação são fatos e ditos: é necessário olhar, escutar e observar as pessoas e simbologias das visões de São João. Não se trata de algo estático, mas em movimento, dramático, presente. Aquele que contempla também não é uma pessoa abstrata. É você, carregado com sua vida, sua história, seu temperamento, seus sonhos, suas capacidades. A Contemplação põe juntas a pessoa e sua história e o Mistério revelado, para que haja interação e assimilação. A Contemplação lentamente vai transformando a pessoa sem que ela o perceba.
A Contemplação não deve ser forçada, mas “deixar-se levar”, interpelar. A Contemplação ajuda a evangelizar nossos sentidos, reações e sentimentos. Trata-se de “cristificar” o nosso olhar, escutar, falar e especialmente nosso agir. A Contemplação abre-nos o caminho para penetrarmos profundamente na vida, obra, missão e opções de Cristo em sua revelação, bem como em exercícios que iremos propor.
A Contemplação de Cristo ressuscitado não é uma simples “maneira de orar”. Significa consentir ser introduzido no “Mistério” que é Jesus Cristo ressuscitado, o cordeiro imolado e toda a corte celestial. Significa deixar-se impregnar pelas promessas e bem-aventuranças anunciadas por Cristo no Apocalipse.
Em si mesma, a Contemplação é viva, criadora, dinâmica e continuamente, renova nossas opções e atitudes profundas. Não se trata de uma atividade nossa sobre a cena, mas da atividade da cena sobre nós; vai nos modelando. Quem faz a experiência da contemplação na oração deverá também ser um “contemplativo na ação”, isto é, no engajamento e no serviço. Tal como fazemos na oração, devemos fazer na ação, dando os passos próprios de toda contemplação: portanto na contemplação vamos tentar esquecer um pouco de nós mesmos e dos nossos problemas. Refletir sobre si mesmo para tirar algum proveito espiritual.
Portanto é: “colocar-se na cena..”, faremos parte da cena: “olhar as pessoas e simbologias...” e nelas descobrir a pessoa do Senhor e toda a corte celestial;“escutar o que dizem...”: entre todas as vozes que escutamos, perceber e discernir qual é a do senhor e o que ele tem a lhe dizer hoje; “observar o que fazem...”: participar, fazer-se presente, optando, colaborando de modo evangélico numa tarefa, querendo construir a história dos homens com os valores da profecia, da revelação.
Isto tudo aconteceu com São João, ele foi afetado em sua contemplação e anotou tudo o que acontecia, inspirado por Deus e orientado pelo Espírito Santo.
Para meditarmos o Apocalipse, em alguns casos usaremos a contemplação, mas quando o símbolo ou imagem é estranho e fora do comum, devemos meditar, isto é usar a inteligência, memória e a vontade para aprofundar e assimilar um dado da fé, com vistas a torná-la vida na nossa vida.
Sugiro que você, caro leitor/a não só leia este livro, mas que reze, contemple, medite cada oração ou texto sugerido. Poderia aqui dizer, como em diversos livros que já li, que o autor não tem pretensão de que você mude sua vida ou seu modo de pensar ou agir. Mas minha pretensão é que a graça de Deus penetre em você e afete toda sua vida e que a partir desta contemplação da revelação do próprio Jesus Cristo ressuscitado, o Apocalipse, sua vida seja mais útil ao mundo, à sua comunidade, à sua família e a você mesmo. E esta pretensão se baseia na experiência que tenho vivido nos últimos vinte e dois anos de minha vida, desde que iniciei minha busca de cura interior em um cursilho de cristandade, aqui em Aparecida, o cursilho número 59. Ali iniciei minha entrega a Jesus Cristo, quando o Padre Chiquinho olhou firme para meus olhos e me perguntou, Saluar, Cristo conta com você! E eu respondi, firme e convicto, e eu com a graça de Cristo!
Tenho vivido com esperança, longos anos de estudos, cursos de religião para leigos, centenas de livros litúrgicos e teológicos, encontros de formação e espiritualidade, cursilhos, seminários de vida no espírito, retiros espirituais inacianos e dias de cura interior na canção nova. Tudo isto acompanhado de minhas misérias pessoais, temperamento sanguíneo e tipo sete de ENA pessoal. Os muitos erros, caídas e levantamentos, especialmente ajudados pela mão amorosa de minha querida esposa Teka, que é a maior representante da misericórdia e do amor de Deus na minha vida. A Ela dedico a escrita deste livro. Não foi para que você leia este livro e não mude nada em você e em sua vida, que eu resolvi dedicar toda minha vida, especialmente meu tempo e possibilidade de ganhos salariais chamativos, que eu renunciei, quando trabalhava no CTA, em São José dos Campos. Graças a Deus já sou aposentado da Força Aérea e o que ganho é mais que suficiente para uma vida digna, o que me dá possibilidade de dedicar-me integralmente a servir a Deus Pai, em tudo o que for de sua divina vontade. Sou feliz e sinto-me um instrumento de Deus que, apesar de seus defeitos e misérias, está na militância cristã da Igreja Católica, Apostólica, Romana, sentindo-me livre para seguir o que Jesus nos pede em suas bem-aventuranças e especialmente suas exortações contidas em Mateus 25. Estou vivendo a minha sexta feira santa, iluminado pelo Espírito Santo e com esperança e certeza de que já estou vivendo a eternidade, e um dia, viverei, com a graça de Deus, com Cristo e muitos de vocês que perseverarem, na nova Jerusalém celeste, prometida por Ele no Apocalipse.
Como já mencionei acima, é importante usar uma metodologia para tirar proveito da leitura deste livro, ou melhor, das orações ou exercícios espirituais, que serão propostos para contemplação. Claro que será preciso superar a preguiça e até o temor mais ou menos consciente de colocar sua vida diante de Deus. Escolha a hora mais propícia do dia, num momento em que não esteja atarefado com preocupações, trabalhos, calor ou frio, sono ou cansaço. Seria bom que a hora fosse sempre a mesma. Sugiro-lhe, para começar:
1. Um mínimo de 20 a 30 minutos diário de oração.
2. Antes de se deitar, leia rapidamente o assunto do dia seguinte. Depois de deitar-se, estando já para adormecer, pense a que hora fará amanhã sua oração e lembre brevemente o assunto. Quando acordar, pense rapidamente no assunto da oração.
3. Busque um lugar onde possa estar sozinho e sentir-se bem. Música suave, uma certa penumbra pode criar clima favorável. Se o lugar de oração for o seu quarto, você pode sentar-se no chão, sobre um cobertor dobrado, com a Bíblia e este livro perto de você.
4. Busque uma posição corporal que lhe ajude na concentração e que seja razoavelmente cômoda e tranqüila. O homem reza não só com a mente, mas com todo o seu ser, também com o seu corpo. É o homem todo que reza! Você poderá rezar de pé, sentado, de joelhos, com as mãos abertas, juntas. Procure seu modo! Evite, porém, andar ou deitar-se.
5. Fazer silêncio. Acalmar-se. Suscitar desejo de ouvir a Palavra. Acreditar que Deus está presente lhe escutando aqui, hoje. Feche os olhos e coloque-se diante de Deus, seja presença na presença Dele. O importante é sentir como o Pai o ama, como olha para você! Deixe que Deus se comunique com você! Se achar que aquela determinada postura corporal está lhe ajudando no seu encontro com Deus, não mude. Faça uma oração preparatória, tal como: “aqui estou, meu Deus, diante de ti, tal como sou agora. Estou sentado diante de ti, Senhor, tranqüilo e pacificado. Estou na tua presença e deixo-me conduzir. Abro-me à tua proximidade. Tu és a fonte da vida, a força da vida que me penetra. Tu és minha respiração que me carrega e dilata. Deixa que a paz me habite. Concede-me a graça de me deixar "limpar" por ti, ser uma concha que se enche de ti,Deus. Que todos os meus pensamentos e sentimentos, minha vontade e liberdade sejam orientados para o teu serviço e louvor, meu Deus, fonte da vida. Assim seja!”.
6. Pedir pela graça que você deseja mais profundamente dentro do seu íntimo, por exemplo: crer na presença de Jesus vivo em minha vida e alegrar-me com sua ressurreição e de sua revelação a São João. Pedindo, você reconhece que tudo é dom, e não fruto do seu agir.
7. Leia com atenção e tranqüilidade a passagem do Apocalipse, ou outra passagem indicada, se possível em voz alta. A Palavra de Deus é interrogação que vem de fora para dentro de você.
8. Pare e saboreie interiormente, sempre que algo o atrair ou o impulsionar. Se perceber que aquele determinado pensamento lhe traz alegria e paz, não passe para frente, fique nele. Deus lhe está falando! Faça sua oração com amor e liberdade. Mergulhe em profundidade nesta revelação. Falar e escutar. Louvar. Pedir. Perguntar. Meditar. Refletir. Relacionar. Silenciar. Tente não imaginar coisas por você mesmo, mas deixe o Espírito rezar através de você. Deixe-se invadir pela graça, pela gratuidade do Senhor, e seja grato para com Ele! Perguntar-se: o que Deus está querendo me dizer? Como posso colocar em prática, o que Deus está me dizendo?
9. procure manter fidelidade ao tempo que, no início, você se propôs a ficar em oração. Caso o impulso seja para aumentar o tempo, faça-o tranqüilamente.
10. Saiba terminar a oração com um tempo de "colóquio", uma conversa com Deus, que consiste em "falar com Deus" e não um "falar para Deus". Agradeça a Deus este momento de oração e peça forças para viver a vontade Dele. Reze um Pai Nosso e uma Ave Maria.
11. Procure reservar sempre, no final da oração, ao menos 5 minutos para registrar num breve texto, um pouco do que aconteceu enquanto estava rezando. Muitas vezes a revisão da oração é mais importante do que a própria oração. Por meio dela deve descobrir o que Deus quer de sua vida. Deverá fazer estas revisões num caderno dedicado a este trabalho.
12. Para revisar a oração, Escreva os trechos da Contemple a palavra, pensamentos, imagens, palavras, expressões, recordações da vida que foram mais marcantes. Escreva os sentimentos que mais apareceram, paz, alegria, confiança, ânimo, coragem, abertura, experiência do sentido da vida, etc. ou inquietude, angústia, tristeza, desconfiança, desânimo, fechamento, obscuridade, confusão, irritação, etc. Vejam quais foram os apelos, impulsos, desejos, inspirações. Vejam quais foram as resistências, medos e repugnâncias diante do texto.

3- AUTOR DO APOCALIPSE
Vamos iniciar contemplando quem foi o autor do livro do Apocalipse. Parece ser ilógico falar sobre isto, mas não há unanimidade quanto à autoria do livro do apocalipse, existem vários autores que afirmam não ser São João evangelista o autor deste livro da revelação. Francamente, pelos meus estudos, pesquisas e contemplações do Apocalipse, do Evangelho de São João e suas cartas apostólicas, eu não tenho dúvidas de que é o mesmo João evangelista que escreveu, também o livro da revelação de Jesus Cristo, o Apocalipse. Só ele conviveu com Jesus e sentiu-se profundamente amado por Jesus, como por diversas vezes narra em seu evangelho, aquele que Jesus amava. Só São João escutou Deus falando, no batismo de Jesus, na transfiguração e esteve junto a Jesus em sua agonia final, quando o Filho de Deus entrega seu espírito. A prova da autoria do Apocalipse ser de São João, o Teólogo está na semelhança deste livro com o seu Evangelho e as Epístolas que ele escreveu. Semelhança não só em espírito, mas também de estilo, e especialmente no uso de certas expressões características. Por exemplo, o sermão Apostólico aqui é denominado como “Testemunho” (Ap 1, 2-9; 20, 4; Medite também em Jo 1, 7; 3, 11; 21, 24; e 1Jo 5, 9-11). O Senhor Jesus Cristo é chamado “Verbo” (Ap 19, 13 e Jo 1, 1-14 e 1Jo 1, 1) e “o Cordeiro” (Ap 5, 6 e 17, 14; e também Jo 1, 36). As palavras proféticas de Zacarias, "então eles olharão para mim a quem transpassaram” (Zc 12, 10), ambos, no Evangelho e no Apocalipse, são citados da mesma maneira, de acordo com a tradução grega dos “Setenta” (Ap 1, 7 e Jo 19, 37).
Algumas diferenças de linguagem entre o Apocalipse e outros escritos do Apóstolo São João, são explicadas como sendo diferenças de contexto como também por circunstâncias que originaram os escritos do Apóstolo São João, que sendo judeu de nascença e, embora tendo conhecimento do idioma grego, achava-se encarcerado e longe da influencia do grego falado, naturalmente imprimiu no Apocalipse influências de sua língua nativa.
Saltam aos olhos do leitor imparcial do Apocalipse, na totalidade de seu conteúdo, as evidências da marca indelével da imensa espiritualidade do Apóstolo, seu amor e compreensão. Conquanto alguns possam ainda duvidar desta autoria, ela tem sido admitida desde os tempos mais remotos do cristianismo. Que outro João existe que tenhamos conhecimento, tenha tido suficiente influência ou posição de autoridade na Igreja primitiva para dirigir tal mensagem às Igrejas? Segundo a tradição, João foi o único sobrevivente dos apóstolos, havendo cada um dos outros encontrado a morte, como mártires.
Bem, caro amigo/a leitor aproveite as citações anteriores e contemple um pouco desta autoria e da beleza dos escritos de São João, tanto seu evangelho, como suas cartas evangélicas.

4-PROPÓSITO DO APOCALIPSE
São João estava exilado na ilha de Patmos, quando recebeu esta revelação através de um anjo, em suas contemplações. Um detalhe importantíssimo que me auxiliou a entender e interpretar os mistérios desse livro foi meditar, no sentido de que esta revelação foi dada no ano 95 ou 96 da era cristã, portanto, aproximadamente 60 anos após a morte e ressurreição de Jesus Cristo; e o primeiro versículo diz claramente, "mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer”.
Portanto, tudo que está descrito no livro são fatos que começaram acontecer a partir daquele ano. Com isso já podemos concluir que hoje estamos vivendo dias apocalípticos, e no decorrer de nossas meditações, poderemos entender em que momento do Apocalipse é que nos estamos vivendo e o que ainda vem pela frente. Toda mensagem contida no livro do Apocalipse é dirigida exclusivamente para a Igreja de Jesus Cristo, tanto é assim, que a revelação dada a João inicia com sete cartas dirigidas a sete igrejas, e no final, a mensagem de Jesus é a seguinte: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã”. (Ap 22, 16).
Pode-se dizer também que esta revelação veio em resposta à oração, petição que São Paulo fez na carta aos Efésios, Ef 1, 15-18, onde São Paulo orou para que pudessem eles ter uma revelação de Jesus Cristo. Esta resposta veio através de João, exatamente ele, o Ancião, o teólogo de Jesus Cristo, àquele que Jesus amava, àquele que mais sentiu e definiu, até hoje o amor de Deus, o amor de Jesus por nós, cada um de nós, como se fossemos únicos. Àquele que nos mostrou em seu evangelho e em suas cartas que Deus nos ama incondicionalmente! O principal objetivo dessa mensagem é preparar a Igreja de Cristo para que não venha a participar dos juízos previstos no dia do julgamento de Deus, e isto, evidentemente, requer obediência à Palavra de Deus.
Meu caro irmão/ã tenha em mente que a mensagem desta profecia, como toda profecia divina, é extremamente séria. Não podemos brincar com aquilo que é sagrado. No dia do juízo não haverá tolerância de qualquer espécie. Logo após Jesus ter subido junto ao Pai, depois da ressurreição, os discípulos atenderam a ordem dada por Jesus de divulgar ao mundo o evangelho da salvação, foi quando começaram a surgir as Igrejas Cristãs. Ocorre, porém, que muitos nunca aceitaram o Evangelho de Jesus e sempre houve perseguição contra os que se mantinham fiéis a Ele, quer por motivos políticos, religiosos ou interesses pessoais.
Todos os discípulos e apóstolos de Jesus foram perseguidos, presos, afligidos e mortos. Como conseqüência, as igrejas também sofreram perseguições violentas. Foi nesse ambiente que o livro do Apocalipse foi escrito. Jesus arrebatou João em espírito, ou seja, João contemplou verdadeiramente a presença do Senhor Jesus e foi ao céu, onde lhe foram mostradas as coisas que brevemente deveriam acontecer. (Ap. 1, 10 e Ap.1, 1). Literalmente escreve, “Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: “o que vês, escreve-o num livro e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia, a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia”. (Ap 1, 10-11)
Todas as visões de João foram de forma simbólica. Alguns crêem que as visões de João foram registradas desta forma aparentemente confusa, crendo que ele viu coisas que não conhecia naquela época, então descreveu como bem entendia. Isto seria como que um índio que nunca tivesse visto um avião, o descrevesse como sendo um pássaro de ferro.
Mas, com certeza, esta teoria não faz sentido em nenhum texto da bíblia. Uma vez Jacó teve uma visão de uma escada que subia ao céu (Gn 28, 12) e Pedro teve uma visão de um vaso como um lençol que descia do céu (At 10, 11). Foram visões simbólicas. A escada e o lençol eram símbolos de algo que Deus estava querendo ensinar. Da mesma forma, João viu o que ele realmente viu e escreveu. Se estiver escrito que ele viu um cavalo vermelho, ele realmente viu um cavalo vermelho, porém esse cavalo vermelho tem um significado, simboliza algo que Jesus quer revelar a nós. Isto evidentemente não significa que no céu tenha cavalos coloridos ou dragões horripilantes e cheios de cabeça, são apenas símbolos. E nesta contemplação da revelação, vamos compreender o significado de muitos símbolos descritos no Apocalipse.
Meu querido irmão ou irmã, a meditação e contemplação, bem como o entendimento da mensagem contida não só no Apocalipse, mas de toda a Bíblia, depende em primeiro lugar do nosso desejo ardente, sincero e incondicional de conhecer a Palavra. Depende em segundo lugar da nossa disposição em ouvir, ler, estudar, meditar e contemplar a palavra. Se fizermos a nossa parte, então o Espírito Santo de Deus irá nos revelar a Sua mensagem no momento oportuno e de acordo com a necessidade e o discernimento de cada um. Não basta querermos aprender e ficarmos de braços cruzados esperando que a mensagem apareça em nossa mente como que uma mágica, é necessário o nosso empenho para nos alimentarmos da palavra.
Alguns símbolos são interpretados pela própria Palavra no mesmo texto. Compare Ap. 1, 13, 16 com Ap 1, 20, os castiçais e as estrelas. Outras vezes encontramos o entendimento através de outros textos.
Compare Ap 4, 3 com Gn 9, 13, o arco celeste.
Algumas interpretações são baseadas no conhecimento dos atributos de Deus, na sua forma de agir, na sua santidade, na sua onisciência, no seu amor, na sua justiça, sabendo que Deus não muda, as suas leis são perpétuas e imutáveis. Por exemplo: a promessa feita a Abraão há quatro mil anos atrás, ainda está sendo cumprida e continuará em vigor até mesmo nos dias futuros do Apocalipse. Também a título de exemplo, da mesma forma que Deus livrou Noé e sua família da tormenta do dilúvio, por serem fiéis, podemos concluir que Deus também livrará a igreja, pura e imaculada, das tormentas da grande tribulação que há de vir sobre o mundo. Deus não usa dois pesos e duas medidas.
Algumas mensagens nunca serão reveladas por Deus por serem mistérios que, por algum motivo, não convém que sejam reveladas (Dt 29, 29; Mt 24, 36; Ap 10, 4; At 1, 7)
Existem também mistérios que Deus revela somente para quem Ele determinar no tempo oportuno, nem antes, nem depois (Jo 13, 7; Dn. 12, 8-9)
Existem também as interpretações falsas e perigosas, nascidas na mente humana e sem qualquer base na Contemple a palavra em:, essas são naturalmente desaprovadas por Deus (2Pd 3, 16). Por esse motivo, alertamos sobre a importância de estarmos desarmados diante de Deus, estarmos totalmente atentos e submissos ao Espírito Santo e estarmos sempre alimentados com a palavra, e a Eucaristia, caso contrário certamente cairemos no erro e no engano.
Através deste estudo contemplativo vamos conhecer todo plano de Deus para redenção do homem, vamos aprender o que realmente vai acontecer no futuro. O sol vai apagar? As estrelas do céu cairão sobre a terra? O nosso planeta vai explodir? Quem são os quatros cavaleiros do Apocalipse? E a mulher do apocalipse? O que significam as sete trombetas e as sete taças? Quem é a besta do Apocalipse? Quem serão os 144000 assinalados? A igreja passará pela tribulação? Como será a vida no milênio? Quem estará presente no juízo final?
Todas esta perguntas e outras mais serão respondidas durante o estudo contemplativo, e todas com amparo na própria Bíblia.

5 - UMA VISÃO PANORÂMICA DO APOCALIPSE
A chave deste livro encontra-se no versículo inicial. "Revelação de Jesus Cristo". O propósito principal consiste em revelar o Senhor Jesus Cristo como o Redentor do mundo e Conquistador do mal, e apresentar de forma simbólica o programa mediante o qual ele desempenhará seu trabalho.
A estrutura do Apocalipse fundamenta-se em quatro grandes visões, cada uma das quais iniciada pela frase, "em espírito", e contém um aspecto da pessoa de Cristo em sua capacidade de julgar o mundo.
O Apocalipse começa com cartas que o Senhor dirige às sete igrejas da era apostólica típica das igrejas de todos os tempos. Nessas cartas ele expressa seus elogios e críticas, terminando com uma advertência e uma promessa.
Ao iniciar-se o quarto capitulo, João é trasladado ao céu, onde contempla "as coisas que depois destas devem acontecer" (4, 1). Mediante uma sucessão de juízos, selos, trombetas e taças de ira, a terra é castigada por seu pecado, iniciando-se o grande dia da ira de Deus. Não há indícios da duração do processo, mas parece que se acelera ao aproximar-se de seu fim.
A partir do capítulo 17 e até o capítulo 20 inclusive, temos uma visão pormenorizada da consumação da era. Representa-se o retorno de Cristo em glória com os exércitos do céu (19, 11-21), o estabelecimento do reino e sua conclusão no juízo final do grande trono branco (20, 1-15), e a criação de um novo mundo (21, 1-8). A última visão é prolongamento da terceira, ao descrever com maior amplitude a natureza da cidade de Deus (21, 9-22, 5).
A conclusão do livro é um convite à devoção. Se Cristo vai retornar, a santidade e o trabalho são obrigatórios no que respeita a seu povo. A oração no final deve expressar o desejo de todo cristãos: "Amém. Vem, Senhor Jesus"(22, 20).
Algo que acho fantástico no Apocalipse são as Bem-aventuranças que São João vai colocando, distribuindo, costurando, interligando à grande revelação do filho de Deus ressuscitado. Na boca de Jesus brilha sempre a palavra chave: “Felizes”. Anuncia um Reino de Deus que é oferta de felicidade e caminho para conseguí-la. Tanto no Evangelho de Lucas como em Mateus, as Bem-Aventuranças abrem dois grandes discursos inaugurais de Jesus, denominados, respectivamente, Sermão da Planície (6,20-49) e Sermão da Montanha (5-7). As Bem-Aventuranças não são formuladas negativamente, nem na forma de um código moral, mas de maneira positiva e aberta. Não é pura doutrina, mas estilo de vida, um modo de proceder... Jesus não prega diretamente uma moral. Proclama a irrupção da graça, do amor, da misericórdia, da justiça de Deus na história da humanidade. Porque tem a certeza de que chegou a hora de Deus intervir na história, Jesus fica feliz e proclama “felizes” os até agora indefesos, oprimidos e marginalizados, mas que mantiveram viva a confiança em Deus. Detrás de cada uma das Bem-Aventuranças há séculos de promessas e de esperanças. Jesus é a encarnação de todas as esperanças do povo de Israel. As multidões acorrem ao seu encontro para serem alimentadas com o pão da Palavra, aliviadas de seus fardos e curadas de suas doenças.
O Apocalipse apresenta sete bem-aventuranças. A Bíblia fala muito no número sete. O Apocalipse também. Fala em sete cartas às sete igrejas e aos sete mensageiros. Por sete vezes diz que é preciso ouvir "o que o Espírito diz às igrejas".
Há um fato importantíssimo no livro Apocalipse, o Espírito Santo também fala em sete bem-aventuranças.
As sete bem-aventuranças apenas serão bem compreendidas, quando examinadas na perspectiva expressa nas palavras do Espírito Santo, O tempo está próximo!
O Espírito Santo diz (Ap 1, 3; 14, 13; 16, 15; 19, 9; 20, 6; 22, 7; 22, 14 ) às igrejas quem são os bem-aventurados:
O primeiro bem-aventurado é o cristão-ouvinte! Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo esta próximo. (1.3). A Contemple a palavra em: é a Verdade, a Revelação, a Infalível, a Vida. Sem ela não existe Igreja, nem cristão, nem salvação. O cristão examina, ouve, guarda e pratica esta Contemple a palavra em: que o pode fazer sábio para a salvação em Cristo Jesus.
O segundo bem-aventurado é o cristão-fiel! Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois suas obras os acompanham. (14.13). Os incrédulos não são benditos. Só quem foi fiel até à morte, morre no Senhor. E é feliz. Com o adormecer no Senhor, cessam os trabalhos, as canseiras e as angústias. O descansar no Senhor é sinônimo de felicidade. O que o cristão faz nesta vida pela fé em Cristo, será lembrado na vida eterna. Que coisa linda!
O terceiro bem-aventurado é o cristão-vigilante! Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para não andar nu, e não se veja a sua vergonha. (16.15).
Cristo repete muitas vezes, orai e vigiai. No início do versículo, está a razão do vigiar, eis que venho como o ladrão. É o mesmo que Pedro diz, virá, entretanto, como o ladrão, o dia do Senhor. O ladrão não avisa. O fim vem com surpresa. O vigilante sempre está acordado, pronto, de olhos abertos para ver os sinais de Deus. Não dorme o sono do pecado. Está acordado, a chama da fé está acesa, pronta para recepcionar o Senhor.
O quarto bem-aventurado é o cristão-chamado! Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou, são estas as verdadeiras palavras de Deus.(19.9). O Cordeiro é Jesus Cristo, que tira o pecado do mundo e que é digno (5.12) de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. A ceia é a mesa posta na vida eterna. A comunhão será plena entre Cristo e seu povo redimido.
O quinto bem-aventurado é o cristão-ressuscitado! Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esse a segunda morte não tem autoridade. (20.6). No momento do renascimento espiritual, acontece a primeira ressurreição. Quem ressuscitou da morte espiritual, recebeu vida em Cristo, e a morte não tem mais autoridade sobre ele no dia do Juízo Final.
O sexto bem-aventurado é o cristão guardador! Bem-aventurado o que guarda as palavras da profecia deste livro (22.7). Nesta bem-aventurança, o Espírito Santo retoma o conteúdo da primeira, bem-aventurado é aquele que guarda as palavras da profecia. A razão para guardar, reter e viver a Palavra é a mesma, pois o tempo está próximo! Eis que venho sem demora! E preciso perseverar até o fim, que pode ser repentino. O sentido de guardar é o mesmo que se refere à atitude de Maria, ela guardava todas estas coisas no coração.
O sétimo bem-aventurado é o cristão-limpo, puro! Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.(22.14). Os incrédulos e pecadores impenitentes continuam com a roupa suja das iniqüidades do velho homem. Estes não entrarão na nova cidade, mas ficarão do lado de fora. Só o cristão penitente tem a vestidura branca do novo homem, pois ele crê que o "sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado".
No término de Apocalipse, o Espírito Santo relembra a árvore do Paraíso, a árvore da vida. O pecado nos retirou da árvore da vida; Cristo nos reconduz à árvore da vida. Aqui se pode pensar no novo céu e nova terra, onde "Deus habitará com o seu povo; onde a morte já não existirá".
A estes cristãos bem-aventurados felizes e abençoados, Jesus Cristo encoraja, estimula e promete, sob a perspectiva de "o tempo está próximo": regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus!". Eis que venho sem demora! Certamente venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus!”.

6-HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
Olha caro amigo/a que está comigo nesta contemplação, não tenho como saber o seu conhecimento, nem o seu grau de adesão e afetividade à história da salvação, que é de fundamental importância para o bom entendimento do Apocalipse, portanto de uma forma simplificada, mostrarei uma visão panorâmica de toda história da humanidade tal como se encontra relatada na Bíblia.
Desde o dia em que foi dada a revelação ao apostolo João, muitas coisas desta profecia já estão acontecendo e outras ainda irão se cumprir até o fim da história desta humanidade quando então terá início uma nova história, no novo Éden, na nova Jerusalém celeste que jamais terá fim. Esta será a eternidade planejada por Deus desde o princípio da criação.
E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. (Ap 21, 1). E dirão, Esta terra assolada ficou como jardim do Éden; e as cidades solitárias, e assoladas, e destruídas estão fortalecidas e habitadas. (Ezequiel 36, 35).
No princípio de toda historia da humanidade, Deus colocou o primeiro homem no mundo, Adão, e desde então a terra começou a ser habitada. A partir de Adão, passaram-se aproximadamente dois mil anos quando surgiu no mundo um outro homem de real importância para nosso estudo. Trata-se de Abraão. Algo extraordinário aconteceu no relacionamento entre Deus e os homens através de Abraão. Deus estabeleceu uma aliança fazendo uma promessa a esse homem. Este fato é vital para o entendimento do livro do apocalipse, sempre lembrando que as promessas de Deus cumprem-se literalmente na íntegra.
Vamos destacar duas promessas feitas por Deus a Abraão:
1) Deus estabeleceu que a descendência de Abraão seria extremamente numerosa, comparada com as estrelas no céu e a areia do mar.
2) A descendência de Abraão possuiria a terra perpetuamente.
Deus prometeu a Abraão que ele seria pai de uma grande multidão. E mudou o seu nome de Abrão, para Abraão. Porque seria pai de uma multidão de nações. Contemple em Gn 17, 4-8. Então o levou fora e mandou-o olhar para os céus e contar as estrelas e disse-lhe que assim seria a sua semente, conforme Gn 15, 5.
É muito importante notar a Palavra onde diz "pacto perpétuo". Considerando que a Contemple a palavra em: é fiel e verdadeira, e considerando também que o acordo perpétuo significa eterno, para sempre, concluímos que essa promessa nunca será extinta e permanecerá por toda eternidade. Repetimos, este entendimento é vital para o conhecimento do Apocalipse conforme veremos em outros capítulos mais para frente.
Através dessa promessa surgiu no mundo um povo especial controlado e protegido por Deus. É o povo de Israel. Para quem não sabe, Abraão, que recebeu a promessa, teve um filho chamado Isaac. Isaac por sua vez teve um filho chamado Jacó o qual teve o seu nome mudado por Deus e que passou a se chamar Israel. Este, por sua vez, teve doze filhos que se constituíram nas doze tribos de Israel, e são essas doze tribos de Israel que estão na linha da promessa feita por Deus a Abraão.
A partir de Abraão, passaram-se aproximadamente mais dois mil anos quando surgiu na terra outro homem muito mais importante do que Adão e de Abraão. Trata-se agora de Jesus Cristo, o Filho de Deus.
Através de Jesus foi feita uma nova aliança, quando surgiu um outro povo especial, controlado e protegido por Jesus.
Na pregação e na prática de Jesus nos deparamos com uma espiritualidade que vem de baixo, que brota do seu encontro com a fragilidade humana. Ele, conscientemente, se compromete com os Publicanos e pecadores, com os pobres e doentes, porque sente que eles estão abertos ao amor de Deus.
Os “justos”, praticantes da lei, pelo contrário, vivem centrados em si mesmos e são aqueles que entram em permanente conflito com Jesus.
Os “fariseus” são os típicos representantes de uma espiritualidade legalista, distante da realidade humana. Eles não percebem que, observando detalhadamente todas as leis, não estão pensando em Deus, mas, sim, em si mesmos. No fundo, não tem necessidade de Deus. Acreditam que, cumprindo perfeitamente todos os mandamentos por suas próprias forças, tem o direito de exigir de Deus uma recompensa. Estão menos interessados no encontro com Deus do que no cumprimento minucioso da lei.
O que mais lhes interessa é o cumprimento das normas e ideais que se impuseram a si mesmos. De tanto se fixarem sobre as leis, esquecem o que Deus realmente deseja do ser humano, tornam-se frios e insensíveis. E assumem o papel de juiz para julgar o comportamento dos outros. Por isso Jesus os condena duramente, enquanto para os pecadores e fracos, Ele se apresenta manso e misericordioso.
É nas parábolas que Jesus nos revela, com clareza, que não deseja uma espiritualidade de “cima”, mas sim uma espiritualidade de “baixo”, porque esta abre o ser humano para Deus. Na parábola do tesouro escondido (Mt 13, 44), Jesus mostra que o tesouro, o nosso próprio “eu”, a imagem que Deus faz de nós, pode ser encontrado precisamente no campo, na terra e na lama. Temos primeiro que sujar as mãos e cavar a terra, se quisermos encontrar o tesouro que existe em nós.
Do mesmo modo, na parábola da pérola preciosa (Mt 13, 45-46): esta cresce nos ferimentos da ostra. Só encontramos a pérola em nós quando entramos em contato com as nossas feridas e nossas limitações.
A parábola do joio e do trigo (Mt 13, 24-30) revela a tendência humana de realizar os ideais de perfeição e distanciar-se cada vez mais de sua condição de criatura. O ideal é o ser humano “puro” e “justo”, sem qualquer imperfeição ou fraqueza. Tal tendência nos leva ao rigorismo contra nós mesmos, ou seja, nos leva a proceder com violência contra nossas próprias limitações.
Nas nossas raízes o joio está intimamente misturado com o trigo. Quando alguém não admite em si nenhuma falha, com suas paixões ele arranca também a própria vitalidade, com a fraqueza ele destrói também a própria força. Aquele que, a qualquer preço, deseja ser “perfeito”, em seu campo não irá crescer senão um trigo raquítico. Muitos perfeccionistas e idealistas se fixam de tal maneira sobre o joio em seu interior que só pensam em eliminar as falhas, de tal modo que a vida mesma fica prejudicada. De tão perfeitos, eles ficam sem força, sem paixão, sem coração.
Em Lc 16, 19-31, o rico glutão simboliza o ego que tem tudo quanto deseja, mas é vítima do orgulho. Já o “pobre Lázaro”, por sua vez, representa o que em nós é pobre, o que nós rejeitamos, o que é chaga e doença, a fome e a sede. Este é admitido ao banquete do Pai. É precisamente aquele que está perdido, excluído, que é acolhido e cuidado por Deus, conforme as parábolas da ovelha perdida e do filho pródigo, pois quando nada tem, o ser humano está aberto para o dom da graça divina.
O paradoxo da espiritualidade cristã consiste em que nós “subimos” para Deus precisamente quando “descemos” à nossa realidade humana. A parábola em Lc 18, 9-14 ilustra isso: O fariseu, que põe toda sua confiança em si mesmo e nas suas realizações morais, é desconsiderado por Jesus. Ele usa Deus para aumentar o sentimento do seu próprio valor. Não é a Deus que ele serve, mas a si mesmo. Assim, antes de poder entrar em intimidade com Deus, ele precisa primeiro ser confrontado com a sua miséria. O publicano, no entanto, em sua humildade reconhece sua condição frágil e pecadora e entrega-se à misericórdia de Deus. Sabe que por si mesmo não pode se tornar melhor, que não pode dar nenhuma garantia de si. Lança toda sua confiança em Deus. Só Deus poderá erguê-lo, torná-lo reto e justo. A própria encarnação de Jesus Cristo já é prova de seu esvaziamento e de sua entrada na vida dos últimos e excluídos. Jesus nasce em um estábulo, não em um palácio. C.G. Jung enfatiza que nós somos apenas o estábulo onde Deus nasce. Em nosso íntimo encontra-se tanta sujeira como em um estábulo. Nada temos para apresentar a Deus. Ali onde somos pobres e fracos, justamente aí é que Deus quer morar.
É em sua morte na Cruz que Jesus desce até o extremo de sua condição humana.
A Igreja primitiva viu a “descida entre os mortos” como paradigma da Redenção. No sábado de aleluia ela lembra este “descer” às profundezas da terra. Na “mansão dos mortos”, lá onde o ser humano chegou ao fim, onde ele se encontra excluído de toda comunicação e comunhão, onde não pode fazer mais coisa alguma, aí Jesus o toma pelas mãos e ressurge com ele para a vida. A descida à “mansão dos mortos” é imagem da descida de Cristo às regiões sombrias de nossa existência. Descobrimos a Cristo mesmo presente na nossa própria divisão interior.
As profundezas de nossa “alma” se iluminam, e tudo quanto foi reprimido, recalcado, é tocado por Cristo e nos desperta para a vida.
“Descer” e “subir”, portanto, são imagens para descrever o processo de transformação realizado por Cristo no interior de cada um de nós. Com estas duas palavras, “descer” e “subir”, o Evangelho de João descreve o mistério da Redenção realizada por Cristo: “Ninguém subiu ao céu senão Aquele que desceu do céu, o Filho do Homem” (Jo 3, 13).
Se com Cristo quisermos subir ao Pai, temos primeiro que descer com Ele à terra, afundar os pés na nossa própria condição humana.
Em Fl 2, 6-9: São Paulo nos diz que Jesus Cristo acolheu tudo quanto é humano e desta maneira o redimiu. Em sua humanidade, Ele levou consigo para o céu todas as nossas fraquezas humanas.
Ele “subiu” ao céu porque “desceu” às profundezas da terra. E assim também nos mostrou o caminho. Não podemos subir ao céu se não estivermos dispostos a descer com Cristo ao nosso “húmus”, às nossas sombras, à condição terrena, ao inconsciente e à nossa fraqueza humana.
Nós “subimos” a Deus quando “descemos” à nossa humanidade. Este é o caminho da liberdade, este é o caminho do amor e da humildade, da mansidão e da misericórdia; é o caminho de Jesus também para nós.
O coração, a quem não é estranho nada do que é “humano”, alarga-se, enche-se do amor de Deus, que transforma todo o humano. O caminho da humildade é o caminho da transformação.
Ao fazer, junto com Jesus Cristo, o caminho da “descida”, o ser humano vai ao encontro de sua realidade e coloca-se diante de Deus para que Ele transforme em amor tudo quanto existe nele, para que ele seja totalmente perpassado pelo Espírito de Deus.
Trata-se agora da Igreja de Jesus Cristo, a qual já está praticamente com dois mil anos de idade, a exemplo dos períodos anteriores.
A história da igreja começou com Jesus Cristo quando ele ordenou aos seus discípulos que divulgassem o evangelho da graça por todo o mundo. E disse-lhes, Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. (Mc 16, 15-16).
Caro leitor amigo/a, estou escrevendo, compilando, meditando e pedindo inspiração a Deus Pai, Jesus Cristo ressuscitado e a luz do Espírito Santo, isto é: estou intercedendo por vocês leitores; para que, como tem acontecido comigo, com minha amada e querida esposa, e muitos amigos Decolores e Inacianos, com os quais tenho convivido; vocês tenham a Graça de descobrirem n’Ele o centro de sua vida. Hoje eu tenho absoluta certeza de que Jesus Cristo vai lhe conduzindo à Igreja, como os seus primeiros discípulos. Essa identificação progressiva com Ele desemboca na comunidade. Por isso, a Igreja é o lugar dos “identificados” com Cristo. Concretamente, a minha intenção, meu esforço em buscar o que escrever e como escrever, para sustentar e desenvolver no vosso coração a comunhão eclesial.


7- SIGNIFICADO DOS SÍMBOLOS E DOS ALGARISMOS
O apocalipse sempre atraiu a atenção dos cristãos, especialmente nos tempos em que várias desgraças e tentações ameaçavam perturbar a vida da comunidade e da Igreja. Entretanto, o simbolismo e os mistérios deste livro fazem-no uma obra de difícil compreensão, e assim sempre existe um risco para os intérpretes imprudentes em ultrapassar os parâmetros da verdade em direção a esperanças e crenças impossíveis. Por exemplo, a compreensão literal da obra dava e ainda dá origem ao falso ensinamento do reinado de mil anos do Reino de Cristo na terra. Os horrores das perseguições já no primeiro século, levaram alguns cristãos a interpretar o Apocalipse e concluir que estavam vivendo os “Últimos Dias” e que a segunda vinda de Cristo era iminente.
Os símbolos e algarismos permitem ao observador atento, falar da essência dos eventos terrenos em alto nível de generalização, por isso, utilizá-las fartamente. Por exemplo, os olhos simbolizam o conhecimento; e muitos olhos simbolizam o conhecimento perfeito. O chifre é o símbolo do poder, da força. Trajes longos simbolizam o clero; a coroa, o poder imperial; o branco, limpeza ou pureza; A cidade de Jerusalém, o templo, e Israel, a Igreja. Os algarismos também têm um significado simbólico: três simboliza a Trindade; quatro, o universo e a ordem universal; sete denota finalização e perfeição; doze, o povo de Deus, a fruição da Igreja(o mesmo significado tem os algarismos múltiplos de 12, como 24 e 144.000). Um terço indica pequena parte, insignificante, de um todo; três anos e meio, o período das perseguições.
Túnica representa dignidade sacerdotal. Cinto de ouro, o poder real. Olhos chamejantes, a ciência perfeita (1, 13-16). O mesmo para as cores (1, 6-8). Branco, indica vitória. Vermelho, a violência. Preto, a morte. Roxa, por sua vez, é a cor da realeza ou do ócio voluptuoso. Amarela, é a cor da vida que se esvai e do reino da morte. O número 666 especificamente será estudado mais adiante.
Os fatos do Novo Testamento são descritos, com freqüência, com base em fatos semelhantes encontrados no Velho Testamento. Por exemplo, a destruição de Jerusalém pelos Caldeus; a salvação dos que crêem, do demônio, é representada com base na salvação dos Israelitas do faraó, na época de Moisés; o poder anti-religioso corresponde a imagem da Babilônia e do Egito; a punição destas forças é representada pelas dez pragas do Egito; o demônio funde-se com a serpente que tentará Adão e Eva; as futuras bênçãos paradisíacas são representadas pelo Jardim do éden e pela árvore da vida.
Apesar de todo o simbolismo do Apocalipse, as verdades religiosas nele se encontram de modo extremamente claro. Por exemplo, o Apocalipse aponta o demônio como sendo o culpado por todas as tribulações e desgraças do gênero humano. As armas por ele usadas são sempre as mesmas: a incredulidade, a desobediência para com Deus, o orgulho, os desejos pecaminosos, as mentiras, o medo, as dúvidas, etc.
Apesar de toda sua astúcia e experiência, o demônio é incapaz de desgraçar os homens dedicados a Deus, do fundo de seus corações, pois Deus os protege pela sua graça. Já os que se afastaram de Deus, bem como os pecadores, o demônio cada vez mais os escraviza, empurrando-os a todo tipo de males e crimes. Ele os direciona contra a Igreja e com seu auxílio estabelece violências e guerras no mundo. O Apocalipse mostra claramente que, no final dos tempos, o demônio e seus seguidores serão derrotados e castigados, a verdade de Cristo triunfará e, no mundo renovado, iniciar-se-á uma vida de bênçãos, eterna.
Este livro, pois, não tem nada a ver com coisas misteriosas e ocultas, conforme muitos cristãos o definem. Pelo contrário, para nós, cristãos, fala-nos de um dia de glória, de arrebatamento, pois é neste dia que Jesus Cristo voltará para nos levar para o céu, para Nova Jerusalém, para a nossa morada definitiva, junto a Ele e ao Pai. São, pois coisas que irão acontecer no futuro e, para o cristão, representam a esperança da vinda de Jesus Cristo.
Ora, todos nós sabemos, mais ainda porque são Paulo nos diz, em Romanos 5, 5: "a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”. Portanto, pela fé, a esperança, para o cristão, é coisa certa e não está sujeita a sorte ou azar. Ela é certa, como está em Hebreus 11, 1: "ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam".
E o que nós, cristãos, esperamos no futuro? Nós não só esperamos, como ansiamos pela volta de Jesus Cristo e temos a esperança e a certeza de que isto irá acontecer, pois foi o próprio Jesus quem nos falou disso e, no livro "Apocalipse", estão narradas as visões que foram dadas a João, de como isso irá acontecer.
Mas, quando isso irá acontecer? Quando Jesus esteve conosco, Ele disse que só Deus Pai sabia acerca de data e hora desse acontecimento. Hoje Ele deve saber, também, pois está na Glória, com o Pai e Ele e o Pai são um. Se vai demorar mais um dia, um ano, cem anos ou mil anos, isto, para Deus, nada representa, pois Ele não está limitado ao tempo. Para Deus, passado, presente e futuro nada representam, pois esses conceitos de tempo se fundem em Sua eternidade. O ontem, o hoje e o amanhã se fundem no agora e Deus sempre será o mesmo, pois Ele não muda, Ele é eterno.

8 – PRÓLOGO: UMA SÍNTESE DO APOCALIPSE (AP 1, 1 - 8):
1. Revelação de Jesus Cristo, que lhe foi confiada por Deus para manifestar aos seus servos o que deve acontecer em breve. Ele, por sua vez, por intermédio de seu anjo, comunicou ao seu servo João,
2. o qual atesta, como palavra de Deus, o testemunho de Jesus Cristo e tudo o que viu.
3. Feliz o leitor e os ouvintes se observarem as coisas nela escritas, porque o tempo está próximo.
4. João às sete igrejas que estão na Ásia: a vós, graça e paz da parte daquele que é, que era e que vem da parte dos sete Espíritos que estão diante do seu trono,
5. e da parte de Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue,
6. e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém.
7. Ei-lo que vem com as nuvens. Todos os olhos o verão, mesmo aqueles que o traspassaram. Por sua causa, hão de lamentar-se todas as raças da terra. Sim. Amém.
8. Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que vem, o Dominador.
O que muito me impressiona no livro do Apocalipse é forma um todo completo, com uma introdução, um corpo e uma conclusão. Porém simultaneamente, cada parte se encontra inserida na precedente, por uma espécie de costura, por uma retomada. Tudo o que se passa nesta série é definido pelo que se passou na precedente e serve, por sua vez, de suporte à parte que se segue. Ele é todo interligado, como se fora uma aula bem estruturada, com interligações lógicas. Consultando um dicionário, notamos que a palavra "Prólogo" significa "Prefácio", "Preâmbulo". Portanto, pelo prólogo, o autor procura definir a sua obra; falar do que ele vai escrever; definir o tema do assunto. É, geralmente, um breve relato do que ele irá falar no seu livro. E é isto que notamos que João quis fazer nos oito primeiros versículos do Apocalipse, pois ali ele fala da necessidade de narrar as revelações que Jesus Cristo lhe dera, através do Anjo; atesta a Contemple a palavra em: e o testemunho de Jesus Cristo; menciona a bem-aventurança para "aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas"; faz uma saudação ás sete Igrejas da Ásia, por parte da Trindade e, especialmente, por parte de Jesus Cristo Ressuscitado; da nossa constituição em reino e sacerdotes para Deus Pai; da vinda gloriosa de Jesus Cristo e da declaração de eternidade de Jesus Cristo.
Portanto, no Prólogo, João quer nos transmitir o seguinte:
a) a visão de Jesus como o Senhor Todo-Poderoso, na Igreja;
b) a revelação de Jesus Cristo, que lhe foi dada por Deus, das coisas que acontecerão, no final dos tempos e que, segundo Ele, não devem demorar. Esta revelação foi comunicada a João através de um anjo. Essa observação, de que essas coisas acontecerão em breve, já foi motivo de comentários nosso e ali dissemos que, para Deus (e Jesus é Deus), o tempo é irrelevante, pois Ele é o Senhor do Tempo e não é limitado por ele. Portanto, que o fato irá acontecer, não temos dúvida alguma, pois foi o próprio Jesus quem o disse. Mas o quando ainda está naquele tempo que só é conhecido por Deus. O importante não é se preocupar com o tempo, mas, sim, estar, permanentemente, preparado para ele;
c) a confirmação, de João, da veracidade desta revelação, por dois motivos: porque ela foi dada pela Contemple a palavra em:, que é imutável e verdadeira; e pelo testemunho de Jesus Cristo, que veio ao mundo para falar do Reino e morrer pelos nossos pecados e que ressuscitou, gloriosamente, e voltou ao Céu, de onde há de vir para nos arrebatar e julgar os vivos e os mortos;
d) de maneira inédita, foi colocada, no Prólogo, uma bênção e, no Epílogo, uma maldição. A bênção é para os leitores obedientes e a maldição para aquele que alterar o conteúdo do livro.
e) a seguir, João faz uma saudação às sete igrejas da Ásia, que, mais à frente receberão as sete cartas. Só que esta saudação, João faz da parte da Trindade Santa, ou seja, da parte de Deus Pai, "daquele que é, que era e que há de vir", isto é, daquele Deus eterno, perene e que não está sujeito ao tempo, pois Ele é o Senhor do Tempo; da parte do Espírito Santo, isto é, "da parte dos sete Espíritos", pois o número sete representa e inteireza; a perfeição; a plenitude e sete Espíritos representam a totalidade do Espírito, portanto, equivalente ao Espírito Santo e da parte de Jesus Cristo, a “Fiel Testemunha; o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra”;
f) quando João fala de Jesus Cristo como a Fiel Testemunha, ele está a designar Cristo como o Mártir que, de fato, Ele foi, pois entregou, espontaneamente, Sua vida para o perdão dos nossos pecados, pagando o preço. Isto Ele fez para dar ao Seu Pai, o Deus Todo-Poderoso, os testemunhos completos, absolutos, irreversíveis de sua obediência. Mas, ao mesmo tempo, é o Primogênito dentre os mortos, pois Ele ressuscitou, gloriosamente, o que irá acontecer conosco só no final dos tempos;
g) a seguir, João usa três verbos (lembrem-se de que Jesus é o Verbo de Deus) para designar três atributos de Jesus, em relação a nós, cristãos, amar, libertar e constituir.
Primeiro ele diz que Jesus nos ama e é verdade, pois este amor é tão grande a ponto de oferecer Sua própria vida em remissão dos nossos pecados;
Depois, diz que fomos libertados pelo sangue de Jesus. De fato, o preço com que Jesus pagou o nosso pecado, foi a totalidade do seu sangue vertido na cruz;
E, finalmente, que fomos constituídos, por Ele, reino e sacerdotes para Deus. Reino, porque estamos ligados ao Rei. Agora, é um reino de sacrifícios e tribulação, pois, neste reino, não há oferendas de sacrifícios externos, mas, nós mesmos nos oferecemos em sacrifício;
h) ainda falando de Jesus Cristo, João fala, então, da vinda dele, da vinda definitiva para o julgamento final. Nesta hora, pois, os salvos; os que aceitaram o sacrifício de Cristo e o elegeram Senhor e Salvador, serão arrebatados por Jesus. Os que ficaram são aqueles que crucificaram a Jesus e os que endossaram este procedimento, não acreditando em Jesus. Neste momento, todos reconhecerão que Ele é, de fato, o Messias prometido; o Filho Unigênito de Deus; o Cordeiro Imolado. Mas, pode ser muito tarde e não haver mais tempo para salvação. E esse acontecimento virá para cumprir a profecia de Zacarias, 12.10, que diz: "E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; prantea-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito."
i) finalmente, João termina o Prólogo com uma declaração de Jesus acerca de quem Ele é e, nisso, nota-se uma afirmação da unidade de Deus, pois se está atribuindo a Jesus o que é sempre falado de Deus-Pai, qual seja, que Ele é o primeiro e o último; o princípio e o fim; aquele que é, que era e que há de vir; o Todo-Poderoso, em fim, a Totalidade de Tudo; o Senhor da Vida e da Morte; o imortal Rei dos reis.
Contemple este prólogo longamente, especialmente curtindo as palavras de grande amor contidas na expressão, a graça e a paz da parte de Deus e do Espírito Santo.
O homem, tendo-se tornado, pela sua queda, incapaz de vida pelo pacto de obras, o senhor designou-se fazer um segundo pacto, geralmente chamado o pacto da graça; nesse pacto ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação por meio de Jesus Cristo, exigindo deles fé nEle para que sejam salvos; e prometendo dar a todos os que estão ordenados para a vida o seu santo espírito, para dispô-los e habilitá-los a crer. A graça de Deus é a disposição de Deus de abençoar os homens, mesmo não sendo estes merecedores, é a bondade de Deus manifesta aos homens, é vida dada graciosamente ao que nEle crê.
Todos fazemos planos para o futuro. Muita gente calcula minuciosamente os passos que tomará a fim de que seus objetivos saiam como desejam. Mas o que fazer quando as coisas não ocorrem como o esperado?
Deus tem a resposta para você. Ele planejou a sua vida para que tudo desse certo, mas o pecado fez com que tudo saísse errado. E o pior, até o seu relacionamento com Deus foi prejudicado. E hoje você se sente completamente só; abandonado.
Por que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 6.23).
Embora separado de sua comunhão, Deus se propôs a dar-lhe a chance de que tanto você precisa para reatar a sua amizade com Ele. E para isto você não precisa pagar nada. É tudo de graça!
Todavia, amizades verdadeiras exigem sacrifícios. E como não tínhamos condições para satisfazer tal exigência, o próprio Deus encarregou-se de provar o quanto nos ama. Ele enviou o seu Único Filho para ser sacrificado em seu lugar.
Você é tão importante para Deus que Ele deu o seu Único Filho para morrer em seu lugar.
Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5, 8).
A paz é harmonia, plenitude, segurança de vida. A Bíblia a chama “fruto da justiça”. Santo Agostinho a define “tranqüilidade da ordem”, da ordem entre nós e Deus, entre nós e o próximo, entre uma classe social e outra, entre a razão e os instintos dentro de cada um de nós. A paz é “fruto do Espírito”. A paz, conclui a Escritura, é Cristo mesmo, “Ele é nossa paz” (Ef 2, 14). Paz é “plenitude dos bens messiânicos”, é também a soma dos bens a que todo homem, cristão ou não, aspira. O que mais o ser humano deseja é a paz.
A paz que Cristo dá, por ele mesmo é explicada, “Eu vos dou não como o mundo a dá”. Na cruz, Cristo destruiu a inimizade, não o inimigo, destruiu-a em si mesmo, não nos outros; com o seu sacrifício, não dos outros. Na cruz, Jesus é “vencedor, porque é vítima” Quantos fizeram a experiência, “A paz de Deus supera toda compreensão” (Fl 4, 7). Na vontade de Deus a nosso respeito está a nossa paz.
A paz de Jesus é paz que o mundo não pode dar e não a pode também tirar do coração do homem. É necessária conversão do coração. Converter-se à paz A verdadeira paz se faz com vitórias sobre si mesmo, não sobre os outros.
Agora meu caro irmão/ã, contemple e saboreie internamente o Ap 1, 1-8. sinta que é Jesus mesmo falando com você da parte de Deus Pai e o Santo Espírito.
Inicie com uma oração preparatória, “Senhor que todos os meus pensamentos, sentimentos e toda a minha vontade e afetividade esteja voltada para maior glória e serviço de vossa Divina Majestade”. Siga os passos do roteiro de oração colocado no início do livro.

9- A PRIMEIRA VISÃO: A GRANDE MISSÃO
João recebe a grande missão de escrever num livro toda a sua contemplação e seu arrebatamento em espírito, para enviar a toda Igreja de Jesus Cristo.
Neste capítulo vamos contemplar o início do livro de Apocalipse, quando João teve a primeira visão após ter sido arrebatado em espírito, contemple e medite Ap 1, 9-20. Siga o roteiro indicado.
9. Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
10. Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta,
11. que dizia: O que vês, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia.
12. Voltei-me para saber que voz falava comigo. Tendo-me voltado, vi sete candelabros de ouro
13. e, no meio dos candelabros, alguém semelhante ao Filho do Homem, vestindo longa túnica até os pés, cingido o peito por um cinto de ouro.
14. Tinha ele cabeça e cabelos brancos como lã cor de neve. Seus olhos eram como chamas de fogo.
15. Seus pés se pareciam ao bronze fino incandescido na fornalha. Sua voz era como o ruído de muitas águas.
16. Segurava na mão direita sete estrelas. De sua boca saía uma espada afiada, de dois gumes. O seu rosto se assemelhava ao sol, quando brilha com toda a força.
17. Ao vê-lo, caí como morto aos seus pés. Ele, porém, pôs sobre mim sua mão direita e disse: Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, e o que vive.
18. Pois estive morto, e eis-me de novo vivo pelos séculos dos séculos; tenho as chaves da morte e da região dos mortos.
19. Escreve, pois, o que viste, tanto as coisas atuais como as futuras.
20. Eis o simbolismo das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete candelabros de ouro: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros, as sete igrejas.
Muitos imaginam que João teve toda visão apocalíptica de uma só vez, porém nós observamos que houve várias contemplações independentes umas das outras. Logo neste início, está escrito que João foi arrebatado em espírito. Mais para frente está escrito que João recebeu um convite para subir ao céu e foi novamente arrebatado em espírito (Ap 4, 1-2). E houve também uma ocasião em que João se viu na terra e não no céu quando teve as visões (Ap 13, 1). Eu tenho entendido tudo como contemplações e meditações extraordinárias, que foram acontecendo com o discípulo amado, especialmente escolhido por Deus, por Jesus, sob a proteção e o acompanhamento do Espírito Santo; com um objetivo específico de que João fosse a testemunha fiel, e foi, pois ele mais do que nenhum ser humano, que esteve tão próximo do Mestre, tanto em sua vida pública, sua paixão e morte, como após sua ressurreição em suas aparições, e ai ele foi especial, pois acreditou sem ter visto! (Jo 20, 8). A ele foi dada a grande missão de dar resposta à oração de seu irmão em cristo, São Paulo, exatamente iniciando por Éfeso, que foi sua principal comunidade, onde ele iniciou sua pregação e testemunho.
Os dez primeiros versículos são uma introdução, onde João se apresenta como mensageiro da parte de Jesus Cristo, o qual revelou esta profecia a ele. Quando foi arrebatado, ouviu no céu uma voz como que de trombeta dizendo que o que ele iria ver agora deveria ser escrito e enviado às sete igrejas que estão na Ásia (Ap 1, 10-11).
Como já mencionamos anteriormente, um símbolo muito freqüente neste livro e também em toda a Bíblia. Trata-se do numero sete. O sete é usado por Deus como símbolo de plenitude divina, ou seja, tudo que Deus faz, se completa dentro de um sete. Damos alguns exemplos, Deus criou os céus e a terra em sete dias, sendo seis com trabalho e um de descanso (Gen. 2, 2-3). Deus determinou o ano sabático, ou seja, durante seis anos a terra poderia ser plantada, porém, no sétimo a terra deveria descansar (Lev. 25, 3-4). Deus também determinou o ano do jubileu, ou seja, após cada sete períodos de sete anos (49 anos), o ano seguinte seria o do jubileu quando haveria a libertação dos servos, redenção da terra e descanso das colheitas (Lev. 25, 10-15). Tudo que Deus faz, se encerra dentro de um "sete" considerando tudo completo sem nada mais para acrescentar ou completar.
Assim, estas sete igrejas estão representando todas as igrejas no mundo todo e em todas as épocas. Aquelas sete igrejas mencionadas existiam realmente na Ásia, cada uma com sua característica e representavam as outras igrejas que também existiam no mundo.
Estas sete igrejas também representam na mesma ordem, cada tipo de igreja que existiu através dos séculos desde os dias dos apóstolos até os dias de hoje. Da mesma forma, estas igrejas também representam cada pessoa de cada igreja desde Jesus até hoje.
Isto é plenitude. Na seqüência vamos encontrar os sete selos, as sete trombetas, as sete taças, e tudo com o mesmo significado simbólico de plenitude de Deus.
Apenas para exemplificar e dar melhor entendimento, dizemos que um copo de água está em sua plenitude quando está totalmente cheio de água, não cabendo nem uma gota a mais. Outro exemplo, a plenitude de uma semana é com sete dias, e não com cinco ou com oito dias, ou seja, a semana é plena, ou completa, com sete dias.
Quando João se virou para ver quem estava falando com ele, viu sete castiçais de ouro e um homem que estava no meio dos castiçais (Ap. 1, 12-13). A descrição deste homem identifica como sendo Jesus Cristo conforme os detalhes mencionados nos versículos 14 a 18.
A espada que saia de sua boca simboliza a Contemple a palavra em:. A espada é uma arma de ataque e a Contemple a palavra em: é a arma que deve ser usada contra todos os ataques das trevas. Lembrar que Jesus venceu o diabo lá no deserto apenas citando a Contemple a palavra em:: não só de pão vive o homem, mas da Contemple a palavra em: (Mt 4, 1-11).
O significado dos castiçais e das estrelas é encontrado a seguir no versículo 20. Os sete castiçais de ouro estão simbolizando as sete igrejas, que por sua vez engloba todas as igrejas do mundo em todos os tempos. Cada um de nós já aceitou a Jesus como seu Senhor e Salvador, portanto somos parte da igreja, portanto nós também estamos sendo representados por um desses castiçais.
As sete estrelas são identificadas como o anjo de cada igreja. Não se trata aqui de anjo protetor como aqueles seres angelicais que estão a serviço de Deus. O anjo neste caso também é um símbolo e é definido pela Contemple a palavra em: como sendo um mensageiro (Hb 1, 14), a estrela é usada para orientar e para guiar (Gn 1, 16; Mt 2, 2), portanto estas estrelas que são os anjos das igrejas, representam os bispos que exercem a direção, o pastoreio das igrejas.
O castiçal tinha que ser de ouro (Ex 25, 31), pois simboliza a pureza, a santidade, e especialmente a Divindade: essas comunidades que celebram a sua fé no ressuscitado são muito caras a Deus Pai. Assim cada igreja e cada um de nós devem procurar ser puros e santos. Podemos ainda contemplar um castiçal ou candelabro, que são indicativos do culto e celebração, ou como deveria ser esta peça: deveria ser de ouro batido de uma só peca, não podia ter emendas assim como nós temos que ser lapidados e não podemos ter remendos. Sendo de uma só peça nos lembra que todos nós, integrantes da igreja de Cristo, devemos ser uma unidade no corpo de Cristo. Não pode haver divisões nem brigas ou rancores entre os participantes de uma igreja (Ex 25, 36). Estes castiçais também deveriam ter sete lâmpadas e não se trata de lâmpadas elétricas, pois na época não havia eletricidade, mas de azeite que simboliza o Espírito Santo de Deus (Ex 25, 37). O azeite usado nesses castiçais também tinha que ser puro, e não podia faltar, pois as lâmpadas deveriam ser mantidas acesas continuamente (Ex 27, 20). O azeite é também um símbolo do Espírito Santo, e assim como o azeite não podia faltar nas lâmpadas, também o Espírito Santo não pode faltar na nossa vida.
Na parábola das dez virgens, onde cinco virgens imprudentes deixaram faltar o azeite em suas lâmpadas e não puderam entrar para as bodas (Mt 25, 1-13). É muito importante este símbolo do castiçal aplicado a cada um de nós como parte da igreja de Cristo.
Quando João, inspirado por Deus, usa estes símbolos, não é apenas por acaso. Assim como o castiçal era perfeito e puro, Deus quer que nós também sejamos perfeitos no amor e puros. Deus disse ao seu povo: “Sede santos porque eu sou Santo" (Lv 11, 44). Ninguém pode dizer que é impossível ser santo, porque se Deus determinou que fossemos santos, é porque podemos ser santos. Deus não daria uma ordem impossível de ser cumprida ao homem. Para Deus nada é impossível, conforme responde Jesus a seus discípulos em Mc 10, 27.
Você que está lendo estas linhas, também pode ser santo desde que obedeça a Contemple a palavra em: e a coloque em prática.
Voltando à visão dos sete castiçais, no versículo 20, Jesus é representado como sustentando o ministério de sua Igreja, estava no meio deles, simbolizado pelas sete estrelas em sua mão direita. Significando que Jesus anda no meio das igrejas, com Sua pessoal preocupação. Não se importando de que perseguições a Igreja tenha tido de enfrentar, o Senhor tem estado com os Seus sofredores santos, sustentando-os, partilhando suas provações, confirmando o que Jesus já havia dito que onde estariam dois ou três, reunidos em nome Dele, Ele também estaria ali com eles. E vimos também que as estrelas estavam à sua mão direita, significando que Jesus tem todos os lideres de cada igreja em suas mãos.
A igreja é liderada pelo seu dirigente, e este por sua vez é liderado por Jesus. É Ele o Senhor, o “internamente conhecido”, o amado e seguido, aquele que com seu chamado planta a Igreja em cada coração, filialmente configurado por seu Espírito. O amor e a obediência à Igreja é conseqüência do amor e obediência a Cristo. O cristão ama a Igreja não porque ela é perfeita, mas porque Cristo a ama, assim como ela é, e cuida dela, purificando-a e aperfeiçoando-a até levá-la à plenitude de sua santidade.
As tensões e sofrimentos dentro da Igreja nos ajudam a amar a Igreja real, e não a imagem idealizada que dela fazemos. Do mesmo modo que vibramos com o heroísmo de uns, sabemos ter paciência com a mediocridade de outros. O amor e o respeito à Igreja e seus membros, nos impede sermos superficial no tratamento de qualquer problema ou assunto que surge nela. Não podemos fazer-lhe dano. Ela é “carne de minha carne e osso de meus ossos”.
O convite a ser Igreja, não como um marco externo de referência de nossa vida e missão, mas no Espírito e desde o Espírito de Jesus Ressuscitado, isto é, em seu mistério de Mãe e Esposa, de Corpo histórico de Jesus, sua Cabeça. Por isso pertencemos a esse Corpo, o formamos todos nós. Quando se fala da Igreja, não devemos permitir que estejam falando do Papa, dos Bispos, ou do magistério, ou do clero.
Nossas contemplações são um sério convite a recuperar a verdadeira imagem e palavra mesma de “Igreja” para o qual ela é em sua integridade. Para que isso seja possível deveremos crescer em tomar responsabilidades dentro dela. O equilíbrio e serena liberdade para tratar, sem extremismos fanáticos, os problemas que agora nos colocamos. Eu sou Igreja, você é Igreja, somos irmãos em cristo. Quando nos alimentamos da eucaristia, corpo e sangue do Senhor por nós derramado; este alimento se transforma em sangue e contém o sangue de Jesus, e todos nós nos tornamos irmãos, realmente irmãos, pois irmãos do mesmo sangue, o sangue de Jesus ressuscitado. Isto é ser Igreja: irmãos que partilham do corpo e sangue do Senhor!
Continuando a primeira visão, nos versículos 13 a 16 deste primeiro capítulo, João descreve a visão que ele teve de Jesus Cristo no céu. Não nos esqueçamos que as visões são sempre simbólicas. “Virei-me e vi alguém semelhante ao “Filho do Homem”, expressão já utilizado nos evangelhos e em Daniel 7, 3. O messias, o salvador que se apresenta como o juiz e Rei universal, estava vestindo longa túnica branca até os pés, indicativo de Sacerdote, aquele que nos permite o contato com Deus Pai. com um cinto de ouro até o peito. Somente Ele é Rei, denunciando assim todos os poderes que se absolutizam, tais como o império Romano na época, denuncia-os como ídolos. Continua a descrição mostrando que Jesus é Divino e possui a eternidade, pois os cabelos eram brancos como a neve. O branco simboliza a pureza e a sabedoria dos anciãos. Seus olhos eram como chama de fogo, significando que seus olhos tudo vêem, em tudo penetram, não há segredo para Jesus.
Os pés como bronze em fogo que tudo consome, é estável e destrói tudo o que pretende se absolutizar, Jesus os reduz a cinzas; tal como tem acontecido na história da humanidade: todos os poderes que quiseram ser absolutos se reduziram a nada: é só citar Roma, Hitler, o fascismo e a CCPP Russa, a união soviética. Tudo que quer se absolutizar vira pó. O imperialismo americano que se cuide! Jesus é poderoso as comunidades (sete) não têm o que temer, apesar de viverem na terra, são estrelas, isto é, vêm de Deus (simbolizado pela voz como de muitas águas torrenciais, isto é, muito forte e possante). Apenas para fazer um comentário a respeito da voz de Jesus; sabemos que sua voz era realmente muito forte. Se lermos o texto em Mateus 15, 29-39, vamos verificar que Jesus falava ao povo à beira do mar e a uma multidão muito grande. Quem conhece o mar e a praia, sabe que é muito difícil falar com alguém ao longe na praia, pois o som se dispersa e é necessário gritar muito para se fazer ouvir.
Continuando na visão de João, Jesus também se apresentava com uma espada na boca, de dois cortes que evidentemente simbolizava a sua palavra, que julga as comunidades e especialmente a sociedade absolutista e injusta. E o seu rosto brilhava como o sol, representando a glória de Deus que estava nele e sua presença que tudo ilumina e seu olhar penetra até os mais íntimos segredos. E a reação de João ou de quem quer que se coloque seriamente diante da majestade e grandeza de Jesus de Nazaré, o rei eterno que é o primeiro e o último. É aquele que todos nós dependemos para a vida e a morte, mas Ele não depende de ninguém. É o único, é Deus, estava em Deus e será eternamente Deus.
Disse também que foi morto (foi morto na cruz), porém está vivo, portanto ele venceu a morte, não por necessidade, mas por amor e a morte não tem poder sobre ele (Ap 1, 18). Ele tem as chaves da morte e da região dos mortos. Aqui para mim é a certeza da eternidade, pois eu quero estar com Cristo para sempre. Ele é para mim a certeza da vitória, não tenho motivos para temer a morte, meu grande amigo e Senhor tem as chaves da região dos mortos, quem eu temerei! Vem Senhor Jesus! Nós e nossas comunidades cristãs estamos sempre diante dos olhos de Jesus, a quem temeremos!
No mesmo versículo ele diz que tem as chaves da morte e do inferno. Como ele venceu a morte, e o seu sacrifício foi realizado para pagar os pecados dos homens para que os homens não fossem para o inferno, fica então evidente que Jesus tem todo o controle sobre a morte e sobre o inferno. Não significa que ele manda os homens para o inferno, mas que pode livrar os homens do inferno pela fé que os homens tem nele.
Esta foi a primeira visão, contemplação de João no apocalipse. Ele entendeu que em vez de ter medo é hora de testemunhar, de escrever para as sete igrejas, para as comunidades de ontem e de hoje, para que não deixemos de resistir e profetizar as coisas presentes, Ap 1,19 e as coisas que devem acontecer depois delas, Ap 1, 19. É o que veremos no próximo capítulo. Mas antes de iniciá-lo faça uma longa contemplação do Ap 1, 9-20, compare as experiências que João fez do cristo ressuscitado com as suas experiências pessoais. Entendendo agora melhor a simbologia, mergulhe com Cristo nesta visão revelada pelo próprio Jesus.
Use o roteiro de oração proposto no capitulo II e sinta internamente a presença de Jesus na sua vida.

10- JOÃO CUMPRE A MISSÃO, ESCREVE ÀS SETE IGREJAS.
Estas cartas são um apelo para que as comunidades se convertam ao projeto, plano de Deus. Estas igrejas realmente existiram na época em que João escreveu o livro, mas as cartas foram escritas para o povo de Deus em todas as eras, especialmente para nós hoje! O agora é nosso, nós somos a igreja de hoje, as igrejas do passado já estão na eternidade, ou não! Mas o que nos importa é o hoje e o amanhã, o tempo é curto! O reino está próximo.
Cada igreja tinha uma característica que representava todas as demais igrejas daquela época em todo o mundo. Estas igrejas também representam todas as igrejas que existiram e existem desde o tempo dos apóstolos até os dias de hoje. Todas as igrejas no mundo têm características que se enquadram em uma ou mais dessas igrejas. Estas igrejas também representam cada homem ou mulher que pertence a uma igreja, pois também somos parte da igreja que é o corpo de Cristo. Portanto, tudo que for falado dessas igrejas devem se aplicar às igrejas de hoje e também a cada um de nós individualmente. Ao contemplar as cartas escritas por São João, devemos pensar bem na nossa comunidade igreja e ver em quais características ela se enquadra, em que pode melhorar, e especialmente em que eu posso mudar para ajudar a minha Igreja e comunidade seja merecedora de estar junto com Jesus na eternidade.
As sete Igrejas: Êfeso (2, 1-7), Esmirna (2, 8-11), Pérgamo (2, 12-17), Tiatira (2, 18-29), Sardes (3, 1-6), Filadélfia (3, 7-13), e Laodicéia (3, 14-22), ficavam situadas na região do sudeste da Ásia Menor, (atual Turquia). Foram fundadas pelo Apóstolo Paulo por volta dos anos 40 e 50 do primeiro século. Após seu martírio e morte, em Roma ao redor do ano 67 DC, a coordenação destas Igrejas coube ao Apóstolo São João, que se encarregou delas por um período de cerca de quarenta anos.
Um estudo cuidadoso das epístolas enviadas para as sete igrejas da Ásia Menor, leva a pensar que nelas está traçado o destino da Igreja de Cristo, começando no período Apostólico até o final dos tempos. Assim, o futuro caminho da Igreja do Novo Testamento, desta “Nova Israel”, acha-se representado, tendo por fundo fatos importantíssimos de Israel do Velho Testamento, começando pelo pecado que causou a expulsão do paraíso e o final dos tempos dos fariseus e saduceus, no período do Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo João utiliza-se de eventos do Velho Testamento na categoria de predecessores dos destinos da Igreja do Novo Testamento. Assim, nas epístolas dirigidas as sete igrejas mesclam-se alguns elementos, tais como: primeiro sempre vem a importância e o significado do nome, anjo da Igreja de.... Reforçando a afirmação que vem de Deus; em segundo vem a apresentação de Jesus com traços descritos na visão introdutória (1, 13-20), logo após vem o julgamento ou característica da cidade, começando por expressões : conheço... Ou sei onde habitas, etc; por quarto vem o elogio e/ou repreensão, depois o conselho: lembrar, arrepender ou praticar e por fim vem sempre uma promessa ou apelo geral.
Acho importante conhecermos um pouco de história destas cidades e região, antes de entrarmos diretamente na contemplação das Igrejas: em 431 D.C., em Éfeso, teve lugar o Terceiro Conselho Ecumênico. Aos poucos, a chama do cristianismo na Igreja de Êfeso foi se extinguindo conforme as previsões do Apóstolo João. Pérgamo constituía-se em centro político do ocidente da Asia Menor, onde dominava o paganismo com seus cultos pomposos divinizando os imperadores pagãos. Numa colina próxima de Pérgamo, alteava-se grandioso um monumento de sacrifícios pagãos, mencionado no Apocalipse como “o trono de Satã” (Ap 2, 13-17). Os Nicolaítas representavam os antigos críticos-agnostas. A Gnose veio a se constituir em grande tentação para a Igreja nos primeiros séculos do Cristianismo. O campo propício para o desenvolvimento das idéias Gnósticas, veio a ser a cultura do sincretismo surgido no Império de Alexandre da Macedônia, (Alexandre, o Grande) unindo o Ocidente ao Oriente. A visão religiosa do mundo oriental, com sua crença na eterna batalha entre os princípios do Bem e do Mal, do espírito e da matéria, do corpo e da alma, da Luz e das Trevas, unida ao método especulativo da filosofia grega, originou várias correntes gnósticas para as quais era característica a imagem da origem do mundo emanando do “Absoluto’’ e dos inúmeros degraus da criação, ligando o universo ao Absoluto. É evidente que com a divulgação do Cristianismo no meio helenístico, surgiu o perigo da sua interpretação na terminologia gnóstica e a mudança dos ensinamentos Cristãos, num dos sistemas religioso-filosóficos gnósticos. Jesus Cristo era para os adeptos da gnose, um dos intermediários entre o Absoluto e o universo”.
Um dos primeiros divulgadores do gnosticismo entre os cristãos foi um certo Nicolau, daí os “Nicolaítas” do Apocalipse. (Supõem-se ter sido este Nicolau que, entre outros seis homens eleitos, foi ordenado pelos Apóstolos diácono, At 6, 5). Deformando a fé Cristã, os gnósticos encorajavam a decadência moral. Desde meados do primeiro século, na Asia Menor, floresceram algumas de suas seitas. Os Apóstolos Pedro, Paulo e Judas preveniam aos cristãos para não caírem na rede destes hereges depravados. Representantes proeminentes da Gnose eram os hereges Valentim, Marcio, e Vassili, contra quem se opuseram os Apóstolos e os Santos Padres da Igreja.
As antigas seitas gnosticas já haviam desaparecido há muito, mas, o gnosticismo como mescla de diversas escolas, de várias nacionalidades filosófico-religiosas existe até os nossos dias na teosofia, cabala, maçonaria , Hinduísmo contemporâneo, ioga e vários outros cultos.
Bem caros irmãos/ãs, após estas colocações iniciais, vamos contemplar as sete Igrejas.
Primeira carta: à igreja de Éfeso (Ap 2, 1-7)
1. Ao anjo da igreja de Éfeso, escreve: Eis o que diz aquele que segura as sete estrelas na sua mão direita, aquele que anda pelo meio dos sete candelabros de ouro.
2. Conheço tuas obras, teu trabalho e tua paciência: não podes suportar os maus, puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são e os achaste mentirosos.
3. Tens perseverança, sofreste pelo meu nome e não desanimaste.
4. Mas tenho contra ti que arrefeceste o teu primeiro amor.
5. Lembra-te, pois, donde caíste. Arrepende-te e retorna às tuas primeiras obras. Senão, virei a ti e removerei o teu candelabro do seu lugar, caso não te arrependas.
6. Mas isto tens de bem: detestas as obras dos nicolaítas, como eu as detesto.
7. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor darei de comer (do fruto) da árvore da vida, que se acha no paraíso de Deus.
A Igreja de Éfeso era a de maior número de adeptos, possuindo status de Metropolitana com relação as demais igrejas da Ásia Menor. Era a comunidade de João, foi o berço de seu evangelho. Poderia ser chamada de a “ambicionada”, especialmente por estar muito bem localizado. Esta igreja se caracteriza pelo fato de ter perdido o seu primeiro amor. É a que representa a primeira igreja cristã, a comunidade “mãe”, e que conheceu mais de perto o evangelho de Jesus Cristo transmitido pelos apóstolos. Tinha qualidades, pois trabalhava bastante (v. 2, 3), zelava pela integridade da igreja (v.6), e não aceitava as doutrinas dos Nicolaitas, uma seita ligada ao gnoticismo; as antigas seitas gnosticas já haviam desaparecido há muito, mas, o gnosticismo como mescla de diversas escolas, de várias nacionalidades filosófico-religiosas existe até os nossos dias na teosofia, cabala, maçonaria , Hinduísmo contemporâneo, ioga e vários outros cultos.
Recebeu, porém uma repreensão de Jesus por ter perdido o primeiro amor (v. 4) ou seja, enfraqueceu na fé cristã. Agora Jesus faz uma advertência, ela deve ver onde caiu, se arrepender e voltar a praticar as mesma obras (v. 5), caso contrário a igreja será retirada do meio do castiçal e perderá as bênçãos prometidas por Deus (v.5). A promessa ao vencedor é que terá direito à árvore da vida no reino de Deus (v. 7). Portanto esta carta á Éfeso, fala á partir da realidade política e ideológica em que vivia a cidade, desmascarando a propaganda da idolatria e abala as pretensões dos que supõe que sua comunidade seja mais importante que as outras.
Contemple esta carta pedindo ao Espírito Santo, que agiu em João e quer estar presente em nossa vida e em nossa comunidade.
Como está o nosso amor? Você, como parte da igreja de Cristo, permanece no primeiro amor? Ou já enfraqueceu na fé? Use o roteiro do capítulo II.
Segunda carta à igreja de Esmirna (Ap 2, 8-10)
8. Ao anjo da igreja de Esmirna, escreve: Eis o que diz o Primeiro e o Último, que foi morto e retomou a vida.
9. Eu conheço a tua angústia e a tua pobreza - ainda que sejas rico - e também as difamações daqueles que se dizem judeus e não o são; são apenas uma sinagoga de Satanás.
10. Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias o demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para pôr-vos à prova. Tereis tribulações durante dez dias. Sê fiel até a morte e te darei a coroa da vida.
Esta é uma das duas únicas igrejas que não receberam repreensão de Jesus, a outra foi a igreja de Filadélfia. Seu nome é sinônimo de mirra, cheiros bons, suaves. Uma das principais causas da integridade dessa igreja foi o a acirrada perseguição que ela sofreu aproximadamente no período dos anos 100 a 316 d.C. Isso comprova o fato de que muitos precisam ser afligidos para permanecerem fiéis à Contemple a palavra em: (leia Salmo 119, 67-72). Era uma igreja rica, mas tornou-se empobrecida por causa da perseguição (v. 9). Mas era chamada: Esmirna, a fiel. Jesus diz conhecer a tribulação e indigência, é uma comunidade pobre, como muitas comunidades em nossas cidades nos dias de hoje. Jesus consola a igreja por causa da perseguição que iria sofrer por pouco tempo, e diz que ela é rica, em contraste com a indigência. Para Jesus ela é rica, pois resiste ao poder econômico que explora. Mesmo que o poder mate os que resistem, os mortos são vencedores e heróis, mas a recompensa será a coroa da vida e a vida eterna, pois Jesus esteve morto e venceu a morte, voltou à vida. (v.10-11).
Meu caro irmão/ã contemple esta carta, pedindo ao Espírito Santo que lhe mostre, nos outros a pobreza e a indigência em que vivem tantos irmãos marginalizados. Busque um “flash” do momento atual, recordando violências, injustiças, divisões e fome. Passear pelo mundo de pecado e descobrir-me colaborador dele.
Faça uma análise objetiva da realidade. PUEBLA descreve o “mundo da exclusão”, conseqüência de um “mundo sem Deus”: “Esta situação de extrema pobreza generalizada adquire, na vida real, feições concretíssimas, nas quais deveríamos reconhecer as feições sofredoras de Cristo, o Senhor que nos questiona e interpela:
- Feições de crianças golpeadas pela pobreza ainda antes de nascer.
- Feições de jovens desorientados por não encontrarem seu lugar na sociedade.
- Feições de indígenas e de afros que vivem segregados e em situações desumanas.
- Feições de camponeses que vivem sem terra, em situação de dependência.
- Feições de operários mal remunerados e que tem dificuldades de se organizar e defender os próprios direitos.
- Feições de sub-empregados e desempregados, despedidos pelas duras exigências das crises econômicas.
- Feições de marginalizados e amontoados das nossas cidades.
- Feições de anciãos, postos à margem da sociedade, que prescinde das pessoas que não produzem.
Compartilhamos com nosso povo de outras angústias que brotam da falta de respeito à sua dignidade de ser humano, “imagem e semelhança” do Criador e a seus direitos inalienáveis de filhos de Deus”.
Contemple a realidade com os olhos do Pai e com os olhos dos excluídos deste mundo. Sinta a dor do Pai e a dor dos excluídos; olhe o rosto dos feridos deste mundo; olhe o rosto do Pai.
Você permanece fiel a Jesus apesar das aflições que passa neste mundo?
Use o roteiro de oração do capítulo II.
Terceira carta à igreja de Pérgamo (Ap 2, 12-17)
12. Ao anjo da igreja de Pérgamo, escreve: Eis o que diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes.
13. Sei onde habitas: aí se acha o trono de Satanás. Mas tu te apegas firmemente ao meu nome e não renegaste a minha fé, mesmo naqueles dias em que minha fiel testemunha Antipas foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14. Todavia, tenho alguma coisa contra ti: é que tens aí sequazes da doutrina de Balaão, o qual ensinou Balac a fazer tropeçar os filhos de Israel, para levá-los a comer carne imolada aos ídolos e praticar imundícies.
15. Tens também sequazes da doutrina dos nicolaítas.
16. Arrepende-te, pois; senão virei em breve a ti e combaterei contra eles com a espada da minha boca.
17. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor darei o maná escondido e lhe entregarei uma pedra branca, na qual está escrito um nome novo que ninguém conhece, senão aquele que o receber.
Localizada em uma elevação à cerca de trezentos metros de altitude, estava fora das grandes vias de comércio, mas assim mesmo tinha importância naquela época. Havia templos famosos a várias divindades pagãs: Zeus, deusa de Roma e outros; daí o título: trono de satanás!
Esta igreja começa a misturar-se com o mundo, com a idolatria e com o paganismo e começa a cair. O paganismo começa a crescer no mundo e a igreja vive no meio desse ambiente e muitos procuram se manter fiéis (v. 13). Porém muitos outros no meio da igreja começaram a se contaminar com a idolatria introduzindo a abominação para dentro da igreja (v. 14). Outros seguiam as doutrinas dos Nicolaitas, uma seita ligada ao gnoticismo, em contraste com a igreja de Éfeso que não aceitava as doutrinas dos Nicolaitas (v. 15). Jesus adverte para que esses se arrependam, caso contrário, serão derrotados pela própria Palavra de Jesus, a espada afiada de dois cortes, que “corta” a ideologia do poder político que queria se tornar absoluto e a prática dos que aderiram ao trono de satanás. (v. 16). Dará uma pedra branca (v 17), com um nome novo: o cristão fervoroso que recebe uma renovação íntima de todo o ser. A referência á pedra branca é que havia o costume de dar uma “pedrinha branca” aos absolvidos nos tribunais, nas vitórias esportivas e como um amuleto que os protegia. Esta carta nos faz pensar nas comunidades das grandes cidades de hoje, e até nas pequenas, pois a mídia interliga todas as cidades e comunidades. Nelas está hoje o trono de satanás. Ideologias da nova era, “New Age”, da permissividade, do amor livre e dos “heróis” do big brother, das novelas. Há pessoas que vivem num nível emocional primitivo e circulam muito próximas dos seus limites. O agir delas depende, quase exclusivamente, de suas carências e necessidades. Nessa condição, a mentira e a dicotomia se desenvolvem por si mesmas, pois a mente inventa mil fugas para não enfrentar a realidade. Essas pessoas fazem o que querem, como querem e quando querem e, provavelmente, parecem aos nossos olhos como incoerentes e “imorais”, mas apenas apresentam a sua subjetividade limitada. São movidos mais pelas suas emoções primárias. Há outros que submetem o seu agir a regras comportamentais impostas e rígidas que acabam por desumanizá-los. Esses foram vencidos pela objetividade fria da realidade. Aparentemente são legalmente coerentes e “morais”, mas interior e exteriormente são prepotentes, agressivos e rígidos. Enfim, limitados, pois são movidos mais pela sua razão secundária. Também há aqueles que têm a dúvida como norma do seu ser e agir: duvidam de tudo e de todos; até de si próprios. Neles, a mentira e a verdade viraram confusão e incerteza do sujeito e do objeto limitados.
Meu caro irmão/ã, contemple esta carta pedindo ao Espírito Santo que lhe mostre como desmascarar os privilégios dos que concentram o poder em suas mãos, privando o povo de suas liberdades.
Você permanece fiel a Jesus apesar das aflições que passa neste mundo?
Jesus Cristo nos liberta para seguí-lo. Ele nos salva, nos dá a sua vida e, sempre respeitando nossa condição de homens livres, nos convida para nos associar à sua obra: a realização do Reino de Deus, a Vontade do Pai, através deste mundo marcado pela dor, pobreza e injustiça.
Neste empreendimento cada um de nós deve descobrir a sua maneira de melhor corresponder. Neste chamado feito a todos, devemos escutar a parte que nos cabe: que vou fazer de minha vida? A quem vou entregá-la? Para que vou contribuir? Nós, na nossa pobreza, fomos convidados para colaborar com Jesus na reconstrução do homem e do Mundo. Que resposta daremos?
Aqui não se trata tanto da grandeza da obra ou da importância daquilo que fazemos, mas do modo como Cristo quer a nossa colaboração: participar de sua vida, sofrimento, serviço, pobreza... Identificar-se com Ele. Desprender-nos de nossa maneira de viver, para revestir-nos da maneira de viver de Cristo.
Aceitar ouvir o chamado de Jesus é aceitar por em questão nosso estilo de vida, nossos valores, nossos projetos...
Caro amigo/a leitor, hoje convido você a fazer um exercício de escolha, você fará sua oração meditando sobre o texto que vem a seguir:
1ª PARTE:
1. Imagine-se diante de um líder reconhecido por todos como tal, por sua honestidade, visão, humanismo e qualidades pessoais. Ele propõe uma campanha de nível mundial, com um plano concreto e realista para iniciar uma renovação de toda a sociedade a nível pessoal e estrutural, com base para criar um mundo novo, mais justo e fraterno.
2. Este líder se apresenta diante de você, precedido por sua justa fama, para expor-lhe seu plano e está pedindo voluntários de diversos tipos:
- Simpatizantes - que dêem apoio moral
- Colaboradores - que dediquem parte de seu tempo
- Comprometidos - plenamente dedicados
3. Diante deste chamado, como você responderia? Como se sentiria se não respondesse positivamente?
2ª PARTE:
1. Jesus, o Filho de Deus feito homem, totalmente solidário com os homens, especialmente com os pobres e necessitados, propõe seu plano de salvação e de verdadeira libertação da humanidade com a instauração do Reino de Deus: construir uma nova realidade, na qual todos se reconheçam e se amem como irmãos.
2. Apresenta-se a cada homem e, agora, a você, para chamar-lhe e dizer-lhe: “Minha vontade é construir o Reino de Deus. Convido-lhe para que me siga. Eu estarei com você e você estará comigo em todos os momentos. Passaremos juntos, alegrias e tristezas, esperanças e dores”.
3. Os que, além de juízo e razão, tenham coração, oferecer-se-ão sem reserva, seguindo a Jesus, e colocarão suas vidas e toda a sua pessoa a serviço do Reino de Deus, dispostos a lutar contra o próprio egoísmo e contra toda a dificuldade que se apresente, e vencendo seus temores dirão a Ele: “Eterno Senhor de todas as coisas, eu faço a minha oblação com o vosso favor e ajuda, diante da vossa infinita bondade, e diante de vossa Mãe gloriosa e de todos os santos e santas da corte celestial. Eu quero e desejo e é minha determinação deliberada, contanto que seja para vosso maior serviço e louvor, imitar-vos em passar por todas as injúrias e todas as humilhações e toda a pobreza, tanto material como espiritual, se Vossa Santíssima Majestade me quiser escolher e receber em tal vida e estado!”(EE Santo Inácio de Loyola)
Quarta carta à igreja de Tiatira (Ap 2, 18-29)
18. Ao anjo da igreja de Tiatira, escreve: Eis o que diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chamas de fogo e os pés semelhantes ao fino bronze.
19. Conheço tuas obras, teu amor, tua fidelidade, tua generosidade, tua paciência e persistência; e as tuas últimas obras, que excedem as primeiras.
20. Mas tenho contra ti que permites a Jezabel, mulher que se diz profetisa, seduzir meus servos e ensinar-lhes a praticar imundícies e comer carne imolada aos ídolos.
21. Eu lhe dei tempo para arrepender-se, mas não quer arrepender-se de suas imundícies.
22. Desta vez a lançarei num leito, e com ela os cúmplices de seus adultérios para aí sofrerem muito, se não se arrependerem das suas obras.
23. Farei perecer pela peste os seus filhos, e todas as igrejas hão de saber que eu sou aquele que sonda os rins e os corações, porque darei a cada um de vós segundo as suas obras.
24. A vós, porém, e aos demais de Tiatira que não seguis esta doutrina e não conheceis (como dizem) as profundezas de Satanás, não imporei outro fardo.
25. Mas guardai o que tendes até que eu venha.
26. Então ao vencedor, ao que praticar minhas obras até o fim, dar-lhe-ei poder sobre as nações pagãs.
27. Ele as regerá com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila,
28. assim como eu mesmo recebi o poder de meu Pai; e dar-lhe-ei a Estrela da manhã.
29. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Tal como a igreja de Pérgamo, Esta cidade não se arrependeu e não se corrigiu. O pecado começou a entrar na igreja representada por Tiatira, agora mais decadente do que antes. A idolatria se misturou com a igreja. Esta igreja tinha muitas obras, mais do que antes, porém estava em pecado (v.19), é como igrejas de hoje que dão mais ênfase às boas obras do que a santificação e a fidelidade a Cristo. Normalmente quando se dá mais valor às obras, acaba por se enfraquecer espiritualmente. A igreja de Tiatira tolerava a Jezabel, o nome é simbólico, recordando a esposa do rei Acab(2Re 9, 22); a mulher que simboliza o paganismo satânico, a feitiçaria e a idolatria imunda (v. 20). Esta mulher estaria fazendo com que os cristãos aceitassem as imoralidades dos pagãos. Pela expressão sondar os rins, Jesus quer mostrar que conhece os pensamentos e o íntimo de cada um. Jesus tem dado oportunidade a essa igreja para se arrepender, mas como isso não acontece, a igreja será lançada em grande tribulação (v. 22-23). Os castigos são apresentados sob imagem de doenças graves e mortes. Porém aqueles que permanecerem fiéis até o fim irão reinar com Jesus (v.24-28). Essa promessa inclui a participação no poder de Jesus cristo, comparado a um cetro, uma vara de ferro. Promete também a “estrela da manhã”, que é Ele mesmo. Nesta carta Jesus se apresenta como um trabalhador, um operador de forja, um metalúrgico que tem os “olhos como chama de fogo e os pés como bronze em brasa” (2, 18). Certamente se apresenta desta maneira, por ser Tiatira uma cidade de trabalhadores que se organizavam em corporações de fundidores, oleiros, artesãos de ferro e bronze.
Caro leito/a a cada carta que contemplamos vai se fazendo necessário avaliar o nível do nosso amor para com o Senhor, nesta carta Jesus mesmo se promete a nós, Ele mesmo será a recompensa para quem for fiel até o fim, não podemos perder este prêmio, é a vida eterna com Jesus. Como estou respondendo ao amor de Deus, qual o meu nível de amor? Será que estamos nos preparando?
“Eu quero e desejo e é minha determinação deliberada, contanto que seja para vosso maior serviço e louvor, imitar-vos em passar por todas as injúrias e todas as humilhações e toda a pobreza, tanto material como espiritual, se Vossa Santíssima Majestade me quiser escolher e receber em tal vida e estado!” (Santo Inácio de Loiola)
Esta oração se dirige diretamente ao coração, pois se trata de ser tocado no mais íntimo, de ser irresistivelmente atraído e contagiado pelo estilo de vida de Jesus Cristo. Somente a partir do amor é que a nossa vontade poderá se manter no seu propósito. Sem o amor, a pura “força de vontade” cai. É necessário ter um profundo amor a Jesus Cristo para aceitar seu caminho, mesmo que este caminho implique a Cruz. Esta é a lógica do Amor, incompreensível aos olhos dos homens.
1º MODO DE AMAR: vejo o mundo como ele é. E a mim mesmo, desejando certas coisas. Compreendo, porém que não sou eu quem determina quais desejos me conduzem a uma vida mais autêntica, e a uma completa felicidade. Eu dependo de Deus para isso. Deus, o Senhor e Criador colocou em mim e para mim, certos valores, de forma que quando eu avalio qualquer coisa ou ato, não posso fazê-lo levando em conta somente minhas próprias normas. Deus estabelece seus valores. Eu dependo de Deus através de minha consciência. Vivo para obedecer a Deus, que se manifesta no meu espírito. Deus colocou no mais profundo do meu ser o anseio de chegar até Ele e eu decidi realizar o desejo de me entregar a Ele, acima de qualquer outro desejo e nada fazer que me afaste d’Ele. É o caminho dos mandamentos.
2º modo de amar - Brota em mim o desejo de encontrar a Deus e aumentar o meu amor por Ele. Não perco tempo “fugindo do pecado”, mas dedico meu tempo buscando a Deus. Neste estado de ânimo, sinto-me numa perfeita disponibilidade à graça, mesmo em coisas pouco importantes. Houve em mim uma mudança, escolhendo amar a Deus e não apenas lhe obedecer. Vejo como a minha vida seria inútil se, por exemplo, me entregasse totalmente a fazer algo que gosto. Bobo seria eu se dependesse de coisas materiais para a minha felicidade, pois elas não duram. Isso eu vejo e sinto, desde o fundo do meu ser. Há em mim uma disposição de aceitar qualquer coisa, pois aceito que o mundo e tudo o que ele contém é do Senhor. É o caminho da indiferença.
3º Modo De Amar - Jesus Cristo me atrai e me enche com seu amor. Chego a amá-lo até o ponto de querer ver como Ele viu, sentir como Ele sentiu, apreciar o que Ele apreciou, viver, enfim, como Ele viveu. Ele se humilhou de tal modo, que se entregou totalmente, vivendo como os pobres, fazendo com que os mais humildes e rejeitados se sentissem acolhidos ao seu lado, sempre servindo. Ele se manteve firme, mesmo quando as decisões que tomou sob a inspiração do Espírito o conduziram a um grande sofrimento e a uma morte cruel. Vejo que quero seguir seus passos em tudo isso. Conscientemente renuncio a todo desejo de ser famoso, poderoso, rico e tido por sábio. Quero viver como Jesus viveu. Eu aceito o que Deus, meu Senhor, quiser de mim. É o caminho do seguimento de Cristo.
Para ajudar a rezar:
Tríplice colóquio - Na oração de hoje faça o Tríplice Colóquio: primeiro, com a Virgem Maria, depois, com Jesus e, finalmente, com o Pai, conversando com cada um deles, pedindo-lhes que atendam sua graça.
Graça a pedir: Senhor dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.
Contemple a palavra em: - Mt 19, 16-22.
Revisão da oração - Com que forma de amar você se identificou? Por quê?
Quinta carta à igreja de Sardes (Ap 3, 1-6)
1. Ao anjo da igreja de Sardes, escreve: Eis o que diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as tuas obras: és considerado vivo, mas estás morto.
2. Sê vigilante e consolida o resto que ia morrer, pois não achei tuas obras perfeitas diante de meu Deus.
3. Lembra-te de como recebeste e ouviste a doutrina. Observa-a e arrepende-te. Se não vigiares, virei a ti como um ladrão, e não saberás a que horas te surpreenderei.
4. Todavia, tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes; andarão comigo vestidas de branco, porque o merecem.
5. O vencedor será assim revestido de vestes brancas. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, e o proclamarei diante do meu Pai e dos seus anjos.
6. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
O pecado que se infiltrou na igreja Tiatira agora chegou ao auge na Igreja de Sardes, uma das piores igrejas, uma comunidade moribunda e de pura aparência. Havia pouca fé verdadeira ainda presentes nessa igreja. Foram muitos séculos de perseguições e apostasia. Jesus começa com uma repreensão, dizendo para confirmar os que estavam para morrer. Nesse caso não se tratava de morte física, mas de morte espiritual, a igreja estava tão decadente que todos estavam morrendo espiritualmente falando, e a tendência era o desaparecimento da igreja. Por isso é que o Espírito Santo interferiu movendo um grande avivamento no meio da igreja (v. 2). Jesus continua advertindo para que se arrependa, caso contrário seriam pegos de surpresa na hora final (v. 3). Essa comunidade terá de passar por um processo de conversão com algumas etapas: reintegrar os que marginalizaram, ser vigilante, fazer memória da prática de Jesus e de seu seguimento e agir como Ele agiu.
Apesar disso, havia alguns que se mantinham dignos e fiéis a Jesus, e estes sem dúvida contribuíram para o avivamento que se seguiu logo após (v. 4). Ao vencedor foi dada a promessa de que estará com Jesus vestido com vestes brancas e principalmente, teriam a garantia de que seus nomes jamais seriam riscados, do livro da vida (v.5). Em todo o Apocalipse a cor branca é símbolo de alegria, de poder vitorioso e da glória eterna.
E você, não estaria porventura necessitando de um avivamento e conversão em sua vida?
Hoje você vai rezar para saber até que ponto está disposto a seguir Jesus Cristo. O seguimento de Jesus exige liberdade e desapego diante das coisas. Pode ser que na sua vida algo esteja lhe escravizando, interferindo na sua oferta a Deus. Pode ser medo que lhe retêm, ambição que o impulsiona, orgulho que o leva a prender outros a você...
Toda opção implica uma renúncia e, por isso, toca em algo que nos afeta. Afetados, desencadeiam-se mecanismos de defesa, auto justificação, mascarando aquilo que Deus realmente nos pede. Por isso, nessa oração você vai rezar sobre a infinita capacidade que temos de nos enganar a nós mesmos.
A oração quer ajudá-lo a tomar consciência dos seus condicionamentos e a recuperar a autêntica liberdade de optar.
Vamos iniciar Imaginando três pessoas diferentes, boas, com consciências bem formadas, devotas e de grande fé, que têm uma grande importância de dinheiro. Agrada-lhes a sensação de ter o dinheiro e estar fazendo grandes coisas com ele. No entanto, não se sentem completamente tranqüilas com o dinheiro que possuem. Parece estar contaminando suas vidas. Talvez elas gostariam de ter menos dinheiro, ou algo assim.
Então, analise cada uma das pessoas, na medida em que elas aparecem e vivem essa inquietação que sentem. Reflita para ver se você se identifica com alguma dessas três pessoas:
a) A primeira pessoa teve a coragem de identificar o apego ao dinheiro e quer verdadeiramente despojar-se dele e da inquietação. Fala muito sobre o assunto, pelo menos no princípio. Mas, não emprega os meios para mudar a situação. Quer, mas não faz nada! Anos depois quando morre, ainda rica, não fez nada a respeito.
b) A segunda pessoa continua com sua inquietação. Tenta resolver o problema por si própria. Ela não quer conservar o dinheiro e não entende porque deve desfazer-se dele. Ainda assim, não quer viver com este espírito de inquietação que não a deixa em paz com Deus. Por isso, toma algumas medidas. Sistematicamente, faz doações aos pobres, indigentes e necessitados, em sua maioria. Montou uma estratégia em que a situação continuasse igual. Põe todos os meios, menos o único que deveria ser colocado. Desta forma, pensa fazer as pazes com Deus. Se dermos isso aos pobres, Tu deverias dar-me a paz. Pensa que Deus se deixa manipular e concorde com sua estratégia. No medo de perder o que tem, fica ainda mais apegado ao pouco que lhe resta e cria um Deus na própria medida. Quando vem o momento da morte, já tem feito boas obras, mas não conseguiu a paz interior.
c) A terceira pessoa se abriu de tal modo à graça que está sempre pronta a tudo questionar. Considerou que poderia conservar o dinheiro ou também doá-lo todo. Fica assim disponível, quer para guardar, quer para deixar o dinheiro. Teve que admitir que não sabia se alguma das duas alternativas fosse resolver, de fato, o problema de sua inquietação. Por que conservá-lo? Por que doá-lo? Isto é o que fez: decidiu que não determinaria definitivamente se haveria de conservar ou doar o dinheiro. Esperaria para ver qual o significado dessa inquietação. Então, quando soubesse, agiria, conforme o Senhor o chamasse a fazer na situação concreta. Não há nenhum obstáculo entre a sua vontade e a Vontade de Deus para ela: fica com o dinheiro e só se decide a respeito depois de descoberta a Vontade de Deus no processo de discernimento. Esta pessoa decide a partir da Vontade de Deus e não a partir do apego ao dinheiro.
Reflita sobre estas três pessoas, tentando situar-se pessoalmente.
Tríplice colóquio - Termine sua oração de hoje com o Tríplice Colóquio, com Maria, Jesus e Deus Pai pedindo graça para mudar-lhe nos apegos a coisas e situações.
Graça a pedir: – Senhor peço-lhe o desapego de tudo e de todos, até da minha própria sensualidade e comodidade, para seguir-Te livremente pelos caminhos que Tu quiseres.
Contemple a palavra em: - Lc 9, 57-62
Revisão da oração - Com qual das pessoas você se identificou e por quê? Quais os sentimentos que lhe invadiram ao pedir a Deus essa Graça a pedir: da disponibilidade, despojamento, liberdade total?
Sexta carta à igreja de Filadélfia (Ap 3, 7-13)
7. Ao anjo da igreja de Filadélfia, escreve: Eis o que diz o Santo e o Verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi - que abre e ninguém pode fechar; que fecha e ninguém pode abrir.
8. Conheço as tuas obras: eu pus diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar; porque, apesar de tua fraqueza, guardaste a minha palavra e não renegaste o meu nome.
9. Eu te entrego adeptos da sinagoga de Satanás, desses que se dizem judeus, e não o são, mas mentem. Eis que os farei vir prostrar-se aos teus pés e reconhecerão que eu te amo.
10. Porque guardaste a palavra de minha paciência, também eu te guardarei da hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da terra.
11. Venho em breve. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
12. Farei do vencedor uma coluna no templo de meu Deus, de onde jamais sairá, e escreverei sobre ele o nome de meu Deus, e o nome da cidade de meu Deus, a nova Jerusalém, que desce dos céus enviada por meu Deus, assim como o meu nome novo.
13. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Esta é outra Igreja que não recebeu repreensão de Jesus, a outra foi a Igreja de Esmirna. Diante do avivamento e da obra do Espírito Santo, esta igreja, uma das melhores, representa a igreja ideal, perfeitamente fiel a Cristo e não tinha defeitos. É sinônimo de fraternidade, amor fraternal. Recebeu um elogio de Jesus porque honrou a oportunidade dada quando Deus colocou diante dela a porta aberta, a porta, pois é o amor que Jesus tem pela comunidade, esse amor se traduz em relações de amor fraterno, que são a base estável sobre a qual a comunidade construirá a nova sociedade. A porta representa também o grande avivamento dado pelo Espírito Santo e não negou o nome de Jesus diante do mundo (v. 8). Esta Igreja fiel terá oportunidade de ver os iníquos adorarem a Deus diante de si (v. 9). A maior promessa para essa igreja é que ela estaria livre da grande tribulação que irá assolar o mundo após a vinda de Jesus (v. 10).
Aos vencedores também foi dada a promessa de estarem presentes na Nova Jerusalém e seus nomes escritos no templo de Deus na eternidade (v. 12). O Cristo vem logo. Continuamente vem para nos julgar. Temos de estar atentos e vigilantes para não perdermos a recompensa que nos oferece.
Você já parou para pensar se você está incluído nessa igreja? Você tem certeza de que não irá passar pela grande tribulação? O Espírito Santo de Deus está vivo e ativo em sua vida?
Medite um pouco sobre a sua pessoa, como você se auto avalia?
1. Conceito de si: Você está satisfeito com sua atual maneira de ser e de agir? O que você gostaria de mudar? Sente-se capaz de alcançar o que deseja? Como acha que os outros o vêem? Que opiniões os têm de você? Você se preocupa muito em cuidar de sua imagem nas coisas que faz? Quais são as principais qualidades que você possui? E quais os defeitos mais graves? Como você vê e sente o seu corpo? Quais as dificuldades neste campo? Que idéias, sentimentos e aspirações você cultiva?
2. Seus ideais e aspirações: Quais as metas que gostaria de atingir nos próximos três anos? Que característica pessoal gostaria de ter? Quais os principais obstáculos que você encontra para se realizar? Se você pudesse “mudar o mundo” segundo seus gostos e tendo todos os recursos pessoais para isso, como você o faria e que papel você gostaria de desempenhar? Se você tivesse todas as qualidades intelectuais e sociais, se tivesse uma família ideal, todo o dinheiro necessário e se estivesse num país que oferecesse todas as oportunidades possíveis, quais são as três profissões que você escolheria? Por quê? (Colocá-las em ordem de importância e dar os motivos da escolha.)
Graça a pedir: Senhor, dá-me o conhecimento íntimo de Jesus que se faz homem por minha causa para que possa amá-lo e seguí-lo mais de perto.
Contemple a palavra em: - Lc 1,26-38
Revisão da oração - Qual é a interpelação mais forte que sentiu na sua oração?
Sétima carta à igreja de Laodicéia (Ap 3, 14-22)
14. Ao anjo da igreja de Laodicéia, escreve: Eis o que diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus.
15. Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!
16. Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.
17. Pois dizes: Sou rico, faço bons negócios, de nada necessito - e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu.
18. Aconselho-te que compres de mim ouro provado ao fogo, para ficares rico; roupas alvas para te vestires, a fim de que não apareça a vergonha de tua nudez; e um colírio para ungir os olhos, de modo que possas ver claro.
19. Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te.
20. Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo.
21. Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.
22. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
A sétima e última igreja aqui representada é a igreja de Laodicéia, cuja característica principal é o fato de ser uma igreja morna (v. 16). Ao meu ver são as palavras mais fortes que já senti contra uma comunidade, chega dar um certo nojo, medo, e até um certo horror pelas palavras: estou para te vomitar! É uma comparação feita em virtude de fontes de águas minerais existentes, se a água fosse quente, servia de remédio, se fosse fria, era ótima para beber, mas morna não servia para nada, dava ânsia, enjôo. Após o grande avivamento, a igreja começou a cair novamente. Esta igreja representa um tipo de igreja elitizada, que se julga ideal, com muito dinheiro, muitas obras materiais, sem aquela humildade esperada por Deus, mas sem o enchimento do Espírito Santo como ensina a palavra. Possuía tudo para revelar uma boa aparência, é considerada por Jesus como uma miserável, pobre, cega e nua. E é a única igreja que não recebeu nenhum elogio (v. 17). Jesus aconselha que se arrependa, que abra os olhos, que se encha do Espírito Santo e acumule os tesouros do céu (v. 18). O castigo para os desobedientes é que serão expulsos da presença de Jesus (v. 16), e a promessa aos vencedores é que participarão da grande ceia do Cordeiro e reinarão com Jesus (v. 20-21). Jesus é a testemunha fiel, doou sua vida e inaugurou uma nova criação. Laodicéia, ao contrário, é o oposto: infiel, não resistiu e se prostituiu. Mais uma vez, João nos aponta a felicidade verdadeira: estar com Cristo e os irmãos, participando perfeitamente da própria vida de Deus. Tudo em oposição à falsa felicidade: falsas riquezas e falso poder.
E você, não estaria porventura morno diante de Deus?
Finalizando as cartas, podemos compreender como o plano de Deus vai se realizando na vida da Igreja. Todas as cartas foram dirigidas ao anjo da igreja, ou seja, ao dirigente, o bispo e responsável oficial porque dele é a responsabilidade de conduzir o rebanho dentro da vontade de Deus, mas isso não tira a responsabilidade individual de cada cristão que deve estar constantemente sob a unção do Espírito Santo de Deus. Apesar de nossas misérias, imperfeições e o ataque do inimigo Jesus está conosco.
Em todas elas Jesus se apresenta com uma característica própria que o identifica com toda autoridade e poder.
Em todas as cartas Jesus disse, "Eu sei as tuas obras", evidenciando que Jesus conhece cada uma das igrejas e cada cristão individualmente; nada fica oculto aos olhos de Jesus.
O fator mais importante para nossos dias, é que elas representam cada igreja existente na face do mundo e representa principalmente, cada um de nós membro do corpo de Cristo.
Não encare essas lições como uma mera história da igreja cristã, faça dessas lições uma aplicação pessoal em sua vida. Em todas as cartas está escrito, "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas". Não despreze a voz do Espírito Santo em sua vida, tenha certeza de que uma das sete cartas está diretamente dirigida a você, se você não sente isso, ore pedindo orientação ao Espírito Santo e veja qual a recomendação que cabe a você.
Proponho a você irmão/ã, que medite os exercícios para verificar o nosso seguimento de Jesus, para todas as nossas faculdades mentais:
1) Para a inteligência: O que significa seguir a Jesus?
2) Para a vontade: Como estou disposto para o seguimento?
3) Para a afetividade: Como estou identificado com Jesus?
Meditações de apoio para o discernimento, para fazer opções concretas, no seguimento de Jesus Cristo. Verificar nossas reais disposições. Duas propostas:
Objetivos: teste da inteligência; dar critérios para discernir, clarificar nossas idéias, iluminar a inteligência, saber distinguir o que é de Cristo e o que é do inimigo; verificar a autenticidade de nosso seguimento – quê Cristo queremos seguir?
Tentação de manipular Cristo à nossa imagem, condescendente e indulgente com nosso egoísmo (somos tentados a ler o Evangelho a partir de nossos interesses, ideologias, maneiras de ser e viver, desfigurando a pessoa de Cristo, modelando-o ao nosso gosto); conhecimento claro dos critérios de Cristo, lucidez para perceber dois dinamismos opostos, duas estratégias diferentes, dois caminhos contrários.
Pedir: claridade e lucidez para perceber dois chamados contrários em minha vida e conhecimento para discernir quando Jesus é quem me chama e quando é o mau espírito que me engana.
Ao contemplar, imaginar-me e recordar em que mundo estou, em que país, cidade, e como em cada área de minha realidade vivo duas tendências radicais e opostas: Jesus e seu espírito me chama à liberdade e o mau espírito à opressão. Estamos num mundo de ambigüidades; sofremos pressões dos dois lados (ação do bom Espírito de Deus X ação do mau espírito: o diabo e nossas concupiscências). Saber distinguir os espíritos que lutam em mim, saber distinguir as motivações profundas de meu agir, deixando-me atrair pelo Evangelho.
1a. Parte: o caminho do possuir:
Apego a algo (“coisas”, riquezas, talentos...)
Leva ao apego a si (tenho algo, logo sou alguém = Eu com muitas coisas como fonte da felicidade e da segurança mais profunda).
Passo a preferir-me aos outros (“eu sou mais do que eles”) eu acima dos outros, como fonte de felicidade e da segurança mais profunda.
E dai, chego à honra vã, à auto-suficiência, soberba, absolutização do eu, incapacidade de um dom autêntico, de amar.
Considerar como o mau espírito chama, convoca, estimula e move todas as pessoas (em todos os lugares e continentes) e também a cada um de nós;
Considerar igualmente de que modo ele trabalha em cada um de nós: de um modo progressivo, seduzindo primeiro pelo ter dinheiro e riquezas, para seguir com prestígio e honras e finalizar com a ânsia de poder e soberba.
Considerar como o mau espírito nos lança na corrente natural de nossa sociedade, tanto pelos meios de comunicação, como pelo modo de trabalhar que têm as instituições, pela forma de se dar a valorização “normal” das coisas, etc., levando-nos a reproduzir e integrar um dinamismo de sociedade de consumo, de sociedade que busca o prestígio para proveito próprio e que acumula poder em benefício de poucos.
Considerar como o mau espírito e seu dinamismo, quer encarnar-se e predominar em nossas atitudes para atrair-nos como militantes deste sistema que vai oprimindo cada vez mais e produzindo cada vez mais excluídos.
Riqueza-honra-soberba: daqui decorre todos os outros vícios.
Riqueza: primeira e mais importante tática do inimigo; as outras vem confirmar a primeira (“a origem de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tim.6,9-l0). As riquezas exercem um fascínio sobre os homens.
Verificar nossos bens com os quais nos identificamos:
Bens materiais: comodidade, segurança, posse...
Bens sociais: prestígio, fama, ser bem quisto...
Bens corporais: aparência, imagem...
Bens de ordem psicológica, de ordem intelectual, afetivo...
Honra: a partir da busca de riqueza segue-se a busca do apreço dos outros (nos leva à vaidade, orgulho, posição social, status, estima, fama...). Relaciono-me com os outros para submetê-los a mim.
Soberba: opinião errônea de mim mesmo. Fazer crer que sou mais que os outros; auto-suficiência; desprezo dos outros; sentir-se independente de Deus. “Eu sou o centro” e não Deus...
2a. parte: o caminho da solidariedade
Primeiro passo: propõe a relativização do ter (desprendimento, desapego) e estar pronto a renúncias (pobreza). O principal para ser feliz é ser filho(a) e irmão(ã). Esta é a grande riqueza. Quanto às coisas, é capaz de abrir mão de tudo, se necessário; aberto à solidariedade. Pobreza implica respeito às coisas (elas têm um valor, carregam uma riqueza para todos).
Segundo passo: não basta ser livre em relação às coisas para ser feliz; é preciso não estar preso ao que dizem, à situação que ocupa na sociedade, ao status... É preciso liberdade interior em relação à honra, prestígio... Estando pronto a passar por humilhações, ser tido por louco, se isto for mais importante para ser mais solidário... Propõe a felicidade e a segurança profunda a partir da morte do sonho de “ostentar grandeza”.
Terceiro passo: mas não basta a liberdade interior em relação ao ter e ao prestígio. É preciso liberdade interior em relação a si mesmo. Quem ama coloca no centro a pessoa amada. Está pronto para servir. Quem chega a isto (humildade), é capaz de um Amor sem reservas, pronto para sacrificar tudo. A humildade é andar na verdade; é reconhecer Deus como Absoluto; é reconhecer a verdade de meu ser (abertura, disponibilidade a Deus...) Em hebraico, pobreza e humildade tem a mesma raiz: inclinar-se, curvar-se diante de Deus, submissão amorosa...
Pedagogia de Jesus: leva ao desapego das coisas, depois ao das honras e por último à grande abertura aos outros, com muito desejo de estar a serviço. E a partir disto, leva a todo o bem.
Considerar como Jesus chama, convoca, estimula e move todas as pessoas, em todos os lugares e momentos da história, e a cada um de nós, pedindo:
não absolutizar dinheiro-riqueza-comodidades-consumo;
não entregar a própria vida para a escalada de prestígio, honras, boa-posição;
não admitir a primazia de nenhum poder sobre as pessoas, nem o manejo das pessoas. De modo que:
diante do dinheiro, lutar para viver com simplicidade, em favor do pobre e de seus interesses, inclusive podendo implicar para alguns viver com eles e como eles;
diante da escalada de honras e influências, lutar pelos direitos e igualdade de todos, através do empenho constante, sem admitir outra honra a não ser servir aos demais;
diante da primazia do poder, lutar em favor do marginalizado e do despossuído, dos que foram despojados de sua dignidade, de sua liberdade, de sua voz, de sua participação...
considerar como Jesus – e seu dinamismo – quer viver em nós, em cada uma de nossas atitudes, de tal modo que sejamos militantes da libertação integral de todos no seu seguimento.
Textos bíblicos para contemplar: Ef. 6, 10-20; Gal 5, 13-25 ; Mt 13, 24-30; Mt 5, 1-11; Fl. 2, 5-11; Mt 4, 1-11

11- A VISÃO DO TRONO DE DEUS (Ap 4, 1-11)
1. Depois disso, tive uma visão: vi uma porta aberta no céu, e a voz que falara comigo, como uma trombeta, dizia: Sobe aqui e mostrar-te-ei o que está para acontecer depois disso.
2. Imediatamente, fui arrebatado em espírito; no céu havia um trono, e nesse trono estava sentado um Ser.
3. E quem estava sentado assemelhava-se pelo aspecto a uma pedra de jaspe e de sardônica. Um halo, semelhante à esmeralda, nimbava o trono.
4. Ao redor havia vinte e quatro tronos, e neles, sentados, vinte e quatro Anciãos vestidos de vestes brancas e com coroas de ouro na cabeça.
5. Do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante do trono ardiam sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus.
6. Havia ainda diante do trono um mar límpido como cristal. Diante do trono e ao redor, quatro Animais vivos cheios de olhos na frente e atrás.
7. O primeiro animal vivo assemelhava-se a um leão; o segundo, a um touro; o terceiro tinha um rosto como o de um homem; e o quarto era semelhante a uma águia em pleno vôo.
8. Estes Animais tinham cada um seis asas cobertas de olhos por dentro e por fora. Não cessavam de clamar dia e noite: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Dominador, o que é, o que era e o que deve voltar.
9. E cada vez que aqueles Animais rendiam glória, honra e ação de graças àquele que vive pelos séculos dos séculos,
10. os vinte e quatro Anciãos inclinavam-se profundamente diante daquele que estava no trono e prostravam-se diante daquele que vive pelos séculos dos séculos, e depunham suas coroas diante do trono, dizendo:
11. Tu és digno Senhor, nosso Deus, de receber a honra, a glória e a majestade, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade é que existem e foram criadas.
Caro amigo/a, iniciamos agora a 2º parte do Apocalipse, ou melhor, a parte central, pois até agora era uma introdução. É importante você meditar um pouco em Ap 4, 1-11 e também em um texto muito semelhante, em Dn 7, 9-14, onde Daniel tem uma visão do trono celestial. Siga o roteiro indicado no início.
São João, em êxtase, vê uma porta aberta no céu e escuta uma voz (a mesma voz de trombeta de 1.10), que lhe ordena para ali subir, com o intuito de se inteirar do que devia acontecer depois destas coisas. É o próprio Jesus que vai ser guia de João. E, então, nos diz que se achava em espírito, quando viu, armado no céu, um trono e, nele, Alguém sentado.
Ambos os profetas, João e Daniel contemplavam a mesma cena. Eles descrevem os "tronos", ou "assentos", postos em ordem ao redor do trono central, e ambos procuram descrever Aquele que ocupa o trono. Daniel diz que "os Seus vestidos eram brancos como a neve". João O apresenta como tendo a aparência de "uma pedra de jaspe", ou mais especificamente, "como um diamante". Daniel diz: "Um rio de fogo manava e saía de diante dEle."
João diz que Sua semelhança era de uma pedra sardônica, uma brilhante pedra vermelha. O branco ofuscante do jaspe ou diamante poderia perfeitamente representar Sua santidade enquanto o rio de fogo, ou o vermelho sanguíneo da pedra sardônica simbolizaria Sua justiça.
O trono que João e Daniel descreveram não é o "trono de glória”, mas sim um "trono da Graça a pedir:", onde nós podemos buscar e encontrar misericórdia e perdão dos pecados.
Podemos observar que João tentou, então, narrar o que para nós, para a nossa natureza humana, que é pequena demais, para compreender a grandeza de Deus, é inenarrável. Qualquer pessoa humana que quiser explicar a grandeza; a beleza; o poder; a glória que emana de Deus ou do Seu Trono; quando se tem um encontro com a Divindade, ela não encontra palavras adequadas, pois isso transcende a tudo o que nós conhecemos ou imaginamos ser. Estando no céu, João viu um trono e Deus assentado no trono. Como Deus não pode ser visto por ninguém, Ele se mostrou na visão como pedras preciosas.
Ao redor do trono havia também o arco celeste (Ap 4, 3), O arco-íris, além de mostrar a glória de Deus, nos lembra os pactos de Deus com a humanidade, que é o mesmo arco que Deus colocou no céu após o dilúvio quando fez aliança com Noé (Gn 9,13). Isto mostra que toda aliança que Deus faz é permanente e mostra também que no juízo que vai se seguir sobre a terra e sobre os homens, não será aplicado o mesmo juízo dos dias de Noé, ou seja, o dilúvio. Na aliança que Deus fez com Noé, Deus prometeu que nunca mais iria destruir a vida na terra com as águas do dilúvio, e o arco estava lá no "apocalipse" para que todos se lembrassem dessa promessa.
Também vemos que estes vinte e quatro anciãos do Apocalipse estão ressuscitados, sentados em tronos, coroados, vestidos de branco, esses anciãos, possuem coroas de ouro na cabeça, roupas brancas. Portanto são todos os que assumiram o projeto e a vontade de Deus em suas vidas. O número não indica quantidade, mas perfeição, soma de 12 mais doze, que indica perfeição. São os que como São Paulo nos fala: “ganhei a coroa da justiça”. São os redimidos da terra. Pecadores como nós, mas salvos pela Graça de Deus, é a Igreja triunfante que aparece com Cristo em seu ministério sacerdotal. Nós somos a Igreja militante. Lutamos no nosso dia, seguindo a Cristo, de mãos dadas com nossos irmãos, iluminados pelo Espírito Santo.
Portanto os anciãos participam com Deus do governo da história da salvação. Deus governa a história com força e poder indicada pelos relâmpagos, trovões e vozes. Elementos que sempre representaram Deus agindo na história. Bem como as sete lâmpadas acesas que indicam o Espírito santo, que dá vida à Igreja. Sete é figura de totalidade e perfeição.
Os quatros seres vivos estão de pé, sempre prontos a render serviço a Deus em qualquer das quatro direções (norte; sul; leste e oeste). Quanto à semelhança deles com o leão, o novilho, o homem e a águia, representa o que de melhor existe na criação: a força; a habilidade; a inteligência e a ligeireza; são portanto as forças do Espírito de deus presentes no mundo e na vida das comunidades.
À semelhança com o Leão; o Novilho: o Homem e a Águia:- somos convidados, em nossa espiritualidade, a ter a força do leão, vivendo com santa agressividade, mas sem estupidez. A se oferecer em sacrifício vivo ao Cordeiro, mas em plenitude de consciência e voluntariedade. Somos também, convidados a viver com a inteligência do homem, que oferece a Deus lucidezes inteligentes, sábias e articuladas. E, por último, somos convidados a praticar a objetividade do vôo da águia, que mira a presa e corre atrás dela.
Esses seres nos ensinam a termos uma espiritualidade comprometida com a santidade, o poder de Deus e a esperança da volta de Jesus. Eles proclamam o primeiro hino de louvor do Apocalipse: Santo, Santo, Santo é o Senhor(4, 8). E os 24 anciãos participam ativamente desta celebração, ajoelham-se e tiram a coroa da cabeça. Os seres viventes louvam a Deus por sua natureza eterna: "que era, que é e que há de vir", e os anciãos O louvam pela glória do que ele criou: “porque todas as coisas tu criaste, ... -"
Contemple agora, em Ap 4, 1-11, conhecedor da simbologia empregada por São João, pedindo a Graça de sentir a presença da Corte Celestial em sua vida, olhando para você todos os momentos de sua existência.
Para refletir: está chegando o dia em que tudo será acertado. Quando estivermos diante da Suprema Corte celestial, não haverá hábeas corpus, testemunhas, corrupção, fraude ou um time de advogados de primeira. Na corte de nosso Pai celestial só existe verdade e santidade. Ali, o Senhor será a defesa e a rocha de refúgio para o justo, trará sobre os iníquos a sua própria maldade, destruindo-os por causa de sua iniqüidade. Ele será seu defensor e refúgio? Ou os exterminará? Encontre descanso para as adversidades.
Bem caro amigo/a, quando nos deparamos com problemas e conflitos em nossa vida, desejamos tomar o controle e fazer com que as coisas aconteçam ao nosso modo. Mas precisamos perceber que a justiça pertence ao Senhor. Ele é o “juiz da terra” que dará “o pago aos soberbos”. No nosso dia a dia vemos que ímpio prospera, e o que blasfema se orgulha.“Proferem impiedades e falam coisas duras; vangloriam-se os que praticam a iniqüidade” (Sl 94, 4). Com freqüência, vemos estes personagens no noticiário da noite. Durante as paradas gays, vemos homens e mulheres sem qualquer vergonha dizendo que o seu estilo de vida pervertido é maravilhoso. Eles rejeitam o que Deus tem a dizer sobre isso (ver Rm 1, 24-28).
Aqueles que defendem o aborto clamam que o direito de uma mulher é maior que a vida de um “conjunto de células indesejado”. Desprezam o que Deus diz sobre a vida no ventre (Is 44, 2). Quando o nosso sistema de justiça parece abandonar todos os padrões de moralidade, a quem mais o cristão poderá apelar?
Apele à suprema Corte Celestial: “Bem-aventurado o homem, Senhor, a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei, para lhe dares descanso dos dias maus, até que se abra a cova para o ímpio. Quem se levantará a meu favor, contra os perversos? Quem estará comigo contra os que praticam a iniqüidade?” (Sl 94, 12. 13. 16). A pessoa que passa o seu tempo contemplando a palavra, orando e adorando pode esperar a ajuda de Deus. Ele responde às orações, e quando levamos nossas ansiedades e problemas a ele, recebemos o seu conforto. Ele pode, literalmente, mover céus e terra. Contudo, Deus não responderá uma oração até que nós a façamos. Quando nos depararmos com coisas impossíveis, precisamos apelar para Suprema Corte dos céus.
O sistema judiciário de nosso país é, muitas vezes, injusto. Entre tantos advogados gananciosos e juizes que não julgam, a justiça quase não é vista. Um criminoso, que atinja a cabeça de alguém com um cano estará solto, na rua, antes que o ferido saia do hospital. Crianças sofrem. Mulheres sofrem. Pobres sofrem. Tudo porque os fundamentos da retidão estão se desintegrando.
Mas está chegando o dia em que tudo será acertado. Quando estivermos diante da Suprema Corte celestial, não haverá hábeas corpus, testemunhas, corrupção, fraude ou um time de advogados de primeira. Na corte de nosso Pai celestial só existe verdade e santidade. Ali, o Senhor será a defesa e a rocha de refúgio para o justo, trará sobre os iníquos a sua própria maldade, julgando-os por causa de sua iniqüidade. Ele será nosso defensor e refúgio.

12- VISÃO DOS SETE SELOS (Ap 5, 1 – 8, 1)
João passa, então, a ter visões seqüenciais, ou seja: viu, na mão direita de Deus Pai, um livro, escrito por dentro e por fora, um pergaminho, ou papiro enrolado, totalmente selado com sete selos; escrito por dentro e por fora. Pois, o seu conteúdo deveria permanecer em segredo. Um grande segredo, que será conhecido, se houver alguém suficientemente poderoso para abri-lo. Viu, também, um anjo forte que, em altos brados, inquiria se havia alguém digno de abrir o livro. João chorava muito, pois não se estava achando quem tinha direito de abrir o livro, nem no céu, nem na terra e nem debaixo da terra. Ás vezes nos encontramos assim diante de acontecimentos, calamidades, ficamos sem alguém que nos ajude a entender os planos, a vontade de Deus. Entramos em desolação, em desespero. Mas, existe sempre uma saída: assim como no apocalipse, o Cristo é a solução Ele é digno de nos revelar a resposta!
Então, um dos anciãos lhe disse para parar de chorar, pois o Leão da Tribo de Judá, a Raiz de Davi, havia vencido para abrir os sete selos e o livro.
Jesus Cristo, aos quarenta dias depois da Ressurreição, tendo instruído os Apóstolos sobre a nobilíssima Missão de estabelecer o Reino de Deus no Mundo, Jesus subiu ao Céu, onde o esperavam a gloria celeste. Deu a benção à sua querida Mãe, aos Apóstolos e discípulos e se despediu deles. Uma nuvem O ocultou de seus olhos. Acompanharam-no inumeráveis almas, primeiros frutos de sua Redenção, que Ele retirou do Limbo. As hierarquias Angélicas vieram ao encontro do Salvador do Mundo. Ao situar-se junto ao Pai, toda a Corte celestial entoou um hino glorioso de louvor, como ouviu João em suas visões: "Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a glória, e honra e o louvor" (Ap 5, 12).
Jesus entrou nos Céus para tomar posse de sua glória. Enquanto estava na terra, gozava sempre da visão de Deus; mas somente na Transfiguração, manifestou a glória de Sua Humanidade Sacratíssima, que, pela Ascensão, colocou-se ao lado do Pai celestial.
Na noite anterior à sua morte, Jesus rezou ao Pai dizendo: "Glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer. Agora me glorifica tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse."(Jo 17, 4).
Por estar unida ao Verbo Divino, a Humanidade de Jesus, que é a segunda pessoa da Santíssima Trindade, desfruta do direito da glória eterna. Compartilha com o Pai a infinita felicidade e poder de Deus. Justa recompensa por tudo o que fez e mereceu na Terra. Humanidade elevada aos céus acima de toda criatura, porque na terra se humilhou. Quando terminar nossa luta nesta vida, Jesus nos dará a Graça a pedir: de compartilhar eternamente o gozo de sua vitória.
João teve a visão do Cordeiro como tendo sido morto, de pé, no meio do Trono e dos quatros seres viventes e entre os anciãos. Este Cordeiro tinha sete chifres e sete olhos: que indicam todo poder do Pai, Ele é o filho de Deus. Porque sabe e conhece tudo. Sete olhos: o Espírito Santo que tudo vê e tudo conhece. Sete chifres: plenitude de força e poder.
Por tudo isso Ele pode abrir o livro: este Cordeiro veio, pois, e tomou o livro da mão direita de Deus e, no mesmo momento; os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos se prostram, diante do Cordeiro, entoando-lhe um novo cântico de adoração, tendo, cada um deles, uma harpa e taças de ouro, cheias de incenso, que são as orações dos santos.
Nesse instante, João tem outra visão: ele vê e ouve uma voz de milhões de milhões e milhares de milhares de anjos, que estavam postados ao redor do Trono, dos seres viventes e dos anciãos e igualmente louvavam e adoravam o Cordeiro; E, para completar esse belíssimo quadro, João ouve o louvor de toda a criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar e tudo o que neles há; e os quatro seres viventes respondiam: Amém; e os anciãos prostravam-se e adoravam o Cordeiro.
Contemple agora em Ap 5, 1-14:
1. Eu vi também, na mão direita do que estava assentado no trono, um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.
2. Vi então um anjo vigoroso, que clamava em alta voz: Quem é digno de abrir o livro e desatar os seus selos?
3. Mas ninguém, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro ou examiná-lo.
4. Eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro e examiná-lo.
5. Então um dos Anciãos me falou: Não chores! O Leão da tribo de Judá, o descendente de Davi achou meio de abrir o livro e os sete selos.
6. Eu vi no meio do trono, dos quatro Animais e no meio dos Anciãos um Cordeiro de pé, como que imolado. Tinha ele sete chifres e sete olhos (que são os sete Espíritos de Deus, enviados por toda a terra).
7. Veio e recebeu o livro da mão direita do que se assentava no trono.
8. Quando recebeu o livro, os quatro Animais e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos santos).
9. Cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça;
10. e deles fizeste para nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a terra.
11. Na minha visão ouvi também, ao redor do trono, dos Animais e dos Anciãos, a voz de muitos anjos, em número de miríades de miríades e de milhares de milhares,
12. bradando em alta voz: Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a glória, a honra e o louvor.
13. E todas as criaturas que estão no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo que contêm, eu as ouvi clamar: Àquele que se assenta no trono e ao Cordeiro, louvor, honra, glória e poder pelos séculos dos séculos.
14. E os quatro Animais diziam: Amém! Os Anciãos prostravam-se e adoravam.
Contemplando caro amigo/a, esta cena e este momento, não existem palavras para tal. Podemos, quando muito, fechar nossos olhos e imaginarmos o quadro; imaginarmos a grandiosidade e a beleza do momento, mas, mesmo assim, não temos condições de aquilatar o que João sentiu. Se na primeira visão que ele teve de Jesus (Ap 1, 17), ele caiu aos pés dele, como se morto estivesse, aqui ele deve ter ficado como que petrificado, extasiado, abobalhado e mais algumas coisas equivalentes.
Bem caro amigo/a, com certeza nessa contemplação poderemos olhar tranqüilamente para o nosso presente e futuro. Mesmo ultrapassando longamente a nossa compreensão, a morte de Cristo, na cruz, foi uma vitória sobre os inimigos do povo de Deus. Satanás será derrotado definitivamente só quando for lançado no lago de fogo, depois da volta de Cristo, mas Cristo já derrotou os poderes de Satanás em sua encarnação, morte e ressurreição.
Mesmo não compreendendo perfeitamente os acontecimentos de nossas vidas, mesmo que nos pareçam obscuros os caminhos de Deus, poderemos manter nossa esperança. Pois a vitória final será de Cristo! Daqui para frente, nós obteremos a certeza de que, se tivermos Jesus cristo como nosso sustentáculo, nosso apoio e seguimento: teremos a vitória final!

13- JESUS CRISTO, O CORDEIRO ABRE OS SELOS (Ap 6)
1. Depois, vi o Cordeiro abrir o primeiro selo e ouvi um dos quatro Animais clamar com voz de trovão: Vem!
2. Vi aparecer então um cavalo branco. O seu cavaleiro tinha um arco; foi-lhe dada uma coroa e ele partiu como vencedor para tornar a vencer.
3. Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo animal clamar: Vem!
4. Partiu então outro cavalo, vermelho. Ao que o montava foi dado tirar a paz da terra, de modo que os homens se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
5. Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro animal clamar: Vem! E vi aparecer um cavalo preto. Seu cavaleiro tinha uma balança na mão.
6. Ouvi então como que uma voz clamar no meio dos quatro Animais: Uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário; mas não danifiques o azeite e o vinho!
7. Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que clamava: Vem!
8. E vi aparecer um cavalo esverdeado. Seu cavaleiro tinha por nome Morte; e a região dos mortos o seguia. Foi-lhe dado poder sobre a quarta parte da terra, para matar pela espada, pela fome, pela peste e pelas feras.
9. Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários.
10. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?
11. Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.
Estes selos, que serão abertos por Cristo, simbolizam tempos de tribulação e perseguição. Eles são abertos, por Jesus Cristo, após pegar o livro da mão direita de Deus e cada um deles tem um simbolismo próprio. Os primeiros quatro selos têm o simbolismo dos cavalos e de seus cavaleiros. Também Zacarias teve essa visão dos cavalos (Zc 1, 8-11 e 6, 1-8). Nas Escrituras, normalmente, o cavalo simboliza forças positivas e negativas: terror, guerra e conquista. Do mau ou do bom espírito. Isso é: se faz o bem, normalmente são boas, e ao contrário, se fazem o mal, são más.
Na abertura dos quatro primeiros selos, segue um esquema padronizado, ou seja, Jesus abre o selo; João escuta uma voz de comando de um dos seres vivos, como de trovão, que introduz um cavaleiro. Ordena ao cavaleiro: "vem!" O cavaleiro, então surge com um instrumento na mão e com uma missão, ou incumbência:
Primeiro selo: o Cavalo Branco: Jesus recebeu todo o poder e está sentado à direita de Deus Pai para tornar-se o Senhor da história. Da visão do Trono no capítulo 4, nós passamos a olhar o Cordeiro com o livro lacrado no capítulo 5. Agora no capítulo 6, ao apresentar o Cordeiro abrindo os selos do livro, João descreve o desenrolar do julgamento de Deus e nos ajuda a perceber o rumo da história.
A abertura dos primeiros quatro selos é provocada, cada vez, pelo grito de um dos quatro seres viventes. Grito forte: Vem! Ele evoca a palavra criadora. Deus gritou: "Haja Luz", e a luz veio, começou a existir. Aqui o grito Vem revela a desintegração da antiga criação! Após cada grito aparece um cavalo colorido, trazendo pragas, guerras, revoluções, fome, morte.
Como já mencionamos acima, cavalo costuma ser sinal do poder opressor que vem correndo e arrasa como um tanque de guerra, passa por cima de tudo. O mal trazido pelos quatro cavalos representa os grandes medos do povo daquele tempo e de hoje: ganância, invasões e passagem de exércitos inimigos; guerras e matanças; fome e carestia; doenças, peste e morte. Esses acontecimentos estavam e estão muito presentes na realidade das comunidades daquele tempo e nas comunidades de hoje.
Primeiro selo: Cavalo branco: Invasões e passagem de exércitos inimigos. O cavaleiro com o arco é uma provável alusão aos Partos, usavam o arco e criavam cavalos brancos. Eram chamados de “feras”. Um povo ganancioso que ameaçava a segurança da fronteira oriental do Império Romano. A ganância é totalmente negativa. A ganância é um dos maiores fatores de fracasso na vida pessoal e profissional. A pessoa gananciosa é aquela que não vê limites para ganhar o que deseja. Ela não tem nenhuma ética, nenhuma consideração de respeito às demais pessoas. Para o ganancioso, os fins justificam os meios.
Vejo, com tristeza, pessoas e empresas que ultrapassam os limites da ambição passando rapidamente para a ganância. Nada mais justo do que o profissional e a empresa desejarem ardentemente vencer. E nada mais justo do que lutar, com todas as armas, para vencer essa luta. Mas no momento em que essa luta se transforma numa “guerra suja”, antiética e sem limites passou-se da ambição para a ganância. E aí a aparente vitória no curto prazo, com certeza, transformar-se-á numa terrível derrota. Pois a ganância nunca fez vencedores no longo prazo. Só derrotados. O primeiro cavalo, portanto representa a ganância presente na história do mundo.
Segundo selo: Cavalo vermelho: derrama sangue pela espada. O cavaleiro com a enorme espada, tira a paz da terra, e faz com que as pessoas se matem entre si. Alusão a paz romana: paz imposta pela violência, dominadora, impositiva politicamente: ganância do poder. Ainda hoje vemos paises que se impõe pelo poder, em nome de uma falsa “paz”, mas que só atende a seus interesses gananciosos. Tanto violência quanto paz são formas de solucionar conflitos, são invenções humanas que vêm sendo desenvolvidas ao longo da história da nossa civilização. Infelizmente vivemos numa sociedade culturalmente violenta.
A sociedade ocidental e capitalista cultiva a competição, o consumismo, o individualismo e justifica o uso da guerra como um meio de atingir a paz, compreendida, nesse caso, como passividade e ausência total de conflitos.
Nossos desenvolvimentos emocionais, intelectuais e físicos dependem de uma série de fatores do contexto onde estamos inseridos. Nossas escolhas, nossas reações ao longo de nossa vida são diretamente influenciadas pelas aprendizagens que construímos. Assim, vivendo numa sociedade onde a violência é justificada como único meio capaz de instituir a justiça e a liberdade, naturalmente, numa situação de conflito, iremos sempre buscar a solução aprendida como a mais eficaz, em nosso caso, a violência.
É-nos ensinado, das mais diversas formas, a viver a violência como algo natural. Basta observar os filmes de sucesso, os nomes das ruas mais importantes, nossos principais heróis, para visualizar a cultura bélica em que estamos mergulhados. Existem dessa maneira duas formas de violência: aquela proibida e condenada por todos, como assaltos, agressões físicas, assassinatos, e aquela permitida e considerada necessária, como as soluções através da "força justa", tal como as guerras que também geram assaltos, agressões físicas e, acima de tudo, muitas mortes.
Devemos buscar um novo método: a paz: Colocando a violência como algo cultivado, podemos afirmar, portanto, que ela não é algo natural, não faz parte da natureza humana e é um instrumento aprendido culturalmente para solucionar conflitos. Assim, se aprendemos ao longo de nossa existência a resolver as desavenças através da agressão, direta ou indireta, se aprendemos a destruir o outro, somos também capazes de aprender e construir uma nova maneira de enfrentar os conflitos, visto que paz e violência não são entes, não nascem do nada, não são fenômenos independentes de nossa vontade, são invenções humanas. Aqui entra a Educação para a Paz como peça chave na luta contra a violência.
Nessa tomada de consciência de que a violência é um método de resolução de conflitos que vem sendo desenvolvido ao longo de nossa história humana, podemos, então, desenvolver e fortificar a paz como método, superando a violência. Entretanto, educar para a paz não significa domesticar, submeter-se nem mesmo eliminar os conflitos existentes tanto na escola quanto na sociedade como um todo. Tal educação está fundamentada num conceito de paz contrário ao de estado de espírito de tranqüilidade, harmonia, calma e Inexistência de problemas e conflitos, cultivado pela sociedade ocidental. A paz que aprendemos, além de ser extremante egoísta, pois não enxerga o outro, é impossível de ser colocada em prática, visto que os conflitos fazem parte da diversidade humana, e a insatisfação e o desequilíbrio, levam-nos a evoluir e reconstruir nossas imperfeições.
Sob essa nova perspectiva, a paz não é um estado de espírito de harmonia passiva, sendo compreendida como movimento, ação, instrumento político em direção a relações de igualdade e de justiça, que sonha e planeja um mundo melhor de paz e de justiça social para todos, através da resolução não-violenta de conflitos.
Terceiro selo: Cavalo preto: O povo estava sendo explorado, assim como hoje: um salário de miséria. O povo passa fome. Um operário tinha que trabalhar um dia inteiro para poder juntar um pouco de trigo. o custo de vida estava ficando insuportável. Sempre que há dificuldades, escassez de alimentos, os pobres sofrem mais. Mas para os poderosos o óleo e o vinho era de suma importância, não poderia ser danificado. Era o supérfluo das camadas ricas. Só produziam óleo e vinho. As plantações de trigo, cevada e outros gêneros de primeira necessidade quase não existiam mais. O povo passava fome e os poderosos se fartavam de bens supérfluos.
Quarto selo: cavalo esverdeado, cor de cadáver, uma alusão as epidemias e mortandades ocorridas durante o cerco da cidade de Jerusalém pelos exércitos romanos. Além da fome, pois o povo não tem o que comer existe a morte violenta e prematura.
Portanto, caros amigos/as os selos são uma ajuda para o povo das comunidades descobrir, dentro dos fatos, os sinais que apontam para a vitória final. Pelo fato de apresentar a história como uma resposta ao grito: Vem! João liga os acontecimentos com o nome de Deus: Aquele que Era, que É e que Virá (Ap 4, 8). Todos os sinais devem ser vistos como sinal da vinda de Deus.
Como explicar a violência e as matanças que aparecem nesses quatro selos? Será que Deus quer a violência? Não! É o contrário. Os que se beneficiam da desordem estabelecida pelo Império Romano, estes não entregam sem briga os seus privilégios. Eles resistem contra a vinda de Deus que quer criar um mundo novo. Por isso, são eles que provocam as matanças e as violências. Chegamos à conclusão de que a vinda de Deus é um julgamento: faz aparecer a violência dos que não querem saber de Deus.
Na abertura do quinto selo, não há o grito Vem!. Também não aparece nenhum cavalo colorido, mas ouve-se o grito angustiado dos mártires. Na abertura deste selo, toda aquela visão de João diz respeito à oração dos mártires, daquelas pessoas que foram mortas porque perseveraram na fé em Deus. A princípio, parece haver uma contradição, pois Cristo nos mandou perdoar aos nossos inimigos e estes mártires parecem estar a pedir vingança por suas mortes, mas, realmente, não é isso que está acontecendo, mas, sim, que o mundo, em os matando por causa da Contemple a palavra em:, escarneceu de sua Divindade, fez pouco caso do Deus Todo-Poderoso e, por isso é que merecem castigo. As vestiduras brancas que lhes foram dadas simbolizam retidão, santidade e alegria e lhes foi garantido que suas orações serão atendidas, mas no momento próprio.
A resposta de Deus é: "Esperar mais um pouco de tempo" (Ap 6, 11). A perseguição tem um prazo para terminar. Já estamos no quinto selo. Falta o sexto que vai demorar ainda um pouco e depois o sétimo, que será o fim. Enquanto esperam eles já recebem a veste branca, que simboliza a vida nova que eles já alcançaram, já estão com Jesus ressuscitado, na eternidade. A aparente derrota dos que foram mortos se mostrará como vitória no final. Até o final, mais gente vai morrer por causa da Palavra. É que os seguidores de Jesus não temem doar a sua vida pelo irmão.
Chegou o dia da ira: "Não tenham medo" (Ap 6, 12-17)
12. Depois vi o Cordeiro abrir o sexto selo; e sobreveio então um grande terremoto. O sol se escureceu como um tecido de crina, a lua tornou-se toda vermelha como sangue
13. e as estrelas do céu caíram na terra, como frutos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania.
14. O céu desapareceu como um pedaço de papiro que se enrola e todos os montes e ilhas foram tirados dos seus lugares.
15. Então os reis da terra, os grandes, os chefes, os ricos, os poderosos, todos, tanto escravos como livres, esconderam-se nas cavernas e grutas das montanhas.
16. E diziam às montanhas e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro,
17. porque chegou o Grande Dia da sua ira, e quem poderá subsistir?
Esse texto é pequeno, mas devemos prestar-lhe muita atenção. Aqui nós vamos contemplar aqueles pontos do Apocalipse que mais metem medo nas pessoas: terremoto, sinais na lua, sinais no sol, o dia da ira de Deus. Hoje tem muita gente que liga tudo isso com o fim do mundo, pois dizem: "As mudanças no clima, os terremotos, a poluição, as calamidades, as epidemias, a diminuição da camada de ozônio, a aparição do cometa, tudo isso é sinal de que o fim do mundo está chegando”.
Contemple o Ap 6, 12-17, e sinta que o Cordeiro abre o sexto selo e João presencia o começo do fim. Não o fim do mundo, mas o fim de um mundo. Reflita:
- Quais são, uma depois da outra, as várias partes da visão do sexto selo?
- Qual é o mundo que acaba? Quem fica com medo? Porque eles estão com medo? Quem não precisa ter medo? Por que?
- Nos capítulos 4 e 5 foram dados diversos motivos para que as comunidades não tivessem medo. Que motivos são esses?
Abre-se o sexto selo. O panorama mudou. O que acontece é a desintegração total do mundo cá de baixo: sobreveio grande terremoto, com as seguintes conseqüências: o sol se tornou negro, como saco de crina; a lua toda, como sangue; as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes; o céu se recolheu como pergaminho quando se enrola; todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar; toda a criatura humana se escondeu nas cavernas e nos penhascos e pediam aos montes e aos rochedos para cair sobre eles e os escondessem da face de Deus e da ira de Jesus. Todas estas imagens simbolizam a desestabilização e a destruição deste mundo injusto, criado e mantido pelos que tinham seus privilégios. O dia da ira de Deus chegou. Dia terrível para aqueles que querem manter esse mundo de injustiça.
Contemplando Ap 6, 15-17, você pode ver e sentir a vitória do Cordeiro. Os que no quinto selo dominavam e perseguiam as comunidades, agora fogem apavorados. Eles são enumerados em sete categorias: reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos, os escravos e os livres. Estão representados todos os que se comprometeram com a sociedade injusta que provoca martírio. Diante da calamidade, quem tem cabeça de dominador, de aproveitador, seja escravo, ou seja, livre, seja rico, ou seja, pobre, todos eles percebem que o seu mundo desabou. Todos eles que pensavam comprar, manipular tudo com seu poder, todos eles são atingidos pelo julgamento. Por isso, perdem o sentido de sua existência e querem se esconder da face do Cordeiro.
Portanto, caro amigo/a Deus responde ao clamor dos que gritavam por justiça, os mártires, com o julgamento, o dia da ira, o grande dia, o dia de Javé; este tema estará presente no apocalipse todo daqui para frente. E a pergunta que assusta a todos: quem poderá ser declarado inocente? Quem poderá ficar de pé? Bem, as comunidades as quais o Apocalipse estava sendo dirigido, não tinham a certeza de estarem totalmente comprometidas. E nós, cada um de nós e cada uma de nossas comunidades de hoje, estamos realmente comprometidos com a justiça?
O capítulo sete vai de encontro a estas questões e procura devolver a esperança e mostrar que em todos os tempos, passado, presente e futuro, muitos resistiram, estão resistindo e resistirão com profecias, para garantir a vitória da justiça e da vida, sobre a injustiça e a morte. No jogo da história não existe arquibancada para assistir o espetáculo de fora. Todos estamos dentro do campo, jogando a favor ou contra do Plano de Deus. Não é possível neutralidade. Para quem sabe ler os acontecimentos, é dentro dessa luta que se realiza a vinda de Deus. Mas a luta entre o bem e o mal não deve ser entendida como se de um lado só houvesse gente boa e do outro lado só gente que não presta. Essa maneira extremista de ler a história só produz fanatismo e condenação mútua. Na verdade, o bem e o mal, a vida e a morte, as sementes da vida e as de morte estão misturadas dentro de nós, dentro das instituições, dentro de tudo que criamos e realizamos.

14- A VISÃO DOS SELADOS E DOS GLORIFICADOS (Ap 7)
1. Depois disso, vi quatro Anjos que se conservavam em pé nos quatro cantos da terra, detendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, sobre o mar ou sobre árvore alguma.
2. Vi ainda outro anjo subir do oriente; trazia o selo de Deus vivo, e pôs-se a clamar com voz retumbante aos quatro Anjos, aos quais fora dado danificar a terra e o mar, dizendo:
3. Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes.
4. Ouvi então o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel;
5. da tribo de Judá, doze mil assinalados; da tribo de Rubem, doze mil; da tribo de Gad, doze mil;
6. da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Neftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil;
7. da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil;
8. da tribo de Zabulon, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil assinalados.
9. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão,
10. e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro.
11. E todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Animais; prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo:
12. Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém.
13. Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm?
14. Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.
15. Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e noite, no seu templo. Aquele que está sentado no trono os abrigará em sua tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará,
16. porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos.
Antes de ser aberto o sétimo selo e, conseqüentemente, da abertura do livro, João faz uma parada estratégica, para narrar a constituição do novo Povo de Deus, que não passará pelas ocorrências da grande tribulação. Pode-se observar nessa visão de passado, presente e futuro, que o testemunho e resistência faz parte e marca a vida de uma Multidão, devolvendo a esperança, apesar do caminho difícil da profecia e da resistência.
Antes do fim total, depois daquelas primeiras ocorrências verificadas após as aberturas dos seis selos, João teve duas visões, como que duas janelas, a primeira olha para o passado, a segunda para o presente e o futuro. Já sabemos que, para Deus, o tempo é irrelevante, pois passado, presente e futuro se fundem e são uma só coisa. Também sabemos que o livro apocalipse não foi escrito em ordem cronológica, com os fatos e visões ocorrendo em seqüências. Ás vezes, João tem visões de coisas que já aconteceram ou estão acontecendo e de outras que ainda não aconteceram, mas, que, no futuro irão ocorrer.
Como já nos referimos no início do livro, João vai como que costurando, ligando e interligando as suas visões, às vezes, relativas a fatos passados, presentes e futuros, como uma aula bem montada, com roteiros e recapitulações intermediárias que, primeiro, mostra o final e depois começa a mostrar o início da história, mas, de vez em quando, volta às cenas finais, para situar melhor o ambiente. Exatamente assim acontece, neste capítulo 7. Olhando para o passado, ele fala nos 144.000 de todas as tribos de Israel (doze mil de cada tribo), que serão selados e não serão atingidos pelas calamidades que estão por vir, como aconteceu, no Egito, um pouco antes de o povo judeu sair, com a autorização do Faraó. Claro que o número é simbólico o número cento e quarenta e quatro mil é um número simbólico.
Segundo a simbologia antiga dos números, pode-se chegar a ele da seguinte maneira: multiplica-se 3 (número da Trindade) por 4 (número do universo) e resulta o número 12. Por isso, no Antigo Testamento temos os 12 patriarcas (3 X 4) e no Novo Testamento os 12 apóstolos (3 X 4). Logo, 12 X 12 = 144, que multiplicado por 1.000 (10 X 10 X 10), que indica um cubo perfeito, inteireza reduplicada = 144.000.
Agora, esses 144.000 representam os que resistiram no passado, isto é no antigo testamento. O Israel Espiritual, a Igreja de Deus na terra e não, apenas, os judeus de nascimento, pois, hoje, nós somos o Israel de Deus. Logo, pela janela do passado o povo de Deus resistiu e denunciou a injustiça e a idolatria; e estes são os servos preservados e salvos. E hoje quem são estes servos? Como Deus preserva e é seu aliado fiel?
A seguir, João teve a visão da grande multidão, inumerável, de todas as nações, tribos, povos, línguas, isso é, todos, o número 4 indica totalidade: todos os denunciam as injustiças e estão em pé, diante do Trono e do Cordeiro, com vestimentas brancas e com palmas nas mãos: indicam vitória, são os vitoriosos, aqueles que mantiveram a fé em Jesus Cristo e seguiram seus ensinamentos, isso é : amaram a Deus sobre todas as coisas e ao próximo a si mesmo. Você, eu, nós poderemos estar ali. Vamos amar e nos esforçar para mantermos a fé.
E, aí, meus irmãos, estão, de fato, aqueles que serão resgatados, inclusive os cento e quarenta e quatro mil fiéis. João enxergou uma cena do final do filme, daqueles acontecimentos que ainda estão no "ainda não". Ele viu o futuro, o que irá acontecer, o novo Povo de Deus; a Igreja Triunfante habitando para sempre no céu, já louvando a Deus e ao Cordeiro. As vestimentas brancas deste povo indicam alegria e felicidade e sua cor simboliza pureza, santidade e o ancião, que dialogava com João, em sua visão, disse que eles ficaram com esta cor, porque foram lavados no sangue do Cordeiro. As palmas que estão em suas mãos simbolizam a salvação e a vitória final.
Ah! Meu caro amigo contemple esta cena maravilhosa, nos dá esperança e forças para carregarmos a nossa cruz, as nossas tribulações de cada dia. Por isso é que Jesus nos afirmou: “minha cruz é leve meu jugo é suave”. O prêmio é o maior que poderemos ter: a vida eterna!
Por tudo isso podemos afirmar: somos milionários, pois somos batizados e temos dentro do nosso coração a Trindade Santa! Que cena estupenda, maravilhosa, e gloriosa que São João presenciou! E não adianta querer defini-la, pois não encontraremos palavras para tanto. O que podemos fazer, isso sim, é senti-la e ter certeza, em nosso coração, de que somos um daqueles bem-aventurados. Amém! (lembrem-se de que a cena é futura).
E o ancião ainda diz a João que aqueles santos terão mais os seguintes benefícios:
a - servirão a Deus, de dia e de noite, no seu santuário;
b - Deus estenderá sobre eles o seu Tabernáculo;
c - Jamais terão fome;
d - nunca mais terão sede;
e - nem o sol, nem coisa alguma cairá sobre eles;
f - serão apascentados pelo Cordeiro e por Ele guiados às fontes de água viva;
g - Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.

Meditemos caros amigo/as, o que temos de viver para alcançarmos tal felicidade? Fazer como Jesus fez: denunciar e resistir até o fim, e poder dizer: tudo está consumado, cumpri a minha missão, em tuas mãos Pai, entrego o meu espírito.

15- A ABERTURA DO SÉTIMO SELO (AP 8)
1. Quando, enfim, abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu cerca de meia hora.
2. Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram-lhes dadas sete trombetas.
3. Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono.
4. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.
5. Depois disso, o anjo tomou o turíbulo, encheu-o de brasas do altar e lançou-o por terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terremotos.
6. Então os sete Anjos, que tinham as trombetas, prepararam-se para tocar.
7. O primeiro anjo tocou. Saraiva e fogo, misturados com sangue, foram lançados à terra; e queimou-se uma terça parte da terra, uma terça parte das árvores e toda erva verde.
8. O segundo anjo tocou. Caiu então no mar como que grande montanha, ardendo em fogo, e transformou-se em sangue uma terça parte do mar,
9. morreu uma terça parte das criaturas que estavam no mar e pereceu uma terça parte dos navios.
10. O terceiro anjo tocou a trombeta. Caiu então do céu uma grande estrela a arder como um facho; caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as fontes.
11. O nome da estrela era Absinto. Assim, uma terça parte das águas transformou-se em absinto e muitos homens morreram por ter bebido dessas águas envenenadas.
12. O quarto anjo tocou. Foi atingida então uma terça parte do sol, da lua e das estrelas, de modo que se obscureceram em um terço; e o dia perdeu um terço da claridade, bem como a noite.
13. A esta altura de minha visão, eu ouvi uma águia que voava pelo meio dos céus, clamando em alta voz: Ai, ai, ai dos habitantes da terra, por causa dos restantes sons das trombetas dos três Anjos que ainda vão tocar.
A realização completa do julgamento Divino.
Representa a realização completa do julgamento de Deus sobre todos nós: um silêncio de expectativa: "Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora”. O silêncio representa uma atitude de suspense e tremor por parte dos exércitos celestiais, vendo os julgamentos de Deus que desabarão sobre o mundo. É o silêncio da terrível expectativa dos acontecimentos que estão por vir, agora que o tempo do fim chegou.
São João nos prepara para escutarmos coisas importantíssimas, estupendas, façamos um silêncio contemplativo, coloquemo-nos em atitude de adoração e expectativa.
Contemple a preparação dos toques das trombetas, uma espécie de celebração litúrgica, quando ele diz que:
a) foram dadas as sete trombetas aos sete anjos que se achavam em pé diante do trono;
b) veio outro anjo e ficou de pé, junto ao altar, com um turíbulo de ouro, para incensar;
c) a este anjo foi-lhe dado bastante incenso para que ofereça, junto com as orações de todos os santos, sobre o altar de ouro;
d) este altar está situado diante do Trono;
e) este anjo do turíbulo, como em nossas celebrações, um acólito, tomou algumas atitudes, quais sejam:
1) fez com que a fumaça do incenso subisse à presença de Deus, com as orações dos santos;
2) encheu o turíbulo com o fogo do altar e atirou à terra;
3) em conseqüência disso houve trovões; vozes; relâmpagos e terremoto: os quatro abalos cósmicos: isto indica totalidade da resposta de Deus às comunidades;
4) os anjos que estavam com as trombetas, prepararam-se para tocá-las, um de cada vez.
Esta celebração nos faz meditar que, diante de Deus é a oração dos santos e dos mártires que realiza a purificação e a mediação. Mas, também, nos é lembrado que há, apenas, um único Santo, Jesus Cristo, por quem e em quem todos os outros se transformam.
Assim, a apresentação do incenso, pelo anjo, associa, perfeitamente, a ação do homem à de Deus. Os dois atos do anjo, aparentemente contraditórios, um para Deus e o outro para o mundo, estão, na realidade, perfeitamente associados; é o vínculo entre o "além" e a criação, a purificação e o risco da destruição, a proximidade de Deus e o desmoronamento do mundo, mas muito mais profundamente é a aventura de Deus, que merece o louvor absoluto e que vem ao meio dos homens".
O incenso simboliza a intercessão de nosso Salvador, Jesus Cristo, no céu, por sua Igreja perseguida, na terra. É uma intercessão baseada na expiação, a qual santifica e purifica nossas orações.
Observe caro amigo/a, tal como aconteceu com a abertura dos selos, o tocar das trombetas, apresenta a particularidade de as seis primeiras serem tocadas e, após cada toque, acontece um flagelo para o ser humano, ou para o mundo, todo o universo é abalado: terra, mar, rios, fontes, sol, lua e estrelas.
Após o toque da sexta trombeta, também há um intervalo e, então, são tocadas a sétima e última trombeta e, ao contrário de flagelos, ela anuncia um louvor e celebração a Deus e a Cristo, mas, ao mesmo tempo, introduz o "Juízo Final". O julgamento de Deus é para todos, é universal. Ninguém escapa!
O sopro da trombeta é um chamado ao despertar do povo para o arrependimento. No AT as trombetas indicavam o anúncio de Deus se manifestando. É como se Deus Pai nos exortasse: “despertai do sono, vós que adormecestes em vida e considerem os vossos feitos”, pois está chegando Deus! Lembrai-vos do vosso Criador e não sejais como aqueles que perdem as realidades perseguindo sombras efêmeras e perdem seus anos buscando coisas vãs, que não aproveitam ou libertam. Olhai bem para vossas almas. No final do Apocalipse veremos mais claramente em que consiste o julgamento da humanidade, mas já dá para sentir que Deus está julgando a injustiça da sociedade!
Contemplemos o tocar das trombetas: Deus vai apresentar-se: a vitória da justiça sobre a injustiça!
Primeira Trombeta: é um flagelo que atinge 1/3 do mundo físico. Nos recorda a sétima praga do Egito, mas acrescenta o sangue: indica força maior do que naquela época, que virá misturado à saraiva e ao fogo. Mas, seja qual for a sua natureza, estas calamidades estão sob o controle de Deus, que só permitiu a destruição de 1/3 da terra, das árvores e de toda a erva verde.
Segunda Trombeta: a expressão: "terça parte do mar se tornou em sangue”, nos recorda de Ex 7, 20, a primeira praga do Egito, quando as águas do Nilo foram transformadas em sangue. Mas, agora é maior, não é mais o Nilo, mas o mar, o oceano, que biblicamente significa a morada das forças malignas.
Contemplando, com bastante atenção, podemos observar que João alega ter visto "uma como que grande montanha" e não que ele viu uma grande montanha real, simbolizando o terror do juízo de Deus sobre o mar. Nosso Senhor, assunto, não apenas usa as calamidades, na terra, como um instrumento de punição e de admoestação contra os injustos; Este juízo é mais severo que o primeiro: um terço do mar se torna em sangue; um terço de todas as criaturas que vivem no mar perecem; um terço dos navios é destruído e, com eles, certamente, os passageiros e tripulantes". Deus está julgando a sociedade injusta e destruindo a injustiça.
Terceira trombeta: após o toque da 3ª trombeta, caiu do céu, uma grande estrela em chamas (sentido simbólico), que atingiu a terça parte dos rios e das fontes de água. Este objeto continha absinto ou losna, um planta amarga que, misturada à água, torna-a amargosa, mas, aqui, a losna tornou as águas e as fontes de água venenosas e, por isso, muitos homens e mulheres morreram. O sofrimento é amargo. A estrela absinto indica que o julgamento é amargo, olhar para trás e ver nossas injustiças nos causa tristeza e amargura.
Quarta Trombeta: este quarto flagelo atinge os corpos celestes, ou sejam, o sol, a lua e as estrelas, com o objetivo de diminuir, em um terço, sua luminosidade sobre a terra. As trevas nos apavoram o ser humano e estes astros perderem sua luminosidade e brilho, nos dá um sentimento de medo e desespero. Qual o ensinamento para nossa vida?
Bem, caro amigo/a, ver e sentir todas estas calamidades nos chama a colocar nossa esperança e confiança em Deus, em sua bondade e poder, e não nas coisas materiais, que acaba com muita facilidade.
Este flagelo tem semelhança com a nona praga do Egito, Ex 9, 21-29, onde aconteceram trevas por três dias, e a terra se cobriu de escuridão. Esta desgraça a pedir: foi predita também, por Amós (8.9) e, também Joel (2.2 e 10).
O surgimento da águia, voando no meio do céu, é um indicativo da mensagem de Deus será ouvida por todos, anunciando o que vem a seguir: prediz calamidades ainda maiores do que as três primeiras, que caíram sobre a sociedade injusta e rebelde: os habitantes da terra. Mas somente aos que praticam o mal. A Igreja será protegida por Deus, de alguma forma não sofrerá essas pragas. Todos os toques seguintes serão precedidos de um “Ai”, lembra-nos da expressão: “ai de ti, Corazaim! Ai de ti, Betsaida! (Mt 11, 21).
Quinta trombeta: este flagelo foi um dos piores, mesmo para os orientais que já estavam acostumados com estas nuvens de gafanhoto que sempre destruíam suas plantações. São João quer mostrar que Deus liberta os poderes do mal, isso é, a estrutura injusta criadas pelos maus, trará conseqüências destas mesmas escolhas: semelhantes à picada de escorpião, pois a picada destes gafanhotos era extremamente doída, como se fosse picada de escorpião. São João usou esta simbologia para exortar-nos sobre as estruturas sociais injustas, criadas pelos maus, pelos injustos, pelos “habitantes da terra”. Tal como o escorpião que morre pela sua própria picada, pelo seu veneno, as grandes vítimas das estruturas injustas serão os que a criaram. Por causa disso, no desespero, os homens e mulheres procurarão a morte e não a acharão; terão, também, ardente desejo de morrer, mas a morte fugirá deles. Só Deus tem poder sobre a morte, e ela é eterna, ou é felicidade eterna.
Neste momento caro amigo/a, contemple em Ap 9, 7-11, e veja, sinta que estes gafanhotos tinham os seguintes aspectos:
a) eram semelhantes a cavalos preparados para a guerra: conquistar à força;
b) na sua cabeça havia coisas que “pareciam” coroas como se fossem de ouro: falso poder imperialista, pois parecem reis, simulam ser rei;
c) seu rosto era como rosto de homem: isto é, falsa humanidade, pois são desumanos e suas atitudes são más;
d) seus cabelos eram compridos como cabelos de mulher: para fascinar e seduzir os mais fracos, pelo ouro, fartura e falso poder;
e) seus dentes, como dentes de leão: depois de seduzidos, os fracos caem na boca, goela do leão;
f) tinham couraças, como couraças de ferro: para parecerem invencíveis aos olhos da sociedade injusta;
g) suas asas faziam barulho, como de muitos cavalos indo à guerra: querem assustar e confundir, tornar-se onipresente aos olhos da sociedade injusta;
h) sua cauda era como a do escorpião e, nela, tinha ferrão e com ela tinham ordem de causar danos nos seres humanos, por cinco longos meses: quem não se submete ao poder imperialista pode ter sérios problemas e ter a vida atormentada, mas seu poder é curto, logo acaba, indicado pelos cinco meses, que é um tempo curto;
i) o anjo do abismo (Abaddon ou Apollyon) era como rei deles; que significa em hebraico e respectivamente em grego: “destruição”, isto é, a sociedade injusta caminha para sua autodestruição, que denota uma total falta de bom senso, pois os que criam, causam sua própria destruição. É só olhar para o mundo de hoje: destruição da camada de ozônio, que causa desequilíbrio ecológico; degradação moral e destruição dos valores morais da família e da sociedade, destruição dos valores cristãos e do próprio evangelho (códigos da Vinci e outras teorias gnósticas), etc.
Bem amigo leitor/a, se você contemplou, dá para ver que este é, de fato, um flagelo de meter medo, de fazer a gente se arrepiar. Mas, o que nos conforta é no versículo 4, mais uma vez temos a promessa de Deus Pai e de Jesus Cristo de que os marcados com o selo de Deus sobre a fronte (os que não são injustos e amam) não serão atingidos.
Há muito simbolismo neste ponto. João usa uma linguagem apocalíptica que em síntese quer nos indicar:
1) Estrela caída do céu na terra significa Satanás, o mau espírito;
2) Poço do abismo indica o inferno;
3) A expressão "abriu o poço do abismo": quer dizer que Satanás atenta o mau e enche o mundo de opressores e de suas más influências e ações;
4) Fumaça que sobe do poço, é a fumaça da decepção e do engano; do pecado e da tristeza; do tédio, desespero, vazio e ódio de si mesmo; bem como, das trevas morais e da degradação;
5) Os gafanhotos podem ser vistos como criaturas infernais, as mais terríveis e destrutivas, que representam os poderes e as influências do inferno, operando nos corações e nas vidas dos seres humano injustos, os homens da terra. Não são gafanhotos quaisquer: não destroem e nem danificam a vegetação. Só fazem dano aos seres humano ímpios. É tudo tão terrível e ameaçador que parece termos atingido, o pior, o ponto mais miserável e apavorante. Mas, São João afirma ser só o primeiro “Ai”, virão mais dois!

16- A SEXTA TROMBETA (AP 9, 13-21)
13. O sexto anjo tocou a trombeta. Ouvi então uma voz que vinha dos quatro cantos do altar de ouro, que está diante de Deus,
14. e que dizia ao sexto anjo que tinha a trombeta: Solta os quatro Anjos que estão acorrentados à beira do grande rio Eufrates.
15. Então foram soltos os quatro Anjos que se conservavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano da matança da terça parte dos homens...
16. O número de soldados desta cavalaria era de duzentos milhões. Eu ouvi o seu número.
17. E foi assim que eu vi os cavalos e os que os montavam: estes últimos eram couraçados de uma chama sulfurosa azul. Os cavalos tinham crina como uma juba de leão e de suas narinas saíam fogo, fumaça e enxofre.
18. E uma terça parte dos homens foi morta por esses três flagelos (fogo, fumaça e enxofre) que lhes saíam das narinas.
19. Porque o poder nocivo dos cavalos estava também nas caudas; tinham cabeças como serpentes e causavam dano com elas.
20. Mas o restante dos homens, que não foram mortos por esses três flagelos, não se arrependeu das obras de suas mãos. Não cessaram de adorar o demônio e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar.
21. Não se arrependeram de seus homicídios, seus malefícios, suas imundícies e furtos.

Contemple o sexto anjo tocando sua trombeta, peça a Graça a pedir: de entender que pode parecer muito grande a força dos que oprimem a sociedade, mas toda esta força pode acabar de um momento para outro, pois a Trindade Santa é que continua dirigindo, inspirando e iluminando a Igreja, e o Espírito Santo conduz a história da salvação.
Caro amigo/a, o toque da quinta e sexta trombeta, claramente são um convite á conversão da sociedade injusta. Mas, mesmo com todo este flagelo, São João diz que os dois terços de homens e mulheres que sobraram, não se emendaram e nem se arrependeram das obras de suas mãos; não deixaram de adorar os demônios e os bens materiais, tais como: de ouro, de prata, de cobre, de pedra, de pau, que nem podem ver, nem ouvir e nem andar;
A praga da sexta trombeta é bem parecida com a da quinta, pois ambas, são julgamentos divinos que atingem o mundo pagão, através de forças demoníacas. A diferença principal é que, na quinta trombeta, a ordem era para só assustar e torturar, já nessa, a ordem é para matar. Correspondem a flagelos parciais, que Deus permite que o mau espírito e seus demônios os inflijam aos “homens da terra”, para que enxerguem, convertam-se e alcancem a salvação.
Bem, caro amigo/a ao sexto anjo tocar, ouve-se uma voz, que vem dos quatro chifres do altar de ouro, é com certeza, uma voz, uma ordem que parte de Deus Pai, para libertar os quatro anjos, presos pelo rio Eufrates. São João quer fazer referência ao Império Parto, da região da Partia, que ficava do outro lado do rio Eufrates, povo bárbaro, que eram chamados os ”feras da terra”. Eram uma constante ameaça aos Romanos. Usavam cavalos brancos, eram gananciosos e muito cruéis. Segundo a história conta, eles costumavam usar enxofre e fogo para dizimar os povos conquistados. E eram muito numerosos seus exércitos, simbolizado pelos duzentos milhões, isto: uma multidão incontável. Tudo isto simbolizado por couraça cor de fogo, jacinto e enxofre. Cavalos cabeça de leão, e destroem e estraçalham com violência.
São João usa estes símbolos para indicar que o poder da época, os Romanos, não eram invencíveis, outros impérios poderiam derrotá-los. É uma luta constante pelo poder, formando sempre uma sociedade injusta, o que vence continua a ser o opressor, e os pobres continuam a passar necessidades e serem oprimidos. Mas, apesar dos castigos que matam um terço da humanidade, os homens continuam livres em suas escolhas, fecham os olhos e continuam vítimas de suas próprias armadilhas: adorar ídolos, ganância e ânsia de poder. Os homens e mulheres que não foram mortos, não se arrependeram. As pragas demoníacas, como já vimos, têm um propósito de misericórdia: levar os homens e mulheres ao arrependimento, não que seja tarde demais. Mas, ao invés de se arrependerem e pedirem perdão a Deus e aceitarem Jesus Cristo como Senhor e Salvador, eles preferiram continuar adorando ídolos e praticar a imoralidade de seus assassínios, feitiçarias, prostituição, furtos, etc. Deste modo, o grande rio Eufrates representa a Babilônia e a Assíria, isto é, o mundo ímpio. Os quatro anjos são anjos maus, que só podem fazer aquilo permitido por Deus. Os cavalos simbolizam, claramente, as máquinas e instrumentos de guerra, que hoje ainda estão presentes no mundo, de um lado os países poderosos, EEUU, Inglaterra, China, Rússia, etc., do outro os do terceiro mundo, que ficam com as migalhas e sujeitos aos poderosos. Os grandes impérios, em nome da paz, usando armas poderosíssimas, impões a paz, a falsa paz, assim como o império Romano impunha a Paz Romana que escravizava e explorava os pequeninos, como é ainda hoje! É o segundo “Ai”, um terrível apelo á conversão: deixar a idolatria, imoralidade, feitiçaria, violência e a ganância, para aderir, em definitivo, a Deus Pai! Haverá saída?

17- A SAÍDA É A PROFECIA: O EVANGELHO (AP 10, 1-11)
1. Vi então outro anjo vigoroso descer do céu, revestido de uma nuvem e com o arco-íris em torno da cabeça. Seu rosto era como sol, e as suas pernas como colunas de fogo.
2. Segurava na mão um pequeno livro aberto. Pôs o pé direito sobre o mar, o esquerdo sobre a terra
3. e começou a clamar em alta voz, como um leão que ruge. Quando clamou, os sete trovões ressoaram.
4. Quando cessaram de falar, dispunha-me a escrever, mas ouvi uma voz do céu que dizia: Sela o que falaram os sete trovões e não o escrevas.
5. Então o anjo, que eu vira de pé sobre o mar e a terra, levantou a mão direita para o céu
6. e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, que criou o céu e tudo o que há nele, a terra e tudo o que ela contém, o mar e tudo o que encerra, que não haveria mais tempo;
7. mas nos dias em que soasse a trombeta do sétimo anjo, se cumpriria o mistério de Deus, de acordo com a boa nova que confiou a seus servos, os profetas.
8. Então a voz que ouvi do céu falou-me de novo, e disse: Vai e toma o pequeno livro aberto da mão do anjo que está em pé sobre o mar e a terra.
9. Fui eu, pois, ter com o anjo, dizendo-lhe que me desse o pequeno livro. E ele me disse: Toma e devora-o! Ele te será amargo nas entranhas, mas, na boca, doce como o mel.
10. Tomei então o pequeno livro da mão do anjo e o comi. De fato, em minha boca tinha a doçura do mel, mas depois de o ter comido, amargou-me nas entranhas.
11. Então foi-me explicado: Urge que ainda profetizes de novo a numerosas nações, povos, línguas e reis.
São João continua a ter visões. Como não aconteceu o efeito desejado, na quinta e na sexta trombetas, pois os poderosos não possuem bom senso, vem a profecia, que provocará o julgamento da história. Mas, como aconteceu com a abertura dos selos, também no toque das trombetas, depois da sexta trombeta, há uma parada e acontecem algumas coisas completamente diferentes do assunto das trombetas, para, só mais à frente, falar sobre a abertura da sétima trombeta. São João tem, então, a visão de um majestoso anjo, ele está revestido de força do próprio Deus. O anjo tem muito a ver com Jesus Cristo e com Deus: a santidade de Deus é simbolizada pela face deste anjo; o juízo de Deus é simbolizado pelo universo; porém Sua misericórdia e Seu conceito de fidelidade são expressos pelo arco-íris; o anjo pisa, ao mesmo tempo, a terra e o mar e emite um grande brado como o de leão (referência a Amós 3, 8: ruge o leão: quem não temerá? Fala o Senhor Javé: quem não profetizará?). Pisa no mar e na terra, porque sua mensagem diz respeito ao universo todo. Os sete trovões emitiram sete mensagens distintas, mas, quando João está para escrevê-las, é proibido de fazê-lo, por uma voz no céu. Isto quer dizer que jamais estamos prontos para conhecer e descrever todos os fatores que determinam o futuro. Devemos aceitar com humildade, que Deus, em sua sabedoria, deixe coisas ocultas de nós, para nosso bem.
A expressão, "não haverá mais tempo", que o grande anjo disse, levantando sua mão direita ao céu, quer dizer que o anúncio profético do evangelho é urgente. E que é a última chance que Deus dá para as pessoas se converterem dos ídolos e se voltarem para Deus, no seguimento de Jesus cristo.
O Livrinho na mão do anjo significa que: “o livro é a Palavra, Seu Evangelho”; a expressão: "será amargo ao seu estômago, mas, na sua boca, doce como mel" significa que assimilar o Evangelho (o livro) é, em si mesmo, glorioso e doce, mas sua proclamação é sempre seguida de amarga perseguição. Por isso, o Apóstolo não deve, meramente, contender e digerir a mensagem do Evangelho, mas deve experimentar ambas as coisas: sua doçura e o sofrimento. Pois, o Evangelho mexe com os poderosos que não querem ver as coisas mudarem para o povo, não querem perder nada! Os responsáveis pelas injustiças sociais, querem um evangelho ajeitado para a realidade que vivem, ou para a doutrina que professam, que lhes tranqüilize a consciência e não julgue suas más ações. Mas, para quem já realmente, experimentou o evangelho vivo: Jesus Cristo em sua vida, como João havia experimentado, terá capacidade de enfrentar mais dificuldades e até doar a sua vida para anunciá-lo, como fizeram e fazem muitos mártires de ontem e de hoje. É só pensar em Pedro, Paulo, Estevão e hoje: Madre Tereza de Calcutá, o Próprio João Paulo II. Eu, minha querida esposa Teka, e muitos amigos lutamos para vivê-lo e anunciá-lo.
Daqui para frente amigo/a,vamos contemplar o como profetizar.

18- SÃO JOÃO RECEBE ORDENS PARA MEDIR O SANTUÁRIO DE DEUS (AP 11,1-2)
1. Foi-me dada uma vara semelhante a uma vara de agrimensor, e disseram-me: Levanta-te! Mede o templo de Deus e o altar com seus adoradores.
2. O átrio fora do templo, porém, deixa-o de lado e não o meças: foi dado aos gentios, que hão de calcar aos pés a Cidade Santa por quarenta e dois meses.
Inicialmente, medite este texto. Continuando com a visão anterior que o mandava profetizar, João recebeu um caniço, semelhante a uma vara, com instruções um tanto quanto esquisitas; bastante apocalíptica, ou seja, cheia de símbolo, pois como medir, literalmente pessoas? (os que ali adoram). Está-se falando do templo construído por Salomão, ou de quê?
Bem, caro amigo/a em primeiro lugar vamos entender o que é medir, tirar medidas. Medir pode ser entendido como avaliar, ponderar, analisar. Para fazer isso hoje na Igreja usamos o método: ver, julgar (analisar) e agir, o famoso VGA. Foi isso que Deus pediu para São João fazer: verificar quem realmente ama, adora o Deus verdadeiro e quem tem adorado ou aderido á idolatria, geradora da sociedade injusta, pois os que são idolatras serão dizimados, não serão preservados dos castigos vindouros.
Mas os que amam, adoram e seguem Jesus Cristo, serão salvos, preservados no tempo da perseguição. É certo que estes profetas, santos vão sofrer severamente, mas jamais perecerão. Estão protegidos contra a condenação eterna. Mas esta proteção divina não se estende "ao átrio", isto é, àqueles que, embora externamente pertençam à igreja, não são cristãos verdadeiros. Resumindo: eles amam ao mundo. Esta condição persiste por quarenta e dois meses, que são exatamente três anos e meio, que como já vimos anteriormente é um tempo simbólico: representa um tempo imperfeito, metade de sete, que é perfeito. Significa tempos difíceis de profetizar. Mas este tempo também indica que não durará para sempre, no meio das dificuldades e calamidades anunciadas, os cristãos verdadeiros são protegidos por Deus. Os poderosos aparentemente são vitoriosos, mas será por pouco tempo, nossa esperança não deve ser abalada, continuar profetizando com o testemunho de vida digna, baseada no evangelho de Jesus Cristo é certeza de salvação. Veremos isso nos próximos versículos. Prepare seu coração, pois as promessas de Deus são reais e verdadeiras.

19- AS DUAS TESTEMUNHAS VESTIDAS DE SACO DE ESTOPA
Contemple os versículos seguintes: Ap 11, 3-6. Na visão de João, o que é dito destas duas testemunhas mártires?
3. Mas incumbirei às minhas duas testemunhas, vestidas de saco, de profetizarem por mil duzentos e sessenta dias.
4. São eles as duas oliveiras e os dois candelabros que se mantêm diante do Senhor da terra.
5. Se alguém lhes quiser causar dano, sairá fogo de suas bocas e devorará os inimigos. Com efeito, se alguém os quiser ferir, cumpre que assim seja morto.
6. Esses homens têm o poder de fechar o céu para que não caia chuva durante os dias de sua profecia; têm poder sobre as águas, para transformá-las em sangue, e de ferir a terra, sempre que quiserem, com toda sorte de flagelos
.São João, baseado em Zacarias (Zc 4, 3-14) usa duas testemunhas, pessoas históricas que representavam a igreja testemunhando a Israel, Elias e Moisés, pois foi Elias "quem teve autoridade para fechar o céu, para que não chova" e "foi Moisés que teve poder sobre as águas, para convertê-las em sangue, bem como para ferir a terra com toda a sorte de flagelos. Em Zacarias, estes ramos representam dois ungidos: Josué (Zc 3.1) e o governador Zorobabel (Zc 4.6 e 7). Mas a expressão: "onde também o seu Senhor foi crucificado, nos leva a concluir que se trata de profetas cristãos; João está anunciando que a Igreja, no meio da tribulação, das dificuldades, continuará firme, testemunhando seu seguimento ao evangelho de Jesus Cristo. Quem são estas testemunhas hoje? São todos nós que cremos em Jesus cristo ressuscitado, e como Moisés e Elias, mas os superam, pois anunciam iluminados pelo Espírito Santo. Enfatiza a tarefa missionária da Igreja (Lc 10.1) e o Senhor envia seus missionários de dois em dois. Estas duas testemunhas, pois, simbolizam a Igreja Militante testemunhando através de seus ministros, leigos e presbíteros e consagrados.
Mas, serão dias difíceis, pois quando as duas testemunhas completarem suas tarefas, lutarão contra a besta que surgiu do abismo e serão vencidos por ela. Esta besta para João é o imperialismo Romano, confrontam com a grande cidade: há inúmeras razões para supor que a cidade em foco é Jerusalém. Sodoma e Egito são símbolos de hostilidade contra Deus e o povo de Sodoma se tornou símbolo de perversão e o Egito, por ter escravizado o povo de Deus.
E hoje, nos nossos dias quais são as grandes cidades? Quem é a besta, o anticristo? Muitas são as respostas, qual é a sua?
Reflita e chegue a sua conclusão. Para mim a besta, a fera, é o nome dado ao mal, aos criadores das sociedades injustas, gananciosos e sedentos de poder. São aqueles que querem a paz através da violência, que usam armas poderosíssimas e dizem falar por Deus, mas que deus? O deus da globalidade, do poder totalitário que cria cada vez mais pessoas pobres e miseráveis e poucos donos de tudo, gananciosos e sedentos de poder. É só pensar no neoliberalismo! Eles são os que Habitam sobre a Terra, os que matam e deixam o cadáver da Igreja ficar ao relento e estendido na avenida principal da grande cidade, deixar corpos expostos e insepultos era a maior indignidade no mundo antigo. Quer dizer, simplesmente, que, no meio do mundo, a Igreja está morta; ela não mais existe como influente e poderosa instituição missionária. Seus líderes foram assassinados e sua voz silenciada. E estas mortes das testemunhas são exemplo para o mundo inteiro, simbolizado por quatro: povos, línguas e nações. Sentido de totalidade.Esta condição se prolonga pelo espaço de três dias e meio, que é um tempo muito curto, é um número simbólico do tempo da calamidade ou maldade e simboliza o tempo do sofrimento. Por causa da morte das testemunhas, o mundo promove uma grande festa. É uma celebração; pessoas enviam presentes uns aos outros e, cinicamente, se alegram sobre estas testemunhas. Mas, seu regozijo é prematuro e precipitado. Subitamente os cadáveres começam a se mexer. O fôlego de vida de Deus entra neles. As testemunhas se põem de pé. Em conexão com a segunda vinda de Cristo, a Igreja é restaurada à vida, à honra, ao poder, à influência; a conversão de Israel será acompanhada por um milagre de ressurreição. O poder da besta é limitado, três dias e meio, curto e imperfeito.
Foi ouvida uma grande voz: não foi só João, mas, também, muita gente ouviu grande voz, vinda do céu, dizer às duas testemunhas ressuscitadas: "subi para aqui" e eles subiram, em uma nuvem, à vista de todos, como a confirmar que elas eram, de fato, verdadeiros profetas, revestidos do poder de Deus; ao mesmo tempo, à subida ao céu, houve um grande terremoto, com muitas mortes. A conseqüência da ressurreição e ascensão dos dois mártires e do terremoto subseqüente é a conversão final do povo cristão, como um todo. Claro é, caro amigo/a que o terremoto e os sete mil mortos é uma maneira apocalíptica de João indicar a manifestação do poder de Deus e sua justiça acontecendo.
A afirmação de que eles deram glória ao Deus do céu dá a idéia de arrependimento, não somente remorsos. A besta, que é a sociedade injusta, os poderosos não matarão todos os cristãos. Haverá cristãos na terra quando Cristo vier outra vez; os discípulos de Cristo, que realmente o seguirem, carregando sua cruz de cada dia, vão participar, também da vitória de Cristo: sua glória e ressurreição! Não podemos contar com a vitória neste mundo, mas devemos continuar firmes, pois se nós perseverarmos até o fim daremos glória a Deus no céu, ressuscitados como Cristo, junto à corte celestial.
O Evangelho vai aos poucos penetrando na sociedade injusta e provocara a sua conversão, surgindo o reino de Deus, já aqui na terra, pois quando procuramos viver o evangelho na vida do dia a dia, já podemos sentir a vida eterna presente, apesar de nossas miséria e limitações humanas. Mas, já podemos antever como será a verdadeira paz divina, levando-nos a uma harmonia plena, em todas as dimensões de nossa vida: pessoal, comunitária, cósmica e com o transcendental, a corte celestial. Essa é a nossa esperança, e por ela vivemos!
Prepare-se, contemple o Ap 11, 15-19, pois terminou o segundo “Ai” e vem o terceiro, com o toque da sétima trombeta.
15. O sétimo anjo tocou a trombeta. Ressoaram então no céu altas vozes que diziam: O império de nosso Senhor e de seu Cristo estabeleceu-se sobre o mundo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.
16. Os vinte e quatro Anciãos, que se assentam nos seus tronos diante de Deus, prostraram-se de rosto em terra e adoraram a Deus,
17. dizendo: Graças te damos, Senhor, Deus Dominador, que és e que eras, porque assumiste a plenitude de teu poder real.
18. Irritaram-se os pagãos, mas eis que sobreveio a tua ira e o tempo de julgar os mortos, de dar a recompensa aos teus servos, aos profetas, aos santos, aos que temem o teu nome, pequenos e grandes, e de exterminar os que corromperam a terra.
19. Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca do seu testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva.

20- A SÉTIMA TROMBETA É TOCADA: SURGE O REINO DE DEUS
Como já vimos, a sétima trombeta não representa o dia do juízo final, mas o introduz. Esta sétima trombeta, que é o terceiro "ai", não contém praga ou maldição; temos de concluir que os sete flagelos constituem o ai da sétima trombeta. Este é o tema central do Apocalipse: o estabelecimento do Reino de Deus na terra, a realização final das promessas de Deus. A sociedade injusta, o mal será vencido!
Antes de falar sobre os três grandes sinais, João introduz um grande louvor: os anjos cantam, proclamando que o Reino do Mundo se tornou de Jesus Cristo e que ele reinará pelos séculos dos séculos. Deus sempre reinou. Mas, às vezes, parece que é Satanás quem está reinando. Agora, chegado o dia do juízo final, acontece uma nova aliança, chegou o tempo em que a Trindade Santa vai manifestar, com clareza, os seus planos para a plena salvação dos que resistirem e seguirem o Cordeiro Imolado, a arca já é acessível. São João mostra isso simbolicamente com relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e saraivas de pedras.
E ao cântico dos anjos, responde a multidão dos redimidos, representada pelos vinte e quatro anciãos, rendendo a Deus uma homenagem humilde e louvam ao Senhor.
Caro amigo/a contemple o trono da Graça. Lemos em Ex 25, 22: "Ali virei a ti e de cima do propiciatório falarei contigo". Por esta razão, quando esta arca é agora vista, isto é, plenamente revelada, o concerto da Graça (Gn 17.7), em toda a sua doçura, é completado nos corações e vidas dos filhos de Deus. Contudo, para os ímpios, aquela mesma arca, que é o trono de Deus, é um símbolo de ira. Também esta ira será agora plenamente revelada.
Veremos nos próximos capítulos, que Deus é aliado das comunidades que resistem e denunciam a sociedade injusta. A Trindade Santa é contra a sociedade injusta e suas mentiras e idolatrias e a favor do Evangelho apresentado pela vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Justamente nestes capítulos 12 a 14, são introduzidos os principais personagens que fazem oposição a Cristo e à Igreja. São eles: o dragão; a besta que emerge do mar; a besta que emerge da terra; Babilônia e os homens que têm a marca da besta.

21- O PRIMEIRO SINAL: UMA MULHER VESTIDA DE SOL
Ap 12
1. Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas.
2. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz.
3. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas.
4. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho.
5. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono.
6. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias.
7. Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate,
8. mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles.
9. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos.
10. Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus.
11. Mas estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e de seu eloqüente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte.
12. Por isso alegrai-vos, ó céus, e todos que aí habitais. Mas, ó terra e mar, cuidado! Porque o Demônio desceu para vós, cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta.
João chama bem a atenção para um “sinal”, portanto não se trata de uma pessoa concreta, mas um símbolo que vai além do sinal.
Aponta várias possibilidades, mas a mais importante que eu tenho contemplado é a representação mística da Jerusalém celeste.
Vejamos o que diz a palavra oficial da Igreja Católica:
"A cena corresponde a Gn 3, 15-16. A mulher dá a luz na dor (v.2) aquele que será o Messias (v.5). Ela é tentada por Satanás (v.9; cf. 20.2) que a persegue, bem como a sua descendência (vv. 6,13,17). Ela representa o povo santo dos tempos messiânicos (Is 54; 60; 66, 7; Mq 4, 9-10) e portanto a Igreja em luta. É possível que João pense também em Maria, a nova Eva, a filha de Sião, que deu nascimento ao Messias (cf. Jo 19, 25)". (Comentários de A Bíblia de Jerusalém, Soc. Bíblica Católica Internacional e Paulus).
Mas, caro amigo/a, como estamos tendo uma visão contemplativa do Apocalipse, vamos ter várias possibilidades de respostas.
Esta mulher representa a réplica de Eva no céu, conforme profecia de Gênesis sobre o ódio entre Eva e a Serpente; sobre a vitória de sua posteridade contra a serpente e da precipitação desta do céu.
Segundo um bom número de teólogos e exegetas, a mulher do Apocalipse (Ap 12, 1-8) simboliza, em primeiro lugar e diretamente, a Igreja do povo de Deus, tanto do Antigo como do Novo Testamento. Porém, indiretamente, simboliza também a virgem Maria. De que forma?
1 - A mulher entre as dores do parto é Maria junto à cruz, dando à luz a Igreja no meio dos sofrimentos da paixão: "Mulher, eis aí teu filho! Filho, eis aí a tua Mãe!" (Jo 19, 26-27)
2 - A mulher coroada de doze estrelas é Maria, rainha dos Patriarcas e Profetas (as doze tribos de Israel) e também rainha dos doze Apóstolos, representados, no Calvário, pelo discípulo João.
3 - A mulher vestida com o sol é Maria cheia de Graça, envolvida pela complacência e favor misericordioso de Deus por causa da missão única e excelsa a que foi chamada.
4 - a mulher grávida e para dar à luz é Maria dando à luz, em Belém, o Filho do Altíssimo, que reinará na casa de Jacó para sempre e cujo reinado não terá fim (Lc 1, 33; Ap 12, 5). A imagem que mais se aproxima é a de Nsra de Guadalupe, Padroeira das Américas, que está milagrosamente, hà quase 500 anos estampada no ponche de São Juan Diego, na cidade do México.
5 - a mulher atormentada e levada por Deus para o deserto, por causa da perseguição do dragão, é Maria, membro e mãe de uma Igreja perseguida pelo mundo e socorrida por Deus; é Maria, co-participante do mistério de morte e ressurreição vivido pela Igreja Apostólica.
6 - a mulher, vestida de sol, coroada de estrelas, tendo a lua sob os pés, é Maria, assunta à glória celeste.
O Filho Recém-Nascido: há unanimidade entre os autores, em declarar que este símbolo se refere a Jesus Cristo, o Emanuel de Deus;
Mas a mensagem mais importante que deve ficar em nossos corações é de que Deus envolve e protege seu povo, simbolizado pela veste, identidade do sinal no Apocalipse: sol, lua e estrelas representam o céu, a moradia de Deus. Portanto Deus envolve seu povo, nós todos que cremos em Jesus e seguimos seus ensinamentos, com carinho e cuidado.
Portanto, o primeiro sinal, a mulher, cheia de glória e de beleza, mas também atormentada para dar à luz, representa o povo de Deus, que se esforça continuamente para levar ao mundo o projeto de deus, na alegria e no sofrimento, gerando vida que vem da Santíssima Trindade. Mas, em contraposição aparece outro sinal: o Dragão, simbolizando Satanás (Ap 20, 2); figura do mal, da mentira, gerador da sociedade injusta e idolatra. Simboliza "a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás". É uma figura mitológica, pois os antigos tinham na imaginação, que os seres do mal, vinham dos abismos, debaixo da terra, ou dos ares, debaixo do trono de Deus, representando um ser espiritual, como se fosse um monstro marinho". As sete cabeças coroadas com sete diademas, simbolizam o grande poder que o dragão pode exercer como "deus deste século", dominando o mundo inteiro. É assustador, violento e sanguinário, representados pelo vermelho, tinha sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas, a cauda dele arrasta a terça parte das estrelas do céu; o dragão lançou estas estrelas sobre a terra; postou-se em frente da mulher parturiente, para devorar-lhe o Filho, quando nascesse. Sua cauda arrasta um terço das estrelas do céu, significando um vasto número de espíritos malignos que Satanás levou consigo quando caiu.
Desde o início Satanás luta contra Cristo; primeiro, para não deixá-lo nascer; depois, para matá-lo ou fazê-lo desobedecer ao Pai. Mas, neste conflito, Cristo é, sem dúvida e sempre, vitorioso. O propósito de Deus jamais pode ser frustrado! O nascimento de Cristo, em Belém, é a vitória de Deus sobre o dragão. A morte do Salvador, na cruz, por seu povo, é a Sua vitória ulterior: "E o seu filho foi arrebatado para Deus até ao seu trono" (Ap 12, 5b).

22- A EXPULSÃO DO DRAGÃO: O DRAGÃO JÁ FOI DERROTADO
O anjo Miguel, liderando os anjos bons, na batalha contra o Dragão; o Dragão e seus anjos maus; uma grande voz, vinda do céu, que João ouve, mas não vê quem a emitiu: o conflito entre o Dragão e Cristo continua. Este segundo quadro simbólico nos mostra o efeito do nascimento, morte e ascensão de Cristo ao trono celestial.
Estabelece-se uma batalha no céu, os exércitos de dois líderes se defrontam. De um lado, o anjo Miguel, líder dos anjos e defensor do povo de Deus ataca o Dragão, líder dos anjos maus e inimigos do povo de Deus. Neste conflito, como não poderia deixar de ser, prevaleceu o exército do anjo Miguel e, como conseqüência, o Dragão e seus seguidores são expulsos do céu. Podemos observar que o filho da mulher, Jesus cristo ressuscitado, e a mulher não enfrentam o dragão, mas, sim os anjos, protetores do povo de Deus, Miguel, quem é como Deus, que protege as comunidades do povo de deus e vence!
Caro amigo contemple esta passagem do Apocalipse, que narra uma batalha cósmica, uma batalha espiritual, um combate nas regiões celestiais.
Peça a Graça de sentir e entender, que esta batalha se desenrola, não para ver quem ganhará, mas para demonstrar, mais uma vez, o poder de Deus e a autoridade de Jesus.
Reflita e procure interiorizar, que este conflito de Cristo com o Dragão, já foi ganho por Cristo, na cruz do Calvário, quando Ele verteu seu precioso sangue para nos resgatar do pecado.
Agradeça a Trindade santa pela sua presença carinhosa e amiga, que nos sustenta e alimenta, nos fortalecendo para continuarmos firmes na resistência das dificuldades da proclamação do Evangelho, mesmo que seja necessário doarmos a própria vida em favor dos irmãos injustiçados.
Procure usar todos os seus sentidos para contemplar e escutar, a grande voz que João ouviu, em regozijo por esta expulsão, do céu, de nosso acusador, entoa um hino de louvor e adoração a Deus e ao Cristo, proclamando as seguintes verdades: que, agora, veio a salvação; que vieram, também, o poder, o reino de nosso Deus e a autoridade de seu Cristo; que foi expulso, da presença de Deus, aquele que nos acusava de dia e de noite; que a grande serpente, o diabo, Satanás, foi vencido por dois motivos: por causa do sangue do Cordeiro e pelo testemunho dos mártires e, ainda, por sua perseverança, porque, mesmo diante da morte, não se entregaram e amaram mais a Graça do que a sua própria vida; e esta voz, através do hino, exorta o céu a festejar esta vitória e, ao mesmo tempo, faz um alerta à terra: cuidado! Porque o Dragão foi derrotado no céu, mas virá cheio de cólera para a terra, onde as comunidades que anunciam o Evangelho, a profecia, vivem. O dragão ainda não foi totalmente vencido! É hora de resistir com bravura, pois com furor ele persegue e mata os profetas. Não é hora de nos acomodarmos: pois como se expressa São João, “o dragão ficou em pé na praia do mar” (Ap 12, 18), isto é, ele está no mundo todo, é dono do mundo, domina os “habitantes da terra”.
Contemple agora, caro amigo/a o Ap 12, 13-17, e procure sentir que São João nos mostra, que o Dragão já mudou de tática.
13. O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino.
14. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente.
15. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir.
16. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara.
17. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.
18. E ele se estabeleceu na praia.
Primeiramente, sua ação, através da história, era não deixar o "Menino-Deus" nascer. Todavia, como não logrou êxito nestas inúmeras tentativas feitas por ele, como já vimos, passa a atacar a mulher, o povo de Deus que resiste, como que culpando a cada um dos que profetizam, por mais essa derrota.
O Dragão passa a perseguir a mulher, as comunidades que resistem. Mas, Deus o aliado que sempre foi e é fiel ao povo dele, olha para a mulher, o povo e o protege, dando-lhe asas de águia, simbolizando a segurança e à proteção que Deus dá a Igreja, pois a águia voa alto, com rapidez e com muita objetividade para que ele voe para o deserto, simbolizando o tempo em que a comunidade cristã não tem, estritamente, nenhum apoio, nenhuma outra segurança, a não ser a Graça a pedir: de Deus. Portanto, escondendo-a de Satanás, onde ela será protegida por um tempo, tempos e metade de um tempo, ou seja, 3 anos e meio, ou 42 meses, ou 1.260 dias, que simboliza um tempo difícil, de tribulação. O dragão, satanás, é um derrotado, mas é persistente em estar sempre tentando, apesar de saber que já está irremediavelmente perdido e derrotado.
Aí o pai da mentira, satanás, não desiste de destruir a mulher e vomita um como que rio de água, tentando, com isto, arrebatar a mulher. Neste momento, a terra, de comum acordo com Deus, vem em socorro da mulher. E João vê a terra, como que abrindo a boca e engolindo toda aquela água.
Vencido, mais esta vez, o Dragão desiste da mulher e passa a perseguir os descendentes dela, ou sejam, os cristãos, todos que guardam os mandamentos de Deus, o mandamento do amor, e seguem Jesus Cristo.
Caro amigo/a, daqui para frente, no capítulo 13, vamos contemplar que o mal, a grande besta, filha de satanás, não está visível por ai, ou solto pelo ar; mas, sim encarnado nas estruturas sociais injustas e pecaminosas. Ela é a própria estrutura social injusta, o poder político, os poderosos e gananciosos que escravizam e criam estruturas marginais e discriminadoras.

23- A BESTA QUE SOBE DO MAR: É A IMITAÇÃO GROTESCA DO PROJETO DE DEUS(AP 13, 1-18)
1. Vi, então, levantar-se do mar uma Fera que tinha dez chifres e sete cabeças; sobre os chifres, dez diademas; e nas suas cabeças, nomes blasfematórios.
2. A Fera que eu vi era semelhante a uma pantera: os pés como de urso, e as fauces como de leão. Deu-lhe o Dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade.
3. Uma das suas cabeças estava como que ferida de morte, mas essa ferida de morte fora curada. E todos, pasmados de admiração, seguiram a Fera
4. e prostraram-se diante do Dragão, porque dera seu prestígio à Fera, e prostraram-se igualmente diante da Fera, dizendo: Quem é semelhante à Fera e quem poderá lutar com ela?
5. Foi-lhe dada a faculdade de proferir arrogâncias e blasfêmias, e foi-lhe dado o poder de agir por quarenta e dois meses.
6. Abriu, pois, a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar o seu nome, o seu tabernáculo e os habitantes do céu.
7. Foi-lhe dado, também, fazer guerra aos santos e vencê-los. Recebeu autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação,
8. e hão de adorá-la todos os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos desde a origem do mundo no livro da vida do Cordeiro imolado.
9. Quem tiver ouvidos, ouça!
10. Quem procura prender será preso. Quem matar pela espada, pela espada deve ser morto. Esta é a ocasião para a constância e a confiança dos santos!
11. Vi, então, outra Fera subir da terra. Tinha dois chifres como um cordeiro, mas falava como um dragão.
12. Ela exercia todo o poder da primeira Fera, sob a vigilância desta, e fez com que a terra e os seus habitantes adorassem a primeira Fera (cuja ferida de morte havia sido curada).
13. Realizou grandes prodígios, de modo que até fez descer fogo do céu sobre a terra, à vista dos homens.
14. Seduziu os habitantes da terra com os prodígios que lhe era dado fazer sob a vigilância da Fera, persuadindo-os a fazer uma imagem da Fera que sobrevivera ao golpe da espada.
15. Foi-lhe dado, também, comunicar espírito à imagem da Fera, de modo que essa imagem se pusesse a falar e fizesse com que fosse morto todo aquele que não se prostrasse diante dela.
16. Conseguiu que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, tivessem um sinal na mão direita e na fronte,
17. e que ninguém pudesse comprar ou vender, se não fosse marcado com o nome da Fera, ou o número do seu nome.
18. Eis aqui a sabedoria! Quem tiver inteligência, calcule o número da Fera!
Caro amigo/a, é impressionante como São João consegue retratar a sociedade injusta da sua época, de maneira simbólica e usando a linguagem apocalíptica. As duas bestas aliadas do Dragão, são animais, portanto, força positivas ou negativas presentes no mundo, sendo que a primeira emergiu do mar e a segunda, da terra.
Bem, a primeira besta é um monstro de indescritível horror e significa ser a filha do dragão; a segunda besta tem aparência inofensiva e, por isso, é mais perigosa que a primeira e significa ser a mente de Satanás, é o falso profeta.
A primeira besta é uma imitação mal feita do projeto de Deus, representa o poder perseguidor de Satanás e opera nas nações deste mundo e nos seus governantes, como Deus Pai confiou ao seu filho Jesus seu projeto de levar vida nova à humanidade. O dragão, parodiando o projeto de Deus, confia a sua filha, a besta, seu projeto de mentira. Tudo nela é representado pela imperfeição, número 10 indica imperfeição. E ela possui: dez diademas e nomes blasfematórios, isto que querem ser como Deus, colocar-se no lugar de Deus. Ela assume diferentes formas, mas a essência é a mesma: governo mundano direcionado contra a Igreja. São João quis aqui representar a sociedade que ele viveu e conhecia profundamente, mas para poder denunciar usa esta linguagem, que para os cristãos da época era fácil de identificar, pois viviam e sentiam o poder político de Roma que os pressionava, ameaçava e tirava a liberdade de culto a Deus Pai e especialmente, a Jesus Cristo. Logo ela quis representar o Império Romano e mais ainda, quer representar a figura simbólica da somatória dos impérios, simbolizados pelas imagens de animais conhecidos pelas pessoas a quem João queria exortar: a besta, foi representada por uma pantera, com pés de urso e boca de leão. Estes três animais, respectivamente representam os impérios Persa, Medo e Babilônico. Portanto, a besta representa o Império Romano histórico, do primeiro século e as sete cabeças são sete imperadores subseqüentes. por simbolizar os governos mundanos, as quatro bestas, vistas por Daniel (Dn 7), foram combinadas, aqui, em uma única, pois, em Daniel, elas representam quatro impérios sucessivos e, aqui, a primeira besta representa todos os governos anticristãos, o número três simboliza o poder totalitário que sintetiza todo mal, opressão, crueldade e toda espécies de idolatrias.
No versículo três, vemos a declaração de que uma das cabeças recebeu um golpe mortal e que a mesma foi curada, deve significar que um destes sete impérios cessou, por algum tempo, de ser um poder ferozmente perseguidor, mas, depois, reassumiu seu caráter anterior. Cogita-se ser Nero, o Imperador Romano sob cujo governo, os cristãos foram severamente perseguidos, mas, que, ao se suicidar, Roma, como perseguidora, recebeu sua ferida mortal. Mas, sob o reinado de Domiciano, começou, de novo, a perseguição cada vez mais cruel. Estes imperadores ou governantes terrenos blasfemam de Deus e demandam, para si mesmos, títulos divinos, iniciando muitas vezes seus decretos exortando a si mesmo, tais como: “Nosso Senhor e Nosso Deus, o imperador, sentencia que...”. O Imperador Domiciano chegou ao cúmulo de exigir que sua mãe fosse tratada como: “Mãe de Deus e Rainha do céu”.
Serão tempos difíceis, pois o tempo mencionado: 42 meses, representa, como já vimos imperfeição e sofrimento. Será o período em que os governantes deste mundo se assentam no trono; usurpam, para si mesmos, a autoridade que pertence a Deus e blasfemam de Deus e do céu. Esta condição, finalmente, resultará na completa destruição da Igreja como uma poderosa e influente organização, para a expansão do Evangelho. Porquanto, toda tribo e povo e língua e nação, finalmente, adorarão o governo anticristão. Mas, mesmo nestes dias, por mais terríveis que sejam, que precederão a segunda vinda de Cristo, haverá cristãos sobre a terra, aqueles cujos nomes foram escritos, desde a eternidade, no Livro da Vida do Cordeiro (17.8). Pelo fato de Deus os ter eleitos desde a eternidade, para a salvação, em santificação do Espírito e fé da Verdade (2 Ts 2.13), estes indivíduos não podem perecer. O governo anticristão pode destruir seus corpos, mas não pode destruir sua fé. São João exorta que não se deve recorrer à violência contra as perseguições, mas, sim resistir até o fim, só assim a besta será vencida, mesmo que acabe em cadeia ou morte. O próprio São João estava sofrendo martírio, prisioneiro e exilado na ilha de Patmos. Mas resistia, pois já tinha como exemplo de bravura e fidelidade, diversos apóstolos que já haviam entregado a vida pelo evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
A segunda besta sai da terra, onde o dragão mantém um de seus pés. Simboliza as falsas religiões, falso profeta, ela se ergue da terra e, conforme Tiago 3.15, a "sabedoria" anticristã vem da terra; ela é serva da primeira besta; é inteligente (é a mente de Satanás) e realiza muitos truques e falsos milagres para enganar as massas, tais como: fogo descendo do céu, faz imagem falar. Simboliza a falsa religião e a falsa filosofia; exteriormente, assemelha-se ao Cordeiro, interiormente, porém, contém o dragão. É uma bestial imitação do Espírito Santo, só que ao invés da verdade, ele proclama a propaganda da mentira, mostra o que acontece quando as pessoas se deixam levar pela propaganda enganosa. Todos tinham de adorar a besta, quem não adorasse era perseguido e morto. Pessoas ligadas ao império colocavam-se dentro das estátuas e imagens da besta, isso é, dos Imperadores, e verificavam quem adorava ou não, estes eram denunciados e poderiam ser levados à prisão e até à morte.
No Ap 13, 16 a 18, a Bíblia nos fala da marca da besta e das conseqüências disso. Esta marca será feita na fronte, ou na mão direita de todos que aceitarem a besta, todos: pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos; e a conseqüência é que ninguém poderá comprar ou vender se não tiver esta marca - o nome da besta ou o seu número. E o número da besta é o número do homem, ou seja, 666. é como a marca, uma imitação, uma caricatura grotesca do Batismo cristão.
Portanto, "receber a marca da besta" parece significar: "pertencer à besta e adorá-la". A marca da besta é: o espírito do anticristo, opositor de Deus, que rejeita a Cristo e persegue a Igreja, onde e sempre que ele se apresente. A marca na fronte, simboliza a consciência, a mente, a "vida intelectual", "a filosofia de vida uma pessoa. Sua ação (mão direita) indica: seus feitos; sua atividade; sua ocupação; sua indústria, etc."
O número da besta, 666, para São João, certamente queria indicar o imperador Nero, pois para os semitas e também os Gregos, os números poderiam ser substituídos por letras e facilmente aqueles cristãos poderiam chegar à conclusão do nome do homem: “Cesar Nero”, mas pode ser também Domiciano, que era até mais cruel e sanguinário do que Nero. Podemos também levar para a simbologia do número seis que indica quase, pois sete é perfeição e seis é quase set, isto é: frágil, fraco. Ora, o homem foi criado no sexto dia. O ser humano sempre é falho em atingir a perfeição, isto é, ele nunca se torna sete. Seis significa errar o alvo, ou fracassar. É o número do homem, porque a besta se gloria no homem; por isso, deve fracassar, nunca deverá nos vencer, pois somos fieis a Jesus Cristo, o vencedor final.
Mas, infelizmente, muitos cristãos procuram achar este número dentro da Igreja de Jesus Cristo, naqueles que professam a fé no Deus único: a Santíssima Trindade, o Pai, o filho Jesus e o Espírito Santo. Muitos evangélicos querem atribuir o número ao Papa, o título de “Pontifex Maximus”, dizendo que com a queda do império romano o título “Pontifex Maximus” foi passado para o então Papa e esse número dá a somatória 666. muitos outros receberam este número: Hitler, Napoleão, etc. mas, hoje olhando para o nosso Papa João Paulo II, homem da paz, que acolhe todos os povos, mas, mantém a firmeza do Evangelho, mesmo contra poderosos como Bush e muitos outros, podemos dizer que o nosso Papa é o verdadeiro representante de Jesus Cristo aqui nos nossos tempos!
Quando se fala da Igreja, não devemos pensar em estar falando só do Papa, dos Bispos, ou do magistério, ou do clero. A Igreja somos todos nós que professamos nossa fé em Jesus Cristo Ressuscitado e seguimos seus ensinamentos. O equilíbrio e serena liberdade para tratar, sem extremismos fanáticos, os problemas que agora nos colocamos. Reconhecer o fato do pluralismo no seio da Igreja. Há diferentes visões teológicas e pastorais, diferentes análises dos problemas emergentes e diferentes propostas de solução. Esse pluralismo será mais acentuado em tempos de mudança, e de novas formas de vida eclesial e novas respostas da realidade social.
Toca a cada um descobrir, entre as várias tendências e movimentos eclesiais, qual é o chamamento pessoal que o Senhor lhe dirige. O amor e a obediência à Igreja é conseqüência do amor e obediência a Cristo. O cristão ama a Igreja não porque ela é perfeita, mas porque Cristo a ama, assim como ela é, e cuida dela, purificando-a e aperfeiçoando-a até levá-la à plenitude de sua santidade.
As tensões e sofrimentos dentro da Igreja nos ajudam a amar a Igreja real, e não a imagem idealizada que dela fazemos. Do mesmo modo que vibramos com o heroísmo de uns, sabemos ter paciência com a mediocridade de outros. Só o espírito profético poderá desmascarar a mentira presente nas estruturas sociais iníquas e mentirosas. O discernimento da oração nos mostra onde está agindo o bom ou o mau espírito!
Bem, caro amigo/a quem é a besta hoje? É toda pessoa, estrutura, instituição, governo ou sistema social que cria e mantém a cultura da morte, que manipula e perverte a consciência das pessoas, levando-as ao erro e a vida distanciada do plano de Deus.
Contemplando os últimos capítulos que vimos, ficamos assustados, pois a besta está presente no mundo, submetendo todos à sua marca. Pois, ela vigia, denuncia e mata! Qual é a saída? Veremos que São João teve uma grande visão: três anjos predizem a vitória! Quem vencerá: os que resistiram à propaganda mentirosa, à idolatria, que mantém firme a fé em Jesus Cristo e segue os seus ensinamentos, especialmente o mandamento do amor: amor a Deus Pai, a si mesmo e aos irmãos. Testemunha com sua vida a fé em Jesus e seu Evangelho!

24- VISÃO DO FUTURO, DA VITÓRIA FINAL (AP 14, 1-5)
1. Eu vi ainda: o Cordeiro estava de pé no monte Sião, e perto dele cento e quarenta e quatro mil pessoas que traziam escritos na fronte o nome dele e o nome de seu Pai.
2. Ouvia, entretanto, um coro celeste semelhante ao ruído de muitas águas e ao ribombar de potente trovão. Esse coro que eu ouvia era ainda semelhante a músicos tocando as suas cítaras.
3. Cantavam como que um cântico novo diante do trono, diante dos quatro Animais e dos Anciãos. Ninguém podia aprender este cântico, a não ser aqueles cento e quarenta e quatro mil que foram resgatados da terra.
4. Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São eles que acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; foram resgatados dentre os homens, como primícias oferecidas a Deus e ao Cordeiro.
5. Em sua boca não se achou mentira, pois são irrepreensíveis.
Caro amigo/a, contemple essa cena que nos projeta para o futuro, o Cordeiro (Jesus Cristo); os 144.000 selados; diversos anjos; os quatro seres viventes; os vinte e quatro anciãos; um semelhante a filho de homem; o cordeiro estava em terra firma, em pé, sobre o Monte Sião, símbolo de força, Deus garante a vitória final. Diferentemente do dragão que estava com o pé na areia, que não dá estabilidade.
Continue contemplando a felicidade que nós teremos se perseverarmos até o fim: os cento e quarenta e quatro mil selados, como já vimos, indicativo de todos os fiéis que mantiveram a fé em Cristo e resistiram à besta, estavam com o Cordeiro e entoavam um novo cântico que tinham aprendido, naquele momento, que estava sendo cantado por uma voz do céu, como voz de muitas águas, como voz de grande trovão, só os salvos que podiam escutar o cântico,só os comprometidos com Cristo e seu Evangelho, pois Tinham, na fronte, escritos o nome do Cordeiro e o nome de Deus Pai; a expressão: "São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos", isto é: não se contaminaram com a idolatria e feitiçaria da época. A infidelidade a Deus era considerada como uma infidelidade conjugal, prostituir-se com outras mulheres ou prostitutas, maculando o matrimônio. Portanto, não vivem a mentira e a propaganda mentirosa dos imperadores, que se diziam deuses e queriam ser adorados. Os que viveram a “Verdade” que é Jesus Cristo.
Na 2ª Parte (Ap 14, 6-13):
6. Vi, então, outro anjo que voava pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para anunciar aos habitantes da terra e a toda nação, tribo, língua e povo.
7. Clamava em alta voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque é chegada a hora do seu julgamento. Adorai aquele que fez o céu e a terra, o mar e as fontes.
8. Outro anjo seguiu-o, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, por ter dado de beber a todas as nações do vinho de sua imundície desenfreada.
9. Um terceiro anjo seguiu-os, dizendo em alta voz: Se alguém adorar a Fera e a sua imagem, e aceitar o seu sinal na fronte ou na mão,
10. há de beber também o vinho da cólera divina, o vinho puro deitado no cálice da sua ira. Será atormentado pelo fogo e pelo enxofre diante dos seus santos anjos e do Cordeiro.
11. A fumaça do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos. Não terão descanso algum, dia e noite, esses que adoram a Fera e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal do seu nome.
12. Eis o momento para apelar para a paciência dos santos, dos fiéis, aos mandamentos de Deus e à fé em Jesus.
13. Eu ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem.
Temos as vozes dos anjos e a ceifa. Cada anjo tem uma ou mais funções específicas, o primeiro convida à fidelidade, o segundo dá a vitória como certa e o terceiro anuncia o grande castigo dos que forem infiéis. Eles têm um propósito comum: advertir a humanidade a respeito da vinda do juízo, a fim de que os homens e mulheres possam voltar-se para Deus em verdadeira fé. Primeiro anjo:
O anjo voa no mais alto do céu, isto é: pode ser visto por todos, ninguém pode dizer que não escutou o evangelho. É enviado aos “habitantes da terra", os adoradores da besta, as pessoas não estão preparadas para o dia do Juízo Final. De maneira geral, estão serenas, indiferentes; despreocupadas; desatentas; displicentes e não prestam atenção nas vozes de advertência, dizendo em grande voz, como para ser ouvido por todos: "Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo ..." É a advertência para o incrédulo, par o infiel, que não escuta o Evangelho.
Segundo Anjo:
Proclama a queda da Babilônia, de Roma, que representa o mundo como centro de sedução, da sociedade injusta, que gera pobres e miseráveis prostituídos pela idolatria. Sua futura queda é tão certa que este segundo anjo já a está anunciando como se tivesse ocorrido. Portanto, esta mensagem do anjo é uma advertência aos ímpios para se converterem de seu adultério, de sua apostasia e adoração à besta, isto é, aos imperadores e feiticeiros. Hoje são os que tem como principal sentido de suas vidas, o poder, a riqueza, a infidelidade conjugal e a promiscuidade. Vivem como se Deus não existisse. Como se o Evangelho fosse um mero romance, ou uma ficção.
Terceiro Anjo:
Anuncia, numa linguagem mais solene, que todos aqueles que estão alienados a este mundo, apegados aos prazeres mundanos, com ele perecerão, serão destruídos, porque ninguém pode pecar e ficar livre, se safar ileso; lembrar que a ira de Deus visitará aqueles que adoram a besta. Vinho puro simboliza a força de Deus, sem mistura, sem misericórdia, recordando-lhes que, aqui na terra, esta ira é, ainda, contrabalançada pela Graça a pedir:, pois "O Senhor faz nascer o Seu sol sobre maus e bons e envia chuvas sobre justos e injustos" (Mt 5, 45). Todavia, no inferno, a ira estará sem mistura, será tormento com fogo e enxofre, sem descanso algum, quer de dia, quer de noite.
Alerta-nos para a realidade do inferno, um castigo eterno, visto que é certa a punição eterna a todos aqueles que perseguem a Igreja e odeiam ao Senhor.
Portanto estes três anjos anunciam que devemos nos converter das ideologias que nos afastam de Deus e escravizam as pessoas e criam estruturas sociais injustas e pecaminosas. São Paulo em sua carta aos Gálatas, capítulos 5 de 19 a 21: nos exorta sobre "As obras da carne que são bem conhecidas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, magia, inimizades, discórdia, ciúme, dissensões, divisões, facções, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes". E ainda nos diz que quem fizer estas obras não herdará o céu.
São João escuta ainda uma voz do céu que vem recordar aos cristãos que, mesmo se eles forem expostos à morte, porque guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus, a sua bem-aventurança é garantida. Isto é suas obras os seguem, os acompanham. São Paulo, ainda nos exorta a vivermos segundo o Espírito de Deus, "Mas eis o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benevolência, bondade, fidelidade, meiguice, domínio de si; contra tais coisas não há lei. Os que pertencem ao Cristo crucificaram a carne com suas paixões e desejos" (Gl 5, 22-24). É verdade que a lógica sugere a contraposição entre as "obras" da carne e as "obras" do Espírito, mas com o termo "fruto" o apóstolo sublinha que as atitudes construtivas não são obra nossa, mas dom e fruto, isto é, algo de agradável, de fascinante, de belo, de natural, de espontâneo, de jubiloso, de alegre, de gostoso como um fruto. Elas nascem da árvore do Espírito. Nós as vivemos, as executamos, mas é o Espírito quem as produz em nós. Além disso, esperaríamos o plural "frutos", visto que se trata de nove atitudes. No entanto, creio que, optando pela expressão no singular, Paulo quis tornar perceptível a unidade da vida nova, confrontada com a desagregação típica da vida segundo a carne, da vida mundana. Por conseguinte, "fruto" é entendido no sentido coletivo, como frutificação, riqueza de frutos do Espírito. Portanto, a bem-aventurança do Apocalipse nos promete felicidade se morrermos vivendo o fruto do Espírito e abandonarmos as obras da carne. A felicidade é para já, pois a morte, seja natural ou violenta, não é derrota, mas é o começo de uma vida nova, mais verdadeira; sem as tristezas e limitações que temos nesta vida. É o descanso na casa paterna, é a recompensa pelas nossas fidelidades à Igreja de Jesus Cristo. Estou vivendo nestes dias em que escrevo, a morte de João Paulo II. Que paz e certeza de uma morte feliz: cumpri a minha missão! Ganhei a coroa da justiça! É fácil de entender esta passagem quando olhamos para aqueles que morrem no cumprimento de suas missões, cristãos verdadeiros e fieis! Em nossos dias: Madre Tereza de Calcutá, Gandhi, e tantos outros que viveram a santidade do cotidiano.
Caro amigo/a mais uma vez São João narra a chegada do Juízo Final. Ele é descrito sob o simbolismo da uma dupla colheita. João vê o seguinte: assentado sobre uma nuvem branca, o branco indicando santidade, e a nuvem simbolizando juízo, "Um semelhante a Filho de Homem", trata-se de Jesus Cristo; uma coroa de ouro sobre sua cabeça, simbolizando a coroa ou louro da vitória e nunca mais a "coroa de espinhos". Tem uma foice afiada em sua mão direita. Ele vem preparado para a ceifa, pois esta lhe pertence; um anjo, que sai do santuário, o lugar da santidade de Deus, e comunica a mensagem de Deus ao Mediador, Cristo, comunicando-lhe que chegou a hora de ceifar, visto que a safra da terra já secou, e está pronta para a colheita. E, assim, a foice foi lançada sobre a terra e a terra foi ceifada e, os eleitos, recolhidos por Ele. O próprio Jesus Cristo recolhe os eleitos, os que mantiveram a fé, este julgamento é exercido pelo Filho do Homem como tal: ele segura a foice. Mas acontece (v. 15) que um anjo sai do templo (da morada secreta de Deus) e grita com uma voz forte àquele que estava na nuvem (Jesus, depois da ascensão): "Lança tua foice e ceifa ...". Lembremos o que é o anjo: o agente de uma vontade de Deus, sem nenhuma existência específica, nenhuma autonomia e, particularmente, o portador de um anúncio. Portanto, neste caso, ele não tem nenhuma iniciativa; não é ele, como anjo, que dá uma ordem ao Filho do Homem. E, se a palavra pronunciada é de tal forma certa e forte que ele obedece e lança a foice, é porque estamos diante de uma palavra. Em outras palavras, a Colheita efetua-se por causa de uma palavra que a decide. O Filho do Homem não pode tomar sozinho, a iniciativa de fazê-la. Ceifa, pois, quando o Pai lho ordena. O que corresponde exatamente à resposta de Jesus no Evangelho: "Acerca daquele dia e daquela hora, ninguém sabe nada, nem os anjos do céu, nem o Filho, exceto o Pai ... "
Com Jesus, mais três anjos: um transmite a ordem de Deus para se proceder à colheita. O segundo tem uma foice (como o Filho do Homem) e o terceiro lhe dá a ordem de cortar a vinha. Esta é a vindima da cólera de Deus, e o que então se recolhe é destinado ao furor (vindima colocada no lagar, escorrendo algo comparável ao sangue), um rio de sangue, que se estende, infalivelmente, sobre toda a criação, o que é designado pelo número 1.600 estádios: 4x4 (número da terra; multiplicado por ele mesmo) e multiplicado por 100, que designa toda a terra, a totalidade da terra é julgada. Jesus preside este julgamento, mas são os mártires, os que foram sacrificados é que clamam por justiça. E a resposta é dada: todos os adoradores da besta, todos os criadores da sociedade injusta serão destruídos, simbolizado pelo lagar sendo pisado. E o sangue escorreu fora da cidade, e esta cidade santa, já anunciando a Nova Jerusalém, é totalmente ilesa do sangue espalhado. Toda a criação está coberta por ele, menos a cidade santa, que é preservada, lá estão os benditos de Deus Pai, todos os que foram fieis. São João começa a preparar o julgamento final. No próximo capítulo João tem a visão da vitória dos que apesar das dificuldades da profecia, mantiveram sua fidelidade ao Evangelho.

25- PREPARAÇÃO DO JULGAMENTO (AP 15, 1-8)
1. Vi ainda, no céu, outro sinal, grande e maravilhoso: sete Anjos que tinham os sete últimos flagelos, porque por eles é que se deve consumar a ira de Deus.
2. Vi também como que um mar transparente, irisado de fogo, e os vencedores, que haviam escapado à Fera, à sua imagem e ao número do seu nome, conservavam-se de pé sobre esse mar com as cítaras de Deus.
3. Cantavam o cântico de Moisés, o servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus Dominador. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações!
4. Quem não temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? Só tu és santo e todas as nações virão prostrar-se diante de ti, porque se tornou manifesta a retidão dos teus juízos.
5. Depois disso, eu vi abrir-se no céu o templo que encerra o Tabernáculo do Testemunho.
6. Os sete Anjos que tinham os sete flagelos saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, cingidos ao peito com cintos de ouro.
7. Um dos quatro Animais deu-lhes então sete taças de ouro, cheias da ira de Deus que vive pelos séculos dos séculos.
8. Encheu-se o templo de fumaça provinda da glória de Deus e do seu poder. E ninguém podia entrar, enquanto não se consumassem os sete flagelos dos sete Anjos.
"Um sinal grande e admirável", a palavra "sinal" sempre simboliza milagre ou aparição maravilhosa. Este é o terceiro sinal que João viu, o primeiro, foi o sinal da mulher radiante, vestida de sol (Ap 12, 1); depois viu o sinal do grande dragão vermelho que se opunha à mulher (Ap 12, 3); agora vê o sinal dos sete anjos, portando os sete flagelos.
Mas, antes destes sete flagelos, João teve uma visão futurista, daquelas do que vão acontecer no final, mas pedagogicamente, ele prepara e consola as comunidades: Ele viu os vencedores da besta, da imagem dela e do número de seu nome, todos reunidos, de pé, naquele como que mar de vidro, entoando o cântico de Moisés e o cântico do cordeiro, que é o mesmo cântico com o qual os judeus celebraram a vitória sobre o exército do Faraó, quando da travessia do Mar Vermelho.
O como que "mar de vidro" deve ser o mesmo espaço que há diante do trono de Deus e que foi mencionado em Ap 4, 6. Este mar de vidro, mesclado de fogo, que simboliza o esplendor da nova terra, nova pátria que conquistarão os fieis seguidores de Jesus Cristo. Estes vencedores da besta são os santos-mártires mortos pela besta, pela sociedade injusta, por sua perseverança sob perseguição; sua obediência firme aos mandamentos de Deus e sua fé em Jesus. Eles venceram a besta, por meio do seu martírio, pois nem na morte eles negaram o nome de Jesus. Também as cítaras de Deus que eles portam, têm um simbolismo, qual seja, simbolizam sua vitória sobre a besta e, ao mesmo tempo, expressam louvor e adoração a Deus.
O hino está quase totalmente expresso em linguagem do A.T., do livro do Êxodo 15 e dos Salmos: porque Deus é o Deus que liberta seu povo. Suas obras são grandes e admiráveis. Ele é o Senhor Deus, Todo-Poderoso, à luz de quem os poderes da besta têm limites. Seus caminhos, mesmo permitindo que os santos sofram, são justos e verdadeiros. Ele é, realmente, o Rei das Nações.
Na época em que São João escreveu o Apocalipse, na Ásia menor, era para os cristãos, tempo de grande tribulação, quando parece que a besta tem poder ilimitado para executar seus propósitos demoníacos contra os homens e perseguir os santos - na hora mais escura da história da humanidade, quando parece mesmo que Satanás é o deus deste século, os mártires cantam um hino de louvor a Deus, reconhecendo que Ele é o Deus vivo e verdadeiro. Eles exaltam o nome de Deus porque, ao contrário de evidências externas, ele é, de fato, o Rei de todas as nações e todas as épocas, inclusive durante o tempo de martírio.
Caro amigo, contemple este hino em Ap 15, 3-4, pois é uma das expressões de fé mais comoventes de toda a narrativa bíblica: "Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos". Esta frase final pode ser considerada como que uma síntese da mensagem de todo o Apocalipse. E a meta do Apocalipse é estabelecer uma cidade onde todas as nações encontrarão a paz. Esse hino, com certeza, expressa a fé convicta que resiste com esperança, diante dos poderosos, imperadores e feiticeiros que enganam, matam e tentam dizimar aqueles que acreditam no Deus verdadeiro: rei das nações, santo, dominador, só tu és santo! Títulos que demonstram uma enorme fé e resistência das comunidades cristãs.
Após esta cena profética do juízo final, João olhou e viu abrir-se, no céu, o santuário da tenda de Testemunho. Este é o santuário que contém a Arca da aliança e esta, contém "o testemunho" (Ex 25.16 a 21). São João compara o céu, a habitação de Deus, com o templo de Jerusalém. Começa agora o cumprimento da aliança, da justiça divina.
Então, os sete anjos, que tinham os sete flagelos, saíram do santuário. As suas vestimentas, que indicam as suas identidades: de linho puro, resplandecentes e brilhantes, que simbolizam o esplendor destes seres celestiais, como as roupas da noiva do cordeiro, a Igreja. As cintas de ouro indicam funções sacerdotais dos anjos, vão oferecer um sacrifício, como que um desagravo à majestade de Deus, ofendida pela idolatria dos adoradores do grande dragão.
Podemos notar que São João quer identificar a comunidade iluminada pelo Espírito de Jesus, presente nas comunidades, representado pelos quatro seres vivos, pois, um dos quatro seres viventes deu, aos sete anjos, sete taças de ouro, cheias da cólera de Deus. A presença dos seres viventes é prova de que esta operação processa-se no ambiente do trono de Deus, simbolizando ser ela de total autorização de Deus. E João viu que o santuário se encheu de fumaça, procedente da glória de Deus e do seu poder. São João se utiliza do Antigo Testamento, Ex 40, 34-35, para dizer que agora ninguém podia entrar, no santuário, até que as sete pragas dos sete anjos fossem consumadas, isto é, a intercessão não mais era possível. Deus encerrará, com ira, suas ternas misericórdias". Deus dará a cada um segundo as medidas de suas obras, conforme as suas opções de vida.
Caro amigo, contemple com todo o coração estas passagens, pois está começando: o dia do Senhor! Peça a Graça de ter inteligência e sabedoria para compreender que cada um de nós sofre as conseqüências de nossas opções: pelo projeto de Deus ou o nosso próprio projeto, pelas nossas concupiscências, desejos e vontade próprias!
Antes de entrarmos propriamente na contemplação dos sete flagelos, individualmente, vamos ver alguma coisa que diz respeito a eles, globalmente.

26- OS SETE FLAGELOS ( AP 16)
1. Ouvi, então, uma voz forte saindo do templo, que dizia aos sete Anjos: Ide, e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus.
2. O primeiro, portanto, pôs-se a derramar a sua taça sobre a terra. Formou-se uma úlcera atroz e maligna nos homens que tinham o sinal da Fera e que se prostravam diante de sua imagem.
3. O segundo derramou a sua taça sobre o mar. Este tornou-se sangue, como o de um morto, e pereceu todo ser que estava no mar.
4. O terceiro derramou a sua taça sobre os rios e as fontes das águas, e transformaram-se em sangue.
5. Ouvi, então, o anjo das águas dizer: Tu és justo, tu que és e que eras o Santo, que assim julgas.
6. Porque eles derramaram o sangue dos santos e dos profetas, tu lhes deste também sangue para beber. Eles o merecem.
7. Ouvi o altar dizer: Sim, Senhor Deus Dominador, são verdadeiros e justos os teus julgamentos.
8. O quarto derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com o fogo.
9. E os homens foram queimados por grande calor, e amaldiçoaram o nome de Deus, que pode desencadear esses flagelos; e não quiseram arrepender-se e dar-lhe glória.
10. O quinto derramou a sua taça sobre o trono da Fera. Seu reino se escureceu e seus súditos mordiam a língua de dor.
11. Amaldiçoaram o Deus do céu por causa de seus sofrimentos e das suas feridas, sem se arrependerem dos seus atos.
12. O sexto derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e secaram-se as suas águas para que se abrisse caminho aos reis do oriente.
13. Vi (sair) da boca do Dragão, da boca da Fera e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs;
14. são os espíritos de demônios que realizam prodígios, e vão ter com os reis de toda a terra, a fim de reuni-los para a batalha do Grande Dia do Deus Dominador.
15. (Eis que venho como um ladrão! Feliz aquele que vigia e guarda as suas vestes para que não ande nu, ostentando a sua vergonha!)
16. Eles os reuniram num lugar chamado em hebraico Har-Magedon.
17. O sétimo derramou a sua taça pelos ares e saiu do templo uma grande voz do trono, que dizia: Está pronto!
18. Houve, então, relâmpagos, vozes e trovões, assim como um terremoto tão grande como jamais houve desde que há homens na terra.
19. A grande cidade foi dividida em três partes, e as cidades das nações caíram, e Deus lembrou-se da grande Babilônia, para lhe dar de beber o cálice do vinho de sua ira ardente.
20. Todas as ilhas fugiram, e montanha alguma foi encontrada.
21. Grandes pedras de gelo, que podiam pesar um talento, caíram do céu sobre os homens. Os homens amaldiçoaram a Deus por causa do flagelo da saraiva, pois este foi terrível.
Estes flagelos, caro amigo/a, têm muita semelhança com as sete trombetas e ambos têm muito a ver com as pragas do Egito. Todavia, a grande diferença entre eles, é que os flagelos, taças da ira, são bem mais intensas e devastadoras, e não são parciais como as trombetas. Agora as taças, que simbolizam o destino, ou o projeto que cada pessoa escolhe para si, provocam efeito pleno: atingem a terra, o mar, os rios, as fontes, o sol, o trono da besta e até o rio Eufrates, para liberar os povos para se auto destruírem. Estas pragas não são a expressão da ira divina contra o pecado em geral, mas são os castigos por más ações individuais. A ira de Deus é derramada sobre aquele que quer frustrar o plano divino de Deus para o mundo - a besta - e sobre os que são leais a ela". O julgamento atinge a todos.
São João escuta uma a voz forte, só pode ser a de Deus, pois vinha do santuário e só Ele ficou ali dentro, pois todos os demais tiveram de sair, por causa da intensa fumaça que ali havia.
O primeiro flagelo: este primeiro flagelo atinge, diretamente, as pessoas, como a praga dos tumores, no Egito (Ex 9.10 e 11). Todavia, ela não atinge às pessoas em geral, mas só àqueles que se deixaram marcar com o número da besta, isto é deixaram-se levar por suas mentiras e maquinações. As que são leais ao Cordeiro e que resistem a suas reivindicações satânicas não são, pois, atingidas, foram seladas pelo Cordeiro.
O segundo flagelo: o segundo anjo derramou sua taça no mar, o mar se tornou em sangue como de morto, e morreu todo ser vivente que nele havia. Este flagelo tem muito a ver com a praga do Egito, quando as águas do rio Nilo foram feridas, e transformou-se em sangue (Ex 7, 17-21). Também tem semelhança com a segunda trombeta que, quando soou, algo parecido com uma montanha foi jogada ao mar e a terça parte dele se transformou em sangue e morreu a terça parte das criaturas do mar. A expressão "sangue como de morto" quer dizer "sangue de um homem morto", sangue, portanto, que se coagula, exalando um odor repugnante.
O terceiro flagelo: podemos observar que João, aqui, teve três visões, ou seja: viu o terceiro anjo derramar a sua taça nos rios e nas fontes das águas e as águas se tornaram em sangue; ouviu o anjo das águas louvar a justiça de Deus e a correção do que Ele está fazendo; e ouviu ainda, vinda do altar, uma voz elogiando, também, a justiça de Deus, afirmando: "Certamente, ó Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos". Com certeza, esta voz que vem do altar, é de todos os que morreram por cristo, que foram martirizados e agora Deus faz acontecer a justiça.
Este flagelo, tal como o anterior, atinge as águas, só que, aqui, as águas doces, rios e fontes das águas, tornando-as, também, em sangue. A terceira trombeta também atingiu estas águas, só que a conseqüência dela for tornar um terço das águas amargas e de matar muitas pessoas. Neste flagelo, não se fala em quantidade de mortes, mas ela é diferente da outra, por não ter limitação, pois é de efeito tremendo.
João, então, ouviu o anjo das águas proclamar a justiça dos juízos de Deus, pronunciados sobre os que derramaram o sangue dos que foram leais a Deus. O julgamento dos que martirizaram os santos corresponde ao mal que fizeram e, por isso, recebem somente o que merecem. E finalizando esta taça, João ouviu a voz do altar, afirmando que "o julgamento de Deus não é arbitrário e nem caprichoso, mas verdadeiro e justo; é de uma justiça completa. Logo no próximo flagelo veremos que Deus castiga porque ainda espera a conversão dos ímpios e pecadores”.
O quarto flagelo: João viu o quarto anjo derramar sua taça sobre o sol, com isso e por isso os homens e mulheres queimaram-se com o intenso calor que passou a fazer, e blasfemaram o nome de Deus. Mesmo assim não se arrependeram para dar glória a Deus. Este flagelo tem relação com o tocar da quarta trombeta. Ambos têm como objetivo o sol. Só que, pelo juízo das trombetas, um terço do sol seria como que desativado e, com isso, haveria a diminuição da luz e conseqüente aumento das trevas e este juízo das taças diz respeito ao aumento de calor.
Pode-se notar até aqui, que toda a natureza, a criação: terra, mar, fontes e o sol, se revoltam contra os pecados praticados pelos homens. Mas mesmo assim, mesmo as pessoas atingidas reconheceram tratar-se de uma ação divina; mas seus corações são tão endurecidos e teimosos, por terem escolhidos seguir a besta que, ao invés de caírem de joelhos para confessar humildemente sua dependência de Deus, eles blasfemam o seu nome e teimosos se recusam a se arrependerem e lhe darem glória."
É, meu caro amigo/a, um sinal de alerta para que cada um de nós reveja os nossos caminhos, e nos voltemos para o verdadeiro caminho, verdade e vida: Jesus Cristo. Veremos que os próximos flagelos se referem á besta, ao Império Romano, mais especificamente a Roma, centro e figura de todos os poderes humanos colocados à serviço do mal.
O quinto flagelo: João viu o quinto anjo derramar a sua taça sobre o trono da besta. O reino da besta se tornou em trevas, e os seguidores da besta remordiam a língua, por causa da dor que sentiam; blasfemaram o Deus do céu, por causa das angústias e das úlceras que sofriam. Mas, mesmo assim surge a segunda blasfêmia: a rejeição de Deus que liberta. Mesmo assim, não se arrependeram de suas obras.
Realmente, esta taça foi derramada diretamente sobre o centro do poder da besta. Isso veio reforçar o argumento de que a ira de Deus não se abate sobre os pecados das pessoas, de um modo geral, mas, sim, sobre as estruturas criadoras da sociedade injusta. E isso realmente aconteceu, pois o Império Romano declinou e se auto destruiu por suas conspirações, desordens e revoltas. O que tem acontecido com todos os povos e impérios que querem se levantar e ser senhor dos outros povos, é só ver a história: Otomanos, nazistas, fascistas, Russos, e muitos outros: se auto destroem, pois criam estruturas iníquas, idolatras e pecaminosas.
O texto não dá a dimensão do estrago causado pelo flagelo, mas, pela reação das pessoas, o flagelo veio acompanhado de dor aguda e de muita angústia e sofrimentos tais que levavam as pessoas a remorderem suas línguas em agonia. Contudo, as pessoas não se emendam e se recusam a demonstrar qualquer arrependimento, preferindo, antes, blasfemarem o Deus do céu. Veremos na próxima taça, a humilhação que virá da própria sociedade injusta: a humanidade seduzida pela trindade satânica, desastrosa imitação de Deus: o dragão, a besta e o falso profeta. É o que vemos nos nossos dias de globalização, de relativismo religioso: tudo é bom, todas as crenças são boas, tudo conduz a Deus!
Caro amigo/a, contemple este momento, pois é grave, tão grave que é professada por São João a terceira bem-aventurança apocalíptica!
O sexto flagelo: João viu os seguintes quadros em seqüência: o anjo derramar a sexta taça sobre o grande rio Eufrates, com duas conseqüências: as águas secaram e os caminhos dos Partas, uma das maiores ameaças para os Romanos, pois viviam do outro lado do rio Eufrates, se abriu. Invasão que acabou, historicamente não acontecendo, mas que simboliza a derrota de todos os que, através da história, vão tentar opor-se ao plano de Deus.
Este flagelo não traz, em si mesmo, qualquer dano ao mundo ou às pessoas, mas serve de preparo para a batalha final. De fato, se no toque da sexta trombeta, vem uma praga terrível e mata a terça parte da humanidade, neste sexto flagelo os espíritos maus não afligem as pessoas, mas as inspiram para que se aliem ao dragão, à besta e ao falso profeta.
São João descrever a inspiração demoníaca dos inimigos de Deus, na grande batalha final, como três espíritos imundos, semelhantes a sapos ou rãs, fazem muito barulho, mas são impotentes. Estes sapos saindo das bocas deles: do dragão, da besta e do falso profeta. Eles usam da mentira, do engano, embuste para tentar conseguir o apoio de todos os reis da terra. Os espíritos maus não afligem as pessoas, mas as inspiram para que se aliem ao dragão, à besta e ao falso profeta. João quer dizer que este movimento não é meramente político ou militar, mas uma manifestação da luta secular entre Deus e Satanás. A palavra traduzida como "imundos", é a mesma usada tantas vezes nos evangelhos para se referir a demônios como espíritos imundos (Mc 1, 23; 3, 11; 5, 2).
O momento é grave: São João exorta com a terceira bem-aventurança: Cristo, aqui, está fazendo um alerta, dizendo que Ele virá de surpresa, sem qualquer aviso, naquele grande dia do Senhor. Portanto, é bom estar preparado para receber a Ele "eis que venho como vem o ladrão".
A batalha do dia do Senhor; a batalha final; o momento em que todo o plano redentor de Deus estará consumado, os de salvação e julgamento, tanto de indivíduos, como da igreja e de toda a criação.
Har-magedom, palavra difícil de interpretar; o equivalente em hebraico seria har megiddon ou a montanha de Megido. O problema é que Megido não é uma montanha, mas uma planície, localizada entre o lado da Galiléia e o mar Mediterrâneo, parte do vale do Jesreel (ou Esdraelon). É um campo de batalha famoso na história de Israel. Foi em Megido que Baraque e Débora derrotaram Jabim, o canaanita (Jz 5, 19); ali morreu Acazias, rei de Judá, ferido por Jeú (2 Rs 9, 27) e Josias, na batalha contra o Faraó Neco (2 Rs 23, 29; 2 Cr 35, 22). Não está claro por que João fala da montanha de Megido. Seja qual for a origem do termo, está claro que, com Har-magedon, São João quer dizer o lugar da batalha final entre os poderes do mal e o Reino de Deus. Não está, de modo algum, dizendo que em um determinado lugar, chamado har-magedom, haverá uma batalha final, com armas, espadas ou bomba atômica. Portanto, Har-magedom é o símbolo de todas as batalhas, nas quais, quando a necessidade é grande e os cristãos são oprimidos, o Senhor manifesta, de repente, Seu poder em favor de Seu povo angustiado e vence o inimigo.
Esta sexta taça, bem como as anteriores se manifesta repetidas vezes na história. Contudo, como as outras taças, ela alcança a sua final e mais completa realização imediatamente antes e em conexão com o último dia." A sétima taça é o dia do juízo. Inicia-se a seção conclusiva do Apocalipse, isto é: a destruição total das forças do mal, da sociedade injusta, a destruição total de Roma/Babilônia. Tão terrível que São João usa os fenômenos naturais, que indicam sempre as manifestações de Deus.
O sétimo flagelo: este sétimo flagelo é um relato antecipado da queda de Babilônia, que será vista, nos dois próximos capítulos. Do mesmo modo que o sexto selo trouxe o dia da ira de Deus (6.12-17); que a sétima trombeta introduziu o dia do juízo final, assim, também, o sétimo flagelo traz o julgamento de Babilônia. A derrota de Babilônia é um terrível golpe para os que trazem a marca da besta. Saiu grande voz do santuário, que simboliza a voz de Deus que, com a expressão: "Feito está!", quis dizer ter chegado o dia da revelação final de sua justiça contra Roma/Babilônia e, através desta sétima taça, já tinha sido executado: a esta revelação de Deus, de que já tinha extravasado sua ira contra Babilônia, seguiram-se relâmpagos; vozes; trovões e, simultaneamente, João presencia um terremoto como nunca tinha tido na terra, com as seguintes conseqüências: Roma/Babilônia é quebrada em três partes, isso é, foi totalmente arruinada; Roma, um centro de sedução, o reino total do mundo, desmancha-se e é destruído; suas cidades e nações se tornam em ruínas; toda ilha foge e as montanhas não são encontradas, quer dizer: destruição total. Estas coisas simbolizam que Deus não se esqueceu dos pecados de Roma/Babilônia e, Sua ira, por tanto tempo detida, agora explode completamente e o mundo recebe a taça do vinho do furor de Sua ira (Ap 14.10).
João vê, também, cair do céu, sobre os homens e mulheres, grande saraivada, com pedras, que pesavam cerca de um talento, ou seja, cerca de 60 quilos cada. Por caírem do céu, estas pedras simbolizam o juízo de Deus, a completa e final efusão de Sua ira.
Tudo isso, quer simbolizar que, no dia do juízo final, a sociedade injusta, o império do mal é totalmente destruído e cai em completa ruína. Todavia, apesar de tudo, estes pecadores não se arrependem. Pelo contrário, eles blasfemam contra Deus.
Bem caro amigo/a, o sétimo flagelo não foi uma praga; somente anunciou o fim, a destruição de Roma/Babilônia em particular, um acontecimento já anunciado em Ap 14, 8. Agora só falta relatar a vinda do fim. São João anuncia, primeiro, o lado negativo, ou seja, a destruição da civilização rebelde, anunciada pelo sétimo flagelo (capítulos 17 e 18) e, depois, fala da volta de Cristo em triunfo; seu reinado vitorioso e, por fim, o estabelecimento do novo sistema, com novo céu e nova terra (capítulos 19-22)."
Contemple agora, pedindo a Graça de entender que a humanidade, todos os homens, recusam-se de perceber uma Graça, um Evangelho, nos sofrimentos que suportam, ouvir neles um apelo; antes, julgam que Deus é mau, que Deus é injusto, que Deus é um tirano, que ele quer o mal dos homens. Procure perceber que o homem julga Deus a partir dessas provações de que ele se recusa a compreender o sentido.
Procure sentir que, sobre isso o texto insiste constantemente: o homem é atingido por granizo e blasfema; o homem é queimado pelo calor do sol e blasfema. O reino da besta é mergulhado em trevas, o homem blasfema. Recusa, totalmente, ver que o libertador age assim para o libertar (mesmo através do sofrimento). Atribui à maldade desse libertador o mal que lhe acontece. Não muda a direção da sua vida.
Caro amigo/a, é preciso entender que o julgamento de Deus se efetua na direção estabelecida pelo próprio homem; é neste sentido e, apenas, neste sentido, que "os nossos atos nos julgam" ou, ainda, que "cada um será julgado conforme as suas obras". Surge, por fim a terceira blasfêmia: a rejeição total de Deus que quer libertar. É o pecado contra o Espírito Santo: Deus nada pode fazer para aqueles que recusam o Evangelho, o cordeiro: Jesus Cristo! O fim de cada um irá corresponder ao caminho que cada um tem por opção. Caminhamos agora para a conclusão do Apocalipse: a prostituta e a esposa do cordeiro: ambas são cidades, ou estruturas sociais. A primeira, a mulher vestida de púrpura, se fundamenta na mentira, é a sociedade injusta. Ela gera morte! A segunda, a Jerusalém celeste, é a sociedade justa, fundamentada na fraternidade, amor ágape, gera vida verdadeira!

27- AS VISÕES DO JUÍZO FINAL (AP 17, 1 A 20, 15)
Nestes capítulos finais, São João Trata do julgamento das potências, ou seja, de Babilônia, a grande prostituta; da besta e do falso profeta, a revelação da consumação do plano de redenção divino. O capítulo 17 descreve a natureza de Babilônia, a grande prostituta, e narra a sua história. O capítulo 18 nos mostra o inevitável, completo e irrevogável caráter da queda de Babilônia. O capítulo 19 nos apresenta o regozijo no céu por causa da completa ruína de Babilônia e por causa das bodas do Cordeiro. Apresenta também, o autor desta vitória, o Cavaleiro montado no cavalo branco, que triunfa sobre Babilônia, a besta e o falso profeta, bem como executa o juízo final sobre todos os Seus inimigos.
A grande prostituta: contemple caro amigo/a, a visão de São João: diz ele que veio um dos sete anjos, que têm as sete taças e disse a ele: "vem que te mostrarei o julgamento da grande prostituta que: acha-se sentada sobre muitas águas; com quem se prostituíram os reis da terra; e se embebedaram os habitantes da terra com o vinho de sua devassidão. Então, João diz ter sido transportado, em espírito, a um deserto e teve a visão de uma mulher montada numa besta escarlate. A besta tinha o seguinte aspecto: estava repleta de nomes de blasfêmias e tinha sete cabeças e dez chifres. Já da mulher, João teve a seguinte visão: estava vestida de púrpura e de escarlata; estava adornada de ouro e de pedras preciosas e de pérolas; tinha, na mão, um cálice de ouro, transbordante de abominações e com as imundícias de sua prostituição; estava escrito, em sua fronte, um nome; um mistério: "Babilônia, a Grande ; A Mãe das Prostitutas e das Abominações da Terra; estava embriagada com: o sangue dos santos e o sangue das testemunhas de Jesus. Esta visão foi tão terrível que João alega ter admirado com grande espanto;
Bem, amigo/a, peça Graça de ver que esta mulher, "a mulher” toda adornada, que está sentada sobre a besta escarlate", é o contrário, a antítese da mulher vestida de sol e coroada de estrelas.
Ela representa Roma/Babilônia, a grande prostituta. É o símbolo da luxúria; dos vícios; dos prazeres mundanos e dos encantos deste mundo. Enfim, é o mundo visto como a personificação da "concupiscência da carne, da fornicação; da concupiscência dos olhos e da soberba da vida." Esta mulher representa o centro de tudo que seduz, de tudo que é impuro, é passado, presente e futuro. Sua forma pode mudar, mas usa essência permanece. Representa, também, o mundo como centro de sedução anticristã em qualquer momento da história.
Acha-se sentada sobre muitas águas, fornece uma das chaves para identificar a prostituta. Trata-se de Roma, a capital do Império que, para João, veio a personificar a maldade, o centro da sedução. Em Jr 51, 13, já dizia: "ó tu, que habitas sobre muitas águas."
Os reis da terra convergem, se prostituem, estabelecem relações comerciais com a grande mulher, para participar da sua riqueza e prosperidade que embriaga os gananciosos e sedentos de poder. Ela usa o vinho de sua devassidão, para seduzir e enganar as nações, para que se identifiquem com seu caráter pagão e a exploração internacional que gera pobreza e impede os povos mais fracos de sobreviver. A idéia central, aqui, é que a mulher, prometendo luxo e riqueza, desvia as pessoas da adoração a Deus. Ela tinha escrito, em sua fronte, um nome, mistério: Babilônia, a Grande, a Mãe das Prostitutas e das Abominações da Terra. As prostitutas daquela época, costumavam escrever nomes na testa. Os seguidores da besta também foram selados, na testa e na mão, com o nome dela e o número de seu nome. Também na nova terra, os redimidos terão o nome de Deus escrito na testa. Pode, igualmente, ser um reflexo do costume romano de prender, na cabeça das prostitutas, uma fita com o nome de seu proprietário.
A expressão: um mistério está como que introduzindo o título, significando que o título não deve ser tomado literalmente, mas que tem um significado secreto, a saber, Roma, a capital do Anticristo. A mãe das prostitutas significa que ela não se satisfez com o desviar dos homens de Deus, mas que insistiu com suas filhas para a imitar em seus propósitos nefastos e blasfemos.
A mulher embriagada do sangue dos santos e o das testemunhas de Jesus. Como a capital da besta, Roma será a cidade que mais se destacará pela perseguição e martírio dos santos e testemunhas de Jesus. Não só o imperialismo romano, mas todos os imperialismos e ditaduras que geram morte de quem os denunciam, e não aceitam as suas mentiras e maquinações. A prostituta é o oposto da Igreja, a esposa do cordeiro, Jesus Cristo.
Meditemos sobre os dias de hoje, caro amigo/a, fica-nos esta questão: quem hoje é a grande prostituta? Quais os poderes que sustentam a sociedade injusta e geradora de morte?
Olha é tudo uma questão de discernimento espiritual, pois são muitas as respostas. Tudo é questão de ponto de vista e de fé.
Pesquisando o livro de um pastor protestante, fiquei impressionado por seu discernimento do Apocalipse, nunca vi tanto ódio pela Igreja católica, pasmem vocês, ele diz ser a prostituta a nossa igreja católica! E coloca respostas contra nossa Igreja, para todos os pontos simbólicos usados por São João. Nem vou comentar mais, pois suas colocações são absurdas e tendenciosas.
Em meu discernimento, olhando para o mundo de hoje, vejo como a grande prostituta, o poder político corrupto e ganancioso e como a grande capital, todas as capitais onde este poder está instalado. Aqui no Brasil olho para Brasília e vejo políticos gananciosos e sedentos de poder, que não medem esforços para aumentarem seus próprios salários e mordomias. Mas, ao analisarem um aumento ou benefício a ser dado ao povo mais empobrecido, como o salário mínimo, são extremamente sovinas e escrupulosos. Ao analisarem uma lei ou decreto em que a vida humana é fator de votante, tal como o aborto, ou células tronco, muitos políticos, mesmo que se dizem católicos ou evangélicos, votam a favor da morte dos embriões, esquecendo-se ou negando que ali é uma vida completa.
A ganância e a sede de poder é alienante e nos fascina. O poder, a riqueza, o ócio, luxos e todo tipo de vícios continuam exercendo fascínio e atração sobre todo tipo de pessoas hoje, ontem e no futuro. Por isso tudo, caro amigo/a é extremamente necessário o discernimento dos espíritos, para não agirmos ou pensarmos como os injustos e adoradores da besta, ou os fascinados pela prostituta.

28- A GRANDE PROSTITUTA FASCINA E ALIENA (AP 17, 6-18)
6. Vi que a mulher estava ébria do sangue dos santos e do sangue dos mártires de Jesus; e esta visão encheu-me de espanto.
7. Mas o anjo me disse: Por que te admiras? Eu mesmo te vou dizer o simbolismo da mulher e da Fera de sete cabeças e dez chifres que a carrega.
O anjo, que transportara João em espírito a um deserto, notou o espanto e a admiração de João ao vislumbrar a mulher, Babilônia e lhe pergunta: por que te admiras? E lhe diz que lhe dirá o mistério da mulher e da besta. Veja bem caro amigo/a, até mesmo o ancião João fica fascinado, admirado pela beleza e ostentação da mulher de púrpura. A visão fascina: vestes ricas, o ouro, as pedras preciosas e as pérolas, o poder, riqueza, o luxo exercem uma atração muito grande sobre a humanidade, revela o curso dos indivíduos mundanos: primeiro tornam-se ensoberbecidos com os prazeres e os tesouros do mundo e se endurecem contra Deus e logo são endurecidos. Por fim, quando é tarde demais, experimentam uma reversão de sentimentos. São punidos pelo resultado da sua própria tolice. Da admiração à adoração é um passo curto. O próprio São João, já não é a primeira vez que se sente como que hipnotizado e tentado a blasfemar ou adorar coisa e pessoas. Porque isso acontece? Pelas nossas concupiscências e misérias humanas. Somos fracos, e só o correto discernimento espiritual ou profético nos impede de adorarmos ou ficarmos alienados pela beleza ou adornos da sociedade injusta e dos prazeres humanos que alienam e enganam: a gula, a sexualidade depravada ou infiel e o poder.
O discernimento de espíritos na vida cotidiana envolve-nos num processo de leitura orante e de atenção cuidadosa à nossa experiência diária, por meio da observação e reflexão regulares de nossas “reações afetivas” provocadas pela ação de Deus, pela vida e pelos acontecimentos. Significa observar, por exemplo, situações e acontecimentos nos quais experimentamos alegria ou tristeza, paz ou tumulto, atrações ou repulsas, generosidade ou mesquinhez, sensação da presença ou ausência de Deus, criatividade ou inclinação à acomodação.
No decorrer da vida cotidiana, experimentamos uma sucessão e uma mistura contínua e às vezes desconcertante de movimentos afetivos: desejos, repulsas, atrações, impulsos e sentimentos de intensidade e força variadas.Também sabemos que temos níveis diferentes de sentimentos: alguns de nossos desejos e reações são superficiais; nós os reconhecemos e sofremos sua influência, mas eles não nos atraem profundamente como pessoas. Entretanto, outros sentimentos são muito mais profundos e significativos, afetando de maneira notável nossa conduta ou nossas atitudes e nossos compromissos mais duradouros, tocando-nos no nível de nossas crenças, de hábitos de vida, de nossos desejos e compromissos mais apreciados, e muda-nos permanentemente.
No discernimento de espíritos são os níveis mais profundos que nos interessam: os que realmente influenciam nosso comportamento; as áreas em que nossas vidas afetivas e a vida do espírito se interpenetram; as circunstâncias que dão origem a nossos compromissos, a nossas escolhas mais significativas e às direções fundamentais que damos à nossa vida.
O discernimento trata principalmente dessas áreas mais significativas de nossa vida afetiva.
Esses movimentos ou estados de sentimento que experimentamos são despertados por acontecimentos e pessoas do mundo exterior ou por nossos pensamentos, nossa imaginação, nossos sonhos, nosso “mundo interior”. Com bastante freqüência, não sabemos de onde vêm os sentimentos ou porque nos sentimos assim. No discernimento de espíritos, o principal problema não é a origem de determinado estado ou movimento afetivo, embora conhecê-la seja útil.
O discernimento tem mais a ver com a interpretação e a avaliação espiritual de sentimentos e, em especial, com a direção para a qual somos movidos por eles.
Santo Inácio de Loyola, fundador da companhia de Jesus, ou Jesuítas identificou dois tipos contrários de sentimentos ou movimentos afetivos experimentados por nós. Contrários porque, quando nos afetam, nos movem em direções opostas. Na tradição de discernimento com a qual S. Inácio se familiarizou, são chamados de “consolação” e “desolação”.
A consolação é todo movimento ou estado afetivo que nos atrai para Deus ou nos ajuda a nos concentrar menos em nós próprios e a nos abrir para os outros em generosidade, serviço e amor.
Sentimos, por exemplo, um sentimento de gratidão a Deus que nos leva a uma fé, a uma confiança e a um amor mais profundos; ou a uma alegre percepção e a um apreço pela presença, pela ação e pelos dons de Deus nas pessoas, nos acontecimentos de nossa vida.
Experimentamos paz e tranqüilidade no conhecimento de Deus e dos dons divinos e assim estendemos a mão aos outros em reconciliação e confiança.
O principal aspecto da consolação é ter a direção voltada para o crescimento, para a criatividade, para uma plenitude de vida e amor porque nos atraem a um amor por Deus e pelas outras pessoas de modo mais completo, efetivo e generoso e a um verdadeiro amor por nós mesmos.
Os sentimentos e os movimentos afetivos conhecidos por desolação são o contrário dos movimentos da consolação. Sua tendência característica é nos afastar de Deus e das coisas relacionadas a Deus e nos levar a ser egocêntricos, fechados e indiferentes a Deus e às outras pessoas.
O discernimento na vida cotidiana é simplesmente estar atento aos processos, para ver como se enriquecem com os bons espíritos e quando se deterioram com os maus espíritos.
O discernimento nos convida a “estar atento aos processos”, não só de nossos pensamentos, mas de nossos impulsos. Nossos primeiros impulsos costumam serem primários: nosso temperamento, nossos medos, nossas defesas, nossas feridas e nossos afetos; os segundos impulsos já podem ser de Deus: a generosidade, a tolerância, a capacidade de amar, de crescer, o sermos mais livres e a alegria. S. Paulo afirma: “O homem psíquico (quem se guia por si mesmo) não aceita o que vem do Espírito de Deus. É loucura para ele; ao pode compreender, pois isso deve ser julgado espiritualmente. Ao contrário, aquele que se deixa guiar pelo Espírito julga a respeito de tudo e por ninguém é julgado” (1Cor. 2,14-15).
O que queremos afirmar é que na Tradição cristã se considera a existência das “presenças espirituais” (tanto positivas quanto negativas) que não podem ser reduzidas simplesmente ao “campo psíquico”.
Aprender a discernir, ou seja, a interpretar os “sinais de Deus”, poderíamos compará-lo à aprendizagem de um idioma: no princípio só se ouvem sons; pouco a pouco, cada som é portador de um significado.
Agora bem, o discernimento não é uma técnica, mas um estado permanente de atenção e de oferta de si mesmo.
Bem, caro amigo/a após estas considerações necessárias sobre discernimento, voltemos ao Apocalipse.
Contemplando o Ap 17, 7-18:
7. Mas o anjo me disse: Por que te admiras? Eu mesmo te vou dizer o simbolismo da mulher e da Fera de sete cabeças e dez chifres que a carrega.
8. A Fera que tu viste era, mas já não é; ela deve subir do abismo, mas irá à perdição. Admirar-se-ão os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde o começo do mundo, vendo reaparecer a Fera que era e já não é mais.
9. Aqui se requer uma inteligência penetrante. As sete cabeças são sete montanhas sobre as quais se assenta a mulher.
10. São também sete reis: cinco já caíram, um subsiste, o outro ainda não veio; e quando vier, deve permanecer pouco tempo.
11. Quanto à Fera que era e já não é, ela mesma é um oitavo (rei). Todavia, é um dos sete e caminha para a perdição.
12. Os dez chifres que viste são dez reis que ainda não receberam o reino, mas que receberão por um momento poder real com a Fera.
13. Eles têm o mesmo pensamento: transmitir à Fera a sua força e o seu poder.
14. Combaterão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque é Senhor dos senhores e Rei dos reis. Aqueles que estão com ele são os chamados, os escolhidos, os fiéis.
15. O anjo me disse: As águas que viste, à beira das quais a Prostituta se assenta, são povos e multidões, nações e línguas.
16. Os dez chifres que viste, assim como a Fera, odiarão a Prostituta. Hão de despojá-la e desnudá-la. Hão de comer-lhe as carnes e a queimarão ao fogo.
17. Porque Deus lhes incutiu o desejo de executarem os seus desígnios, de concordarem em ceder sua soberania à Fera, até que se cumpram as palavras de Deus.
18. A mulher que viste é a grande cidade, aquela que reina sobre os reis da terra.
O anjo, que acompanha João, ajuda-o a discernir, pois como já mencionamos, João ficou como que fascinado pela mulher, com seu poder e riqueza. Mas, escondido, camuflado por trás disso, está a ideologia do poder, que quer defraudar, usurpar o lugar de Deus, de Jesus Cristo. O bom espírito nos ajuda a discernir começando pela besta. O texto é muito simbólico e cheio de acontecimentos apocalípticos. Várias podem ser as interpretações. Ela era e não é e está para emergir do abismo. O "era" pode representar os reinos poderosos já passados, como o da antiga Babilônia, do poderoso Ninrod; o da Assíria, com a orgulhosa capital Nínive; o da nova Babilônia, de Nabucodonosor, com o espírito de mundana arrogância e opressão; o dos medos e persas; o do império greco-macedônio. E "não é", simbolizando todos esses reinos, dos quais a besta se tem personificado, pereceram. Isso é: a besta já não existe. Na expressão: "está para emergir do abismo", no entanto, esta besta parece possuir a habilidade de estar sempre erguendo a cabeça, depois de cada derrota. Por isso, os “habitantes da terra” (aqueles que não têm seu nome escrito no Livro da Vida) maravilham-se quando vêem a besta "que era, não mais existe e, contudo, estará presente". Ignoram que, sob cada forma e em cada personificação, a besta caminha para a perdição. Assim, vez após vez, a besta aparece numa nova personificação.
As explicações mais plausíveis, levando em consideração a época e o local, Ásia menor, e a opressão que os cristãos sofriam pelo Império Romano, desde seu início (era), até o Imperador Nero, que colocou fogo em Roma, quase destruindo toda a cidade (não é mais). Mas, o Império Romano se reergueu com Domiciano (está para subir do abismo), que como já mencionamos, exigia o título de Deus, querendo, inclusive que sua mão fosse chamada de Mãe de Deus. Mas, que como é um império falso, ou pior: uma imitação, ou como hoje diríamos, uma clonagem, da história da salvação: Javé/Deus/Jesus, que era, é e será no futuro. Portanto uma paródia falsa de que o Imperialismo da força é eterno. Mas quem tem o discernimento dos espíritos, não se deixa enganar: imitação falsa, pois os cristãos irão resistir e a vitória final será de Deus, de Jesus Cristo. O imperialismo caminha para o término, sua destruição total.
O próprio São João irá explicar, no texto do Apocalipse, o mistério da mulher e da besta, mas, para compreender, vai ser necessário muito entendimento e sabedoria e só os que estão espiritualmente iluminados o compreenderão, isto os que têm discernimento correto.
O significado das sete cabeças, que são sete montes, nos quais a mulher está sentada. São, também, sete reis. As sete cabeças têm uma dupla significação, ou seja: primeiramente, as sete cabeças simbolizam as sete colinas de Roma. Esta cidade, no tempo de João, era: centro de perseguição anticristã, centro de sedução, centro de tentação e centro de incitação anticristã. Depois, estas sete cabeças simbolizaram, também, sete reis, isto é, reinos. Elas não simbolizaram sete reis ou imperadores individualmente, mas, sim, sete impérios mundiais anticristãos. Destes: cinco caíram: Babilônia Antiga; Assíria; Babilônia Moderna; Medo-Persa e Greco-Macedônio; um, o sexto, é Roma; e o sétimo ainda não veio, mas, quando vier, será para permanecer por pouco tempo. A sétima cabeça pode representar todos os imperadores ou governantes que criam as sociedades injustas e idólatras.
Teríamos ainda muitas explicações, como em tantos livros e autores, mas o mais importante é entender e contemplar que São João queria se referir ao império Romano, que com seus muitos, ou todos (o número sete indica totalidade) imperadores, vão tentando destruir a Igreja de Jesus Cristo. Mas duram pouco tempo, pois na linguagem apocalíptica, esta era evangélica será de 3 anos e meio, ou quarenta e dois meses, ou mil, duzentos e sessenta dias (Ap. 11.2 e 3; 12.6; 14 e 13.5), isto é, dura pouco.
Continua a explicação, referindo-se aos dez chifres, dez reis, simbolizando, na realidade, todos os poderosos desta terra, todos os aliados, que se colocam a serviço e se aproveitam da sociedade injusta; e em todas as esferas da vida, isto é, educação; comércio; indústria; governo. Isto é: o poder político que gera o mal, sempre encontrará “reis”, aproveitadores, fascinados pelo seu poder ilusório, cujo propósito é o seu auto engrandecimento, movidos pela sede de poder, estão dispostos a dar à besta o seu poder e autoridade, unem-se em detrimento da autoridade de Cristo; mas a duração de seu reinado é pequena, "uma hora", que quer simbolizar pouco tempo, pois todos eles serão vencidos pelo Cordeiro e pelos eleitos e fiéis que o acompanham. O anjo, ainda explica o sentido das águas, "onde a prostituta está assentada", que simbolizam o surgimento de nações; povos, etc., aliados ao poder político, que estão constantemente se opondo e perseguindo a Igreja, àqueles que amam e querem a verdadeira paz e justiça social.
O anjo continua explicando que, "os dez chifres e a besta odiarão à prostituta...”, portanto, enquanto estavam sendo seduzidos pela prostituta, tudo parecia ir bem, pois estes reis aliados poderosos cometeram fornicação com a grande prostituta; beberam de seu cálice de ouro; embriagaram-se com o vinho de sua devassidão e se entregaram às suas tentações; às suas seduções; à sua cultura anticristã. A concupiscência da carne; a concupiscência dos olhos e a soberba da vida os agradavam imensamente. Entretanto, todos esses que formam o mundo anticristão se sentem ludibriados, enganados e se voltam contra a prostituta; passam a odiá-la; abandonam-na; tiram seus vestidos luxuosos e adornos caríssimos; devoram sua carne e queimam-na completamente com fogo. Isso aconteceu porque esses indivíduos mundanos, que eram loucamente apaixonados pela prostituta, ou seja, pela sedução deste mundo; seus prazeres e fascinações; sua cultura e luxúrias descobrem quão grandes tolos têm sido, pois quem busca gananciosamente o poder, inicialmente faz alianças, mas cedo ou tarde se devoram, pois não se intimidam de se eliminarem, pois esta é a lógica do poder e da ganância. Mas, aí, já será muito tarde.
No último versículo, o anjo, ironicamente faz a explicação final: a prostituta é a cidade, a grande: aquela que reina sobre os reis da terra.
Bem, caro amigo/a, no capítulo 17, depois de predizer a destruição de Babilônia pela besta e seus dez reis aliados, em termos vívidos, apesar de breves, São João dedica toda uma seção a este tema, descrevendo com mais detalhes a desolação da cidade, antes orgulhosa e rica. O próximo capítulo contém uma série de proclamações, lamentos e expressões de gratidão, tudo ao redor do mesmo tema: o julgamento da grande cidade, da destruição da prostituta, é um resumo do desaparecimento de todas as sociedades injustas e corruptas do passado. O pano de fundo para esta seção, encontramos nos lamentos dos profetas sobre a queda de Tiro (Ez 26 a 28) e de Babilônia (Is 13.14, 21 e Jr 50 e 51).

29- O ANÚNCIO DA QUEDA DA IDOLATRIA (18.1 a 5)
1. Depois disso, vi descer do céu outro anjo que tinha grande poder, e a terra foi iluminada por sua glória.
2. Clamou em alta voz, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, a Grande. Tornou-se morada dos demônios, prisão dos espíritos imundos e das aves impuras e abomináveis,
3. porque todas as nações beberam do vinho da ira de sua luxúria, pecaram com ela os reis da terra e os mercadores da terra se enriqueceram com o excesso do seu luxo.
4. Ouvi outra voz do céu que dizia: Meu povo, sai de seu meio para que não participes de seus pecados e não tenhas parte nas suas pragas,
5. porque seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das suas injustiças.
João diz que, depois destas coisas, ele viu e ouviu outro anjo, que tinha grande autoridade, descer do céu e a terra se iluminar com a sua glória. Como já mencionamos, os anjos são o modo de falar da presença de Deus e sua ação no mundo. São João não explica que outro anjo é este. Só nos diz que o viu descendo do céu, o que dá a entender que ele, João, estava na terra, visto que, em Ap 15 e 16, ele estava no céu. Como temos verificado no apocalipse, os fatos acontecem num piscar de olhos, como num filme, ou melhor, como na contemplação, que podemos viajar pela história da salvação em segundos. O texto diz que este anjo tem grande autoridade, mas, também, não explica o motivo. Este anjo tinha, ainda, segundo João, grande esplendor e que fez com que a terra toda se iluminasse. A queda de Babilônia é anunciada como se já houvesse ocorrido, tão certa é a sua queda. Para Babilônia, a mensagem do anjo significa castigo, mas, para Deus, o julgamento da cidade perversa significa triunfo. A razão para esta queda está no versículo 3, que diz que as nações; os reis; os mercadores chegaram a se sentirem enfatuados com os prazeres e os tesouros de Babilônia. Estes mercadores simbolizam todos os que têm seus afetos desordenados pelas riquezas deste mundo.
Antes do início da destruição, o próprio anjo, faz um convite ao povo de Deus, de todos os tempos, que resistiram e não se deixaram corromper, para que eles abandonem esta cidade, ou melhor, que abandonem seus vícios e afetos desordenados, enquanto é tempo. Retirar-se de Babilônia quer dizer não participar dos pecados da sociedade injusta, e não ser enganado por suas tentações, fascínios e seduções. Pelo fato de a admoestação ser para o povo de Deus, de todos os tempos, pode-se perceber que Babilônia não é, apenas, a cidade do fim dos tempos, pois ela, de fato, é o mundo como centro de sedução, em qualquer época. Todos os que põem o seu coração no mundo, também participarão de suas pragas. No Evangelho de Mateus, Jesus nos exorta a abandonar, fugir, Isto é, fazer umas experiências pessoais de conversão, que só será completa, quando questionamos globalmente e a fundo a nossa própria existência. Pois, Conversão significa: libertar-nos de nossa fixação em nós mesmos e em nosso fazer, para atender ao que Deus nos oferece. A conversão é mudança de “senhor”, não é só mudança de hábitos ou de comportamentos; é desalojar os falsos ídolos, os apegos desordenados, para que o Senhor amplie e ocupe o espaço do nosso coração. Portanto as afeições desordenadas. Tais “afeições” são, de fato, as atitudes nas quais buscamos uma compensação por nossas carências, feridas e limitações. Podemos dizer que: “O Senhor não precisou fazer muito esforço para libertar Israel do Egito, mas precisou suar muito para arrancar o Egito do coração de Israel”.
A libertação do coração é, de fato uma operação muito delicada, paciente e demorada; e representa o ponto de chegada, e o cumprimento do Projeto de Deus. O fundamental é conseguir fazer uma experiência de salvação frente à “minha história de pecado” e não uma experiência de angústia, de temor e de escrupulosidade, isto é, hesitação da consciência, minúcia exagerada. Aqui brota um sentimento de surpresa e de admiração diante do contraste entre meu pecado e a bondade de Deus que me acolhe. Sentimento que desemboca na atitude de “ação de Graça a pedir:s”.
Caro amigo/a, contemplando a passagem de Ap 18, 6- 10:
6. Faze com ela o que fez (contigo), e retribui-lhe o dobro de seus malefícios; na taça que ela deu de beber, dá-lhe o dobro.
7. Na mesma proporção em que fez ostentação de luxo, dá-lhe em tormentos e prantos. Pois ela disse no seu coração: Estou no trono como rainha, e não viúva, e nunca conhecerei o luto.
8. Por isso, num só dia virão sobre ela as pragas: morte, pranto, fome. Ela será consumida pelo fogo, porque forte é o Senhor Deus que a condenou.
9. Hão de chorar e lamentar-se por sua causa os reis da terra que com ela se contaminaram e pecaram, quando avistarem a fumaça do seu incêndio.
10. Parados ao longe, de medo de seus tormentos, eles dirão: Ai, ai da grande cidade, Babilônia, cidade poderosa! Bastou um momento para tua execução!
Poderemos nos espantar ou até escandalizar, pois são uns mosaicos, embutidos de várias citações do AT. Inicialmente dá uma idéia ou convite a vingança. Todavia é o anúncio da justiça divina: a Babilônia, ou a sociedade injusta é punida à mercê de sua própria ganância, como já dissemos os que buscam o poder, não tem escrúpulos em se autodestruírem, se devorarem, pois se consideram todo-poderosos.
Após a contemplação destas passagens, podemos sentir, ser anunciada a queda de Babilônia, e de o povo de Deus ser convocado a se retirar dela, o anjo anuncia os castigos por que ela irá passar, destacando-se as ordens de: dar-lhe, em retribuição, como ela retribuiu; pagar-lhe, em dobro, segundo as suas obras; misturar bebida dobrada, no cálice em que ela misturou bebida.
É como já dissemos anteriormente: a lei da reciprocidade, na esfera espiritual: "fez o bem; colherá o bem"; "procedeu mal; colherá o mal, na mesma medida";
Podemos continuar entendendo ser isto tudo um pedido de vingança, mas é bem claro em toda a Bíblia, que quando os cristãos testemunham sua fé em Jesus, cordeiro imolado pelos nossos pecados, e são perseguidos, por causa desta fé, sua atitude, diante dos seus inimigos, sempre deve ser de perdão. Um espírito humilde e cheio de amor pelos inimigos, é uma das maiores características de um discípulo de Jesus (Mt 5, 43-45). O cristão deve abençoar os que o perseguem e nunca retribuir o mal com o mal (Rom 12, 14-17).
Isto, no entanto, não elimina a justiça de Deus, no fim. São Paulo nos exorta: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à justiça (de Deus); porque está escrito: A Mim me pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor" (Rm 12.19).
Caro amigo/a, apesar de devemos julgar a ninguém, pois somente Deus conhece as motivações do coração e pode julgar com justiça; Ele continua sendo o Deus da justiça e, no dia do juízo final, Ele retribuirá a todos, conforme suas obras. Muitas passagens confirmam isto: contemple em Dt 32,35; Jr 50, 15-29; 51, 24, 26; Rm 12, 19; 1Ts 5, 15; 2Ts 4, 14; 1Pe 3, 9.
É importante, neste momento que façamos um exame de nossa consciência, buscando meditar nossos pecados e nossas misérias.
Pedirmos como Graça a pedir: de Deus par buscarmos uma vivência transformante, através da experiência do Amor incondicional e da Misericórdia, e da descoberta luminosa de uma salvação que se encarna em Jesus.
Descobrirmos que nosso pecado tem de ser revelado por Outro (Cristo Crucificado). E que no centro da nossa história pessoal e coletiva, está uma Pessoa: encontro afetivo, dinâmico, provocativo, que impulsiona para a nova vida.
Vamos buscar um verdadeiro “colóquio de misericórdia” com Jesus Cristo, perguntando-me: que fiz? Que faço? Que farei por Cristo?
Com certeza você descobrirá Cristo no coração do pecado.
O Jesus da Cruz é promessa de vida para mim; n’Ele me é dada a esperança certa de ser reconstruído no Amor.
Só o Amor de Deus revela o pecado; Deus nos ama precisamente porque somos pecadores. Este é o maior mistério: “que Ele nos tenha amado primeiro, quando ainda éramos pecadores” (Rom. 5,8).

Bem, caro amigo/a após esta nossa meditação estamos preparados para contemplar a seqüência de lamentações, que são dramaticamente apresentados por São João em Ap 18, 9-24. Você poderá contemplar que a grande prostituta se aliou à besta para tentar destruir a igreja e seu castigo justo será destruição. A idéia de pagar em dobro em obras de alguém é uma expressão do A. T., que indica castigo completo (Jr 16.18; 17.18).

30- OS LAMENTOS DOS ALIADOS DO PODER POLÍTICO (Ap 18, 11-20)
11. Também os negociantes da terra choram e se lamentam a seu respeito, porque já não há ninguém que lhes compre os carregamentos:
12. carregamento de ouro e prata, pedras preciosas e pérolas, linho e púrpura, seda e escarlate, bem como de toda espécie de madeira odorífera, objetos de marfim e madeira preciosa; de bronze, ferro e mármore;
13. de cinamomo e essência; de aromas, mirra e incenso; de vinho e óleo, de farinha e trigo, de animais de carga, ovelhas, cavalos e carros, escravos e outros homens.
14. Eis que o bom tempo de tuas paixões animalescas se escoou. Toda a magnificência e todo o brilho se apagaram, e jamais serão reencontrados.
15. Os mercadores destas coisas, que delas se enriqueceram, pararão ao longe, de medo de seus tormentos, e hão de chorar e lamentar-se, dizendo:
16. Ai, ai da grande cidade, que se revestia de linho, púrpura e escarlate, toda ornada de ouro, pedras preciosas e pérolas.
17. Num só momento toda essa riqueza foi devastada! Todos os pilotos e todos os navegantes, os marinheiros e todos os que trabalham no mar paravam ao longe
18. e exclamavam, ao ver a fumaça do incêndio: Que havia de comparável a essa grande cidade?
19. E lançavam pó sobre as cabeças, chorando e lamentando-se com estas palavras: Ai, ai da grande cidade, de cuja opulência se enriqueceram todos os que tinham navios no mar. Bastou um momento para ser arrasada!
20. Exulta sobre ela, ó céu; e também vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus julgou contra ela a vossa causa.
João viu três tipos de lamentadores, por causa da destruição de Babilônia, da sociedade injusta, são os poderosos que vivem às custas da exploração econômica e opressão do poder político, contemplemos cada um desses grupos:
Os Reis da Terra: eles são os primeiros que choram e se lamentam, porque eram parceiros na prostituição e na luxúria e donos do poder político. Eles, vendo a fumaceira do incêndio de Babilônia, conservar-se-ão de longe, pelo medo de seu tormento, pois os que buscam o poder pela ganância, não são solidários na hora da dificuldade e sofrimento, e dizem: "Ai! Ai! Tu, grande cidade Babilônia; tu, poderosa cidade! Pois em uma só hora chegou o seu julgamento”;
Aqui é importante refletirmos, se temos poder político em nossas mãos: quando Deus delega poder às pessoas, este poder é para ser exercido em favor da justiça social, fraternidade e solidariedade. Ter em mente que o poder pertence exclusivamente a Jesus e a Deus, a nós só é delegado! E vamos responder caro pelo como o usamos.
Os Mercadores da Terra, os donos do poder econômico: são os segundo a também, chorarem e lamentarem, porque já ninguém compra as suas mercadorias. São João procura fazer uma relação dessas mercadorias, a começar por ouro; pedras preciosas; tecidos finos; madeiras de todo o gênero; condimentos; incenso; trigo; gado e ovelhas; cavalos; carros; escravos, e, até, almas humanas, que como mercadoria lutavam em arenas, para a simples satisfações dos poderosos. Tudo isso faz parte da luxúria, da concupiscência da carne; da concupiscência dos olhos e da soberba da vida, a maioria são bens supérfluos, produzidos em detrimento dos bens essenciais, levando fome e pobreza aos mais pobres e marginalizados, comercializando pessoas e suas vidas, gerando morte e sofrimento.
E esses mercadores, que por meio do comércio com a grande cidade prostituta, enriqueceram, conservar-se-ão de longe, com medo do seu tormento, chorando e pranteando, dizendo: "Ai! Ai! da grande cidade, que estava vestida de linho finíssimo, de púrpura escarlate, adornada de ouro e de pedras preciosas e de pérolas, porque, em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza."
Devemos, caro irmão/ã meditar, especialmente se somos detentores de poder econômico, pois devemos ter em mente, e no mais profundo de nosso coração, que a ganância do comércio, contrasta e afronta o plano de Deus, pois Deus destinou tudo a todos. É extremamente necessária em nossa vida a consciência de partilha solidária.
Todos que trabalham no mar: Pilotos, Navegantes e Marinheiros: eram os que transportavam as mercadorias e que também, propagavam as idolatrias e ideologias, que faziam com que a sociedade injusta se mantivesse atuante, pois eram eles que transportavam e vendiam, a preços exorbitantes todas as opulências dos poderosos. Estes também se conservaram de longe e vendo a fumaceira do incêndio de Babilônia, lamentam-se, profundamente, choram e pranteiam e gritam: "Ai! Ai! Da grande cidade, na qual se enriqueceram todos os que possuíam navios, no mar, à custa de sua opulência, porque, em uma só hora, foi devastada”.
E contrastando com o choro e lamentações dos poderosos, São João escuta uma exaltação, dizendo para o céu, e os santos, e os apóstolos e os profetas se exultarem, porque Deus, contra ela, julgou a causa deles, não pela desgraça deles, mas pela justiça divina manifestada.
Neste instante, veio-me a mente uma reflexão que escutei, ou li, não me lembro bem, sei que foi do Padre Roque Schneider, Jesuíta e Diretor do Apostolado da Oração, do qual eu e minha querida esposa fazemos parte. Segundo sua reflexão, existem duas sabedorias básicas no mundo: a da sociedade de consumo, ou como estamos refletindo nestas contemplações apocalípticas, a sociedade injusta, da prostituta, ou do poder político; e a do Evangelho, dos que procuram amar e viver segundo as orientações e testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo. A primeira a da transitoriedade, da ganância, da busca do prazer por si mesmo. E que, infelizmente vejo tanta gente nela, até os mais próximos de mim: meus filhos, genro, nora, irmãos e tantos amigos. Rezo incessantemente para que consigam enxergar a outra sabedoria, a da lucidez da eternidade, da Ressurreição. O que podemos chamar do caminho da santidade, que nos levará ao Céu, à Jerusalém Celeste, que iremos refletir no próximo tópico. Minha esposa, eu e muitos amigos temos lutado para alcançar este segundo caminho, não é fácil, temos de renunciar a muita coisa deste mundo, mas cada dia mais eu chego à conclusão que vale a pena, pois a promessa de vitória final é cada vez mais presente e certa em minha mente e meu coração! Vale a pena ilustrar estes pensamentos e reflexões com uma pequena paródia, ou historia que nos ajudará a refletir sobre o que levaremos desta vida para a eternidade: havia um homem muito rico, um milionário, ou como estamos refletindo, um aliado dos poderosos das grandes cidades. Ele se achava às portas da morte. Sua esposa, junto ao leito de agonia, tentava confortá-lo.
— Não fique triste, meu bem. Levarei flores diariamente ao cemitério. Mesmo partindo, você ficará comigo na lembrança, nas preces, na saudade.
Esse senhor recebeu uma visita: veio o dinheiro que ele acumulara ao longo de sua existência, tecida de muito trabalho, esforço e suor. Tentando amenizar o sofrimento do enfermo agonizante, prestes a empreender a grande viagem sem retorno, o dinheiro disse:
— Fomos sempre muito amigos e próximos, não é mesmo? Num gesto de gratidão imorredoura construirei para você o túmulo mais vistoso da cidade, certo? Não chore, portanto. Mesmo que você termine esquecido na sepultura silenciosa do cemitério, estarei a seu lado, sempre, dia e noite, guardando os restos mortais de seu corpo.
Por último, um terceiro personagem entrou em cena: o bem que esse senhor realizara amplamente, as boas obras que praticara durante a vida.
— Pois é... — comentaram as boas obras — nem seu dinheiro, nem sua esposa partirão com você, nesta hora difícil da separação. Nós, no entanto, viajaremos como suas acompanhantes. Não fique triste! Iremos à sua frente, preparando o caminho. Somos a chave benfeitora que lhe abrirá as portas do céu.
Bem, amigo/a com esta pequena história, podemos sentir que felizes e bem-aventurados são todos aqueles que passam pelo mundo fazendo o bem sem olhar a quem — a exemplo de Cristo e de Maria.
Lembro-me de uma música que diz: “fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas", com juros e dividendos nos bancos do além, onde nos lembra Jesus, "as traças não roem e os ladrões não alcançam".
As conclusões que vamos chegando a cada dia é que tudo passa, caduca, se esvai. As flores murcham, a juventude voa, as forças diminuem, a beleza facial recebe rugas e as ilusões se desfazem como bolhas de sabão, como folhas jogadas ao vento. Só não morre a bondade distribuída, salvo conduto ou passaporte privilegiado, para adentrarmos o venturoso país da eternidade. Quanto mais nobre uma causa, mais triste é vê-la deturpar-se. Uma pessoa vale pelo bem que reparte e planta, pela ressonância que nela despertam os fatos, as coisas, os apelos do Alto.
O que é o tempo? Especialmente no Apocalipse, vemos que é muito simbólico. É Deus dando-nos a oportunidade para construir nossa eternidade. Quem vive sua fé, caminha à luz de uma estrela. A estrela da ressurreição que nos leva ao encontro com o Pai, nos longes do infinito.
Mais uma vez, caro amigo/a medite sobre sua situação, que tipo de propaganda você distribui ou vende, qual é seu caminho? Muitas vezes com nossas palavras e atitudes, fazemos propagandas mentirosas, que levam o povo marginalizado, a engolir o poder e dominação dos mais poderosos e detentores do poder político. É importante refletirmos sobre quais as bases que sustentam a sociedade em que vivemos e defendemos, bem como, quais as mentiras que sustentam as injustiças presentes na estrutura social que eu vivo?
Na próxima contemplação, em Ap 18, 21-24, você poderá sentir que vale a pena resistir e evangelizar, pois Deus atende aos apelos e pedidos dos mártires, conforme Ap 6, 10: destrói totalmente a sociedade injusta!

31- A COMPLETA E DEFINITIVA DESTRUIÇÃO DE BABILÔNIA: A MULHER VESTIDA DE PÚRPURA (AP 18, 21 A 24)
21. Então um anjo poderoso tomou uma pedra do tamanho de uma grande mó de moinho e lançou-a no mar, dizendo: Com tal ímpeto será precipitada Babilônia, a grande cidade, e jamais será encontrada.
22. Já não se ouvirá mais em ti o som dos citaristas, dos cantores, dos tocadores de flauta, de trombetas. Nem se encontrará em ti artífice algum de qualquer espécie. Não se ouvirá mais em ti o ruído do moinho,
23. Não brilhará mais em ti a luz de lâmpada, não se ouvirá mais em ti a voz do esposo e da esposa; porque teus mercadores eram senhores do mundo, e todas as nações foram seduzidas por teus malefícios.
24. Foi em ti que se encontrou o sangue dos profetas e dos santos, como também de todos aqueles que foram imolados na terra.
São João tem um modo eloqüente de apresentar a cena da completa destruição de Babilônia, o anjo forte mostra, a João o arremessar de grande pedra de moinho, no mar; em seguida, o anjo, em traços vívidos, narra a destruição completa de Babilônia, quando cessam as atividades características da cidade. Estas atividades são as seguintes: cessam as artes. Babilônia, que promovia as artes, vê cessar toda atividade relativa à música: voz de harpista; de músicos; de tocadores de flautas e de clarins; cessam os negócios, não mais existirá mão-de-obra especializada na cidade; cessa o fabrico do pão, os moinhos não funcionarão mais; cessa a luz da candeia, as noites e os dias serão sem vida; a noite será escura como breu; cessa a alegria, pois as atividades e festividades normais, como casamento, não mais alegrarão as casas. Isto representa a morte do "amor", a perda do sentido da vida. Finalmente, Babilônia será uma cidade morta. O anjo diz então, a João os motivos porque Babilônia foi destruída, quais sejam: o pecado, dos mercadores ou negociantes, de Babilônia, nem sempre consistia na riqueza em si mesma, mas, sim, no orgulho extremo e em sua auto-exaltação, motivados pela riqueza. Eles se consideravam os "grandes" da terra; a Babilônia, não contente com sua própria prostituição, seduziu as demais nações da terra, com sua feitiçaria, levando-as a se prostituírem também, insistindo para que todas as nações da terra "bebessem do vinho do furor de sua prostituição" (18.3). Ela, ainda, levou outras nações a, erradamente, sentirem que riqueza e luxo podem proporcionar segurança, quando, sabemos, esta só pode vir de Deus; e o derrame do Sangue de Profetas e de Santos: a arrogância, o orgulho e as riquezas fizeram com que Babilônia praticasse um materialismo grosseiro. Isto, por certo, levou-a a se exaltar acima de Deus e, conseqüentemente, a perseguir o povo de Deus. Ela não era, apenas, cena de martírio, mas, também, exemplo para outras cidades, conclamando-as a, também, perseguirem os profetas e santos.
É importante meditarmos caros amigos/as, sobre o sentido de nossa vida como está. Quais são os verdadeiros valores em que nossa, a sua vida está baseada? Qual a importância das festas, das orgias, da retenção de bens, do acúmulo nas mãos de poucos?
Como estão as nossas grandes cidades hoje? Todos têm espaço para viver dignamente?
O ponto principal a que devemos observar, entretanto, é este: que o mundo louco por prazeres e arrogante, com todas as suas paixões e luxúrias sedutoras, com sua cultura e filosofia anticristãs, com suas multidões que abandonaram a Deus e que têm vivido de acordo com a concupiscência, as obras da carne, e os desejos da mente, irão morrer para a eternidade. Os incrédulos sofrerão eterno desespero.
No próximo capítulo você poderá contemplar o triunfo da Igreja, da esposa, a celebração da vitória. A grande aleluia, Deus julga a grande meretriz, Deus é louvado por sua justiça, um verdadeiro ato de liturgia no céu!

32- CELEBRAÇÃO NO CÉU PELO JULGAMENTO DA GRANDE PROSTITUTA (AP 19, 1-10)
1. Depois disso, ouvi no céu como que um imenso coro que cantava: Aleluia! A nosso Deus a salvação, a glória e o poder,
2. porque os seus juízos são verdadeiros e justos. Ele executou a grande Prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição, e pediu-lhe contas do sangue dos seus servos.
3. Depois recomeçaram: Aleluia! Sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos.
4. Então os vinte e quatro Anciãos e os quatro Animais prostraram-se e adoraram a Deus que se assenta no trono, dizendo: Amém! Aleluia!
5. Do trono saiu uma voz que dizia: Cantai ao nosso Deus, vós todos, seus servos que o temeis, pequenos e grandes.
6. Nisto ouvi como que um imenso coro, sonoro como o ruído de grandes águas e como o ribombar de possantes trovões, que cantava: Aleluia! Eis que reina o Senhor, nosso Deus, o Dominador!
7. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque se aproximam as núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada.
8. Foi-lhe dado revestir-se de linho puríssimo e resplandecente. (Pois o linho são as boas obras dos santos.)
9. Ele me diz, então: Escreve: Felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro. Disse-me ainda: Estas são palavras autênticas de Deus.
10. Prostrei-me aos seus pés para adorá-lo, mas ele me diz: Não faças isso! Eu sou um servo, como tu e teus irmãos, possuidores do testemunho de Jesus. Adora a Deus. Porque o espírito profético não é outro que o testemunho de Jesus.
Você pode contemplar, nesta parte do capítulo 19, dois hinos de louvor, um hino de louvor a Deus, pela sua justiça, no julgamento e ruína total de Babilônia, declara que a salvação, o poder e a glória são do nosso Deus e enaltece a justiça divina, no julgamento e condenação da prostituta. Este hino era cantado por uma grande voz, de numerosa multidão e era acompanhado pelos vinte e quatro anciãos e pelos quatro seres viventes, que diziam: Aleluia! Amém! Deus julga e destrói os mantenedores da sociedade injusta, mediante o anúncio do Evangelho.
Continuou a celebração da vitória: “aleluia! O Senhor, o Deus todo poderoso passou a reinar”. Uma voz, do trono, conclamava todos os servos, os grandes e os pequenos, aqueles que temem a Deus, para dar louvores a esse Deus; finalizando, João ouviu uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como fossem de fortes trovões, a louvar e dar aleluias, porque no céu, já se estava comemorando as Bodas do Cordeiro.
A seguir, um anjo falou a João que são bem-aventurados os que forem convidados à ceia das Bodas do Cordeiro, afirmando serem estas as verdadeiras palavras de Deus, ou seja, ele está a dizer que esta promessa de bênção e da festa messiânica é Contemple a palavra em:, portanto, infalível.
Neste momento, caro amigo/a é a hora, o momento do Reino de Deus: do amor que se estabelece entre Deus e os escolhidos. Se houve infidelidade, foi por parte dos homens. Deus foi sempre fiel. Deus é fiel, mas essa hora não acontece por um passe de mágica. Pelo contrário é fruto da resistência às paixões, aos afetos desordenados ao fascínio ao poder, à ostentação da sociedade injusta, que vai se realizando mediante a pregação e vivência testemunhal do Evangelho de Jesus Cristo. Ao desaparecer as injustiças e idolatrias, representadas pela infidelidade, ao adultério realizado pela prostituta, pelo poder político que cria as misérias existenciais, surge o reino de justiça, de amor, o Reino de Deus, esplendidamente descrito por São João, em uma festa de casamento, as bodas do Cordeiro com a sua "Igreja".
Para ajudar a nossa reflexão, podemos distinguir os seguintes elementos, num casamento judaico: primeiro, vem os esponsais. Estes são considerados mais como obrigatórios que o nosso namoro ou ficar de hoje, ou noivado de outrora. Os termos do casamento são aceitos na presença de testemunhas e a bênção de Deus é pronunciada sobre a união. Desse dia em diante, noivo e noiva são legalmente marido e mulher. Em seguida, vem o tempo de espera entre os esponsais e as bodas. Durante este intervalo, o noivo tem a obrigação de pagar ao pai da noiva, o dote, se não o fizera antes (Gn 34, 12). Algumas vezes o dote era pago na forma de serviço prestado (Gn 29, 20). Em seguida, vem a procissão para encerrar o intervalo. A esposa se prepara e se adorna. O esposo, em seu melhor traje e acompanhado de seus amigos, que cantam e empunham uma espécie de tocha, um facho untado para iluminar. Prosseguem até ao lar da noiva. Recebe a esposa e a leva, novamente acompanhados de uma procissão, ao seu lar ou ao lar de seus pais. Em caso do esposo vir de longe, a festa era, às vezes, preparada no lar da esposa. Por fim, há as bodas, que inclui a ceia nupcial. As festividades usuais duravam sete, ou mesmo mais dias.
Na Bíblia, muitas vezes encontramos comparações da relação de amor entre o esposo e sua esposa, àquela que existe entre Javé e Seu povo, ou entre Cristo e Sua Igreja (Is 50, 1; 54, 1-17; Ef 5, 32; Ap 21, 9). Sem dúvida, a relação de amor entre o esposo e sua esposa é um símbolo, um delicado reflexo da glória e da formosura desta mesma relação entre Cristo e Sua Igreja.
Agora, contemple meu amigo/a: a Igreja "desposou" a Cristo. O cordeiro imolado, além disso, pagou o dote por ela; Ele comprou Sua esposa, a Igreja: "Do céu Ele veio e a buscou para ser Sua santa esposa; Com seu próprio sangue Ele a comprou, e morreu para que ela tivesse vida”.
Veio o "intervalo", o tempo de separação da Igreja militante, entre a ascensão de Cristo para o céu, e Sua vinda definitiva. Durante este período, a noiva, a Igreja fiel e resistente, deve preparar-se. Veste-se de linho fino, limpo e radiante. O linho fino simboliza seus atos de justiça, suas boas obras, seu caráter santificado. Seus atos foram lavados pelo sangue de Cristo. Lembre-se, contudo, de que esta justiça "lhe é dada" pela soberana Graça a pedir: de Deus.
Ao fim desta espera, o Noivo, acompanhado dos anjos de glória, virá receber sua Noiva, a Igreja. As bodas começam, então: "Porque são chegadas festas matrimoniais do Cordeiro, do Cristo vitorioso, cuja esposa, a Igreja, a si mesma, já se adornou".
A festa continua, não apenas uma ou duas semanas, porém por toda a eternidade! Esta festa é o auge, o ponto culminante de todo esse processo, esta história de salvação, por meio do qual o Noivo, Cristo, vem para a noiva, a Igreja. É o alvo e propósito desta sempre crescente intimidade, união, companheirismo e comunhão entre o Redentor e os redimidos. Em Cristo, a noiva foi eleita desde a eternidade. Ao longo de toda história de salvação do A.T., as bodas foram anunciadas. Em seguida, o Filho de Deus assumiu nossa carne e sangue; o noivado tomou lugar. O preço, o dote foi pago no Calvário! E, agora, após um intervalo, que aos olhos de Deus é apenas um pouco tempo, o Noivo retorna e "chegam as núpcias do Cordeiro". A Igreja, na terra, suspira, anseia por esse momento, da mesma forma que a Igreja no céu. Então, estaremos todos com Ele para todo o sempre. Será uma santa, bendita e eterna comunhão; a mais plena realização de todas as promessas do Evangelho! De toda história de salvação, vivida e esperada pela humanidade.
Ainda durante esta resistente espera, este "intervalo" de separação, aqueles que são "eficazmente vocacionados" e não meramente "convidados", para a ceia matrimonial do Cordeiro, são os bem-aventurados. Antes mesmo do início da ceia, os "chamados" são bem-aventurados; e estas são verdadeiras palavras de Deus. São genuínas e reais.
Com plenitude de deslumbramento, de verdadeiro êxtase, o Apóstolo cai aos pés do mensageiro, a fim de adorá-lo. São João o teria tomado pelo próprio Senhor Jesus Cristo? Às vezes o nosso discernimento é levado pela aparência, pela simbologia, como já mencionamos anteriormente. Seja como for, o mensageiro, que provavelmente era um dos querubins ou outro anjo, impede a tentativa de adoração, acrescentando: "Adora a Deus!" "Porque o testemunho de Jesus é o espírito da profecia". O espírito e o conteúdo interior de toda a verdadeira profecia, ou seja, da história da salvação. É o testemunho de Jesus, o testemunho que Ele nos revelou com sua própria vida, morte e ressurreição.
Caro amigo/a, após contemplarmos que o casamento está para acontecer, foram distribuídos convites aos bem-aventurados: felizes os convidados para o banquete das bodas do Senhor”. A quarta bem-aventurança do Apocalipse. O grande objetivo de São João ao escreve o livro está sendo atingida: mudar tudo, fazer tudo de novo: transformar a sociedade injusta, a humanidade prostituída em esposa do vitorioso: Jesus Cristo! Meditamos também, que o discernimento é tudo em nossa vida cristã. Às vezes, pelo deslumbramento da beleza, a sedução do mundo, pode nos levar a adorar aos que anunciam, os servos de Deus, pois é o que somos: anjos, ministros consagrados, padres, bispos, e todo poder religioso, que não pode querer, ou ser tentado a colocar-se no lugar de Deus. Todos os cristãos são um único sacerdote, responsáveis por construir um reino de paz, mediante o testemunho de Jesus Cristo. Claro com diversos carismas e funções. Todos transmissores da fé.
Bem, a prostituta, a Babilônia, foi destruída, vamos contemplar, voltar nossa atenção para a besta e o falso profeta. O que lhes acontece? A partir das aleluias no céu, durante e depois do dia do juízo, voltamos aos momentos imediatamente anteriores ao juízo final.

33- O GLORIOSO VENCEDOR: JESUS CRISTO (AP 19, 11-21)
11. Vi ainda o céu aberto: eis que aparece um cavalo branco. Seu cavaleiro chama-se Fiel e Verdadeiro, e é com justiça que ele julga e guerreia.
12. Tem olhos flamejantes. Há em sua cabeça muitos diademas e traz escrito um nome que ninguém conhece, senão ele.
13. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome é Verbo de Deus.
14. Seguiam-no em cavalos brancos os exércitos celestes, vestidos de linho fino e de uma brancura imaculada.
15. De sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir as nações pagãs, porque ele deve governá-las com cetro de ferro e pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus Dominador.
16. Ele traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores!
17. Vi, então, um anjo de pé sobre o sol, a chamar em alta voz a todas as aves que voam pelo meio dos céus: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus,
18. para comerdes carnes de reis, carnes de generais e carnes de poderosos; carnes de cavalos e cavaleiros; carnes de homens, livres e escravos, pequenos e grandes.
19. Eu vi a Fera e os reis da terra com os seus exércitos reunidos para fazer guerra ao Cavaleiro e ao seu exército.
20. Mas a Fera foi presa, e com ela o falso profeta, que realizara prodígios sob o seu controle, com os quais seduzira aqueles que tinham recebido o sinal da Fera e se tinham prostrado diante de sua imagem. Ambos foram lançados vivos no lago de fogo sulfuroso.
21. Os demais foram mortos pelo Cavaleiro, com a espada que lhe saía da boca. E todas as aves fartaram-se da suas carnes.
Contemple com São João, caro amigo/a: ele vê o céu aberto, um cavaleiro, montado num cavalo branco, com as seguintes características físicas e morais:
a) seu nome é Fiel e Verdadeiro: é Jesus, o messias, a justiça de Deus;
b) ele julga e combate com justiça: ninguém escapa de seu julgamento;
c) seus olhos são chamas de fogo: Ele vê o que está dentro da pessoa;
d) na sua cabeça há muitos diademas: sua vitória é total e definitiva;
e) tem um nome escrito que ninguém conhece, a não ser Ele mesmo: é superior, divino, é incompreensível para nós, só vamos compreender na eternidade;
f) está vestido com manto tinto de sangue: o sangue que derramou por nós na cruz, e de todos os mártires que morreram por seu amor;
g) seu nome se chama o Verbo de Deus: Jesus é a Contemple a palavra em: eterna e criadora (Jo 1, 1-4), Ele diz, tudo acontece;
h) os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, vestidos de linho finíssimo, branco e puro, seguiam-no;
i) de sua boca saía uma espada afiada, para com ela ferir as nações: é a palavra toda poderosa, o Evangelho, testemunhado com a vida de Cristo: sua promessa, vida, morte e ressurreição;
j) Ele mesmo regerá as nações com cetro de ferro: o julgamento agora será duro, rigor e força para a sociedade injusta, não mais com um cajado de pastor, amoroso e compassivo;
k) Ele, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira de Deus Todo-Poderoso: referência a Is 63, 1-3, depois de esmagar o inimigo do povo, vai sozinho esmagar as uvas do tanque da justiça Divina, executando o julgamento de Deus;
l) no seu manto e na sua coxa tem um nome inscrito: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores: Ele é o único Senhor da história da salvação.
Agora acontece o chamado para o banquete macabro, o banquete de Deus: Ele faz a justiça e é vitorioso pelo anúncio do Evangelho: um anjo, posto em pé no sol, que clama, com grande voz, convidando a todas as aves, que voam pelo meio do céu, para a grande ceia de Deus, onde elas poderão se fartar de carnes de rei; de comandantes; de poderosos; de cavalo e de seus cavaleiros; de todos, quer livres, quer escravos, tanto pequenos, como grandes. Contrasta com as núpcias do Cordeiro: a destruição total da sociedade injusta e idolatra. O combate será terrível! Ninguém sobrará para enterrar os mortos, serão devorados pelos abutres!
A besta e os reis da terra serão destruídos, com os seus exércitos prontos para a batalha contra aquele que estava montado no cavalo branco e seu exército; a besta e o falso profeta serem aprisionados e foram lançados, vivos, dentro do lago de fogo, que arde como enxofre; os restantes foram mortos com a espada que sai da boca daquele que estava montado no cavalo branco. Todas as aves se fartarem de suas carnes.
Portanto, caro amigo/a, destruição total e a vergonha dos seus corpos ficarem sem as honras da sepultura: pior do que a própria morte para os antigos. São João não dá detalhes da batalha. Pois, João quer indicar que a batalha não algo no futuro, mas já aconteceu! A besta e o falso profeta já foram destruídos pela Ressurreição de Jesus Cristo; Ele venceu a sociedade injusta que o matou. Eles irão desaparecer quando as comunidades cristãs, apesar das tribulações, levarem a termo a profecia, o anúncio do Evangelho. Portanto agora é hora de resistência e luta para vencer tudo aquilo que nos afasta do Evangelho. A vitória da justiça já aconteceu, foi decidida, hoje cabe a cada um de nós, cristão comprometido, levá-la a termo, à sua realização plena!
Você pode contemplar que já estamos caminhando a passos largos para o dia do juízo final. Podemos Observar que, em Ap 4, 1, São João viu um porta aberta no céu, em Ap 11, 19, ele já viu um templo no céu, revelando a Arca da Aliança. Agora, ele vê o céu aberto, com as "portas" totalmente abertas.
Em Ap 6, 2, vimos um cavaleiro sentado em cima de um cavalo branco. Naquela passagem, há controvérsias acerca de o cavaleiro. Não era Jesus Cristo. Mas, aqui, em Ap 19, 11, não há dúvida: o cavaleiro é mesmo Jesus Cristo, o "Verbo de Deus". A cor branca, como já vimos, é o símbolo da vitória e, em todo o Apocalipse, o branco está relacionado às coisas de Deus e à vitória divina. O cavalo branco representa, aqui, Cristo, em sua vitória final sobre os poderes malignos que oprimiram o povo de Deus, no decorrer dos séculos".
Podemos Observar que, a convicção da vitória de Cristo sobre o Anticristo e seus aliados, é tão grande que o relato deste triunfo começa com o convite, feito por um anjo posto em pé, no sol, a todas as aves que voam pelo meio do céu, para elas se banquetearem com as carnes dos inimigos de Cristo, que serão, sem qualquer dúvida, destruídos. Esta é a grande ceia de Deus, que contrasta com a ceia das bodas do Cordeiro, onde os santos são convidados.
São João afirma ter visto os dois lados prontos para a batalha. De um lado, a besta e seus aliados, os reis da terra com seus respectivos exércitos; e do outro, aquele que estava montado no cavalo branco, Jesus Cristo e seu exército É a batalha do har-magedom, já anunciada pela sexta trombeta em Ap 16, 12-16. Todavia, esta batalha não é descrita e João somente afirma a vitória de Cristo. O que João nos relata, nos versículos 20 e 21, que a besta foi aprisionada e, com ela, o falso profeta e que ambos foram lançados vivos dentro do lago de fogo, que arde com enxofre e que os demais, reis, comandantes, etc., foram mortos com a espada que saía da boca de Cristo, ou seja, Sua Palavra. Também estes são primeiramente mortos e, em seguida, lançados no lago que arde com fogo e enxofre. E, finalizando este capítulo, São João diz, em linguagem apocalíptica, que todas as aves se fartaram de suas carnes, simbolizando a destruição total dos inimigos de Cristo.
Caro leitor/a, o próximo capítulo que iremos contemplar, o vinte, tem servido de base para interpretações especulativas e literais, ou fundamentalistas sobre o futuro da humanidade. A idéia de que o fim do mundo está próximo agita a cristandade nos dias de hoje com impulso renovado. A segunda vinda de Cristo, precedida de grandes catástrofes, tem sido profetizada regularmente. Em determinadas épocas, em especial de grandes pestes, fome ou insegurança, parecem prestes a acontecer. Ao contrário de profetas do passado, que encontravam eco em grupos isolados, hoje o discurso sobre o fim dos tempos insufla multidões assustadas, a quem o temor de castigos eternos conduz ao caminho da penitência purificadora. Invocando o que chamam de decadência moral da humanidade, os pecados cometidos sem parcimônia e até os cataclismos da natureza, novos profetas do apocalipse surgem a cada dia. Até o navegador Cristóvão Colombo, convicto de que o Juízo Final se aproximava, gastou seu tempo e conhecimento matemático para precisar o fim do mundo. Segundo Colombo, isso aconteceria em 1650. Graças a Deus ele estava errado, pois caso contrário nós nem teríamos nascido.
Convido você a contemplar este capítulo, com a fiel visão que temos procurado ter, de que o Apocalipse não pode ser interpretado literalmente, pois muitas coisas têm significado simbólico, especialmente os números. Este livro de São João deve ser entendido em seu conjunto todo.

34- DA PRISÃO DE SATANÁS AO FIM DOS TEMPOS (AP 20)
Contemple comigo esta visão de conjunto para entender melhor o capítulo 20: já vimos o fim dos homens que exibem a marca da besta (Ap 15 e 16). Testemunhamos, também, a queda de Babilônia (17, 1 e 18, 10). Contemplamos a descrição da vitória de Cristo sobre a besta e o falso profeta (19.11-21), Cristo é o Rei e comandante do exército de Deus, trava a batalha e o exército do mal: a besta que veio do mar, o falso profeta e o dragão são destruídos. Portanto o Apocalipse 19, 19-21 nos conduziu, do final da história ao dia do juízo final. Em Apocalipse 20, o dragão foi vencido, mas ainda estará tentando fazer mal aos que resistem, a Igreja, o povo de Deus. Esta situação continuará até um tempo que não nos foi dado conhecer, mas que será a vitória definitiva de Deus. Neste tempo futuro, quando todos os homens serão julgados e estaremos todos morando na grande cidade de Deus, que veremos no Capítulo 21, ai então satanás estará totalmente impedido de fazer o mal. E todos que fizeram o bem e mantiveram a fé em Jesus Cristo viverão o verdadeiro Shalon, paz Divina!

35- O FIM DOS TEMPOS: A TRÉGUA DOS MIL ANOS (AP 20 1-3)
1. Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia.
2. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.
3. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.
Bem caro amigo/a, uma vez compreendida esta ordem de eventos, o Apocalipse 20 não é difícil de ser compreendido. É necessário, apenas, recordar a seqüência: A primeira vinda de Cristo é seguida por um longo período, durante o qual Satanás permanece preso; isto, por sua vez, é seguido pelo "pouco tempo" de Satanás; e este é seguido pela segunda vinda de Cristo, isto é, Sua vinda para juízo. O Anjo, a Chave do Abismo e Uma Corrente, para entender o significado é necessário discernimento: o abismo é o mesmo de onde saíram os gafanhotos demoníacos, que torturaram os homens (Ap 9, 1-6). Naquela visão, o anjo se serviu da chave para abrir o abismo e soltar os gafanhotos. Aqui, após amarrar a Satanás com a corrente, a chave, ao contrário, é para fechar a porta do abismo, no qual ele será lançado. O abismo, também, é o lugar onde mora a besta (Ap 11, 9). Este ato de amarrar a Satanás e prendê-lo no abismo, são linguagens simbólicas, descrevendo uma redução radical no poder e na atividade de Satanás. Ele Segurou o Dragão, a Antiga Serpente, que é o Diabo, Satanás e o prendeu por mil anos. É muito difícil entender os mil anos da sua prisão como sendo estritamente literais, por causa do óbvio uso simbólico dos números no Apocalipse. Mil equivale a dez, elevado à terceira potência, isto é, um número ideal. Portanto os "mil anos" precedem a segunda vinda de nosso Senhor para juízo. Essa cifra, mil anos, não se trata de uma quantidade, mas sim de qualidade: o passado, o presente e o futuro. O início é a ressurreição de Jesus, o hoje é a Igreja militante e resistente que caminha iluminada pelo Espírito Santo, com a esperança do futuro, do amanhã, do encontro definitivo, da plenitude com Deus. Isto significa que Cristo voltará somente depois de a Igreja estabelecer o Reino de Deus na história. Satanás foi amarrado e encarcerado para não mais enganar as nações, durante o período de mil anos... Isto dá a impressão de que Satanás foi amarrado, desta vez, de maneira diferente daquela quando Jesus esteve aqui na terra. Temos de lembrar de que prender Satanás é uma maneira simbólica de dizer que seu poder e sua atividade foram reduzidos drasticamente; mas, não significa imobilidade total. O fato de que ele está preso no abismo não quer dizer que seus poderes estão anulados, mas, somente, que ele não pode mais enganar as nações, como o fez durante a história da humanidade e levá-las a uma agressão ativa às comunidades, no passado, presente e futuro. Mas há um contraste entre os mil anos da comunidade com Jesus e o Espírito Santo a iluminar e o pouco tempo de satanás. O que deve permanecer em nossa mente, para nos aumentar a esperança para hoje e amanhã, é a certeza de que nós, comunidade de fé, com Jesus temos poder de anular o poder do Dragão, mesmo que à vezes temos a impressão de que ele está solto. Mas, seu tempo é curto e passageiro. Isto não quer dizer que o mundo está se tornando cada vez melhor e que todos os homens se unirão às fileiras de Cristo. Sabemos que, ao Evangelho, infelizmente, muitos não darão ouvidos. Enfaticamente rejeitam-no e sonham com uma era de paz, de prosperidade e de justiça universal humana, na terra, antes da segunda vinda de Cristo. Todavia, não podemos negar que a Igreja, de fato, exerce uma tremenda influência para o bem, sobre quase todo o complexo da vida humana.
Assim, caro amigo/a, contemplando Ap 20, 1 a 3, dá-nos a certeza de que a influência de Satanás está restringida acerca de uma única e definida esfera de ação: "para que não mais enganasse as nações." Ele, pois, pode causar muitos danos, neste período de mil anos, mas há uma coisa que ele não pode fazer: ele não pode destruir a Igreja como uma poderosa instituição missionária, proclamando o Evangelho a todas as nações, porque para isso ele está amarrado de um modo definitivo.
Portanto, este reinado ou domínio pessoal de Cristo no e do céu é o fundamento de todas as visões do Apocalipse. É a chave para a interpretação dos mil anos".

36- O REINO MESSIÂNICO DA COMUNIDADE DOS SANTOS (AP 20, 4-6)
4. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.
5. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
6. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.
Para contemplarmos adequadamente esta passagem, temos que voltar ao primeiro século depois de Cristo, isto é recuar um pouco na história. É um recurso usado por São João no Apocalipse. Descreve os acontecimentos atuais, como se devessem acontecer no futuro. No primeiro século de Cristo, os cristãos estavam sendo perseguidos e mortos pelo império romano, por confessarem a Jesus como Senhor e Salvador. Paulo e Tiago já tinham sido executados. Porém, diz ele, Cristo não se esquece de seus discípulos tão penosamente afligidos. Ele os sustenta, a fim de que possam permanecer fiéis até o fim. Ele dá à Sua Igreja tão penosamente provada a visão das "almas dos que tinham sido decapitados por causa do testemunho de Jesus" (Ap 1, 2-9 e 6, 9). Ele descreve estas almas, juntamente com todos os cristãos mortos que tinham confessado seu Senhor sobre a terra, como que reinando com Jesus no céu. De fato, ele diz: "Aqui na terra, uns poucos anos de sofrimento; lá em cima, naquela terra muito melhor, vivem e reinam com Cristo mil anos!" Em Ap 11, vimos como os mártires ressuscitam e retornam à vida: eles estão com Deus e na memória da Igreja, juntamente com Deus, julgam e condenam as estruturas injustas que os martirizaram, até a morte. É a nossa alegre esperança: o sofrimento deste tempo presente não é digno de ser comparado com a glória que é revelada às almas dos cristãos, reinando com Deus, no céu!
Mas aqueles que não guardaram a fé, os que aderiram à sociedade injusta, não voltam à vida. Portanto, o restante dos mortos, isto é, todos os outros homens que morreram, os descrentes, não viveram até que terminassem os mil anos. Quando este período estiver concluído, então há uma mudança, Nesse tempo entram na "segunda morte". Em outras palavras: recebem eterna punição; não, apenas, para a alma, mas, agora também para o corpo. A mudança não é para melhor, e, sim, para pior. Por outro lado, os que têm parte na primeira ressurreição são benditos e santos. Sobre eles, a segunda morte não tem nenhum poder. Sabemos que a primeira morte é a morte física pela qual todas as pessoas passam, com exceção das que estiverem vivas, quando Cristo voltar. Já a segunda morte, é a morte eterna, no lago do fogo. Portanto, o cristão não passará pela morte eterna. Por isso, João diz que bem-aventurado são os santos, que têm parte na primeira ressurreição, porque são chamados de sacerdotes de Deus e de Cristo e têm acesso direto à presença de Deus e governam com Ele no reino messiânico. É a quinta bem-aventurança do Apocalipse.
A primeira ressurreição é, portanto a adesão ao projeto de Deus, á vida do Espírito, é o nascer de novo que Jesus fala a Nicodemos: se não nascerdes de novo, não tomarás parte da vida eterna!(Jo 3, 1-15).
Caro amigo/a, eu posso testemunhar esta primeira ressurreição, pois em minha vida tenho sentido, no meu dia a dia, no cotidiano simples que estou vivendo. Sou católico desde o nascimento, batismo como criança de colo, também como neném fui crismado, o que sinto não ter sido eficaz para minha vida, nem de muitos que conheço, pois acabaram não tendo a formação necessária na juventude, aos quinze anos, como é hoje, e posso falar com experiência, pois dou catequese de Crisma e perseverança para jovens a mais de 20 anos. Mas, em conseqüência disso só fui fazer uma experiência, um encontro pessoal com Jesus Cristo em novembro de 83, realizando um Cursilho de Cristandade, em Aparecida, SP. Neste cursilho eu nasci de novo, fui realmente ungido pelo Espírito santo, ressuscitei para a vida de Igreja, de leigo cristão, comprometido com o Evangelho. Nos três dias do encontro pude verificar que não tinha formação cristã nenhuma. Fiz a opção sincera de conhecer Jesus e me engajar na Igreja e no movimento de cursilhos. Comecei a participar da escola de formação do MCC todas as terças feiras. Iniciei um curso de teologia para cristão leigo, o Curso Superior de Religião Paulo VI, da arquidiocese de Aparecida. Curso de Mariologia, cristologia, liturgia, de catequista e de sagradas escrituras. Foram mais de dez anos de estudos e pesquisas. Participava de reunião de grupo do movimento todas as semanas. Trabalhava na diretoria de uma obra social da EEAR, onde podia colocar em prática, garantindo o tripé: oração, estudo e ação, que nos garante harmonia na vivência cristã. Até 93. Foram dez anos de crescimento na fé. Mas, a sedução do dinheiro a mais, da pós-graduação nos Estados Unidos. Estes fascínios me desviaram do caminho e comecei a relaxar na oração, no estudo e especialmente na ação, pois meu tempo era quase todo dedicado ao estudo. Profissionalmente foi ótimo: consegui pós no exterior, dólares para construir minha casa, prestígio profissional, etc, mas minha vida cristã estava ficando para trás, já fazia parte da sociedade injusta que tanto vos falo. Pedi aposentadoria da Aeronáutica apressadamente, aos 45 anos. Entrei em profunda depressão, e pensei até em suicídio. Comecei a trabalhar de novo. Dois salários, trabalho fora, foram me levando novamente para fora do caminho de Deus. Até chegar no fundo do poço em meu matrimônio. Mas graças a Deus, minha esposa provou que realmente me amava com um mor verdadeiro e cristão. Iniciamos nova vida, começamos, juntos um aprofundamento na vida espiritual, com encontros de aprofundamento na espiritualidade inaciana, os exercícios espirituais de Santo Inácio, em Itaici, Indaiatuba, SP. Fizemos uma reforma em nossa vida, retirando todos os afetos desordenados. Renunciei a ter mais um emprego, além da aposentadoria de Aeronáutica dedico meu tempo para escrever material para evangelização, como este livro, catequese, curso de noivos e estamos ativos nas pastorais da Igreja Católica e no MCC. Podemos dizer que somos muito felizes e realizamos a vontade de Deus na nossa vida. Vivemos realmente a ressurreição, a caminho da eternidade.
Bem, que nosso testemunho de vida ajude-os a acertarem o caminho para Jesus, para uma vida de fé, de ressuscitados, exercendo o sacerdócio que Deus e Jesus, com a força do Espírito santo, conferem a todos os que se comprometem com a justiça que faz surgir a nova e grande cidade que poderemos contemplar mais para frente, Ap 21, 9-27.

37- O JULGAMENTO FINAL, A VOLTA AO PARAÍSO (Ap 20, 7-10)
7. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.
8. Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte.
9. Então veio um dos sete Anjos que tinham as sete taças cheias dos sete últimos flagelos e disse-me: Vem, e mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
10. Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus,
Vamos contemplar com São João esta passagem: Satanás solto, após terem passados os mil anos, ele sai a seduzir as nações, pelos quatro cantos da terra, isto é o mundo inteiro, isto entristece, pois depois de todo esse tempo os homens ainda estão com o coração fechado a Jesus e aberto ao mundo. Gogue e Magogue, que são nomes bíblicos para as nações que se rebelam contra Deus e são oponentes ao Seu povo. Com a intenção de reuni-los para o grande combate; o exército liderado por Satanás, pelo poder político e idolátrico das nações, cujo número era como a areia do mar, é só imaginar o número de hoje: 6 bilhões contra apenas 1 bilhão de cristãos. Pisam forte, marcham pela superfície da terra e cercam o acampamento, seduzem o mundo inteiro, as comunidades dos cristãos fiéis e resistentes, e a cidade amada, a Jerusalém que estava sempre no coração do Judeu. Para nós a Igreja de Jesus Cristo.
Mas, Deus fiel e poderoso, intervém na história a favor de seu povo amado: faz descer do céu fogo da justiça para libertar as comunidades e acabar com dragão, libertar o povo amado e destruir totalmente Satanás. Contemple, junto com São João, o diabo ser lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontravam a besta e o falso profeta e co São João tenha a certeza de que eles serão atormentados de dia e de noite, pela eternidade, é o inferno que muitos acreditam não existir, e por isso insistem em adorar as coisas do mundo, em detrimento das coisa de Deus, que nos levarão para o paraíso, reconstituindo a harmonia inicial, querida por Deus deste o início da criação. Mas, por esforço, lutas e renúncias, veremos a vitória da justiça, contra a injustiça.
Bem, caro amigo/a você pode observar e sentir que o livro do Apocalipse usa este período de aflição e miséria como um símbolo do ataque final de Satanás e seu bando contra a Igreja. Pudemos contemplar o simbolismo do ataque de Gogue e Magogue, da Síria sob comando de Antíoco Epífanes, última grande opressão que o povo de Deus teve que suportar na antiga aliança. É, pois, um símbolo apropriado para o ataque final das forças anticristãs contra a Igreja, durante a nova aliança, feita por Cristo, com sua morte na cruz. Vimos que estes exércitos de Gogue e Magogue eram muito numerosos. Desta forma podiam adequadamente simbolizar a oposição mundial à Igreja no tempo imediatamente precedentes à segunda vinda de Cristo. Refletimos sobre o fato de que a tribulação sob Antíoco Epífanes, ainda que severa, foi também de curta duração. Portanto, foi bem adaptada para prefigurar a breve tribulação final que ocorrerá na consumação dos tempos, do juízo final. A derrota dos exércitos da Síria, de Gogue e Magogue, muito bem utilizado pelo autor, era muito inesperada e completa. Era explicitamente obra de Deus. Por esta razão, o assalto de Gogue e Magogue contra Israel pode servir, também, como um símbolo excelente do conflito final do mundo globalizado, relativista e anticristão, hoje muito bem representado pela “nova era”, globalização e poder político ganancioso e opressor, contra a Igreja, os que amam e vivem os mandamentos de Jesus.
Contemplamos com a expressão: "os quatro cantos da terra", um alerta sobre os ímpios do mundo inteiro, os quais irão perseguir a Igreja. A oposição será mundial, com certeza, não se refere a um ataque final, destruindo certas nações "do terceiro mundo", por exemplo, a China, o Japão e a Índia, e outras, contra as nações da Europa Ocidental e da América. O conflito aqui descrito, também não é aquele entre nações "civilizadas" e "não civilizadas". É, simplesmente, o último ataque das forças do anticristo contra a Igreja. Porque, de súbito, Cristo aparecerá e derrotará Seus inimigos! Esta é a Sua única vinda para juízo. Satanás enganara o mundo incrédulo. Levara os ateus a pensarem que uma vitória real e absoluta contra a Igreja fosse possível e que Deus poderia ser vencido! Desta forma, o diabo, aquele enganador, é lançado no lago que arde com fogo e enxofre - significando o inferno como um lugar de sofrimento, tanto para o corpo, como para a alma, depois do dia do juízo, onde estão também, tanto a Besta, como o falso profeta. Isto não quer dizer que a besta e o falso profeta foram realmente lançados no inferno antes de Satanás; senão que a condenação da besta e do falso profeta já tinha sido descrita em Ap 19, 20. Satanás, a besta e o falso profeta caem todos juntos. Isto tem que ser verdadeiro, porquanto a besta é o poder perseguidor de Satanás e o falso profeta é a religião anticristã, idolatra de Satanás. Onde quer que Satanás esteja, ali também estão os outros dois. Todos os três são atormentados neste lago que arde com fogo e enxofre, para sempre, conforme Mt 25, 46.
Mas, São João, olhando para o futuro da humanidade irá nos mostrar o resultado do grande julgamento: a eternidade, vida plena. Termina o presente estado das coisas.

38- A ETERNIDADE: O JULGAMENTO FINAL, O GRANDE TRONO BRANCO (AP 20, 11-15)
11. Revestida da glória de Deus. Assemelhava-se seu esplendor a uma pedra muito preciosa, tal como o jaspe cristalino.
12. Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas por doze anjos. Nas portas estavam gravados os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
13. Ao oriente havia três portas, ao setentrião três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas.
14. A muralha da cidade tinha doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
15. Quem falava comigo trazia uma vara de ouro como medida para medir a cidade, as suas portas e a sua muralha.
Contemplemos com São João: vê um grande trono branco e sobre ele está assentado Deus, Javé, o Juiz da história. Estamos na eternidade, no céu: da face de Cristo, fugiram o céu e a terra e João diz que não mais se achou lugar para eles. O que aqui está descrito não é a destruição do universo, mas, sim, a renovação dele.
Contemple, meu amigo/a: não há mais distinção entre Deus e nós! É uma só coisa. Houve uma dissolução dos elementos, uma regeneração, uma restauração de todas as coisas: não mais haverá sujeição à vaidade. Não precisamos mais temer a morte, nem o inferno. Contemple com São João: vê os mortos, diante do trono, os grandes e os pequenos, isto é, podemos dizer os ricos e os pobres; os brancos e os pretos, os de qualquer situação e posição, não há mais discriminação: todos serão julgados igualmente. Todos estão ressuscitados, a totalidade humana, será vista de pé, diante do trono e serão julgados, para a perdição ou para a salvação eterna.
São João descreve figuradamente: os livros serão abertos, os registros da vida de cada pessoa, ações boas e más. Tudo será consultado. Do mesmo modo será aberto o “Livro da Vida”, onde estão anotados os nomes de todos os escolhidos de Deus. Se voltarmos o versículo 12, diz que "os mortos foram julgados segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros". E no versículo 15, João diz que só serão salvos os que tiverem o nome escrito no Livro da Vida e os demais serão lançados no inferno. Os justos não devem temer, suas obras boas os salvarão. Ao invés, os maus, não tornarão à vida. Irão para o lago de fogo: o inferno! Por fim, as batalhas na terra acabaram, o julgamento final foi realizado. A eternidade, a vitória, irá depender de cada caminho escolhido, o do bem, das boas obras, livremente escolhido. Portanto da fidelidade ou infidelidade. Aqueles que desanimaram e dos que perseveraram até o fim. É claro, meu caro amigo/a, são as pessoas que livremente fizeram a escolha. Deus não julga e nem condena. Quem escolheu o caminho de Jesus, do bem, da justiça: tem seu nome escrito no livro da vida. Passa da vida para a morte: ressuscita, retorna ao paraíso!
É bom meditar neste momento, se eu morresse agora, meu nome estaria escrito no livro da vida?
Tenho feito da profecia, da evangelização, o meu pão diário?
Peça a Graça de contemplar a sua vida nas mãos de Deus, peça a Deus que te mostre o livro da vida. Que me falta para ser inscrito neste livro?
São Tiago em sua carta, Tg 1, 22s, disse aos fiéis de seu tempo: "Sede cumpridores da escritura, e não apenas ouvintes, Enganando-vos a vós mesmos". O apóstolo quis dizer que só se salvará quem orientar sua vida segundo a vontade de Deus com obras.
Estamos conhecendo a revelação de Jesus a São João, e hoje, mais do que nunca, urge contemplá-la. Estará sempre em perigo quem propositadamente faz pouco do cumprimento das verdades de fé, reveladas.
Algumas pessoas não cristãs, tais como: Gandhi, Nietzsche e muitos outros disseram, censurando os cristãos: "Vocês pregam o Cristo com palavras e o negam com ações".
Fica muito claro que, o que mais converte as outras pessoas, é o que fazemos, muito mais do que o que dizemos.
Há muitos que sabem pouca coisa de sua religião, mas o Senhor Deus se agrada do que fazem, vendo a pureza de seus corações. Não é o muito saber que agrada ao Senhor. Mas sim a vontade de agradar-lhe, sentindo internamente a sua vontade, crendo e fazendo, que santifica e enaltece a vida.
Os fariseus, Saduceus e escribas da antiga aliança, entendiam das Escrituras, conheciam os profetas e as profecias, mas a seu modo, sem exteriormente, para serem vistos, mas sem vontade nenhuma de aceitar o Cristo.
O Concílio Vaticano II nos diz: "Todos, bispos, padres, religiosos e leigos, Cristo os constituiu testemunhas e ornou-os com o senso da fé e a Graça a pedir: da palavra para que brilhe a força do Evangelho na vida cotidiana, familiar e social. Não escondam a esperança no íntimo da alma, e, sim, pela renovação contínua e pela luta contra os espíritos da malícia também a exprimam nas estruturas da vida secular".
A espiritualidade, que é o estilo de vida cristã que levamos, é a contra corrente do cotidiano. Se, de um lado, o cotidiano nos arrasta para a repetição e a conservação, de outro lado, a espiritualidade nos impulsiona para a busca e a descoberta. Se você está lendo este livro, é sinal que já está na busca, saindo do cotidiano e aceitação de tudo que a sociedade injusta nos propõe.
Se permanecermos simplesmente no cotidiano, então nos tornaremos medíocres e nos contentaremos com o “menos”. A espiritualidade abraça tudo, dá significado a cada ação e situação cotidianas; nada daquilo que é humano lhe é estranho; não é algo de aristocrático, de solene e oficial, mas ela se veste com roupas despojadas da vida cotidiana. É a sabedoria que o ser humano pede como dom ao Senhor, para que ela esteja ao seu lado na labuta da vida cotidiana (Sl 9, 5-10).
Portanto amigo/a, a realidade cotidiana é o lugar onde somos chamados a viver a espiritualidade cristã e a deixar-nos conduzir pelo mesmo Espírito que animou Jesus e o levou a inserir-se na trama humana e a assumir o risco da história. Ser cristão inserido no mundo, em meio às agitações cotidianas, é acima de tudo ter Jesus como modelo de vida: suas palavras, suas ações, seu modo de relacionar-se com o Pai e com os irmãos.
A espiritualidade cristã é a espiritualidade do cotidiano, que conserva suas forças transformadoras, que é capaz de despertar o espanto e a admiração, apontando sempre para um horizonte mais amplo e mais rico; é a espiritualidade que reacende desejos e sonhos novos, que suscita energias em direção ao mais; é a espiritualidade que faz descobrir, escondida no cotidiano, uma Presença absoluta que nos envolve; é a espiritualidade que faz saborear o eterno e o Absoluto no ritmo doméstico e cotidiano da vida; é a espiritualidade que projeta a vida a cada instante; abre espaço à ação do Espírito para que Ele nos expanda, nos alargue e nos impulsione para horizontes novos.

Contemple o cotidiano de Abraão em Gn. 18,1-15, e sinta o lugar do encontro com o Senhor.
Após a oração medite: Como é o seu cotidiano? Rotina e repetição ou desafio e criação?
Como está sua vida cotidiana familiar? Nela há lugar para a esperança e para o novo?
Você é alguém que normalmente assume novos desafios ou sente medo de mudanças?
Bem amigo/a, no capítulo 20, contemplamos a destruição final e completa da morte e do túmulo, já que Jesus já os havia vencido com sua morte e ressurreição. Isto tinha que ser feito, pois a vida eterna realmente só pode ser entendida quando a morte for banida do universo. No próximo capítulo contemplaremos a nova sociedade que irá surgir, a cidade e esposa: a nova Jerusalém.

39- NOVO CÉU E NOVA TERRA: A JERUSALÉM CELESTE (AP 21e 22)
1. Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia.
2. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.
3. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.
4. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.
5. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
6. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.
7. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.
8. Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte.
Chegamos ao momento do livro Apocalipse, em que iremos contemplar todos os benefícios de termos sidos salvos, remidos pelo sangue do Cordeiro. Trata-se da nova criação, do novo céu e da nova terra, prometidos por Jesus Cristo, quando aqui esteve e que é, nada mais, nada menos, que o Reino de Deus, pregado por Jesus. É o triunfo final de Deus sobre Satanás e as forças do mal. Um verdadeiro fecho da história da salvação: Começa com o Paraíso Terrestre, em que foi colocado o 1º homem, criado por Deus e termina, igualmente com o Paraíso, a Nova Jerusalém. Comparando a história com uma árvore, pois, no livro do Gênesis, Temos a semente; nos demais livros, a planta em crescimento e, no livro do Apocalipse, a fruta ou flor plena de formosura.
Contemplemos com São João o novo céu e nova terra: ele diz que o primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe, a morada de Deus e da humanidade já não existem, existe uma nova realidade. Como vemos, não se trata de um paraíso terrestre, nem de algo que venha a facilitar ou resolver nossos problemas aqui, não sai da terra. Mas deve ser construída por nós por meio da evangelização, resistência e profecia. Logo a cidade santa, a nova Jerusalém que descia do céu, da parte de Deus: adornada como noiva para o seu esposo, Jesus Cristo. Foram removidos, foram extraídas da terra todas manchas de pecado; toda cicatriz de injustiça e todo traço de morte.Todavia, o Apocalipse não fala em outro mundo, em outro céu e outra terra. Não. A terra é a mesma; o céu é o mesmo; o mundo é o mesmo, mas foram removidos, feitos novos, recriados. E, como sabemos, ou devemos saber, só Deus pode fazer novas todas as coisas.
Contemplemos com todos os sentidos, especialmente a audição: São João ouviu uma grande voz, vinda do trono, que dizia: "Eis a tenda de Deus com os homens". Portanto, a função dessa voz era indicar o tabernáculo de Deus; a morada definitiva de Deus com os homens. E a conseqüência disso é: Deus habitará com os homens e mulheres. Seremos o povo de Deus; Deus estará, morará conosco. Deus abandonou o céu e virá morar conosco, é o aliado, enxugará dos olhos toda lágrima. A morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. Cristo, o Deus conosco, morou, temporariamente, entre nós, isto nos afirma o próprio São João em seu evangelho: Jo 1, 14: "O Verbo ... habitou entre nós”.
Esta presença de Deus, entre nós, ocorre na esfera do "Espírito" e que pode ser constatada pela fé e não pela vista. Entretanto, no final, tudo será mudado e a fé será substituída pela visão, pois Deus morará conosco e O veremos face a face. É uma realidade difícil de a gente visualizar, contemplar, mas a meta de toda a redenção é o concurso; a vivência íntima e sem barreiras entre Deus e seu povo.
Continuemos a contemplar com São João: aquele que está assentado no trono, Javé, Deus Pai, lhe disse: que escrevesse tudo o que Ele lhe dizia, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras, que fazia novas todas as coisas. O ser humano, por mais inteligente que seja; por mais preparado que esteja, jamais fará nova qualquer coisa. E Deus faz por meio do Seu Espírito e porque Ele é o "Alfa e o Ômega; o Princípio e o Fim". Palavras tão certas que já podemos dizer: tudo já está feito! Que daria, de Graça a pedir:, a quem tem sede, da fonte da água da vida, que o vencedor herdaria estas coisas, os vencedores, cujo único pré-requisito é a lealdade total a Cristo, mesmo sofrendo perseguição e sofrimentos, beberão da fonte da água da vida: "Eu lhe serei Deus e ele me será filho".
Mas, para os perdedores, aqueles que não terão acesso à fonte da água da vida: os covardes:- aqueles que não tiveram coragem de sofrer, inclusive a morte, pelo nome de Cristo, conforme Mt 13, 21; os incrédulos, isto é, aqueles que não ficaram firmes na fé em Jesus; os traidores, aqueles nos quais não se pode confiar para dar testemunho de Jesus; os abomináveis, todos os que se mancharam adorando a besta, ou, num sentido mais amplo, todos os que são moralmente impuros; os assassinos; os impuros e os feiticeiros, todos os que praticaram pecados induzidos e seduzidos pela grande prostituta; os idólatras, aqueles que adoram os falsos deuses, mas, em especial, os que adoram a besta e os mentirosos, os que não falam a verdade e agem com falsidade. A parte que cabia aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, será no lago que arde com fogo e enxofre, ou seja, a segunda morte.
Portanto, nesta passagem contemplamos que o primeiro céu e a primeira terra passaram. É a dissolução do sistema antigo. Os próprios fundamentos da terra foram submetidos ao fogo purificador.
São João vê, também, descendo do céu a cidade santa, a nova Jerusalém, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Aqui, João apenas mencionou a descida da cidade santa, deixando a descrição desta cidade para ser feita no versículo 9 e seguintes. Esta Jerusalém é chamada nova em contradição à Jerusalém terrena. É chamada santa porque é separada do pecado e completamente consagrada a Deus. Esta nova e santa Jerusalém é obviamente a Igreja do Senhor Jesus Cristo, de todos nós que amamos e seguimos seus mandamentos de amor. Portanto caro amigo/a, o Novo Testamento encara a nova Jerusalém como a morada de Deus, a verdadeira pátria dos santos. Esta Jerusalém celestial representa a morada dos santos que já morreram, mas não é o seu destino final, somente um lugar temporário onde eles ficam entre a morte e a ressurreição. Depois da ressurreição, quando tudo estiver consumado, Jerusalém celestial descerá do céu para ficar definitivamente na terra". A nova cidade, é a sociedade onde haverá fraternidade, pois todos serão verdadeiramente irmãos e não se devorarão mutuamente. Haverá liberdade plena, pois Deus é o aliado que mora junto com seu povo. Haverá partilha, pois Deus dará tudo para todos, gratuitamente, não haverá ganância nem exploração econômica. Na antiga Jerusalém, na sociedade injusta a mentira, as obras da carne e a idolatria que a sustentavam. Agora, na nova terra, só haverá verdade que vem da Contemple a palavra em:, testemunhada por Jesus Cristo e todos os que morreram e resistiram por amor a esta verdade.
Esta nova sociedade já pode ser construída hoje, se colocarmos em prática tudo que nos ensinou Jesus de Nazaré, andando pelas estradas poeirenta da Judéia. Vamos contemplar a cidade nova, a Jerusalém Celeste.

40- A NOVA JERUSALÉM: A SOCIEDADE PERFEITA (AP 21, 9- 22)
9. Então veio um dos sete Anjos que tinham as sete taças cheias dos sete últimos flagelos e disse-me: Vem, e mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
10. Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus,
11. Revestida da glória de Deus. Assemelhava-se seu esplendor a uma pedra muito preciosa, tal como o jaspe cristalino.
12. Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas por doze anjos. Nas portas estavam gravados os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
13. Ao oriente havia três portas, ao setentrião três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas.
14. A muralha da cidade tinha doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
15. Quem falava comigo trazia uma vara de ouro como medida para medir a cidade, as suas portas e a sua muralha.
16. A cidade formava um quadrado: o comprimento igualava à largura. Mediu a cidade com a vara: doze mil estádios. O comprimento, a largura e a altura eram iguais.
17. E mediu a muralha: cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida humana empregada pelo anjo.
18. O material da muralha era jaspe, e a cidade ouro puro, semelhante a puro cristal.
19. Os alicerces da muralha da cidade eram ornados de toda espécie de pedras preciosas: o primeiro era de jaspe, o segundo de safira, o terceiro de calcedônia, o quarto de esmeralda,
20. o quinto de sardônica, o sexto de cornalina, o sétimo de crisólito, o oitavo de berilo, o nono de topázio, o décimo de crisóparo, o undécimo de jacinto e o duodécimo de ametista.
21. Cada uma das doze portas era feita de uma só pérola e a avenida da cidade era de ouro, transparente como cristal.
22. Não vi nela, porém, templo algum, porque o Senhor Deus Dominador é o seu templo, assim como o Cordeiro.
Contemplemos com São João a nova sociedade, construída com base na justiça e fraternidade: um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos, o mesmo anjo do capítulo 17, que mostrou a São João a meretriz, a terrível prostituta, agora se dirige a São João e lhe diz: "vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro". Tudo é uma tentativa de mostrar aquilo que hoje, é impossível enxergarmos com nossos olhos humanos: é extraordinário. Mas, São João, “em espírito”, em profunda contemplação, que só é possível aos que se deixam guiar por Deus, pelo Espírito Santo. Do alto de uma grande e elevada montanha, com certeza inspirado nos capítulos 40 a 48 de Ezequiel, que já havia profetizado a Jerusalém dos tempos do Messias. Mostra-lhe a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus. Portanto é a realização do plano de Deus na nossa história, á nossa espera. São João, em êxtase, tenta traduzir a sua beleza e esplendor, baseado no brilho de uma pedra preciosa, tenta nos mostrar como Deus brilha com sua presença na nova sociedade, nova cidade, cheia de justiça, fraternidade e igualdade. Isto é, tem a glória de Deus, seu fulgor era semelhante a uma pedra muito preciosa, como pedra de jaspe cristalina.
Eu imagino que o autor utilizou a simbologia de pedras preciosas, em virtude de estar em uma ilha, onde eram obrigados a recolher pedras preciosas em minas, cavadas com o esforço de suas mãos. Tenta descrever esta cidade, indescritível a nossos olhos, com a perfeição que será a verdadeira e definitiva Jerusalém, nova pátria do povo de Deus. Em sua descrição podem-se notar traços da Babilônia antiga e de Roma, porém agora com a perfeição da justiça de Deus sendo praticada dentro de suas portas. A cidade é feita com perfeição, pois nela tudo é doze, quatro e três, números perfeitos! Orientada pelos pontos cardeais e como um cubo de todas as medidas iguais, então contemplemos esta maravilha:
Sua muralha tinha a seguinte descrição: era grande e alta, medindo cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem, isto é, de anjo e seus fundamentos são os seguintes: os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro, adornados de toda espécie de pedras preciosas, sendo: é de jaspe; safira; calcedônia; esmeralda; sardônio; sárdio; crisólito; berilo; topázio; crisópraso; jacinto; ametista. E toda sua estrutura é de jaspe.
Bem, caro amigo/a, buscar uma simbologia para estas pedras é impossível, mas como ele deveria manipular essas pedras naquelas minas da ilha de Patmos, com certeza ele queria indicar toda beleza deslumbrante da cidade, impossível de ser descrita com nossas limitadas palavras. Que maravilha! Um dia também a veremos, é só perseverar até o fim!
São João completa a visão, descrevendo as portas da cidade, como já as imaginavam os antigos rabinos, referindo-se à antiga Jerusalém: tinha doze portas, sendo três a leste; três ao norte; três ao sul e três a oeste e, sobre elas, nomes inscritos, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Estas portas são doze pérolas e cada uma destas portas, de uma só pérola. Elas nunca mais se fecharão de dia, porque, na Nova Jerusalém, não haverá mais noite, e trarão, à cidade, a glória e a honra das nações. O anjo, que falava com São João tinha, para medir a cidade, as suas muralhas e as suas portas, uma vara de ouro, e as medidas da cidade foram: cumprimento e largura iguais; mediu a cidade com a vara até doze mil estádios: cumprimento, largura e altura são iguais. A praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente; na cidade não haverá templo, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro. Nós o veremos face a face, num encontro definitivo e para eternidade. E o que ilumina a cidade é a glória de Deus, e a sua lâmpada é o Cordeiro. Por isso, ela não precisa nem do sol e nem da lua para lhe darem claridade; mediante a sua luz andarão as nações e os reis da terra lhe trazem a sua glória. Na Nova Jerusalém, nunca mais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro: não haverá mais injustiça e corrupção, nem para o meu e o teu, mas, sim: o nosso, tudo é partilhado.
Na palestina, na Jerusalém antiga, não havia um rio a atravessa-se, e a água, era para o Judeu, imagem de vida. Para mostrar que a nova Jerusalém será cheia de vida, o anjo continua a mostrar a João a cidade santa, a Nova Jerusalém. Então lhe mostra o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro; mostra-lhe, ainda, a árvore da vida, que se encontra no meio da praça, de uma e outra margem do rio, que produz mensalmente seu fruto e cujas folhas são para cura dos povos. Portanto, agora conquistaremos a imortalidade, perdida no paraíso, e agora, reconquistada, o ser humano volta ao paraíso, de onde saiu por sua desobediência e prepotência em querer ser igual a Deus. Para nos mostrar que lá nunca mais haverá, ali, qualquer maldição, pois nela estará o trono de Deus e do Cordeiro.
Deus e o Cordeiro serão servidos por seus servos, que contemplarão a sua face e em cuja fronte está o nome Dele.
Finalmente, João percebe que já não haverá noite, na Nova Jerusalém, porque seus habitantes não precisam de luz de candeia, nem da luz do sol, pois o Senhor Deus brilhará sobre eles e reinarão pelos séculos dos séculos.
Com certeza, caro amigo/a, esta contemplação foi algo tão deslumbrante que a gente tem muita dificuldade de sequer imaginar o que João deve ter sentido. São visões encima de visões, de um esplendor tão grande que faltam palavras para as descrever. O certo é que João foi elevado, em espírito, por um daqueles sete anjos, que têm as sete taças, cheia dos últimos sete flagelos, até a uma grande e elevada montanha e, ali, lhe mostra a Nova Jerusalém, a noiva, a esposa do Cordeiro, que descia do céu, da parte de Deus.
A primeira coisa que nos chamou a atenção é a expressão: "grande e elevada montanha", pois de fato, é só quando estamos no alto monte da fé é que ficamos capacitados a ver a Igreja como existe em sua plena realidade.
Outra observação importante que sentimos e contemplamos, é que o anjo promete a João mostrar-lhe a noiva, a esposa do Cordeiro e lhe mostra a cidade, a Nova Jerusalém, confirmando, com isso, que a cidade e a noiva são uma só e ambas indicam ser a Igreja de Deus.
A conclusão que chegamos é que a Nova Jerusalém não é uma continuação de nada. Até com o paraíso de Adão e Eva, não pode haver comparação, pois ele era um jardim, o Jardim do Éden e este, agora, é uma cidade, a Jerusalém celeste. Nesta cidade, Deus estabelece, com cada homem e mulher, uma nova relação. A Graça estabelece, com cada vida, momentos novos. A Eternidade de Deus não é uma imobilidade, é um perpétuo começo, uma novidade sempre nascente; uma ausência de hábito, necessidade, destino; uma ausência de repetição.
Bem, sem dúvida a Nova cidade, a terra prometida é aberta a todos que souberam permanecer fiel na fé da pessoa e da mensagem de Jesus Cristo. Mas, para nós estará aberta? O que buscamos na Igreja de Jesus Cristo: Poder? Prestígio? Honra? Fama? Os que isso procurarem desaparecerão e não terão a vida eterna!
Para obtermos a certeza de que ela estará aberta para nós, é indispensável que tenhamos muita fé. Uma FÉ viva para:
1. Viver a experiência do Ressuscitado como os Apóstolos, numa lógica de ausência e encontro. “Estarei sempre convosco...”, conforme Ef 3, 17.
2. Compreender que Cristo e sua missão são uma mesma realidade que se faz presente em nós e nos compromete com um estilo de Vida novo.
3. Para ir do Dom ao Doador; do Sinal ao Conteúdo e à Origem do sinal.
4. Para descobrir o Cristo vivo e presente, a nível pessoal: Cristo vive em nós e nós no Espírito. A nível comunitário: Cristo cria e é centro da comunidade de irmãos, a Igreja. Cristo nos exorta: “Vai aos meus irmãos e dize-lhes” (Mt 28, 10). Cristo cria a comunidade e confere-lhe a missão: “Ide, pregai o Evangelho a toda criatura...” (Mt 28, 19). A nível cósmico, do universo: Cristo recapitula tudo n’Ele (Rm 8, 22). Portanto, precisamos sentir que n’Ele tudo tem consistência. O mundo se faz transparência de Deus. Devemos nos conscientizar de que toda nossa vida está cheia de dons e presentes de Deus. Ele nos oferece para que desfrutemos deles e para que O reconheçamos como a Fonte de todo bem.
O ser humano deve desfrutar dos dons que Deus lhe deu, mas deve ter no usufruto uma medida, um meio termo. No uso que fazemos desses dons pode entrar em nós a desordem, a idolatria, a cobiça e em definitiva, a desvinculação de Deus.
Não se trata de um desfrutar desmedido e louco, até chegar o extremo, mas desfrutar de um modo racional e regulado pelo amor.
Porque só a partir do amor seremos capazes de conseguir, com que o desejo ou impulso seja ordenado e amadureça, até que a pessoa seja “senhora de si”.
Toda pessoa é chamada a ser plenamente feliz, ajustando-se à Vontade divina, a desfrutar e a satisfazer-se com os presentes de Deus. A plena satisfação do ser humano consiste em integrar toda a pessoa no amor.
A chave não está nos extremos, mas no meio. Não se trata de extremismos, senão de buscar o equilíbrio e a moderação das coisas.
O critério de discernimento é chegar, a saber, qual é o “justo meio” que nos convém, aquilo que necessitamos indispensavelmente para nossa saúde, o que necessitamos e nos é de muito proveito para trabalhar, descansar e divertir-se. Tirar tudo aquilo que não nos convém para chegar a um reto equilíbrio.
Medite, caro irmão/ã, entre os dois extremos: “ter tudo” ou “não ter nada”, onde você se situa? A resposta te indicará o caminho a seguir.
Nos próximos e últimos versículos do Apocalipse, São João retoma vários assuntos e reafirma o grande valor desta revelação de Jesus Cristo, e faz uma súplica contra falsificações da palavra.

41- DESFECHO: O PARAÍSO PARA SEMPRE NA NOVA CIDADE (AP 22, 6-21)
6. Ele me disse: Estas palavras são fiéis e verdadeiras, e o Senhor Deus dos espíritos dos profetas enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos o que deve acontecer em breve.
7. Eis que venho em breve! Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro.
8. Fui eu, João, que vi e ouvi estas coisas. Depois de as ter ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que as mostrava.
9. Mas ele me disse: Não faças isto! Sou um servo como tu e teus irmãos, os profetas, e aqueles que guardam as palavras deste livro. Prostra-te diante de Deus.
10. Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo.
11. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais.
12. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras.
13. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim.
14. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas.
15. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!
16. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã.
17. O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que ouve dizer também: Vem! Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba, gratuitamente, da água da vida!
18. Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas neste livro;
19. e se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro.
20. Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus!
21. A graça do Senhor Jesus esteja com todos.

Caro amigo/a, depois de contemplarmos todo o conteúdo desta revelação de Jesus Cristo, chegamos, agora, ao desfecho ou seja, ao epílogo; à parte final do livro.
Contemplemos agora, com todos os nossos sentidos, pois São João vai dar uma coroação racional a tudo o que foi dito; vai atestar a veracidade de todo o livro; reforçar as promessas de Jesus e proclamar aos cristãos fiéis e resistentes a se manterem firmes em sua fé, para alcançarem a vida eterna, o paraíso na Jerusalém celeste.
Neste desfecho, o autor quer, com pequenas frases, nos reafirmar o que já tinha afirmado no início, no preâmbulo:
Contemplamos no início que São João nos transmitiria Jesus Cristo como o Senhor Todo-Poderoso do céu e da terra, da Igreja.
Agora, no final, podemos contemplar a consecução deste intuito: em Ap 22, 6: "O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que, em breve, devem acontecer". Logo, o tempo está próximo, mas o fim ainda não vem". Lembremo-nos de que o próprio Jesus disse que só Deus Pai sabe do dia do Juízo Final.
No versículo 16, o apóstolo João afirma: "Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da Manhã". Portanto, no final São João confirma que Jesus Cristo é o Messias prometido; é o rebento que procede do trono de Jessé; é o Filho de Davi; a brilhante Estrela da Manhã.
Contemplamos também no início, que a revelação de Jesus Cristo, à São João é verdadeira, porque lhe foi dada pela Contemple a palavra em:, e pelo testemunho de Jesus Cristo.
No desfechar, São João não tem dúvida alguma da verdade desta revelação e, podemos dizer, são três que dão testemunho disso: o anjo, em Ap 22, 6: "Disse-me, ainda, Estas palavras são fiéis e verdadeiras"; São João também nos afirma, em Ap 22, 7: "Eu, João, sou quem ouviu e viu estas coisas". E o próprio Jesus Cristo, Ap. 22, 12, nos testifica: "Eis que venho, sem demora, e comigo está o prêmio, que tenho para retribuir a cada um, segundo as suas obras".
Há uma bem-aventurança no início: "aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas".
Já no desfecho, são colocadas duas bem-aventuranças e uma imprecação. Em Ap 22, 7: "Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da prenúncio deste livro". E em Ap 22, 14: "Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas". Isto é, Lavar sua roupa significa recorrer à fonte purificadora do sangue de Jesus Cristo, praticar as obras que Ele praticou. Este sangue, não somente remove toda a culpa, mas, também, mereceu, para nós, o Paráclito, o Espírito purificador e santificador; este pode entrar pelas portas da cidade. Do lado de fora da cidade estão todos aqueles que têm os marca da prostituta: os cães; os feiticeiros, os impuros, os idólatras e os mentirosos, conforme Ap 22, 15.
A imprecação, a praga ou maldição é dirigida a todo aquele que alterar o conteúdo do livro, para mais ou para menos (Ap 22, 18s). É normal no fim das mensagens, obras dos escritos antigos, colocar-se um pedido aos que faziam as cópias, para que fossem fiéis, pois devemos lembrar que na época de São João era tudo copiado à mão, é claro que não existiam copiadoras. E também, São João quer afirmar que o autor deste livro é, verdadeiramente, Jesus Cristo. Ele, João foi, apenas, o instrumento, que inspirado, escreveu a revelação do próprio Jesus.
No início existe, uma declaração de Deus, dizendo quem Ele É: "Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso".
Também no desfecho, isso tudo é reafirmado, em Ap 22, 13: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último; o Princípio e o Fim" e em Ap 22, 16: ".... Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã". Através destas declarações Deus vem confirmar, perante nós, suas criaturas bem amadas, Sua soberania e a do Cordeiro, Jesus Cristo: "Eu sou o Tudo; acima de Mim nunca houve, não há e nem haverá outro; toda a autoridade me pertence".
No prólogo há um estímulo, através de uma bem-aventurança, a todos aqueles que: lêem o livro, ouvem as palavras das profecias e guardam as coisas nele escritas.
No final há uma ameaça para não alterar as palavras deste livro. Havia um costume na tradição judaica, que os papiros, onde eram escritos os documentos, fossem selados, caso seu conteúdo não dissesse respeito ao seu tempo, mas a alguma época, no futuro. No caso do Apocalipse, naquela época e hoje é uma revelação atual, pois é de Jesus Cristo, que é sempre presente: ontem, hoje e amanhã, assim também a sua revelação!
Mas, não se refere às palavras, que dependem da época, cultura, situação em que foi escrito, especialmente na linguagem apocalíptica. O importante é não perder a mensagem do livro: resistir à fascinação da sociedade injusta; denunciar as injustiças presentes nesta sociedade; testemunhar, se necessário, com a própria vida, como Jesus Cristo se entregou, livremente, para nossa salvação; celebrar com a comunidade dos fiéis, a alegria, esperança da ressurreição dos que perseverarem até o fim; e que tudo é urgente, pois não sabemos a hora que virá o final dos tempos.
Respeitando a liberdade que todo ser humano tem de aceitar ou não esta revelação, Jesus Cristo faz um incentivo àqueles que aceitam a Sua Palavra e um alerta terrível àqueles que não a aceitam preferindo seguir o fascínio pela sociedade injusta, o mundo, a besta, a prostituta, ou a Satanás.
Mas, aos que O seguem, que resistem, em Ap 22, 11, Ele os incentiva, dizendo: "O justo continue na prática da justiça e o santo continue a se santificar". Portanto, reafirma a boa-venturança do início: “felizes o leitor e o ouvinte desta palavra..., pois o tempo está próximo”.
Alerta também, aos incrédulos, que persistem em não se arrependerem e não aceitarem a Jesus como Senhor e Salvador, Ele alerta: "continue o injusto fazendo injustiça; continue o imundo ainda sendo imundo" (Ap 22, 11). E logo a seguir, no versículo 12, nos diz: Cristo virá "sem demora", isto é, subitamente, de surpresa. Portanto, fique bem atento; não se distraia; fique preparado, porque este dia virá e só Deus sabe quando é isso.
Mas ainda, em Sua infinita bondade, Deus, ainda dá uma chance aos injustos e imundos de se arrependerem, quando diz, em Ap 22, 17: “... Aquele que tem sede venha e, quem quiser, receba de Graça a pedir: a água da vida”. Logo, um convite ao arrependimento, porque haverá uma hora, quando o Senhor vier, em que será tarde demais.
Jesus afirma, garante, e assina: “aquele que atesta a veracidade de todas estas coisas, diz: sim, Venho muito em breve!”
E as comunidades, após esta afirmação de Jesus, de Sua vinda breve, juntamente com João acrescentam um desejo, quando Ele diz: "Vem, Senhor Jesus" (Ap 22, 20). Portanto, esta expressão: ”vem senhor Jesus” era muito utilizada e amada pelas comunidades primitivas. Expressam o desejo de toda a Igreja, de todo o cristão que anseia pela volta de Jesus, porque sabe muito bem que, se Jesus não voltar, Sua obra de redenção permanecerá para sempre incompleta. O retorno de Jesus é a única esperança segura para o futuro do mundo; que, certamente, Ele virá sem demora.
A última frase do Apocalipse é uma afirmação; um desejo e uma bênção, quais sejam: "A Graça a pedir: do Senhor Jesus seja com todos”.
São João encerra com uma bênção; uma saudação muito comum entre os primeiros cristãos, era sinal de que as comunidades não separavam de suas lutas e esperanças, das celebrações litúrgicas. Ao contrário: as lutas, esperanças e todas as dificuldades que enfrentavam era o conteúdo de suas celebrações litúrgicas, assim como hoje devem ser.
Bem amigo/a, foi uma longa caminhada, parabéns por perseverar até o fim desta contemplação. Mas, e agora o que fazer para sermos merecedores de entrarmos na Jerusalém celeste, no paraíso prometido? Vou sugerir no próximo tópico um caminho de perseverança, pois se vocês contemplaram até o final, é por que estão com vontade de continuar a caminhada.

42- VIVER COMO RESSUSCITADOS NO NOSSO COTIDIANO
Somos seres visceralmente “pascais”. Páscoa é ter diante de si os desafios da vida. É preciso remover as pedras que foram soterrando a vida dentro de nós e romper os muros que cercam nosso coração.
Viver como ressuscitados é reconhecer que nossa vida está “estreita” e que precisamos nos situar num horizonte diferente. Viver é “re-criar-se”.
Nestas contemplações que realizamos do Apocalipse, com certeza, sentimos e apreendemos que em Jesus acontece algo totalmente novo; Ele traz uma nova maneira de viver que não cabe nos nossos esquemas. A mudança de mente, de coração, de paradigmas... Exige de nós que, de tempos em tempos, revisemos nossas vidas, conservando umas coisas, alterando outras, derrubado idéias fixas, convicções absolutas, modos fechados de viver... Que impedem a entrada da luz da ressurreição.
Nada mais contrário ao espírito pascal, que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos e tranqüilizadores. Na ressurreição, a vida é um fenômeno que emerge de forma misteriosa; ela se impõe, simplesmente.
Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e veneração, porque a vida é sempre sagrada. Diante dela ficamos extasiados, boquiabertos, escancarados os olhos e afiados os ouvidos. Ela nos atrai por sua força interna. A vida é sempre emergência do novo e do surpreendente. Sequer nos é permitido tocá-la de qualquer jeito. Ela exige certo rito; é proibido passar por cima dela. Somente podemos estabelecer um diálogo com ela: assim abriremos horizontes e viveremos na verdade.
Portanto caro amigo/a: “Viver como ressuscitados” é viver como aquelas pessoas que tiveram uma experiência limite da morte (por enfermidade, acidente...); elas experimentam uma mudança radical em suas vidas.
Sua atitude diante da vida é totalmente diferente; vêem-na com olhos novos.
Marcadas pela ressurreição, as pessoas captam muitos detalhes que antes não haviam percebido, vivem intensamente, amam com mais paixão, prestam atenção a muitas coisas que antes lhes passavam desapercebidas. Tem um comportamento diferente para com os outros; há, nestas pessoas, mais ternura, são mais sensíveis à dor e à injustiça.
Ao saborear o presente da vida, vivem como se fossem ressuscitadas. Crêem que, amando mais a vida, se afastarão mais da morte e resistirão às hostilidades do mundo presente.
E, no entanto, continuam vivendo na mesma casa, no mesmo trabalho, fazendo as mesmas coisas... , mas seu olhar audacioso desperta as consciências, sacode as velhas estruturas, derruba os muros da exclusão.
Tenho certeza, depois dessas contemplações apocalípticas, que você internou afetivamente a certeza de que Jesus veio porque Deus Pai o enviou para nos trazer a sua vida divina.
Portanto caro amigo/a, a vida que Jesus veio nos trazer não é a simples vida terrena que recebemos dos nossos pais. Com efeito, a vida que ele nos doa é "vida eterna", ou seja, é participação na sua vida de Filho de Deus, é a acolhida na comunhão íntima com Deus: é a própria vida de Deus, que Jesus pode nos comunicar porque ele mesmo é a Vida. Mas nós sabemos que a vida de Deus é o amor.
Jesus, Filho de Deus que é Amor, vindo a esta terra, viveu por amor e nos trouxe o mesmo amor que arde nele. Ele doa a nós a mesma chama daquele incêndio infinito e nos quer cheios de "vida", da vida que ele vive.
Uma vez que Jesus não só possui a vida, mas "é" a Vida, ele pode doá-la com abundância, assim como doa a plenitude da alegria.
O dom de Deus é sempre desmedido, infinito e generoso como Deus.
Desse modo ele vem ao encontro de suas aspirações mais profundas, afetivamente, do seu coração, do todo ser humano, da sua fome por uma vida plena e sem fim. Somente ele pode saciar o desejo de infinito. Porque a sua vida é "vida eterna". Como sentimos nas nossas contemplações: um dom não somente para o futuro, mas para o presente. A vida de Deus em nós já começa desde agora e nunca mais morre: a Jerusalém celeste, o paraíso é para ser iniciada agora em sua vida, em sua família, sua comunidade, sua Igreja!
Como poderemos esquecer daqueles cristãos que são os santos? Eles se apresentaram, tão ricos de vida, que chegam a transbordá-la ao seu redor.
De onde vinha o abraço universal de São Francisco de Assis, o homem do século, aceito por todas as religiões, credos e até pela sociedade injusta. Que foi capaz de acolher os pobres, de encontrar-se com reis, de reconhecer irmãos e irmãs em cada criatura? De onde nasceu o amor concreto de Madre Teresa de Calcutá, de quem o nosso também santo João Paulo II, falou: Tereza de Calcutá evangeliza a Igreja sozinha! Ela se fez mãe para cada criança abandonada e irmã de toda pessoa marginalizada? Eles possuíam uma vida extraordinária, a vida que Jesus lhes havia doado.
Como podemos viver esta Palavra de Vida? Como podemos ser resistentes ao fascínio da sociedade injusta? Como ordenar os nossos afetos desordenados, apegados às coisas, ao mundão?
Meu irmão/ã, só descobri um meio, já testemunhei para vocês as minhas lutas e renúncias. É acolhendo, adentrando em nossa vida a Vida que Jesus nos doa e que já vive em nós por meio do batismo que recebemos e pela nossa fé. Essa Vida pode sempre crescer à medida que amamos. É o amor que faz viver. Quem permanece no amor - escreve São João, permanece em Deus, participa da sua mesma vida. Sim, porque se o amor é a vida e o ser de Deus, o amor é também a vida e o ser do homem. E o inverso também é verdade: todas as vezes que não amamos, nós não vivemos.
Com a sua ascensão aos céus, como contemplamos sua presença na corte celestial, Jesus abre para nós, que fomos batizados, a possibilidade de viver com ele e com o Pai, no Espírito, o mistério da comunhão.
Mas antes de subir ao Pai, Jesus abençoou os discípulos. A toda bênção dá-se uma missão. Os apóstolos e discípulos foram abençoados por todos os mistérios da vida, sacrifício-morte-ressurreição e ascensão do Senhor. Por isso, foram enviados para serem as testemunhas de Jesus, para pregarem o anúncio da Boa Nova e batizarem. Abençoados, tornam a presença multiplicada de Jesus Cristo no mundo para se transformarem em bênção para todos. Assim como os apóstolos, também nós precisamos tomar consciência da nossa missão: fazer com que todos os povos se tornem discípulos do Senhor. Este é o desejo de Jesus Cristo. A missão não se trata somente de transmitir uma mensagem, mas de instaurar estreita relação com Cristo, uma relação pessoal e um seguimento para partilhar o projeto de vida do Mestre, assumindo a sua causa, que é o Reino de Deus. Assim, as pessoas se tornam discípulas entrando em relação com Jesus, pelo batismo e pela obediência a seus ensinamentos.
Após o mandamento da missão, Jesus promete aos seus sua presença contínua. Pelo Espírito Santo, a partir da ascensão, Ele se faz presente nos cristãos, na comunidade reunida e em todas as pessoas de boa vontade a serviço do Reino. Eis o núcleo e a profissão de fé, que tantas vezes repetimos nas celebrações litúrgicas: "Ele está no meio de nós".

43- A VERDADEIRA VIDA ORIENTADA PELO ESPÍRITO SANTO: RUMO A ETERNIDADE!
A pessoa humana, na sua realidade sempre finita, é um mistério insondável que precisa a vida toda para ser compreendido.A vida humana muito desafia àqueles que a receberam como dom. Por isso muitos e diferentes são os ditos a respeito do viver a vida. Viver é uma arte. Viver é um enorme desafio. Não é fácil levar a vida. Há quem se expressa com otimismo ou de modo pessimista a respeito da vida. Segundo o Pe. J. Ramón F. de la Cigoña, sj, “há pessoas que vivem num nível emocional primitivo e circulam muito próximas dos seus limites. O agir delas depende, quase exclusivamente, de suas carências e necessidades. Nessa condição, a mentira e a dicotomia se desenvolvem por si mesmas, pois a mente inventa mil fugas para não enfrentar a realidade. Essas pessoas fazem o que querem, como querem e quando querem e, provavelmente, parecem aos nossos olhos como incoerentes e imorais, mas apenas apresentam a sua subjetividade limitada. São movidos mais pelas suas emoções primárias, pelos seus instintos ou pelo ego. Há outros que submetem os seus agir a regras comportamentais impostas e rígidas que acabam por desumanizá-los. Esses foram vencidos pela objetividade fria da realidade. Aparentemente são legalmente coerentes e “morais”, mas interior e exteriormente são prepotentes, agressivos e rígidos. Enfim, limitados, pois são movidos mais pela sua razão secundária. Também há aqueles que têm a dúvida, como norma do seu ser e agir, duvidam de tudo e de todos; até de si próprios. Neles, a mentira e a verdade viraram confusão e incerteza do sujeito e do objeto limitados”.
Tudo o que se diz revela as perplexidades e possibilidades de cada pessoa diante do mistério de sua própria vida. De qualquer modo é evidente que uma dinâmica deve presidir a condução da vida. Desta dinâmica depende o que se pode fazer da vida. A direção da vida está posta nas mãos de quem a recebeu como dom.
Ninguém pode duvidar que a vida seja o dom mais precioso que se tem. Causa temor pensar que o rumo da vida depende de princípios e opções feitas, de prioridades e de modos concretos na sua organização.
Não é difícil concluir que a condução da vida pessoal e sua articulação com a vida dos outros é uma tarefa exigente da qual se deve dar conta de maneira sábia e inteligente. Aqui está a direção para a realização das utopias que vão balizando a própria dinâmica da vida. Não está noutra direção o segredo de fazer da vida de todos e de cada um a fonte sustentadora da nova ordem social que se espera e precisa urgentemente ser estabelecida. É efervescente dentro de cada um o desejo de ser feliz. Só a vida como dom é condição de possibilidade para ser feliz.
O dom da vida em cada pessoa é emoldurado por suas circunstâncias existenciais. Estas circunstâncias têm os seus contornos próprios e as diversidades de suas configurações. São dados e composições que contam uma infinidade de aspectos e perspectivas. Por isso, a vida de cada um é singular e tem o seu próprio curso. Há um lugar determinado de nascimento, crescimento e formação, numa determinada família com sua história própria. Os desdobramentos incontáveis no tempo de cada um incluem dados tantos que nem mesmo se dá conta de reuni-los, classificá-los ou articulá-los entre si. Este curso próprio da vida de cada um contracena no contexto que engloba outras vidas na singularidade de cada outro, trazendo à singularidade de cada um o desafio indescritível de articulações, ajustamentos, vinculações e sentidos.
A encarnação do Verbo de Deus, Jesus Cristo, traz para o centro da condição humana a garantia de levar adiante o desafio de edificar a vida como dom e dela fazer a fonte de todo bem. Esta realização se faz “pela ação do Espírito Santo”. Esta expressão deixa inquestionável que a tarefa de dar conta da vida só é possível por esta ação do Espírito Santo. A vida é um projeto cujo alcance não se atinge apenas com a força da inteligência humana e menos ainda é suficiente o esforço individual. Inteligência humana e esforço pessoal e comunitário são indispensáveis, mas há de ser forte a convicção e a experiência de que é o Espírito Santo que, vindo em auxílio da fraqueza humana, realiza a grandeza do projeto de Deus na vida de cada pessoa.
A vida rumo a eternidade se apresenta como alternativa à limitação experimentada e brota de uma profundidade existencial teonômica, isto é, se reconhece a pessoa humana como criatura de Deus, a lei do seu ser e a vontade de Deus a respeito dela são uma só e a mesma coisa: “quero realizar meu ser” é o mesmo que: “quero fazer a vontade de Deus”. Esta vida cheia de sentido é uma mistura gostosa de amor e beleza, bondade e liberdade, realidade e sonho. Ser cristão, e viver como tal é uma Graça que envolve a vida toda na sua finitude, fazendo-a, de algum modo, “engraçada”, graciosa e cheia de criatividade, isto é transcendente.
Quando nos aproximamos da oração e buscamos o discernimento de nossa vida, surge o desejo de fazer o bem é o grande valor de nossas vidas; mas, precisamente por ser tão importante, é preciso entender o “desejo de fazer o bem”, examiná-lo e purificá-lo para que, ao fazer o bem aos outros, não prejudiquemos a nós mesmos e àqueles a quem queremos ajudar.
Trata-se de não macular a generosidade do serviço com a mistura do egoísmo. O desejo de fazer o bem começa sempre puro e limpo, como o traço mais nobre do coração humano; mas precisamente por sua importância e por sua força, pode ir se desviando gradualmente até mudar sua direção e atuar contra o próprio bem que pretendia realizar.
S. Inácio de Loyola nos oferece um critério claro para desmascarar possíveis desvios na prática do bem: “se o princípio, o meio e o fim é inteiramente bom, inclinado a todo bem, este é sinal do bom anjo”.
Este critério esclarece a necessidade de combinar o sentido último da vida com o sentido parcial de cada ação. O caminho é vislumbrado de longe e corrigido a cada passo, conforme andamos.
Nosso olhar não pode se desviar do fim para o qual fomos criados: “louvar, reverenciar e servir a Deus”.
Portanto, “fazer o bem” tem de surgir por si mesmo, da paz do coração e da plenitude do ser, e não ser proposto como algo acrescentado, imposto por si próprio ou cobrado pelos outros.
Para compreender melhor, podemos usar a imagem da árvore, parábola de vida e fecundidade: a árvore simplesmente “é”, e de seu ser nasce o crescer, o subir, o dar folhas e frutos. Isso sai de dentro dela, vem de suas raízes afundadas na terra, sobe junto com a seiva vital que circula por seu tronco e seus galhos, se abre na folhagem que a cobre, e explode alegremente nos frutos que levam sua vida e chegam às mãos das pessoas.
Que eu não faça o que faço só pelo desejo do fruto, e sim como expressão espontânea do que sou em liberdade e gratuidade.
Aquilo que faço passa a ser expressão de minha vida e de meu sentimento, é uma prolongação de minha vida, a manifestação natural das minhas inspirações mais profundas.
Mais uma vez, S. Inácio de Loyola nos oferece um outro critério para verificar a autenticidade das nossas ações.
Antes de qualquer atividade, perguntar a si mesmo: “Por que faço isso? Para quem faço? Qual é a intenção, a motivação do meu agir?... É para o Reino? Para Deus? Para o bem do outro?... ou para minha projeção pessoal? Ou vaidade espiritual? Ou busca da fama, do prestígio?...”.
Aprendemos Uma outra lição da árvore: respeitar as estações. Não forçar a primavera quando é inverno, nem o verão quando é primavera. Cada coisa no seu tempo, no seu ritmo. Quando imponho resultados por minha cobrança ou por minha decisão, por melhores que sejam, estou violando ritmos ocultos e dinamismos naturais. Nada de urgências, de calendários artificiais, de horários inoportunos... Que os frutos amadureçam no seu tempo e caiam por si mesmos no dia que estiverem maduros.
Não fazemos o bem por estatística ou por projeto, mas por espontaneidade e pela vida. O que nos sai de dentro realmente é o que nasce em seu tempo em sua estação, é o fruto suculento que dá forças ao peregrino em seu caminho.
A realidade cotidiana é o lugar onde somos chamados a viver a espiritualidade cristã e a deixar-nos conduzir pelo mesmo Espírito que animou Jesus e o levou a inserir-se na trama humana e a assumir o risco da história.
Ser cristão inserido no mundo, em meio às agitações cotidianas, é acima de tudo ter Jesus Cristo como centro da vida: suas palavras, suas ações, seu modo de relacionar-se com o Pai e com os irmãos.
O cristão é chamado a viver no seu dia-a-dia esta mística do amor da maneira como Jesus viveu: na família, no trabalho, no descanso, na luta em favor da vida, nos compromissos sociais e eclesiais.
Porque o querer move-se sempre sob alguma luz, algo que o atrai. É a questão das motivações e dos objetivos. A Vontade de Deus não é o meu querer motivado, iluminado só pela ciência, ou a psicologia, ou a sociologia, apresentando-me o que é bem nesses campos.
A vontade busca sempre um bem, e aqui é o bem que o Evangelho apresenta como “bem para mim”, aquilo que sinto afetivamente, que me identifica com Jesus, com os seus mandamentos e estilo de vida, com a construção do Reino.
Esses bens é o Espírito Santo que os mostra e os tornam atrativos para a pessoa. Trata-se, pois, de se deixar mover pelo espírito de Deus e não por outros espíritos. Nesse nível, o Amor de Deus pelos homens é fundamentalmente libertador, porque dá ao homem e mulher a possibilidade de encontrar o sentido último de sua existência e de seu destino. O seguimento de Cristo, como caminho único para reconhecer e fazer a Vontade do Pai, se configura, pela ação do Espírito, de modo completamente pessoal e criativo. Reconheço que minha decisão se encontra com a Vontade de Deus quando posso afirmar que ela me faz mais livre, isto é, se traz à minha vida coerência e sentido, se ela unifica o meu passado e se abre um novo futuro. Encontro meu caminho que eu mesmo traço, enquanto sigo de perto a pessoa de Jesus, que já está caminhando em minha vida e vai diante de mim, e enquanto me conformo, me identifico a Ele o mais que posso, fazendo-me iluminar e aquecer por seu Espírito.
Por conseguinte, a Vontade de Deus não pode ser um projeto existente fora de nós, ou à margem de nossa vida e de nosso mundo, e à qual deveríamos ir acomodando nossa vida e nossa ação, independentemente daquilo que somos ou do rumo dos acontecimentos.
Tal concepção ignora o fato de que nossa própria vida e nossa própria história estão já radicalmente marcadas pela iniciativa de Deus. E a iniciativa de Deus é manifestação de seu Amor.
Assim sendo, a busca e realização da Vontade de Deus há de levar sempre o selo da confiança, já que não nos encontramos diante de um Deus arbitrário que faz e desfaz, sem atenção à realidade de cada um de nós, mas diante de um Deus “Pai-Mãe” que nos criou.
O Espírito nos faz abrir os olhos às realidades novas em nossa vida cotidiana; mas nossos olhos somente se abrirão se formos fiéis à voz do Espírito nos simples atos de nossa vida cotidiana.
A nossa atitude eclesial, “meu ser Igreja”, “sentir-se Igreja”, deve ser encontrada através do discernimento, já que se trata, em última instância, de captar e obedecer ao Espírito Santo. Este discernimento se refere ao marco fundamental: a comunidade de fé, a Igreja, escuta o Espírito que fala na comunidade e fora dela.
Este Pentecostes permanente não é somente uma recordação do passado, nem a simples atualização repetitiva de um passado. É a “memória” de um presente vivo que cresce com a força do Espírito, que avança para a plenitude.
A comunhão que se vive no Pentecostes permanente é uma comunhão em tensão, própria da Igreja militante. Isso implica pluralismo, tendências, movimentos, existentes no âmbito da Igreja de Jesus Cristo, isso ficou bem claro nas contemplações do Apocalipse, especialmente nas cartas enviadas as sete Igrejas. Todas eram constituídas de santos e pecadores. O “sentir com a Igreja” não significa, portanto, submissão mecânica e passiva às autoridades religiosas. Estas também devem obedecer à Vontade de Deus.
O respeito filial e o sincero amor à “santa mãe Igreja” não são incompatíveis com o necessário espírito crítico. Trata-se, antes de tudo, de uma disponibilidade do coração, ou seja, assumir uma atitude de crítica construtiva, baseada na oração e no discernimento.
A atitude eclesial justa, para autoridades e súditos, é procurar “discernir o que agrada ao Senhor”.
É necessário ser muito livre por dentro para motivar-se à verdadeira obediência. O amor e a obediência à Igreja é conseqüência do amor e obediência a Cristo. O cristão ama a Igreja não porque ela é perfeita, mas porque Cristo a ama, assim como ela é, e cuida dela, purificando-a e aperfeiçoando-a até levá-la à plenitude de sua santidade. As tensões e sofrimentos, dentro da Igreja nos ajudam a amar a Igreja real, e não a imagem idealizada que dela fazemos. Do mesmo modo que vibramos com o heroísmo de uns, sabemos ter paciência com a mediocridade de outros.
Convém notar duas coisas: a primeira, que o amor deve consistir mais em obras do que em palavras. E a segunda, que o amor consiste na comunhão mútua: a pessoa que ama dá e comunica à pessoa amada aquilo que tem ou parte do que tem, e o que pode. E esta procede do mesmo modo com relação àquela que a ama.

44- CONTEMPLAÇÃO PARA EU ME DEIXAR ALCANÇAR PELO AMOR DE DEUS
Convido você amigo/a, para realizar esta última contemplação, como uma atitude fundamental sua diante de Deus e do mundo:
1º ponto: Prepare o seu coração.
Esta contemplação, não é outra coisa que uma maneira de orar para recolher os frutos de sua perseverança, na leitura orante deste livro. Estes se resumem no Amor e o Amor deve pôr-se “nos atos mais que em palavras”. O Amor é ação. O Amor chama o Amor. “Consiste em um dom mútuo”. O ser amado partilha com o amante a mesma vida, o mesmo bem, o mesmo poder. De tal sorte que se complementam um com o outro e se sustentam. Não são mais que um. Eles são comunidade de vida.
Coloque-se diante da corte celestial: o trono do Cordeiro: “Aquele que nos ama e que nos ama e que nos lavou de nossos pecados com seu sangue" (Ap. 1, 5-6).
O coro dos anjos: "... O clamor de uma multidão de anjos... proclamando que digno é o Cordeiro imolado..." (Ap 5, 11-14).
O coro dos bem-aventurados: "... o Cordeiro os apascentará, conduzindo-os até as fontes de água da vida..." (Ap 7, 9-17).
Ver como estou diante de Deus Nosso Senhor, dos anjos e dos santos que intercedem por mim. Sentir o olhar de amor infinito de Deus sobre mim; sou objeto de um Amor incompreensível de Deus.
Pedir o que quero e desejo: peça, então, a Graça de um “conhecimento interno” de todos os bens recebidos, para que “em tudo possa amar e servir a sua Divina Majestade”.
Trazer à memória os benefícios recebidos da criação, Redenção e dons particulares, ponderando com muito afeto quanto tem feito por mim Deus Nosso Senhor e quanto me tem dado do que possui. Depois, quanto o mesmo Senhor deseja dar-se a mim, na medida do possível, segundo seu desígnio divino.
Refletir em mim mesmo, considerando com muita razão e justiça o que devo de minha parte oferecer e dar a Sua Divina Majestade, a saber, todos os meus bens e a mim mesma com eles, tal como alguém que oferece com muito afeto: faça diariamente esta oração de oblação de Santo Inácio de Loyola:
"Tomai, Senhor e recebei toda a minha liberdade, minha memória, minha inteligência e toda a minha vontade, tudo o que tenho e possuo Vós mo destes; a vós, Senhor, o restituo. Tudo é vosso; disponde de tudo inteiramente, segundo vossa vontade. Dai-me o vosso amor e Graça a pedir:, que esta me basta."
Considerar como Deus habita nas criaturas: nos elementos, pelo ser; nas plantas pelo crescimento; nos animais, pela sensação; nos homens, pelo entendimento. Em mim, dando-me o ser, a vida, os sentidos, a inteligência; e ainda fazendo de mim templo seu, já que fui criado à Sua Imagem... Refletir em mim mesmo/a.
Considerar como Deus trabalha e age por minha causa em todas as coisas criadas, e isso nos céus, nos elementos, plantas, frutos, rebanhos, dando o ser, a conservação, a vegetação e a sensação.
Olhar como todos os bens e dons descem do alto; como o meu limitado poder provém do sumo e infinito poder do alto; assim como a justiça, a bondade, a piedade, a misericórdia, tais como do sol descem os raios, da fonte as águas. Depois terminar, refletindo em mim mesmo.
Agora, com uma resposta: Considerar, como devo, de minha parte, amar as pessoas de tal maneira que me faça transparente, para que através de mim os outros possam conhecer quem é Deus. Eu devo deixar “transparecer” a imagem de Deus, através da bondade, justiça e serviço. Deus “passou” e “passa” por minha vida, deixando suas pegadas; através delas dar testemunho de quem é Deus. Considerar como posso “encontrá-lo em todas as coisas” e assim oferecer-me com elas numa resposta de Amor ao Amor que me chama.
Considerar como devo, de minha parte, trabalhar a serviço do Senhor, para sua maior glória.
Espiritualidade da colaboração: o lugar teológico da presença de Deus é a ação com amor; o trabalho é a colaboração do homem ao Deus trabalhador; saber que sempre se pode fazer algo melhor. Dar sentido de amor e profundidade ao nosso trabalho; dar valor e sentido às pequenas coisas. Pelo trabalho a pessoa está louvando o Pai, está salvando o mundo e está crescendo em Graça. Amor é servir, trabalhar: trabalhar com a mesma intenção de Deus; trabalhar com Deus na mesma direção: aperfeiçoar Suas obras.
Acabar com um diálogo e um Pai Nosso.
Para finalizar estas nossas contemplações, sugiro que neste momento você reze a missão, a vocação que Deus te chama:
“Eu vos precederei na Galiléia...” (Mc. 16,7)
1. Faça sua oração preparatória costumeira pedindo ao Senhor a Graça a pedir: de Ser e Fazer, já agora, o que foi aprendendo com Ele ao longo destas contemplações.
2. Deixe vir à sua mente e ao seu coração um momento significativo de encontro com o Senhor durante sua leitura deste livro, recompondo a cena o mais completamente possível: o lugar com todos os seus detalhes, o texto bíblico, a palavra, consideração ou outro dado da experiência que lhe pareça importante. Reviva a experiência acolhendo os sentimentos, iluminações, o diálogo com o Senhor ou simplesmente sua presença. Memória agradecida, experiência iluminante, plenificante, estado interior intenso, solidez.
Fique novamente com Ele deixando-se amar, deixando-se interpelar pela experiência vivida.
3. Retome, a seguir, no coração e na mente, os dados mais importantes do seu Projeto pessoal de vida: recordando o que mais o impressionou nesta experiência de contemplar o Apocalipse, responda por escrito, sem se alongar demais, à pergunta: sobre que valores, atitudes e comportamentos você vai fundamentar sua vida e caminhar de hoje em diante?
Dos aspectos mais importantes de sua vida (personalidade, família, estudos, trabalho, amizades, namoro ou vida conjugal, os pobres, a comunidade eclesial, Deus...), escolha um a três que você acha que precisa melhorar, mudar ou aprofundar.
Responda mentalmente a duas perguntas sobre o aspecto escolhido: o que tem de deixar de fazer já? O que tem que começar a fazer já?
Escreva em forma de propósitos as respostas às duas perguntas anteriores. Os propósitos devem ter três características: ser radicais: que possam ir à raiz daquilo que você considera mais importante e proveitoso para sua vida. Serem concretos: não ficar em coisas vagas, mas em ações concretas e precisas; ser poucos: dê-se por satisfeito com um, dois ou três propósitos assumidos.
Retome o apelo, idéia central que foi surgindo durante as contemplações. Deixe que o Senhor mesmo o ilumine novamente, que lhe mostre o quanto há de amor d’Ele nesse processo, o quanto esse apelo central, na força do Espírito Santo, o levará a ser como Jesus de Nazaré: na intimidade com o Pai, no discernir Sua Vontade a cada nova situação e no amar e servir como Ele fez.
A seguir, em atitude contemplativa, deixe vir a você as cenas do seu cotidiano próximo futuro. Use uma dinâmica usando todos os sentidos: ver e sentir o lugar, ouvir as pessoas, o que fazem, o que dizem. E você sendo e fazendo como aprendeu do Senhor. Sinta como é bom realizar assim os seus apelos: “Meu jugo é suave e meu fardo é leve”. “Se compreenderdes o que vos fiz, sereis felizes sob condição de o praticardes...”.
Deixe-se ficar assim, longamente, sendo e fazendo, como aprendeu com o Senhor Jesus, contemplando sua revelação a São João e pessoalmente a você. Retome aquelas situações que lhe causam medo, angústia ou que lhe parecem mais difíceis e exigentes.
Importante: não se trata de vivenciar e sentir o que os outros lhe fazem, mas sim o que e o como você está sendo e fazendo para os outros, sempre retomando o apelo central do seu Projeto de Vida e percebendo como concretizá-lo nas situações do dia-a-dia.
O importante não é a ação importante, mas dar importância a toda ação. Santificar-se na ação: nova, original, eficaz. Ação com sentido, com direção. Ação que evita a dispersão (ativismo). Ação que leva à contemplação.
Termine a oração agradecendo ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo sua obra redentora no mundo.
Deixe-se envolver por seu Amor, sua energia e sua presença.
Peça a Maria que acompanhe e assista o seu caminhar e lhe ensine o segredo de sua fidelidade e seu silêncio.
Bem caro amigo/a, esta oração que fizemos, lhe dará uma fonte de energia transformadora. Ela é a concretização do “deixar-se amar... deixar-se conduzir pelo Espírito Santo”.
Ao exercitá-la, aqui e no decorrer da vida, sentirá o quanto é libertadora e o quanto ela é garantia de vida em abundância.
Nunca será demais repeti-la. Ela se transformará em atitude de vida, dar-lhe-á uma nova percepção da realidade e treinará sua sensibilidade para discernir, na vida, o que vem do Senhor.
Sugiro o seguinte texto bíblico: 2Tm 1, 6-14, que será uma síntese da experiência que você realizou.

CONCLUSÃO
Bem caro amigo/a leitor durante nossas contemplações, pudemos verificar que a chave principal deste livro encontra-se no versículo inicial: "revelação de Jesus Cristo". Com certeza, o propósito principal consiste em revelar o Senhor Jesus Cristo como o Redentor do mundo e Conquistador do mal, e apresentar de forma simbólica apocalíptica, o programa mediante o qual ele desempenhará seu trabalho.
Contemplamos também que a estrutura do Apocalipse fundamenta-se em grandes visões, cada uma das quais São João sentia-se "arrebatado em espírito”.
O Apocalipse começa com cartas que o Senhor dirige às sete igrejas da era apostólica, típicas das igrejas de todos os tempos. Nessas cartas ele expressa seus elogios e críticas, terminando com uma advertência e uma promessa.
Ao iniciar-se o quarto capitulo, São João é trasladado, arrebatado ao céu, onde contempla "as coisas que depois destas devem acontecer", Ap 4, 1.
Mediante uma sucessão de juízos, selos, trombetas e taças de ira, a terra é castigada por seu pecado, iniciando-se o grande dia da ira de Deus. Não há indícios da duração do processo, mas parece que se acelera ao aproximar-se de seu fim.
A partir do capítulo 17 e até o capítulo 20 inclusive, contemplamos uma visão pormenorizada da consumação dos tempos.
Contemplamos também, o retorno de Cristo em glória com os exércitos do céu, Ap 19, 11-21; e, além disso, o estabelecimento do reino e sua conclusão no juízo final do grande trono branco, Ap 20, 1-15, bem como a criação de um novo mundo, Ap 21, 1-8. A última contemplação é o prolongamento da terceira, quando, São João descrever com maior amplitude a natureza da cidade de Deus, a Jerusalém terrestre, Ap 21, 9 -22, 5.
A conclusão do livro é um convite à devoção e conversão. Se Cristo vai retornar, a santidade e o trabalho são imprescindíveis no que respeita a seu povo, sua Igreja, cada um de nós.
A oração no final deve expressar o desejo de todo cristão: "Amém. Vem, Senhor Jesus". E São João nos abençoa a todos: a Graça do Senhor Jesus esteja com todos!
Caro amigo/a é fundamental a renovada experiência da fé, para redescobrir o valor da própria fé, a razão da pertença à Igreja e a alegria de crer. Uma fé apenas superficial é como planta sem raiz profunda que, ao primeiro sol quente, seca, ou é arrancada pelo vento forte. Nossa fé é preciosa: na contemplação do Apocalipse, tivemos a oportunidade de contemplar como creram os apóstolos, os mártires, os santos, tantos pregadores e evangelizadores que nos transmitiram esta "herança apostólica", muitas vezes ao preço da própria vida. Sem mérito nosso, mas por graça de Deus, estamos na Igreja fundada por Jesus sobre as colunas dos Apóstolos e enriquecida pela dedicação e vida santa de incontáveis multidões.
Nossa atitude apostólica daqui para frente deve ser de católicos profundamente apaixonados por Jesus Cristo e serenamente amantes da Sua Igreja. O Projeto: "Queremos ver Jesus: Caminho, Verdade e Vida", também nos convida ao interesse em comunicar a fé que recebemos dos Apóstolos aos outros. Não podemos reter para nós mesmos, a "Boa Nova de Jesus Cristo" e a experiência de vida que nos faz bem. Esta preciosa herança apostólica que recebemos daqueles que nos precederam, está hoje em nossas mãos; não deverá morrer conosco, mas precisa ser passada adiante, para nossos contemporâneos e para as novas gerações. Pertence a eles e a elas também. Aqui começa e continua a sua, a nossa missão: evangelizar com ardor missionário todos os povos!
Amém! Senhor, que eu me deixe conduzir pelo vosso Espírito!