Autoria e montagem de Saluar Antonio Magni - Sugestões, comentários e dúvidas: Email: saluar.magni@terra.com.br

Que tipo de liderança exclui aqueles que, sendo experientes, tem posições e pensamentos diferentes! O que é ser um líder cristão? O que é essencial para ser um líder cristão? São pensamentos e reflexões que povoam minha mente nestes tempos: Convidamos a que se torne um líder servidor cristão. Vá navegando nos tópicos abaixo, que, com certeza, se tornará um cristão comprometido e consciente de sua missão. Vá em frente irmão!

Qual o tipo de líder que as empresas necessitam hoje?

O líder servidor cristão tem como essência: amar e servir

Espiritualidade no ambiente de trabalho é um dos temas do momento

Como Meditar: 

Aprendendo com Gandhi a ser um líder servidor espiritualizado

Dificuldades para ser um líder servidor cristão no mundo de hoje

O amor é a essência do cristianismo

Quais as qualidades que deve desenvolver um líder servidor cristão

Como podemos desenvolver, melhorar ou adquirir estas qualidades

Chefe ou líder, como exercer a autoridade no dia-a-dia

O líder servidor deve ser discípulo de Jesus Cristo

1º PARTE: ORDENAR A MINHA VIDA NO ENCONTRO COM DEUS

2º PARTE: MEU ENCONTRO AFETIVO COM JESUS CRISTO

3º PARTE: O LÍDER CRISTÃO COMO IGREJA NO CORAÇÃO DO MUNDO E MUNDO NO CORAÇÃO DA IGREJA

Qual o tipo de líder que as empresas necessitam hoje?

Hoje, faz-se bem criar na equipe de trabalho um clima de companheirismo e amizade, como se todos pertencessem a uma família em que se partilham as emoções, tristezas e alegrias, preocupações e vitórias, intercalando as exigências do trabalho com momentos de comemoração e lazer. A época do gelo profissional, época do líder autocrático e mandão que ordenava pelo berro e xingamento, em que as pessoas eram tratadas à distância, já passou. Hoje as pessoas entendem que cada membro da equipe tem um valor próprio, uma experiência própria e um potencial próprio a ser desenvolvido, tanto no sentido pessoal quanto profissional. O investimento nesse potencial humano é um compromisso do líder. Quando as pessoas crescem, a empresa cresce junto com elas.

Há 20 anos, seriamos chamados de loucos por trabalhar conceitos espirituais nas empresas. Hoje é diferente, pois as pessoas buscam alguma coisa que diminua o stress do cotidiano e as impeça de serem tragadas pelo mundo do trabalho. Na revista Você S.A. edição 82, abril 2005, mostrou que as empresas precisam de líderes espiritualizados, éticos, conscientes de que sua missão é servir aos outros. A pauta de hoje não é a de ontem, pois nesta não constava refletir sobre o sentido da vida, coisa de filósofos e religiosos e não de líderes e empresários, como se pensava antigamente em tempo de visão menor.

 

O líder servidor cristão deve ver o ser humano de maneira completa

O ser humano tem muitas dimensões que devem ser levadas em consideração em um processo de convivência humana. No mínimo quatro dimensões devem ser consideradas: a racional, a social, a emocional e a espiritual. A dimensão racional diz respeito à definição dos nossos objetivos; a social destaca a interdependência entre as pessoas e a necessidade de aprender a conviver com a diversidade; a emocional mostra o impacto de nossas ações nos outros; a espiritual significa crer em algo que transcende o material e dá sentido à vida. Sabemos, por experiência, que nossa natureza humana cresce e se realiza a si mesma mediante aquisição (captamos fatos, adquirimos saber, dominamos técnicas, consumimos alimentos e bebemos), e ao mesmo tempo amadurecemos como pessoas e nos aperfeiçoamos mediante a “auto-doação” (abrindo-nos, saindo de nós mesmos, partilhando...).

Poucas pessoas entendem o que Deus faria em seus corações se se rendessem inteiramente

em suas mãos e permitissem que a sua graça atuasse nelas.

O tronco bruto e informe de uma árvore, se fosse capaz de pensar, não poderia nunca crer-se apto

para receber a forma de uma estátua – um milagre da escultura -  nem se exporia à mão do escultor;

enquanto que este, que domina sua arte, aprecia o que pode tirar do tronco.

Assim também, muitas pessoas, que apenas vivem como cristãs, estão longe de imaginar-se que poderiam

chegar a ser grandes santos(as), se permitissem que a graça de Deus as moldasse

e não resistissem à sua benéfica influência” (S. Inácio de Loyola).

 

Um líder servidor cristão deve ter uma vida coerente

A coerência de vida é imprescindível: nenhum líder, muito menos o servidor, conseguirá exercer o seu papel se não sintonizar o dito com o feito, os seus valores com as suas ações na vida. O tipo de empresário que se acha esperto porque demite seus empregados e os manda procurar a Justiça do Trabalho. E pensa: “Você ganha mais tempo e ainda paga parcelado”. Ou como determinada empresa que havia “quebrado”, deixando mais de 100 pessoas desempregadas e que elas teriam que buscar seus direitos na Justiça. E o pior é que todos sabem que se a empresa “quebrou”, o mesmo não ocorreu com o empresário que continua desfilando em seus carros importados, descansando em sua fazenda na cidade vizinha e montando seus belos cavalos de raça. Este tipo de empresários tende a acabar! É aí que os sindicatos trabalhistas precisam trabalhar para proteger de abuso e roubo os empregados verdadeiramente desrespeitados e explorados pelo patrão ladrão. Patrão que não registra em carteira, que não respeita o piso salarial, que acumula meses de pagamentos atrasados, que não paga horas extras nem as compensa, que explora o trabalhador de todas as maneiras.

As pessoas desejam mais do que salário ao fim do mês. Querem alinhar seu trabalho com valores mais profundos, fazendo dele caminho para a realização pessoal e espiritual. O novo líder servidor cristão que está assumindo nos dias de hoje, deve ser ético, que ajuda os colegas, que serve em vez de ser servido. Usa a autoridade e não o poder, e não tem vergonha de dizer que depende da equipe para crescer. Tem a capacidade de pensar, sentir e agir com base na crença de que existe algo maior do que os aspectos puramente materiais.

No filme “Advogado do diabo”, o “coisa-ruim” ou satanás,  ri ao dizer que era fácil a disputa com Deus: bastava apenas aguçar a vaidade dos homens e das mulheres.

Hoje estamos condenados, pelos meios de comunicação, a alcançar o sucesso custe o que custar, doa a quem doer, impedidos de realizar gestos de gratuidade e solidariedade. A Ética e a Moral são apenas conceitos idealistas que não correm mais nas nossas veias.

 Por que ser transparente num mundo de pessoas opacas e “brilhantes”, que só querem ofuscar os outros com tanto brilho individual?

A ideologia da vaidade é aquela que responde por essa ânsia de tudo ganhar, de comparar-se com os outros num ritmo frenético.

Como recuperar os sonhos e utopias quando precisamos manter nossos rostos com aparência de jovens, enquanto nossos espíritos estão carcomidos pela angústia e pela não superação dos fracassos, que são sinais das nossas tentativas de avançar cada vez mais?

Quem não fracassa é porque nada tentou.

“Quem afrouxa na saída ou se entrega na chegada, não perde nenhuma guerra mas também não ganha nada” (Geraldo Vandré).

 Quando voltaremos a ensinar o risco de viver no meio da vida?

 

“APARENTAR tem mais letras que SER” (Karl Kraus)

Certo dia um Samurai, que era um guerreiro muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o samurai sentiu-se repentinamente inferior. Ele então disse ao Mestre:

- Por que estou me sentindo inferior? Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes. Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum. Por que estou me sentindo assustado?

O Mestre falou:

- Espere. Quando todos tiverem partido, responderei.

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o samurai estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o samurai perguntou novamente:

- Agora você pode me responder por que me sinto inferior?

O Mestre o levou para fora. Era uma noite de luz cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

- Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: “Por que me sinto inferior diante de você?” Esta árvore é pequena e aquela é grande, este é o fato e nunca ouvi  sussurro algum sobre isso.

O samurai então argumentou:

- Isso se dá porque elas não podem se comparar.

O Mestre replicou:

- Então não precisa me perguntar: você sabe a resposta.

  Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é, simplesmente existe. Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo. Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão necessário  quanto qualquer Buda, pois o mundo será menos rico se este canto desaparece. Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade orgânica: ninguém é  mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta.

Na porta de uma comunidade religiosa encontra-se gravado o seguinte texto:

“O primeiro gesto ao nos aproximarmos de outro povo, de outra cultura, de outra religião, é ficarmos descalços, porque o lugar do qual nos aproximamos é sagrado. Senão estaremos esmagando os sonhos do outro, esquecendo que Deus ali estava, antes mesmo de nós chegarmos”.

Este apelo à humildade do gesto e ao despojamento com certeza ajudará a nos livrar da arrogância que nos encerra no nosso individualismo e nos afasta da comunhão com os outros.  

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O líder servidor cristão tem como essência: amar e servir

O livro do momento no mundo corporativo, O Monge e o Executivo, escrito pelo consultor norte-americano James Hunter, confirma isto tudo. Ele conta a história de um executivo que busca respostas para seus problemas pessoais e profissionais num mosteiro beneditino. Publicado em 1998 com o título original The servant (“O servo”), o livro defende que “liderar é servir” e deu origem a um outro livro que relata os princípios da liderança servidora. O fenômeno foi capa da revista Você S.A. no mês de abril, que aborda o tema “Seja o líder que as empresas precisam”. Ali, o líder é apontado como alguém ético, que serve à equipe em vez de ser servido. Segundo a reportagem, ele coopera com os colegas, não tem vergonha de dizer que precisa da equipe para crescer e é espiritualizado.

James Hunter contribui com algumas pérolas baseadas no modelo de liderança de Jesus. Por exemplo: “As pessoas devem seguir você de livre e espontânea vontade. Isso significa liderar baseado na autoridade, e não no poder”, e também que “muitas vezes as organizações usam apenas as pernas, braços e mãos dos funcionários. Nesse caso, a empresa conta com eles do pescoço para baixo. Para ser bem sucedida, é preciso contar com os funcionários do pescoço para cima”.

O trecho que mais chama a atenção, é o que trata da relação de amor no trabalho: “Nós associamos essa palavra amor a sentimento. Mas o que importa é o comportamento. O verdadeiro amor significa espontaneamente servir o outro e ajudá-lo a ser o melhor que ele pode ser. Esse é o grande teste da liderança. Quando as pessoas partem, elas estão melhores do que quando chegaram? Se desenvolveram? São profissionais melhores? Ajudá-las a fazer isso exige amor – o que não significa ser bonzinho. Algumas vezes, amar significa ‘abraçar’. Em outras, ‘bater’. É isso o que precisamos entender. Amar é uma escolha”.

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Espiritualidade no ambiente de trabalho é um dos temas do momento

Uma pesquisa do Instituto Gallup apontou que “dois terços dos funcionários que deixam seus empregos na verdade estão se demitindo de seus chefes e não das empresas”.

A espiritualidade no ambiente de trabalho é um dos temas do momento. As pessoas desejam mais do que a remuneração ao fim do mês. Desejam alinhar sua atividade profissional com seus valores mais profundos, experimentar a sensação de fazer diferença, encontrar um sentido perene para o trabalho e vivenciá-lo como caminho de amadurecimento e realização pessoal.

 “A última senha deixada pelo humanismo é: o homem só é homem pelo que o excede” (J.F. Lyotard)

A transcendência é talvez  o desafio mais secreto e escondido do ser humano. Ele se recusa a aceitar a realidade na qual está mergulhado porque se sente maior do que tudo o que o cerca. Com seu pensamento e seu sonho, ele habita as estrelas e rompe todos os espaços. Essa capacidade é o que nós chamamos transcendência, isto é, “transcende, rompe, vai para além daquilo que é dado”. Numa palavra, o ser humano é um projeto infinito; tem sentido de transcendência, projeta-se em muitas direções.

O ser humano é “in-exato”, inacabado, está em permanente processo de re-invenção de si mesmo. É seqüência de escolhas, de passos e ações. É autoconstrução interminável.

Montaigne concebe o homem “não como ser, mas como passagem”. Ele é ondulante; oscila no balanço da vida. Seus desejos o fazem mergulhar na verdade sublime e seus pés empoeirados arrastam-se pelas estradas. É cedro resistente e caniço vergado pelo vento.O ser humano é universo dinâmico, com inesgotável potencialidade; ele re-cria a natureza e tem a possibilidade de inventar a sua vida. Onde há ser humano há espírito inteligente, ímpeto de liberdade e cerne de tenacidade.

Somos seres de enraizamento e de abertura. “O ser humano é criado para...” A raiz que nos limita é nossa encarnação na realidade. A abertura que nos faz romper barreiras e ultrapassar os limites, impulsionando a busca permanente por novos mundos, é nossa transcendência. Ninguém segura os pensamentos, ninguém amarra as emoções, ninguém detém os sonhos... O desafio consiste, então, em manter juntos o enraizamento e a abertura. Encarnados, mas abertos à transcendência. Nesse sentido, transcender não significa fugir da própria realidade, mas mergulhar na própria condição humana; “transcender é humanizar-se”.

A tradição judeu-cristã fala em “transdescendência”. Somos convidados não apenas a superar e a voar para cima, mas, fundamentalmente, a descer e a buscar o chão. É a experiência da Encarnação: o Deus que circunda toda a realidade, emergiu do mais pobre. É o Amor que desce. Precisamos transformar essa dimensão da transcendência num estado permanente de consciência e num projeto pessoal. Devemos cultivar espaços de contemplação, de interiorização e de integração da transcendência que está em nós.

E a experiência de transcendência produz em nós um enorme sentimento de leveza e de humor, porque, a partir dela, relativizamos as coisas todas e nos capacitamos a rir delas.

O ser humano é surpreendente, inesperado, imprevisível... é pulsação original, é interpelação inquietante; é existência peregrina, é identidade dançante... é uma mina de significados e riquezas.

Caro líder servidor, tratar com o ser humano é tratar com o imponderável, o misterioso... Ele é seduzido pela liberdade que lhe escancara horizontes novos e lhe abre mares desafiantes. Ele é “espaço à vida aberta”.

O ser humano é mais do que parece ser. Há nele algo maior que o leva a ser mais verdadeiro, mais justo, mais criativo, mais arrojado, mais responsável... “Desejando e escolhendo aquilo que mais nos conduz...” O ser humano pode transcender-se; pode ser mais do que tem sido. Apesar dos limites e fragilidades, a humanidade tem muito mais rosto de madrugada do que de ocaso.

François Wahl  escreve: “Todo sujeito subverte aquilo que o precede, faz ruptura e salto”.

Nós somos chamados a superar ambigüidades, a escolher rumo construtivo, a definir nossa identidade pessoal e a optarmos por causas humanas que nos fazem transcender.

O ser humano é impulsionado a mergulhar na própria existência humana “misteriosa”, e contar com a inteligência criadora, com a liberdade fecunda, com o coração ardente e com mãos limpas. Ele é desafiado a deixar a superfície banal e navegar águas profundas da existência humana. Nessas águas, o ser humano não se afoga. Respira fundo e revitaliza-se. Para isso nascemos... somos peregrinos e navegantes, ousados e pacientes, buscando a “nova terra”.

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O líder servidor cristão compreende que a nossa vida é como o curso de um rio

Caro amigo líder servidor, é muito importante entender que o curso de um rio nos ajuda a compreender a vida, porque se assemelha ao caminho do homem. Da nascente, o rio brota límpido e claro de uma rocha ou de uma geleira, para descer ao vale, não sabendo se chegará ao mar ou se terminará sua corrida num lago sem saída. As altas quedas que encontra pelo caminho dão-lhe vertigens, mas quem o observa, admira a beleza de suas cachoeiras. Torna-se espelho para o verde das árvores e para as estrelas do céu; dá vida aos peixes que acolhe; mata a sede e refresca...

         Mas o seu caminho é, de repente, marcado por dificuldades: sufocado pela poluição da grande cidade, o RIO perde sua limpidez e, fechado na barragem, faz-se silencioso. Vem à mente o desejo de se perguntar por que andar tanto, se andar significa perder a beleza e tornar-se inútil. Mas, quando tudo parece perdido, de súbito o rio vê diante de si o MAR, sua meta. O impacto é terrível, mas purificador: as ondas salgadas erguem uma barreira e o rio deve deixar-se filtrar, lenta e pacientemente por aquela água nova, compreendendo finalmente o sentido de seu percurso.

O que define um RIO é sua origem, o impulso primordial que continua lhe dando o ser. Também se define pelo seu fim, o MAR, no qual se fundem e se confundem as águas. Assim, o ser humano: que principia sua vida na simplicidade e na inocência de uma criança, que no decorrer dos anos faz explodir a sua criatividade em projetos e realizações, que faz sair de si as potencialidades do amor... E se encontra diante de dificuldades, canseiras e fraquezas.

O manancial de nossas vidas é algo intacto, puro, vivo, alegre, esperançoso, porque é algo que nasce... Este mesmo manancial, à medida que vai se convertendo em rio, muitas vezes se esparrama,perdendo a direção; outras vezes se corrompe, se deteriora... fica submetido à dispersão, ao empobrecimento... Mas como o RIO que se defronta com o MAR, para desembocar e perder-se dentro dele, também o ser humano, se sabe viver sua luta cotidiana na paciência e esperança, há de encerrar sua carreira no infinito.

  Caro amigo, nós somos os rios que vão se desembocar no MAR. Fomos chamados a sermos nós mesmos; quem nos chamou, quis dar-nos seu ser, deixar em nós um rastro de sua identidade. Ele está em nós; nossa vocação fontal, de criação, nascimento é Ele. Logo o ser humano se define por sua origem (fonte) e pelo seu fim (mar). Regressando à nossa origem, retomando o caminho das correntes, nos encontramos com o Mistério que nos alimenta: DEUS. “Em Deus vivemos, nos movemos e existimos” . O mesmo Deus que nos chamou a ser quem somos,  nos sustenta a partir de sua Vontade criativa, de seu amor fecundo. DE Deus viemos; PARA Deus voltamos. Tendo o MAR como horizonte, cada um de nós é chamado a canalizar todas as energias e forças nessa direção; a aprofundar o leito de nossas vidas por onde circula o melhor de nós mesmos; a potenciar todo o nosso ser para a dinâmica da doação e transcendência...

O que chamamos missão do líder servidor cristão, é só a energia pela qual nosso destino de ser em Deus, de ser por Deus, de ser com Deus, de ser para Deus, se torna fecundo, comunicativo, expansivo...

Caro amigo líder servidor cristão, convidamos você a meditar um pouco sobre tudo isso que já conversamos até aqui.  A meditação nos torna presentes e juntos com os nossos mais próximos, mesmo que você esteja distante fisicamente de outros meditantes, você está unido à eles no Espírito. Reserve meia hora toda manhã e toda tarde para os seus períodos de meditação. É uma boa idéia meditar no mesmo local tranqüilo e horário, se possível. Dessa forma seus períodos de meditação se tornam uma parte muito natural do seu dia. Seja generoso com seu tempo, seja fiel ao mantra, e partilhe nesta união silenciosa que nos une a todos no Espírito

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Como Meditar: 

Encontre um lugar bem silencioso para meditar. Sente-se. Sente-se o mais quieto e ereto que você puder, durante todo o tempo. Feche os olhos levemente. Sente-se relaxado mas atento. Tente não se mover enquanto você medita. Silenciosamente, em seu coração, comece a dizer a sua palavra de oração. 

Você pode usar como mantra, a palavra "Maranatha", que significa "Vem, Senhor Jesus", ou, talvez, você prefira dizer o santo nome de "Jesus", em seus períodos de meditação. Qualquer palavra que você escolher, diga-a lentamente e com amor. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense nem imagine nada. Pensamentos e imagens poderão aparecer em sua mente, mas apenas deixe-os ir embora. Não preste atenção neles. Apenas continue dizendo a sua palavra com fé e amor, do começo ao fim da sua meditação. Você pode meditar sozinho ou com a sua família ou amigos. 

Passos para a meditação:

1. Sente à beira de seu poço; deixe que o silêncio tome conta do seu ser.

    Escute a voz do seu “manancial interior”.

2. Sinta-se na presença de Deus:

   “Senhor, Tu sondas o meu íntimo; Tu me conheces a fundo” (Sl. 138).

3. Texto bíblico: Is. 44,1-5

4. Repita em seu interior:

    “Senhor, Tu disseste que estarias em forma de fonte, de fonte que jorra Água Viva dentro daqueles que tivessem bebido Tua Vida, Tua Pessoa, Teu Evangelho. Passeando pelas alamedas de meu coração percebi fendas abertas, rachaduras no chão, uma terra deserta... Muitas vezes o rochedo de minha existência impede que a água brote; coloquei uma pedra no poço de minha existência e a Tua Água não pôde jorrar. Faz, Senhor, que eu me torne uma FONTE generosa de água; de água que vem de Teu Espírito. Teu Espírito que paira sobre a fonte de minha vida”.

5. Morremos de sede à beira do nosso poço (ou torneira). Na sua vida o que está bloqueando, impedindo a manifestação das melhores forças, intuições, criatividade...?

“Observar como todos os bens e dons descem do alto... assim como os raios nascem do sol, as águas das fontes, etc.” (Santo Inácio de Loyola).

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Aprendendo com Gandhi a ser um líder servidor espiritualizado

Em 1948, Mohandas Ghandi chegou a uma cidade de caos e violência. Nova Delhi era a capital da recém-formada nação indiana, e tanto os residentes quanto os refugiados hindus desejavam vingança contra os paquistaneses muçulmanos pelo assassinato de refugiados hindus que fugiam para o Paquistão. Nesse mar de ódio, Ghandi assumiu sua mais eficaz forma de protesto: greve de fome. Ele já havia usado o jejum antes para influenciar as pessoas ao seu redor, inclusive um jejum quase fatal em Calcutá. Os médicos o aconselharam contra o jejum, já que ele ainda não havia se recuperado o suficiente. As multidões de pessoas que passavam por ele em seu catre na rua zombavam dele e recitavam: "Que Ghandi morra! Que Ghandi morra!" Contudo, após três dias seus rins sucumbiram, sua respiração se tornou mais difícil, seu coração começou a falhar. No quarto dia, o governo indiano decidiu satisfazer às exigências de Ghandi. Casas e mesquitas foram devolvidas aos proprietários muçulmanos. O parlamento indiano concordou em pagar 55 milhões de libras esterlinas ao seu inimigo Paquistão pela violência contra refugiados paquistaneses que fugiam para a Índia. Quantidades maciças de armas foram recolhidas e destruídas. Por fim, Ghandi concordou em desistir de seu jejum – após 121 horas.

Duas semanas depois, Ghandi morreu, não de sua greve de fome, mas de ferimentos à bala causados por um fanático hindu. Com sua morte, Gandhi conseguiu o que milhares haviam tentado conseguir e falhado: paz e unidade na Índia. Com a morte de Ghandi, toda a Índia parou, a matança de comunidades religiosas e raciais cessou, e a jovem nação caiu em si com o choque.

Infelizmente, a unidade, na história de Ghandi, durou pouco. Rapidamente, a união entre os hindus e os muçulmanos começou a falhar. E também, infelizmente, passaram-se apenas poucos anos antes que a unidade entre os cristãos começasse a sofrer. Mas seu exemplo e suas palavras sobre liderança servidoras são válidos até hoje, meditemo-las:

- vocês sabem que sempre preguei o exercício da não violência e do amor para todas as formas de vida. E o amor permeia todos os princípios éticos e os princípios devem estar na fixação de metas, na escolha de estratégias e tomadas de decisões. A minha reflexão de hoje não somente ligada a esta guerra real porem inútil entre os povos, estou aqui para convidá-los a refletirem sobre vocês mesmos e sobre lideranças, através de exemplos e não só de palavras.

Eu não entendo como podem tantas lideranças políticas, econômicas, sociais, religiosas e comunitárias serem fundamentalistas, ou mesmo maniqueístas. Se apegam aos seus próprios ideais à suas próprias crenças, mas não são capazes de dar um passo em direção ao outro.

Estamos fechados somos prisioneiros de nós mesmos. A violência vem se manifestando na realidade do mundo de várias formas, hoje em dia as mais evidentes são as guerras, os atentados terroristas e a corrupção,mas com quantas formas de violência convivemos todos os dias? Quantas vezes somos violentados no nosso ambiente de trabalho por ações impensadas fruto do desamor e quantas vezes violentamos o outro com nossos gestos, porque temos medos ressentimentos e estamos desequilibrados na nossa vida que acreditamos não ter sentido.

O exercício da não violência começa com cada um de nós,podemos nos observar em ação e nos impor uma rígida disciplina de não-violência. O amor cura, o amor une, o amor faz nascer,o amor mobiliza,o amor motiva ,o amor possibilita a vida. O amor nos pede uma conduta única.

Quase todos nós vivemos um grande equivoco,quase todos nós acreditamos que existe um padrão ético para a conduta publica e um padrão ético para a conduta pessoal. Costumamos aceitar certos padrões morais inferiores para vermos as coisas funcionarem no mundo real da política e dos negócios. E parece que este duplo padrão de conduta é conveniente,que só os resultados é que interessam.

Os políticos nos pedem que nós os avaliemos pelas suas realizações políticas e não pela suas ações pessoais e os homens de negocio também não querem que suas ações pessoais sejam analisadas e sim seus resultados pragmáticos, seus resultados financeiros. Mas eles se esquecem que além de gestores de negócios são gestores de pessoas, são líderes e quando o duplo padrão de conduta parte de uma liderança. Uma organização é permeada por ele,uma nação é permeada por ele. As pessoas que querem alcançar o sucesso rápido apreendem depressa as regras do jogo e muitas delas abandonam seus ideais para alcançar este sucesso.

No mundo de hoje manter um padrão de conduta única requer uma qualidade que todos nós temos mas que comumente esquecemos.A qualidade da coragem. No mundo de hoje é preciso ter coragem para se comprometer com valores absolutos,precisamos nos comprometer com nossa alma.

Uma pessoa não pode fazer o certo num lado da vida enquanto está ocupada em fazer o errado em outro lado. A vida é um todo indivisível, é falando e fazendo é prometendo e cumprindo. E quanto mais agimos dentro de um padrão de conduta única mais nos tornamos éticos. E convenhamos é estar abaixo da dignidade humana perder nossa individualidade e nos tornar uma mera engrenagem de uma máquina. Manter um padrão de conduta única, significa fazer e falar exatamente o que se promete,isto é ser um líder espiritualizado, pois o líder que ignora as considerações éticas e sentimentais é como aquela figura de cera,parece muito com a vida, mas carece de carne viva.

Podemos avaliar todas as nossas atitudes todos os dias,isto nos mantém no caminho e nos torna referencia para os outros,pois desenvolvemos uma habilidade ética para exercer um julgamento sobre as questões maiores, pois nós seres humanos somos muitas vezes aquilo que acreditamos ser. Se disser que não tenho condições de realizar determinada tarefa, não a farei ao contrário se estou convicto que vou realizá-la,então terei a habilidade necessária para realizá-la. Agora que compartilhar com vocês o conceito do líder servidor. A liderança que venho ajudando a construir é baseada no serviço e no exemplo.

Não creio que uma liderança baseada numa hierarquia rígida provoque grandes mudanças no mundo de hoje. Um serviço baseado no exemplo não significa só fazer o que os outros querem. O serviço deve ser conduzido dentro dos limites éticos e portanto ser verdadeiro. E quando um líder estiver comprometido com o serviço verdadeiro, nem sempre vai dizer o que as pessoas querem ouvir e se as encontrar numa direção errada,vai lhes apontar a direção correta que nem sempre será bem aceita. O líder servidor deve ser o exemplo, ter conduta única e seu foco deve ser em criar harmonia e buscar o bem coletivo,e hoje o maior desafio de vocês é cumprir sua responsabilidade como seres humanos.

Tratar os outros como a si mesmos. Porque cada um de vocês são como Líderes, que podem dar exemplos que inspirem todos à sua volta e que façam que as pessoas cumpram sua responsabilidade. E hoje venho convidá-los a servirem seus companheiros de trabalho, seus clientes,seu subordinados, seus superiores, sua família e sua comunidade com suas ações baseadas em condutas éticas.

E que cada comunidade, cada ser humano substitua a bestialidade pela humanidade,assim seremos todos nós dignos de sermos chamados seres humanos. (Gandhi)

 

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Dificuldades para ser um líder servidor cristão no mundo de hoje

Mais do que a morte de Ghandi, a morte de Cristo trouxe unidade entre os discípulos de Cristo, seus apóstolos, e os cristãos que foram surgindo na Igreja primitiva de Jerusalém.. Jesus Cristo criou a unidade entre os judeus cristãos e os gentios cristãos. Infelizmente, a unidade, na história de Ghandi, durou pouco. Rapidamente, a união entre os hindus e os muçulmanos começou a falhar. E também, infelizmente, passaram-se apenas poucos anos antes que a unidade entre os cristãos começasse a sofrer. Paulo escreveu à igreja de Éfeso sobre este problema de desunião, e podemos ler sobre isso em Efésios 2.

 Hoje, a unidade entre os cristãos ainda sofre. Freqüentemente, discussões e lutas internas têm, não apenas dividido igrejas, mas também feito com que cristãos abandonem a igreja, e até a Deus. A unidade não é uma via de mão única, ou a imposição de um ideal sobre outro. Unidade é respeito e reconhecimento. Hoje, tanto os ideais de Ghandi sobre unidade e paz quanto a carta de Paulo à igreja de Éfeso nos dão uma luz a seguir para nossa liderança servidora no nosso trabalho, na nossa igreja local, nosso grupo de jovens, nossa família e aqueles que estão ao nosso redor a cada dia.

Qual é o modelo das relações humanas cristãs?

É mais do que um adesivo de pára-choque. "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros" (I João 4:10 e 11).

Diz-se que o pai da independência indiana, Mohandas Ghandi, declarou: "Eu gosto do seu Cristo. Eu não gosto dos seus cristãos, pois eles são tão diferentes do seu Cristo." Ser líder servidor cristão não é simplesmente algo que dizemos, um slogan que repetimos, um rótulo que usamos, um atraente adesivo de pára-choque.

Primeiro, é um relacionamento de amor e confiança com uma pessoa viva, real, Jesus Cristo, que deu tudo por nós. Depois, é uma transformação radical de nossa vida, especialmente na área que mais importa: nosso relacionamento com outras pessoas. Ser cristão significa nada menos do que ser semelhante a Cristo na maneira como nos relacionamos com as pessoas e interagimos com elas. Tanto o estabelecimento de uma nova relação de amor e confiança em Deus através de Jesus Cristo como a reorientação de nossa vida de forma a tratar as pessoas da maneira como Cristo as tratava, são obras sobrenaturais do Espírito Santo por nós e em nós. É claro que precisamos responder ao Espírito, mas é a iniciativa de Deus e Sua energia criativa que nos torna filhos de Deus. É Seu poder transformador que nos capacita a viver como filhos de Deus.

Vivemos num mundo que progride, que evolui... Percebemos uma força que impulsiona tudo à plenitude; há um dinamismo presente na Criação... Tudo vem de Deus e tudo volta para Deus; toda a realidade está envolvida pelo Amor criativo e dinâmico de Deus. No centro desse movimento estamos nós, seres humanos, chamados à vida, à comunhão, a realizarmos um projeto que é o sonho de Deus.

O ser humano é chamado a superar ambigüidades, a escolher rumo construtivo, a definir sua identidade pessoal e a optar por causas humanas que o fazem transcender. Ele é impulsionado a mergulhar na própria existência humana “misteriosa”, e contar com a inteligência criadora, com a liberdade fecunda, com o coração ardente e com mãos limpas. Ele é desafiado a deixar a superfície banal e navegar águas profundas da existência humana. Nessas águas, o ser humano não se afoga. Respira fundo e revitaliza-se.             Para isso nascemos... somos peregrinos e navegantes, ousados e pacientes, buscando a “nova terra”.

A tradição judeu-cristã fala em “transdescendência”. Somos convidados não apenas a superar e a voar para cima, mas, fundamentalmente, a descer e a buscar o chão. É a experiên-cia da Encarnação: o Deus que circunda toda a realidade, emergiu do mais pobre. É o Amor que desce.

Precisamos transformar essa dimensão da transcendência num estado permanente de consciência e num projeto pessoal. Devemos cultivar espaços de contemplação, de interiorização e de integração da transcendência que está em nós. E a experiência de transcendência produz em nós um enorme sentimento de leveza e de humor, porque, a partir dela, relativizamos as coisas todas e nos capacitamos a rir delas.

No entanto, no ritmo de nossa vida, percebemos também que há uma outra força contrária, presente no nosso próprio interior e na realidade que nos cerca.

Existe junto à História da Salvação, um movimento contrário a ela; estamos mergulhados numa história de infidelidades; o Projeto de Deus encontra obstáculos históricos e resistências pessoais;

Há um freio estrutural e pessoal que impede a realização do plano de Deus; é a força do MAL que destrói o Projeto de Deus e ameaça nossa existência de fracasso, destruição e morte.

Qual é a RAIZ dessa situação de mal?

O ser humano é criado livre e pelo mau uso da liberdade recusa ser colaborador

de Deus na Criação. Rebela-se contra Deus para construir um  MUNDO SEM DEUS e constitui-se a si mesmo como senhor absoluto de sua existência; não se reconhece como dependente de Deus. Através da liberdade o ser humano organiza seu próprio projeto sem levar em contra o “SONHO”  de Deus; Ele quer construir sua vida a partir dos próprios critérios; sua resposta ao Projeto do Deus-Amor foi a infidelidade; “deu as costas para Deus”, criando em torno de si um círculo de morte e destruição. Ao voltar as costas para Deus o projeto do ser humano funda-se sobre o egoísmo, poder, status, riqueza... Isso significa o fracasso de seus anseios mais profundos de felicidade.

Neste mundo onde borbulha vida, impera ídolos que oprimem e tudo contaminam com o veneno da morte: economia, trabalho, organização política, instituições, relações sociais... Vivemos num ambiente contaminado que nos afeta e nos infecta... somos bombardeados pelos falsos valores; sentimo-nos impotentes diante dessa realidade.

No livro sobre as conclusões da conferência de PUEBLA, é descrito o “mundo da exclusão”, conseqüência de um “mundo sem Deus”. “Esta situação de extrema pobreza generalizada adquire, na vida real, feições concretíssimas, nas quais  deveríamos reconhecer as feições sofredoras de Cristo, o Senhor que nos questiona e interpela”:

·        Feições de crianças golpeadas pela pobreza ainda antes de nascer.

·        Feições de jovens desorientados por não encontrarem seu lugar na sociedade.

·        Feições de indígenas e de afro, que vivem segregados e em situações desumanas.

·        Feições de camponeses que vivem sem terra, em situação de dependência.

·        Feições de operários mal remunerados e que tem dificuldades de se organizar e defender os próprios direitos.

·        Feições de subempregados e desempregados, despedidos pelas duras exigências das crises econômicas.

·        Feições de marginalizados e amontoados das nossas cidades.

·        Feições de anciãos, postos à margem da sociedade, que prescinde das pessoas que não produzem.

·        Compartilhamos com nosso povo de outras angústias que brotam da falta de respeito à sua dignidade de ser humano, “imagem e semelhança” do Criador e a seus direitos inalienáveis de filhos de Deus”.

 

Caro amigo é momento de meditarmos:

* Comece a oração relacionando-se bem consigo mesmo: escuta atenta, próxima, aceitação pessoal...

* Alimente um sentimento de presença, ou seja, resposta de sua pessoa à ação do Senhor.

* Peça uma graça: “Que o Espírito de Deus me ajude a “olhar” o mundo com os “olhos” de Deus.

* Texto bíblico: Is. 59,1-15

* Diante de Deus, deixe seu coração responder: Como você se coloca diante deste mundo: inconformado?  Revoltado? Acomodado? Indiferente? Otimista? Ativo?...

 Examinando a sociedade, sentindo de perto os seus problemas e desafios, quê esperanças você carrega?

Como lideres servidores cristãos, somos chamados a criar uma sociedade digna da liberdade humana, a partir das condições econômicas, políticas, sociais, culturais...

Como você atua e se prepara para se comprometer com a transformação do mundo que o cerca?

 

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O amor é a essência do cristianismo

"E o amor é isto: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e mandou o Seu Filho para que, por meio dEle, os nossos pecados fossem perdoados. Amigos, se foi assim que Deus nos amou, então nós devemos nos amar uns aos outros." I João 4,10-11. O amor de um para com o outro é o caminho de Cristo. Viver por este princípio separa os cristãos genuínos dos meros fingidos.

Caro líder servidor cristão, a marca do verdadeiro cristão não é uma teologia incontestável. Não é a capacidade de ganhar discussões, não é a capacidade de liderar ou persuadir pessoas, não é um assunto de aparência, não é um determinado dom espiritual nem um conjunto de regras distintivas no estilo de vida. Segundo Jesus, é o amor. "Se tiverem amor uns pelos outros, todos saberão que vocês são Meus discípulos." João 13:35.

Você com certeza já ouviu a afirmação de que a “glória de Deus”, não necessita do homem, como também a “glória do homem” não necessita de Deus para existir. A partir do momento em que Deus se faz “necessário”, Ele se converte num objeto de consumo, e daí, portanto, num objeto de destruição. O Deus necessário, o Deus evidente e óbvio é um Deus confundido com suas “mediações”, assim como o bebê confunde sua mãe com o seio que o alimenta. É muito importante entender que o Deus que brota, não da “necessidade”, mas do “desejo”,  não se deixa prender em nenhum tempo, em nenhum templo, não se deixa limitar por nenhum tipo de saber, nem monopolizar por nenhuma religião. Esse Deus é um dom que desperta “louvor, reverência e serviço” e que não se deixa possuir nem manipular por capricho algum

O “Deus infantil” que muitas vezes temos como imagem, deve ser evangelizado pelo “Deus de Jesus”. Toda pedagogia da  fé cristã deve passar, pois, pelo abandono do egocentrismo religioso, que converte Deus num mero aliado do próprio “querer e interesse”. O líder servidor cristão deve descobrir que o Deus de Jesus, é um “Deus diferente”; um Deus que coloca radicalmente em questão as idéias que “espontânea e naturalmente” tendemos a construir sobre Ele, ou seja, um Deus construído à medida dos temores e inseguranças de nossa infância.

O Deus-Pai de quem nos falou Jesus se manifesta como permanente surpresa, pois Ele desbarata e desmonta os esquemas mais comuns e universais que elaboramos sobre Sua identidade.

A conduta e as palavras de Jesus nos falam de um “Deus frágil”, porque Deus aparece essencialmente como amor, e o amor é frágil quando é rejeitado em sua oferta. Para alcançar o Deus do Evangelho, uma radical e profunda “re-conversão” se torna necessária.

Distinguir o Deus que surge das carências e necessidades mais profundas e primitivas de nosso mundo afetivo do Deus que nos é revelado através das palavras e ações de Jesus de Nazaré, constitui uma experiência única por suas repercussões decisivas em nossa vida pessoal e comunitária da fé.

O “Deus infantil” é um Deus “providência-mágica” que está ali primordialmente para gratificar e tornar suportável a dureza da vida. É um aliado do eu. Entretanto, o “Deus de Jesus” é Aquele que nos descentra e nos lança à realidade, com toda a dureza que esta pode nos apresentar em muitos momentos de nossa existência; em lugar de solucionar os problemas, Ele prefere nos dinamizar para que nós mesmos trabalhemos na busca de soluções.

Portanto caro amigo, o “Deus de Jesus” não veio para nos dar explicação cabal às grandes questões existenciais e a cada um dos problemas e incógnitas que a vida nos coloca. A vida, o mal, a morte, o sofrimento dos inocentes, o sentido do futuro humano, etc... Permanecem como incógnitas, de certo modo escandalosas, para as quais o cristão não possui respostas pelo simples fato de crer. Neste sentido, ele não está em situação privilegiada em relação aos que não crêem. Somente o diferenciam a esperança de saber-se e sentir-se acompanhado por Deus.

Como líder servidor cristão, devemos entender que o cristão é uma pessoa normal e igual a todo mundo, mas que tem um olhar diferente – olhar contemplativo – capaz de perceber o “mistério” e o “sentido” de todas as coisas e de todos os acontecimentos.

O “Deus infantil” é um Deus de proibições, ameaças, castigos e perpétua vigilância sobre nossos atos e intenções. É o Deus do tabu ante o qual se desenvolve uma intensa ambivalência afetiva, porque diante dele “desejar” equivale a pecar. O Deus do tabu é um Deus construído à medida do nosso temor. É a fé imatura e infantil que injeta no nosso interior o carcoma da culpa, da dúvida, do remorso... “Quanta ‘carne humana’ foi sacrificada nos altares da religião!”

A repressão, o moralismo... apelaram muitas vezes à aprovação de Deus para serem exercidas. Com isso se pretendeu que Ele exilasse e renegasse aquilo que criou e animou com sua Presença e seu Espírito. Procuramos negar o Deus que “vegeta” nas plantas, que “sente” no animais e que “entende” nos seres humanos, e que se encontra “em mim dando-me o ser, animando, sentindo e fazendo-me entender”. Não excluiu sua presença de nenhuma parte nossa. A nós somente corresponde perceber a pureza e a beleza que se encontra em cada uma das partes de nós mesmos.

Ao “Deus do Evangelho” lhe preocupam mais as realidades de outra ordem, tais como a injustiça, a avareza, a exclusão, uma religião legalista e opressora...

O líder servidor cristão deve fazer a experiência de sentir-se fundamentado e acolhido na grandeza de Deus-Pai, significando que sua Presença integra os diversos dinamismos da vida, impulsiona cada um para o crescimento, é fonte de alegria para viver, desperta o interesse por tudo aquilo que nos cerca.

Tudo isso é experimentado e acolhido como dom; sem arrogância, sem cobrança e tampouco sem culpa, para que seja uma experiência que possa ser gostosamente, com muito gozo espiritual, compartilhada por todos.

Caro amigo medite um pouco sobre esta frase: :  “Se Deus é puro amor a esbanjar-se na criatividade, Ele se faz misericórdia sem fronteiras que nos destina à abertura de coração para acolher os não amados” (Frei Cláudio V. Balen)

Textos bíblicos que podem ajudar na meditação:  Joel 2,12-18, Eclesiástico17, 20-28; Os. 6,1-6; 2Cor. 5,17-21.

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Quais as qualidades que deve desenvolver um líder servidor cristão

Estudiosos de liderança servidora, tais como Werner Bornholdt, James Hunter dentre outros, afirmam que o amor deve ser praticado rotineiramente pelos que desejam alcançar excelência tanto na vida profissional como na pessoal. Mas, não o amor romântico que acontece entre duas pessoas, mas sim o ato de amar o próximo e tomar atitudes que elevem as pessoas a seu redor. Em sua definição, o amor é “o ato de se pôr à disposição dos outros, identificando e atendendo suas maiores necessidades, sempre procurando o bem maior”. Podemos chegar a algumas características essenciais que devem ser desenvolvidas pelo líder servidor cristão:

- Paciência

Paciência é sinônimo de autocontrole e disciplina. É saber controlar o impulso natural que muitas vezes nos leva a tomar atitudes que fogem ao nosso padrão moral. Ele se pergunta por que a maioria das pessoas consegue ter paciência em situações críticas com o presidente da empresa e clientes, mas dificilmente mantém a mesma postura com seus subordinados. “Para nos tornarmos líderes efetivos é preciso desenvolver o hábito de reagir de acordo com os princípios morais”. 

- Gentileza

Pequenas demonstrações de amabilidade podem surtir grandes resultados em suas relações interpessoais. “William James, o grande filósofo e psicólogo americano, ensina que os seres humanos têm necessidade de serem apreciados”. Portanto, nunca se esqueça de exercitar sua capacidade de ser gentil com o outro, agindo da maneira como gostaria de ser tratado.

- Humildade

James Hunter define humildade como a demonstração de ausência de orgulho, arrogância ou pretensão, que seja um comportamento autêntico. Para ele, pessoas humildes sabem reconhecer seus erros e não têm medo de enaltecer os feitos de outros. Ao contrário dos arrogantes, sabem que o mérito por bons resultados deve ser dividido de forma justa e não necessitam de autopromoção, pois são pessoas seguras de suas capacidades.

- Respeito

Ter respeito implica, primeiramente, em ter consideração pela pessoa e levá-la a sério. Um bom líder, guiado pela idéia de que o amor eleva as pessoas, deve se esforçar para tratá-las com igualdade e creditá-las com a devida importância. Uma maneira eficaz de os líderes demonstrarem respeito pelas habilidades e capacidades da outra pessoa, e com isso construírem uma relação de confiança, é delegar responsabilidades. Ampliar o respeito pelos outros é a única maneira de as pessoas crescerem e se desenvolverem.

- Altruísmo

Não pode se tornar um líder servidor alguém que não esteja disposto a ceder e muitas vezes sacrificar a própria vontade em nome dos outros. Lembre-se de que você precisa se esforçar para mudar a si mesmo em nome de um bem maior.

- Perdão

Um líder só pode ter êxito como tal se souber desenvolver a capacidade de perdoar os outros, de não alimentar ressentimentos. Isso porque, em sua função, você inúmeras vezes terá de confrontar situações que podem não lhe agradar e terá de lidar com pessoas que nem sempre agem de modo correto. Por isso, é essencial aceitar as limitações nos outros e ter uma enorme capacidade de tolerar a imperfeição. A lição de Jesus Cristo sobre o perdão é clara: perdoar sempre! Não só sete vezes, mas setenta vezes sete, isto é sempre!

- Honestidade

Honestidade, integridade e confiança parecem ser um consenso sobre as características primordiais de um líder. Mas será que, na prática, a honestidade flui tão facilmente? Ou na sua empresa existe uma política de proteção a alguns funcionários e “panelinhas”? James Hunter também afirma que faz parte da cartilha da honestidade ser direto na comunicação com os liderados, mesmo quando o assunto não é dos mais agradáveis. “Transmitir más notícias de uma forma objetiva e honesta é a oportunidade perfeita para desenvolver uma relação de confiança e credibilidade”.

- Efetividade na liderança

Liderança efetiva tem sua base fundamentada nos conceitos da Servant Leadership (Liderança Servidora). Segundo o Michaelis, “efetiva” significa: real, verdadeira; que produz efeito; 3. Permanente.” Desta forma, por “Liderança Efetiva” podemos entender a liderança verdadeira, que não precisa da presença física do líder para “mover” os liderados a atingir os resultados desejados e que permanece ao longo do tempo. É desenvolver “autoridade” pessoal, inspirando outras pessoas a atingir, com entusiasmo, os resultados organizacionais desejados. Para tornar-se “líder”, primeiro deve-se “servir”. Para ser “líder” necessitamos desenvolver “autoridade” pessoal, inspirando outras pessoas a atingir, com entusiasmo, os resultados organizacionais desejados.

- Compromisso

Por fim, como competência essencial do líder o comprometimento, ato de seguir suas convicções e manter a palavra em suas atitudes. “Compromisso é ter a coragem moral de fazer a coisa certa, independentemente das relações de amizade ou outras alianças, mesmo que seja impopular ou implique risco pessoal".

O líder deve inspirar e influenciar seus liderados. E isso só é possível com o desenvolvimento da autoridade e confiança através de um comportamento consistente, verdadeiro, respeitoso e ético.

Em essência, o líder não trabalha para a empresa, trabalha para os seus liderados. Estes sim é que trabalham para a empresa, são eles que “produzem” os resultados. Cabe ao líder dar-lhes o “rumo” (visão) e provê-los do que eles necessitam para atingir as metas.

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Como podemos desenvolver, melhorar ou adquirir estas qualidades?

Bem, caro amigo que quer se tornar um líder servidor cristão, isso não é uma tarefa fácil nem rápida.É necessário mudar velhos hábitos e atitudes, pois o desafio de adotar este novo modelo de gestão de pessoas não é o de aprender o “truque”, seguir “fórmulas” ou de assimilar novos conceitos, mas sim de empenhar-se em desenvolver novos hábitos e atitudes.

A liderança vem sempre associada à idéia de grandes personalidades da história, e que ela possui uma dimensão mágica. Os líderes na verdade, são pessoas comuns que são capazes de transmitir grande poder aos liderados. Os líderes criam condições para as pessoas exercerem todo o seu potencial, propiciando-lhes a autoconfiança e emulando-as a perseguirem um ideal. Em suma, os líderes desenvolvem entusiasmo, auto-estima e ideais entre os liderados.

Estudos recentes têm demonstrado que, ser líder, é muito menos uma conseqüência de qualidades inatas e mágicas, e muito mais um produto de persistência e constância no aprendizado de habilidades interpessoais e compreensão do contexto em que está inserido.

As habilidades de liderança podem ser aprendidas através de ensinamentos, experiências, desenvolvimento da intuição, da persistência e da capacidade de aprender com ensaios e erros.

Como em todo processo de verdadeira mudança, o caminho para o desenvolvimento da liderança servidora cristã é árduo e desconfortável, mas tem um final altamente gratificante porque produz resultados e é permanente.

Em primeiro lugar vamos conhecer um pouco das teorias da administração e liderança.

 

Os lideres nascem ou são feitos?

Ninguém sabe com certeza. Nossa experiência diz que um conjunto de competências que caracterizam os lideres podem ser aprendidas. Podemos também dizer que todos os grandes líderes que conhecemos foram bons aprendizes. O primeiro aprendizado é sobre nós mesmos - nossos talentos e deficiências, nossas aptidões, nossos preconceitos. A autoconfiança necessária ao líder se desenvolve quando construímos sobre nossas forças e vencemos nossas fraquezas.

O treinamento formal pode ajudar. Mas o treinamento sozinho não é suficiente. Também aprendemos com outras pessoas e com as experiências. Aqueles que se transformam em grandes líderes são participantes entusiastas das mudanças e aprendem com, seus erros. Em última análise, um fator importante para o desenvolvimento da liderança é o autodesenvolvimento.

Muito se tem escrito sobre o comportamento do homem, inúmeras teorias classificaram este comportamento, porém escolhemos apenas uma delas para servir de base para abordarmos a Teoria Z.

É a teoria "X" e "Y", idealizada por Douglas MacGregor, um dos mais brilhantes autores Behavioristas da administração, preocupou-se em comparar 2 estilos opostos e antagônicos de administrar.

De um lado, um estilo baseado na Teoria Tradicional, excessivamente mecanicista e pragmática (deu o nome de Teoria "X").

De outro lado, um estilo baseado nas concepções modernas a respeito do comportamento humano (deu o nome de Teoria "Y").

Pressuposições da teoria 'x'

As pessoas são preguiçosas e indolentes;

As pessoas evitam o trabalho;

As pessoas evitam a responsabilidade a fim de sentirem mais seguras;

As pessoas precisam ser controladas e dirigidas;

As pessoas são ingênuas sem iniciativas.

Pressuposições da teoria "y"

As pessoas são esforçadas e gostam de ter o que fazer;

O trabalho é uma atividade tão natural como brincar ou descansar;

As pessoas procuram e aceitam responsabilidades e desafios;

As pessoas podem ser auto-motivadas e auto-dirigidas;

As pessoas são criativas e competentes.

A Teoria Z, defendida nos tempos atuais traz uma grande contribuição para as teorias da administração, esta teoria (que hoje é uma prática) fundamenta-se em preceitos e comportamentos vividos principalmente nos países orientais (Japão, Coréia, Taiwan, etc.) e que hoje é seguida e imitada por inúmeros países, inclusive o Brasil, vem contribuir sobremaneira com relevância aos comportamentos modernos de administração.

A Teoria Z, na verdade é hoje uma prática, prática esta que redescobre o HOMEM, a partir do momento que lhe abre a imaginação, permite liberdade de expressão e participação na vida das empresas.

A Teoria Z enfatiza que o sucesso da administração está ligado à motivação humana e não simplesmente na tecnologia dos processos produtivos. As máquinas são ferramentas sofisticadas a serviço a serviço do homem precisando sempre de aperfeiçoamentos do próprio homem.

A Teoria Z coloca o homem frente a frente à porta que ele sempre quis abrir e passar.

Vejamos alguns aspectos da teoria Z:

O homem quer participar, o maior patrimônio é próprio homem;

O homem é criativo;

O homem quer ser original;

O homem quer liberdade;

O homem quer ter iniciativa;

O homem é responsável;

O homem quer estabilidade;

O homem busca uma qualidade de vida melhor sempre;

O homem está sempre insatisfeito;

O homem não é individualista;

A coerência e a estabilidade do grupo é a segurança do indivíduo.

Estes conceitos hoje difundidos pela "Teoria Z", são tirados do dia a dia das organizações orientais e também já dos ocidentais, e o resultado é a conquista de estabilidade no emprego, remuneração mais condizente, satisfação de participação nos problemas e sucesso das organizações.

Na Teoria Z, o conceito de hierarquia de linha não foi esquecido, porém já não representa tanto peso na balança da administração. Qualquer empregado ou melhor um grupo de empregados se reúne e questiona: os métodos, os processos, as rotinas, os obstáculos, os custos, etc. e sugere mudanças, mudanças estas que racionalizam a vida comum do dia a dia a melhoria individual das partes melhora o todo.

A Teoria Z, nasceu no Oriente, mas isto não é uma experiência doméstica e localizada, já temos suficientes informações que esta teoria tem caráter mundial, as aspirações humanas são universais independente da localização geográfica e/ou cultura.

 

O líder servidor cristão deve usar autoridade ou poder ?

Como refletimos anteriormente, a escolha de uma teoria ou outra para liderar nos leva a escolha de liderar por poder ou por autoridade. São duas palavras que aparentemente são sinônimas, mas que são muito diferentes nos seus significados, nas suas devidas práticas e conseqüências.

Há muitas pessoas que têm poder e não têm autoridade. Há outras que têm autoridade mesmo sem poder e há ainda as que têm poder e o exercem pela autoridade. Na verdade o poder emana da lei e a autoridade nasce da competência, da retidão da vida, do exemplo. Enquanto o poder leva à obediência pela pressão, pela imposição e, às vezes até pelo medo, a autoridade leva à obediência pela convicção, pela persuasão, pelo testemunho de vida. O poder é, pois, usado para dominar, enquanto a autoridade é usada para servir.

Jesus sempre falou em autoridade e nunca em poder. “Foi me dada toda a autoridade no céu e na terra” Mt. 28,19. Ele tinha todo o poder, mas nunca o exerceu, no entanto era mestre da autoridade, porque convencia, porque levava as pessoas a aderirem ao seu projeto, a seguir seu caminho sem obrigar, sem impor.

É característica do verdadeiro líder ter autoridade mesmo sem ter poder. Na verdade, a autoridade supõe uma vida sempre limpa, coerente e comprometida. Logo a autoridade é uma decorrência de um modo de vida, de um carisma. Tereza de Calcutá, João Paulo II e assim poderíamos citar muitas outras pessoas que foram exemplos de vida para nós e que marcaram, não pelo poder que tinham, mas pela autoridade que carregavam dentro de si, com o exemplo de vida, de serviço, de doação e coerência de suas ações.

Também na família é possível distinguirmos a diferença entre poder e autoridade. Há pais que têm o poder, mas não têm autoridade com seus filhos, por não levarem uma vida coerente com aquilo que ensinam, por não darem testemunho efetivo do que dizem. Há outros que não usam o poder porque têm autoridade, fruto da coerência de sua prática com seu discurso e isso basta para convencer e orientá-los.

Assim também há profissionais em todas as classes e em todos os campos; como na política, na religião ou na economia que possuem cargos e fazem uso deles pelo poder e não conquistam o respeito tão desejado pelo ser humano e, há outros que os exercem muito mais pela autoridade, pela competência e são amados e respeitados.

O que observamos é que hoje não há uma harmonia entre poder e autoridade, o que seria importante para que houvesse equilíbrio nas relações sociais e familiares, pois, em geral, quando alguém exerce um cargo e não tem autoridade, vai valer-se muito mais do poder o que, com certeza, trará sérios problemas nas suas relações.

Como podemos ver, há diferenças significativas entre poder e autoridade e a escolha de um destes caminhos vai fazer uma grande diferença no trajeto de nossas vidas. Creio que, se cada um de nós dirigirmos nossa vida com competência e coerência, poderemos colaborar para que a autoridade se sobreponha aos desmandos do poder e, assim, estaremos contribuindo para uma sociedade mais harmônica, mais feliz.

 

Chefe e o líder o que é um e o que é outro

Vamos analisar mais algumas questões que diferenciam os chefes dos líderes, especialmente de um líder servidor cristão:

-Quando algo dá certo o chefe diz: “Eu fiz! Sem mim nada acontece mesmo!”; Um líder: “Nós fizemos! Sem vocês nada seria possível!”

O chefe é egoísta por natureza, e covarde, pois não tem coragem de mostrar todas as pessoas que contribuíram para ele estar ali na frente de uma conquista, um chefe não tem idéia do que é, trabalhar em equipe, até porque, ele não tem equipe, só gente que trabalha para ele.

O líder tem consciência que sozinho nada seria feito, que cada um é importante e que sem as pessoas a sua volta nada poderá ser feito bem feito e muitas vezes sem a equipe, tampouco será feito. Portanto, o líder lembra o tempo todo, as pessoas envolvidas no projeto o quanto isso é verdade. As envolve nas conquistas, de forma que o grupo se orgulha e faz mais e melhor. E na hora da vitória, ele celebra a conquista com todos. Diferente dos empregados do chefe que geralmente fazem mais do mesmo, e pior obviamente.

- Um líder cria responsabilidades individuais e compartilha resultados coletivos, um chefe dá responsabilidades coletivas e compartilha (os gritos) nas broncas individuais.

- Mesmo que um líder saiba que é importante delegar, ele também sabe que se não exigir comprometimento, alguns indivíduos se acomodam e não fazem o trabalho, além do que, podem trazer vícios dos chefes com quem trabalharam e num ambiente livre, agirem de forma indolente. Para evitar isso o líder deve deixar claro que os objetivos e metas são importantes e que cada indivíduo deverá fazer parte das soluções, pois caso se tornem problemas, entraram no processo de eliminação, podendo, em última instância, serem retirados da equipe, mas também deixa claro que todos são parte do resultado final, bom ou ruim.

- Porém quando se é chefe, não importam as pessoas, importa quem manda e nesse caso é o chefe ele põe ordem e MANDA para cada um o que ele QUER que seja feito, e quando algo não sai como deveria, parte pra cima dos subordinados, sem querer saber de quem foi à culpa, generalizando e atacando. E depois se acalma só quando já descobriu em quem botar a culpa, pouco importando se isso é bom para a empresa ou não, importante é provocar o terror e detonar as expectativas de todos os seus “SUB”ordinados.

- Para um chefe os empregados quando fazem algo excepcional, não fazem mais do que a obrigação, para um líder elas são excepcionais em todos os instantes e ele deixa claro isso.

- Um chefe enxerga o empregado como objeto e se num dia qualquer ele faz algo de excepcional, não fez mais do que obrigação, afinal ele é pago para isso. Nesse caso um empregado geralmente não faz algo excepcional, mais do que uma ou duas vezes, enquanto este indivíduo tiver um chefe. Dessa forma, a empresa perde profissionais excepcionais pela inapetência de um único individuo. E deixa de ter lucros maiores ao não ter pessoas motivadas criando produtos excepcionais, que é o que aconteceria caso houvesse um líder no lugar do chefe.

- Isso porque um líder deixa claro que todos são importantes e a cada conquista que fuja do comum ele elogia, estimula e cria novas metas, o excepcional de uma ocasião se torna à meta do mês seguinte e assim você cria uma cultura de inovação e crescimento, na qual todos ganham e também exista uma política de retenção dos melhores indivíduos numa malha de estímulo que eleva o valor comum da empresa. E mesmo os indivíduos que são medianos se sentem motivados a mudar ou caso contrário a buscar colocações nas quais possam se destacar.

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Chefe ou líder, como exercer a autoridade no dia-a-dia

Se existe algo que sempre surge em qualquer conversa numa empresa são as discussões quanto à capacidade de liderança dos chefes. Deve ficar claro que chefe e líder são condições excludentes. Pois ser chefe significa apenas uma forma ganhar,  usar e glorificar o poder, enquanto o líder não ganha a posição, ela é sua pela sua autoridade, pelo fato dele ver o ambiente não como uma afirmação da sua posição, ela não a glorifica, pois não precisa disso.

- Chefe manda, Líder delega:

Os líderes delegam, eles não mandam, um líder avalia as pessoas e dá, a cada um, o direcionamento e a capacidade de realizar suas tarefas, ele tem a sensibilidade de perceber quando ela é excessiva e a subdivide para atingir as metas, que é o mais importante, porém ele também sabe quando uma pessoa prejudica a equipe e não receia de se livrar do problema.

Já o chefe sabe que tem poder, sabe que se mandar um empregado (um chefe sempre vê os outros como empregados, não como colaboradores) fazer algo ele o fará, não porque acredita no que o chefe está pedindo – diferente do líder – mas porque  sabe que se não fizer estará com sérios problemas, pois chefe não perdoa, mata; portanto o empregado faz sua tarefa, de forma a se livrar logo da “batata quente”, afim de não correr o risco de ficar na linha de tiro (dessa forma ele também faz do jeito mais rápido que geralmente não é o mais eficiente), e àqueles que não trabalham em equipe e prejudicam a coesão do time são mantidos na linha de frente dos chefes, pois ele os usa como força na manutenção do seu poder.

-Líder se preocupa com metas, já o chefe com os horários.

Um líder sabe que cada ser humano possui um ritmo diferente e próprio, único, e nem sempre estará de acordo com o “relógio” clássico das empresas (entre às 8:00, saia às 18:00), o que importa ao líder é o empregado cumprir as metas, atingir os objetivos da empresa, se os clientes forma visitados e se tudo que foi contratado está dentro dos prazos.

Porém o chefe se prende aos horários, pela simples razão que ele próprio é incompetente quanto às metas propostas, assim ele pode justificar sua inapetência relatando aos seus superiores que todos “trabalharam” direito, mas que “infelizmente” não “deu”. E claro, como o chefe não enxerga a longo prazo – caso contrário ele seria um líder – só lhe resta procurar nas pequenas situações da vida empresarial situações para manter seu poder e, com os horários, ele pode estabelecer uma ligeira linha de terror e de estresse, criando a falsa sensação de controle que só satisfaz ao seu ego e não aos objetivos da empresa.

Quando algo dá errado o chefe quer saber de quem é a culpa, o líder quer saber o que deu errado.

Existe um ditado (desprezível) o qual fala que, se depois de um grave problema você está rindo é porque descobriu em quem colocar a culpa; esse é o típico argumento do chefe. Eles adoram “fígados”, “estômagos”, “cabeças” – uma dieta bem carnívora – mas indigesta. Para um chefe é mais importante sacrificar as pessoas do que descobrir os erros, pois assim ele pode mostrar os troféus de “carrasco”, de “tirano” e ser temido, sendo dessa forma “respeitado”. Um erro grosseiro afinal sabe-se que uma dieta dessas leva a sérios problemas de saúde no “coração” empresarial.

Por isso um líder deseja saber o que deu errado e mais ainda o porque deu errado daquela forma e não mede esforços para mudar isso, pois ele também sabe que no erro ele também tem responsabilidade, aliás a maior responsabilidade é dele próprio que deveria ter evitado o erro e não conseguiu. E na solução ele envolve à todos criam uma força e uma coesão na equipe que tende a evitar que o problema se repita.

O líder autêntico é um ser humano desperto, que escapou dos trilhos conhecidos para a aventura das trilhas inusitadas, que compreendeu que a alma é o melhor negócio e a consciência é o melhor investimento. Um homem e mulher que integrou as funções psíquicas, pesquisadas por Jung: o pensamento e o sentimento, a sensação e a intuição. Em outras palavras, o princípio masculino com o feminino, naturalmente. Um ser capaz de uma visão aberta e de uma escuta inclusiva, que não teme ser diferente, que prefere uma boa pergunta a uma resposta fácil. Sobretudo, alguém que lidera na sua própria casa, em sua mente, em suas emoções, em sua consciência, em seus relacionamentos, no departamento de seu coração. Com flexibilidade e firmeza, com ternura e vigor, um líder pode recolocar a boa dinâmica no âmago de uma estrutura, para que seja viva e evolutiva. Enfim:

Ser Líder
O que é ser líder?
...em momentos de plenitude, poder e beleza?
Como honrar a liderança e a vida nestes momentos?
O que é ser líder?
...quando mergulhado na insegurança e nos conflitos?
Como honrar a liderança e a vida neste momentos?
O que é ser líder?
...diante da incerteza e do medo?
Como honrar a liderança e a vida neste momento?
O que é ser líder?
... na alegria da renovação?
Como honrar a liderança e a vida neste estado de viver?
Enfim, como louvar a vida na sua diversidade e exercer uma liderança integra, humana e consciente reverenciando a natureza de cada estado de viver com dignidade e maestria?
Inspirados por estas e outras indagações, nós do ELOS, trilhamos o primeiro trecho da estrada. Estabelecemos valores que nortearam nossas ações e convidamos você após este tempo de dedicação para concretizarmos juntos mais este passo.
(Roberto Crema).

•"Os chefes são líderes mais através do exemplo do que através do poder".

Tácito

•"Aquele que quer aprender a ser chefe tem primeiro que aprender a servir".

Sólon

•"Alguns chefes são considerados grandes porque lhes mediram também o pedestal".

Sêneca

•"Não se é líder batendo na cabeça das pessoas - isso é ataque, não é liderança".

Dwight Eisenhower

•"A liderança é uma poderosa combinação de estratégia e caráter. Mas se tiver de passar sem um, que seja estratégia"

Norman Schwarzkopf

•"O consenso é a negociação da liderança".

Margaret Thatcher

•"A liderança é a capacidade de conseguir que as pessoas façam o que não querem fazer e gostem de o fazer".

Harry Truman

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O líder servidor deve ser discípulo de Jesus Cristo

A relação de Jesus com seus discípulos começa com um chamado. Jesus convoca quem ele quer, nos mais diversos lugares: junto ao lago, no caminho, na montanha, em uma refeição; cm diversas circunstâncias: na cotidianidade, no trabalho de pescador ou de coletor de impostos; e com uma proposta bem definida: estar com Ele e ser enviado a pregar.

Enquanto no judaísmo rabínico eram os discípulos que escolhiam a escola e o mestre, aqui sucede algo novo. A novidade de Jesus é que ele é quem chama por própria iniciativa e o faz com autoridade. "Não me escolheram vocês; fui eu quem os escolhi" (Jo 15,16).

Esse chamado ou vocação não é algo individualista c subjetivo, mas personalizado e comunitário. Totalizante, pois exige a vida inteira daquele ou aquela que escuta o chamado. Situa-se no interior do projeto de salvação, em um contexto eclesiástico concreto, e é algo exigente e vital.

O chamado de Deus pela boca de seu Filho Jesus realiza-se, seja de maneira direta, sensível e evidente, como também, freqüentemente, através de mediações diversas, que convergem e se esclarecem na mediação comunitária e social. Pede ouvidos atentos e obedientes para ser escutado. E, desde o primeiro momento, c um chamado a compartilhar a vida, o destino e a missão de Jesus.

O ponto de partida do discipulado cristão é, portanto, um encontro com a pessoa viva de Jesus, que pode dar-se em muitos lugares c circunstâncias: na escuta da Palavra, na mesa da comunhão, em situações vitais onde a mente e o coração humanos são postos em xeque e muito especialmente no rosto do outro.

Em um segundo momento, dá-se a resposta, a qual compele o novo discípulo a desinstalar-se e a deixar ou relativizar tudo: família, bens, costumes, para seguir o Mestre. Esse será para ele, de agora em diante, o único absoluto.

A relação mestre-discípulo não se reduz a uma relação de ensino e aprendizagem intelectual; implica comunhão de vida e assimilação de um estilo e de um destino comuns. Nunca poderá pretender o discípulo ser mais que o mestre, mas "lhe bastará ser como seu Mestre" (cf. Lc 6,40).

Essa mudança radical de vida está longe de ser uma atitude provisória, que dura enquanto o discípulo não chega a ser mestre. Do princípio ao fim não há mais que um Mestre, Cristo (Mt 10,24s.; 23,8).

 Por isso, a vinculação dos discípulos a seu Mestre é imensamente mais estreita e íntima que a de outros mestres. Jesus chama os discípulos "para que estejam com ele" (Mc 3,14), participando de seu caminho errante, de sua carência de domicílio e, inclusive, de seu perigoso destino.

Trata-se de uma comunhão total, que carrega em si a força e o conteúdo de uma confissão de fé e de vida em Jesus como Messias. Confessar isso com a boca e a vida poderá levar o discípulo até o final do testemunho, ou seja, ao martírio.

A resposta do discípulo, portanto, não corresponde a um saber intelectual, mas é a sua vida mesma, dada e oferecida para que outros tenham vida. Ela se dá em um itinerário de fé que parte do chamado e do encontro com Jesus, passa pela conversão, segue em fidelidade até a cruz e dá testemunho da Ressurreição, a ponto de estar disposto a dar a vida por outros. Seguimento e testemunho, até o cume do martírio, são, portanto, duas dimensões fundamentais do discipulado para se tornar um verdadeiro líder servidor cristão. Implica dar vida, dando a vida.( Maria Clara Lucchetti Bingemer, Teóloga e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio).

 

Como melhorar minhas atitudes e aumentar meu amor cristão? 

Caro líder servidor cristão, nós chegamos a Deus através desse mesmo Deus encarnado, que é Jesus Cristo. O Jesus Cristo dos quatro evangelhos da bíblia, tantas vezes citado, mas ainda tão pouco conhecido. A sua vida encarna as respostas que buscamos. Ele, que disse de si mesmo “Eu sou o caminho, a verdade e a vida: ninguém chega ao Pai, senão por mim”(Jô 14, 6), é quem nos mostra a trilha, o caminho que nos revela a verdade sobre o que somos e o que buscamos, conduzindo-nos à vida com Deus, que preenche as nossas inquietações e sacia as nossas ânsias de felicidade.

            O meio que podemos encontrar para nos curarmos de nossos apegos, traumas e dependências  é nos encontrarmos com Deus e conosco mesmo. Eu me encontrei e estou me curando dos meus apegos através dos exercícios espirituais de Santo Inácio de Loiola. Por exercícios espirituais se entende qualquer modo de examinar a consciência, de meditar, de contemplar, de orar vocal e mentalmente, e outras atividades espirituais, de que adiante falaremos. Assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais, chamam-se exercícios espirituais diversos modos da pessoa se preparar e dispor para tirar de si todas as afeições desordenadas. E, depois de tirar estas, buscar e encontrar a vontade divina na disposição de sua vida para sua salvação."

A palavra chave é exercícios. Se você é convidado a fazer exercícios, você logo entende que vai haver um treino, de acordo com um plano e a orientação e acompanhamento de um treinador. Logo os EE não são qualquer oração, mas são um trabalho planificado, com orientação e acompanhamento.

Os Exercícios são previstos para durarem um mês intenso, em lugar retirado, onde a pessoa possa deixar seus negócios, ocupações e cuidados habituais, ou ao longo da vida corrente, quando só puder dispor de uma hora ou uma hora e meia cada dia. Nos dois casos, quem dá os Exercícios, se absterá de dar conselhos, ou influir nas decisões, simplesmente apresentando, com brevidade, os modos de orar e os assuntos. Os Exercícios são previstos para pessoas que sentem em si ânimo e generosidade para ordenar seus afetos e buscar e achar a vontade de Deus em todas as coisas. Se, de fato, muitas pessoas sentem um efeito curativo e restaurador fazendo os Exercícios, isto não quer dizer que eles sejam propostos como ajuda a pessoas desanimadas, fragilizadas e problematizadas, pois supõem autonomia e esforço também psicológicos.

Caro amigo, caso você queira se transformar em um verdadeiro líder cristão, proponho que você faça os exercícios a seguir, que seguem a orientação do Pe Paiva, que realizou a tradução e adaptação dos Pequenos exercícios espirituais do Pe Guido Jonquières, SJ:

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1º PARTE: ORDENAR A MINHA VIDA NO ENCONTRO COM DEUS

Introdução prática

Caro líder servidor, Como se fazem exercícios físicos, ou de cálculo, computação, de uma língua estrangeira, etc., podem ser feitos "exercícios espirituais". ...

O que aqui se propõe pede pouco tempo:apenas alguns minutos cada dia. Percorrer este caminho levará de mês e meio a dois meses. O método proposto permite avançar sem tomar distância.

Você vai precisar de decisão e um pouco de constância. Estas duas virtudes não são muito comuns. Pedi-las a Deus e exercitar-se nelas é justamente procurar que se desenvolvam em atitudes que ultrapassem comportamentos instintivos , espontâneos ou apenas rotineiros. ... Descontinuado, o esforço é maior. O ânimo se perde e o fruto é nenhum. Da constância, pelo contrário, pode brotar um novo estilo de vida, mais lúcido, mais integrado, mais gozozo.

Caro amigo líder servidor, estes exercícios para liderança cristã supõem alguma coisa de fé cristã e servem para desenvolvê-la. É esta uma questão de vontade e esforço? Em primeiro lugar é uma questão de graça, mas esquecemos, freqüentemente, que toda a graça já nos foi dada em Cristo, e que, por negligência, não a temos aproveitado. Exercitar-se cristãmente é pôr a graça em circulação, em vez de deixá-la adormecida num cantinho da alma cheio de pó. Há os que nunca damos graças, porque não deixamos o amor de Deus tomar corpo em nossa vida, pondo-o de lado ou, até, desprezando-o. Deixemos disto! Aqui está proposta outra atitude: vê se você quer dar uns passos e, então, comece!

Você pode avançar sozinho, mas é certo que partilhar o que você vai praticar com alguém de confiança ajuda a perseverar. Quando damos conta, não só nos vemos estimulados a continuar, ainda que seja por amor próprio! Com o tempo, brotam motivações. Quem pode acompanhar você? Tal vez sua esposa, seu esposo. Talvez um amigo, uma amiga. Talvez um sacerdote ou um religioso ou religiosa. Melhor será se conhecer o espírito "inaciano" desta jornada, porque ela se inspira na obra de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas e iniciador de grupos de leigos neste espírito.

Sozinho ou acompanhado, procure encontrar o ritmo que lhe convém. Em princípio, sugiro um exercício por dia, mas se acontece que um dia você não o consiga fazer, recomece no dia seguinte. Não receie repetir uma ou mais vezes um exercício que atraiu mais particularmente você ou que se apresentou como mais desafiador. Se, por alguma boa razão, interrompeu por alguns dias, não demore a retomar a caminhada, para que "não se esfrie a musculatura" e se perca o progresso feito. Em um empreendimento deste tipo,que não tem nada de obrigatório, mas é uma iniciativa gratuita, a tentação de dizer: "Até aqui tudo bem! Não mais"; é freqüente. Mas as tentações existem para serem vencidas. Vencidas, elas nos dão ocasião de crescimento. Vencedoras, elas nos deixam mal. Há que continuar!

Os momentos mais apropriados para fazer estes exercícios podem variar, conforme as pessoas. Para quem costuma sair de manhã para trabalho ou estudo, fica bem que o primeiro tempo de oração indicado seja antes de sair e o segundo, na volta, ou durante o caminho de regresso, ou já em casa, quem sabe, fugindo um pouco da televisão.

Não convém, antes só serve de distração, ir olhar os exercícios ainda por fazer. Pelo contrário, pode ser muito bom repetir algum exercício já feito, ou refazer um trecho do caminho, se percebe que, agora, você pode tirar maior proveito. Que importa demorar uns dias mais, se isto tem maior benefício?

No caso de partilhar estes exercícios com alguém ou numa comunidade, cada qual deve fazer sua parte, escutando-se mutuamente, respeitando as diferenças de ritmo e de reação, sem críticas, apenas com apoio e ajuda discreto.

Caro amigo, você vai encontrar citações das Sagradas Escrituras, a Santa Bíblia. São colocadas numa linguagem singela, evitando termos e expressões menos correntes, que dificultem a compreensão e perturbem a oração. As siglas e números dados, permitirão que você as reencontre no seu contexto bíblico. Por exemplo: Mc 8,5-15 significa Evangelho segundo Marcos, capítulo 8, versículos de 1 a 5... Se você sente dificuldade, facilmente encontrará alguém que lhe explique, por já estar mais familiar com o uso da Bíblia. Na própria Bíblia, em sua introdução existem explicações ótimas. Vá em frente!

Se algum exemplo dado não combinar bem com sua situação de vida (por exemplo, porque não é casado ou não tem filhos), você facilmente encontrará uma variante que mais ajude.

Depois de fazer dois ou três exercícios, releia esta instrução, para ver se você está procedendo como convém. E, por favor, não diga que está fazendo “os Exercícios Espirituais de Santo Inácio”, pois eles são muito mais completos e profundos. Só estamos aproveitando alguns elementos inspirados neles para ajudá-lo no caminho de se tornar um líder servidor cristão.

1º EXERCÍCIO PREPARATÓRIO: DISPOR-ME!

Amigo líder. para dar uma corrida, ainda que curta, é melhor esquentar o corpo um pouco. Para entrar em si e iniciar um diálogo com Deus, também é necessária preparação. Pelo menos deixe de lado um filme, o ruído e o "bla blá blá" interiores, que existe em todos nós, em maior ou menor grau, muitas vezes aumentados pelo hábito de ouvir rádio e ver televisão.

Não se trata de esvaziar a mente, mas de escolher o que você quer pensar e tentar parar nisto por um momento. Um antigo escritor já havia observado que a mente é como um moinho sempre girando, e sempre moendo ou remoendo alguma coisa. Portanto, toda a questão é o que ponho para o moinho moer!

Escolha, portanto, uma bela recordação, uma lembrança muito viva e permaneça nela. Depois de um momento, podem ter acontecido duas coisas: ou esta recordação sai de sua mente, aparecendo outra que não tem nada a ver, e é uma distração. Ou ocorre outro sentimento ou pensamento ou imagem que, sim, tem algo ou tudo a ver. Se for uma distração, você pode pô-la de lado, ou simplesmente, ou transformando-a em causa de uma breve oração (pedido ou ação de graças). Se for um pensamento ou sentimento ou imagem que tenha a ver, acolha (supondo que não se trate de tentação contra os dez mandamentos!)

Escolhe, então a lembrança que você prefere ter presente. Pare a leitura e se concentre nela. Feche os olhos. Silencie...

Quanto tempo você ficou sem se distrair?

Se lhe parecer que muito pouco tempo, procure fazer este exercício várias vezes no dia, com outras recordações: um incidente, um acidente, uma frase, uma melodia que lhe ronde a memória... Ou comece fixando-se num quadro, numa imagem, numa foto... Examine... Fixe pormenores... Reaja... Aprecie... Admire... Discirna...( discernir é encontrar a vontade de Deus para minha vida)

No fundo, todos estes exercícios, e os que vêm logo a seguir, são um treinamento para liderança servidora. Por isso você não precisa deter-se muito neste primeiro. Há quem, quando cai na conta da dificuldade que tem em concentrar-se, renuncie logo. Não caia nessa! O importante é insistir, sem ceder às distrações, mas, pouco a pouco, ir adquirindo a capacidade de pensar o que lhe importa (meditação), admirar-se de alguma coisa que antes passava despercebida (contemplação) e de condoer-se ou gozar diante destes pensamentos e observações.

A partir do próximo exercício, você vai procurar viver tudo isto na presença de seu Deus e Senhor e de entrar em diálogo com Ele. Ele está sempre presente. Os ausentes, somos nós, eu, você... Faça-se presente ao Presente, ao Presente em seu presente!

2º EXERCÍCIO: Qual é o seu Deus?

A experiência mostra que se ocultam realidades muito distintas sob o nome "Deus". Anteriormente já tivemos a oportunidade de refletir sobre as imagens de Deus. Tanto entre os que crêem, quanto entre os que não crêem. Alguns pensam numa vaga "energia, força", outras como um "ser supremo", outros como "criador", outros como "o juiz", etc. Muitos nem tiveram tempo de refletir no que crêem exatamente ou no que não crêem. Aqui não vai lhe ser proposta uma teologia , mas precisamos nos pôr em acordo em alguns pontos fundamentais. Se não, você estará correndo o risco de interpretar mal tudo ou parte do que virá adiante.

Este exercício pode tomar mais tempo. Não hesite em fazer várias etapas em vários dias, ainda que relacionadas.

Primeiro momento: comece por perguntar-se, sem aperto, que nome ou que nomes você dá, espontaneamente, a Deus. Que adjetivos você aplica mais naturalmente à palavra "Deus"? Por exemplo: bondoso, todo poderoso, exigente, carinhoso... Se você tem como, pode ajudar a escrever o que lhe ocorre (e que não é necessariamente o que você leu ou escutou dizer).

Segundo momento, ou hoje, ou amanhã: procure dar-se conta se o seu comportamento habitual corresponde ao que você anotou no primeiro momento. Por exemplo: você pode descobrir que não acredita num Deus Juiz, e que, lá no fundo, esta idéia lhe provoca repulsa, e que você nem quer pensar em que ele julgue a sua vida. Ou, talvez, descubra que você acredita num Deus amoroso, mas que, na realidade, tem medo dele. Repare! Não estou "soprando" a resposta "certa"! Pense por um tempo e, seria bom tomar alguma nota por escrito, como antes. A pergunta é: Minha atitude habitual e meu comportamento refletem, concretamente, a idéia ou a imagem que tenho de Deus?

Não seria extraordinário que você descobrisse alguma contradição ou coisa estranha. Facilmente todos nós, os seres humanos, somos assim: contraditórios, surpreendentes.

Terceiro momento: leia atentamente o trecho seguinte. Se causar resistência em você, não penso que você possa ir muito adiante nesses exercícios. A menos que você peça e consiga a graça de uma "mudança de ventos", de uma modificação no gosto: da resistência passar a sentir apelo. Se lhe agradar, pode tentar ver o que acontece.

É bom lembrar que me enraízo na fé cristã e católica. Mas se você é cristão de outra confissão ou um pouco inseguro, a maioria dos exercícios propostos será, de qualquer modo, útil e não lhe farão nenhuma violência. Leia, então:

O Deus de quem se fala nestes "Exercícios para liderança cristã" é o que Jesus Cristo revelou. Para conhecê-lo melhor, na segunda parte, olharemos muito a Jesus, seu Filho, tão divino e tão humano, perfeito reflexo desse Deus que ele chama "meu Pai e nosso Pai". Não um pai que nos infantilize, mas um Pai que nos associa a seu grande empreendimento para o bem de suas criaturas, que somos nós mesmos, sobretudo, os seres humanos: instaurar os eu reinado de amor.

Ele não se impõe pela força. Ele nos ama e respeita, pondo seu poder a serviço de seu amor. Ele se fez nosso amigo e servidor, Jesus Cristo. Jesus foi fiel ao Pai e a nós até a morte e além da morte. Assim nos ensinou a amar e servir como ele. Ressuscitado, permanece conosco, não para roubar-nos a vida ou para tirar-nos da luta pela vida, mas para sustentar nossa liberdade com a força do Espírito Santo que o guiou também. A nós, igualmente, o Espírito de Jesus guia e ilumina, sempre que o aceitemos. Quando Deus nos for julgar, será por seu mesmo amor, que nos quer levar todos juntos à vida em toda sua grandeza e plenitude, mas nunca contra a nossa vontade.

Estamos de acordo? Você compartilha este modo de falar e nos vamos nos entendendo?

PRIMEIRA PARTE: ORDENAR-ME

Por que recomendo ordenar-se (pôr-se em ordem), em vez de olhar, diretamente, o que viveu e fez Jesus Cristo? Porque, como disse ele mesmo no Evangelho de São João (Jo 3,20-21): Quem pratica a verdade se aproxima da luz. Isto é, acolhe a luz e vê claro, mas o que se descuida demasiadamente, ou não sabe o que quer, ou não põe os meios, esta pessoa não procura a luz que Cristo oferece ou, ainda que procure, demora-se a encontrá-la.

Os próximos exercícios - como foi dito na introdução prática - Serão feitos em dois tempos:

•          Pela manhã, por mais ou menos uns cinco minutos, você lê o tema proposto e reflete um pouco sobre ele, depois de pôr-se na presença de Deus. Você pode conversar com Ele (o Pai ou o Filho ou o Espírito ou a Santíssima Trindade) e pedir-lhe a Graça para estar atento e melhor viver este aspecto da própria vida.

•          Pela tarde, examine - também na presença de Deus e conversando com ele, enquanto relembra o seu dia - para verificar se o que você refletiu e rezou de manhã influenciou em você ou não. Se você progrediu, dê graças ao Senhor. Se não aconteceu nada, renove o seu bom desejo para o dia seguinte e, se for o caso, peça perdão por sua desatenção de hoje.

 

1 - COMO USO A MINHA IMAGINAÇÃO?

O assunto desta manhã não é se você tem pouca ou muita imaginação, mas o que você faz com a que tem.

A imaginação, como todo dom de Deus, é preciosa. Graças a ela, podemos enfrentar o futuro, prever, prevenir, orientar uma pesquisa, inventar, criar, etc. Mas, também, podemos usá-la mal, com a cumplicidade da memória, enchendo nossa a mente e nosso coração de maldade e de lixo. Ela nos trai, então, com os "maus pensamentos" de violência, sexo, roubo, mentira. Os bons espetáculos e as boas leituras a enriquecem, alargando o coração, ainda que a partir de histórias nem sempre muito edificantes (há tantas destas, ainda na própria Bíblia). Outros espetáculos e outras leituras são manipulações de nossa própria imaginação, como as propagandas. Se não temos espírito crítico, elas nos embotam, nos seduzem, intoxicam e alienam.

•          Que uso você faz habitualmente de sua imaginação

•          Com que você a alimenta e cultiva?

•          Que imagens mentais você guarda e são tentações que degradam e sujam?

Empenhe-se em recordar o que sua imaginação produziu de bom ou de mal. Que iniciativas felizes ela lhe permitiu no trabalho, no amor, no esporte, etc? Ou que desordens fomentou em você?

O que você lembra:

•          Deixou você contente?

•          Provocou-lhe sérias dúvidas?

•          Ou, logo de começo, pareceu detestável?

•          Ou, até agora, você tomou pouco conhecimento do assunto?

Fale sobre isso com Nosso Senhor e trata com ele como você vai cuidar de permanecer, de hoje em diante, mais atento.

De tarde, voltando para casa, ou antes de deitar-se, procura cair em conta do que resultou desta vigilância sobre sua imaginação. Dê graças de tê-la, sobretudo se lhe foi útil para crescer humanamente e para fazer algum bem. Se não, peça ao Senhor perdão e prepare-se par viver melhor o dia de amanhã.

•          Verifique se lhe convém repetir este exercício para não passar adiante sem proveito.

 

2 - MEU USO DO DINHEIRO

 Vivemos numa cultura onde não se pode passar sem dinheiro. Oxalá todos tivéssemos o suficiente para viver em família, uma vida humana simples, mas com certa folga. O próprio pai do capitalismo, Adam Smith, queria que os trabalhadores ganhassem alguma coisa a mais do que o necessário para poderem viver bem com sua família. Qual é a situação sua e de sua família nesta questão? Seja você pobre, ou seja, rico, caia em conta, esta manhã, do uso que você dá ao pouco ou muito dinheiro de que disponha. Agradeça o bom uso ou fala dos desvios com Nosso Senhor.

Não se trata neste momento de oração de fazer-se pedinchão ou de felicitar-se porque passa bem. Trata-se de refletir, honestamente, diante do Pai de todos nós e que ama a todos igualmente, sobre as relações que você tem com o dinheiro e com as coisas que o dinheiro alcança.

•          Você se sente absolutamente senhor, senhora do que você recebe ou adquire?

•          Sua esposa, seu esposo sabe quanto você ganha?

•          Se não, por que não?

•          Sinceramente, há ou não há muita cobiça e egoísmo em sua vida?

•          Se há problemas, pergunte ao Senhor e Mestre da Vida o que você poderia fazer para mudar de atitude, já nos próximos dias.

•          Se não, agradeça humildemente a Nosso Senhor e segue adiante do mesmo modo.

De tarde, relembre seus bons desejos da manhã:

•          O que você fez de bom com o seu dinheiro?

•          Descobriu alguma falha, que antes você não tinha notado, por exemplo, no uso do cartão de crédito, em endividamento excessivo, em gastos inúteis?

•          O que fica do que você ganha para o gasto corrente da família? Você pagou suas contas?

•          Você está decidido a pôr ordem onde não havia?

•          Você está disposto a ser mais transparente com seu esposo, sua esposa?

Lembre-se! Você não pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro (Mt 6,24). Servir-se do dinheiro é bom. Fazer-se seu escravo, sob o pretexto de sentir-se por cima é um desastre! Onde ficaria, neste caso, a sua liberdade?

 

3 - QUANDO VOU FAZER COMPRAS

 Quem não experimentou satisfação de ter voltado para casa com alguma coisa bonita, boa, útil? Quem não teve a experiência de como passou rápido o encanto com algumas compras feitas, dando lugar à decepção? Tudo isso dá o que pensar. Nesta manhã, coloque-se na presença de Deus, do pai, com a mão no coração, e preste contas a Ele com toda a clareza:

•          Que coisas fascinam você?

•          Quantas vezes, indo comprar, você perdeu o controle e adquiriu uma coisa a mais, alguma coisa de pouca ou nenhuma utilidade, um supérfluo qualquer, cedendo ao impulso?

•          Se você não dispõe de meios, sentiu inveja diante de coisas que não lhe são accessíveis e até desnecessárias? Quanto aos bens necessários, você tem todo o direito de desejar e reivindicar.

Não está mal dar-se um gosto. O que está acontecendo é que há uma cultura que nos leva a nos regalar em excesso e o comércio se esmera em estimular nossa cobiça. Daqui a necessidade de vigiar e cuidar da própria liberdade. Se, hoje ou nos próximos dias, você vai fazer compras, reza um momento para fazer, diante de Nosso Senhor, a lista do que você quer comprar, daquilo que você vê que está bem, sem mentir a você mesmo, mesma. Será uma boa escola, válida para outras vezes.

Talvez ajude imaginar que você vai fazer compras com Jesus, ou com Nossa Senhora, conversando com eles sobre o que comprar, etc.

Pela tarde, voltando das compras,

•          Dê graças a Nosso Senhor por você ter sabido se limitar ao justo, a o prudente e por ter adquirido o que fazia falta.

•          Reze pelos que não podem comprar o necessário.

•          Melhor ainda, prepare-se, na oração, para partilhar e, até, mais seriamente, a ser mais justo, mais justa.

•          Reflita sobre a sociedade em que você vive, com tanta distância entre ricos e excluídos e deixe brotar bons desejos em você.

 

4 - ENTRE DESEJOS E CAPRICHOS

 É possível que, depois de ontem à noite, você se levante, esta manhã, com o coração grato e contente. Pode acontecer, também, que tenha se levantado com mau humor... Vamos ver! Acalme-se!

•          Você deseja ser uma pessoa livre e estimada?

•          O que você ganharia em se regalar, a traindo a raiva de muitos? Ninguém é feliz sozinho.

Os sociólogos e psicólogos se deram conta da importância do desejo em nossa história. É o motor da vida, uma bela paixão. Numa pessoa sadia, nunca se apaga. Uma grande pessoa é quem tem grandes desejos e sabe realizá-los.

Mas, desgraçadamente, muitos de nós confundimos esse desejo profundo, os desejos grandes, com caprichos, veleidades. Então giramos como uma biruta de aeroporto, e nos apaixonamos por aquilo que não tem valor. Fazemos sofrer os que nos rodeiam e nos tornamos odiosos, porque imprevistos e insaciáveis (ou descontentes).

Cuidado! É mais fácil nos virarmos para o lado e criticar os demais do que olhar pra dentro. Contudo, convido você precisamente a olhar-se, não com recriminações inúteis, mas sob o olhar dos bons olhos de Deus, em diálogo com Ele.

Claro que pode nascer em você um arrependimento e um desejo de mudança. Neste caso, vê aquilo quem que você pode mudar hoje mesmo e procura dar o primeiro passo. O Senhor está com você. Ele se compromete com você mais do que você com Ele. Mas nada pode dispensar o empenho de você mesmo, você mesma.

De noite, ou num momento tranqüilo da tarde, olhe ao que se passou. Você sente que, alertado pela manhã, você se fez mais cuidadoso em não ceder a qualquer vontade que lhe deu?

•          Reflete melhor no que realmente importa.

•          Pensa nos que, de fato, você quer bem de verdade.

•          Não vale à pena sacrificar alguns desejos tontos ou sem real importância para fazê-los mais felizes?

•          Se você tem filhos ou é um educador de jovens, não é importante que percebam em você alguém dono de si mesmo, de si mesma, cheio, cheia de energia para coisas melhores?

•          Como você imagina Jesus, Maria e José em seu lugar?

•          Você está seguro, segura de que você foi assim nos momentos melhores de sua vida? Você não se lembra deles com alegria?

Dê graças a Nosso Senhor e siga com esperança para o futuro.

Os exercícios dos últimos dias propuseram temas interligados. Isto é, eles têm coisas em comum. Provavelmente você notou. Se você se dá conta de que deveria permanecer uns dias mais no conjunto ou em alguns dos aspectos tocados, segundo o mesmo método, ou conforme outro que lhe pareça melhor, não hesite em demorar-se, sem pressa de ir adiante, para tirar maior proveito.

 

5 - REPOUSO E DIVERSÃO

Quem não descansa não vive. Não somos máquinas e até as máquinas se estragam e provocam acidentes por "fadiga de material". Algumas pessoas, no entanto, vivem com uma constante sensação de cansaço e não sabem repousar. Outras, pelo contrário, parece que nasceram cansadas!

Dê um tempo, esta manhã, para refletir sobre o que se passa com você. Para fazê-lo bem feito, começa se colocando na presença de Nosso Senhor, perguntando-Lhe o que Lhe parece:

•          Se o trabalho e o repouso estão bem proporcionados, atualmente, na vida que você leva.

•          Se você dorme o suficiente, ou se, por culpa própria, a qualidade de suas noites de sono não é boa.

•          Se você se encontra estressado, estressada, ou muito "mole".

•          Se suas diversões são boas ou medíocres, ou insuficientes.

Procure escutar também o que Ele lhe sugere na consciência. Mas cuidado! Não seja demasiado ingênuo, ingênua nessa altura! É fácil imaginar que Deus nos quer mais trabalhadores ou mais relaxados. Uma e outra coisa são questão de temperamento e educação. Procure, pouco a pouco, distinguir a voz do Senhor de sua própria voz. Para ajudar-se, volte a lembrar o que ficou dito no primeiro exercício preparatório.

No fim do dia, quer seja um dia feriado ou dia útil, retome o tema da manhã e volte a tratá-lo com Deus. É provável que, pela tarde, você não veja as coisas do mesmo modo que pela manhã... Tome o Evangelho e leia Mt 11,28-30. Se você perceber que lhe convém, saboreie um pouco este trecho da Escritura.

Você pode também dedicar um tempo a refletir sobre os meios que emprega para se distender: esporte, televisão, cinema, teatro, encontro com amizades, um momento de namoro com sua esposa, com seu esposo, etc.

•          O que está bem?

•          O que é melhor?

•          O que está deficiente, inadequado, incorreto?

Procure junto a Nosso Senhor graça para deixar de lado o que não convém, armando-se de meios para que esta sua eleição tenha bons resultados daqui para frente.

Nota: sempre pode acontecer, na vida de qualquer pessoa, um momento de inevitável reciclagem e é preciso saber assumi-lo. Mas também se deve providenciar para que não se alongue desnecessariamente.

 

6 - O MEU SENTIDO DO PALADAR

 Todo mundo conhece a lista dos cinco sentidos. Aqui proponho renovar e - quem sabe? - enriquecer o sentido do paladar.

Hoje mesmo, exercite-se em seu modo de aproveitar as refeições. Por causa da falta de tempo ou por outro motivo você "engole" a comida sem lhe prestar atenção, sem saboreá-la?

Talvez sua comida no dia-a-dia, não seja muito boa. Mas, do mesmo modo, seria bom aproveitá-la melhor. Conta Alexander Solyetsny que, na Sibéria, lhe serviam uma sopa que era quase uma água suja. No entanto, um dos presos tirava um paninho do bolso, forrava a mesa com ele, colocava o prato em cima e se punha a comer devagar, com uma impressionante dignidade. Para esse homem, a vantagem era dupla: ficava mais satisfeito e mantinha sua dignidade humana, num ambiente onde tudo tendia a embrutecer as pessoas.

Todos nós podemos, do mesmo modo, podemos fazer de cada uma de nossas refeições, uma pequena festa e um símbolo de nossa condição humana e cristã. Porque somos livres, somos chamados a viver e, ainda mais, a compartilhar a vida e o sabor da vida, com coração agradecido.

Por isso, muitos de nós, cristãs rezamos, antes e depois de comer, mais para agradecer do que para pedir alguma coisa. Assim o fazia o próprio Jesus, que o aprendeu em casa.

•          Você se reconhece neste quadro?

•          Você se sente longe dele?

•          Você abusa do alimento ou da bebida (alcoólica, ou refrigerantes, sucos)?

Saborear é algo sutil, gentil. Supõe colocar uma pequena porção na boca, mas sem excesso, para que o sentido não fique embotado.

Em sua casa, a comida é gostosa? É bem apresentada? É saboreada? É compartilhada gostosamente? Bebe-se e come-se de modo sadio e inteligente? Assim são educadas as crianças? O que você vai fazer, hoje, a este respeito? Confira, na oração, seus propósitos com Nosso Senhor: É assim mesmo que devo proceder?

De tarde ou de noite, hoje, repasse como você saboreou as refeições.

Além disso, você pode ampliar sua consideração. Falamos de gosto e bom gosto em relação a muitas coisas que nada têm a ver com comida:

•          Você tem bom gosto em se vestir, ainda que seja com muita simplicidade?

•          Você reconhece, facilmente, o que é belo, agradável ao olhar, ao ouvido, ao sentido do olfato?

•          Você se detém para agradecer?

•          Você cultiva seu bom gosto segundo os meios de que dispõe? Com música variada? Com boas leituras? Escolhendo os bons programas de TV?

•          Você ajuda os seus a cultivar o bom gosto? Bendiz a Deus por ser capaz de saborear, de gostar. Pede-Lhe a graça de viver:

•          Com gosto.

•          Com disciplina do gosto.

 

7 - MEU MODO DE ME RELACIONAR

 Se você quiser, podemos olhar este aspecto da vida em duas etapas. Hoje, vamos considerar as suas relações mais chegadas: na família.

Como andam suas relações com seus pais, sogros e sogras, genros e noras, esposo ou esposa, irmãos e irmãs, filhos e filhas, e outros parentes?

•          Como, nos seus melhores momentos, você sonha que sejam estes relacionamentos?

•          O que falta de sua parte?

•          Observe se este momento de reflexão, diante de Deus, enche seu coração de recriminações contra os outros.

•          O que segura você no que não funciona bem nas suas próprias atitudes?

Ponha-se diante de nosso Pai e seja sincero. Não se trata de se flagelar mentalmente pelo mal que você sente ou pratica, nem de se irritar contra os que, segundo sua opinião, fazem você perder o bom humor. Trata-se de conhecer e reconhecer - com a graça de Deus - a verdade, para ir melhorando esses relacionamentos sem demora, antes que piorem ainda mais. Se forem, pelo contrário, muito boas, trata de agradecer por elas e se prevenir para cultivá-las.

Você tem de responder por você, e não pelos outros, a menos que sejam crianças.

No dia de hoje, parece haver alguma coisa a falar ou calar, fazer ou deixar de fazer para manter e até melhorar esses relacionamentos, ou um deles?

Ao terminar o dia, em clima de oração.

•          Você pode celebrar alguma coisa boa que tenha acontecido em seu relacionamento com a família? Agradece!

•          Se não, o que faltou?

•          Você está decidido, decidida a dar um passo adiante?

•          Quando? Como?

Procure ter presente que todos temos defeitos e que ninguém exige de você ser uma pessoa sem faltas. Porém quem não ama, quem se nega a amar, em nada se aprece com Jesus Cristo e, além disto, desgosta os seus semelhantes e lhes faz a vida mais dura.

Seria isto o que você quer?

Não é para acreditar! Segue adiante sem preocupar-se se lhe vão corresponder ou não. Deixe isto nas mãos do seu Senhor.

 

8 - O MODO DE ME RELACIONAR 

 Se você fez bem o exercício de ontem e ficaste em paz, podes considerar, nesta manhã, seus relacionamentos fora do meio familiar. Podem ser mais ou menos numerosas: vizinhança, pessoal do trabalho, amizades, pessoas da comunidade, pessoas que você encontra nas compras, nos serviços... Há muita sabedoria no ditado não tão próximo que te queimes, não tão longe que te resfries. Devemos nos interessar pelos que nos rodeiam e, inclusive, como cristãos, pelos que estão distantes de compartilhar nossa condição de vida. Mas não temos que nos intrometer na vida alheia. Por isto há que saber escutar, dar tempo, mas também saber nos fazer surdos para não sermos indiscretos nem darmos confiança a falatórios. Aqui intervém o sentido da audição, para o bem ou para o mal.

•          Como você está vivendo seus diversos relacionamentos fora da família? Pede ao Senhor que lhe dê objetividade neste olhar.

Um campo especial, mas não único, de sua atenção: seu relacionamento com pessoas do outro sexo:

•          Você percebe que, nestes relacionamentos, em cada um deles, nada há de censurável? São positivos?

•          Ou você se percebe com atitude agressiva? Ou defensiva, fechada? Ou distante? Ou frívola, irresponsável, sem equilíbrio, imprevisível, contraditória?

•          O que as pessoas dizem (aberta ou discretamente) a este respeito?

•          Pensando bem e friamente, como se se tratasse de outra pessoa, você acredita que elas têm razão ou sentes que não deves partilhar do critério delas?

Fale de tudo isso com Nosso Senhor, em particular se existir alguma coisa de censurável:

•          Quando você vai começar a pôr ordem no que estiver desordenado?

•          Que atitude você vai adotar hoje mesmo?

Quando você voltar para casa, de tarde ou de noite, volta ao mesmo tema:

•          Nos relacionamentos de hoje, tudo correu a contento?

•          Pode Jesus estar satisfeito com você hoje? Se for assim, partilhe e alegre-se com Ele.

•          Caso contrário, o que está acontecendo?

•          O que é preciso que você mude? O que lhe custa enfrentar?

Peça a graça que você vê que está precisando. Mas tenha presente que pedir a graça sem querer mover um dedo é ilusão. Se há problemas, há também quem possa ajudar a superá-los. Procure os meios. Pede a Nosso Senhor que inspire sua procura...

 

9 - MINHA ATITUDE DIANTE DO TRABALHO

Se você é estudante, pense que o estudo pode e deve ser levado como um trabalho, com empenho. Dias atrás você estava rezando em torno do repouso e diversões. Agora, sinta-se convidado a rezar a respeito de sua relação com o trabalho. Você sabe, sem dúvida, que se pode dar uma enorme variedade de percepções sobre o trabalho: aborrecimento, susto, tensão, confusão, desgosto, interesse, gosto, paixão... Depende muito do tipo de trabalho que cada um tem e se se sente preso a ele, sem ter escolha.

Em todo caso, em qualquer tipo de trabalho, há muito espaço para a rotina e a monotonia. E também espaço para solidariedade, serviço, alegria. Reflete na presença de Deus, que se fez homem e trabalhador:

•          Como você vive o trabalho?

•          Quando você pensa no seu trabalho, o que lhe ocorre em primeiro lugar:

o          Os chefes? Os companheiros?

o          O pagamento? Por que é muito ou por que é pouco?

o          Risco de perder o emprego? Por culpa própria? Por fatores que não dependem de você?

o          A tarefa ou encargo que lhe cabe?

o          O que você precisa fazer?

o          O próximo feriado?

Tudo isto pode ser muito revelador, mas não é a última palavra: você pode progredir. Você já evoluiu alo longo dos anos e das várias ocupações.

•          Entre os maníacos de trabalho e os que não se importam, onde você se situa?

•          Com que seriedade ou irresponsabilidade você desempenha seu trabalho?

•          Com que competência?

Talvez ajude falar com alguém conhecido ou da sua família...

Pode acontecer, também, que você necessite de uma ajuda profissional para não abusar de suas forças e vir a adoecer. Se for assim, procure logo esta ajuda, sem demora! Do contrário você vai sofrer e as pessoas a seu redor também.

Mas, agora, na oração, fale de sua situação - agradável ou penosa, boa ou má - a Nosso Senhor. Não esqueças que Jesus foi trabalhador muito modesto até os trinta anos de idade e que Ele disse: Meu Pai trabalha sempre, e Eu também trabalho (Jo 5,17). Quando chegou o momento em que deva realizar a missão recebida do Pai, não se prendeu aa oficina de Nazaré. Partiu para o que parecia ser uma aventura cheia de riscos.

Deixa brotar o que você tem vontade de Lhe dizer!

Talvez seja o caso de que você esteja desempregado ou impedido de trabalhar. O que daria uma longa conversa com o Senhor, não é verdade? Quem sabe para dizer-Lhe sua raiva, impotência e pedir ânimo, oportunidade, inspiração.

Também seria bom pedir que corações se abram, que surjam oportunidades...

No fim do dia, percorra, tranqüilamente as horas trabalhadas (ou as longas horas sem trabalho!): sua oração desta manhã influenciou o modo pelo qual você passou o dia?

Porque se trata disto, como espero que você tenha se dado conta: a vida espiritual não é uma superfluidade. É a vida inteira passada no Espírito, sob a ação do Espírito Santo do Pai e do Filho, Jesus. Por isto rezamos e não por passatempo ou para "adoçar" as coisas.

Justamente este poderia ser o tempo propício para avaliar, não só o dia que termina, mas também o que você percorreu desde que você começou estes "Pequenos Exercícios". Não se trata de uma avaliação autocentrada, narcisista ou deprimente, mas de ponderar, diante de Deu, o que foi realizado:

•          Vale à pena?

•          Você procedeu bem? Ajuda reler a "introdução prática".

•          Está aproveitando?Outras pessoas perceberam progresso?

É pouco provável que tudo tenha saído bem. Deve haver algum tema que tocou menos a você. Outros que lhe deram mais trabalho. Sobre estes últimos vale à pena voltar por alguns dias mais.

Talvez, para responder a essas perguntas e avançar com mais seriedade seria bom conversar a respeito com alguma pessoa de confiança. Quando vai ser possível?

 

10 - MEU MODO DE OUVIR E DE FALAR

 Toda conversa se passa entre duas ou mais pessoas. Todos sabemos disto, mas, às vezes, na prática, nos esquecemos. Como quem poderia dizer: Desculpe, não sei do que você está falando porque estava pensando no que eu responderia.

Hoje de manhã, pense um pouco em como você escuta e quando fala. Quem escuta pouco aos outros, também escuta mal a Deus no coração. Quem aprende a escutar, progride tanto na oração como no encontro com os demais.

Se a você custar ouvir, você pode aprender alguma coisa com esta experiência.

Assim, então, qual é a qualidade de sua escuta e de suas palavras:

•          No casal?

•          Com os filhos?

•          Com os colaboradores, companheiros, colegas?

Noutro dia, você rezava a necessidade de ouvir e, pelo contrário, de fechar os ouvidos, em certas circunstâncias. Hoje não só tratamos de ouvir, mas de escutar positivamente, dando atenção.

•          Você percebeu que, para escutar, é preciso ter silêncio interior?

Quem está com a cabeça cheia de pensamentos mesquinhos, ou de música estridente ou demasiado envolvente, quem está cheio de preocupações dificilmente pode dar espaço ao que outros dizem: não quer ouvir!

•          Você está, muitas vezes, entre os que não querem ouvir?

•          Ou dos que, por um exagero para o lado contrário, não se decidem a falar quando é oportuno?

Reza por um momento sobre este assunto e prevê qual vai ser sua atitude no dia de hoje, sobretudo se você está diante de uma situação delicada ou na família, ou no trabalho, na escola, na comunidade...

De noite, antes de dormir,

•          Na presença de Deus, procure cair em conta se você foi bem na arte de escutar e de falar no dia de hoje.

•          Talvez ajude imaginar uma conversa na casa da família de Nazaré.

•          Ou a conversa que Jesus teve com seus discípulos, como lembra Jo 1,36-39.

•          E pode ser muito bom, agora mesmo, que você escute alguém ou lhe expresse alguma coisa importante com amor.

 

11 - MINHAS IRAS E MINHAS RESIGNAÇÕES

 Quem não tem momentos de aborrecimento, irritação ou de revolta? Quem nunca se cansou de se empenhar por alguma coisa melhor? O interessante, para cada um de nós, é tomar consciência do que causa fastio, do que causa esmorecimento, do que causa revolta...

Notemos que Jesus mesmo se aborreceu, segundo os evangelistas, pelo menos umas duas vezes: diante da dureza desumana de certas pessoas (Mc 3,5) e diante da corrupção do culto em Jerusalém (Mt 21,12-17 e paralelos). Podemos pensar, então, que nem todo fastio é pecado. Talvez convenha distinguir ira de indignação. Jesus teve justa indignação, mas não raiva ou ira.

Também vemos, no Evangelho segundo São João que Nosso Senhor não se dobrava diante da má vontade de seus adversários e, contudo, sabia retirar-se oportunamente. Do mesmo modo, no Horto das Oliveiras, no Getsêmani, não consentiu facilmente ao que o ameaçava, mas, percebendo na oração o que estava em jogo e, uma vez preso pelos inimigos, soube levar admiravelmente os maus tratos e humilhações de sua paixão (Mc 14,32-49 e lugares paralelos). Resignar-se fora de hora, quando temos de fazer alguma coisa ainda, é covardia. Mas, na hora certa é um grande ato de coragem.

Tome agora um momento para

•          Meditar sobre as atitudes de Jesus aqui mencionadas.

•          Ou procure observar nos momentos em que você se altera ou perde o ânimo. Pode até acontecer que seus momentos de desânimo lhe causem aborrecer-se e, depois, entregar os pontos, caindo num círculo vicioso.

•          Fale sobre estas situações difíceis com Jesus ou com o Pai. Coloque tudo sob os olhos amigos deles e deixe que eles lhe ensinem a você como superar melhor coisas assim com sabedoria. Sobretudo se você está, a maior parte do tempo, aborrecido, aborrecida e com freqüentes altos e baixos!

•          Procure prever o que pode acontecer hoje e se dispor a reagir o melhor que você possa, diante dos acontecimentos que afetarem a você.

À noite, veja como você passou o dia:

•          Sem você se deixar levar por aborrecimentos, sem altos e baixos?

•          Houve algum problema e sua reação foi justa? Agradeça!

•          Mas sua reação foi destemperada? Agora, já com maior tranqüilidade, volte o examinar a situação na presença do Pai ou de Jesus, sem se irritar contra você próprio, você própria nem se entregar ao desencorajamento. Mas com humildade de quem quer aprender atitudes mais apropriadas e oportunas.

Há no Evangelho uma cena que parece uma caricatura e que talvez possa ser de ajuda para você. Um dia, Jesus mandou alguns discípulos pedir hospedagem para ele e seu grupo. Por qualquer mau motivo, não os quiseram receber. Então, Tiago e João, furiosos, pediram permissão para ordenar que baixasse um fogo do céu sobre essa gente. Como reagiu Jesus? Advertiu-os com humor e foi a outro povoado, continuando sua missão (Lc 9,52-56).

•          Qual teria sido sua reação, se você lá estivesse?

•          Você sente desejos de acolher, sem perder as estribeiras ou sem desencorajar-se, os acontecimentos que não dependem de você? Acredite que Deus saberá tirar proveito de tudo isto, sem que você perca sua liberdade. Ele está com você nestas situações de risco. Passando por elas, em companhia dele, você se sentirá com maior segurança, tranqüilidade e, provavelmente, com maior criatividade.

 

12 - VERDADE E MENTIRA

 Desde pequenos, temos surpreendido gente mentindo. Às vezes até nossos pais. Isto nos chocou e, ao mesmo tempo, ensinou-nos a fazer o mesmo. Claro que, com a idade, deveríamos ter aprendido a distinguir o que é mentira inocente, como uma piada, uma brincadeira para aliviar e sorrir, e uma coisa grave, porque fere a relação com os demais e, tarde ou cedo, a confiança interpessoal e pública. Talvez, quando adolescentes, chegamos a crer que íamos ser absolutamente sinceros, autênticos, verídicos, até descobrirmos que não se pode dizer a verdade nua e crua. Em suma, cada qual tem de fazer-se responsável pela verdade e manejá-la com prudência, sem mentir nem se mentir.

Hoje, nesta manhã, portanto, tome um tempo para refletir em torno desta questão, pedindo a Deus Nosso Senhor que lhe dê bastante luz para que você descubra qual é sua atitude de fundo quanto à verdade.

•          Você a aceita? Ou a nega?

•          Você a oculta? Por temor? Por interesse?

•          Você a manipula, querendo atingir objetivos seus?

•          Você a ventila a tempo e fora de tempo?

•          E, concretamente, quais destas possibilidades você pratica?

Prepare-se hoje para ser muito leal à verdade e às pessoas. Prepare-se, igualmente, se for o caso, para reparar alguma mentira sua que causou prejuízo a alguém. Caia na conta que mesmo uma "mentira social" provoca, quando descoberta, uma desconfiança: Ele me disse que não estava em casa, e estava. Desta vez, será que ele está sendo sincero? Ou prejudica seriamente a inocência: Mamãe, escreve aqui uma mentira das que você inventa para que eu não vá a aula hoje! São também mentiras que causam dano: acusações falsas, exageros sobre faltas e defeitos de alguém, dizer coisas para encobrir uma injustiça...

Nem quero pensar que você esteja instalado numa situação de mentira, uma mentira continuada. Isto seria grave e você teria de fazer das tripas coração para escapar logo deste beco sem saída e "fazer verdade": A verdade vos tornará livres (Jo 8,32; ver também Jo 3,20-21)

No tempo da tarde ou da noite, observa se sua vigilância foi eficaz:

•          Você foi verídico sem agredir?

•          Você foi tolerante sem mentir nem aderir à mentira de outras pessoas?

Dando-se conta de que este assunto é demasiado importante para que você passe rápido demais por ele, mantenha-o em foco por alguns dias, a fim de poder progredir. Em seguida, você pode ir adiante.

 

13 - O RUMO DE MINHA VIDA

 Uma ocasião isolada pode ser boa ou má, formosa ou feia, sem comprometer, necessariamente, o futuro. As atitudes mais permanentes, estas, sim, comprometem o futuro. Os exercícios anteriores podem lhe ter parecido uma mistura sem continuidade e coerência. Ou, pelo contrário, podem lhe ter causado um desejo maior de um ajuste geral, porque você se deu conta que não tinha uma orientação muito clara. É preciso reconhecê-lo: muita gente vive sem nunca ter feito uma opção fundamental. Dizia um autor em tempo de ditadura: A liberdade não desapareceu, mas nós a temos guardada no colchão.

O que seria uma liberdade que não se exerce? Uma pessoa não é livre se é como uma biruta de aeroporto, girando ao sabor dos ventos ("ventos" de prazer, de medo, de violência, de decepção, etc.). A liberdade se perde também se é "trancada" pela "oxidação" provocada pelo desuso.

Cada ser humano nasce livre, mas precisa exercer sua liberdade, treinando-a, empregando-a, libertando-se e tornando-se, assim, uma pessoa livre. Nesta manhã, pense, diante do Pai do céu:

•          Em que você tem empregado, investido sua liberdade?

•          Você a está usando para algum ideal?

•          Por quê?

•          Sua opção de "investimento" vale, realmente, à pena?

Talvez você sinta que tem pouca margem de liberdade. Contudo, mesmo um prisioneiro pode ser, interiormente, livre e viver algo de magnífico. Com maior razão os que temos liberdade de ir e vir.

•          O que você faz para que haja mais felicidade em seu redor, mais justiça, respeito, solidariedade, esperança?

•          Estes são temas maiores, mas o que você, hoje mesmo, pode fazer ou deixar de fazer? Peça a graça de querê-lo e fazê-lo.

Novamente vai chegando a tarde e o fim do dia

•          As perguntas de hoje de manhã foram lembradas durante o dia?

•          Mudaram em alguma coisa suas atitudes?

•          Produziram alguma coisa de bom?

•          Você percebeu seu dinamismo interior?

Fale, de verdade, com seu Senhor. Se você acredita que seria útil, anime-se a confrontar seus desejos, ou falta deles com alguém de confiança, pois dois vêem melhor que um sozinho.

 

14 - PENSO, ALGUMAS VEZES, EM MINHA MORTE

 Não vou sugerir que você imagine sua morte, mas que tome a sério que sua vida na terra tem um limite: desconhecido, mas infalível. Para ficar triste? De nenhum modo! Mas para que você pense em encher a sua vida de beleza, enquanto há tempo. Qualquer pessoa sadia deseja deixar algum rastro atrás de si, e prefere ser recordado como alguém bom. Não necessariamente como alguém solene e destacado, talvez como uma pessoa muito simples, mas gente humana de verdade.

Só que alguma pessoa pode esquecer-se deste anseio e jogar fora a vida.

Também pode acontecer que alguém gire em torno a si mesmo e deixe uma lembrança de egoísmo, de egolatria.

Felizmente, há outro caminho: ser uma pessoa consistente no amor que dá. Não nos parecemos com Deus quando vivemos para nos regalar e ser bem cuidados, mas quando saímos de nós mesmos e nos entregamos aos demais e os acolhemos.

Talvez seja esta justamente sua opção de vida e que você assim viva de modo conseqüente, apesar de suas limitações. Se for assim, nesta manhã, não caia na armadilha de dar parabéns a você mesmo, você mesma. Que sua alegria se volte para a Fonte profunda, que há em você. Como a Virgem Maria, diz alguma coisa parecida: Minh'alma engrandece o Senhor!

Mas se aparecer a sua consciência o peso de levar uma vida insignificante, ou confusa, ou ambígua (e quem escapa de toda ambigüidade?) então pede a Deus coragem de se arrepender e desejar corrigir seus rumos. Comece a pensar, seriamente, em como.

Se você tem feito estes exercícios até aqui, então você está fechando um ciclo. Sempre é possível que você volte atrás, se verificar que alguma coisa de importante ficou pendente. Depois de pedir a graça de ver com clareza, dê um tempo para ver se você deve prolongar esta fase de pôr em ordem a própria vida. Mas não se perca em pormenores! Agora ou em poucos dias a mais, convido você a dar um passo rumo a outra etapa, mais decisiva e que deve ser de maior proveito: você vai olhar para Jesus olhar-se no espelho da vida. Disponha-se a receber mais luz d'Ele e a seguí-LO.

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2º PARTE: MEU ENCONTRO AFETIVO COM JESUS CRISTO

 

15 - O DEUS DE JESUS: EU CREIO NELE?

Jesus disse: Quem me vê, vê o Pai (Jo 14,9), porque o Pai e eu somos um (Jo 10,30). São Paulo confirma que Cristo é a imagem de Deus invisível (Cl 1,15).

Agora, lembre-se de como Jesus lavou os pés dos seus discípulos. Imagine-o de joelhos diante deles. Melhor, diante de você! E reflita:

•          Que imagem de Deus se põe diante dos seus olhos, depois deste momento?

•          Não surpreende? Não contraria sua idéia anterior de Deus?

Jesus também disse: Não vim para ser servido. Mas para servir e dar a vida em resgate da multidão (Mc 10,45). Nisso também Ele é a imagem do Pai. Procure dar-se conta do que isto tudo significa.

Em outro lugar, Jesus disse: Pai! Tu os amaste como me tens amado (Jo 17,23). Isto é: amou a seus discípulos, a todos nós, a você e a mim, porque Jesus está rezando por todos aqueles que hão de crer em mim (Jo 17,20). Ele já havia declarado: Deus não enviou seu Filho ao mundo para julgá-lo, mas para que o mundo se salve por Ele (Jo 3,17).

•          Você observou e ponderou o que Ele diz: como me amou?

•          Você acredita que Deus ama você?

Outra vez insiste São Paulo: se Deus está a nosso favor, quem haverá de estar contra nós? (Rm 8,31). Deus esta a seu favor, a meu favor, a nosso favor, até mesmo para nos defender, mediante o Espírito Santo, inclusive contra nós mesmos, que tão facilmente nos enganamos e nos acusamos.

Releia essas várias expressões das Escrituras. "Rumine-as" devagar. Combine-as em sua mente. Deixa que desçam a seu coração.

Era isso o que tinha permanecido do seu velho catecismo, de sua primeira catequese?

Não digo que o que você aprendeu era falso, mas - quem sabe? - com que ênfase ficou impresso em sua memória? Aceite reavaliá-lo.

Talvez você perceba que o que você acaba de meditar contraste com as idéias e imagens corrente acerca de Deus: o Ser Supremo, O que está lá em cima, uma Energia... Tudo isto expressa alguma coisa de verdadeiro, mas ainda é pouco. Jesus, com sua autoridade de Filho, mudou profundamente a idéia que fazíamos de Deus. Muitos de nós ainda não nos demos conta deste fato. E você?

Lembre-se que você crer no Deus de Jesus Cristo é, fundamentalmente, colocar n'Ele sua confiança. Não em crer isto e mais aquilo a respeito d'Ele! Pode-se raciocinar sobre o que se crê, pôr em ordem os conteúdos da fé. Às vezes é preciso fazê-lo. Mas não é esse o primeiro passo nem o mais importante.

•          Você confia no Pai de nosso Senhor Jesus Cristo? No Deus de Jesus Cristo?

•          Você se confia a Ele?

•          Em que você nota que se confia mesmo?

Não esqueça o tempo de oração mais para o fim do dia! Espero que você tenha adquirido o ritmo e não vou ficar lhe recordando toda hora. Você poderia, se lhe parecer bem, olhar de novo o segundo exercício prévio e tomar consciência de como você está avançando. Mantenha o coração aberto à Palavra da Vida, a Palavra do Senhor.

 

16 - FAÇA-SE A SUA VONTADE

Será que alguma vez você não sentiu repugnância em dizer a Deus: Faça-se a vossa vontade? Você refletiu por que isso? Pense um pouco no assunto.

Agora leia:

Dizemos, no Pai Nosso, a Deus: Seja feita a vossa vontade. No entanto, muitas vezes, esquecemos que acabamos de dizer: Pai nosso; do mesmo modo que Jesus ensinou e entendia: Meu Pai, Pai bom, Pai santo. Então devemos compreender o que dizemos: Seja feita a vossa vontade de Pai amoroso. E não, como pode ter acontecido muitas vezes, rezar vendo a vontade do Pai como alguma coisa que nos contraria em tudo, que é detestável. Por exemplo: um dente me dói muito, então que "seja feita a vossa vontade"; me deram um trabalho tremendo: "que seja feita a vossa vontade"; tenho um chefe ou um patrão terrível: "que seja feita a vossa vontade". Já vimos que só se pode pensar assim quando não há outro recurso, senão nos resignarmos. Porém, outra vez, vamos pôr as coisas nos seus devidos lugares!

Disse Jesus: A vontade daquele que me enviou é que eu não perca nenhum dos que Ele me deu... A vontade do meu Pai é que todo o que vê o Filho e n'Ele crê tenha a vida eterna e que Eu o ressuscite no último dia (Jo 6,39-40). Por isso líamos em outra parte do Evangelho: Deus nos enviou Seu Filho ao mundo não para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele (Jo 3,17). Esta é a vontade de Deus. Para que cooperemos neste projeto de amor, Ele nos deu a liberdade. Quando ela foi prejudicada pelo pecado, Ele a restaurou em Jesus Cristo: Para que fôssemos livres, Ele nos libertou em Cristo (Gl 5,1).

Os mandamentos, os sacramentos, a oração, as boas obras e tudo o mais está a serviço deste projeto, para que, amando-nos uns aos outros como Cristo nos amou (Jo 13,34) e celebrando o dom extraordinário que Deus nos faz, não fiquemos como tontos disputando uns com os outros para conseguir defender o que Ele nos deu de graça, isto é, que tenhamos vida e a tenhamos em abundância (Jo 10,10). Mas que o mundo fique sabendo e compartilhe conosco desta plenitude de vida.

•          Você reconhece que por aí vai a vontade de Deus?

•          Você está contente em reconhecer esta vontade de Deus?

•          Você quer cooperar para que seja feita a vontade de Deus?

Então, fale com Ele de sua adesão, de sua vontade de estar com Jesus na obra do Pai.

Talvez você queira pedir a intercessão da Virgem Maria, que tão bem soube acolher a vontade de Deus.

 

17 - CRIADOR DO CÉU E DA TERRA

 Você sente que as coisas ou o cuidado com as coisas afastam você de Deus? Mas não poderiam também aproximar você d'Ele? Como?

Desde que Jesus esteve entre nós, devia ter ficado claro que - graças a Ele e n'Ele - estão unidos céu e terra, o mundo espiritual e o mundo corporal. Contudo, nós voltamos a separá-los em nossa mente e em nosso comportamento.

Não tem faltado quem assim faça, até o ponto de atribuir a criação do mundo sensível a outro deus, um deus malvado. Por medo do pecado (ou será por medo da vida?) tem havido cristãos que tem pretendido afastar-se sistematicamente deste mundo e desprezar tudo o que é "material", inclusive o amor humano. Veremos que Jesus nos ensina a não sermos prisioneiros do mundano, do material, do sensível, a não fazer dele nosso ídolo. É, porém, em nosso corpo e neste mundo onde temos de nos santificar, tornando-nos parecidos com Jesus de carne e osso, que nos é apresentado nos Evangelhos.

No começo do Creio, rezamos: Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra. O Livro de Gênesis, capítulo 1 quer, exatamente, nos educar para a celebrarmos toda a criação. Por isso usa este refrão, dando força a sua linguagem poética e sapiencial: Viu Deus que era bom; culminando quando, depois da criação do ser humano, homem e da mulher, canta, desta vez: Deus viu que era muito bom!

Você pode lê-lo em sua Bíblia (Gn 1,1-2,4).

Em todo o caso, não duvide em celebrar, agora mesmo, todas as criaturas que estão a seu alcance ou que conheces indiretamente (pela mídia, livros, etc.).

Celebra também o belo e o bom que, graças aos recursos colocados por Deus a nossa disposição:

•          Temos criado nós, homens e mulheres;

•          Você mesmo criou!

Na Missa, a oração eucarística número 1 diz: Por Cristo nosso Senhor (...) segues criando todos os bens, santificando-os, vivificando, bendizendo e repartindo entre nós. Oxalá estas palavras possam orientar um momento seu de oração agradecida.

Você poderá também saborear, esta tarde ou em outro momento apropriado, este belo trecho do Livro da Sabedoria (Sb 11,24-12,1):

Amas (Senhor) todos os seres e não aborreces de nada do que criaste,

Pois se odiasses alguma coisa, não a criarias.

E como algo permaneceria se não o quisesses?

Como se conservariam, se não a tivesses chamado a existir?

Mas Tu com todas as coisas és indulgente,

Porque todas são tuas e amas a vida,

Pois Teu Espírito incorruptível está presente em todas elas.

Celebre, então, de novo a bondade das coisas que estão aqui para servir também a você!

 

18 - PEDIDOS E GRATIDÃO

 Ontem, você teve ocasião de admirar a obra de Deus e, suponho, de dar-Lhe graças por ela.

•          A gratidão é uma atitude freqüente em você?

•          Gratidão para com os demais?

•          Gratidão para com Deus?

De início: a petição é uma forma de oração necessária e recomendada por Jesus. De fato, é como uma pá ou enxada que afofa a terra para semente da gratidão vir a dar bons frutos. Mas não a ponha, agora, em primeiro lugar. A nós, seres humanos, a pessoa mal agradecida nos entristece com seus pedidos. Pelo contrário, num clima de reconhecimento, é fácil pedir e dar.

Para pedir como convém a Deus, começa, então, por reconhecer o abundante bem que Ele lhe tem feito. Não duvide em começar agora mesmo, recordando o que de bom você tem passado e o que de bom tem permanecido.

Talvez, para concluir este momento de oração, você possa se inspirar na gratidão de Nossa Senhora: Minha alma engrandece o Senhor... Exprima-se como quem "põe nas nuvens" a quem aprecia.

•          Se lhe custou, procure em outro momento ou ainda agora, examine o porquê desta dificuldade.

•          Não está você com uma visão mais para negativa da vida?

•          Ainda o que sofre é posto à prova, faz muito bem sair do círculo vicioso que parece fechado em torno dele, dela. O mundo e a vida apresentam muitas possibilidades para seguir adiante com sentido. Um sentido possível com a graça de Deus é alegrar-se com a alegria dos outros!

Agora, depois de agradecer, você pode, pela tarde, ou talvez melhor, amanhã, dedicar outro tempo aos pedidos. Mas fique atento! Não caia no erro de que fala São Tiago: pedimos mal, porque pedimos para satisfazer nossos caprichos (Tg 4,3), e assim nos parece que Deus não nos atende. Ele sempre atende, mas do jeito bom e sábio d'Ele, e não do nosso jeito, tantas vezes equivocado! Se conseguíssemos o que pensamos ser "benefício", na verdade estaríamos ganhando um "malefício".

Recorde também: Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas a seus filhos, quanto mais o Pai dos céus lhes dará o Espírito Santo aos que pedirem (Lc 11,13). Peça, portanto, o Espírito Santo ao Pai e o deixe atuar. Logo tudo se encaixará no seu louvor e na sua petição.

Repasse no coração a segunda parte do Pai Nosso. Ela vai ajudar você a ir ao essencial, para o seu bem e o de todos nós:

•          Seus pedidos habituais estão conformes com o que ensina Jesus a pedir?

•          Você teria de fazer algumas correções?

•          Você reparou que estas petições estão no plural, em "nós, nos, nosso"? Será que sua oração não está muitas vezes no singular, em "Eu, me, mim"?

Agora, com o coração mais em ordem, peça o que lhe parecer melhor!

 

19 - DAR E RECEBER

 Prolongando a oração de ontem, nesta manhã, presta atenção a estas duas atitudes: a criancinha que acaba de vir ao mundo, ainda nada tem para dar - ainda que seja, ela mesma, um presente! - mas tem de tudo receber para continuar vivendo! Deste modo, o primeiro é receber: uma pessoa recebe seu corpo, seus olhos, a cor dos seus cabelos... toda uma herança genética. E, para além de seus pais, quem crê reconhece Deus, que dá o ser a toda criatura e a condição de pessoa a todo ser humano. Como cristãos, recebemos na Mãe Igreja o batismo, a comunhão, a catequese, etc. Tudo isso sem ter merecimento, mas porque Deus é amor generoso. . A quem quisesse se orgulhar demasiado de suas qualidades, títulos e talentos, seria o caso de recordar-lhe as palavras de São Paulo: Que tem você que não tenha recebido? E se você recebeu, por que se gloriar como se não o tivesse recebido? (1Cor 4,7).

Portanto, tudo recebemos. Deus, o Pai, nos tem dado tudo em Cristo. Quando, porém, somos adultos, nossa atitude de crentes não consiste tanto em receber, quanto de doar, inclusive de doar-se. Isto é, de tornar-se fonte de algo novo, de criar...

Como numa corrida de revezamento, temos de passar adiante o que recebemos, e até melhorá-lo e aumentá-lo, enriquecendo a herança. Não tanto em bens materiais - às vezes inúteis e até prejudiciais - mas em qualidade de vida humana, solidariedade, santidade. Deus mesmo não se contenta com dar, mas se dá no Espírito Santo do Filho, que tende a nos igualar a Ele em nossa capacidade de amar. Não apaguemos o Espírito, nem o entristeçamos, como diz São Paulo (Ef 4,30), pois é Ele quem nos engrandece.

•          Que experiência você tem de que há mais felicidade em dar do que em receber, conforme a palavra atribuída a Jesus por São Paulo (At 20,35)?

Poderá ser útil retomar este mesmo tema da manhã, pela tarde, para ver como você o viveu durante o dia.

•          Você se sentiu mais inclinado, inclinada a dar do que receber?

•          E o que você recebeu, você acolheu com gratidão, disposto a não se apoderar do bem recebido, mas também colocá-lo a serviço dos demais?

 

21 - ABNEGAÇÃO, RENÚNCIA, POBREZA

 Temos visto e você meditou que Deus quer a vida e a quer para todos. Que Ele nos quer livres e felizes. Esta é a Sua vontade! Mas basta que olhemos em redor para nos darmos conta de que a preocupação de muitos em ser felizes gera muitos infelizes. E isto começa, às vezes, em nossa própria casa, não é verdade?

Esta observação prepara você para compreender algumas exigências do Evangelho. Não podíamos começar por elas, pois seria antipedagógico. Mas elas se fazem presentes, e não por um erro! Portanto vamos examiná-las, ainda que nos custe!

Chamando a multidão e a seus discípulos (ou seja, dirigindo-se a todos), Jesus disse: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la, mas quem perder a sua vida por mim e pelo Evangelho há de ganhá-la (Mc 8,34-35).

Quem cuida só de sua própria vida está perdido, perdida. Quem perde (segundo parece a muitos) a sua vida, gastando-a por Jesus e pela causa do Evangelho, isto é, para que se realize o projeto de Jesus e do Pai, o reinado de justiça e amor, essa pessoa se salva com todos, arrastando a muitos consigo para a Vida.

•          Você crê nesta palavra?

•          Qual é a sua experiência de perder vida para ganhar a Vida?

O próprio Jesus - e também os evangelistas - se aperceberam do tremendo impacto destas palavras. Por isso, em seqüência, lemos uma observação sábia e menos chocante, mas que não apaga a anterior: De que adianta a alguém ganhar o mundo todo, se vem a arruinar a própria vida?

Pode-se arruinar a própria vida, por exemplo:

•          Por um vício, uma dependência.

•          Por um endividamento incontrolável

•          Por levar o casamento ao fracasso

•          Por provocar um afastamento precoce dos filhos que não se atendeu devidamente, tão grande era a absorção nos seus assuntos e gostos particulares.

Ficam as perguntas:

•          Alguma coisa destas aconteceu com você?

•          Você sente o perigo de que venha a acontecer?

Sendo conseqüente com o que disse antes, Jesus assinalou fortemente o perigo de ser rico e a felicidade de ser pobre. Sobre o tema se têm escrito livros inteiros, porque é difícil de compreender. E somos tanto mais resistentes a esta palavra, quanto é maior nossa riqueza em algum tipo de bem.

O relato de Mc 10,17-27 é muito iluminador sobre esta questão, e você pode recordá-la e meditá-la com proveito.

A conclusão é evidente: só Deus pode fazer um "rico" ser "pobre", apto para Seu Reino. E Deus não o fará contra a vontade da pessoa. Deus não é violento. Pelo contrário, Ele é que padeceu a violência na Cruz!

Em todo caso, não se trata de renuncia por renunciar, mas de permanecer realmente livre de apegos para servir tal como Cristo. Se você maneja milhões, que seja em benefício de todos! Sempre a Igreja tem mantido que, ao lado dos que renunciam efetivamente a propriedade de bens (os chamados religiosos e religiosas), todos os demais cristãos devem desprender-se afetivamente, de coração, do que possuem. No final das contas, foi por algum bom motivo que o Filho de Deus viveu pobre morreu sem nada!

•          Pense, honestamente, na presença do Senhor, qual é a postura concreta que você tem tido na vida.

•          Examine se tem alguma coisa onde você deve evoluir. Pede a graça d'Ele e a coragem de não desperdiçá-la.

Esta questão voltará a ser colocada. Pode também dar lugar a uma ampla conversa e oração em família (ou em comunidade). Como você a proporia? Quando?

 

22 - NÃO JULGAR, NÃO JUSTIFICAR-SE

 Nenhum ser humano é plenamente justo diante de Deus. A inocência é sempre relativa. Ainda crianças, já temos malícia. Também parece ser um fato universal que tenhamos a tendência a nos autojustificarmos, e sermos severos com os demais. A não ser que tenhamos aprendido outra coisa, enquanto seguimos Jesus, manso e humilde de coração (Mt 11,29).

Você pode começar sua oração pela manhã com Mt 7,1-5, que transcrevo abaixo, dividindo-o em quatro trechos:

1.         Que vocês não julguem,

2.         Para não serem julgados. Porque com o juízo que julguem serão julgados. Com a medida com que medirem, serão medidos.

3.         Como pode ser que você repare no cisco no olho do seu irmão e não repare a trave que está no seu próprio olho? Ou como é possível que você diga a seu irmão: "Deixe que eu tire o cisco do seu olho"; enquanto você está com uma trave no seu próprio olho?

4.         Insensato! Tire em primeiro lugar a trave do seu próprio olho, e então poderá tirar o cisco no olho do seu irmão.

Detenha-se um momento em cada trecho. Que não suceda que, por entender rapidamente, você não se fixe naquilo que tem a ver com você, com seu comportamento, talvez com uma mudança por fazer!

Veja que não se trata de perder o bom senso e de sacrificar a capacidade de reconhecer o mau, o bom e o melhor (Rm 12,2). Podemos chamar as coisas e os fatos por seu nome: um roubo é um roubo; um crime é um crime. Não podemos, porém, julgar as pessoas. Se eu digo que alguém é um ladrão ou criminoso, na verdade ele não é só isso e pode mudar! O juízo definitivo pertence apenas a Deus e Ele não se precipita. Seu julgamento vem no final de tudo. Observe que Nosso Senhor nem sequer ao discípulo traidor julgou, ainda que muita gente pense o contrário. Jesus viu que o procedimento de Judas era mau e se lamentou porque o enxergava perdido, mas não o condenou (Mc 14,21).

•          Reflita qual sua atitude a respeito.

•          Será que não convém mudar seu modo de julgar e de falar de você mesmo?

Nesta tarde, não se esqueça de repassar o dia para cair em conta se a meditação desta manhã influiu hoje em sua relação com os demais. Conforme o caso, agradece, peça perdão ou peça, apresentando a Deus seu desejo de progredir amanhã.

Você também poderia (ou pela manhã, se preferir), considerar os textos seguintes:

•          Primeiro, o que acrescenta São Paulo: Nem sequer julgo a mim mesmo. É certo que minha consciência de nada me reprova, mas nem por isso me tenho como justificado. Meu juiz é o Senhor (1Cor 4,3-4). A verdade é que fica tão difícil para nós conhecer claramente os motivos mais profundos de nossas ações. Só Deus justifica, isto é, nos coloca na atitude verdadeiramente de filhos diante deles, de irmãos de todos e, então, como vimos, não temos de ter receio do juízo de Deus: Ele está por nós, quem estará contra nós? (Rm 8,31).

Temos de fazer o melhor que esteja a nosso alcance, iluminados pela Palavra de Deus, e confiar em Sua justa avaliação de Pai misericordioso. Você faz assim?

•          Segundo, continue por um tempo mais de oração, agora ou noutro momento, se lhe convém, considerando a famosa parábola do Juízo Final (Mt 25,31-46), para que você vá se compenetrando dos critérios de Jesus, que são os do Pai, aplicando-os sempre a você, nunca aos demais.

 

23 - MINHA FÉ

•          Você se considera com uma pessoa de fé sólida ou pouco firme?

•          O que faz com que você pense deste modo?

Desde o começo, tive a intenção de que você e eu estivéssemos suficientemente de acordo para não criarmos mal entendido entre nós a respeito de Deus. Infelizmente, sob a palavra "deus" pode ser colocada quase qualquer coisa. É bom lembrar o que diz o Apóstolo São Tiago: Você crê em um só Deus? Faz bem. Mas também os demônios crêem e tremem (Tg 2,19).

Simplesmente crer num deus único ainda não é ter a fé que salva. Em alguns batizados, quando se pede aos pais e padrinhos que declarem sua fé cristã, perguntando: Você crê? - a resposta é tão desanimada, tão confusa, tão ambígua, que o sacerdote hesita em continuar. E isto dói! Por outro lado, São João no seu Evangelho, prefere o verbo "crer" aos substantivos "crença" ou "fé", mais abstratos.

Crer é uma ação. E mais do que uma ação: é um compromisso e a fonte de todo agir cristão.

Proponho verificar se você realmente crê ou, melhor dizendo, deixar que Deus verifique a fé que você apresente. Para isso, eu convido você a repassar os artigos fundamentais do Creio, mas na ordem contrária:

•          Você crê no Espírito Santo, que unia Jesus ao Pai e os mantêm nesta Comunhão (comum + união)?

•          Você crê que este Espírito foi dado à Igreja e, por ela, a cada um de nós e a você também?

•          Você crê que a Igreja obedece, no fundamental, ao Espírito Santo, tendo sido sempre fiel na transmissão do Evangelho, apesar de composta de pecadores, como você e eu?

•          Você cuida de ser dócil ao Espírito Santo, que lhe entrega o Evangelho (ver Jo 16,13-15) e fala nos corações, libertando-nos do egoísmo?

•          Você crê em Jesus Cristo que, sendo mais humano do que qualquer um de nós, é Resplendor perfeito de Deus (Hb 1,3)?

•          Você crê que Ele é o Filho de Deus para que todos também possamos nos tornar filhos do pai e irmãos de todos?

•          Você crê que Ele é O CAMINHO e que não há outro caminho que seja seguro fora d'Ele, ainda que alguém se possa sentir muito bem em outros caminhos?

•          Você crê que, dando Sua Vida, Ele nos deu A VIDA?

•          Você, em conseqüência, crê que sua cooperação em fazer o mundo mais humano, ainda correndo os riscos que isso implica, é o que dá sentido e grandeza a sua existência?

•          Sua atitude concreta desmente os que você crê?

•          Você crê que Deus é nosso Pai (e Mãe, se você quiser) e que Ele é só AMOR?

•          Você crê que tudo o mais que d'Ele dizemos (Seu poder, glória, sabedoria, bondade, etc.) serve para amá-lo ou é irradiação do Seu AMOR?

•          Em conseqüência, você se confia a Ele no que quer e no que faz?

De certo, a experiência do mal nos questiona a todos e cada um de nós pode sofrer, em certo momento, uma dúvida radical. Mas que proveito tira disso? Para onde esta dúvida conduz?

•          Pode um bom pai tirar do seu filho o risco de viver?

•          Não seria isto lhe roubar a liberdade?

De fato, um bom pai acompanha o filho e permanece com ele nas boas e nas más horas. Do mesmo modo, Deus Pai esteve com Jesus na vida e na morte. É este o significado do que Jesus vivia e fazia, ainda mais de sua admirável Paixão (ver Mc 15,39) e sua Ressurreição.

Não hesite em conversar sobre todos estes pontos, uma e outra vez, ou com Jesus, ou com o Pai ou com ambos, pedindo a luz do Espírito Santo para querer e caminhar para a verdade plena.

Pela tarde ou à noite, revisando o dia, você poderá sentir desejo ou necessidade de insistir neste tema. Pode fazê-lo sem receio.

Tem cuidado de examinar também até que ponto o Creio dá forma a sua vida concreta. Algumas pessoas se defendem, dizendo: É difícil! Mas, vejamos, existe alguma coisa valiosa que se consiga facilmente na vida?

 

24 - MINHA ESPERANÇA

 A esperança é como o aspecto dinâmico da fé. Ela é a fé que olha para o futuro.

•          Como você olha para o futuro?

•          Com fé e confiança, mesmo nos momentos mais difíceis?

•          Com fé e confiança em você ou com fé confiança em Deus?

Não seja rápido em responder! Examine bem o que se passa.

A esperança não é um otimismo fácil, nem simples ilusão. Não descansa nas qualidades da própria pessoa, nem nos acontecimentos favoráveis. Descansa na promessa de Deus, promessa que sustenta a história verdadeira e orienta o nosso querer. O Novo Testamento e, em particular, São Paulo, rastreiam esta história e suas etapas já cumpridas. Em primeiro lugar, Deus se comprometeu com Abraão (Gn 17,1-8). Reiterou Sua promessa a Davi, precisando-a mais (2 Sm 7,1-16). Daí veio a espera do Messias, recalcada pelos Profetas. Os primeiros cristãos viveram uma etapa decisiva do cumprimento da promessa no dom do Espírito Santo (Lc 24,49; At 2). Mas este não é um dom que coloque ponto final na história, mas que torna possível uma história nova, melhor, com traços definitivos (este, por exemplo, é o tema da Carta aos Hebreus).

Nesta manhã, você poderia - e talvez em outros momentos de oração - aproveitar as passagens já indicadas da Sagrada Escritura. Mas sugiro que você se concentre em Rm 8. Como, possivelmente, o capítulo seja muito longo para a oração, destaco alguns versículos (Rm 8,1-2; 14-25; 28 e 38-39). Tome-os sem pressa e procure deixar-se tocar no que o Autor escreve:

•          Tanto para agradecer;

•          Quanto para deixar-se atrair para ir adiante:

o          Para o tempo que vem chegando;

o          Para a ressurreição futura.

Pela tarde ou à noite, outra vez, examine se o que foi meditado pela manhã influiu no modo como você pensou e agiu durante o dia.

Você poderá também verificar - e permitir que o Senhor verifique - a amplitude de sua esperança. Um cristão jamais pode esperar por si só, como não reza para si só o Pai Nosso. Na linguagem de Jesus, esperamos o Reino de Deus e lutamos para que o Seu reinado em favor de todos nós seja uma realidade na justiça com amor. Sabemos que esta é uma difícil tarefa, sempre a ser levada adiante. Mas, apoiados na promessa de Deus, nós cremos que Ele fará superar as resistências e, pelo menos, nos empenharemos para não somar obstáculos à fraternidade universal.

•          Qual é o seu compromisso com esse projeto de Deus em Cristo?

•          Para onde se dirigem concretamente seus esforços?

Ponha tudo à vista do seu Senhor e aceite receber, novamente, o influxo do Espírito Santo para o futuro imediato.

Em seguida, pergunte:

•          Como anda sua esperança na Ressurreição, na Vida que supera a morte? É difícil imaginá-la, mas não se trata, aqui, de imaginar, mas de crer, confiar e esperar no poderoso amor de Deus.

Você pode pedir à Virgem Maria que interceda por você, pois ela não desesperou diante da Cruz e acompanhou os discípulos na espera do Espírito Santo.

Mais ainda, peça a Jesus Cristo que atraia você para a Ressurreição d'Ele.

Termine com o Pai Nosso.

 

25 - MEU AMOR DE CARIDADE

 Que pena que as palavras mais belas tenham sido gastas de tanto mau uso! AMOR, hoje em dia, significa qualquer coisa. CARIDADE significa, há bastante tempo, uma esmola, às vezes bem mesquinha.

•          Você saberia distinguir um amor do amor; a caridade de uma pequena doação? Reflita!

Poderíamos preferir a essas palavras tão desgastadas, como alguns tradutores da Bíblia o fazem, o termo ternura? Ternura de Deus para conosco, os seres humanos, um verdadeiro carinho? Evitaríamos toda confusão?

Em todo o caso, o amor de caridade é algo que ultrapassa de muito ou os bons modos ou os sentimentos periféricos. Trata-se de uma paixão por Deus, por todos e cada um dos seres humanos, amor do qual A PAIXÃO do Senhor é o dramático relato. Esta é a mesma paixão pelo bem que o Senhor nos comunica no seu Espírito. Esse é o Espírito que a tradição cristã reconhece justamente como O AMOR que une o Pai e o Filho na Santíssima Trindade.

Para esta manhã, sugiro que você se limite, de novo, a uma só passagem da Palavra de Deus: 1 Cor 13. Tome cada versículo com paciência. Talvez, seja o caso de levar vários dias.

1.         Falar "em línguas", ter o dom da profecia ou conhecimentos assombrosos em ciências ou em religião, ter fé a ponto de transportar montanhas, repartir todos os bens ou queimar-se como um protestador suicida, tudo isto, sem AMOR, de nada vale. Podem ser apenas façanhas pessoais, cheias de orgulho e desprezo para com os demais, sejam fontes de rivalidade, inveja e ódio.

2.         São Paulo descreve A CARIDADE, O AMOR verdadeiro, à maneira de Cristo. Ele usa uma série de termos, uns positivos, outros negativos: A CARIDADE é muito ativa, mas evita tudo o que fomenta a rivalidade e a inveja, conforme o que o mesmo Apóstolo diz em outro lugar: Nada façam por rivalidade ou vanglória, mas com humildade, cada qual considerando os outros como superiores a si mesmo, sem buscar cada qual o seu próprio interesse, e sim o dos demais. Tenham entre vocês os mesmos sentimentos de Cristo (Fl 2,3-5).

3.         Por fim, São Paulo destaca a qualidade definitiva do AMOR, que não acaba nunca, que é, realmente, adulto e que supera a fé e a esperança. Como comentava São Bernardo, esse amor nos faz, senão iguais, pelo menos semelhantes a Deus. Pois Deus é todo amor, é todo dom. Um amor assim nos permite atravessar, como Jesus, o limiar da morte e entrar na VIDA.

Nesta noite, repassando as horas do dia, pode ser que você sinta muito afastado da descrição do amor de caridade na carta de São Paulo. Você não seria o único, a única! Deus sabe que leva tempo para nós todos, como pessoas, como comunidades e como humanidade toda crescer até a maturidade de Cristo (Ef 4,13). O que importa é caminhar na boa direção e não perder o rumo.

Talvez ajude recordar que o duplo mandamento de amar a Deus e amar o próximo é como um único mandamento (Mt 22,33-40 e paralelos). Porque não se podem amar um pai e detestar seus filhos, sem fazer sofre este pai amado. Nem se podem amar umas crianças e detestar a seu bom pai, sem fazer sofrer a estas crianças. Há pessoas piedosas que querem se contentar com o Primeiro Mandamento. Há gente atuante que quer se contentar apenas com o Segundo. Ambos os grupos erram a meta: o amor é unidade!

•          Que sucede com você a esse respeito?

•          Como você poderia avançar?

Mais globalmente:

•          Qual é o rumo que você sente que é o seu rumo concreto, dia após dia?

•          Rumo ao amor?u menos, como que desviado, perdido.

•          Se você se sente vacilante, contraditório em seu amor à família, aos demais, a Deus, peça que o Espírito Santo de Jesus renove e consolide a você.

 

26 - AJUDAR, SERVIR

 Disse Jesus: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir. Ele falava de si próprio. Servir, então, está, por assim dizer, incrustado no seguimento de Cristo. E ajudar é uma maneira de servir.

É fácil dizer e ouvir que devemos amar o próximo. Isto pertence à rotina do discurso cristão, com o risco de que ninguém o tome a sério. O que seria um desastre! Neste exercício e no seguinte, proponho que você considere e reze algumas formas de amor cristão, para que você possa melhor vivê-los, segundo suas possibilidades concretas.

Convido você a começar por tomar consciência do que, em sua vida atual, honestamente, pode ser chamado de ajuda ou serviço. Pode ser muito ou pouco. Pode ser em família, numa comunidade cristã, em outros ambientes... Recolhe sua experiência.

Jesus insistia: Quem quiser ser o maior entre vocês, seja o servidor de todos. Quem quiser ser o primeiro, se faça escravo de todos (Mc 10,43-44). Se tivermos os pés na terra, esta radicalidade nos assustará e poderá parecer irrealista. Contudo, não há dúvida, ela pertence ao centro do ensino de Jesus e Ele amarra essa palavra dito à sua paixão. Em concreto, servir nem sempre é heróico, mas sempre é necessário, especialmente para que almeja ser um líder servidor cristão. É necessário à felicidade dos demais. É necessário para fazer-se discípulo de Cristo. Por isso, dá pena ver tantas pessoas que se dizem cristãs e que jamais ou muito pouco servem, preferindo cuidar de serem bem servidas. Há também aquelas pessoas cujo trabalho pode ser encarado como um belo serviço, mas elas mesmas não o consideram assim.

Não se trata de julgar os outros, mas de aceitar ao olhar do Senhor sobre você mesmo, você mesma e seu modo de viver. Repara no olhar d'Ele para ver o que se passa com você.

Você poderia estar perdendo a própria vida por constituir sua pessoa o centro de suas atenções e cuidados. Tomara que não!

Você conhece e, sem dúvida, alguma vez utiliza como despedida a recomendação: Cuide-se! Pois bem, cristãmente falando, ela pode ser mais completa e substituída por: Doe-se! Entregue-se!

•          Você pensou em ajudar a outras pessoas a serem mais humanas, mais cristãs, mais felizes?

•          O que você tem feito nesta linha?

•          Você está fazendo, atualmente, alguma coisa assim?

•          Por sua família, emprego, voluntariado?

Uma antiga tradição concretiza e expressa este ajudar, servir nas obras de misericórdia corporal e espiritual. Uma lista inspirada ou recolhida de Mt 25,35-36, que já foi rezada por você, e em outras passagens dos Evangelhos. Talvez você se lembre facilmente de dar pão a quem tem fome ou vestir quem está nu, sem se dar conta das dimensões planetárias destas tarefas nos nossos dias, requerendo uma tradução política, publica (institucional, estrutural). Podemos tomar outros exemplos: aconselhar, corrigir, ensinar, consolar.

•          Quanto tempo você dedica às obras de misericórdia?

•          E com amor?

•          Que não aconteça que nem sua família possa contar com você nestas coisas!

Pela tarde ou à noite, volta a essa questão:

•          Você, hoje, viveu seu trabalho com mais espírito de serviço?

•          Com alegria?

•          Ou com ressentimento?

•          Como você pensa em ajudar amanhã? Nos próximos dias?

A Virgem Santíssima se declarou escrava do Senhor. Ela poderá alcançar para você luz e fortaleza. Peça!

 

27 - ACOLHER E VISITAR

 Aqui temos outros exemplos de amor concreto. Tradicionalmente, a hospitalidade foi uma das práticas religiosas mais belas e apreciadas. A vida urbana moderna a restringiu muito. E, quando se instalam alojados, a vizinhança duradoura estabelece grandes desafios aos que recebem e aos que são recebidos. Mas sem ir tão longe:

•          Quantas vezes você tem estado disponível para quem necessita ser escutado?

•          Quanta atenção você oferece a quem precisa esta tipo de ajuda?

•          Com quanta paciência você atende a alguém próximo?

•          Você não se protege excessivamente, dando respostas convencionais, superficiais?

Visitar? Visitar a quem? Ir ver os amigos, ou recebê-los é alguma coisa natural, sem maior mérito. Mas mesmo isto vai ficando raro! Visitar os doentes e presos? Isto é outra coisa. Acolher e visitar por um compromisso social não ultrapassa uma adesão às boas maneiras. Visitar e acolher gratuitamente tem um significado muito distinto. Há gente que, por deficiência de formação, nem sequer visita os familiares enfermos. Muito menos um não parente em dificuldade.

•          Qual a sua atitude mais comum a este respeito? De novo: olha para você. Deixe os outros!

•          Se você é pai ou mãe de família, como você está educando seus filhos para repartir, compartilhar, acolher, interessar-se por alguém desvalido?

•          Com palavras e exemplos?

•          Você comunga estas atitudes e critérios com seu consorte?

Agora ou noutro momento, talvez pela tarde ou noite:

•          Se você se percebe como alguém que, desde tempos, tem adotado esses modos evangélicos de se relacionar com o outro e assim ensina, bendiz humildemente ao Senhor, e prepare-se, com Ele, para seguir adiante, com generosidade;

•          Se não, depois de manter hoje, e vários dias mais, este questionamento em seu coração, procure intuir melhor que modos de amar e servir, de ajudar e acolher, de visitar e socorrer estão mais a seu alcance ou se impõem à sua consciência cristã.

Fale dessas coisas todas com Nosso Senhor. Quem sabe com sua família? Procure assim ver mais claro e não faltar por mesquinhez ou idealismo impraticável.

 

28 - ADORAR EM ESPÍRITO E VERDADE

Jesus disse a uma mulher samaritana: Está chegando a hora - e já chegou - em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade (Jo 4,23).

O que Ele quer dizer com isto? Comece a procurar, por você mesmo, uma boa e correta resposta.

Voltemos ao Evangelho segundo São João. Primeiramente, Jesus se dirige a uma pessoa que compartilha alguma coisa da fé judaica, mas sem que essa seja, totalmente, sua religião. Ele afirma que não é necessário ir a um templo oficial (ou ali, ou em Jerusalém) para adorar.

Depois, através da samaritana, Ele nos diz que a verdadeira adoração - a forma mais pura de oração - se vive em qualquer lugar. A adoração nasce do agir do Espírito Santo (adorar em espírito). E se vive em união com Cristo, que é a verdade do ser humano (adorar em verdade).

Muito bem, mas, de novo, o que quer dizer isto? O que você intui? Você tem experiência de alguma coisa assim?

Adorar é reconhecer a Deus como Deus. Não é questão de cabeça nem é coisa que se verifiquem por palavras. Estas sempre podem ser mentiras, ainda que tenham a aparência de oração piedosa. O que vale é a atitude profunda e esta - quando existe - se manifesta em todas as dimensões da vida: oração, repouso, atividade, sofrimento, em tudo. Unidos a Jesus pela fé e pelo amor de caridade, movidos pelo Espírito, que precisamente nos une a Jesus, nós glorificamos ao Pai em tudo.

É verdade que fica um resíduo de impureza, enquanto não passamos pela morte (Rm 6,7). Mas o essencial aí está. Como diz São João, em sua primeira carta: todo aquele que permanece n'Ele (em Jesus), não peca. Isto é, ainda, que cometa faltas menores aqui e ali, não vai falhar gravemente. Deus não o permite (1 Jo 1, 10 e 3,6). Nesta pessoa, a fé é atuante pela caridade (Gl 5,6). Deus se glorifica, quer dizer, se mostra Deus nesta pessoa, em sua oração e em suas ações. E ela ou ela é glorificada, santificada e divinizada em Cristo, talvez sem sequer cair em conta. Apenas um gozo profundo e uma irradiação discreta, mas inconfundível, assinalam tais pessoas. Adoram e levam a adorar.

Isto não é privilégio de alguns poucos. É nossa vocação cristã comum a todos nós. Esta é a santidade que Deus nos presenteou em Cristo. Mas tudo depende, por nossa parte, de acolher este regalo e deixarmos que ele produza seus efeitos.

Talvez tenhamos de reconhecer: Não poucos dos que se dizem cristãos e até muito católicos, jamais se perguntaram o que significa ser cristão. O curioso é que algumas dessas pessoas, como a samaritana, podem estar mais próximas de Deus, mais identificadas com Cristo e melhor guiadas pelo Espírito do que outras, que acreditam tudo saber e permanecem impermeáveis à verdade. Este é um segredo só de Deus. Por isso, concluindo esta meditação, fazendo-a sua, não julgue os demais, nem sequer a você mesmo, a você mesma. Entregue-se!

•          Meditando no que ficou dito, você intuiu que essa adoração fundamental lhe foi concedida em alguma maneira?

•          Ou, pelo contrário, você se sente muito distante dela?

•          Sente um grande desejo de poder viver esta adoração verdadeira ou de continuar vivendo-a daqui por diante?

Fale com Nosso Senhor a respeito, como a samaritana!

 

29 - SEGUIR A JESUS CRISTO

Estamos avançando muito rapidamente. Muitos aspectos do seguimento de Jesus, que você tem meditado nesses dias, terão movido você. Uns mais, outros menos. Só você sabe quanto ganhou nesta passagem pelo Evangelho. Se não teve muito proveito, possivelmente isto significa que o método que lhe propus não foi muito favorável. Pode ser. Mas não seria prudente que isto lhe servisse de desculpa para continuar uma vida cristã superficial (se a sua assim for). Você precisa procurar outra ajuda.

Se, pelo contrário, o percurso feito até agora, o fim desta segunda etapa, foi rico e proveitoso, sugiro - seguindo o conselho de Santo Inácio de Loyola - que você empregue alguns dias mais de oração repassando o que ficou para trás.

Retome alguns temas ou trechos das Escrituras que lhe tocaram e moveram mais, pedindo a Nosso Senhor que, se quiser seguir falando-lhe a partir deles, se quiser dar-lhe mais luz e fortaleza, que se digne a fazê-lo. Diz-lhe que você está com disposição e abertura para acolher. Então, dê a esta repetição ou "repescagem" o tempo que for preciso.

Eventualmente, teme também os pontos que lhe irritaram ou intranqüilizaram, sem que você tenha podido aproveitá-los bem até agora. Com a mesma abertura e disposição, peça francamente ao Pai e a Jesus que o Espírito Santo ilumine você, vença suas resistências e lhe permita aderir mais profundamente a Jesus.

No caso (tomara que não seja!) de sentir-se penosamente em confusão, fala com alguém que possa ajudar. Não fique assim! Isso lhe causaria prejuízo espiritual.

Finalmente, espero que você dê graças por tudo o que recebeu nesta caminhada e mantenha vivo o seu desejo de avançar na fé, na esperança e no amor.

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3º PARTE: O LÍDER CRISTÃO COMO IGREJA NO CORAÇÃO DO MUNDO E MUNDO NO CORAÇÃO DA IGREJA

 

SER IGREJA

Caro amigo líder servidor cristão, nos exercícios que restam, você terá a possibilidade de enriquecer sua experiência de Igreja. A mentalidade atual, da qual todos participamos, de um ou outro jeito, nos faz críticos perante todas as instituições e fomenta uma visão individualista da vida. Não ousaria garantir que cada pessoa que tenha feito os exercícios anteriores tenha escapado deste individualismo, mesmo que não o fomentassem.

A Igreja e nós, seus membros, não podemos fugir de nosso tempo. Ela é criticada, inclusive pelos seus! O que não é totalmente novo. É certo que, enquanto instituição humana, sofre de muitas deficiências comuns, mas uma observação mais fina e, ao mesmo tempo, mais objetiva, permite descobrir os sinais da ação divina nela. O principal é a notável humanidade e santidade de muitos dos seus membros. Outra, a confiança que continuam depositando nela muitas das pessoas mais desfavorecidas em nossas sociedades.

Como dissemos, se algum dos exercícios lhe pedir mais tempo, não hesite em dar-lhe o que for proveitoso para que você tire maior proveito.

 

30 - ATUALIZAR A GRAÇA DO BATISMO

 Hoje em dia, muitas pessoas batizadas não assumem o próprio batismo. Nunca chegaram a ratificá-lo. Nelas, a novidade do Batismo não frutificou ainda. Parece ter ficado semente estéril. Suponho que você não esteja nesta situação. Caso contrário, você não teria chegado até estes exercícios. Mas quero propor-lhe, a esta altura, um acesso mais consciente à graça do seu Batismo e a possibilidade de atualizá-lo em sua vida.

Algumas pessoas questionam terem sido batizados ainda crianças, sem ter consciência do que acontecia. Se você sente qualquer mal estar a este respeito, por favor, não olhe a coisa por este lado. Procura, antes, reconhecer o que ser batizado significa hoje em sua vida normal, seja muito ou pouco. Tome consciência sem apressar-se.

Aprofundando mais, uma observação prévia: todo sacramento é celebração de uma iniciativa de Deus em Cristo. Esta celebração se faz assumindo juntos um gesto humano muito expressivo, engrandecido e enobrecido por um significado novo e transcendente. Por exemplo: banhar-se, comer juntos, ser ungido com algum creme, perfumado, tratado, etc.

O seu Batismo foi a celebração do feito que Deus acolheu você como filho, como filha, gratuitamente, antes mesmo que você pudesse pensar em ter méritos. Em redor de você, sua família e a comunidade, que representava a Igreja inteira, celebravam agradecidas este dom, inimaginável antes de Cristo, este novo nascimento, superior ao primeiro, sua integração à grande família de Deus. Isso se expressou com um pouco de água (um banho excessivamente simplificado!), porque a água não só lava, mas afoga e dá vida. Estes três significados da água estão presentes no Batismo.

A água do Batismo lavou você da mancha, que ainda não era pessoal, mas sim muito perigosa; a mancha de haver nascido numa humanidade pecadora. Em total contraste, ele introduziu você na nova humanidade, reconciliada com Deus por Cristo.

Quanto ao fato de que o Batismo fez com que você morresse de algum modo e lhe comunicasse vida, remeto a dois trechos de São Paulo, que você pode meditar. As palavras, que, junto para maior compreensão, e não são de Paulo, estão entre parênteses.

Quando fomos batizados em Cristo, fomos batizados (isto é, mergulhados) em Sua morte. Para que, assim como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos para a glória do Pai, assim também nós, assim também nós vivamos para uma vida nova (que vida nova?) Se morremos com Cristo, cremos que também com Ele viveremos, sabendo que Cristo, uma vez ressuscitado, já não morre mais e que a morte não tem domínio sobre Ele. Sua morte foi um morrer para o pecado (isto é, para a humana possibilidade de pecar) de uma vez para sempre. Sua vida, porém, é um viver para Deus. Do mesmo modo, vocês se considerem mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus (Rm 6,3-4 e 8-11).

O que significa isto de "viver para Deus"? São Paulo explica:

Se vocês ressuscitaram com Cristo, procurem o que é do alto (isto é, o Reino de Deus, que de cima vem e no alto culminará, pois é iniciativa divina), onde (já) está Cristo, à direita de Deus. Aspirem o que é do alto (pois jamais se perderá) e não o que é da terra. Porque vocês morreram e a vida de vocês está oculta com Cristo em Deus. Quando Cristo, a Vida de vocês, aparecer, então, também vocês aparecerão gloriosos (Cl 3,1-4).

Já que Deus é Amor (1 Jo 4,8), o que é do alto é o que pertence à ordem do amor verdadeiro, que é imortal. É bem verdade que nossa glória de criaturas novas está ainda, em boa parte, oculta. A história ainda não acabou. Ainda permanecemos na luta contra o mal, e contra o egoísmo. Luta que é, precisamente, um combate solidário no amor, missão de todos nós, Igreja de Deus.

Observe como nessas passagens citadas (e muitas outras semelhantes), São Paulo une a afirmação serena do que Deus nos deu para sempre e o chamado de assumir nossa pessoal responsabilidade, para que o dom não se perca.

•          Qual tem sido, até a esta altura da vida, sua acolhida pessoal ao dom da Vida Nova - dom de uma liberdade fundamentalmente curada - e sua resposta responsável à generosidade do Senhor?

•          Qual é o seu desejo atual de viver mais a fundo esta novidade cristã? O que você pensa fazer?

•          Você já foi crismado?

•          Você já pensou que o Sacramento da Confirmação - a Crisma - é a ratificação do Batismo pelo adulto, que assume com seriedade, a responsabilidade de membro da Igreja de Cristo? Sim, caro amigo líder cristão, é muito importante um líder cristão assumir, na Crisma o seu compromisso com Cristo e com a  Sua Igreja. Caso ainda não tenha recebido o Sacramento da Crisma ou Confirmação, porque não buscá-la?

 

31 - SER PERDOADO E PERDOAR

Na luta contra o mal, nem sempre temos sido vencedores. Por isso, depois do Batismo, é preciso um outro sacramento, que atualize a graça: o Sacramento do Perdão, da Reconciliação, também chamado "da Penitência" (porque o arrependimento e a emenda são necessários, bem como a reparação). Mais comumente o chamamos de "Confissão": confissão dos pecados, e também confissão de fé na misericórdia de Deus na Igreja de Cristo. Como você sabe, talvez por experiência própria, este Sacramento não atrai, porque, à primeira vista, é humilhante. Mas é tão grato sentir-se reconciliado!

•          Que sentimento predomina em ti?

•          A resistência é mais ou menos forte?

•          É um temor desagradável que você, contudo, supera?

•          Você alcança confiança e gozo em ficar em paz:

o          Com você mesmo, você mesma?

o          Com Deus?

Permita-me repassar com você alguns problemas freqüentes. Se não são os seus, passe ao largo.

Observam-se, com freqüência, três atitudes pouco apropriadas em nosso ambiente católico:

1. Muitos parecem ter dificuldade de identificar suas faltas e confessá-las. Espero que, os presentes exercícios, sem que tenham como principal este objetivo, possam ajudá-lo a ver mais claramente onde estão suas faltas e quais são as suas atitudes profundas de onde nascem estas faltas.

2. Outros dizem: Peço perdão diretamente a Deus. Obviamente, há que se pedir perdão a Ele. Mas veremos porque a Igreja deve intervir no perdão.

3. Por fim, não poucos dizem: Quem sou eu para perdoar? Claro que não somos divindades para dar um perdão eterno, mas como pode dizer uma coisa destas alguém que reza no Pai Nosso: Perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido? Esta petição não abraça todos e cada um de nós? Se você mesmo, você mesma, pensou alguma vez que não é ninguém para perdoar, lembre e interiorize a resposta de Jesus e a parábola que se encontram em Mt 18,21-35.

Mas porque se confessar a um ser humano, pecador como outro qualquer? Por várias razões:

•          A pessoa que só se confessa a Deus, corre o perigo de imaginar que Deus a está perdoando, quando, na realidade, só está perdoando a si mesma.

•          Quando pecamos, não apenas ofendemos a Deus, mas o ofendemos em suas criaturas, em nossos irmãos. Todo pecado rebaixa o nível espiritual da Igreja. Por isso, devemos pedir perdão também à Igreja. E o recebemos de alguém credenciado por ela. Ao mesmo tempo, buscamos a reconciliação diretamente com os que ofendemos, pedindo-lhes também perdão e restabelecendo a justiça. Por exemplo, restituindo o roubado, reconhecendo a grosseria feita, reparando o prejuízo causado, quanto possível. Se não, onde ficaria a sinceridade do arrependimento? Faríamos do Sacramento uma comédia hipócrita, um novo pecado.

•          O Sacramento da Reconciliação com Deus e com os irmãos, seus filhos amados, do mesmo modo que os outros sacramentos, é uma celebração da misericórdia de Deus. Como celebrar isoladamente? Deve haver pelo menos uma pessoa que represente a comunidade fiel e me ajude a celebrar: é o confessor. Convém muito participar de uma liturgia penitencial comunitária para compartilhar a alegria da volta.

Procure admirar-se, agora mesmo, da generosidade de Deus em Cristo. Para isso, eu convido você a contemplar, por um momento, a cena em que Jesus, soprando o Espírito Santo sobre seus apóstolos, lhes disse:

Recebam o Espírito Santo!

Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados

Ficarão perdoados.

Aqueles a quem vocês o retiverem,

Ficarão retidos (Jo 20,22-23).

Esta é uma parte essencial da missão apostólica da Igreja. Quando ela "retém" os pecados de uma pessoa, ela o faz até que se arrependa verdadeiramente, mas quer perdoar o quanto antes!

Não duvide em celebrar com a Igreja, várias vezes por ano, o amor misericordioso de Deus, que lhe permite ir adiante, apesar de suas faltas (tomara que não sejam graves!) de sua impotência em erradicar seus defeitos. O perdão divino restaura sua liberdade e o seu amor feridos.

Talvez ajude que você se prepare, ainda hoje, que você fará na primeira ocasião. Em particular, se você descuidou da prática deste sacramento e lhe custa retomá-la.

Depois, você poderá saborear melhor as parábolas de Lc 15 ou o Salmo 32/33.

 

32 - FAÇAM ISTO EM MINHA MEMÓRIA

 Assim disse Jesus no fim de sua Última Ceia entre seus apóstolos e amigos, quando anunciava sua próxima prisão e condenação à morte. De antemão, Ele convertia tudo isso em sacrifício voluntário.

Qualquer um de nós recorda, com emoção, as últimas palavras de uma pessoa querida e se sente comprometido a levá-las a sério.

•          Você tem esta experiência?

•          Assim você quer recolher as últimas palavras de Jesus a seus apóstolos reunidos?

O sacerdote repete estas mesmas palavras na Missa, quando relata o gesto de Jesus. Não podem significar somente: Tomem pão e vinho e digam tais palavras. Querem dizer: Entreguem-se vocês mesmos como eu me entrego. E se nossa vida nada tivesse a ver com a entrega de Jesus, nada haveria para celebrar, sem ter de envergonharmo-nos.

Quando nos reunimos para a Missa, como cristãos conscientes, levamos conosco nosso compromisso consciente com a obra de Cristo neste mundo. Além disto, porém, Ele próprio nos toma no Seu oferecimento e nos apresenta ao Pai. Ele próprio converte nossos esforços e sofrimentos em contributo à redenção, isto é, ao êxito glorioso e final da humanidade. Ao mesmo tempo, assim como dava graças na Última Ceia, apresenta ao Pai, com gratidão, nossas alegrias. Todos juntos e unidos com Ele celebramos, deste modo, os vários aspectos da vida.

Somos a Igreja reunida, em assembléia, que é interpelada pela Palavra de Deus e a responde com amor. Aprofundamos nossa comunhão fundamental, que a comunhão nas aparências do pão e do vinho torna sempre de novo presente e significa.

Neste momento de oração da manhã, convido você a:

•          Retomar o que você acaba de ler, unido em pensamento com todas as Eucaristias, que hoje se celebram no mundo todo.

•          E a fazer suas as disposições indicadas, sobretudo se você não está acostumado a viver deste modo a Santa Missa.

•          Você pode também olhar e escutar a Jesus mesmo, guiado pelo Evangelho de Mt 26,24 e 26-30, onde se lê: "O Filho do homem se vai, como está escrito a respeito dele" (...) Enquanto comiam, Ele tomou o pão e o bendisse, partiu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: "Tomai e comei, isto é o meu Corpo". Depois tomou o cálice e, dando graça, passou a eles, dizendo: "Bebei todos dele, pois este é o meu Sangue da Aliança, que é derramado pela multidão, para o perdão dos pecados. E Eu lhes digo que, desde agora, não beberei do fruto da vinha até o dia em que de novo, convosco, o beberei no Reino de meu Pai". E, depois de cantarem os hinos, saíram para o Monte das Oliveiras.

Procure imaginar-se lá na cena, captando o ambiente, deixando-se tocar de sentimento e gratidão, intuindo a Aliança Nova entre Deus e nós, que Jesus sela com Seu Sangue,

ansiando o dia que já não nos reuniremos provisoriamente em nossos templos, mas sim, definitivamente, no banquete da Casa do Pai.

Este exercício ajuda a uma boa preparação, a fim de que você se integre melhor na participação das próximas Eucaristias.

Se você é uma pessoa casada ou ministro ordenado, ou pessoa consagrada por votos, eu lhe sugiro fazer outro exercício semelhante a respeito do sacramento do matrimônio, ou da ordenação ou da consagração pelos votos, no mesmo estilo destes últimos exercícios.

 

33 – O LÍDER SERVIDOR CRISTÃO VIVE A SUA COMUNIDADE

Caro amigo, a esta altura, você já terá percebido - se é que já não havia assimilado - que não existe cristão sem os outros, viver sozinho, isolado ou individualista.

•          É assim que você entende esta realidade do ser cristão?

•          Qual é a sua experiência de solidão?

•          E de comunhão, comunidade?

Na primeira frase, eu não queria exprimir apenas como é difícil ser cristão sozinho, mas que, por vontade de Deus, inscrita na realidade humana e na história da salvação, a vida de fé e de graça chegam a nós na Igreja. A Igreja; e o Povo e família de Deus, o Corpo de Cristo e o Templo do Espírito Santo. Nós não ministramos os sacramentos a nós mesmos, justamente por isto. Cada um deles é vinculado pela Igreja com ela, comunidade de salvação, e com Cristo. Assim e não de outro modo, é que nos chega a graça do Batismo, da Eucaristia, da Reconciliação, etc. Certamente, cada qual acolhe o dom na sua liberdade de assumir pessoalmente o espírito do Evangelho. Mas na o conseguirá fazendo de si como uma ilhota orgulhosa no meio de um oceano de solidão e rejeição.

Para orientar sua oração, nesta manhã, poderia começar com essas perguntas:

•          Qual é minha comunidade eclesial, isto é, onde me integro (e, eventualmente, minha família) à Igreja e levo minha presença e participação?

•          Ali se estabelece uma partilha suficiente para que seja uma boa experiência de Igreja?

•          Ali nos estimulamos mutuamente para sermos bons cristãos?

•          Formamos um foco de irradiação do Evangelho para nosso ambiente, além da comunidade?

Pela tarde ou à noite, você poderia meditar e contemplar At 2,42-47, que é, na forma de uma descrição muito concreta, o ideal para qualquer comunidade cristã. Não é que devamos imitar cada pormenor. Porém, temos de procurar equivalências que funcionem em nossa própria cultura, como fizeram, desde aquele tempo, os melhores de cada geração cristã.

•          Onde e com quem você escuta o ensino dos Apóstolos e dos seus sucessores legítimos?

•          O que você faz, o que sua família faz, para serem, com os demais cristãos, um só coração e uma só alma, isto é, para criar uma autêntica comunhão?

•          Que bens e trabalhos materiais, culturais e espirituais vocês compartilham?

•          Onde e quando se unem no louvor a Deus?

•          Vocês gozam de estima entre o povo? Atraem outras pessoas?

Fale sobre estas coisas com seu Senhor. A seu tempo, se lhe parecer bem, com sua família e com membros da comunidade, etc. Tomara que este exercício produza frutos de comunhão mais além do seu metro quadrado de chão!

Entender o diferente não é fácil. Viver em paz consigo e com os outros é um procedimento pouco freqüentado. Nossas propostas são fruto de vivências e convicções, e não desistimos facilmente delas. Quando as palavras expressadas revelam apenas o próprio mundo pessoal, não criam laços nem abrem horizontes. É preciso passar do monólogo para o diálogo, encontrando aí possibilidades conjuntas. Somos individuais, mas só encontramos sentido na vida quando nos unimos.

É preciso, pois, não só superar os conflitos como saber acolher positivamente a realidade das pessoas e das suas propostas. Não é fácil. O próprio sentir ferido reage espontaneamente ignorando, desprezando ou atacando. A leitura habitual que fazemos do que vemos e escutamos não corresponde, provavelmente, ao explicitado pelo outro. Sejamos honestos: Ouvimos o que queremos e excluímos o que não nos interessa! Como conviver deste modo? As pessoas não se sentem nem um pouco acolhidas nem compreendidas. Apenas sabemos nos mover em paradigmas e horizontes semelhantes. O diferente assusta, afasta e incomoda. Como superar estes limites e fronteiras?

Salvar a “afirmação” do próximo: “Para que mais se ajudem tanto quem orienta os outros, como quem é orientado, é necessário pressupor que todo bom cristão deve estar mais pronto a salvar a afirmação do seu próximo do que a condená-la. Não a podendo salvar, pergunte como ele a entende. Se a entende mal, corrija-o com amor. Se isto não bastar, recorra a todos os meios convenientes para que, entendendo-a bem, ela seja salva”. Conforme dizia Inácio de Loyola , é fundamental para interagir positivamente. Pena que fazemos o contrário! Julgamos, condenamos e excluímos; vivemos em guetos, clubes ou coletivos semelhantes empobrecendo os próprios relacionamentos. Como ir além da própria fronteira e interligar-se harmoniosamente com a pessoa que se aproxima?

Caro líder servidor cristão, toda diversidade é uma bênção disfarçada, um convite para sair de si e criar união. Quem enxergar pequeno, assusta-se, polariza e exclui. Quem for grande, admirará e unificará. Eis o belo mistério da diversidade humana apreciado só por quem ama, acredita e confia. “Salvar a afirmação do próximo” é superar a crise dos relacionamentos interpessoais e experimentar o convite divino que todo une. Salvando, nos salvamos; condenando, nos condenamos. Estamos umbilicalmente interligados e não temos sentido uns sem os outros.

 

34 - RESUMO FINAL DE NOSSA EXPERIÊNCIA

 Do mesmo modo que ao terminar a primeira parte e a segunda, você pode, hoje, ou também, ao longo de sua oração em vários dias, retomar aspectos eclesiais de sua vida cristã, que mais atraíram o questionaram você. Poderia dar-se o caso de que perceba, ao mesmo tempo a necessidade de mudar os seus hábitos e uma resistência em fazê-lo. Não é saudável permanecer assim. Procura, pela oração e na oração, pelo verdadeiro desejo que está em você. Isto é, o que o Senhor espera de você. Ele apóia você na realização deste projeto, nascido no contacto com Ele e Sua Palavra.

Para este penúltimo exercício desta série, sugiro que você tire proveito do gesto mais tradicional de nossa fé cristã: o sinal da Cruz. Escrevo o que se segue em primeira pessoa, não com a intenção de falar de mim, mas para facilitar o seu exercício.

Primeiro, fixo o gesto mesmo:

•          Marcar o próprio corpo com a cruz recorda a ação do proprietário que, em tempos bíblicos, marcava com um "T" o que lhe pertencia (Ez 9,4-6). Fazendo o sinal da cruz, aceito que não sou meu próprio senhor e dono. Atualizo o sinal de pertença, que me fizeram na testa no meu batizado. Quer ser do Senhor. "Todo Teu", como diz o lema de João Paulo II.

•          Mas não faço um simples "T", mas o sinal da cruz de Cristo. Assim reconheço e professo que ela é a árvore da vida, o ponto onde se inverteu o curso da história, para todos os que queiram eleger a Vida Nova. Ali se abriu o leito do rio da Vida. Esta mudança afeta a mim, desde o meu Batismo. Quero crucificar o que não me deixa viver como um homem livre na verdade de Cristo. Quero também receber a Vida Nova e irradiá-la, difundi-la com todo o meu ser.

Segundo, dou atenção às palavras: Em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

•          O que significa "em Nome de"?

•          No mínimo que quero pensar, atuar, falar no Nome das Pessoas divinas, como quem recebeu a missão de representar um chefe.

•          Quero que esse chefe possa referendar e confirmar o que faço pois assim quero decidir e cumprir.

•          A missão do Pai me faz irmão de todos.

•          A vocação de filho, que Jesus me mostra, integra-me no seu Corpo, a Igreja.

•          E a vida no Espírito Santo, fonte de toda sabedoria e amor.

Tendo, com todas as minhas forças, que possam firmar e referendar o que penso, digo e faço".

Há pelo menos uma passagem do Novo Testamento (Mt 28,19, a propósito do Batismo), na qual a expressão varia. Não diz "em Nome de" mas "para o Nome de" (em grego - como em português e em castelhano - muda a preposição). "Para" indica o destino, e não a origem. Assim trata-se de atuar e viver para o bom Nome, a boa fama, a glória do Pai e do Filho e do Espírito Santo diante dos povos e nações que Ele quer conquistar no amor verdadeiro. Isto é que queremos dizer quando fazemos o sinal da cruz.

Santo Inácio de Loyola, nos seus Exercícios Espirituais o traduz ou comenta em forma de oração: Que todas as minhas intenções, ações e operações sejam puramente ordenadas para o serviço e louvor de sua divina Majestade. Você pode fazer sua, habitualmente, esta petição.

É a mesma intenção que expressamos, implicitamente, cada vez que rezamos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre, amém! O agora designa nosso desejo e nossa responsabilidade hoje.

•          Como você sente que está sua responsabilidade de agir, falar, sofrer, alegrar-se, viver em Nome da Santíssima Trindade, para que Ela seja reconhecida e glorificada neste mundo?

•          Dê um tempo para repetir de todo o coração, o Sinal da Cruz e o Glória.

•          Fale com a Virgem Santíssima, Mãe de Deus e nossa também, e com o Filho, Jesus, para que lhe alcancem do Pai não só o bom desejo, mas também determinação e força para sua fragilidade.

•          Rogue também ao Pai para que você alcance ser fiel às graças recebidas no Espírito Santo ao longo destas semanas. Conclua com o Pai Nosso.

 

35 -  ORAÇÃO DE DESPEDIDA

 Convido você, caro amigo líder servidor, uma vez mais, fazer um momento de oração, no qual você retome a consciência, diante de Deus e em diálogo com Ele, do que significaram estes apontamentos sobre liderança servidora e os Pequenos Exercícios em sua vida. Nossa cultura atual tende à dispersão. Se você não procurar fazer um balanço final do que se passou e ficou, um próximo centro de interesse pode atrair sua atenção apagar o que você está concluindo. Vai ficar a sensação de ter perdido tempo, de ter feito alguma coisa sem transcendência e peso.

Não se ponha a repassar tudo. Você se aborreceria. Procura captar intuitivamente, com a graça de Deus, folheando estes apontamentos, o que MAIS marcou você, ou desafiou, estimulou, inspirou, dinamizou. Recolha seu MAIOR DESEJO para poder cultivá-lo, eficazmente e sem dispersão. Inevitavelmente, alguns aspectos do que você praticou vão ficar esquecidos. O que seria de dar pena é que tudo ficasse esquecido!

Uma vez reconhecidos os pontos que o Senhor lhe aponta, pela força do bom desejo que sente animando e interpelando você, ofereça a Ele sua determinação e peça-Lhe a graça de vivê-la.

Neste bom clima de oração, procure prever algumas disposições práticas para poder VIVER o que você descobriu. Uma delas, por exemplo, poderia ser a participação comunitária daqui se tratou no exercício 33. Assim, seus esforços, na próxima etapa de sua vida, poderão se concentrar mais eficazmente em alguma coisa simples e realizável.

Pode acontecer que, mais uns meses, você sinta desejo de retomar algum aspecto do que você descobriu ou experimentou neste tempo de exercícios que se completam agora. Você poderá se aplicar nesse ponto, do mesmo modo que ficou sugerido.

Por último, depois de um tempo e se estes exercícios de liderança servidora lhe foram úteis, se você sentiu gosto fazendo-os e tirou proveito duradouro deles, talvez seja o caso de considerar fazer os "Exercícios Espirituais" de Santo Inácio de modo mais completo e bem orientados por alguém capacitado. Caso queira mais esclarecimentos sobre os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, meu email é: salumagni@yahoo.com.br

 

Referências Bibliográficas

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BUCKINGHAM, Marcus. A única coisa que você precisa saber sobre: gestão, liderança e uma trajetória de sucesso, Rio de Janeiro: Editora Campus, 2005.

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações, Rio de Janeiro: Editora Campus, 1999.

HUNTER, James C. O Monge e o Executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

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