CVX* LEIGOS CHAMADOS À SANTIDADE
SEGUNDO O ESTILO INACIANO (1)


Einardo e Maria Clara L. Bingemer

Maria Clara, Doutora em Teologia pela Gregoriana, com tese no campo da espiritualidade inaciana, já é conhecida de nossos leitores, muitos dos quais conhecem também sua dedicação às CVXs. Einardo é seu marido, que a entusiasma, apóia e acompanha no serviço das Comunidades.

Nossa história começa com um leigo: Iñigo López de Loyola, o qual, após um longo e doloroso processo de oração, peregrinação e discernimento, compreendeu que Deus não o queria monge, cantando o ofício divino no coro de um mosteiro, como a maioria dos religiosos de seu tempo. Em lugar disso, Deus o desejava apóstolo, despendendo toda a sua vida e energias em "ajudar as almas" (1).

Eis como, então, começou este antigo gentil-homem, convertido em peregrino da vontade de Deus, a reunir as pessoas que encontrava - leigos no começo, homens e mulheres de todas as espécies, - a quem ajudou a encontrar os caminhos do Senhor. O tempo passou e formou-se um grupo estável ao redor de E. Com estes, ele formou e fundou a ordem presbiteral chamada Companhia de Jesus.

Estes primeiros companheiros, juntamente com o então já conhecido e chamado Inácio de Loyola, formaram novas "companhias" de leigos e renovaram outras que já existiam. Estes grupos, também chamados fraternidades ou congregações, eram uma expressão da iniciativa e solidariedade leigas, características do espírito dos tempos, com o objetivo de "cultivar a vida cristã e realizar obras boas" (2).

Estas primeiras "companhias" de leigos buscaram o caminho da santidade na experiência dos Exercícios Espirituais, que lhes eram pregados pelos jesuítas "com grande sucesso" (3). Eis porque nossa história enquanto CVX começa com estes leigos que se reuniram em nome de Jesus Cristo, que desejavam crescer na fé e na caridade seguindo a "escola" dos Exercícios Espirituais - muito antes da data de 5 de dezembro de 1584, quando o Papa Gregório XIII aprovou definitivamente as Congregações Marianas com a Bula Onipotentes Dei (Princípio Geral 3) (4). Este é o mesmo desejo que impele as CVXs hoje, provocando seu nascimento e crescimento nos quatro cantos do mundo.

Partilhar com outros um grande desejo

As CVXs são comunidades de cristãos batizados, homens e mulheres que na vida diária tomaram consciência do sério compromisso de seu batismo, ou seja, consciência do fato de que este sacramento, recebido na origem de sua vida cristã, mão apenas "apaga" o pecado original, mas também os submerge na morte de Cristo e lhes permite ressuscitar com Ele para uma nova vida (Cf. Rm 6, 3-11). Esta é uma vida de seguimento deste mesmo Cristo, no sofrimento e carregando a cruz, mas também na alegria e na esperança de partilhar com Ele o Reino que juntos estão construindo. Percebem-se assim mais e mais possuídos e mesmo "obcecados" por um grande desejo - o mesmo desejo que, séculos atrás, incendiou o coração de Inácio: corresponder plenamente a todo amor que ele recebera de Deus; servir a nosso Senhor em todas as coisas (5).

O que leva os membros CVX, diferentes como são, a reunir-se e estar juntos mão é certamente alguma afinidade natural que possam ter um para com o outro, mas uma comum, enorme e complexa palavra: desejo (6). Este desejo flui de um chamado ao mesmo tempo amoroso e imperioso: o chamado do Rei, "do Rei Eterno, Cristo Nosso Senhor", que tem diante de si "o mundo inteiro", que chama todos e "cada um em particular" e diz: "A minha vontade é conquistar o mundo todo e todos os inimigos e assim entrar na glória de meu pai; portanto, quem quiser vir comigo, deverá trabalhar comigo para que, seguindo-me na pena, também me siga na glória" (EE 96).

A este chamado, - ao qual tantos homens e mulheres pediram humildemente "não ser surdos e poder ouvir... e ser prontos e diligentes para cumprir sua santíssima vontade" (EE 91) - muitos deram uma resposta pessoal e afirmativa. Criaram, então, uma comunidade com outros leigos que ouviram o mesmo chamado e foram possuídos pelo mesmo desejo. Eis porque "nossa Comunidade é formada por cristãos: homens e mulheres, adultos e jovens, de todas as condições sociais, que desejam seguir Jesus Cristo mais de perto e trabalhar com Ele para a construção de seu Reino, que reconheceram as comunidades de Vida Cristã com sua particular vocação dentro da Igreja" (p. 4).

Eis o que é a CVX: uma vocação particular, uma resposta a um chamado que transformou nossas vidas e nos fez desejosos de pedir a ajuda de outros a fim de estar mais capacitados a responder a este chamado dentro da Igreja. Eis porque também nossas reuniões não se limitam a estudos bíblicos e reflexão teológica, dirigida ao aprofundamento do conhecimento intelectual. Sem diminuir a grande importância da formação doutrinária e intelectual, aquilo que realmente nutre nossas comunidades e lhes dá vida é a partilha - uma partilha profunda e honesta de nossas vidas, nossas alegrias, nossas tristezas, nossas feridas. Mais que nada, partilhamos nossa vida íntima e nossa amizade com Deus e os movimentos que o Espírito Santo produz dentro de nós e no mundo ao redor de nós. A Comunidade nos ajuda a discernir estes movimentos e nos apóia para responder a eles com fé e coragem.

Uma experiência fundante: os Exercícios Espirituais

Não há outra maneira de buscar, discernir e encontrar a vontade de Deus para nós, pessoal comunitariamente, a não ser pela oração. No estilo de vida CVX, a oração é uma parte importante do processo. E, já que estamos falando de comunidades e estilo de vida inacianos, o processo CVX é também uma escola onde podemos aprender as muitas e diferentes maneiras de orar que Inácio colocou a nossa disposição: meditação, contemplação, os três modos de orar (sobre os dez mandamentos, os pecados capitais, as potências da alma e os sentidos corporais; contemplando o significado de cada palavra de uma oração vocal; pelo ritmo da respiração - EE 238-258).

Porém, mais que nada, podemos aprender a maneira inaciana de rezar por excelência: uma disciplina interior que nos ensina a preparar-nos para entrar em presença de Deus, pedir-lhe verdadeiramente e desde o fundo do coração a graça que desejamos receber (EE 56), terminar com um colóquio, ou seja, um diálogo de misericórdia, ação de graças e amor, com Maria, Jesus e o Pai (EE 61). E então, após isso, examinar e rever nossa própria oração. Este constante exame de nossa oração, tentando ver que movimentos experimentamos e o que eles significam na vida real, é nossa maior preocupação enquanto membros CVX e também o conteúdo principal de nossas reuniões enquanto Comunidade de Vida Cristã. Eis porque nossas comunidades não podem chamar-se autênticas CVXs se seus membros não vivem profundamente a experiência central dos Exercícios Espirituais.

Os Exercícios Espirituais, fonte específica e instrumento característico de nossa espiritualidade são, primeiro que tudo, a experiência do próprio Inácio (p. 5, 7). As graças que Inácio recebeu durante sua dolorosa e arriscada peregrinação na busca e no encontro da vontade de Deus, são nosso patrimônio também, já que somos, jesuítas ou leigos, inflamados com o desejo ardente de seguir os mesmos caminhos de Inácio. E, como membros CVX, não há obstáculo para nossa caminhada através da experiência completa dos Exercícios apenas porque somos leigos com horários ocupados e outras dificuldades inerentes à vida secular.

Eis porque, hoje, temos grande alegria em ver a vasta maioria dos membros de nossas Comunidades buscando fazer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio em qualquer uma de suas diversas modalidades: trinta dias, ou quatro retiros de oito dias cada um distribuídos ao longo de dois anos, ou na vida diária, segundo a anotação 19 etc. (p. 8). Os Exercícios são a experiência verdadeiramente "fundante" para nossas comunidades. A menos que os membros passem por essa escola de oração e discernimento, nenhuma comunidade será realmente aquilo que deve ser: uma comunidade de discernimento, uma comunidade apostólica de amor que discerne em comum os sinais de Deus e os sinais dos tempos, a fim de ser capaz de responder a eles numa missão determinada pelo Senhor e sua Igreja (p. 9).

Com o auxílio da direção espiritual regular e uma revisão diária da própria vida, o amor apaixonado e louco do seguimento do Cristo pobre e humilde no mundo de hoje - tão fortemente experimentado por nós nos Exercícios Espirituais - pode ser uma possibilidade real (p. 12a). Os Exercícios nos conduzem a um estilo de vida cada vez mais simples, que nos permite manter nossa liberdade interior e indiferença com relação ao mundo, como meios indispensáveis para nosso apostolado. Eles nos urgem a uma ativa participação no vasto campo dos serviços apostólicos (p. 12b). É no evangelho que nos mostra o Cristo pobre e humilde, que por primeiro fascinou a Iñigo de Loyola (p. 10), que nossa vida deve encontrar sua inspiração, a fim de ser capaz realmente de ser o que deve ser: uma vida missionária e apostólica, vivida dentro do estilo leigo.

Em tudo amar e servir: uma comunidade para a missão

É
a partir da experiência de ser apaixonada e graciosamente amados por Deus Nosso Senhor e Pai de Jesus Cristo, e tendo recebido a enorme graça de amar apaixonadamente este Deus de graça e misericórdia, que brota a necessidade imperiosa de servi-lo e ao povo que Ele ama.
A missão Cristã não é uma iniciativa humana, mas uma certeza de ser enviado/a por Jesus e seu Espírito para servir o mundo e o povo de Deus, da mesma maneira pela qual Jesus foi enviado pelo Pai e, no Espírito Santo, enviou os apóstolos.

A necessidade imperiosa de servir é então uma conseqüência que decorre da experiência de amar a Jesus Cristo, contemplá-lo e ver sua vida como o horizonte a partir do qual eu posso entender e organizar minha vida (Cf. EE 135). No caso da CVX, a vida de Jesus Cristo é um impulso e um mandato para os leigos no sentido de que assumam a graça de seu batismo como uma vocação e, mais do que nada, uma missão (11). Somos chamados a viver esta missão em união com a Igreja, onde Cristo, aqui e agora, continua sua missão salvadora (p. 6). E, dentro desta Igreja, somos chamados a pertencer a uma Comunidade Mundial. Um elemento importante sobre a vocação CVX é que é uma vocação universal. Nosso compromisso não é apenas com uma pequena e gostosa comunidade local, mas com uma Comunidade Mundial, um corpo universal e organizado de leigos que tenta viver a espiritualidade e o estilo de vida inacianos e que compreende suas vidas em termos de serviço a toda a Igreja e à sua missão.

Eis por que, na medida em que a identidade da Comunidade Mundial cresce através dos anos, vamos chegando a compreender mais e mais que não é bastante realizar qualquer serviço dentro da sociedade ou da Igreja. Sem menosprezar os pequenos e humildes serviços (p 12c), sabemos que somos chamados ao maior serviço, o bem mais divino e universal, a procurar sempre a maior glória de Deus. Isto requer de nós uma sempre maior sensibilidade às urgentes necessidades da Igreja e da sociedade, uma disponibilidade para partir a servir onde quer que seja que as necessidades da Igreja o peçam. Envolve uma identificação com a missão de Jesus Cristo, sendo suas testemunhas diante de todo o povo por nossas atitudes, trabalhos e ações, trazendo, como Ele o fez, boas novas para os pobres, proclamando liberdade para os cativos, libertando os prisioneiros e proclamando um ano de graça do Senhor (p. 6, 7, 8). O campo da missão da CVX não conhece limites: estende-se tanto à Igreja quanto ao mundo, lutando para converter corações e para transformar estruturas opressoras.

Esta concepção mundial de nossa missão foi um ponto muito claro nas últimas Assembléias Mundiais. Em Roma 79, começamos a sentir-nos chamados por Deus para ser uma Comunidade Mundial, em vez de uma Federação Mundial. Em Providence 82, esta decisão foi tornada definitiva, num profundo processo de discernimento que nos conduziu à decisão unânime de ser um Corpo Universal. Loyola 86 foi um tempo de graça, onde as características deste Corpo Universal apareceram mais claramente para nós: enviados pelo Senhor e sua Igreja, tendo Maria como modelo de nossa missão, sentimos que era toda a Comunidade que era enviada, em comunhão de mente e coração. E à medida que este processo caminha, nos conduz a um estilo de vida cada vez mais simples, que nos fará mais livres e nos levará a viver uma decisiva e real opção pelos pobres.

Acabamos de concluir a XIª Assembléia de Guadalajara (1990), onde, apesar de sentir nossa pobreza e nossa grande necessidade de unidade espiritual como comunidade de discípulos, aprovamos um texto novo e revisto de nossos Princípios Gerais e Normas Gerais. Este texto, recebido por toda a Comunidade Mundial, continuará a ajudar-nos a pensar sobre nossa experiência e a encontrar caminhos para permitir que Deus continue a fazer de nós mais verdadeiramente uma Comunidade Mundial a serviço do Reino. Certamente, esta última Assembléia e os novos Princípios Gerais nos ajudarão a encontrar novas formas de apostolado comunitário e organizado, que poderão nos ajudar a responder às necessidades do mundo de uma maneira mais eficaz (p. 12).
 

Conclusão: CVX - um caminho de santidade

A CVX é um estilo de vida, um caminho de vida cristã, um caminho de santidade também. O chamado único de Jesus Cristo a cada um que se dispõe a seguir suas vias é ser santo e perfeito como seu Pai o é (Cf. Mt 5, 48). Há muitas maneiras e estilos de viver este chamado radical, esta atração irresistível, dentro da Igreja. Através destes vinte séculos de história o Espírito certamente tem mostrado grande e divina criatividade inspirando novas e diferentes maneiras de seguir Jesus Cristo no meio do mundo.

Um destes dons divinos especiais foi dado a Inácio de Loyola, que recebeu estas graças não apenas para si mesmo, mas também para nós, que seríamos algum dia atraídos e conquistados por este caminho de amor e serviço a Deus em todas as coisas, e que aprendemos como seguir Jesus Cristo de acordo com o método proposto pelos Exercícios Espirituais. A CVX é, então, o caminho concreto e encarnado que encontramos para viver o chamado e a meta propostos por nosso batismo.

Nossa pertença a uma Comunidade Mundial, expressa numa pertença a uma comunidade local, nos dá a estrutura e os meios para organizar nossa vida espiritual, nossos vínculos comunitários, nosso serviço e missão, tanto na dimensão pessoal como comunitária. Em todo este processo, contamos com a efetiva colaboração da Companhia de Jesus e com outras pessoas, comunidades e instituições que partilham a tradição inaciana (p. 13). Já que os carismas estão a serviço de toda a Igreja, leigos e religiosos podem e mesmo devem partilhar o mesmo carisma - cada um num diferente estado de vida - a fim de serem ajudados a viver melhor o carisma recebido pela graça de Deus. Os tempos de hoje e suas urgentes necessidades mostram muito claramente que os jesuítas e os membros CVX são chamados a ser mais e mais "companheiros": companheiros de Jesus e companheiros uns dos outros, em missões comuns para a maior glória de Deus.

O novo texto dos PP. GG., com a aprovação da Santa Sé, vai ajudar, então, a CVX, durante o Ano Inaciano, e mesmo após sua Conclusão, a rezar, refletir e aprofundar sua identidade e a graça de sua vocação: fazendo nossas as opções de Jesus Cristo e tomando parte por Ele, com Ele e n'Ele na iniciativa amorosa da Santíssima Trindade de trazer a redenção a todo o mundo pecador, a fim de nos tornarmos mais e mais servos inúteis e testemunhas fiéis deste Senhor a quem amamos sobre todas as coisas no mundo de hoje (PP. GG. 1, 4 e 5).
 

Notas
 

(*) - Usamos a abreviação: CVX para significar Comunidades de Vida cristã. O x em questão quer significar Cristo, segundo o original grego Christós (Xristós). Nos países latinos, a forma é assim, tanto em português como em espanhol (Comunidades de Vida Cristiana) ou em francês (Communautés de Vie Chrétienne). Nos países anglo-saxões a sigla é diferente; CLC (Christian Life Communities para os de língua inglesa). GZL (Gemeinschaft Christliche Leben em alemão). A despeito das diferenças lingüísticas, estamos nos referindo à mesma realidade presente no mundo inteiro.
 

(*1) - Este artigo, na sua forma original, apareceu em inglês pela revista The Way supplement 70, spring 1991, pp 33-39.
 

(1) - não vai aqui, com esta afirmação, nenhum demérito por parte de Santo Inácio (nem de nossa parte, evidentemente), com realçou à vida monástica e contemplativa. Até porque, ao ler a vida de Inácio, seja na Autobiografia por ele mesmo ditada ao Pe. Luis Gonçalves da Camara, seja em outras boas biografias recentes, como a do Pe. Dalmases ou do Pe. Villoslada, constata-se bem o apreço que o próprio Inácio tinha por essa vocação e esse estilo de vida, tendo pensado ele mesmo em fazer-se cartuxo e indo constantemente retirar-se nos mosteiros vizinhos ao lugar onde se encontrava nos diferentes momentos da peregrinação que foi sua vida. Trata-se apenas do específico da vocação à qual sentia que Deus o chamava. Nossa entesou, aqui, é mostrar como essa vocação - que Inácio primeiramente viveu como leigo e depois como religioso e sacerdote - é perfeitamente compatível com o estado de vida leigo e pode fornecer uma resposta à busca tão atual que o laicato católico vive neste momento por uma espiritualidade que lhe seja adequada.
 

(2) - Cf. alocução do Pe. Peter-Hans Kolvenbach, Assistente Eclesiástico Mundial da Comunidade de Vida cristã e Superior Geral da Companhia de Jesus, pronunciada na Assembléia Mundial da CVX em Guadalajara, México, de 28 de agosto a 8 de setembro de 1990: "O caminho de Santo Inácio e o carisma da CVX", Suplemento Revisão nº 9, ano X, outubro de 1990, p. 22, onde se pode encontrar uma boa síntese desta história das primeiras "companhias" formadas por Inácio e os primeiros jesuítas.
 

(3) - Ibid p. 29
 

(4) - De agora em diante, ao citarmos os Novos Princípios Gerais das Comunidades de Vida cristã, no seu texto recém aprovado pela Assembléia de Guadalajara e confirmado pela Santa Sé a 3 de dezembro de 1990, usaremos a abreviação PG no singular e PPGG no plural.
 

(5) - V. sobre isso E. KINERK, Electing great desires: their place in the spirituality of the Society of Jesus, in Studies in the spirituality of Jesuits 16 (1984). V. tb. M. C. Bingemer, Em tudo amar e servir. Mística trinitária e praxis cristã em Inácio de Loyola, São Paulo, Loyola, 1990, especialmente pp. 52-68.
 

(6) - C. E. KINERK, op. cit. p. 1: "Desejo é uma palavra enormemente complexa. Na espiritualidade, se fala de "santos" desejos, desejos que orientam a pessoa em direção a Deus e que são considerados, então, graças de Sua parte". O artigo inteiro pode ser de muita ajuda também, não apenas para entender a espiritualidade jesuítica, mas também a espiritualidade e o estilo de vida das CVX. V. especialmente os seguintes capítulos: "Desejo da Cruz", "Desejo de ajudar as almas", pp. 16-18.
 

(7) - É importante notar que Inácio viveu e compôs os Exercícios Espirituais enquanto ainda era leigo. Portanto, estes Exercícios são um tipo de experiência que pode perfeitamente ser vivida por leigos. Eles não são direcionados direta e somente para o clero, a despeito de freqüentemente haverem sido considerados assim por muita gente.
 

(8) - V. para essas modalidades, Progressão suplemento 33, novembro 1989, sobre a formação de assessores leigos.
 

(9) - V. a síntese final da Assembléia Mundial de Loyola, "A graça de Loyola 86", em Progressão suplemento, com os conteúdos desta Assembléia.
 

(10) - V. Autobiografia nn. 5, 11, 52 e sobretudo 96, que descrevem a graça de La Storta. V. tb. um comentário desta graça em M. C . BINGEMER, Em tudo amar e servir, pp. 38-43.
 

(11) - V. o que diz o Papa João Paulo II sobre a vocação dos leigos na recente carta Christifidelis laici, nº 33.
 

(12) - Vale a pena citar a síntese final de Guadalajara 90: "Esta graça será particularmente importante com relação à maneira pela qual recebemos e vivemos o texto revisto dos Princípios Gerais e das Normas Gerais. No segundo Princípio somos rememorados sobre a necessidade de viver e relacionarmo-nos uns com os outros no espírito do Evangelho. E como a Norma Geral 6 enfatiza este espírito do Evangelho deve necessariamente ser entendido de maneiras histórica e culturalmente diversas, pois é precisamente dentro e através da experiência histórica de cada cultura que Deus atua, fala e convida uma comunidade a tomar parte no trabalho do Reino".
 

(13) - Como foi dito pelo Pe. Kolvenbach, em seu discurso já citado acima: "Quem compreende que os carismas estão a serviço de toda a Igreja não negará jamais ao leigo o direito de se ajudar na sua vida cristã por um carisma particular que lhe é dado. Este não é menos leigo, mas é um leigo com mais potencialidades. Ele não é tampouco um "semi-religioso", mas um cristão que está em comunhão com uma família religiosa na pluriformidade de um carisma. Esta visão das coisas exclui que os leigos e os religiosos se sintam autônomos, auto-suficientes, sem legação uns com os outros. Da mesma maneira, isto afasta todo exclusivismo na interpretação e na realização do carisma. Aqui, como em tudo que se diz do Povo de Deus, é o princípio trinitário - segundo o qual a identidade deve ser vivida em relação - que domina".