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Esquemas de mensagens - Como montar a mensagem do Cursilho

Núcleos ambientais no pós-cursilho

estatuto cursilho

O Cursilho na nossa vida

        Iniciamos nossa vida religiosa de cristãos leigos no Movimento de Cursilhos de Cristandade, MCC, fiz o 59º Cursilho de Aparecida e Teka o 40º de Aparecida em Eu em 1083 e a Teka em 1984. Foi uma experiência maravilhosa. Tomamos consciência do nosso ser cristão comprometidos, Junto com minha esposa, fomos estudar teologia, fizemos o Curso Superior de Religião Paulo VI, da Arquidiocese de Aparecida - SP e os Cursos de Cristologia e  Mariologia, com o Padre Geraldo de Almeida Sampaio. Tive oportunidade de fazer também, o Curso de Iniciação Teológica-  na Mater Eclesiae, Rio de Janeiro. foram anos de estudo e meditação. Nossa vontade de aprender era muito grande. Escolhemos a metodologia: Formação na Ação! Para isso, participávamos semanalmente na Escola de Formação Cristã do Cursilho. Aceitamos o convite do ministério de catequese. Participamos de curso de catequese da Arquidiocese de Aparecida e assumimos a missão de sermos catequistas, a Teka de crianças e Eu de Jovens e adultos na Crisma. Já são mais de 20 anos como catequistas, Graças à Deus! Durante mais de 23 anos tenho participado do MCC, tendo sido do núcleo de coordenação diocesana por diversas vezes, responsável de Escola de Fé e Vida por vários anos e vice-coordenador do GED por duas vezes. Atualmente estou envolvido no movimento de espiritualidade Inaciana, no grupo de coordenação da Rede Apostólica Inaciana do Estado de São Paulo.

O PORQUÊ, O PARA QUE, O COMO E O COM QUE

DO MOVIMENTO DE CURSILHOS DE CRISTANDADE

 

 

I - DEFINIÇÃO DO MOVIMENTO DE CURSILHOS DE CRISTANDADE

                                                                                                                No núcleo interno do Movimento de Cursilhos há certos elementos que são essenciais e necessários para sua existência. Embora não constituam a essência dos Cursilhos, são todavia indispensáveis para que ela possa existir.        

         Partindo da análise desses elementos essenciais, os Cursilhos poderiam ser descritos como UM MOVIMENTO DE IGREJA QUE, MEDIANTE UM MÉTODO PRÓPRIO, POSSIBILITAM A VIVÊNCIA DO FUNDAMENTAL CRISTÃO, CRIANDO NÚCLEOS DE CRISTÃOS QUE LEVEM O FERMENTO DO EVANGELHO AOS AMBIENTES, AJUDANDO-OS A DESCOBRIR E A REALIZAR A VOCAÇÃO PESSOAL DE CADA UM, E RESPEITANDO-A AO MESMO TEMPO.

 

         Revelando-nos esta definição a Mentalidade (o porquê), a Finalidade (o para que), a Estratégia (o como) e a Metodologia e Estrutura (o com que) dos Cursilhos, é importante uma pequena análise de cada um de seus elementos. O essencial dos Cursilhos é então:

        

    1- Que sejam um MOVIMENTO

    

         Entende-se por movimento, a vida de alguns núcleos, cada vez mais densos, de homens que, impelidos por um espírito, encarnam uns princípios que comunicam através de uma metodologia, para conseguir um determinado ideal.

 

    2- Que sejam um MOVIMENTO DE IGREJA

                        

         Dizemos que os Cursilhos são um Movimento de Igreja porque:

 

·     em última instância, buscam, como a Igreja, a extensão do Reino de Deus na terra;

·     com a Igreja, estão integrados por sacerdotes, religiosos e leigos de ambos os sexos;

·     estão sintonizados com a doutrina e o Magistério da Igreja;

·     têm missão da hierarquia para cumprir sua finalidade a partir de sua essência, e com seu método próprio.

 

         Assim como a Igreja é a resposta que Cristo dá ao mundo, os Cursilhos pretendem ser uma resposta da Igreja ao mundo.                                        

 

    3- Que tenham um método que lhes seja próprio

 

         Método é, em geral, a maneira e ordem de dispor e empregar certos meios, perfeitamente conhecidos, para alcançar com maior probabilidade, presteza e perfeição um fim proposto.

        

         O método do Movimento de Cursilhos é a aplicação prática de sua essência, mas não uma aplicação qualquer deixada ao sabor do gosto pessoal e da improvisação do momento. É uma aplicação dirigida à maior eficácia e que não somente não desfigure ou mutile os amplos horizontes de sua essência, mas que lhe ofereça também um campo de ação adequado, eficaz e fecundo.

 

   4- Que, mediante seu método, possibilitem a vivência e convivência do fundamental cristão

 

         O que os Cursilhos pretendem não é portanto um frio pensar conceitual que, mantendo-se a certa distância, se proponha captar algo em seus traços e relações essenciais. O que os Cursilhos pretendem é provocar uma verdadeira vivência. As vivências não excluem de modo algum o pensamento. São um pensamento do coração. Diferentemente do simples pensar e conhecer, podemos dizer que as vivências são uma vibrante resposta do sujeito diante de um valor (B. Haering: Cristiano en un mundo nuevo). Por isso, acrescenta Jungmann, referindo-se à mensagem cristã, que ela deve penetrar todo o homem e comovê-lo até o fundo de seu ser.

  

         A vivência do fundamental cristão pode dar-se como vivência-acontecimento: vivência extraordinária do encontro consigo mesmo, com Cristo e com a comunidade eclesial; como experiência religioso-cristã na vida ordinária do cristão.

 

         O fundamental cristão que os Cursilhos propõem e fazem viver é o que é comum a todos:

 

·     a espiritualidade do Batismo (viver a graça, amando a Deus, o próximo e o Mundo e com eles se comprometendo);

·     a vocação à santidade de Jesus Cristo, como membros conscientes do Corpo Místico, onde se conjugam, à perfeição, o pessoal e o comunitário.

 

 

         Nestas grandes verdades do fundamental cristão o Movimento de Cursilhos põe ênfase sobretudo no Cristo, na Graça, na Fé, na Igreja e na Sacramentalidade.

 

   5- Que criem núcleos de cristãos que levem o fermento do Evangelho aos ambientes.

 

         Em vertebrar cristandade encontram os Cursilhos sua expressão genuína e exata, sua finalidade concreta e precisa, seu campo de ação e suas possibilidades de eficácia.

     

         Segundo o I Encontro Latino-Americano de Bogotá, a cristandade é o grupo de cristãos que, vivendo de modo consciente e crescente a vida da graça, faz fermentar o Evangelho em seus ambientes.

 

         As notas da cristandade autêntica em nossos dias se resumem em que seja um grupo aberto, comunitário, livre, autêntico e secular, em constante diálogo com as realidades terrenas que o rodeiam.

      

         Vertebrar cristandade supõe:

 

·     criar núcleos de cristãos, isto é, tornar possível a existência desses núcleos ou pequenos grupos, sempre com o devido respeito aos homens, às leis sociológicas da vida, e ao mais elementar senso comum;               

 

·     viver a Graça de um modo consciente e crescente: pôr os recursos da vida humana a serviço do divino para que os critérios de Cristo penetrem na sociedade; a sua doutrina e sua lei a renovem e a plasmem inteiramente...;

 

·     penetrar de Evangelho os ambientes: fermenta r evangelicamente o ambiente, o que se conseguirá ordinariamente, como conseqüência e na medida em que se vive o fundamental cristão. Encontrar, vivificar, situar e conectar as peças-chaves que podem ser base e apoio humano e teologal de todo o andaime das pessoas e de realidades redimíveis, que, aliás, são todas.

 

 

II - OBJETIVOS DO MOVIMENTO DE CURSILHOS

 

         A simples leitura da definição  do Movimento de Cursilhos nos revela os objetivos por ele buscados. Logo deparamos com uma finalidade dúplice: a imediata ou próxima, que consiste na vivência e convivência do fundamental cristão; e a mediata ou remota, que consiste em vertebrar cristandade.

 

         À luz da definição do Movimento, a finalidade dos Cursilhos é a Fermentação cristã dos grupos naturais de homens (ambientes), levada a cabo pelas pessoas que naturalmente influem neles de maneira mais decisiva (homens-vértebras, preferentemente em grupo), aos quais se possibilitam a vivência e convivência do fundamental cristão (sincera conversão e constante renovação de sua vida cristã pessoal e comunitária), mediante a apresentação “querigmática” (palavra e testemunho) do anúncio da salvação em Cristo, os quais impregnarão de espírito e sentido evangélicos os condicionamentos que regem esses ambientes.

 

         O Movimento de Cursilhos pretende possibilitar e acelerar a fermentação nos ambientes, mas quem a realiza é, em última instância, cada homem concreto.

 

         Por isso, ao estudar como pretendem os Cursilhos conseguir sua própria finalidade, surgem claros dois elementos de uma única estratégia: um, que corresponde às estruturas operacionais do Movimento, e outro, que corresponde à atuação das pessoas que fizeram um Cursilho.

 

         O primeiro poderia ser sintetizado assim: o Movimento de Cursilhos possibilita a fermentação cristã dos ambientes pela ação de líderes convertidos que, atuando a partir de uma realidade comunitária, se projetam sobre seus próprios ambientes de forma consciente e responsável. E isto supõe :

 

·     uma seleção de ambientes e de líderes;

·     uma conversão autêntica, contínua e progressiva;

·     uma reinserção do convertido no lugar de onde ele saiu;

·     uma vinculação orgânica desses cristãos comprometidos, que atue como circunstância santificante.

    

         O segundo - atuação das pessoas - é a fermentação cristã que cada homem realiza:

 

·     vivendo o fundamental cristão de forma consciente, crescente, compartilhada e conseqüente;

·     seguindo sua vocação pessoal e no exercício dos carismas;

·     assumindo, mais que uns novos compromissos externos, uma nova atitude (cristã) e novos critérios no compromisso temporal.

 

         Conseqüentemente o lugar primordial onde o homem, levado ao Cursilho, deve viver e desenvolver as maiores exigências de seu verdadeiro ser cristão, ativado ou reativado pelo encontro com a Palavra viva de Deus e o testemunho dos irmãos, está praticamente bem definido: seus ambientes e circunstâncias naturais. Por serem obrigatórias e ineludíveis, jamais poderão ser abandonadas ou descuidadas, nem mesmo a pretexto e dedicação a outras atividades apostólicas.

 

         Logicamente, tudo aquilo que desenraíza a ação cristã do homem que passa pelo Cursilho, de seu grupo humano em função do qual foi selecionado, estará desviando o Movimento de sua própria finalidade.

 

 

III - POSTULADOS QUE DERIVAM DA ESSÊNCIA E FINALIDADE DOS CURSILHOS

 

         Da essência e finalidade dos Cursilhos expressas em sua definição derivam postulados que dizem respeito ao Movimento em geral e aos seus três templos em particular:

 

A) Postulados que dizem respeito ao Movimento em geral:

 

·     que seja um Movimento de Igreja;

·     que seja vivencial;

·     que leve o Cursilhista a um encontro com o Deus vivo e pessoal, consigo mesmo e com os irmãos;

·     que seja uma escola de espiritualidade cristã;

·     que seja agente com função específica na Pastoral;

·     que leve o fermento do Evangelho aos ambientes;

·     que crie comunidades;

·     que se comprometa e comprometa;

·     que seja um Movimento libertador.

 

B) Postulados que dizem respeito aos três tempos do Movimento:

 

    1. Pré-Cursilho:

 

·     que os candidatos para os Cursilhos de Cristandade sejam, ao menos em potência, líderes capazes de fermentar de Evangelho seus ambientes;

·     que tenham maturidade suficiente para captar a mensagem evangélica e comprometer-se;

·     que tenham aptidão e atitude para viver em e para a comunidade.

 

    2. Cursilho:

 

·     que seja a proclamação “querigmática” da mensagem de Cristo visando à vivência do Mistério Pascal;

·     que ajude os participantes a descobrir sua vocação pessoal para realizá-la em e para a comunidade (humana e eclesial);

·     que os dirigentes, sacerdotes e leigos, sejam sinais autênticos da Igreja-Comunidade.

 

     3. Pós-Cursilho:

 

·     que seja uma para manter vivo no Cursilhista o espírito de conversão progressiva;

·     que esteja orientado a que os Cursilhistas façam de sua vida uma convivência para os irmãos na comunidade eclesial própria e no mundo onde devem realizar sua missão específica como leigos;

·     que faça crescer nos Cursilhistas a consciência de que devem ser o fermento de Evangelho nos ambientes;

·     que, embora os Cursilhos de Cristandade não sejam uma Associação, necessitam um mínimo de organização que os oriente e sirvam aos Cursilhistas para se inserirem na comunidade eclesial e para realizarem um cristianismo vivo e operante.

 

 

IV - ESTRATÉGIA ESTRUTURAL DO MOVIMENTO DE CURSILHOS

 

A) Linhas básicas de estratégia estrutural:

 

         O primeiro passo e o mais importante é contar com a ajuda da Graça de Deus, que devemos pedir com a onipotente força da oração confiante, constante e humilde.

 

         Antes de tudo, é preciso reafirmar, dentro da Estratégia Metodológica de Cursilhos, a importância da súplica espiritual (oração, sacrifício, obras de misericórdia). Esta é uma nota muito característica do Movimento: uma súplica real, sincera e permanente, individual e comunitária, que assegure a eficácia dos demais passos.

 

         Suposto esse primeiro e permanente passo na ação do Movimento de Cursilhos para a melhor consecução de sua finalidade própria, os passos básicos a serem dados depois, da planificação de seus esforços humanos, são, em grandes linhas, os seguintes:

 

   1. Selecionar os ambientes que mais interessa ou urge cristianizar, de acordo com as prioridades da Pastoral de Conjunto da Diocese e levando em conta a maior importância do ambiente, como agente influente de mudança na sociedade ou comunidade, e a possibilidade de alguns dirigentes de Cursilhos poderem realizar a penetração nesse ambiente pelo caminho da normalidade, ou porque pertencem a ele, ou porque podem relacionar-se com quem o integra.

 

    2. Detectar as pessoas-vértebras que, por sua natureza positiva influenciam no ambiente selecionado como campo de cristianização, que ofereçam fundada esperança de serem os elementos mais capazes de iniciar e amadurecer com rapidez e eficácia a cristianização desse grupo humano.

 

    3. Dar um tratamento prévio e adequado a estas pessoas-vértebras pensadas como possíveis candidatos para um Cursilho. Este tratamento prévio deve ser dado de uma forma pessoal, espontânea e natural, procurando despertar nelas, mediante o testemunho e a palavra, desejos de sincera mudança, que mais tarde florescerão, sem dúvida, numa autêntica conversão, ou ao menos, num início de conversão.

 

  4. Convidar estes candidatos, suficientemente preparados, a fazer a experiência do Cursilho.

 

     5. Acompanhar, depois do Cursilho, os grupos ou pessoas selecionadas.

 

         É de vital importância este passo, para que estes homens-vértebras continuem e amadureçam na conversão iniciada ou renovada no Cursilho, e, sobretudo, consigam integrar-se como núcleo cristão, comprometido e perseverante na solução cristã dos problemas de sua comunidade ou ambiente, para cuja fermentação evangélica foram selecionados.

 

B) Áreas de atividade na estratégia estrutural do Movimento:

 

         Os responsáveis pelo Movimento de Cursilhos, numa adequada planificação integral de sua ação, deverão desenvolver, para a melhor consecução de sua própria finalidade, as seguintes atividades:

 

   1. Estreito relacionamento com a Hierarquia: por ser obra de Igreja e nitidamente diocesana, deverá ser sempre o Bispo, último responsável de toda a ação pastoral que se desenvolve em sua Diocese, a pessoa sobre a qual recaia a maior responsabilidade no funcionamento do Movimento de Cursilhos.

 

     2. Comunicação e integração com as ações dos demais agentes da Pastoral: além de ser uma exigência teológica de nossa realidade cristã e eclesial tão insistentemente desejada exigida em todos os seus seguidores por Cristo, esta comunicação e integração com quantos trabalham na Pastoral dará ao Movimento de Cursilhos uma maior eficácia operacional numa dupla dimensão: por um lado, eles poderão aproveitar melhor o que o Movimento de Cursilhos lhes pode dar com sua ação pastoral específica; e, por outro lado, os Cursilhos poderão conhecer com maior detalhe e profundidade os múltiplos campos de realização apostólica que, em união de forças, para alcançar objetivos comuns, estão se realizando na Diocese.

 

      3. Estudo ambiental dos grupos humanos que integram uma comunidade e seleção de ambientes: é dever primordial do Movimento de Cursilhos, face à consecução de sua finalidade própria, determinar e hierarquizar todos aqueles grupos humanos ou ambientes que, pelas características especiais de suas circunstâncias, repercutem com maior influência no condicionamento do comportamento dos integrantes da comunidade. Insistimos na importância capital deste dever dentro da ação pastoral do Movimento, pois dificilmente poderá começar a agir em suas próprias funções, se não for escolhido, previamente e com acerto, o campo específico - os ambientes - pelo qual ele mesmo (dentro de sua essência, finalidade e método) optou, como campo concreto de sua tarefa evangelizadora.

 

    4. Equipes de trabalho nos ambientes selecionados: o Pré-Cursilho será preferentemente atividade apostólica de uma comunidade cristã, porque os homens que se pretende levar aos Cursilhos devem ser buscados e preparados numa ação comunitária (trabalho de grupos).

        

         É fundamental, na planificação estratégica do Movimento, essa atuação “em grupo” para o estudo e penetração dos ambientes selecionados, pois as atividades personalísticas e individualistas normalmente dificultam a consecução de sua própria finalidade.

 

    5. Seleção de pessoas-vértebras: com seu contato e atuação, a equipe de trabalho poderá fazer um juízo mais acertado do valor das pessoas que o integram. Fruto desse estudo será a detectação daquelas pessoas (e sempre preferentemente “grupos de pessoas”), que sejam homens autenticamente insatisfeitos, que tenham capacidade de compromisso e possibilidade de trabalhar em colaboração com os homens de boa vontade; que ofereçam, numa palavra, fundada esperança de ser os elementos mais eficazes no quarto dia, para conseguir a cristianização que se pretende nesse ambiente.

 

  6. Tratamento próprio: sem pressões, sem situações fingidas, sem necessidade de começar por mencionar a palavra Cursilhos (e muito menos pretender usá-la como elemento precipitador de uma decisão, que normalmente deverá obedecer a um impulso pessoal e efetivo), à base de testemunho e palavra, irão amadurecendo neles, pouco a pouco e durante o tempo que for necessário, um processo de iniciação (pré-evangelização) para uma “vida melhor” que, sem dúvida, se cristalizará posteriormente na “opção totalizante”, que lhes exigirá o Cursilho.

 

      7. Cursilho: os “três dias de Cursilho”, supostos os passos anteriores, têm decisiva importância na Estratégia Metodológica, porque neles, os candidatos selecionados são tocados tão profundamente pela Graça de Deus, que a passagem pelo Cursilho, normalmente, marca toda a sua vida.

 

         Sendo isso assim, como o demonstra a experiência, o grande amor e respeito que devem merecer-nos os homens, e o dever que o Movimento de Cursilhos tem, de buscar sua verdadeira finalidade, obrigam os responsáveis pelo mesmo a se esforçarem por todos os meios a fim de que cada Cursilho, em cada candidato, alcance, mediante o melhor e mais adaptado uso de sua metodologia e rica variedade de recursos divino-humanos, seus próprios objetivos:

 

·     a conversão integral (interna, externa, individual e comunitária), que já oriente integralmente seu viver e atuar no sentido cristão;

·     a opção totalizante, que exija que o homem seja (não atue só algumas vezes) cristão, esforçando-se para evitar a dicotomia entre sua vida normal e sua fé;

·     conseguir que o eixo existencial da pessoa atinja uma vivificação cristã em toda a vida profissional, familiar, social...;

·     orientá-lo a que se insira em seus próprios ambientes com espírito evangélico;

·     despertar nele a necessidade de uma circunstância santificante (grupo ou comunidade).

         Para conseguir seu próprio objetivo o Cursilho conta fundamentalmente

 com dois meios: - a proclamação “querigmática” da Palavra de Deus,

 

·     e o Testemunho dos que a proclamam.

 

     8. Pós-Cursilho: esta última etapa de atividade do Movimento de Cursilhos,          na planificação integral de suas ações pretende:

 

·     que a mensagem recebida no Cursilho lance raízes cada dia mais profundas na alma  dos candidatos;

·     que a “conversão” ou “renovação da vida cristã”, iniciada no Pré-Cursilho e Cursilho, chegue a maturação integral;

·     que se consolide a amizade cristã, descoberta no trato e convivência com os irmãos;

que a ação apostólica, pessoal e comunitária, seja impulsionada e canalizada para a evangelização dos ambientes.

 

      Para alcançar estes objetivos do Pós-Cursilho é sumamente importante contar com a atuação do mesmo grupo de dirigentes que trabalhou desde o Pré-Cursilho, no Cursilho e no estudo e penetração de cada ambiente. eles procurarão:

·     apoiar os que saíram do Cursilho no desenvolvimento das atividades de evangelização que, com mentalidade leiga, vão iniciar nos seus ambientes.

·     participar na formação e maturação dos grupos de amizade, nos quais seus membros encontrarão a vivência e convivência da comunhão cristã;

·     fomentar a comunicação entre os diversos grupos que pertencem a um mesmo ambiente, abrindo caminho para o florescimento de verdadeiras comunidades eclesiais, que sejam testemunho autêntico de fé, esperança e amor diante da sociedade.

 

      O método de Cursilhos proporciona, nesta última etapa, dois meios específicos que, através da vivência comunitária do fundamental cristão, ajudam o indivíduo a ir alcançando progressivamente a perfeição pessoal, para que, através do indivíduo, a comunidade se aperfeiçoe e se santifique: Reunião de Grupo e Ultreya.

 

      Na REUNIÃO DE GRUPO, o grupo de amizade que integra busca tornar permanente em seus membros a vivência do fundamental cristão, compartilhando-a comunitariamente para que, com seu testemunho, o grupo faça a Igreja presente no mundo de hoje e seja fermento de Evangelho em seus ambientes. Este compartilhar de forma permanente a vivência do fundamental cristão faz com que o grupo amadureça em sua fé, em sua esperança e em sua caridade, e se transforme em uma verdadeira comunidade cristã comprometida com suas realidades espirituais e temporais.

 

      Na ULTREYA se realiza o contato vivencial e o intercâmbio de experiências apostólicas dos grupos de amizade, constituídos em Reuniões de Grupo. Nela se facilita a perseverança na vida cristã dos que fizeram um Cursilho, mediante sua maturação na fé em escala eclesial e sua vinculação orgânica à Igreja; nela se estabelece o necessário contato com os ambientes que se descobrem pessoas que de maneira direta podem responsabilizar-se por seu estudo e penetração; nela se vive, finalmente, em nível de Movimento, em íntima colaboração com as estruturas eclesiais, numa Pastoral de Conjunto.

 

C) Estruturas operacionais do Movimento de Cursilhos:

 

      A planificação integral e a aplicação da Estratégia Metodológica, encaminhadas para a consecução da finalidade concreta dos Cursilhos, corresponde às suas estruturas operacionais: o SECRETARIADO e a ESCOLA DE FÉ E VIDA.

 

      Com um mínimo de organização e um alto sentido de serviço ao mundo e à Igreja, elas devem sustentar e impulsionar todas as ações do Movimento para a mais eficaz consecução de sua finalidade.

 

V - FUNÇÃO PRÓPRIA DO MOVIMENTO DE CURSILHOS DE CRISTANDADE NA AÇÃO PASTORAL DA IGREJA.

 

A) Igreja e Pastoral:

 

      A ação pastoral da Igreja é variadíssima e multiforme, como variadas e multiformes são as realidades dos homens, que exigem respostas dinâmicas e sempre novas na única e perene Palavra de Deus.

 

      Esta riquíssima variedade de ações  pastorais aparece tantos nos objetivos concretos a obter como nos procedimentos metodológicos para consegui-los.

 

      As diversas ações pastorais da Igreja são que ela, na realidade da missão de Cristo, da qual participa, oferece aos homens em ordem à sua salvação e libertação, agrupados em três Ministérios, inter-relacionados na finalidade a conseguir:- o MINISTÉRIO PROFÉTICO;- O MINISTÉRIO LITÚRGICO; - o MINISTÉRIO HODEGÉTICO.

 

      O Serviço da Palavra - Ministério Profético - se realiza no anúncio da Boa-Nova (Quérigma, Catequese, Homilia). É a Pastoral Profética.

 

      O Serviço do Culto ao Senhor - Ministério Litúrgico - é o exercício ou celebração pascal do culto da Nova Aliança nos Sacramentos, na Eucaristia e no louvor divino. É a Pastoral Litúrgica.

 

      O Serviço da Caridade - Ministério Hodegético - é a atenção solícita e respeitosa às comunidades para promover sua unidade, harmonia e dinamismo como Corpo de Cristo e Povo de Deus: organizá-las e dirigi-las de maneira que nelas se alcance a plena realização humano-cristã da pessoa e que desta possibilidade gozem todos os homens. É a Pastoral da Caridade.

 

B) Movimento de Cursilhos e Pastoral de Igreja:

 

1. Função própria do M.C.C. na ação pastoral da Igreja

 

      “O Movimento de Cursilhos de Cristandade é um agente com função específica na Pastoral” (Os Cursilhos se Renovam). E como agente da Pastoral, sua função específica na realização da única missão da Igreja está determinada por sua própria essência, finalidade e método.

 

      A essência, finalidade e método do Movimento de Cursilhos determinam com clareza a função específica do mesmo na ação geral da Igreja, situando-o:

 

·     como um elemento e um instrumento da Pastoral Profética, e dentro da Pastoral Profética, da Pastoral Querigmática.

·     e como um agente eficaz, com função própria, na fermentação evangélica dos ambientes.

 

     Sua mentalidade e método assinalam igualmente a forma específica de realizar a missão de fermentar de Evangelho os ambientes:

 

·     através das pessoas, preferentemente em grupos, de maior influência natural nos ambientes. A esta forma de ação pastoral nos ambientes, e a esta forma de chegar a eles através de homens, agentes decisivos de mudança, damos o nome de Pastoral ambiental, e, dentro da Pastoral ambiental, a chamamos de Pastoral das pessoas de maior influência humana nos ambientes.

    

      É compromisso do Movimento de Cursilhos de Cristandade integrar-se no trabalho da Igreja ao fermentar de Evangelho os ambientes, mediante a sincera conversão ou renovação Cristã dos homens que têm maior influência natural neles. E para que sua colaboração seja eficaz, põe a serviço da Igreja seu próprio método.

 

2. O Movimento de Cursilhos, agente da Pastoral Querigmática

 

      Dentro da Pastoral Profética, o Movimento de Cursilhos, por sua própria finalidade e método, em sua função evangelizadora, opta pela forma “Querigmática”, cujos dados fundamentais são:

 

·     Proclamação da notícia de Deus, da Boa-Nova, da Palavra poderosa, que converte e salva. Não se trata de palavras que ilustrem, expliquem ou desenvolvam uma doutrina mas da Palavra que fala e atua, da Palavra que interpela, que inquieta, que descobre, que compromete..., até conseguir que aconteça alguma coisa a quem a escuta.

·     Busca direta da fé de conversão - que posteriormente deverá ser ilustrada pela catequese e culminará no Batismo, na Eucaristia e nos demais atos cultuais da comunidade cristã.

·     Proclamada pelos mensageiros que, credenciados por Deus e acompanhados de sinais, dêem testemunho.

 

      Em seu estilo próprio (método), o Movimento de Cursilhos transmite a Mensagem, como sinal, pelo testemunho e pela palavra, caracterizada esta por notas muito peculiares:

 

·     palavra simples, inteligível a todos, como foi a Palavra de Cristo;

·     palavra contundente, segura, porque não é ele, o mensageiro, mas Deus que fala, e diante da Palavra de Deus só tem lugar o “sim” ou o “não”.

·     palavra alegre, porque transmite notícias de vida, de luz e de esperança;

·     palavra adaptada, atualizada;

·     palavra esperançosa, porque Deus chama sempre ao perdão e à salvação;

·     e sobretudo palavra encarnada e comprometida, que torne presente e experimentável aquilo mesmo que se proclama.

 

      Os mensageiros, ou “rollistas” do Movimento (sacerdotes ou leigos), convencidos de que foram chamados enviados para anunciar a Palavra de Deus (não suas próprias palavras, e muitos menos seus próprios interesses):

 

·     aceitam com simplicidade a confiança de Deus e da Igreja, bem como o compromisso que supõe ser arautos e sinais vivos, transparentes e convincentes no testemunho pessoal e comunitário;

·     não se deixam esmagar com soberbo despeito ou rebeldia por suas limitações, defeitos e características humanas;

·     esforçam-se para ser ouvintes fiéis, conhecedores entusiastas e profundos, pessoas possuídas pela Palavra que hão de proclamar;

·     comprometem-se seriamente em fazer vida de sua própria vida, a Vida que anunciam;

·     confiam plenamente no Deus que os envia e lhes disse: “Eu porei minhas palavras em sua boca”.

 

3. O Movimento de Cursilhos, agente da Pastoral ambiental, e, dentro desta, da Pastoral realizada através das pessoas de maior influência humana nos ambientes.

 

      A Pastoral atual contempla, como uma prioridade, a criação de equipes apostólicas ou movimentos de leigos nos ambientes ou estruturas funcionais, onde se elabora e decide em grande parte o processo de libertação e humanização da sociedade.

 

      De outro lado, a mudança profunda e rápida que sofre a atual sociedade e os condicionamentos da mesma em todos os âmbitos, exige da Igreja a resposta sempre viva e atualizada da Palavra de Deus e a adequação de suas próprias formas de ser e de agir às novas circunstâncias do mundo, no qual se insere.

 

      A presença da Igreja, na pessoa de seus membros, é assim motivadora e agente de mudança no mundo com o Espírito do Evangelho.

 

      Todos os cristãos, e em particular aqueles em cujos carismas os colocam em situação propícia, devem ser estes agentes de mudança.

 

      Nesta perspectiva e neste contexto da vida da Igreja de hoje, o Movimento de Cursilhos de Cristandade, por sua própria essência, finalidade e método - impregnar de Evangelho os ambientes através de grupos de pessoas influentes nos mesmos - é um agente eficaz com função própria na Pastoral ambiental.

 

     Para a maior eficácia no exercício desta ação específica, o Movimento de Cursilhos organiza seus recursos e meios:

 

·     descobre e hierarquiza os ambientes que mais influem na vida das comunidades humanas;

·     localiza os homens-vértebras, e, se existem, os grupos de influência nos ambientes que procura evangelizar;

·     suscita neles desejos nobres de valores superiores e transcendentes;

·     coloca-os frente a frente com a Boa-Nova do Evangelho;

·     propicia sua integração em comunidade cristã;

·     para que, em cada comunidade, e por ela, assegurem o desenvolvimento de sua conversão iniciada ou renovada no Cursilho;

·     e assim possam fermentar evangelicamente seus próprios ambientes, apoiados na convivência apostólica com outros grupos com os quais formam uma comunidade eclesial.

 

     Na planificada organização de seus recursos e meios para desempenhar fielmente sua função própria dentro da Pastoral ambiental, o Movimento de Cursilhos presta especial cuidado ao Pré-Cursilho:

 

·     prepara e realiza sempre os Cursilhos em função direta dos ambientes a transformar, através de seus próprios homens-vértebras, que, em núcleos cristãos, se reintegram em seus ambientes, e neles realizam sua ação de promotores de mudança com o Espírito de Cristo;

·     serve-se de todos os recursos que o conhecimento do homem propicia, a fim de descobrir e interessar aqueles que deverá convidar ao Cursilho;

·     realiza estudos profundos e sérios dos ambientes e dos homens, valendo-se para isso de todos os recursos possíveis: sociológicos, econômicos, pastorais...;

·     põe-se em comunicação pessoal com as pessoas-vértebras e com os grupos de influência descobertos, com o espírito de verdadeira amizade cristã, para interessá-los na ação salvífica de Cristo na Igreja hoje, convidando-os e acompanhando-os a uma nova vida de generoso compromisso com suas próprias realidades do mundo e da Igreja.

 

     No Pós-Cursilho, o Movimento de Cursilhos, como agente da Pastoral ambiental: traz para a Igreja grupos, núcleos ou pequenas comunidades - fermento de comunidade eclesial - que, em íntima amizade, convivem seu cristianismo, crescem cada dia mais na fé e irradiam Cristo em seus ambientes.

 

     Esta contribuição está na própria essência da Igreja, e vai ao encontro de uma exigência constante de sua ação salvadora, que se torna sinal compreensível na pequena comunidade. É, além disso, uma resposta às grandes carências do homem de hoje, que vive num mundo que o levou ao anonimato, à desumanização e ao isolamento espiritual, não só nas grandes cidades, mas em todos os lugares que, de uma forma ou de outra, sofrem as conseqüências da tecnificação, da urbanização e massificação.

 

     Quanto maior for a consciência dos grupos cristãos amigos surgidos de um Cursilho de Cristandade, de que são parte viva e integral da Igreja e núcleos do espírito na comunidade, tanto maior será a eficácia de sua ação transformadora e libertadora, como realização da única missão: a de Cristo em sua Igreja. 

 

 

 

Carisma

Método e Estratégia

Os Três Tempos

Logo MCCO MOVIMENTO DE CURSILHOS DE CRISTANDADE é um movimento de Igreja que, mediante um método próprio, possibilita a vivência e a convivência do fundamental cristão, ajuda a descobrir e a realizar a vocação pessoa, e visa a formação de núcleos de cristãos, que irão fermentar de Evangelho os ambientes.  

     


Carisma

O Movimento de Cursilhos, definindo-se como um "Movimento de Igreja", tem seu lugar nas "Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil" e tem sua missão específica na ação pastoral e evangelizadora e no contexto eclesial. Essa missão ou função ou função está determinada por seu carisma e expressa por sua finalidade: "Possibilitar a vivência do fundamental cristão, visando criar núcleos de cristãos que fermentem de Evangelho os ambientes, ajudando-os a descobrir e a realizar a vocação pessoal".  

Conseqüentemente, o MCC se situa:  

  1. Como um elemento e um instrumento da Pastoral profética;
  2. Com função própria no contexto das "Diretrizes" e de suas "exigências básicas": operar na fermentação (presença a partir de dentro das realidades) evangélicas dos ambientes;
  3. Através de uma forma específica (núcleos ambientais) determinada por seu método (querigmático).

O MCC tem clara consciência de como é importante e transcendente o ministério profético (ou evangelizador), "realidade primeira da economia da salvação e princípio de toda a vida para a Igreja" e procura, solidariamente como outras iniciativas pastorais, ser humilde executor desse Ministério eclesial. Querendo viver em comunhão missionária com a Igreja, o Movimento de Cursilhos entende que "dar frutos é uma exigência essencial da vida cristã e eclesial. Aquele que não dá fruto não permanece em comunhão. 'Todo ramo que não der fruto, meu Pai o corta'" (CL 32).  

 A opção do MCC é ser agente de evangelização dos ambientes (Pastoral Ambiental) como um elemento e um instrumento das "exigências irrenunciáveis" (serviço, diálogo, anúncio, testemunho de comunhão eclesial) da ação evangelizadora e pastoral. Portanto, o MCC, sendo fiel ao seu carisma, entende que sua plena integração pastoral significa também, ser agente de uma evangelização inculturada. "A Igreja, Povo de Deus peregrino na História, tema a missão de ser lua, sal e fermento no mundo. Estando presente na sociedade, a Igreja como um todo - tanto os fiéis individualmente como os grupos, instituições e organizações eclesiais - vivem profunda relação de influência mútua com essa mesma sociedade. Crescendo na fé, o povo de Deus vai tomando consciência cada vez mais clara de sua dimensão profética, que anuncia o Senhor e o se Reino, e denuncia tudo quanto avilta o homem, imagem e semelhança de Deus. Vai tomando consciência, igualmente, da missão que lhe cabe de contribuir para a transformação da sociedade". Da ação do MCC, portanto, exige-se que seja transformadora, inculturando-se e inculturando o Evangelho.  

Aqui também, se faz presente uma outra exigência relativa aos "critérios de eclesialidade" expressos na Exortação Apostólica "Christifideles Laici". "O empenho de uma presença na sociedade humana que, à luz da doutrina social da Igreja, se coloque a serviço da dignidade integral do homem. Assim as agregações dos fiéis leigos devem converter-se em correntes vivas de participação e de solidariedade para construir condições mais justas e fraternas no seio da sociedade". Se, por acaso, ainda havia algum resquício de dúvida quanto ao compromisso de ação transformadora do MCC, já não há mais. É isso que se espera.  

Essa missão evangelizadora, o MCC a assume como um ministério libertador do homem todo e de todos os homens, e como uma tarefa histórica, porque chegou a hora da libertação: o Reino de Deus está próximo. O projeto do Reino consubstanciado num modo novo de relação e na libertação integral da pessoa é parte essencial da evangelização, na medida em que esta se expressa como um serviço à pessoa e à sociedade. Evangelizadora e evangelizando, ambos são protagonistas e destinatários da vida familiar, política, social e econômica na perspectiva do Reino.  
  

Método e Estratégia

A estratégia do Movimento de Cursilhos está delineada na sua própria definição, que é a seguinte:  

  1. o Mcc é um movimento de Igreja: caminha com a Igreja universal, nacional e diocesana no tempo e no espaço e, por isso, está comprometido com suas opções pastorais;
  2. tem um método próprio: querigmático, vivencial, testemunhal, que o caracteriza e se aplica aos seus três tempos, isto é, ao pré-curslho, ao cursilho e ao pós-cursilho;
  3. possibilita ao participante a vivência do fundamental cristão: resposta ao Plano de Deus pela vivência da Graça e dos valores do Reino e pelo seguimento de Jesus de Nazaré;
  4. leva à formação de núcleos de comunidades para a convivência do fundamental cristão e para a fermentação evangélica dos ambientes: este é o carisma do MCC, sua característica pastoral própria, específica;
  5. ajuda cada um a descobrir sua vocação (fundamentalmente cristã) e respeita essa vocação (os talentos e carismas de cada um).

Explicita melhor essa definição, esclarecendo-se primeiramente sua finalidade:  

  1. imediata: vivência do fundamental cristão; vivenciar a Graça, a Vida divina realizando o plano de Deus, anunciando seu Reino e seguindo a Cristo;
  2. mediata: convivência do fundamental cristão em núcleos/grupos/pequenas comunidades;
  3. última (principal, própria, específica, determinante): fermentação evangélica dos ambientes, ou seja, a Pastoral Ambiental.

Os Três Tempos

Tal finalidade se alcança nos três tempos - PRÉ, CUR e PÓS - que são essenciais ao correto desenvolvimento do Movimento. Tão essenciais que frustando-se um deles , deixa o MCC de ser o que é. São esses passos para alcançar a finalidade:  

  1. no Pré-Cursilho: busca ambiental, selecionando-se a área ou ambiente a ser evangelizado e as pessoas líderes ou vértebras nesses ambientes ou áreas;
  2.  no Cursilho: tempo forte para a proclamação da Mensagem (o Plano de Deus - a Graça; o Reino de Deus e o Seguimento de Jesus). Normalmente esse tempo dura três dias e três noites;
  3. no Pós-Cursilho: inserção na Pastoral Ambiental, através de núcleos/grupos/pequenas comunidades. Aqui é de vital importância a Escola vivencial ou de formação ou de aprofundamento na fé: é o cérebro do MCC, seguida pelas Assembléias mensais (antigas Ultréias), onde se faz a avaliação da presença e do trabalho dos núcleos nos ambientes.

No desenvolvimento dos três tempos está implícita sua própria estratégia pastoral, como é fácil de perceber pela leitura acima. Há entretanto, na estratégia do Movimento, aspectos complementares ou acidentais que abarcam:  

  1. as coisas mais importantes, cujas modificações competem à decisão da Assembléia Nacional do Movimento;
  2. coisas menos importantes entregues ao bom senso das Assembléias Regionais ou Diocesanas ou do próprio Grupo Executivo Diocesano quando mudanças ou redirecionamentos se fizerem necessários.

 

SUGESTÃO PARA UMA PROGRAMAÇÃO DE ESCOLA VIVENCIAL DO MOVIMENTO DE CURSILHOS

 

                                                                                              Pe.José Gilberto Beraldo

Assessor Nacional e Mundial do MCC   

                                                                                 

 

Alguns Grupos Executivos Diocesanos (GED) do MCC e alguns responsáveis solicitaram-me sugestões para programar a Escola Vivencial do Movimento para 2002. Vou tentar satisfazê-los com estas linhas. Entretanto, antes de partir para sugestões concretas, permito-me levantar alguns questionamentos ou, apenas, relembrar alguns pontos:

 

1.    A ESCOLA VIVENCIAL ou ESCOLA DE FÉ do MCC é, antes de tudo, um clima interior. Isto é, trata-se de uma disposição interior de aceitação daquilo que, um dia, no Cursilho, chamou-se de início de um processo de conversão. Tal processo passa pela mudança de mentalidade e de posturas concretas na vida da pessoa atingida pela mensagem evangélica, proclamada por testemunhas antes que por mestres. Por sua vez, essa mudança de mentalidade não é algo terminado no exato momento em que se pensa ter acontecido. Pelo contrário, de novo é um processo que, a cada passo, vai exigindo uma mentalidade de mudança.  Os tempos mudam, os critérios vão se diversificando, a visão de mundo vai-se transformando aceleradamente e assumindo dimensões de desafio para as consciências e o comportamento dos cristãos. Daí a necessidade de uma mudança de mentalidade que, a cada dia, renova a caminhada da conversão e insinua novos caminhos de volta para o Pai e para a comunidade dos filhos de Deus. Pois bem, este processo enquanto continuamente vivenciado, cria o clima ao qual se fez referência. Clima, aqui, é disponibilidade generosa, abertura sem limites e é, fundamental e principalmente, uma opção radical, fundamental.

 

2.    Esta opção radical ou fundamental é a opção para conhecer, amar e servir o Mestre Jesus que, no Cursilho, chamou a pessoa que Ele mesmo escolheu, da mesma forma que, um dia, há dois mil anos, escolheu seus primeiros seguidores. Eles responderam com tanta generosidade que largaram tudo: família, trabalho, redes de pesca, etc.. Até chegou um momento em que um dos escolhidos, Pedro, quase se irritou quando o Mestre indagou dele se, efetivamente, O amava. E o mesmo Pedro repetiu por três vezes que sim, que deixara tudo por Ele.  E aí está a conseqüência do conhecimento, do amor e do serviço ao Mestre. A tal atitude dá-se o nome de seguimento incondicional de Jesus de Nazaré.

 

3.    Ora, quem quer seguir o Mestre, está sempre em clima de discipulado, de aprendizagem. Não importam nem o dia, nem a hora, nem a programação...importam uma atenção e abertura contínuas para ouvir o Mestre, dialogar com Ele e com Ele conviver, convivendo com aqueles que nutrem as mesmas aspirações e alimentam os mesmos anseios e as mesmas esperanças. A Escola Vivencial, portanto, não se restringe nem a um dia, nem a uma hora e nem, muito menos a uma programação. Mesmo que seja esta o melhor do melhor em termos de atualidade, de dinâmicas, de didática, etc.

 

4.    Em artigo já publicado na Internet, tive oportunidade de propor algumas reflexões sobre a Escola do MCC. Num dos parágrafos lê-se o seguinte: “A Escola do MCC é um “clima”, uma mística de discipulado do Mestre Jesus Cristo. Portanto, não se restringe a um dia ou a uma noite. É a vida inteira do cristão que é  uma Escola. Mas, um dos momentos fortes dessa Escola é quando seus participantes comprometidos se reúnem para  a) rezar juntos, animados pelo Espírito de Deus e pela presença de Jesus, b) refletir sobre a Palavra de Deus, c) trocar experiências de ação evangelizadora vivenciada em seus ambientes, d) discutir e projetar estratégias para uma presença ativa nas realidades do mundo, e) informar-se sobre a conjuntura da atualidade, analisando sua incidência sobre as responsabilidades do cristão em relação ao anúncio do  Reino de Deus, f)estudar a doutrina para fortalecer sua fé, g) alimentar suas idéias e aquecer seus corações, bem como e) tomar conhecimento das orientações pastorais da Igreja e dos documentos do MCC e de sua atualização com a caminhada da Igreja.  Essa é a Escola do Movimento de Cursilhos. Isso tudo faz-se de maneira organizada, didaticamente planejada, pedagogicamente transmitida. Para que tudo possa ser claramente assimilado e eficazmente executado; conscientemente assumido e comprometidamente concretizado”.

 

5.    Conclusão: quem, no Cursilho, não chegou a este convencimento ou, pelo menos, não começou a amadurecer um processo de discipulado ou não conseguiu, ainda, criar um clima de ser  discípulo de Jesus, não vai entender o que seja uma ESCOLA VIVENCIAL e, muito menos, vai querer dela participar. E, se o modelo de Escola que se oferece, é um modelo ultrapassado, inerte, desfocado da realidade, longe dos anseios e das esperanças daqueles que para ela são chamados, então, é claro, mais interessantes e atraentes serão as novelas ou os informativos da TV ou, até mesmo, o bar da esquina e o divertimento com os amigos! Lembremo-nos: só vale a pena, hoje, aquilo que me interessa, o que interessa para a minha vida, o que interessa para responder aos meus anseios e às minhas esperanças, hoje cada dia mais frustradas e tendentes à desilusão e ao desespero!

 

Proposta

 

Criada tal mentalidade ou, com esperança fundada de que a pessoa que desejamos atingir pode desenvolver esse tipo de potencialidade (e todos podem fazê-lo...), então pode-se propor uma programação didática para os momentos da Escola: dia, hora, circunstâncias, programação de assuntos e matérias, etc., sempre lembrando que tudo, mas tudo mesmo, supõe a convivência fraterna. Sem esta, a Escola será indigerível, indigesta e, no mínimo, chata e aborrecida!  Considerados os pontos anteriores, chega-se facilmente a uma  conclusão inescapável: qualquer programação, para ser interessante e para ser efetivamente assumida, necessita da opinião de todos os que dela vão participar. Há que nos convencermos de que, nos dias de hoje, tudo o que é decidido longe de mim, não desejo perto de mim! E, muito menos, desejo como parte integrante de mim mesmo!

 

Assim, supondo quatro as sessões mensais de uma ESCOLA VIVENCIAL, poderíamos dar-lhe a seguinte estrutura básica assentada em quatro pilares (que correspondem a cada semana):

 

Primeiro pilar: “Vivenciando a Palavra de Deus na vida”

 

Segundo pilar: “Caminhando com o Povo de Deus, a Comunidade eclesial”

 

Terceiro pilar: “Vivenciando o Mistério da salvação”

 

Quarto pilar: “Amadurecendo e educando-se na Fé”

 

Concretamente:

 

Na 1ª semana do mês: “Vivenciando a Palavra de Deus na vida”Círculo Bíblico: encontram-se nas livrarias católicas esquemas práticos de Círculos Bíblicos para todas as semanas do ano.  São excelentes para desenvolver um clima de vivência da Palavra de Deus na concretude do cotidiano. Trata-se, ademais, de momento providencial para uma fraterna convivência que pode proporcionar aos participantes preciosa ocasião para seus desabafos, para uma troca de experiências de vida, para uma partilha solidária de tristezas, alegrias e esperanças. 

 

Na 2ª semana do mês: “Caminhando com o Povo de Deus, a Comunidade Eclesial” – estamos inseridos no projeto SER IGREJA NO NOVO MILÊNIO SINM – e, portanto, temos que participar da proposta através do estudo e vivência dos Atos dos Apóstolos. Para esta segunda semana propõe-se o estudo do opúsculo da CNBB: “Que novidade é essa? Uma leitura dos Atos dos Apóstolos”. Também encontra-se em qualquer livraria católica e custa muito pouco. Todos os participantes devem ter em mãos o folheto.

 

Na 3ª semana do mês: “Vivenciando o mistério da Salvação” – neste início de ano, buscar aprofundar a Campanha da Fraternidade. Tratar do assunto com o auxílio do material publicado pela CNBB, também de fácil aquisição nas livrarias e paróquias. Ao terminar a CF, levar em conta o aprofundamento das celebrações que caracterizam cada mês do ano: Pentecostes, Santíssima Trindade, Corpo de Deus, Sagrado Coração de Jesus, Missões, Bíblia, etc.deles extraindo compromissos para a prática da vida. Pois as festas litúrgicas não servem, apenas para alimentar nossa piedade ou atender a exercícios rituais, mas criam momentos privilegiados de conscientização e de participação no cotidiano.

 

Na 4ª semana do mês: “Amadurecendo e educando-se na fé” – poderia parecer proposta de um estudo frio e impessoal da doutrina cristã. É, sim, um estudo. Mas um estudo a partir da opção dos participantes que dirão quais os assuntos atuais que desejariam ver expostos  e esclarecidos à luz dos critérios evangélicos, dos valores éticos e morais dos ensinamentos de Jesus bem como da doutrina social da Igreja, das orientações pastorais do Papa, dos Bispos, da CNBB...por exemplo: no seu dia-a-dia, todos comentam a questão da clonagem (o que é, o que pensam os cientistas, qual o modo de pensar da Igreja à luz da Palavra de Deus e da fé cristã); ou os  questionamentos suscitados tanto pela agressão sofrida pelos Estados Unidos em 11/09/2001 quanto pela vingança destes no Afeganistão, etc. Aqui cabe, ainda, proporcionar e incentivar o conhecimento e estudo dos Documentos do MOVIMENTO DE CURSILHOS: orientações, decisões nacionais e regionais, subsídios para os responsáveis, etc. Não seria nada mal que se buscasse aprofundar o conteúdo das mensagens do Cursilho, destinando cada “aula” a uma das mensagens, etc.

 

Como é fácil de se perceber, a proposta supõe não apenas exposições frias, impessoais ou meramente narrativas. Supõe participação, atividade e total envolvimento dos participantes. Supõe que, mesmo fora dos momentos de “aula”, os participantes poderão ser divididos em grupos de estudo e de trabalho para pesquisa, levantamento das realidades locais, etc. como que executando um “dever de casa”.

 

Ambientação

 

Não são necessárias longas considerações para perceber-se que a execução da proposta exige uma ambientação adequada para esse tipo de trabalho.  De fato, se não se dispuser de um ambiente alegre, claro e convidativo, com acomodações mais ou menos confortáveis (cadeiras ou carteiras funcionais, etc.) dificilmente uma pessoa, acabando de sair do trabalho, cansada do dia-a-dia, envolvida em mil preocupações, dificilmente, digo, essa pessoa terá condições de interesse, de atenção e dedicação ao momento-chave do clima de discipulado que é ou que deveria ser uma Escola Vivencial do MCC! Não há como agüentar uma hora, uma hora e meia às vezes, com os braços cruzados, sentado num banco duro e incômodo, ouvindo intermináveis palestras ou  mal preparadas ou repetitivas e enfadonhas! Da mesma forma, de acordo com o assunto que se vai tratar, pode chegar o momento de dividir o grupo em diversos níveis: o dos iniciantes, o dos veteranos, etc. Isso, sobretudo, na quarta semana.

 

Avaliação

 

A cada trimestre far-se-á uma avaliação quer da ESCOLA no seu todo, quer da participação e dos resultados. Esta avaliação é fundamental para a retomada do entusiasmo e da alegria de todos os participantes e dos responsáveis pela Escola. E uma festa, um momento de descontração e de partilha generosa e fraterna são indispensáveis para o bom andamento de nossa Escola! A criatividade e a iniciativa dos participantes ditarão a oportunidade da festa. Ainda que toda reunião, toda convivência e qualquer assembléia dos filhos do mesmo Pai deveriam ser uma festa. Uma grande festa!