O porque do difícil relacionamento com nossos filhos adolescentes

Como foi formado o nosso ego, nossas características e problemas principais? É uma pergunta constante em nossas mentes. O nosso ego começou a se desenvolver quando éramos crianças, mais ou menos, dos 3 aos 6 anos. E não foi formado pela razão, mas pelas nossas emoções.  A nossa capacidade de pensar foi secundária. Por isso, nossas  emoções são essencial para atingirmos a tão esperada mudança e crescimento pessoal. Nosso lado lógico e racional só estava no início quando o ego se desenvolveu.

Todos nós sentimos solidão e abandono quando éramos ainda criança. Qualquer criança, não só crianças que foram abandonadas, agredidas ou sofreram abusos. Sabíamos exatamente o que nos machucou. Todos os tipos de crianças, as que sofreram e foram abusadas, as que tiveram pais normais e dedicados, crianças que cresceram e desenvolveram habilidades, crianças que foram elogiadas pelos seus sucessos. Todas também que seus pais se orgulharam, todas elas deveriam ter uma auto-estima sólida e um sentimento forte de valor pessoal. Todavia, o contrário é o que na maioria das vezes aconteceu. Ainda quando crianças nós aprendemos a eliminar sentimentos intoleráveis. Tanto criança, como adulto vivemos tentando expressar sentimentos que foram "excluídos" um dia, pois é impossível excluí-los, mas inconscientemente, porque o contexto original da exclusão não é consciente.

Tudo o que desenvolvemos na infância, acaba reaparecendo constantemente, como confusão e problemas em nossas vidas e continuam a nos modelar. Temos de ficar abertos a mudanças e crescimento, pois se formos fechados e defensivos, iremos jogar fora nossas energias e nunca realizaremos nosso possível. A principal característica do inicio de nosso desenvolvimento foi a dependência de nossos pais; o nossa grande intento é a conquista de nossa independência. A fase seguinte de nossa vida foi a de domínio e controle; onde nosso objetivo era conseguir nosso livre-arbítrio. E a já na adolescência foi a busca da identidade, abrangendo a sexualidade; logo nossa intenção de vida é simplesmente estarmos à vontade, sendo nós mesmos, acolhendo nossas emoções e sentimentos sem hipocrisia.

A adolescência é a primeira oportunidade de passarmos de novo por essas etapas iniciais, uma chance de testarmos a validade de concepções prévias, a força das defesas iniciais. É também tempo para reconsiderar concessões oriundas do medo de perdermos o amor de um de nossos pais, do medo de perdermos o controle sobre nossas emoções, do medo de constrangimentos. De modo bem típico, os adolescentes exibem um padrão amplo e em constante variação de defesas, atordoando as pessoas que os rodeiam ao modificarem sua posição sobre assuntos controvertidos tais como a auto-imagem, de um momento para o outro. O adolescente se vê às voltas com todas as lições que se supunha que ele tivesse aprendido de há muito ou, pelo menos, que seus pais esperavam que ele tivesse dominado. Conforme as energias sexuais vão emergindo, e os adolescentes buscam expressão, elas tendem também a fazê-lo sentir-se sem controle sobre si mesmo. Elas criam sentimentos e fantasias que ele pode não achar aceitável e ele pode atuar de um modo auto destrutivo, para se punir. O comportamento do adolescente é sua linguagem para exprimir seus sentimentos. Com freqüência, os pais tentam reprimir as emoções de seus filhos, sentimentos a respeito dos quais eles próprios se sentem pouco à vontade. A desonestidade dos pais de se recusarem a admitir seus próprios sentimentos pode tornar seus filhos ainda mais rebeldes e o adolescente pode, assim, perceber ou detectar a defesa do "adulto".

Na verdade, determinados pais encorajam, ocultamente, as atitudes de seus filhos e vivem uma falsa realização à medida que seus filhos fazem coisas que eles gostariam de ter tido a coragem de fazer, quer quando eles próprios eram adolescentes, ou naquele momento mesmo. O pai que se sente como que numa armadilha, no casamento, por exemplo, pode encorajar seu filho a fugir e, então, segui-lo-á em sua ilusão. É importante notar que, detalhes muitas vezes não considerados "tragédia" para um adulto, podem ter sido de vital importância para a criança. O desenvolvimento de uma criança se dá de maneira oscilante. Ela vai reagindo ao ambiente que vive, sempre usando a regra do erro e acerto, experimentando e testando para adaptar-se ao ambiente criado por seus pais. Na adolescência é que os problemas começam a aparecer, especialmente no relacionamento com os pais ou genitores. Na rua com os amigos o adolescente é uma coisa, tem um tipo de comportamento, às vezes bom, mas na maioria das vezes em desacordo com o que seus pais gostariam que fosse. Mas, em casa eles se transformam, começam a demonstrar suas compulsões e vícios emocionais, definindo seu tipo de ENEAGRAMA, por isso é muito bom conhecermos os diversos tipos e como ajudá-los a melhorar, sem tipificá-los ou acusá-los de serem isso ou aquilo! Os adolescentes se transformam, pois com seus amigos e colegas de escola, balada ou da faculdade são uma pessoa, ás vezes amável, divertida e até  religiosa, ou ás vezes totalmente o contrário: usa droga, faz sexo no ficar com o sexo oposto. Porém, quando está em casa, fica estressada, com extremo mau humor e discutindo com todos da minha família por assuntos banais. Ou então dão uma de boazinha, bem comportada e até obediente. Podemos ajudá-los, se procurarmos conhecê-los com profundidade e especialmente com muito amor. O/a adolescente tenta ser diferente, mas sozinho não consegue. Precisa de muita orientação e muito amor e carinho dos pais e amigos.

Quando o convívio diário com os membros da casa provoca estresse, mau humor e irritação, e os motivos aparentes das discussões sejam banais, essa mudança drástica de gênio indica que há algo que incomoda profundamente o adolescente em seu convívio familiar, provavelmente algo que no plano consciente não é percebido.

O período da adolescência costuma trazer esse tipo de conflito, que possibilita a passagem da dependência que caracteriza a infância à autonomia que define a fase adulta. Essa transição, contudo, é diferente de adolescente para adolescente e pode ser mais ou menos simples, mais ou menos demorada e mais ou menos bem-sucedida. Sua reação emocional pode estar ligada a uma tentativa de ensaiar essa transição, provocando um distanciamento emocional dos pais. Mas pode também trazer conseqüências drásticas na vida do jovem adolescente: dependência química de drogas ou medicamentos, gravidez prematura e fora do casamento, e até envolvimento com tráfico de drogas e contravenções que podem levar à prisão e com conseqüências irreparáveis. O que torna particularmente difíceis essas situações do ponto de vista emocional é a sensação de confusão e ambigüidade que se cria dentro da mente do adolescente e até do adulto, quando passa a sentir raiva de quem ama ou deveria amar, por serem seus pais, irmãos ou parentes. A vontade de investir contra quem amamos, pode estar relacionada à necessidade inconsciente de abrir um espaço em nossas mentes, que nos permita separar-nos de quem amamos. Geralmente isso ocorre quando a relação ë percebida internamente como algo opressivo. É como se a relação com quem amamos trouxesse uma espécie de inquietação, angústia e um verdadeiro sufoco mental. Trata-se de uma sensação de não poder existir separado do outro ou dos outros, no caso da família, acompanhada por uma grande cólera ou raiva, por sentir que dependemos emocionalmente e financeiramente deles, nossos genitores.

Meu caro amigo, não é fácil, sou pai de um casal de filhos e já senti na pele esse problema. De um dia para o outro passamos da condição de pai ou mãe super amados e respeitados, para a condição de pessoas “odiadas e execráveis” e extremamente incomodativas. Se do ponto de vista psicológico, ou até tipológico, a fúria e agressividade são explicáveis e compreensíveis, do ponto de vista do convívio social e ético é problemático, pois vai acarretar um sentimento de culpa que pode ser mais ou menos intenso, e como já dissemos com conseqüências imprevisíveis e ás vezes irreparáveis, tais como casamento apressado para sair de casa, ou fuga do lar e até suicídios. Temos visto na mídia acontecimentos que nos deixam estarrecidos, tais como: filhos assassinarem os pais ou o contrário, no momento de fúria os pais cometerem essas loucuras. Deus nos livre!

A autonomia do adolescente precisa ser construída, sem que haja rupturas ou afastamentos que possam trazer conseqüências graves para o resto da vida. Enquanto o equilíbrio não for possível, é inevitável que haja uma sensação de irritação e de estresse.

      Realmente não é fácil ser adolescente e passar por essa fase sem traumas e problemas, pois a sociedade é cheia de exigências e limites e há um futuro incerto, especialmente no que tange o manter seu status social e garantia de sobrevivência. Além do que, segundo a visão do adolescente é de que os pais “pegam no pé”. Do lado dos pais e educadores, o relacionamento com os adolescentes igualmente não é uma tarefa fácil. Em muitos momentos, no lar, começamos a disputar espaços, gostos e preferências. Como estamos refletindo, cada um dos membros da família tem o seu estilo, o seu jeito diferente, seu tipo, temperamento e característica eneagramática. 

Muitas vezes os pais aproveitam os acontecimento para fazer comparações entre um filho e outro, especialmente quando começa a conhecer essas tipologias. Como já vimos, não podemos rotular ninguém, especialmente nossos filhos e cônjuge. Os filhos têm que aprender a compartilhar tudo: as despesas, as dificuldades e economias de  luz, água, etc. É importante que os filhos entendam a família como uma equipe, que compartilhem desde o orçamento, até as dificuldades, que a família não seja apenas uma junção de indivíduos. Os adolescentes têm uma concepção, muitas vezes já preconceituada, preestabelecida de que o adulto não vai entendê-lo e aceitá-lo. Por isso é que é importante conhecer-nos e conhecer as características dos diversos tipos, para poder colocar tudo desmistificado. Os pais devem estar cientes de que existe esse preconceito do adolescente em relação ao adulto. Quando se fala em diferentes filhos, nós todos também, temos diferentes velocidades de raciocínio, diferentes vícios emocionais e características reativas. É importante buscar um nivelamento para se ter uma unidade. Quem está correndo lá na frente, na vanguarda, vai ter que segurar um pouco o freio, e aquele que está muito lento vai ter que acelerar um pouco as coisas, só assim nos entenderemos cada vez mais.

Os pais precisam agir como um verdadeiro “terapeuta”. É importante primeiro ouvir. É claro, há momentos com leis e regras, em que não dá mais para negociar, mas não precisa dar resposta fechada, autoritária, determinante quando os problemas com os adolescentes começam a aparecer: esconder as coisas: a nota baixa, os namoros, pequenos furtos da carteira, etc. Muitas vezes o adolescente não fala as notícias ruins porque sentem que os pais não estão abertos para conversar, refletir sobre estas boas ou más notícias. Não significa que a gente vai tolerar tudo e achar que tudo é normal.

Mas, saber porque isso está acontecendo, é muito difícil, às vezes é pelas más experiências que tenha tido, especialmente na infância. Se alguma vez, a criança teve uma experiência ruim com algo, se tentou explicar o acontecido, em paz e numa boa, explicando para os genitores o acontecido, mas a reação não foi boa, ou os pais reagiram com violência ou xingos, isto ficará marcado. Se o pai ou a mãe faz um escândalo, por exemplo, porque o filho ou filha usou uma determinada droga, álcool ou abusou da sexualidade. A criança ou adolescente não gostou, se sentiu mal, nunca mais queria repetir a experiência. Mas, quando ele tentou explicar para os pais, eles se escandalizaram, brigaram ou o trataram já como um verdadeiro delinqüente, isso pode virar como uma epidemia, um vírus. A próxima vez que acontecer algo, o adolescente ou criança ficará com dois problemas: um, é que ele vai ter que resolver como agirá, por si só, ou por conselho de “amigo”; o outro problema, é que terá que resolver como agir. Infelizmente, os pais não podem querer transformar coisas proibidas, ilegais (o álcool para menores, por exemplo), em legais e permitir que seu filho faça uso, só para lhe agradar ou fazê-lo feliz, naquele momento.

Na relação entre pais e filhos algo que não é legal, inadequado, deve ser bem refletido, mas as respostas não precisam ser fechadas, taxativas. Elas podem ser mais na linha do terapeuta: dialogadas, refletidas, em paz, e com muito amor, em uma verdadeira comunhão de idéias e ideais. Verdadeiros acordos de convivência, que são coisas que a gente combina. São coisas negociadas, ajustadas. Se lembrarmos de nossa infância e adolescência, vamos lembrar que não foi fácil ser adolescente. Pois eles precisam ter referências que os valorize: terem em seu lar, o afeto, o respeito e o diálogo amigo e compreensivo. Se ele não encontrar em seu lar, irá, infelizmente, com muito mais avidez, buscar na rua, com os “amigos”. Aí vai precisar experimentar: vai provar um gole de cachaça, de uísque, uma cerveja, e até um “baseado”, ou uma cheiradinha!... Com certeza, isso não é prazeroso para ele. A primeira vez que experimenta, não é gostoso, mas ele se acostuma. O adolescente vai entrar na droga para ser igual, para ser aceito pelo seu grupo.

Meus caros amigos é extremamente necessário ajudar os filhos a tomarem decisões. A nossa grande missão de pais é ajudá-los a tomar decisões. Não podemos evitar determinados convívios dos filhos, mas podemos ajudá-los, para que eles próprios desenvolvam a habilidade de dizer não ao que não é adequado. Se eles estiverem numa balada de “baseado”, eles não precisam dar recados, nem mensagens, simplesmente vão dizer não. E assim, se estiverem num grupo onde estão bebendo etc. Não precisamos tirar eles de lá. Devemos ensiná-los a se portar bem onde estiverem, com amor, carinho e dedicação.   Jesus nos ensina a agir, pois está em seu Evangelho: “Ó Pai, não peço que os tire do mundo, mas que os guarde do mal”. Para nós pais vale a mesma oração: não vamos tirar os filhos do mundo. Ficar toda hora falando: “meu filho, minha filha, não vai ali ou lá, etc”. De repente ele se rebela contra as normas rígidas impostas, e aí vai para o mundo e acha que pode tudo e quer tudo e faz tudo. Não quer mais saber o que é certo, legal ou ilegal. Ele vê muitas coisas mentirosas e muitos cínicos e hipócritas por ai, e se revolta.

Para um adolescente ter pais que não se importam com ele, não é o melhor. Pode ter aparência de ser bom, mas isso não faz o adolescente se sentir melhor. Para tudo precisa haver um bom senso, um equilíbrio.

A gente tem que fazer um acompanhamento sem “exasperá-los” ou pegando demasiadamente no pé, deixando os adolescentes terem a sua naturalidade. É bom para eles sentir que alguém tem esperança e confiança neles. O melhor é termos nossos filhos, como uma motivo pela qual somos apaixonados, ao invés de tê-los como uma obrigação, um trabalho sobre o qual temos de responder. Tem que ter essa relação de que é algo que se faz por prazer.

Por outro lado, levá-los à autoconfiança, a auto-valorização e auto-estima. Se nós queremos filhos que sejam “vencedores”, vamos fazer como a criança que, quando semeia sementes de feijão, larga a semente e fica cuidando para ver os brotinhos crescerem imediatamente. Vamos criar esta expectativa, que não é deles, mas nossa, devemos deixá-los ter suas próprias expectativas.

Todo o longo período da adolescência é uma lenta preparação para a fase adulta. A adolescência, quando vivida de forma adequada, proporciona um lento afastamento da infância e a aquisição da autonomia que permite ao jovem se inserir no mundo.

A "crise da infância perdida", (conforme Roberto Girola, psicanalista) se alastra de forma, mais ou menos, clara durante toda a adolescência e pode até ter manifestações mais intensas quando se torna evidente para o jovem que a infância está definitivamente perdida.

A entrada no mundo do trabalho pode representar esse momento, pois é quando o jovem percebe que deixará de depender dos pais e que terá de prover sozinho seu sustento, bem como o sustento de sua futura família.

Para alguns jovens esse momento traz uma sensação de melancolia. É como se algo muito valioso estivesse irremediavelmente perdido. Trata-se de uma sensação muito próxima do luto, pois há uma percepção de que algo está morrendo. Mas o que exatamente está morrendo? Trata-se da sensação de segurança proporcionada pela dependência dos pais. Um mundo de afetos e de referências seguras parece estar definitivamente perdido.

Nem sempre esse sentimento é claro para o jovem. Às vezes, a isso se misturam também certa revolta contra os pais que o estão "abandonando" a seu destino e um sentimento de raiva que, paradoxalmente, nasce da sensação oposta, ou seja, do fato de se sentir ainda dependente deles. Todos esses sentimentos contraditórios, evidentemente, deixam o jovem confuso e com uma sensação interna de angústia, agravada pelas dificuldades | externas, devidas a circunstâncias que j não dependem dele. Basta pensar na dificuldade que o jovem hoje encontra para se inserir no mercado de trabalho. O salário oferecido é desencorajador e as exigências feitas para obter o cargo, geralmente, são desproporcionais. Tudo isso aumenta a sensação de impotência e de rejeição que o jovem sente nesse momento.

Por outro lado, esse é também o momento em que os amigos que constituíam a turma do jovem começam a namorar, deixando, portanto, de lado os que ainda são "solteiros". É claro que tudo isso aprofunda ainda mais a sensação de solidão e de abandono do jovem nessa fase da vida. O fato de não estar com uma namorada pode também envolver a sensação de incapacidade, de inadequação e de inaptidão, aprofundada pela dificuldade de arranjar um emprego.

O que como pais, como a família nós podemos fazer nesses casos? Bem, do ponto de vista prático, não há muito que fazer, pois é importante que o jovem viva, passe por esses momentos e que os supere sozinho. O que, porém, é importante é que o jovem se sinta apoiado e compreendido em suas angústias e tristezas. Ou seja, que ele possa viver sua angústia na presença de alguém solidário e amigo, mas que não o cobra e que procura compreendê-lo e acolhê-lo.